Acordei às 7h, em minha última noite no camarote 105 da fragata União. Dormi pesadamente desde à 1h, quando me espremi na cama estreita da fragata. O balanço do mar, este sim, já me acostumei. Sinto-me como um velho lobo do mar. Estou brincando. Não é para tanto. Conversando com um oficial, soube que o navio, nesses dias, envergou no máximo cinco graus. Isso não é nada... Em dias de mar revolto, pode acontecer de chegar a 30 graus. E aí, haja estômago...
Felizmente, nesses três dias a bordo, pouco senti os efeitos do mar. Mesmo à noite, quando a fragata União seguia patrulhando o Mediterrâneo, deslocando-se pela costa libanesa. A segurança e profissionalismo da tripulação deixavam-me tranquilo.
Mas voltando ao dia. Ao sair para o convés: terra à vista!!!! As montanhas de Beirute já compunham o horizonte. Era manhã de despedida. Quando desci da União, no porto, a caminho da fragata Liberal (que assumiria o comando), foi emocionante ver os militares perfilados nos diferentes convéses, à bombordo, em posição de sentido, como a zelar pelo meu trajeto. Muito legal!
A bordo da fragata Liberal, voltamos ao mar. Era hora da troca de comando. Em uma cerimônia muito bonita, no convés que serve de heliponto, houve a troca dos bonés. Os militares da Liberal tiraram o boné preto da Marinha e vestiram pela primeira vez o boné azul, da ONU. Simples, mas muito simbólico.

O convés principal da Liberal, com a tripulação já "empossada" com os bonés azuis da ONU. Foto: Rodrigo Lopes
O Brasil tem uma longa história de participações em forças de paz. Desde os anos 50, com os capacetes azuis de Suez, aqui mesmo no Oriente Médio, passando por El Salvador, Angola, Moçambique, Timor Leste, Haiti e tantos outros contingentes que não vou conseguir lembrar aqui, de cabeça. Por isso, vestir o boné da ONU é muito simbólico.
No momento da troca de bonés, a fragata União posicionava-se ao fundo, navegando em linha reta, enquanto o helicóperto Super Lynx sobrevoava as duas embarcações. A troca de bonés também ocorreu na União, cuja tripulação tirou os azuis, desagregando-se do contingente da ONU.

Tripulação da União deixa os bonés azuis para voltar a utilizar os da Marinha brasileira: Foto: Rodrigo Lopes
Em seguida, as fragatas ficaram lado a lado. Da Liberal, foi disparado um cabo até a proa da União. Houve uma troca de materiais, dentro de uma sacolinha, que simbolizou o câmbio de comando.

Comandante da frota naval da ONU, contra-almirante Wagner Lopes de Moraes Zamith, é recebido pelo comandante da fragata Liberal, capitão-de-fragata José LuizFerreira Canela
A Liberal é praticamente igual à União. Ambas pertencem à classe Niterói. Enquanto esta foi construída na Grã-Bretanha, a União foi levada ao mar no Brasil. Mas, a olho nu, é muito difícil diferenciá-las. Quase ousaria dizer que são iguais. Só não faço isso, porque aprendi, nesses três dias, com os marinheiros:
- Nada é tão diferente quanto dois navios iguais.
A frase me foi ensinada pelo capitão-de-corveta André Martins, chefe de operações da Liberal.
E é assim: para cada marinheiro, o seu navio tem alma. E isso, para quem ficou apenas alguns dias a bordo, posso confirmar: é a mais pura verdade.





Um dia sem ler teu blog e já estas em terra firme, "velho lobo do mar" heheh! Bela cobertura, emocionante mesmo, não sei se por conta do mar q serviu d paisagem, e eu apaixonada pelo mar, não resisti acompanhar...o fato é que o tema invade quem curte história, e boa história é assim, prende, segura, invade e faz a gente se sentir dentro do navio, certo, que o narrador favorece a boa leitura e permite os detalhes do centro de algo tão inatingível para nós. Realizar um sonho não é tarefa fácil. Em alguns momentos dá vontade de jogar tudo para o alto, aí a gente vê alguém que chegou lá, porque o negócio é sempre "chegar lá", mesmo que a gente não saiba exatamente onde o "lá" se encontra no mapa, aí a gente percebe que sempre vale a pena sonhar. Durante a vida, os sonhos vão mudando. Na verdade, acho que eles se transformam junto com a gente. Crescem, aprendem, amadurecem e, também, se reproduzem. Mas um sonho nunca morre. Ele pode mudar, mas não morre. Um sonho não pode ser abandonado...és o exemplo d quem acredita, vai e vence, e talvez por isso tuas coberturas tornem-se tão especiais.
Ah, sorry por escrever tanto e parabéns pela bela cobertura! ;)
Rodrigo, muito boa as suas reportagens sobre a Marinha Brasileira no Líbano. O retorno da União para o Brasil me deixa orgulhoso em ver o quanto foi significativo para mim como brasileiro e para a Marinha ter mostrado ao mundo que também podemos nos impor. Parabéns pelo trabalho.
Obrigada Rodrigo por me deixar durante esses três dias mais próxima do meu marido que serve na Fragata União. Obrigada, de coração.
eu acei um maximo pq eu vi uma foto q aparecia meu primo!!!!
eu achei um maximo pq eu vi uma foto q aparecia meu primo!!!!
natan vincentin meu mano saudades!!!!!!!!!