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Posts de outubro 2011

"Por que o Brasil apoia Ahmadinejad?", questiona cineasta iraniano

31 de outubro de 2011 4

-  Lula apertou a mão de Ahmadinejad. Apertou uma mão contaminada pelo sangue de milhares de pessoas.

A frase é de Mohsen Makhmalbaf, cineasta iraniano, diretor de filmes como A Caminho de Kandahar, que está em Porto Alegre para palestrar no Fronteiras do Pensamento, nesta noite de segunda-feira. Perseguido pelo regime de Mahmoud Ahmadinejad, ele percorre o mundo para denunciar as sucessivas violações aos direitos humanos do governo dos aiatolás. Na tarde desta segunda-feira, em entrevista coletiva que antecedeu a palestra, Mohsen detalhou exemplos de intolerância no Irã atual e explicou como o Estado nas mãos de clérigos xiitas invade a vida privada dos cidadãos.

- No Irã, não queremos apenas democracia. Queremos democracia e secularismo – afirmou aos jornalistas.

Um exemplo: em dois anos, mais de 50 cineastas foram presos ou ameaçados para que não mandassem seus filmes para o exterior, para competir em mostras internacionais. Mohsen viveu no Irã até sete anos atrás, quando Ahmadinejad assumir o poder. Com o recrudescimento do regime, deixou o país, foi para o Afeganistão, onde morou por dois anos. Certo dia, estava no set de filmagem, quando uma granada foi atirada contra a equipe de produtores, cinegrafistas, atores e atrizes. Ele sobreviveu ao ataque, mas um membro do grupo morreu e outras 20 pessoas ficaram feridas. Era um sinal de que forças do regime iraniano haviam entrado em território afegão para matá-lo. Nova mudança: passou a morar no Tadjiquistão, mas o governo local começou a ser pressionado, e o diretor teve que se mudar para Paris. Na França, recebeu proteção do governo, mas, por razões de segurança o iraniano não revela onde mora e é obrigado a se mudar de tempos em tempos.

Ele conta que uma atriz iraniana foi condenada no país dos aiatolás a um ano de prisão e 80 chibatadas, simplesmente porque, durante um filme, seu cabelo apareceu mais do que o permitido. A filha de Mohsen, também cineasta, foi ameaçada: se voltar ao Irã será presa ou estuprada. Nas prisões iranianas tanto homens quanto mulheres são violentados sexualmente. Nas escolas, funcionários do governo perguntam para crianças se os pais “gostam ou não” de Ahmadinejad.

- E fazem tudo isso em nome de Deus – revolta-se o diretor.

Segundo ele, o povo iraniano está sendo crucificado. É comandado por sacerdotes islâmicos como um país da Idade Média.

- Estamos esperando a libertação – afirma.

Uma das cenas mais fortes descritas pelo diretor é de uma mãe que teve os dois filhos enforcados em praça pública, e seus corpos entregues “ainda quentes”.

- Ela disse não acreditar que eles estavam mortos porque os corpos ainda estavam quentes – contou.

Segundo Mohsen, 15 mil pessoas foram presas por motivos políticos no país em dois anos. E, quando 3 milhões de iranianos saíram às ruas para protestar em Teerã, o governo Barack Obama mandou apenas duas cartas a Ahmadinejad, condenando a ação. Pouco na opinião do diretor.

Mohsen afirma que o Brasil tem uma democracia de 20 anos, diz que os iranianos gostam muito dos brasileiros e que, desde criança, ele começou a admirar o futebol brasileiro por causa de Pelé.

-  Mas algo que o povo iraniano não entende é porque, apesar dessa tradição democrática, o governo faz contato com Ahmadijenad. Por que o Brasil apoia um homem que maltrata sua população? – questiona.

"Eu capturei Kadafi", diz jovem líbio ao jornal El País

31 de outubro de 2011 0


Reprodução do site do jornal El País, de Madri



Uma das melhores coisas que li no fim de semana foi a reportagem do jornal El País, que descobriu o jovem de 21 anos que diz ter sido o homem que encontrou Muamar Kadafi, em Sirte, logo após o bombardeio do comboio em que ele estava. Não há detalhes de quem ou como o ex-ditador foi morto – uma incógnita ainda hoje. Mas fecha algumas lacunas daquele dia, principalmente de como foi capturado. Na foto, Omram Yuma Shaban exibe as duas pistolas (uma dourada, que seria de Kadafi), botas made in London e um chapéu militar. Leia (em espanhol) aqui

Somos 7 bilhões. Há algo a comemorar?

31 de outubro de 2011 0

O jornal El País, de Madri, traz uma reportagem nesta segunda-feira interessante sobre os 7 bilhões de habitantes da Terra. Destaca principalmente o fato de a estatística representar a real dimensão do problema. “Os pobres não aparecem na celebração do crescimento da população”, diz o texto. Argumenta que em países como Congo, Nigéria e Índia não aparecem nas estatísticas, simplesmente porque não há censo em algumas regiões desses países. Isso significa que podemos ser bem mais do que 7 bilhões. Leia a reportagem em espanhol aqui

Abaixo, o vídeo da National Geographic sobre o assunto:




Máquina do tempo

27 de outubro de 2011 5

Bate-papo para as turmas do terceiro ano do Ensino Médio. Foto: Tiago Rigo

Estive no Colégio Rosário nesta manhã, para bater um papo com os estudantes do terceiro ano do Ensino Médio, sobre o meu livro Guerras e Tormentas. Voltar à escola onde se passou bons e inesquecíveis anos de nossa juventude sempre é uma experiência rica, é como entrar em uma máquina do tempo. Quando eu sentava às classes do Rosário, entre 1993 e 1995, ouvia os professores dizerem que Lauro Quadros e Pedro Simon haviam estudado lá. Era como um bálsamo diante da nossa ansiedade sobre o futuro. “Se o Lauro e o Simon estudaram aqui, tenho chance de ser alguém no futuro…”, eu pensava.

Que faculdade fazer?

Onde trabalharei?

Terei sucesso?

Serei feliz?

Para o mal e para o bem, essa idade, entre 16 e 18 anos, somos confrontados com essas perguntas: “O que você vai ser quando crescer?” deixa de ser uma questão que vem dos outros para se tornar uma dúvida interna nossa. Foi no Rosário que decidi pelo jornalismo. Na verdade, no Ensino Médio (ok, ok era o Segundo Grau, à época…). Eu me dividia entre Publicidade (porque gostava de Educação Artística), Jornalismo (porque gostava de História e de escrever) e Informática (porque gostava de tecnologia). Fiz o tal teste vocacional, e o resultado?

- Você deve trabalhar com Comunicação, e usar a informática para o seu trabalho”

Tudo bem, mas não resolvia a minha dúvida maior, afinal, Publicidade e Jornalismo são Comunicação. Para piorar, eu era extremamente tímido, e muita gente dizia que eu não ia dar certo no Jornalismo. Que devia fazer mesmo Publicidade.

Foi nas aulas de português que tive a certeza. Comecei a gostar mais de escrever e, depois, ler as redações em sala de aula. Com voz de locutor, me achando o William Bonner… Taí, vou fazer Jornalismo, optei.

Hoje, ao voltar ao Rosário, o primeiro choque foi estacionar o carro em um grande estacionamento que ocupa o lugar do nosso “areião”, o campão de futebol no qual fiz impossíveis defesas e tomei alguns frangos como goleiro. O campão onde ralei meus joelhos não existe mais. No local, um imponente e moderno prédio com estacionamento, elevadores, catracas, salas de aula, lancherias, mesas para os estudantes usarem seus notebooks e a feira do livro do colégio, que vai até amanhã. Isso do lado esquerdo da Rua Irmão José Otão. Ao atravessar a passarela, com o Tiago Rigo, amigo e assessor de imprensa do Rosário, outra mudança: antes, passávamos por um túnel, que ia por baixo da rua. Hoje, é uma passarela envidraçada, linda.

No prédio antigo, poucas mudanças. Afinal, fazem “apenas” 16 anos que saí do Rosário. Antes da palestra, dei um longo abraço a Genoveva, a Genô, que acompanha as gerações de estudantes que o Rosário formou, com o mesmo sorriso, voz calma e palavras amigas. O papo sobre o livro foi legal. Confesso que tentei ser o mais “moderno” possível. A própria palavra “moderno” já é, por si só, antiga, né? Mas, enfim, falei sobre jornalismo multimídia, novas tecnologias e contei algumas curiosidades das coberturas internacionais que fiz nesses 10 anos do século 21. Mas confesso que me senti um velho ao me referir à crise argentina de 2001.

- Havia um presidente na Argentina chamado Carlos Menem, que ficou 10 anos no poder.

Bah, Carlos Menem… E só faz 10 anos…

Por fim, depois de muitas risadas, olhos curiosos e uma plateia atenta, encerrei o papo, porque, afinal, não queria atrapalhar o recreio, horário que sempre considerei sagrado. Três meninas e um menino ficaram ali me fazendo algumas perguntas:

- Como separar o profissional do pessoal diante de uma tragédia como a do terremoto no Haiti? – me perguntou uma jovem que quer fazer Psicologia.

A mesma pergunta de um garoto, que quer Jornalismo. Expliquei, com exemplos que cito em meu livro, que é impossível separar os profissional Rodrigo, do ser humano Rodrigo, do filho Rodrigo, do amigo Rodrigo… Somos todos um. E ao mesmo tempo vários.

Galera do Rosário, muito obrigado pelo carinho e atenção nesta manhã. E, independentemente da profissão que escolherem, a exerçam com paixão. E quem sabe, um dia, vocês também voltarão, felizes e realizados, como eu e, arrisco dizer, o Lauro e o Simon, voltamos um dia. Apaixonados e realizados.

Hora do recreio: nos corredores do Rosário. Foto: Tiago Rigo


Feridas abertas

26 de outubro de 2011 8

Como parte do Cone Sul ensombrecido pelos regimes militares nos anos 60 e 70, o Paraguai fez vigorar sua anistia – no país, chamada de Ley de Caducidad – após o fim da ditadura. A legislação acabou com a possibilidade de julgamentos de militares e policiais acusados de tortura e outras violações de direitos humanos. À época, entendia-se que processos desse tipo seriam um obstáculo para o desenvolvimento da Justiça no país.

Em duas ocasiões, em 1989 e em 2009, o Uruguai realizou plebiscitos, nos quais a maioria da população disse “não” à derrubada da lei. Agora, sob governo de esquerda do ex-guerrilheiro José Mujica, o país discute novamente a penalização dos envolvidos em atos de terrorismo de Estado entre 1973 e 1985. Como não conseguiu aprovar por meio popular, a tentativa do governo é pelo Legislativo.

A proposta de acabar com a prescrição de crimes considerados de lesa-humanidade foi aprovada ontem no Senado, e hoje, a Câmara debate o tema, em uma sessão que deve invadir a madrugada. Em ambas as casas, a Frente Ampla, de esquerda, de Mujica, tem maioria. Se passar na Câmara, a nova legislação já valerá a partir do próximo terça-feira – quando passariam a prescrever, segundo ratificou a Suprema Corte, os crimes de direitos humanos.

Os militares já avisaram que irão apresentar também denúncia penal contra ex-guerrilheiros – inclusive o próprio presidente. Está reaberta a ferida.

Por que é importante prestar atenção na Tunísia?

25 de outubro de 2011 0

Berço da Primavera Árabe, a Tunísia é o grande laboratório social do que deverá ocorrer nos países do norte da África após as revoluções que varreram as ditaduras daquela porção do planeta. É a primeira nação a realizar eleições – Egito começa seu pleito em 28 de novembro, e a Líbia só agora começa a sair da guerra. É interessante observar como ficará a relação de forças entre partidos islâmicos e seculares – e diante do temor do crescimento de movimentos fundamentalistas, como a Irmandade Muçulmana, no caso egípcio.

Na Tunísia, que foi às urnas no domingo, resultados parciais confirmam que o partido islâmico Ennahda será o vencedor – até o momento, tem 37 de um total de 87 vagas já definidas para a Assembleia Constituinte. O partido, no entanto, não deve alcançar maioria e terá que buscar alianças políticas – o principal partido secular Congresso para a República já aceitou a parceria.

O Ennahda é dirigido por Rachid Ghannouchi, um pesquisador que passou 22 anos exilado na Grã-Bretanha devido a perseguições sofridas durante o governo do ditador Zine al Abidine Ben Ali. Moderado, tem prometido um governo moderado, ao estilo da Turquia do primeiro-ministro Tayyip Erdogan.

Ditador do Iêmen aceita deixar o poder

24 de outubro de 2011 0

As imagens de Muamar Kadafi ensanguentado, cambaleante, carregado por rebeldes após sua captura, na semana passada, já produziu os primeiros resultados fora das fronteiras líbias. O ditador do Iêmen, Ali Abdallah Saleh, aceitou a resolução do Conselho de Segurança da ONU, aprovada na sexta-feira, para passar o poder para seu vice, Abdo Rabu Mansur Hadi. Ele tem agora 30 dias para fazer a transição.

Saleh é presidente desde a unificação do norte e do sul do país em 1990 e desde 1978 governava o Iêmen do norte. O país é o mais pobre do mundo árabe e vive há seis meses uma revolta por democracia. Em julho, um Saleh ficou ferido em um ataque contra o palácio. Recebeu tratamento na vizinha Arábia Saudita e retornou ao Iêmen.




Começa a era "Cristinista"

23 de outubro de 2011 2

Antes de projetarmos como deve ser esse segundo mandato de Cristina Kirchner na Argentina, vamos analisar como ela chegou até aqui, avassaladora neste domingo, ganhando no primeiro turno, ao que tudo indica com mais de 50% dos votos. Até o início de 2010, o cenário político no país vizinho era bem diferente: a aprovação da presidente Cristina despencara perto dos 20%, ela enfrentava um escândalo de financiamento partidário, vivia às turras com agricultores no campo e, na cidade, com a imprensa – especialmente com o jornal Clarín. Tudo levava a crer que o plano do casal K (Néstor e Cristina Kirchner) de se perpetuar no poder por pelo menos 20 anos iria naufragar no Rio da Prata.

Conheci Néstor em 2003, quando cobri, como enviado de ZH, o primeiro turno da eleição que sepultaria a era Carlos Menem. Néstor era um político pouco conhecido fora da gélida província natal de Santa Cruz. Parecia desengoçado, era estrábico e vestia um nada elegante terno dois números maior. Foi em um teatro próximo ao Colón, em Buenos Aires. Sua mulher, Cristina, chamava mais a atenção pela beleza do que pela influência política, embora analistas locais afirmassem que ela, já senadora, tinha luz própria. Não acreditei. E errei.

Só na eleição de 2007 foi possível perceber que ela tinha alguma luz, embora, ao ser eleita presidente mais parecia um fantoche nas mãos do marido e ex-presidente. Veio 2010 e a morte inesperada de Néstor, que culminou em uma catarse de emoção só vista em velórios como o de Evita e Perón. Cristina soube aproveitar o momento: catalisou a comoção, vestiu preto, ganhou luz própria.

Surfou na onda de um bom momento da economia do país, apesar das crises internacionais. Colheu bons frutos da política monetária e econômica do período de Eduardo Duhalde, viu a economia crescer 9% no ano passado e conseguiu reduzir a taxa de desemprego. Resultado: na casa dos argentinos, a vida melhorou. E eles esqueceram os escândalos.

Some-se a isso uma fragmentação política da oposição que já vinha ocorrendo em pleitos anteriores, inclusive naquele lá de 2003. Hermes Binner, Ricardo Alfonsín, Elisa Carrió e as raposas políticas Eduardo Duhalde e Alberto Rodrigues Saá puxaram, cada um para um lado. A oposição, que nunca foi forte, fragmentou-se ainda mais.

Em agosto, as primárias confirmaram essa tendência: Cristina ganhou com 50,2%, deixando o segundo colocado, Ricardo Alfonsín, 38 pontos atrás. Foi uma espécie de primeiro turno.

O que podemos esperar desses próximos anos de Cristina na Casa Rosada? Voltei algumas vezes à Argentina nesses anos, a última vez no início de 2011, durante a primeira viagem internacional da presidente Dilma Rousseff. Cristina nem de longe parecia aquela senadora e candidata à primeira-dama de 2003. Havia consolidado seu poder político.

Daqui pra frente, seu poder é só dela. Tem o aval de mais de 50% dos votos, na maior votação de um presidente desde a retomada da democracia. Nesses últimos meses, ela não deixou vazar nenhum plano de administração para o novo mandato. Mas como deve ter maioria (ainda que dependendo de alianças) na Câmara, não terá dificuldade em aprovar seus projetos. As brigas com a imprensa irão continuar – nesse quesito, aliás, Cristina flerta com o autoritarismo, ao melhor estilo populista latino-americano – e, com superpoderes, é capaz de se julgar no direito de ameaçar ainda mais a liberdade de imprensa. Também estarão presentes: a pouca divulgação de dados oficiais, estatísticas sobre desemprego, economia – que a oposição e parte da imprensa acusam de serem maquiados. Também continuará a luta para pôr na cadeia e levar a julgamento antigos torturadores e criminosos da época do regime militar.

Mas seu mais polêmico projeto deverá ser uma reforma constitucional que a permitira tentar um terceiro mandato em 2015 – seria o quarto dos Kirchner, contando o de Néstor (lembra algum outro presidente do continente?). Não duvide, o plano do casal K sobrevive. Hoje na pele de Cristina. Por isso, arrisco dizer que chegamos ao fim do “kirchnerismo”. Estamos diante da era “Cristinista”. Resta saber se o já cambaleante peronismo, de Juan Domingo Perón, também está no fim.

O que foi notícia no fim de semana pelo mundo

23 de outubro de 2011 0

Um forte terremoto (7,2 graus na escala Richter) atingiu a província turca de Van, próximo à fronteira com o Irã. Até o momento, há pelo menos 138 mortos (números oficiais) e 350 feridos. Esse número deve subir – é normal um número baixo de mortos nesses casos o aumento, à medida que os escombros vão sendo removidos. Estima-se que entre 500 e 1.000 pessoas tenham morrido. A Turquia e o Irã ficam em uma região extremamente propícia para terremotos, na falha conhecida como Anatólia. Os tremores fracos são comuns, mas uma vez a cada dois anos, média, há um grande terremoto naquela área do planeta.

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Na Líbia, o novo governo declarou neste domingo a libertação formal do país, depois de 42 anos de ditadura. Foi como o grito de independência. A cerimônia foi em Benghazi, a capital rebelde. Guerrilheiros que voltaram do confronto e Syrte, a cidade onde o ditador foi morto, foram tratados como heróis. O corpo de Kadafi será entregue a tribo à qual pertence a família para que seja realizado o ritual fúnebre.

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Ali do lado, na Tunísia, um dia histórico. O país onde começou a Primavera Árabe realizou hoje as primeiras eleições livres. Foi lá que começou há 10 meses o movimento que levou à deposição do ditador Zine al-Abidine Ben Ali (que depois fugiu para a Arábia Saudita). Isso inspirou revoltas no Egito, na Líbia, e, atualmente, no Iêmen e na Síria. Na Tunísia, há uma tensão, como em todos os países pós-revolução, entre movimentos que pregam o secularismo e os islâmicos. No país, o favorito é Rachid Ghannouchi, de um partido islâmico moderado chamado Nahda. Se ganhar, ele promete um governo ao estilo do primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan.

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E um satélite alemão de pesquisa desativado caiu em algum lugar no sudeste da Ásia, possivelmente entre o Sri Lanka e a China. Os pesquisadores acreditam que os restos tenham caído em alguma região desértica porque, até o momento, não apareceram imagens dos resquícios.

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Outro fato do fim de semana é a eleição na Argentina, onde Cristina Kirchner conquistou mais um mandato presidencial. Daqui a pouco, escrevei uma análise aqui sobre o que virá por aí.

Vídeo: o matador de Kadafi

21 de outubro de 2011 1

Em uma gravação que surgiu hoje, um jovem confessa ter sido o autor dos tiros que mataram Muamar Kadafi. Nas imagens, ele mostra o que seria a aliança e um casaco do ditador.


Análise: o futuro da Líbia em debate

20 de outubro de 2011 0

Zero Hora esteve na Líbia em três ocasiões este ano. Eu em fevereiro, quando fiz uma incursão até Nalut nos primeiros dias do fim do regime Kadafi, e o colega Humberto Trezzi, primeiro em Ras Lanuf e depois na capital, Trípoli. No vídeo abaixo, conversamos sobre o futuro do país e da Primavera Árabe.


Ocidente tem compromisso moral na era pós-Kadafi

20 de outubro de 2011 0

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, anunciou que a aliança encerrará a missão no norte da África. Está falando, certamente, do componente militar. Porque o compromisso moral da comunidade internacional com a Líbia não termina com a morte de Muamar Kadafi.

Em março deste ano, lembro bem, a Primavera Árabe chegara a um impasse: com poder de fogo limitado, sem apoio internacional e contando com combates mal treinados, os rebeldes estiveram muito perto de serem sufocados pelas forças de Kadafi. Ras Lanuf e a capital rebelde, Benghazi, foram duramente bombardeadas e quase capitularam. Em visita ao Brasil, o presidente Barack Obama deu o sinal verde para que a Otan iniciasse sua campanha para neutralizar Kadafi e seus aliados. E foi graças aos bombardeios da aliança atlântica, por ar e mar, e às armas do Ocidente que os rebeldes chegaram à Trípoli, derrubaram o regime e, agora, capturaram Kadafi.

O Conselho Nacional de Transição é um saco de gatos com interesses diversos: estão lá jovens blogueiros, a classe média formada por advogados e médicos que da noite para o dia foram obrigados a aprender a usar armas e jogados ao front, anciãos, velhos políticos, apoiadores da monarquia e, por fim, os muçulmanos fundamentalistas – sem falar de remanescentes do antigo regime que ainda orbitam os bastidores do poder.

São mais de 130 tribos líbias, no total, que durante os 42 anos de Kadafi no poder foram forçadas a viver juntas, a exemplo do que ocorria na Iugoslávia de Tito. Para não cair no risco de uma “iraquização” da Líbia, a comunidade internacional tem o dever moral de apoiar a transição para a democracia. Há também, é claro, interesses em jogo: diferentemente da Tunísia e do Egito, a Líbia tem petróleo.

Indícios apontam para execução de Kadafi

20 de outubro de 2011 0

Vídeos e fotos surgidos até o momento revelam que Muamar Kadafi foi capturado vivo. Ele teria sido assassinado depois, possivelmente com um tiro na nuca após as cenas em que aparece carregado por seus algozes.

Dois filhos de Kadafi – Mutassim e Saif al-Islam – também teriam sido mortos, em circunstâncias não reveladas, segundo a rede al-Arabiya. O chefe de inteligência do regime, Abdullah al-Senussi, foi morto em Sirte.

A Anisitia Internacional pediu uma investigação independente sobre a morte do ditador. Ao que tudo indica, como era de se esperar, a operação passou ao largo de qualquer lei de guerra ou direito internacional.

Kadafi foi capturado vivo

20 de outubro de 2011 1

Vídeo exibido por TVs árabes mostram que rebeldes capturaram Muamar Kadafi vivo. Nas imagens, ele aparece com o rosto ensanguentado. Mas caminhando. Foi morto depois, possivelmente no caminho para Misurata. Veja:


Surge outra foto de Kadafi, agora morto

20 de outubro de 2011 0

Imagem reproduzida pela rede Al-Jazeera.

Reprodução: Al-Jazeera