Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Mudança de casa

28 de dezembro de 2015 0

Queridos leitores e amigos,

Durante mais de 10 anos, escrevi neste blog contando os bastidores de alguns dos principais fatos internacionais deste início de século. Agora, vamos mudar de endereço. Quem quiser seguir acompanhando relatos de viagens, curiosidades, análises e coberturas internacionais, deve acessar a minha nova página como colunista de ZH, clicando aqui.

Este blog antigo não sairá do ar – continua com seu arquivo com textos, fotos e vídeos de coberturas históricas. Mas não será mais atualizado.

Um abraço e passem lá no novo endereço.

abrações

 

 

Militares israelenses entram disfarçados em hospital para capturar palestino

12 de novembro de 2015 0

Em uma operação típica de filme (como as que aparecem em Munique), militares israelenses se infiltraram em um hospital de Hebron, na Cisjordânia, para capturar um palestino. A ação terminou na morte de uma pessoa – um homem que tentou impedir a prisão.

A ação provocou indignação entre as autoridades palestinas. Nas imagens abaixo, de câmeras de segurança, é possível ver os israelenses entrando disfarçados, com lenços palestinos e usando barbas falsas, no hospital. Momentos depois, eles arrastam pelo corredor um homem, aparentemente o preso, em uma cadeira de rodas.

O suspeito seria Azzam Shalaldeh, homem que, segundo Israel, teria ligações com o Hamas.

Uma das maiores façanhas da engenharia

29 de outubro de 2015 0
Acampamento na Mina San José. Foto: Alvaro Andrade

Acampamento na Mina San José. Foto: Alvaro Andrade

Um a um, eles foram brotando da terra, dentro de uma cápsula. Eu acompanhava há uns 500 metros de distância - um olho em um telão, no qual uma webcam transmitia a imagem do interior do refúgio, a 688 metros de profundidade, e outro no clarão, que emergia da escuridão do deserto. Quando Florencio Ávalos, o primeiro mineiro, emergiu da terra, após mais de 60 dias, foi uma emoção entre familiares, funcionários do governo, equipes de resgate e jornalistas. Uma lágrima caiu no meu rosto. Mas Ávalos era um só. Faltavam 32.

A cada resgate - Mário Sepúlveda foi o segundo mineiro resgatado -, a emoção se repetia. Ao longo de coberturas jornalísticas, me acostumei a passar noites em claro, acompanhando apuração de votos, o risco de aviões no céu em meio a bombardeios. Mas aquela foi uma noite diferente, feliz. Uma das madrugadas insones mais emocionantes da minha vida. Começara na noite anterior: ao desembarcar no aeroporto de Copiapó, no meio do deserto do Atacama, a equipe de ZH (eu e Álvaro Andrade) se dirigiu até a mina San José de carro.

No meio da escuridão, as luzes do acampamento montado pelos familiares, que fizeram vigília ao longo dos dois meses, e dos holofotes das autoridades, indicavam uma cidade feita de barracas de lona. Incrivelmente, havia uma estrutura montada para o grande show de tecnologia de salvamento: nas centenas de barracas de familiares e de jornalistas, havia comida – eu evitava comer, para sobrar mais para os familiares dos mineiros – e comunicação por internet e celular.

Em uma primeira caminhada pelo local, era possível perceber o cansaço de mães, pais, mulheres e filhos que se mudaram para o deserto. Era uma forma de pressionar o governo a não esquecer seus homens lá embaixo. Iniciada a operação de resgate, todos os olhos se voltaram para o buraco aberto entre a superfície e o refúgio. A subida da cápsula Fênix 2, no interior da qual um a um os mineiros eram erguidos, durava em média 12 minutos, 720 segundos acompanhados com a respiração em suspenso. Quando Ávalos saiu da cápsula, de bom humor e usando óculos especiais para evitar o impacto da iluminação no exterior, houve lágrimas, gritos e aplausos. Cada vida que saía das entranhas da terra era celebrada. Até o último dos mineiros, Luis Urzúa. A operação terminou em menos de 24 horas, tempo menor do que o previsto. Uma das maiores façanhas da engenharia de salvamento, que agora é lembrada no filme “Os 33″, inspirado no livro do A Escuridão, do escritor guatemalteco Héctor Tobar.

Copiapo

Movimentação intensa em um dos principais centros de votação da Argentina

25 de outubro de 2015 0

IMG_3639

Escrevo desde a parte frontal da Faculdade de Direito da Universidade de Buenos Aires, um dos principais centros de votação do país. Muitos eleitores já votaram, incluindo os três principais candidatos à presidência – Daniel Scioli, Mauricio Macri e Sergio Massa. Na avaliação das autoridades eleitorais, os argentinos foram às urnas mais cedo do que em pleitos anteriores. Devido ao processo demorado para votar (veja mais aqui), os eleitores demoram cerca de um minuto e 30 segundos a dois minutos dentro do “quarto escuro” – aqui não há cabine de votação, o eleitor entra em uma sala, escolhe uma cédula, a coloca dentro de um envelope e deposita seu voto em uma urna de papelão. Isso provoca certa demora, mas há tranquilidade. Chama atenção muitos idosos votando.

IMG_3623

Diferentemente do Brasil, não há santinhos espalhados pelas calçadas – a cidade amanheceu limpa.

IMG_3628

As urnas serão fechadas às 18h (19h em Brasília). Há previsão de que os primeiros resultados sejam divulgados a partir das 23h.

 

Sofri uma tentativa de assalto em Buenos Aires. Pela primeira vez em uma cobertura.

24 de outubro de 2015 1

Poderia ter acontecido no Rio de Janeiro, Porto Alegre ou qualquer outra grande cidade brasileira. Mas aconteceu em Buenos Aires. Estava gravando um vídeo na tarde deste sábado em frente ao novo monumento a Juan Domingo Perón, a três quadras da Casa Rosada, quando um homem se aproximou. Vi pelo visor do iPhone, posicionado sobre um tripé, e percebi que ele vinha na minha direção. Achei que se tratava de apenas mais um dos achacadores que não respeitam nem os estabelecimentos comerciais aqui em Buenos Aires, pedindo dinheiro dentro de restaurantes, bares e shoppings sob o olhar impotente dos comerciantes. O cara me mostrou um papel, trazia uma propaganda sobre um tour pela cidade. Como de costume, rejeitei. Foi quando ele abriu a jaqueta e me mostrou um revólver na cintura.

-       Trata-se de um assalto – disse.

-       Sou jornalista. Estou trabalhando – respondi, mantendo a calma, mas caminhando lentamente em direção à avenida, onde havia algum movimento.

-       Queres que te atire? De onde és – ele perguntou.

-       Brasil, estou trabalhando, sou jornalista – eu repetia.

A esta altura, eu mantinha a câmera do iPhone apontada para o homem. E talvez isso o tenha intimidado.

-       Abaixe a câmera – ele disse.

Atendi. Ele, então, fez sinal para que eu saísse dali.

Sei que minha atitude não foi correta. Na hora, eu pensava em entregar pelo menos o iPhone e o tripé. Lamentava perder as imagens já feitas, pensamento inútil de jornalista. Deveria ter entregue. Na mochila às costas, eu tinha um notebook. Negociar, desta vez deu certo, mas entendo que errei. Não façam isso. Em Buenos Aires ou em Porto Alegre.

Este meu relato é estritamente pessoal. Decidi compartilhar aqui, no blog, porque entendo que é meu papel, como jornalista, alertar os leitores. Como eu disse, poderia ter acontecido em qualquer lugar do mundo. Desde que cheguei, na quinta-feira, estava me sentindo mais seguro em Buenos Aires do que em Porto Alegre. Felizmente, foi só um susto.

Extrevista exclusiva com um dos empresários mais poderosos da Argentina

24 de outubro de 2015 0

17711011

Um dos principais empresários da Argentina, Juan José Aranguren foi, nos últimos 12 anos, presidente da Shell no país. Neste período, colecionou batalhas judiciais com o governo da Cristina Kirchner, que, sucessivas vezes, tentou processar a empresa por desabastecimento.


Aranguren deixou a companhia, para a qual trabalhava havia 37 anos, para se dedicar ao plano de governo de Mauricio Macri (coalizão Cambiemos), o principal opositor do candidato governista Daniel Scioli. Aranguren é apontado pela imprensa argentina como provável ministro de Energia, pasta que não existe na atual administração. Na manhã desta quinta-feira, ele recebeu ZH na sala The Library, do elegante Hotel Faena, em Puerto Madero, Buenos Aires, para a seguinte entrevista:
 
Que avaliação o senhor faz destes 12 anos de kirchnerismo?

As três administrações Kirchner podem ser divididas em duas partes, uma na qual se manteve certo equilíbrio macroeconômico, até final de 2005. A partir deste momento, provavelmente buscando a eleição para sua esposa e para se manter no poder, começaram a mudar o rumo e deixaram de aproveitar as oportunidades que o mundo oferecia à Argentina. Por exemplo, com pouco apego à Constituição, mantendo uma lei de emergência pública por 12 anos como forma de administrar sem necessidade de recorrer ao Congresso, com pouco apego às instituições. Consequentemente, a Argentina perdeu todas as suas reservas — monetárias, energéticas, agrícolas. Chegamos à situação atual, em que o país tem escassez de energia, por exemplo, e precisa recorrer ao exterior para poder resolver seus problemas econômicos.
 
O senhor se considera um perseguido pelo governo dos Kirchner?

Não sinto como perseguição. Não tomei como agressão. Mas, obviamente, o governo tomou decisões na maioria das vezes ilegítimas e inconstitucionais para processar a Shell por desabastecimento, em alguns casos pedindo pena de prisão.
 
Leia a entrevista na íntegra aqui

Escândalos da era Kirchner nas livrarias

24 de outubro de 2015 0

A cada período eleitoral, o mercado de livros sobre política na Argentina dispara. Na vitrine da famosa livraria El Ateneu, na Rua Florida, títulos como Mentirás tus mortos, Los Agentes de Nestor y Cristina, El Relato Peronista, sem falar dos que prometem “verdades” sobre o caso Nisman, o promotor que investigava as relações do governo Kirchner com o Irã, cujo corpo foi encontrado em seu apartamento em Puerto Madero. Até hoje, aliás, os argentinos se perguntam se foi suicídio ou assassinato.

FullSizeRender

 

Quem é quem na eleição argentina?

24 de outubro de 2015 0

Para entender, um pouco mais da eleição argentina, veja quem são os três principais candidatos deste domingo:

DANIEL SCIOLI - Atual governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, 58 anos, é o candidato da coalizão Frente para a Vitória. É o herdeiro do governo Cristina Kirchner, embora nunca tenha se considerado um kirchnerista – entrou na política pelas mãos do ex-presidente Carlos Menem. Foi esportista – ganhou oito títulos mundiais na motonáutica – e empresário. Em 2003, foi eleito, na chapa de Néstor, vice-presidente do país.

MAURICIO MACRI - Presidente do Boca Juniors por 12 anos, Mauricio Macri é o atual prefeito de Buenos Aires. Lidera a coalizão de oposição Cambiemos, formada pelos partidos de centro-direita Propuesta Republicana (PRO), União Cívica Radical (UCR) e Coalizão Cívica (CC). Tem 56 anos e é engenheiro civil. Em 2005, foi eleito deputado pela cidade de Buenos Aires. Como dirigente do Boca, remodelou La Bombonera. Sob sua gestão, o time ganhou 10 títulos internacionais, entre eles quatro Libertadores.

SERGIO MASSA - Candidato de centro, Sergio Massa, da aliança Nova Alternativa, considera-se peronista e chegou a integrar a Frente para a Vitória. Advogado, foi eleito muito jovem deputado pela província de Buenos Aires. Em 2008, foi eleito prefeito de Tigre. Foi chefe do Gabinete de Ministros de Cristina Kirchner, antes de romper com a presidente.

A briga por causa da estátua

24 de outubro de 2015 0

Não é só a política que provoca discussões em Buenos Aires. Retirado dos fundos da Casa Rosada em 2013 por decisão do governo de Cristina Kirchner, o monumento a Cristovão Colombo, do escultor Arnaldo Zocchi, foi substituído por outro, em homenagem a Juana Azurduy de Padilla, que estava na cidade de Mar del Plata. Juana foi uma heroína das guerras pela independência. A disputa envolveu o governo federal e a prefeitura da capital, nas mãos do opositor Mauricio Macri. Depois de dois anos “escondido”, Colombo tem, desde julho, novo endereço: a Costanera Norte, na frente do Aeroparque.

IMG_3533

O que os candidatos precisam para vencer no domingo

24 de outubro de 2015 0

A Argentina é um dos únicos países do mundo no qual, para ser eleito no primeiro turno, o candidato precisa superar os 40% dos votos, além de obter uma diferença de 10 pontos percentuais em relação ao segundo colocado. Outra opção: conseguir mais de 45%.

As pesquisas dão a Daniel Scioli entre 39% e 41% dos votos. Ou seja, sua vitória no primeiro turno não é certa. Na balotage, prevista para 22 de novembro, surge o risco do voto anti-K (todos contra o candidato de Cristina Kirchner, com a união dos votos da oposição). Isso explica porque Scioli aposta tudo no primeiro turno.

Vocabulário da eleição argentina

24 de outubro de 2015 0

Algumas expressões que tornam o pleito argentino uma situação que, dificilmente, algum estrangeiro, descido de pára-quedas no país entenderia:

La Veda – É como os argentinos chamam o período em que está proibida a campanha política. Começou na sexta-feira e vai até o fechamento das urnas, neste domingo.

La Cámpora – Grupo político criado por Néstor e Cristina Kirchner com forte atuação popular. Um de seus principais nomes é Máximo, filho mais velho do casal. O nome da organização é uma homenagem ao ex-presidente argentino Hector J. Cámpora, que aceitou se apresentar como candidato nas eleições de março de 1973, após a ditadura militar. Seu lema era: “Cámpora ao governo, Perón ao poder”.

Ballotage – É o segundo turno na Argentina.

Esporte e política se misturam na Argentina

24 de outubro de 2015 0

Dois dos principais candidatos argentinos têm alguma relação com o esporte. Atual governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli foi, nos anos 1980, um dos mais importantes competidores de motonáutica do mundo. Em 1989, sofreu um grave acidente no Rio Paraná, quando perdeu o braço direito. O rival, Mauricio Macri, prefeito da capital, foi presidente do Boca Juniors entre 1995 e 2008.

Perón vive em Buenos Aires

24 de outubro de 2015 0

IMG_3541

Acreditem, idolatrado por uns, execrado por outros, o general Juan Domingo Perón, pai do peronismo, não tinha uma estátua em Buenos Aires. Isso até o dia 8 de outubro. Obra do escultor Carlos Alberto Benavidez, o monumento pesa 2,5 toneladas e é a mais recente atração turística de Buenos Aires. Custou 3 milhões de pesos. Está localizado em uma praça ao final da Rua Moreno. O lugar foi escolhido por ser próximo à Casa Rosada e por ficar a poucos passos da sede da Confederação Geral dos Trabalhadores.

IMG_3534

Será uma longa madrugada de segunda-feira

24 de outubro de 2015 0

A previsão é de que os argentinos só descubram se haverá ou não segundo turno por volta das 3h de segunda-feira. A votação é manual. Mas há a promessa de que os autoridades eleitorais contabilizarão primeiro os votos para presidente.

A "ola naranja" e os bottons "encalhados"

24 de outubro de 2015 0

Na festa de encerramento da campanha do candidato governista Daniel Scioli, na quinta-feira, no Luna Park, o laranja destoava do tradicional azul e amarelo, as cores da bandeira argentina – e, por tabela, do peronismo. É a “onda laranja”, tema de campanha da Frente para a Vitória. Havia até um veículo estranho, com uma televisão adaptada ao pára-choque com imagens do candidato.

IMG_3405

 

Os bottons com imagens de Scioli, Cristina e Perón, da vendedora Carla Nascimiento, encalharam. Eram oferecidos a nove pesos (equivalente a US$ 1 no câmbio oficial) na frente do Luna Park. Os militantes olhavam, perguntavam o preço e agradeciam.

IMG_3394