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Duas casas de horrores

12 de maio de 2013 0

Sete anos separam as histórias das jovens de Cleveland (EUA), que foram mantidas em um cativeiro por 10 anos, e a de Natascha Kampusch, sequestrada aos 10 anos e mantida refém por oito, em Viena (Áustria). Os detalhes assustadores que emanam da casa dos horrores aproximam os dois casos.

Perto de casa

EUA – As três jovens foram sequestradas em sua cidade, Cleveland, e o cativeiro era uma casa na mesma localidade, distante poucos quilômetros da residência de seus pais.

Áustria – Natascha foi sequestrada em Viena, e o cativeiro ficava também na mesma cidade.

Os pais

EUA – Durante todos os anos de sumiço, a mãe de Michelle Knight seguiu acreditando que a filha estava viva. Colava cartazes por Cleveland com sua fotografia. A mãe de Amanda Berry morreu garantindo que sua menina estava viva.

Áustria – A mãe de Natascha não mudou nunca a fechadura de casa nem o modelo de seu carro na esperança de que a filha voltasse um dia.

Palavras pós-fuga

EUA – “Sou Amanda Berry. Fui sequestrada. Estive desaparecida durante 10 anos. Estou livre, estou aqui agora.”

Áustria – “Meu nome é Natascha Kampusch. Você deve ter ouvido falar sobre o meu caso.”

Os algozes

EUA – Ariel Castro, 52 anos, era ex-motorista de um ônibus escolar, divorciado há muitos anos, tinha perdido a guarda dos três filhos em 1993 por acusação de violência doméstica contra a ex-mulher. Para os vizinhos, era “normal”, mas reservado. Chegou a ajudar na busca por uma das jovens, Gina DeJesus, logo que ela “desapareceu”. Disse ser um “predador sexual”. Foi preso em um McDonald’s.

Áustria – O engenheiro de telecomunicações desempregado Wolfgang Priklopil, 44 anos, conduzia um furgão branco na hora do sequestro. O suspeito chegou a ser interrogado pela polícia um mês após o “sumiço”. Foi liberado. À época, um vizinho chegou a denunciar que o homem tinha atração por crianças, mas as informações foram ignoradas pela polícia. Imediatamente após a fuga de Natascha, Priklopil suicidou-se.

O futuro

EUA – O jornalista austríaco Christoph Feurstein, que fez a primeira entrevista com Natascha na TV, descreveu a experiência como “um sentimento de ressurreição”. Ele disse que o mais importante, no caso de Cleveland, é que as meninas aprendam a “confiar” de novo.

Áustria – A jovem austríaca escreveu um livro, deu várias entrevistas e, no início deste ano, sua história virou um filme, 3096 dias. Ela tem problemas para se adaptar à vida normal e chegou a se afastar de seus pais. Em 2011, abriu um hospital infantil no Sri Lanka, financiado pelas doações e com o dinheiro arrecadado com sua autobiografia.

Meu primeiro fuzil

05 de maio de 2013 0


Reprodução do site do fuzil Crickett



Na terça-feira, em um lugarejo no interior do Estado de Kentucky, nos EUA, um menino de cinco anos matou a irmã de dois, ao disparar uma arma acidentalmente. A história ganhou as páginas dos principais jornalões americanos não apenas como mais uma tragédia familiar, mas principalmente por expor ao país e ao mundo uma face revoltante da cultura armamentista americana. A arma de calibre .22 manuseada pelo menino era da marca Crickett, com a inscrição: Meu primeiro fuzil. Isso mesmo: um fuzil de verdade... para crianças.

Um rápido passeio pelo site da Keystone Sporting Arms, detentora da marca Crickett, causa arrepios. Inaugurada em 1996, a empresa produziu em seu primeiro ano de operação 4 mil armas de fogo para crianças. Eram apenas quatro empregados. Em 2008, com 40 funcionários, a produção aumentou para 60 mil. No site, há diferentes modelos de fuzis e cores – um deles, rosa, produzido “especialmente para meninas”.

“Nosso objetivo é incutir na mente dos jovens atiradores o uso seguro de armas e incentivá-los a adquirir conhecimento e respeito que as atividades de caça e tiro exigem” – diz o texto da home page, que estava fora do ar na sexta-feira.

Um clique na área para crianças (kid corner) revela uma galeria de fotos perturbadora: meninas loirinhas exibindo seus brinquedos mortíferos cor de rosa, meninos vestindo pijama abraçados às armas e até bebês de chapéu de caubói com a mãozinha em um fuzil.

Em um país que volta e meia é confrontado com massacres em escolas e universidades, as imagens mexem na ferida – e lembram o poder do lobby armamentista. O presidente Barack Obama sofreu em abril uma derrota no Senado, que derrubou o projeto que tornava mais rígidas as regras para compra de armas e proibia a venda de fuzis de alta capacidade. Principal bandeira de seu segundo mandato desde o massacre em Newtown, o controle do arsenal sucumbiu ao poder da indústria. Ganharam os admiradores das armas, as empresas que exibem meninos e meninas que aprenderam a gostar mais de armas do que de bola ou boneca. Ganharam as Crickett e seus fuzis cor-de-rosa.

Boston, terrorismo e falta de criatividade

28 de abril de 2013 0

No verão de 1989, um grupo de mujahedins que havia lutado para expulsar os soviéticos do Afeganistão imigrou para os EUA. No ano seguinte, em sua primeira ação em solo americano, eles mataram um rabino, Meir Kahane, em um hotel de Manhattan. Na casa de um deles, a polícia encontrou armas, munição, textos pregando o fim do “império” e fotos de pontos turísticos como o World Trade Center e a Estátua da Liberdade. Um rapaz chegou a ser preso, mas logo foi liberado. Era considerado um lunático.

A polícia só voltaria a ouvir falar nesse grupo três anos depois, quando eles próprios ou seus cúmplices dirigiram uma van cheia de explosivos até a garagem do World Trade Center. A ação, em 26 de fevereiro de 1993, matou seis pessoas.

Não é de hoje que os serviços de inteligência americanos batem cabeça após atentados para tentar entender como foram tão ingênuos. Brigas de egos, falta de comunicação entre o FBI e a CIA e análises falhas ainda levariam os americanos, oito anos depois, ao 11 de Setembro. À ocasião, um alto funcionário do governo George W. Bush admitiu:

– Faltou criatividade aos serviços de inteligência.

De fato, o que Hollywood imaginara em seus filmes – uma cidade sitiada, explosões em série, sequestro de aviões –, tudo se materializara naquela terça-feira de 2001.

Desde então, várias ferramentas e instituições foram criadas para reduzir o risco de uma repetição do horror: as revistas nos aeroportos transformaram as viagens para os EUA em uma sucessão de atrasos e constrangimentos, o Serviço de Segurança Interna (Homeland Security) elevou a muralha dos setores de imigração e o Tide (Terrorist Identities Datamart Environment) reuniu diferentes listas de suspeitos de terrorismo.

Não foi suficiente. Tamerlan Tsarnaev, o suspeito de Boston, estava nesse índex havia 18 meses. O FBI fora avisado pela Rússia sobre o perigo representado pelo rapaz do Cáucaso convertido em extremista islâmico. O jovem chegou a ser interrogado, mas foi descartado como ameaça. Quase 13 anos depois do 11 de Setembro, os EUA aprenderam muito sobre como agem os terroristas. Mas episódios como o de Boston revelam que os dados disponíveis são muitos, mas ainda faltam interpretação, cruzamento de informações e um pouco de… criatividade.

DA MINHA COLUNA EM ZH DESTE DOMINGO

Obama, panelas e reforma migratória

20 de abril de 2013 0



Jewel Samad, AFP

Se a semana terminasse na quinta-feira, quando ZH exibiu em sua capa parte das milhares de imagens captadas por câmeras de segurança que mostravam possíveis suspeitos dos atentados em Boston, poderíamos dizer que Barack Obama havia perdido a batalha. Nas primeiras horas após as explosões, sua reação não foi muito diferente da de George W. Bush na manhã de 11 de setembro de 2001. Errático, evasivo, o democrata, até aquele momento, admitia não ter informações sobre quem teria provocado as explosões. Enquanto o FBI já confirmava ter sido um ataque terrorista, Obama, por desinformação ou por dados contraditórios de seus assessores, evitava a palavra "terror". A tese de um inimigo doméstico - a ultradireita - era forte. Os EUA batiam cabeça atrás de um culpado, enquanto, imagens de vídeos na internet corroboravam para a paranoia revivida: ter uma mochila e estar perto da linha de chegada da maratona parecia suficiente para ser um terrorista.

Mas a semana não terminou ali. Identificados os suspeitos e após uma busca que envolveu 9 mil homens para capturar um menino de 19 anos, os olhos do mundo se voltaram para o quintal de uma casa em Watertown. Mais precisamente para dentro de um barco. Preso o suspeito, Obama reapareceu diante das câmeras para anunciar o trunfo. Não havia sorrisos. Estava sério. Em uma das piores semanas da história pós-11 de Setembro nos EUA – em que só os atentados poderiam ser lembrados –, Obama teve o bom senso de recordar as vítimas da tragédia na fábrica de fertilizantes do Texas. Ganhou a batalha.

Ainda que não se saiba as motivações dos suspeitos, se foi um ataque planejado de uma célula ligada aos separatistas do Cáucaso ou obra de dois psicopatas, os episódios da semana já impactam na agenda da Casa Branca. As bombas em forma de panela de pressão fizeram os americanos reviver o medo.

Ao encerrar seu segundo mandato, Obama pretendia retirar do vocabulário oficial da Casa Branca a expressão “Guerra ao Terror”. Queria deixar como legado o fim das guerras no Afeganistão e no Iraque, substituindo a estratégia de tropas no front por ações cirúrgicas com o uso de drones contra a Al-Qaeda. Não porque Obama seja bonzinho, mas porque é mais barato – manter os filhos dos americanos na guerra é caro do ponto de vista psicológico e financeiro, e reduzir os gastos do Pentágono é uma das obsessões da gestão democrata.

As explosões em Boston trouxeram de volta ao inconsciente o terror, aquela incômoda sensação de que você pode estar no metrô, no alto de um prédio ou em um café e algo de muito ruim acontecer.

A primeira vítima dos atentados de segunda-feira deve ser a prometida reforma migratória em discussão no Congresso. Como legalizar 11 milhões de imigrantes que atualmente moram clandestinamente nos EUA se isso poderia facilitar a vida de pessoas perigosas – como os irmãos Tamerlan e Dzhokhar Tsarnaev. A reforma migratória toca profundamente a vida dos americanos, sejam eles democratas ou republicanos: os primeiros porque precisam cumprir a promessa feita aos hispânicos que reelegeram Obama; e os segundos, porque, de olho em 2018, precisam se reconciliar com essa comunidade que ganha espaço e poder. Cortejá-los é a única maneira de sonhar com a Casa Branca.

Foto mostra suspeito no momento da prisão

20 de abril de 2013 2

Rede ABC News divulga imagem exclusiva do momento em que o suspeito é preso e recebe tratamento médico ainda no quintal da casa em Watertown.

Reprodução ABC News

A casa onde estaria o terrorista vista do Google Earth

19 de abril de 2013 0

Curiosidade:  no Google Earth, o barco onde Tamerlan Tsarnaev estaria escondido, no número 67 na Franklin Street, em Watertown, não está lá. No quintal da casa, apenas o reboque. Ao lado da residência, está um veículo estacionado. A polícia cerca neste momento a casa e acredita que o segundo suspeito dos ataques a Boston, o homem mais procurado dos EUA, possa estar no interior do barco - e com explosivos.


Reprodução




Reprodução



"Eu e minha namorada estamos em casa sem poder sair", conta brasileiro na região onde a polícia faz buscas

19 de abril de 2013 0


Denis Vinícius Krziminski, gaúcho de Porto Alegre, está neste momento em Waltham, na região onde ocorrem as buscas a um dos terroristas que explodiram as bombas em Boston. A partir de sua casa, de onde ele não pode sair por orientação da polícia, descreve a ZH:

- A sensação é de medo. Eu e minha namorada estamos em casa sem poder sair.

Há sete anos nos EUA, Denis conta que, pela janela, vê pouquíssimos carros, uma cena improvável para uma sexta-feira - está em vigor o código vermelho, que orienta os cidadãos a não deixarem suas residências. A polícia faz buscas casa a casa e registra as residências que foram vasculhadas. Watertown, onde foi morto o primeiro suspeito, fica a sete minutos da casa de Denis.

- No parque, ninguém foi. Moro aqui há muitos anos e nunca vi nada igual.

Pelas últimas informações, o suspeito teria fugido em um carro para o Estado de Connecticut.

- Espero que a polícia resolva isso o mais rápido possível para que possamos retomar nossa rotina. São muitos brasileiros que vivem aqui nessas cidades, onde vigora o alerta vermelho. Espero que tudo termine bem.


Terroristas de Boston são irmãos chechenos

19 de abril de 2013 0




Divulgação/FBI



Dzhokhar A. Tsarnaev (E) e Tamerian Tsarnaev (D) são os homens que cometeram os atentados na Maratona de Boston. O primeiro, que aparece nas imagens divulgadas pelo FBI de boné branco, é o que a polícia caça neste momento na região de Watertown. O segundo foi morto mais cedo em confronto com agentes. Dzhokhar tem 19 anos, está sendo chamado de "suspeito número 2". Seu tio, segundo a agência de notícias AP, confirmou que ambos são irmãos. Eles seriam de origem chechena e teriam visto de residência permanente nos EUA.

A AP informa que os jovens chegaram aos EUA há um ano, provenientes da Turquia. Já a NBC diz que a família chegou ao país em 2002 - e acrescenta que os irmãos teriam experiência militar.

A confirmação de que os dois são chechenos é importante porque derruba a tese do inimigo doméstico. O atentado volta a ser tratado como obra do extremismo islâmico. A região do Cáucaso russo é celeiro de terroristas, que lutam contra o governo central russo. A Chechênia já viveu duas guerras de independência - e seus rebeldes foram massacrados pelo Kremlin. Alguns dos atentados mais terríveis que o mundo já viu foram produzidos por extremistas da região - o ataque à escola de Beslán, o teatro de Moscou, entre outros. Esta é a primeira vez que terroristas chechenos atacam nos EUA. Teriam arquitetado tudo sozinhos? Ou seriam parte de uma célula do Cáucaso nos EUA? Dúvidas que começam a ser esclarecidas com a morte de Tamerian, mais cedo. Ele teria ferimentos de explosões, provavelmente ainda dos atentados de segunda-feria. Neste momento, inteligência americana e russa (que tem grande experiência no combate ao terrorismo no Cáucaso), trabalham certamente de forma cooperada.

Vídeo: suspeitos de ataque a Boston

18 de abril de 2013 0

FBI acaba de divulgar um vídeo no qual aparecem os dois suspeitos dos ataques em Boston. Eles usavam um boné preto e um boné branco e foram identificados como “suspeito 1” e “suspeito 2” -  o segundo foi visto deixando uma bolsa no chão.

Veja o vídeo:

Explosivos podem ter sido colocados em panela de pressão

16 de abril de 2013 1

Até o momento, não há qualquer evidência sobre quem provocou o atentado de segunda-feira em Boston. No entanto, cresce a suspeita de que o ataque NÃO seja obra de grupos extremistas internacionais. Surgiu há pouco a tese da panela de pressão:  a rede CBS está divulgando que a panela estaria em uma sacola de nylon ou em uma mochila preta. Foram encontrados circuitos eletrônicos que indicariam o uso de timer para detonar os explosivos em uma lixeira.

O recurso quase artesanal sugere "terroristas amadores".

O governo americano tem sido muito cuidadoso nas palavras. Obama tem evitado apontar culpados.

Internamente, há vários inimigos da Casa Branca - a ultradireita é um deles.

O maior atentado terrorista da história americana antes do 11 de setembro foi cometido por um... americano: Timothy McVeigh em Oklahoma City.

Jornal rompe rivalidade e homenageia Boston

16 de abril de 2013 0

Uma homenagem bonita feita pelo Chicago Tribune, um dos grandes jornais dos EUA.

A capa de Esportes esqueceu a rivalidade entre Chicago e Boston no esporte e escreveu que também torce para os times da cidade alvo dos atentados de ontem. "Nós somos..."

New England Patriots (futebol americano), Boston Celtis (basquete), Boston Bruins (hóquei), Boston Red Sox (beisebol) e New England Revolution (futebol).

O texto diz ainda:"Na segunda-feira, fomos lembrados mais uma vez o quão frágeis podemos ser".

Os times de Chicago são rivais de Boston são: o Chicago Bulls (basquete), o Chicago Bears (futebol americano), o Chicago Cubs e o Chicago White Sox (beisebol), o Chicago Blackhawks (hóquei) e o Chicago Fire (futebol).

Reprodução

Vídeo: o momento das explosões em Boston

15 de abril de 2013 0

Imagens do Boston Globe mostram o momento exato das explosões e a correria na linha de chegada da maratona. Veja aqui

A segunda mancha na história de Boston

15 de abril de 2013 0

Boston, capital do Estado de Massachusetts, é talvez a mais brasileira das cidades americanas. Não apenas pelo grande número de imigrantes que vive lá, mas principalmente pelo modo de vida alegre da população. Boston é arborizada, festeira, tem grandes áreas verdes e fica na confluência dos rios Charles e Mystic. Sede da prestigiosa Universidade de Harvard, a cidade recebe centenas de milhares de universitários a cada ano, provenientes dos mais diferentes quadrantes do globo.

As explosões desta tarde ocorreram no momento em que milhares de corredores terminavam a 117ª edição da maratona, considerada a mais antiga do mundo e disputada desde 1897. Pelo menos 130 brasileiros estavam inscritos na prova - que, no total, reunia 27 mil pessoas.

As explosões têm características de atentados terroristas - embora ainda seja cedo para confirmar, o que deve ocorrer nas próximas horas pela prefeitura e pelo governo americano. Foi na linha de chegada, em momento de grande aglomeração, com atletas e torcedores reunidos em arquibancadas.

Ataques simultâneos são uma característica da Al-Qaeda. E, como ato simbólico, os artefatos explodiram próximo às bandeiras das nações participantes do evento.

Caso se confirme um ato deliberado de terrorismo, será a segunda mancha na história da bela Boston. A primeira foi em 11 de setembro de 2001. Foi de seu aeroporto Logan que partiu o voo 11 da United Airlines naquela manhã de terça-feira. O destino era Los Angeles, mas a aeronave foi sequestrada e jogada contra o World Trade Center, em Nova York. Foi o primeiro avião desviado de sua rota naquele dia fatídico.

Depois dos Windsor, os Borbón

07 de abril de 2013 0

Nos anos 1990, a família real britânica era o alvo. Muita tinta e papel foram gastos com histórias como o casamento arranjado entre Diana e Charles, as bizarrices íntimas de Charles e Camilla, as puladas de cerca de Diana e sua morte trágica em um túnel de Paris. Era como um folhetim ao vivo, acompanhado na TV, em tabloides e revistas por meio mundo, quando a internet ainda engatinhava. Nestes anos 2000, a bola da vez é a coroa espanhola. Dá-se um tempo para os Windsor e inferniza-se a Casa dos Borbón.

O indiciamento do genro do rei Juan Carlos coroa, com o perdão do trocadilho, o inferno astral do monarca, que recentemente precisou se explicar depois de seu polêmico safári em Botsuana, quando foi flagrado caçando elefantes. O livro do jornalista britânico Andrew Morton, biógrafo de Diana, alimenta agora nossa fome – baseada em um fascínio por intrigas palacianas difícil de explicar – de saber o que ocorre por trás dos muros de Buckingham, La Zarzuela e até da esquecida no momento vida íntima dos Grimaldi, de Mônaco.

Morton põe mais lenha na fogueira espanhola: conta que Juan Carlos teria tentado seduzir Diana em duas ocasiões em que ela se hospedara no Palácio de Mallorca, em 1986 e 1988. Em Ladies of Spain (em que as ladies são a rainha Sofía, as infantas Elena e Cristina e a princesa Letizia), as aventuras amorosas do monarca são desveladas. Dom Juan, pasmem, teria tido 1,5 mil amantes, segundo o livro. O fogoso rei estaria separado de Sofía há cerca de 30 anos, mantendo um casamento de aparências. Que impacto terão as novidades na Casa Real? Difícil saber.

Os espanhóis são menos apegados a seu rei do que os britânicos. E, nos últimos 30 anos, do outro lado do Canal da Mancha, as controvérsias danificaram a imagem de alguns membros da monarquia britânica, mas não conseguiram desestabilizar a realeza em si, nem a figura de Elizabeth, que continua a ser vista como modelo de monarca – e sua popularidade está em alta. Há, ao menos, um consolo para dom Juan Carlos, quando a tempestade passar.

DA MINHA COLUNA EM ZH DESTE DOMINGO

Em relato emocionado, padre conta como foi a "carona" com o novo papa

15 de março de 2013 2

Padre Antonio Hofmeister, de Porto Alegre, conta como foram os minutos em que compartilhou da presença do papa Francisco, na van dos cardeais, entre a Casa Santa Marta e a Capela Sistina, na quinta-feira.



Padre Antonio estuda em Roma e, durante o conclave, auxiliou os cardeais brasileiros no deslocamento até o Vaticano - Foto: Arquivo Pessoal



Duas fileiras atrás do Papa... Ainda tomado pela emoção da fumaça branca do dia anterior e dos momentos de espera na Praça de São Pedro até que fosse anunciado o nome do novo papa, ainda comovido pelas suas primeiras palavras como o novo bispo de Roma, com o pedido humilde de que rezássemos por ele, seguido pelo silêncio absoluto da multidão que imediatamente se pôs a rezar, fui levar os nossos três cardeais de volta à Casa Santa Marta, após a entrevista coletiva que concederam aqui no Colégio Pio-Brasileiro.

Eu sabia que a primeira missa presidida pelo papa Francisco, prevista para as 17 horas aqui em Roma, era só para os cardeais que haviam participado do conclave, mas, na esperança de que me permitissem ficar quietinho, talvez em um canto no fundo da Capela Sistina de onde pudesse ver o novo papa passar, subi em um dos micro-ônibus que esperavam para levar os cardeais da Casa Santa Marta ao local da missa, acompanhando o cardeal dom Geraldo Majella.

Já estávamos sentados, e o motorista aguardava que saíssem mais cardeais para não deixar lugares vazios, quando, de repente, vemos o Santo Padre saindo da casa, passando reto pelo carro que havia sido preparado para ele e subindo em nosso veículo! Todos o aplaudimos quando entrou, ao que ele respondeu com uma pergunta:“Ainda tendes lugar? Sim? Então sentarei aqui ao lado do Raymundo” (o arcebispo de Aparecida-SP, Cardeal Raymundo Damasceno Assis). Durante os dois ou três minutos que durou o trajeto eu não conseguia fazer outra coisa a não ser olhar para o Santo Padre, enquanto ele mantinha uma animada conversa com dom Raymundo. Eu pensava no exemplo que ele nos dá de simplicidade, de humildade, confirmando com suas atitudes o nome que escolheu: Francisco, o “poverello” de Assis!

Não me canso de agradecer a Deus pelo Papa que acaba de dar à Sua Igreja! De agradecer por poder ser testemunha deste momento! O Papa Francisco nos ensinará tanto com suas palavras quanto com seus exemplos!