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Dentro do Estado Islâmico

26 de janeiro de 2015 0

Féeeeeeeerias!!!!!

Aproveito o descanso para fazer a dissertação de mestrado que trata da prática jornalística em áreas de guerra. Então, acabo não me afastando muito do trabalho do dia dia. Mas prometo ficar mais off nas próximas semanas. Passo por aqui apenas para repassar o link indicado pelo colega Humberto Trezzi, de Zero Hora.

Veja aqui

Nele, é possível testemunhar operações de confronto entre combatentes curdos e extremistas do Estado Islâmico em pleno deserto – aliás, na baita reportagem de ontem do “Fantástico”, da Rede Globo, deu pra ter uma ideia do poderio militar dos terroristas, sem falar na coragem da jornalista que entrou na Síria para gravar as imagens, uma das poucas reportagens que vi em profundidade e de dentro da região dominada pelo Estado Islâmico.

Voltando ao vídeo, cenas de confrontos entre tanques e um vilarejo dominado pelo EI – algo raro nos dias de hoje, homem a homem, máquina a máquina. Infelizmente, claro.

Vídeo: o discurso de Obama sobre o estado da União

22 de janeiro de 2015 0

Argentina: a hora da verdade para Cristina

19 de janeiro de 2015 0

 

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É quase possível ouvir um tango, dramático, arrastando-se sobre o fundo da história que vimos e ouvimos nesta segunda-feira: um procurador de Justiça argentino, justiceiro, disposto a revelar um esquema internacional para acobertar as relações do governo de Cristina Kirchner e dos aiatolás iranianos sobre um dos episódios mais traumáticos da história argentina.

Os atentados contra a embaixada de Israel, em 1992, e a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em 1994, são assuntos até hoje intragáveis para os argentinos – e para a América Latina como um todo. Não há conclusões. Apenas suposições, muitas delas quase certeiras, como a participação do Hezbollah e do regime iraniano nas ações terroristas.

Com um tiro, o procurador Alberto Nisman silenciou (ou foi silenciado) um capítulo que os argentinos acompanham como novela brasileira: “na véspera do que prometia ser um dos dias mais importantes de sua carreira, como afirmou Pablo Mendelevich, comentarista de política do jornal La Nación, ao fazer dele as palavras de Menem: “Ninguém morre na véspera”.

Nas últimas entrevistas que concedeu, antes do disparo certeiro em seu apartamento no bairro de Puero Madero, Nisman havia denunciado a presidente Cristina Kirchner e o chanceler Héctor Timerman por participação em um esquema, em 2012, para acobertar os fugitivos iranianos acusados do ataque contra a Amia.
Aos fatos: a Justiça argentina considera culpados do atentado o presidente do Irã à época, Ali Akbar Rafsanjani, o ex-chanceler Ali Akbar Velayati, o ex-ministro de Inteligência Ali Fallahijan, o ex-chefe da Guarda Revolucionária Mohsen Rezai, o ex-chefe da Força Quds e ex-ministro da Defesa Ahmad Vahidi, além de outros três diplomatas.

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Uma das primeiras pessoas a entrar no apartamento de Nisman, nesta segunda-feira, após a descoberta do corpo do procurador, foi o secretário federal de Segurança, Sergio Berni, homem de confiança da presidente Cristina. Parte dos documentos que Nisman pretendia apresentar ao Congresso foi encontrada pela polícia federal e levada do apartamento. O juiz Manuel Campos, encarregado da investigação da morte de Nisman, pertence à Justiça Legítima, organização de juízes que respalda o governo de Cristina.

Ora, por anos, o ex-presidente Carlos Menem conseguiu acobertar o que até as pedras da Calle Florida desconfiam: a aliança iraniano-libanesa está diretamente vinculada aos dois atentados. Segundo o promotor, em troca da imunidade, o governo de Cristina conseguiria acordos comerciais com o Irã, especialmente para exportações de carne argentinas. Em tempos de desabastecimento, a Argentina receberia petróleo iranino. Mas que interesses teria Cristina – e, até seu falecido marido, Néstor Kirchner – em acobertar o que poderia ser um dos maiores crimes de seu principal rival no Partido Justicialista (peronista), Carlos Menem?

Com os argentinos, não se brinca. Eles não engolem engodos. Centenas foram às ruas do país na noite desta segunda-feira, tomando emprestado o lema francês desses dias: “Je suis Charlie”. Em uma corruptela, transforaram a frase para “Todos somos Nisman”.

Se Nisman se suicidou por conta própria ou foi levado a isso, talvez nunca se saiba. Mas é evidente que sua morte terá um alto impacto político na campanha eleitoral, que está prestes a começar.

Dois pesos, duas medidas

17 de janeiro de 2015 25

A reação da presidente Dilma Rousseff à execução do carioca Marco Archer foi a mais dura declaração de um presidente brasileiro em direção a outro país desde a ocasião em que um funcionário do governo israelense chamou o Brasil de “anão diplomático”. No ano passado, o presidente de Israel pediu desculpas pela fala de seu subordinado.

Desta vez, é mais grave. O presidente indonésio, Joko Widodo, não apenas ignorou o apelo de clemência de Dilma, feito na sexta-feira, por telefone, quanto sua diplomacia sequer respondeu a algumas cartas do Itamaraty, enviadas no ano passado, sugerindo que a Justiça do país reconsiderasse a morte de Marco. Não pedia sua libertação, não o declarava inocente. Pedia apenas sua extradição, para que cumprisse pena no Brasil.
A decisão tomada pelo governo brasileiro de chamar de volta seu embaixador é comum na diplomacia – mas trata-se de uma medida forte. Demonstra um grande descontentamento por parte de um governo. As palavras do Planalto, na nota divulgada logo após a confirmação da execução, na tarde deste sábado, são as mais duras de um presidente do Brasil em anos: “A decisão da Indonésia afeta gravemente as relações entre nossos países”.

Relações estas que, diga-se de passagem, não são muitas. Nem comerciais nem diplomáticas.

A Indonésia tem o direito de executar suas leis, obviamente. Marco Archer cometeu um crime considerado grave pela legislação do país asiático, mas que o governo anterior fez vistas grossas durante anos.

Se você é pego com drogas na Indonésia sabe que é isso que pode ocorrer. Mas é raro que estrangeiros sejam executados – as pessoas acabam definhando no corredor da morte por décadas. Recorrem… recorrem… pedem clemência. Há uma regra informal de que você vai ficar atrás das grandes por um longo tempo, mas que, no final, haverá chance de ser solto. Aconteceu em algumas ocasiões – e a clemência é um intrumento legal da constituição do país. A série de execuções de hoje – além do brasileiro, ocorreram outras, de cidadãos de Holanda, Nigéria, Malaui e Vietnã – foram as primeiras em meses.

Acontece que o presidente Widodo, que assumiu no ano passado, fez sua campanha tendo como promessa o combate ao tráfico de drogas. O tema toca diretamente a vida dos cidadãos – que apóiam, em larga escala, a pena de morte para o delito. Daí, porque a ministra dos Direitos Humanos, Ideli Salvatti, afirmou que se trata de uma decisão política.
Não é. É o cumprimento da lei, por mais cruel que seja.

A execução por pelotão de fuzilamento é uma herança indonésia da ditadura militar de Suharto, que oprimiu sua população por décadas e expandiu territórios – inclusive até o Timor Leste, onde os militares brasileiros atuaram por alguns anos como força de intervenção e manutenção da paz, pela ONU.

O mais contraditório é que o mesmo governo que executou um brasileiro pede clemência no caso de um cidadão indonésio condenado à pena de morte na Arábia Saudita. Trata-se de Satinah Binti Jumadi Ahmad, uma cidadã indonésia condenada por assassinar e roubar sua empregadora. A Indonésia apelou formalmente ao rei Abdullah, da Arábia Saudita, para que suspenda a execução.

Dois pesos, duas medidas.

Holanda também pede clemência à Indonésia por cidadão condenado à morte

16 de janeiro de 2015 0

Além do brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, outros quatro estrangeiros devem ser executados no domingo (sábado, pelo horário de Brasília). A exemplo do governo brasileiro, a Holanda pediu clemência ao presidente indonésio, Joko Widodo. O ministro de Relações Exteriores da Holanda, Bert Koenders, e o primeiro-ministro Mark Ruttle estão fazendo o possível para impedir a execução de Ang Kiem Soei, segundo a imprensa holandesa. Cidadãos de Vietnã, Malaui e Nigéria também devem ser executados no fim de semana.

O holandês Ang Kiem Soei foi preso por envolvimento com o tráfico internacional – ele trabalharia em um laboratório para produção de ecstasy. Atualmente na Indonésia, cerca de 130 pessoas foram condenadas à pena de morte – cerca de 60 por tráfico de drogas.

A legislação indonésia para coibir o tráfico de drogas é uma das mais rígidas do mundo. Mas sua aplicação tem sido ainda mais intensa desde que Widodo assumiu o governo, em 2014. Ele fez da aplicação da lei sua principal bandeira – e tem amplo apoio popular.

Vídeo: entenda a legislação indonésia sobre tráfico de drogas e a condenação do brasileiro

16 de janeiro de 2015 0

Em vídeo, entenda a situação do brasileiro que deve ser executado na Indonésia, as chances de ele receber perdão e como será a excecução, prevista para este sábado.

As páginas centrais da Charlie Ebdo

14 de janeiro de 2015 0

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Em parceria com a Charlie Hebdo, o jornal El País publica hoje as páginas centrais da revista francesa atacada há uma semana. A edição da Charlie, que teve 3 milhões de exemplares, esgotou nesta manhã na França. As páginas centrais da revista são dedicadas a charges sobre a marcha de Paris, no domingo.

Veja (em português) aqui

No original, em francês, aqui

Novo vídeo dos terroristas de Paris em fuga

13 de janeiro de 2015 1

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Em novas e exclusivas imagens obtidas pelo jornal El País e divulgadas nesta quarta-feira, os irmãos Kouachi aparecem durante a fuga, após o ataque à revista Charlie Hebdo. Tranquilamente, em uma esquina de Paris, eles comemoram o ataque, depois, guardam as armas e partem. O carro é interceptado por uma viatura da polícia a uma quadra dali. Os terroristas saem do veículo e começam a disparar contra os policiais, que dão ré até se chocarem contra outro carro.

Veja aqui

 

Estado Islâmico exibe criança na execução de refém

13 de janeiro de 2015 8

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O grupo extremista Estado Islâmico exibe novas cenas de execução de reféns. O fator mais revoltante do vídeo, de cerca de sete minutos, é que, desta vez, aparece uma criança sendo usada para matar as vítimas – provavelmente espiões russos. Na cena, um menino aparece atirando na nuca de dois homens. Antes, o adulto recita versos do Corão e declara: “Alá presenteou a agência de segurança do Estado Islâmico com a apreensão destes dois espiões”. O vídeo tem legendas em inglês e edição cuidadosa.

 

 

Eis a capa da Charlie Ebdo de quarta-feira

12 de janeiro de 2015 0

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Uma das maiores perguntas da imprensa mundial – qual será a capa da revista Charlie Ebdo na próxima quarta-feira – foi respondida há pouco. Alvo do atentado que matou 12 pessoas na quarta-feira passada, a publicação trará em sua primeira página pós-ataque uma imagem do profeta Maomé, com lágrimas nos olhos, segurando um cartaz: Je suis Charlie Ebdo (Eu sou Charlie Ebdo, a frase que virou ícone na França e no mundo nos últimos dias). A manchete será: “Tudo está perdoado”.

A cor de fundo será verde – a cor do Islã. Ao invés de 60 mil exemplares, serão 3 milhões.

“Porque o lápis estará sempre acima da barbárie…; Porque a liberdade é um direito universal…; Porque vocês nos apoiam…”, afirma o site do jornal (ver aqui)

Havia grande expectativa com relação à capa da Charlie Ebdo. Quem revelou seu conteúdo foi o jornal Libération, na noite desta segunda-feira. O Libération cedeu sua estrutura para a Redação da Charlie para que seus jornalistas e chargistas pudessem produzir o conteúdo da edição.

 

Vídeo: "Alguns dos meus piores dias no Haiti"

12 de janeiro de 2015 0

 

Entre a turba de haitianos que inicia o êxodo de Porto Príncipe, os pés descobertos de uma mulher atraem o olhar: o rosa delicado das unhas denota um traço de vaidade na aridez do Haiti. Seu rosto está coberto por um pano preto, e o corpo, depositado na traseira de uma caminhonete. Não tem nome afixado, sem número de identificação. Carregada por familiares, a mulher morta no terremoto deixa anônima a capital haitiana.

A entrada na cidade devastada pelo terremoto é assim: cheia de poeira, com cheiro de corpos em decomposição e cenas de desespero.

Assim comecei, em 14 de janeiro de 2010, o primeiro relato para Zero Hora de dentro do Haiti. A equipe do Grupo RBS, integrada pelo cinegrafista Fernando Rech e por mim, foi uma das primeiras a chegar a Porto Príncipe. Era minha terceira viagem ao país. Era a pior delas. No carro que alugamos na República Dominicana, tínhamos combustível, comida, papel higiênico e água para alguns dias. Alguns dos piores que já vivi. Em 33 segundos que duraram uma eternidade, 200 mil pessoas morreram.

No vídeo acima, reeditado pelo Lucas Ebbesen, algumas daquelas imagens que gravamos lá. Uma forma de lembrar, exatos cinco anos depois, um dos piores terremotos deste século.

O que eles estavam fazendo lá?

11 de janeiro de 2015 3

Em meio à linda manifestação que reuniu mais de 3 milhões de pessoas em Paris para dizer não ao terrorismo estavam chefes de Estado, reis e outros líderes que, em seus países, perseguem a imprensa e reprimem a liberdade de expressão. São eles o primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, o presidente do Gabão, Ali Bongo, o chefe de governo da Hungria, Viktor Orban, o ministro das Relações Exteriores do Egito, Sameh Choukryou, o ministro da Economia de Israel, Naftali Bennett, e o casal real da Jordânia, Abdalla II e Rania.

A organização Repórteres Sem Fronteiras lançou comunicado indignado: “É de se indignar a presença de representantes de países que reprimem a liberdade de expressão, nos quais jornalistas e bloqueios são sistematicamente perseguidos”.

No levantamento de 2014 sobre liberdade de imprensa em 180 países, a Turquia ocupa 154 lugar, a Rússia 148, a Jordânia 141, o Gabão, 98, Israel, 96 e Hungria 64.

- Não deixaremos os predadores da liberdade de imprensa cuspir nos túmulos da Charlie Hebdo – afirmou o secretário-geral da Repórteres Sem Fronteiras, Christophe Deloire.

 

 

 

A primeira grande ação da Al-Qaeda desde a morte de Bin Laden

09 de janeiro de 2015 0

A invasão da revista Charlie Ebdo, a fuga e os sequestros desta sexta-feira podem ser considerados a primeira grande ação da rede terrorista Al-Qaeda desde a morte de Osama bin Laden. Elas marcam o ressurgimento do grupo extremista no cenário internacional, com mais poder do que o Estado Islâmico, que reúne seus asseclas no norte do Iraque e tem restrito sua ação àquela área.

O Estado Islâmico ganhou repercussão midiática ao degolar jornalistas, mas parece pequeno diante do poder da Al-Qaeda.

Bin Laden morreu em 2 de maio de 2011, e a mesma Al-qaeda que cometeu o 11 de Setembro nos EUA, o atentado contra os trens na estação de Atocha, em Madri, no 11 de março de 2004, e contra o metrô de Londres, em 7 de julho de 2005, mostra de novo sua cara. Ressurge das cinzas.

O 7 de Janeiro francês é um novo capítulo de uma organização que se pensava ter tido suas cabeças aniquiladas.

Há várias indicaçoes de que o grupo, hoje sem uma liderança conhecida, tenha sido responsável pelas 72 horas de horror na França. Um dos terroristas, cercado dentro da gráfica, antes de ser morto, deu uma entrevista a uma emissora francesa, dizendo ser enviado da rede na Península Arábica – para entender, a Península Arábica é a região onde fica a Arábia Saudita, o Iêmen e Omã.

O Iêmen foi o grande campo de treinamento terrorista da Al-Qaeda por muitos anos. Foi, por exemplo, onde Osama bin Laden comandou um ataque ao navio de guerra americano USS Cole, em 2000. Um dos terroristas mortos na gráfica, nesta sexta-feira, Chérif Kpuachi, treinou nestes campos.

USS Cole, navio de guerra americano alvo da Al-Qaeda no Iêmen, em 2000.

USS Cole, navio de guerra americano alvo da Al-Qaeda no Iêmen, em 2000.

Chama atenção que os irmãos Kouachi, os assassinos da revista Charlie Ebdo, também constavam em listas antiterrorismo dos Estados Unidos. O próprio serviço de inteligência da França havia passado informações aos americanos sobre Said Kouachi ter vivido por meses no Iêmen, recebendo treinamento para usar fuzis Kalashnikov e de fazer bombas.

As piores 72 horas da história recente francesa

09 de janeiro de 2015 0

 

O mercado Hyper Casher antes da invasão. Foto ERIC FEFERBERG / AFP

O mercado Hyper Cacher antes da invasão. Foto ERIC FEFERBERG / AFP

Foram as 72 piores horas da história recente da V República francesa. É como se o 7 de Janeiro parisiense não tivesse acabado na quarta-feira do horrendo atentado à revista Charlie Abdo. Prolongou-se até a tarde fria desta sexta-feira, quando a policia colocou fim, não sem derramento de sangue, à ofensiva do terror que catalisou os olhos do planeta. Hora de consolidar fatos: Eram 88 mil policiais e militares à caça dos terroristas.

Na manhã desta sexta-feira, a localização dos irmãos Cherif e Said Kouachi (responsáveis pelos ataques à revista) foram localizados a 30 quilômetros de Paris. Aos 32 anos, Cherif havia sido condenado em 2008 a três anos de prisão por pertencer a uma célula de captação de jihadistas para a Al-Qaeda no Iraque. Said, de 34 anos, recebeu treinamento terrorista nos campos do Iêmen.

Identificados na noite de quinta-feira, os irmãos roubaram um Peugeot 206 na manhã desta sexta na rodovia N-2, ao norte de Paris. Ao furarem uma barreira policial, foram perseguidos, houve tiroteio. A caminho de uma zona industrial perto de Dammartin-en-Goele, eles invadiram o prédio da gráfica CTD Creation Tendance Decouvert, com um funcionário como refém. Estavam cercados. Iniciava-se uma operação policial poucas vezes vista na história francesa, acompanhada ao vivo pelo planeta.

Outra frente terrorista se abre. Chega a notícia de que um terceiro homem havia invadido um mercado Hyper Cacher, em Paris. Tinha nas mãos dois fuzis Kalashnikov. A loja invadida vende alimentos segundo a tradição judaica. Ou seja, era um ataque claramente antissemita. O invasor chamava-se Amedy Coulibaly, 32 anos, o mesmo que na quinta-feira matara uma guarda municipal. Amedy tinha antecedentes criminais, fora condenado a seis anos de prisão por roubo. Havia passado por projeto de recuperação, trabalhado em uma fábrica da Coca-Cola (ocasião em que encontrara o ex-presidente Nicolas Sarkozy) e estava de volta às ruas. Conhecia os dois terroristas do ataque contra a Redação da revista Charlie Abdo. Na loja, tinha pelo menos seis reféns.

A operação policial foi simultânea, cirúrgica. Distantes mais de 40 quilômetros, terroristas foram mortos. Parecia uma ação perfeita. Mas, passado o furor inicial, surgiram informações de que quatro reféns haviam morrido.

A França encerra um capítulo tenebroso de uma semana de 2015 que jamais será esquecida. Foram cerca de 20 mortos em 72 horas. Os episódios que assistimos lançam desafios enormes a um país que conta com 5 milhões de muçulmanos que não podem ser vistos, de forma alguma, como cúmplices de um crime que tem mais razões políticas e econômicas do que étnicas ou religosas. Nas palavras do presidente Frances, Fraçois Hollande, a França não tem como garantir que não haverá mais ataques. O país dorme, neste momento com poucas certezas e muitos temores.

Ao vivo: de Paris, repórter conta como está o clima em Paris

09 de janeiro de 2015 0

Por hangout, eu conversei com a repórter Laura Gertz, que está em Paris e nos fala sobre o clima na frente do mercado onde ocorreu o sequestro na capital francesa.