Há pouco, resumi na Rádio Gaúcha o que vi e o que senti nesse domingo aqui em Nova York. Mas queria dividir com vocês, aqui no blog, essas sensações. Foi um dia de extrema emoção, acordei às 5h da manhã, montei minha mochila com laptop, câmera fotográfica, de vídeo, um celular com internet e uma jaqueta, para o caso de chover. Desde muito cedo, me dirigi ao Ground Zero, o local onde ficavam as torres gêmeas. O esquema de segurança sem precedentes mostrava-se ainda mais efetivo. Depois, foi uma sucessão rápida de grandes momentos: a leitura dos quase 3 mil nomes dos mortos nos atentados. Seis minutos de silêncio ao total. Tudo isso deu contornos históricos e épicos a este domingo. O primeiro momento de silêncio, às 8h46min, marcando o instante exato em que o primeiro avião atinge a Torre Norte, pra mim, foi o mais forte, talvez por ter sido o início de tudo. De arrepiar!
Naquele vazio imenso do local onde ficavam as torres, hoje inaugurado um memorial, o cantor Paul Simon tocou The Sound of Silence. E de certa forma o novo e o velho EUA, aquele de antes de 11 de setembro e o de hoje, estavam presentes nas figuras dos presidentes Barack Obama, o atual, e George W. Bush, o ex. Obama leu um salmo, Bush leu uma carta de Abraham Lincoln na guerra civil americana a uma mãe que perdeu seus filhos no conflito. Não houve discursos longos.
Se eu tivesse que resumir em uma imagem o dia, para mim, foi a das crianças que levaram um pedaço de papel e passaram giz de cera por sobre o nome de seus familiares, para que ficasse em relevo gravada a inscrição. E assim eles puderam levar pra casa um pouco daquilo tudo. Isso me marcou porque sei que, para muitas pessoas, aquilo ali era como se fosse um velório tardio, muitas jamais viram o corpo de seus queridos, que nunca foi resgatado dos escombros.
Os ataques abalaram mais que os símbolos do capitalismo. Atingiram também a estrutura da economia mundial, com reflexos muito presentes principalmente hoje quando os EUA estão em crise econômica, que afeta direta e indiretamente também a nossa economia brasileira.
As turbulências na economia durante esta década são reflexos, em grande parte, das decisões tomadas pelas autoridades americanas após os ataques. Exemplos disso são as mudanças na política econômica com juros mais baixos, estímulos ao consumo, falhas na regulação do sistema financeiro, descaso com a evolução do endividamento das famílias, farta oferta de crédito e as guerras no Iraque e no Afeganistão, que demandaram investimentos bilionários no setor de armamentos.
Nunca Nova York viu uma demonstração de força como essa: com policiais nas ruas, vasculhando carros em busca de explosivos, revistando malas, mochilas das pessoas no metrô. Uma operação que beirava a paranóia… Todo esquema de seguranca montado, o medo, mostra que não apenas os EUA, mas também nós, ainda, 10 anos depois, somos reféns do terror.
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