Mesmo com as apurações em andamento, já é possível tirar algumas lições dessa maratona eleitoral nos EUA, a Superterça:
A disputa acirradíssima entre Mitt Romney e Rick Santorum pela cereja do bolo - Ohio - mostra que os conservadores estão absolutamente divididos. Os 66 delegados do Estado serão divididos entre os candidatos vencedores - ou seja, como se esperava, apenas o número de representantes que o Estado distribui não é o mais importante. Vencer em Ohio virou (escrevo antes do final da apuração no Estado) uma questão moral, um trunfo.
Santorum venceu até agora em três Estados Tennessee, Oklahoma e Dakota do Norte. Isso mostra que o candidato ultraconservador deixou de ser um azarão para se tornar um firme concorrente à indicação do partido.
Romney, acredito, atingiu seu teto. Ganhou nos Estados óbvios, como Massachusetts, onde foi governador e mantém sua base eleitoral. A aproximação de Santorum mostra que ele não é favoritíssimo, tampouco capaz de consolidar sua candidatura.
Ron Paul é um fracasso. Não ganhou e não deve ganhar nenhuma prévia.
Newt Gingrich ganhou Georgia, onde era esperado, e deve parar por aí.
A disputa eleitoral no campo republicano está polarizada a partir de agora entre Romney e Santorum. A tendência é que Ron Paul e Gingrich abram mão da corrida pela indicação do partido nos próximos dias. Ultraconservador, Santorum é o queridinho da classe média republicana - que não se identifica com o multimilionário Mitt Romney. Está em crescimento.
Romney estabilizou. Não passa de onde está, embora ainda seja favorito quando a disputa é com Barack Obama, segundo as pesquisas - algo que pode mudar a partir de hoje.
A Superterça, que era para ser um dia de decisão, acabou se tornando uma jornada de indefinição. A novela vai continuar - o que desgastará ainda mais o Partido Republicano, enquanto Obama canta, distribui sorrisos e colhe votos por aí.


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