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Posts de julho 2012

A guerra na porta de casa

29 de julho de 2012 2

DA COLUNA DIÁRIOS DO MUNDO DE ZH DOMINICAL

O cadáver jazia sentado na calçada, recostado na barreira de metal da Avenida Osvaldo Aranha, em Porto Alegre. A arma do crime, uma faca, estava a dois passos. Por apenas 15 minutos – graças ao expediente estendido no jornal, na quarta-feira, por conta de Grêmio e Fluminense – fui poupado de testemunhar o crime ao vivo, na frente de casa.

– Assassinato? – perguntei ao policial civil à paisana que tirava fotos do morto.

– Sim. O senhor, por favor, retire-se – antecipou o PM, que também estava por ali.

– Moro aqui, desculpe – repliquei, enquanto tentava ganhar segundos para observar melhor a cena – o corpo, a faca, parte dessa nem sempre fácil missão jornalística para entender a história, que nada tem a ver com o espírito de abutre.

Depois de avisar a Redação de ZH pelo celular, subi as escadas do prédio tentando entender por que a imagem do cadáver me perturbara. No dia a dia da profissão, já vira, do outro lado do mundo ou da cidade, crimes como aquele. Em 2005, encarei uma cidade submersa, New Orleans, nos EUA, onde cadáveres eram vomitados diariamente pelas águas do Lago Pontchartrain após a passagem do furacão Katrina. Mergulhara nas ruelas de uma cidade de caixões, Pisco, devastada por um terremoto. Testemunhara as guerras do Líbano e da Líbia. E chorara no miserável Haiti, quando 200 mil corpos inchavam nas calçadas sob o cruel sol do Caribe.

Por que, então, aquela imagem do cadáver do Bom Fim ficara martelando na minha mente a ponto de eu perder o sono? Só consegui dormir depois de ver, pelo e-mail, por volta das 5h da manhã, a identificação do morto: Wando Esequiel Lenhart, 27 anos, com passagens pela polícia por tráfico e roubo. O suspeito: um morador de rua. Wando engrossará as estatísticas de julho – em junho, os homicídios subiram 11% no Estado na comparação com o mesmo período de 2011.

A imagem do cadáver me acompanharia, ainda, durante todo o dia seguinte. A guerra diária da criminalidade, que acompanhava apenas com olhar jornalístico, chegara até a porta de casa. E calaria minha boca e a de quem imagina que a violência está longe de nós.

Má notícia, mas um gol para Obama

26 de julho de 2012 0

A notícia de que vítimas do massacre no cinema do Colorado estão enfrentando dificuldades para ter acesso à cobertura do sistema de saúde americano é um gol inesperado para a campanha democrata. Motrs que os republicanos estão na contramão do desejo da grande maioria dos americanos, que, ao contrário do Brasil, não têm um Sistema Único de Saúde.

No início do mês, a Câmara dos Deputados dos EUA, dominada pela oposição republicana, se pronunciou a favor da anuação da reforma de saúde proposta por Barack Obama, que cria o SUS americano. Foi uma votação apenas simbólica, uma das mais de 30 que os republicanos tentaram desde que o presidente começou sua cruzada pela reforma dos sistema de saúde, um dos baluartes de sua campanha, em 2008.

A votação foi apenas simbólica, deve fracassar nos próximos dias no Senado, cuja maioria é democrata.

No dia 28 de junho, a Suprema Corte validou quase em sua totalidade a reforma da saúde adotada e promulgada em 2010, que prevê estender a cobertura médica a 32 milhões de americanos que não possuem um plano de saúde.

O que foi notícia no mundo neste fim de semana

23 de julho de 2012 0

O presidente dos EUA, Barack Obama, chegou ao Colorado no final da tarde de domingo para se reunir com feridos e familiares dos mortos no ataque no cinema na cidade de Aurora, na sexta-feira, quando James Holmes, de 24 anos, abriu fogo durante uma sessão de pré-estreia de "Batman - O cavaleiro das trevas ressurge", matando 12 pessoas e ferindo mais de 50.

O avião presidencial Air Force One pousou na Base Aérea de Buckley, em Aurora. Após ser recebido pelo chefe de polícia Dan Oates, pelo prefeito de Aurora, Steve Hogan, e pelo governador do Colorado, John Hickenlooper, Obama se dirigiu ao Hospital da Universidade do Colorado, para onde 23 feridos do ataque foram levados. Sete feridos permanecem no hospital em estado grave. O presidente americano também se encontrará com autoridades que estão trabalhando na investigação do caso.

Por conta da viagem, a campanha presidencial foi interrompida e o presidente cancelou a ida à Flórida e também um evento em Portland, no Oregon, que iria acontecer amanhã.

Em seu discurso de rádio semanal, Obama fez um apelo para que os americanos orem e reflitam sobre a tragédia. O domingo foi de luto no subúrbio de Denver. Uma vigília foi organizada pela comunidade da cidade e por líderes religiosos em frente ao prédio da Prefeitura de Aurora. Centenas de pessoas da região participaram de missas e compareceram ao memorial construído em homenagens às vítimas do massacre.

James Holmes, apontado como o responsável pelo massacre, está sendo mantido em uma solitária no Centro de Detenção de Arapahoe. De acordo com fontes da prisão que falaram com o site Daily News, o jovem de 24 anos ainda acredita ser o vilão "Coringa", conforme afirmou no momento de sua prisão, e corre risco de vida caso entre em contato com os demais detentos.

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Na Noruega, um ano de uma outra tragédia. Milhares de noruegueses se reuniram em silêncio neste domingo do lado de fora da sede do governo em Oslo, ainda danificada, e na ilha de Utoya, para lembrar as 77 pessoas mortas por Anders Behring Breivik em um massacre há um ano. O primeiro-ministro norueguês, Jens Stoltenberg, afirmou que "a bomba e os tiros tinham a intenção de mudar a Noruega. O povo respondeu abraçando os nossos valores. Ele falhou, o povo venceu".


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Na China, tragédia natural. As chuvas fortes que atingiram Pequim no sábado deixaram 37 mortos. A tempestade foi considerada a mais forte a atingir a capital chinesa em seis décadas. Segundo a agência de notícias Xinhua, a chuva derrubou árvores e a água, que em alguns locais chegou á altura da cintura, deixou dezenas de carros e ônibus ilhados.

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Síria, violência. Rebeldes dominaram neste domingo a escola de infantaria do Exército sírio na cidade de Musalmiyeh. É de importância estratégica, já que o local tem depósitos de munição. Também caiu o terceiro posto de controle na fronteira com a Turquia. Na capital Damasco, o governo Bashar al-Assad lançou uma nova ofensiva. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, mais de 19 mil pessoas já morreram nos 16 meses de conflitos no regime de Bashar al-Assad.

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Na França, o presidente François Hollande reconheceu hoje a responsabilidade de seu país na deportação de 13 mil judeus durante a Segunda Guerra Mundial, no que ele chamou e um crime cometido "na França pela França". Hollande participou na manhã deste domingo da cerimônia do 70º aniversário da maior deportação de judeus para os campos de concentração da Alemanha.

Em 16 e 17 de julho de 1942, 13 mil judeus foram reunidos e acomodados sob péssimas condições pela polícia francesa em um estádio perto da torre Eiffel, de onde foram deportados posteriormente para o campo de concentração nazista de Auschwitz.

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Aqui, no nosso continente, o Tribunal Permanente do Mercosul negou o pedido do governo do Paraguai para tornar sem efeito a suspensão decidida pelos integrantes do bloco por conta da destituição do ex-presidente Fernando Lugo em um impeachment há um mês. Segundo o órgão, não estavam "presentes todos os requisitos de admissibilidade do processo de urgência excepcional" e que era "inadmissível, nesta instância, a medida provisória solicitada (pelo Paraguai) sob demanda".

No recurso de sexta-feira, os paraguaios lembraram o artigo 37 do Protocolo de Outro Preto, firmado e ratificado em 1994 por todos os países integrantes, que impede qualquer sanção entre os membros quando um deles não estiver presente. O novo governo de Federico Franco, que assumiu após a saída de Lugo, apresentou o recurso ao Mercosul na sexta-feira não apenas por conta da sanção, mas também devido à decisão de incluir a venezuela como membro pleno do bloco que ainda inclui Brasil, Argentina e Uruguai. Os paraguaios argumentam que se trata de um processo ilegal, pois viola o tratado e os protocolos do bloco, já que a aprovação não foi dada pelo congresso do país.

Vídeo mostra o atirador do Colorado em apresentação

22 de julho de 2012 0

Um vídeo de 2006, obtido com exclusividade pela rede de TV americana ABC, mostra James Holmes, o atirador que matou 12 pessoas no cinema do Colorado, na sexta-feira. As imagens são da apresentação de um trabalho no início de seu curso de neurociência, no Miramar College, perto de San Diego, na Califórnia. Ele fala sobre "Ilusões Temporais".

Após este período na Califórnia, ele recebeu uma bolsa para fazer o doutorado no Colorado.

Veja o vídeo aqui

O fator Rússia

22 de julho de 2012 0

DA COLUNA DESTE DOMINGO EM ZH

Vi de longe, em maio deste ano, um navio de guerra russo na costa do Líbano. Avistada a partir da Fragata União, da Marinha Brasileira, a embarcação exercia o que, no jargão militar, é chamado de projeção de poder – não respondia aos interrogatórios do navio brasileiro, capitânia da força marítima de paz da ONU, mas sua presença demarcava uma das últimas fronteiras da antiga URSS no Mediterrâneo.

A Síria é um dos resquícios da Guerra Fria e tabuleiro do xadrez entre Ocidente e Oriente – isso explica os reiterados vetos do país no Conselho de Segurança das Nações Unidas, diante das tentativas de ampliar as sanções ao governo de Bashar al-Assad.

A Rússia tem na Síria sua única base naval no Mediterrâneo - Tartus. Também comprou equipamentos militares, como helicópteros, no valor de US$ 3,5 bilhões. Mas os interesses vão muito além de questões bélicas e comerciais. Cada vez mais isolado, o apoio russo à Síria é uma questão de soberania na região.

A Rússia perdeu boa parte da influência sobre os países da antiga Iugoslávia, desde os ataques da Otan, em 1999. A Revolução Laranja, em 2004, na Ucrânia, e o ataque à Líbia de Muamar Kadafi, em 2009, aprofundaram os temores da nomenklatura russa de que o Ocidente planeja – e executa – a derrubada de governos que julgam inconvenientes. No fundo, muito veladamente, há um temor de que, um dia, isso possa acontecer em Moscou.

Nos últimos dias, ao ensaiar uma negociação para a saída de Al-Assad, o Kremlin tenta ganhar tempo para garantir o seu quinhão de influência no governo pós-ditadura – e uma saída de Al-Assad menos a la Kadafi ou a la Mubarak e muito mais ao estilo do ex-ditador do Iêmen Ali Abdulla Saleh, que deixou o poder, mas conquistou imunidade e viu seu vice assumir.

Em outras palavras: Al-Assad cairá. Mas só sai quando Vladimir Putin quiser.

Atirador tinha perfil em site de namoro

20 de julho de 2012 0

Reprodução do site TMZ

O atirador James Holmes havia criado um perfil em um popular site de namoros da internet, poucos dias antes do massacre. Na página de relacionamentos, ele descreve seu pênis como "pequeno/médio", segundo informaram investigadores que tentam determinar a autenticidade do perfil.

O site chama-se AdultFriendFinder.com, e o perfil foi criado em 5 de julho. Na foto, o criminoso aparece com os cabelos alaranjados. E uma mensagem: "Você me visitaria na prisão?"

No perfil, ele diz ter "corpo atlético", descreve a si mesmo como "light/social drinker". Sobre se fuma ou usa drogas, ele respondeu:

- Prefiro não dizer.

As informações são do site  TMZ


A íntegra do discurso de Obama sobre a tragédia no cinema

20 de julho de 2012 0

Leia aqui a íntegra do discurso do presidente Barack Obama sobre as mortes no cinema nos EUA. Em inglês.

Repórter deixou registrado o último tweet antes do massacre

20 de julho de 2012 0

A jornalista Jessica Redfield, especialista em hockey da emissora Sporting News, estava na sala de cinema na hora do ataque. Pouco antes, ela tuitou: "Claro que estamos assistindo Dark Night", ela diz. Leia a mensagem acima. Foi a última antes da morte.

Divulgada primeira imagem de suspeito de massacre

20 de julho de 2012 0

A emissora Denver Channel, de Denver, EUA, acaba de divulgar a primeira imagem do suspeito de ter cometido o ataque no cinema americano: James Holmes. A foto foi liberada pela Universidade do Colorado.

Ataque nos EUA: um problema que se repete

20 de julho de 2012 4

Em 1999, o Brasil viveu o horror fora das telas do cinema, em um crime semelhante ao que ocorreu na madrugada passada em Denver, Estados Unidos: o estudante de medicina Mateus da Costa Meira, 24 anos, abriu fogo contra a plateia de um cinema do shopping Morumbi, em São Paulo. Três pessoas morreram e cinco ficaram feridas.

Nos dias subsequentes, houve uma explosão de críticas aos filmes e games violentos (inclusive o jogo favorito do criminoso, Duke Nukem chegou a ser proibido) – mas pouquíssimas discussões viera a público sobre a segurança nos shoppings. O jovem foi condenado a 120 anos e seis meses de prisão – mas a pena foi revista para 48 anos. Hoje, ele cumpre prisão em regime fechado na Penitenciária Lemos Brito, em Salvador, na Bahia.

Nos EUA, esse tipo de crime não é uma novidade. O caso mais famoso é da Escola de Columbine, sempre lembrado quando uma tragédia como essa se repete. Em 20 de abril de 1999, os estudantes Eric Harris e Dylan Klebold executaram um massacre no colégio, localizado no condado de Jefferson, Colorado. Quinze pessoas, entre professores e colegas, morreram.

Embora este ataque seja sempre lembrado, o maior massacre em número de mortos ocorreu no campus da Virginia Tech, na cidade de Blacksburg, leste dos EUA: 33 pessoas morreram quando um jovem sul-coreano abriu fogo a esmo contra os colegas em abril de 2007.

Os ataques deflagrados em cinemas ou áreas escolares não são uma exclusividade americana - embora, esse tipo de crime seja mais comum nos EUA, onde a cultura armamentista é muito forte - o lobby também, a ponto de gerar filmes como Tiros em Columbine.

A Europa viveu o seu momento de tragédia em 2011, quando Anders Behring Breivik, um ativista de extrema-direita, realizou dois ataques coordenados na Noruega - primeiro, na capital, Oslo, depois, na Ilha de Utoya, em um acampamento da juventude social-democrata. No total, 77 pessoas morreram. O julgamento de Breivik terminou em junho. A sentença deve sair em agosto. Se for considerado penalmente irresponsável, o extremista deve ser internado em um centro psiquiátrico pelo resto da vida. Caso seja declarado responsável, pode ser condenado a 21 anos de prisão - pena que pode ser ampliada, enquanto for considerado perigoso.

As primeiras fissuras do regime

19 de julho de 2012 0

Por que a imagem abaixo é um divisor de águas no conflito na Síria? Porque, até agora, não tinham chegado no Ocidente cenas de painéis com a imagem do ditador Bashar al-Assad sendo destruídos. O prédio do vídeo é um posto de fronteira com a Turquia - e seria um dos primeiros a cair nas mãos dos rebeldes. Mostra uma situação momentânea, que pode ser revertida em poucas horas pelas forças do regime. Mas, ainda assim, é uma cena emblemática.

Há informações também de que postos na fronteira com o Iraque caíram nas mãos dos rebeldes.

O governo de Al-Assad é mais forte do que o Muamar Kadafi. Os rebeldes sírios são mais fracos do que os líbios. A guerra ainda vais durar alguns meses. Mas a ditadura começa a apresentar as primeiras fissuras.


Vídeo: mulher é executada por adultério no Afeganistão

08 de julho de 2012 1

A imagem do fim de semana, divulgada pela agência de notícias Reuters: no Afeganistão, uma mulher é executada por adultério. Aconteceu na província de Parwar. A mulher, identificada como Najiba, tinha 22 anos e era casada. Foi condenada à morte após fazer sexo com um líder Talibã. O próprio grupo Talibã teria sido responsável pela condenação.


Fragata União chega ao Rio

08 de julho de 2012 0


Fragata União deixa o Líbano, em maio. Foto: Rodrigo Lopes

A imagem acima foi uma das últimas que vi da fragata União, logo após a passagem de comando para a Liberal, que substituiria a outra embarcação no comando da frota naval da ONU no Líbano. A União, na qual permaneci a bordo por três dias no Mar Mediterrâneo, deixou o Oriente Médio no final de maio. E, só ontem, quase 30 dias depois, chegou ao Rio de Janeiro.

Foram no total nove meses (seis nas águas do Líbano e dois para ida e volta). No Oriente Médio, a fragata patrulhou as águas do litoral libanês para evitar a entrada de armas no território. A ação multinacional é um dos artigos do acordo que colocou fim à guerra entre Israel e o grupo Hezbollah, em 2006.

Em nove meses na região, dois grandes carregamentos de armas foram interceptados pela força-tarefa - o arsenal, possivelmente, dirigia-se para a Síria.