18h58min
Sou chamado à ponte de comando. O comandante Ricardo Gomes está preocupado. Um navio não responde aos chamados por identificação. É possível avistá-lo. Gomes compara com a imagem de embarcações em um grande livro, uma espécie de dicionário de navios. É um Moma de inteligência russo. Esta é a terceira vez que ele aparece na área desde o início da missão.
— Ele está descendo em direção ao Sul. E um navio russo nessa região é um sinal.
A Rússia é um tradicional aliado do regime de Bashar al-Assad na Síria. Sua presença na área é uma demonstração de poder. Como não responde ao rádio, a tensão se estabelece. Estamos a 60 quilômetros da costa. A União aproxima-se da embarcação suspeita. Na sala de comando, com binóculos e máquinas fotográficas, os militares tentam identificar o nome do navio. Quando surge um sinal avisado pelo sinaleiro — o militar no posto de observação mais alto.
— Ele está dizendo boa viagem — alguém grita.
É o código internacional de sinais. Os militares correm para responder.
— Também desejam boa viagem.
Mas a presença do navio na área é uma clara violação dos acordos com a ONU e o episódio será informado ao comando da missão.
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As luzes brancas são substituídas pela luz encarnada que toma os corredores. Ela é usada para que os pilotos do helicóptero se acostumem mais rápido à escuridão lá fora, no caso de voo noturno. No alto-falante, uma voz de comando decreta o fim do dia:
— Boa noite!











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