6h da manhã, o alto-falante anuncia:
- União, bom dia! A temperatura ambiente é de 22C, da água 18C.
Em seguida, vem um resumo das notícias no Brasil e uma agenda das atividades, que inclui até o cardápio.
Ouço um tanto sonolento. O aviso não chega a me acordar. Estou das 5h entre dorme-acorda-dorme-acorda de novo. Acostumado a cobrir o ambiente militar, sei que o pessoal acorda cedo. Não seria eu a estragar a tradição.
A noite foi tranquila. Estava cansado, com as pernas doendo do primeiro dia a bordo. Depois do café da manhã, preparo minha própria agenda: prioridades de entrevistas, um papo mais demorado com o comandante Ricardo Gomes para entender os meandros da missão e detalhes da Fragata, demonstração de interceptação de navios suspeitos e o esperado voo de helicóptero.
Na popa do navio, tivemos uma encenação de como os capacetes azuis agem caso seja necessário entrar em um navio para inspeção da carga.
À tarde, um militar de ligação, pertencente à marinha do Líbano, deixa a embarcação de Bangladesh e se integra ao efetivo da União. Quando saio para observar essa operação, me surpreendo com a visão das montanhas que cercam Beirute. Há uma neblina no horizonte, mas mesmo assim, o skyline (nunca pensei que usaria essa expressão para Beirute) da cidade me alegra depois de quase 30 horas no mar.
A aproximação da terra é uma operação de risco. É quando o navio fica vulnerável diante dos chamados ataques assimétricos. O termo usado até então apenas na bibliografia militar começou a ganhar popularidade após o 11 de setembro de 2001. Um ataque assimétrico nada mais é do que o inimigo não estar caracterizado como militar. Não é uma força regular, um exército. Pode ser um homem-bomba ou terroristas como os que atacaram Nova York naquela manhã de 2001, usando facas de cozinha para sequestrar os jatos.
No caso da costa do Líbano, um ataque assimétrico poderia vir de uma lancha civil, aproximando-se, disfarçadamente, para depois detonar explosivos. Por isso, militares da União são posicionados nas metralhadoras .50 a bordo.
A comida a bordo é excelente. Eu, que sou chato com comidas estranhas, não me sinto fora de casa. Talvez porque seja feita com o nosso tempero e o toque brasileiro, é claro. No almoço: salmão maravilhoso.
À tardinha, veio o esperado voo no Super Lynx AH-11 A, o helicóptero da embarcação (já descrevi abaixo, mas não resisti e coloquei mais fotos desse momento pra vocês).
Em Zero Hora papel, amanhã, mostro como a guerra na Síria está se espraiando para o Líbano. Agora são 23h44min aqui (aí pelo horário de Braspilia 17h44min). Estamos a 30 quilômetros da costa, no quadrante Norte, entre Beirute e Trípoli. Boa noite a todos!












Tarde da noite, bem tarde mesmo...um texto p acabar, uma revisão d um trabalho e teu blog com a "Missão Líbano" p ler, sabes q admiro teus textos, isso nem é novidade, mas sempre consegues me surpreender com teus relatos repletos d verdade, paixão pelo q faz e acima d tudo a visão d um jornalista q coloca emoção em cada palavra. Como não acompanhar?
Mto obrigada por dividir cada pedacinho da Missão Líbano aqui, permitir essa viagem ao teu lado, mesmo a mtos quilômetros d distância, distância essa q separa as pessoas, mas nunca separa as histórias. Se cuida, parabéns por seres assim...um jornalista p se admirar.