Em um processo judicial que durou cinco anos e custou US$ 250 milhões, o carniceiro da África Charles Taylor, ditador liberiano cujas mãos estão manchadas pelos diamantes de sangue que tirava do solo de Serra Leoa e trocava por armas, foi condenado pela Justiça internacional. Mas não era o único responsável pelo exército de crianças-soldados recrutadas para as fileiras de guerras civis esquecidas nos grotrões da África.
Taylor era financiado por Muamar Kadafi, o ditador líbio que morreu no ano passado pelo levante em seu país. Outro de seus capos era Viktor Bout, ex-agente da KGB, preso em Nova York e tido como o maior traficante de armas do final do século 20 – cuja história é retratada no filme O Senhor das Armas (2005), com Nicolas Cage.
Diamantes embelezam os dedos de mulheres, mas já levaram embora as mãos de milhares de crianças africanas. Lindos e poderosos, são moedas mais valiosas do que dólares. Pagam empréstimos internacionais, propinas e principalmente armas. Mesmo os maiores, como Taylor, são apenas peões. Por trás dos saques de diamantes, estão empresas americanas e europeias que compram os diamantes do encharcado solo africano para vender no mercado internacional.
Segundo a revista New African, a centenária De Beers comprou em 1991 entre US$ 500 milhões e US$ 800 milhões em diamantes de mercenários independentes, muitos laranjas de ditadores como Taylor. Essas nunca foram e nem serão condenadas.
DA COLUNA DIÁRIOS DO MUNDO, DE ZH DE DOMINGO




Comentários