Uma das imagens que emerge da crise americana é a de um Barack Obama bem diferente do que conheci durante um comício em Sarasota, na Flórida, em uma manhã do final de outubro de 2008, a poucos dias da eleição. Era um homem esbelto, cheio de energia, nariz empinado pela certeza de suas convicções. Hoje, a cada aparição que se transformou em apelos quase desesperados nos últimos dias, o presidente americano tem exibido um rosto marcado pelo stresse e as noites insones na Casa Branca. Está visivelmente mais magro e com cabelos mais grisalhos.
A queda de braço no Congresso americano roubou de Obama os pontos de popularidade que recuperara com a captura e morte do inimigo público número 1 dos EUA: Osama bin Laden. Agora, com o país dando vexame para o mundo ver, sua aprovação caiu a 40%, a mais baixa desde que assumiu a presidência. É uma queda de 12 pontos desde o início de maio, quando os americanos mataram o líder da rede Al-Qaeda no Paquistão.
O que se viu na última semana foi um teatro político entre republicanos e democratas, que, caso ocorresse em qualquer país latino-americano, chamaríamos de "novela"... Todos sabíamos que o acordo sairia nos descontos do segundo tempo, na undécima hora. Ninguém, nem governo tampouco oposição, gostaria de ficar como o vilão do primeiro calote dado pela mais poderosa (?) economia do mundo. Assim, saiu o acordo, a menos de 48 horas do deadline da terça-feira, 2 de agosto.
Muitos verão em Obama o salvador da pátria, e é nisso que os democratas tentaram transformá-lo nos bastidores do jogo político. Outros verão os republicanos como irresponsáveis, ao deixarem o país à beira da falência. Por trás de todo circo de Washington desses dias está a eleição do ano que vem. Ao que parece, nenhum republicano conseguirá tirar de Obama a reeleição. Mitt Romney é o nome da oposição mais forte até o momento, mesmo assim tem pouquissimo apoio dentro do partido e entre a população. Uma certeza: apesar do acordo deste domingo - e um respiro de alívio que já se sente soprar das bolsas que começam a abrir do outro lado do planeta - o principal adversário de Obama na eleição de 2012 ainda será a economia.


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