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O renascimento das milícias

24 de maio de 2012 1

Estou há 10 dias no Líbano. Evito sair de preto na rua, para não ser confundido com membros da Amal, grupo xiita pró-sírio. Evito o amarelo porque é a cor do Hezbollah. Quando deixo o hotel, tiro a corrente com crucifixo de prata que levo debaixo da camiseta. Pela meu porte físico, posso ser considerado americano. Pelo sotaque do meu inglês, acham que sou espanhol. E, pela cor do meu cabelo, temo que pensem que sou judeu. Exagero? Neurose? Bem-vindos ao Oriente Médio.

Isso que estou em uma das capitais mais cosmopolitas do mundo árabe, Beirute. Desde o tiroteio de domingo, a três quilômetros do meu hotel, há um medo latente do reaparecimento das milícias que racharam em fatias o país durante 15 anos. O Líbano é a caixa de ressonância de tudo o que acontece na Síria. Uma mini-síria, eu diria, com enorme influência – manteve tropas aqui até 2005 e ainda hoje exerce o poder por meio do Hezbollah, da Amal e de grupos alauítas.

Xiitas e cristãos apoiam Bashar al-Assad. Sunitas são contrários. Já houve mortes em Trípoli e Beirute. Na terça-feira, a capital amanheceu com barricadas e pneus em chamas em bairros xiitas. Nos últimos dias, ganharam força as ameaças de milícias de fechar o aeroporto internacional Rafik Rariri – o único do Líbano. Como aqui quem tem um partido político tem armas em casa, a sensação é de que basta um pequeno incidente – uma explosão, um tiroteio, uma briga no trânsito – para incendiar o país.

Comentários (1)

  • Thomas diz: 24 de maio de 2012

    não sei se deveria chamar isso de “jornalismo-estilo-rambo” ou “jornalismo-arena-de-combate.” desafio o autor a ler sobre as diferenças entre war journalism/conflict sensitive journalism. líbano vive um conflito que antes já estava latente. as milícias nunca deixaram de existir ainda que não houvesse demonstrações físicas de violência. queria saber o que a sociedade civil, as ongs, as mulheres e aqueles que empunham as armas dizem sobre a violência. imagino que todos tenham uma versão diferente desse reducionismo típico com que a imprensa brasileira costuma apresentar os fatos internacionais. como cidadão, gostaria de conhecer a realidade, e não vê-la transformada em um tabuleiro de War.

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