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Uma das maiores façanhas da engenharia

29 de outubro de 2015 0
Acampamento na Mina San José. Foto: Alvaro Andrade

Acampamento na Mina San José. Foto: Alvaro Andrade

Um a um, eles foram brotando da terra, dentro de uma cápsula. Eu acompanhava há uns 500 metros de distância - um olho em um telão, no qual uma webcam transmitia a imagem do interior do refúgio, a 688 metros de profundidade, e outro no clarão, que emergia da escuridão do deserto. Quando Florencio Ávalos, o primeiro mineiro, emergiu da terra, após mais de 60 dias, foi uma emoção entre familiares, funcionários do governo, equipes de resgate e jornalistas. Uma lágrima caiu no meu rosto. Mas Ávalos era um só. Faltavam 32.

A cada resgate - Mário Sepúlveda foi o segundo mineiro resgatado -, a emoção se repetia. Ao longo de coberturas jornalísticas, me acostumei a passar noites em claro, acompanhando apuração de votos, o risco de aviões no céu em meio a bombardeios. Mas aquela foi uma noite diferente, feliz. Uma das madrugadas insones mais emocionantes da minha vida. Começara na noite anterior: ao desembarcar no aeroporto de Copiapó, no meio do deserto do Atacama, a equipe de ZH (eu e Álvaro Andrade) se dirigiu até a mina San José de carro.

No meio da escuridão, as luzes do acampamento montado pelos familiares, que fizeram vigília ao longo dos dois meses, e dos holofotes das autoridades, indicavam uma cidade feita de barracas de lona. Incrivelmente, havia uma estrutura montada para o grande show de tecnologia de salvamento: nas centenas de barracas de familiares e de jornalistas, havia comida – eu evitava comer, para sobrar mais para os familiares dos mineiros – e comunicação por internet e celular.

Em uma primeira caminhada pelo local, era possível perceber o cansaço de mães, pais, mulheres e filhos que se mudaram para o deserto. Era uma forma de pressionar o governo a não esquecer seus homens lá embaixo. Iniciada a operação de resgate, todos os olhos se voltaram para o buraco aberto entre a superfície e o refúgio. A subida da cápsula Fênix 2, no interior da qual um a um os mineiros eram erguidos, durava em média 12 minutos, 720 segundos acompanhados com a respiração em suspenso. Quando Ávalos saiu da cápsula, de bom humor e usando óculos especiais para evitar o impacto da iluminação no exterior, houve lágrimas, gritos e aplausos. Cada vida que saía das entranhas da terra era celebrada. Até o último dos mineiros, Luis Urzúa. A operação terminou em menos de 24 horas, tempo menor do que o previsto. Uma das maiores façanhas da engenharia de salvamento, que agora é lembrada no filme “Os 33″, inspirado no livro do A Escuridão, do escritor guatemalteco Héctor Tobar.

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