Aqui do alto, a fragata União, um dos maiores navios da Marinha brasileira, não passa de um ponto cinza quase mimetizado ao azul do Mediterrâneo. A bordo do helicóperto Super Lynx AH-11A, subimos de 100 para 300 metros de altitude, em curva, com as portas abertas. O vento é forte. O sol se põe no Oeste, refletindo-se no mar, abrindo com raios um caminho para a fragata.
São todas figuras de linguagens que me vem à mente para buscar pontos concretos, aquele tal de “terra à vista”. Mas não há nada no campo de visão de 360 graus, a não ser o sol, o mar e a fragata. A União, minúscula lá embaixo, vira nosso único ponto de referência.
O Super Lynx pode ser equipado com metralhadoras e foguetes, dependendo da missão. Aqui, no Líbano, é utilizado para interrogar navios suspeitos, para transporte de oficiais entre a terra e a fragata ou em casos de emergência para deslocamento de feridos para hospitais em Beirute.
Depois de 20 minutos de sobrevoo, iniciamos a descida. Pousar um helicóptero em terra não é uma procedimento simples. Muito menos em um navio em deslocamento. A missão, porém, foi fácil, graças à experiência do capitão-tenente Glaucio Alvarenga Colmenero, um dos pilotos. Não chegamos nem perto da mais difícil – à noite, os pilotos precisam decolar e pousar olhando apenas para os instrumentos. Aí, não há sol, mar e a fragata vira apenas um ponto de luz na escuridão.






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