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Discurso do papa Francisco no Congresso agrada mais aos democratas do que aos republicanos

24 de setembro de 2015 0

Cinquenta minutos de aplausos, citações de personalidades históricas americanas, mas sobretudo muito crítico a posições republicanas nos Estados Unidos. Primeiro papa a falar no Congresso americano na História, Francisco tocou, de forma singela, como um tapa de luvas, em temas sensíveis ao mundo em geral – e aos EUA em particular. Usou a figura de Moisés para começar seu pronunciamento, em uma referência à união. Mas, em tempos de campanha eleitoral para a sucessão de Barack Obama, nas entrelinhas, as palavras do Pontífice soaram mais como música aos democratas do que aos republicanos.

Em poucas frases, ele conseguiu criticar tanto o extremismo islâmico quanto a forma como o combate – a Guerra ao Terror – foi travada pelos EUA. Disse que “nenhuma religião está imune à ação de indivíduos e do extremismo”, mas que “é necessário um equilíbrio delicado para evitar a violência cometida em nome da religião”. Também atacou os falcões da era Bush, ao dizer que “devemos evitar a tentação de combater o mal com o mal”.

Depois de 30 minutos de fala, o ponto mais forte do discurso foi, como esperado, a questão dos imigrantes. Francisco criou empatia ao se dizer ele próprio um migrante: “Muitos de nós, em algum momento, fomos estrangeiros”. Alguns parlamentares se emocionaram. Outros aplaudiram de pé. “Falo a vocês como filho de imigrantes, sabendo que tantos de vocês também são filhos de imigrantes”, afirmou.

Foi um singelo puxão de orelha nos pré-candidatos republicanos mais radicais, como Donald Trump, que propõe uma reforma migratória e já ameaçou com expulsão ilegais, caso seja eleito presidente em 2016. Pior: Trump recentemente chamou os imigrantes de “traficantes, estupradores”. Francisco utilizou em seu discurso ilustres personalidades americanas, como Martin Luther King (“A América ainda é a terra dos sonhos para muitos”, afirmou), Abraham Lincoln e Doris Day. E afirmou: “É difícil julgar o passado pelos critérios do presente. Não devemos repetir os pecados do passado”.

Em outra alfinetada nos republicanos, Francisco falou da necessidade de um acordo global contra as mudanças climáticas. E encerou com o tradicional: “God bless America”.

A primeira reação dos políticos à visita do Papa veio antes mesmo do discurso no Congresso. Trump, o mais polêmico e fanfarrão dos pré-candidatos, afirmou “respeitar” Francisco, mas disse que não concorda com os assuntos propostos em seus discursos nos EUA até o momento. “Acho que suas palavras são belíssimas e eu respeito o papa. Gosto muito dele, mas também acho que o nosso país esteja enfrentando problemas graves ligados à imigração”, disse na CNN.

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