Conheci o cônsul de Israel em São Paulo, Ilan Sztulman, em 12 dezembro de 2000. Eu, repórter iniciante. Ele, capitão do exército israelense. Encontrávamos, eu e o fotógrafo de ZH Ronaldo Bernardi, em um hotel do centro de Porto Alegre. Havia apenas nove semanas, Sztulman exercia uma nova função: era chamado a ser o porta-voz das forças armadas de Israel para a imprensa internacional. Suava diante do calor de Porto Alegre. Mais úmido do que o de São Paulo, sua terra natal. Mais úmido do que o de Israel.
Fotógrafo por formação, Sztulman, torcedor do Santos, recebeu ZH com o uniforme das Forças de Defesa de Israel. A pedido do Ronaldo, ele se deixou fotografar no terraço do hotel, de onde tínhamos uma bela visão da capital gaúcha.
Hoje, foi com alegria que vi sua foto e entrevista em ZH. Eu, no Líbano. Ele, cônsul de Israel em São Paulo. Seu olhar amigável me fez reconhecê-lo. Desde que vi sua imagem – ainda madrugada aí no Brasil, manhã de quinta aqui no Oriente Médio -, mandei um e-mail à editora Vivian Eicher:
- Eu conheço esse cara.
E lá se vão 12 anos.
Supreendeu-me ver Sztulman confirmar a tese que nos últimos dias ganharam as redes sociais, de que o Irã estaria planejando um atentado contra alvos israelenses no Brasil. Sei que há informações de inteligência nesse sentido, mas, no momento, o Hezbollah, o braço armado do regime iraniano no Líbano, tem outras questões a se preocupar. Por exemplo, evitar a derrubada anunciada de Bashar al-Assad – e, se pra isso for preciso, incendiar o Líbano. O Brasil é secundário nas políticias mundiais – ainda que queira ser falcão no xadrez internacional. Ainda não é o momento. O Hezbollah tem outras procupações.
O governo sírio, posso garantir, vê o Brasil como aliado – por mais que rejeitemos sua ditadura. Assim como o Irã, que ainda tem certeza, nos meandros diplomáticos, que o nosso governo o apóia.
Quero crer no que me disse Sztulman em 2000. À época, ele me contou: tinha um amigo palestino, que, quando ia a sua casa, em Jerusalém, pedia que ele vestisse sua farda israelense. Assim, diante dos filhos palestinos, esse amigo conseguia provar: mesmo tendo um amigo usando a roupa do exército israelense, não deixava se ser seu AMIGO.
Em 12 dias no Oriente Médio, o que mais sinto dificuldade é que as pessoas entendam que é possível ser católico, evangélico, judeu, espírita, muçulmano, budista.... E tudo bem... Quem sabe um dia poderão todos por aqui dizer: "Olá... Tudo bem? Vamos jantar?"





























































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