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O vazio

13 de setembro de 2015 0

Um avião explode contra uma torre. Acidente? Outro. Terror! O Pentágono em chamas. Guerra? Em um descampado da Pensilvânia, um rastro gigante no chão. Um quarto avião? Um presidente com a cara petrificada pela notícia. Insegurança! Enclausurados nos arranha-céus em chamas, pessoas se jogam em queda livre. Caças nos céus com ordem para abater qualquer outro avião. Com ou sem passageiros. Cai a primeira torre. Desespero! Cai a segunda torre.

Quanto tempo é necessários para mudar a História? Meses, anos, séculos? Quantos fatos? Uma morte? 100 mil? Uma catástrofe? Uma revolução?

O mundo como o conhecemos ruiu no exato período entre o choque da primeira aeronave contra a Torre Sul e o despencar da Torre Norte: 102 minutos. Desmoronaram ali os pilares da nossa civilização. Ninguém nunca mais entrou em um metrô da mesma forma. Nunca mais contemplou um arranha-céu sem lembrar daquele dia. Não viajamos da mesma maneira. Não olhamos para o outro com a mesma empatia. Seja o outro o vizinho, um americano, um muçulmano, um cristão. O outro. Seja o outro quem pense diferente de nós, que reze diferente de nós, quem viva do outro lado de Porto Alegre, de Túnis, Kobane ou Paris.

Batizamos de Era do Terror o que, na linguagem nossa de cada dia, é o tempo da desconfiança, da xenofobia, islamofobia, do medo de sentir medo. Descobrimos nomes e lugares.

Tora-Bora. Talibã. Mulá. Kandahar. Armas de destruição em massa. Guantánamo. Al-Qaeda. Al-Jazeera. Tomahawk. Karachi. Aliança do Norte. Cabul. Curdos. Carpet bomb. Sunitas. Bagdá. Basra. Xiitas. Abu Ghraib.

Descobrimos o vazio.

* Texto originalmente escrito para Rádio Gaúcha no especial Arquivo Gaúcha

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