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Argentinos chegam às vésperas da eleição sem garantias de que vencedor sairá no primeiro turno

23 de outubro de 2015 0

Pela primeira vez em 12 anos, os argentinos chegam às vésperas da eleição sem a mínima condição de afirmar se haverá ou não segundo turno. Se nenhum dos seis candidatos vencer com margem suficiente no domingo, a balotage, como os argentinos chamam o segundo confronto, será no dia 22. Seria a primeira vez que os argentinos elegeriam o presidente no segundo turno – em 2003, Carlos Menem e Nestor Kirchner foram para o duelo, mas o primeiro acabou desistindo da corrida eleitoral antes do dia da votação.

Para ser eleito domingo, o primeiro colocado deve conquistar 40% dos votos, além de uma diferença de 10 pontos percentuais em relação ao segundo. Outro requisito possível é 45% dos votos mais um. Daniel Scioli, da coalizão Frente para a Vitória, tem, em média 38% contra 28% de Mauricio Macri, da aliaça Cambiemos.

Ir para segundo turno seria um pesadelo para Scioli, o candidato de Cristina Kirchner. Estrategistas de campanha acreditam que, em um novo duelo, valeria a força do voto “anti-K”, ou seja eleitores de Macri se uniriam ao do terceiro candidato nas pesquisas, Sergio Massa, para vencer Scioli.

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Desde as 8h desta sexta-feira, a Argentina está no período chamado “la veda”, quando ficam proibidas propagandas políticas em rádio e televisão e “vedadas” manifestações dos candidatos nas ruas. No entanto, nas redes sociais, a campanha segue. Não há uma lei eleitoral específica para a disputa política na internet.

Os principais jornais do país destacam o encerramento da campanha. Scioli, que liderou um grande evento no Luna Park, defendeu em seu último discurso antes do domingo “continuidade com mudanças” – é uma tentativa de seduzir o voto independente. Garantido o apoio dos kirchneristas, para chegar aos 40% e ganhar no primeiro turno, o candidato precisa desta parcela da população que ainda não se decidiu. O prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri encerrou a campanha em Córdoba. – Estamos a horas de mudar a história com nosso voto – afirmou. Macri, apoiado por setores empresariais argentinos, também busca o voto de indecisos, capazes de, pelo menos, levar a disputa para o segundo turno. Mesmo que improvável uma aliança entre ele o terceiro colocado, o deputado Sérgio Massa, que diz representar o verdadeiro peronismo, a balotage pode significar o fim do kirchnerismo.

 

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Scioli encerra campanha agradecendo a Cristina Kirchner por entregar governo em "paz social"

22 de outubro de 2015 0

Em um ato carregado de referências a Perón, Evita, Néstor e Cristina Kirchner, o candidato governista Daniel Scioli, da aliança Unidos por la Victória, encerrou na noite desta quinta-feira sua campanha eleitoral. Transformado em QG kirchnerista, o legendário Luna Park, centro de eventos famoso por sediar lutas de boxe históricas, recebeu centenas de militantes de várias regiões da província de Buenos Aires. Em um palco à frente de telões de LED que alternavam imagens do político com cenas de cidadãos argentinos exercendo diferentes profissões, Scioli prometeu dar continuidade aos “desenvolvimento” iniciado pela presidente Cristina, a quem agradeceu.

— Em 10 de dezembro, ela deixará um país ordenado, sem dívidas e com paz social — afirmou.

Ato de encerramento de campanha de Scioli, no Luna Park. Foto: Rodrigo Lopes

Ato de encerramento de campanha de Scioli, no Luna Park. Foto: Rodrigo Lopes

Em uma das disputas mais acirradas desde a eleição de 2003, o governador da província de Buenos Aires optou por um discurso de conciliação. Em nenhum momento citou os adversários do domingo. Em uma fala de cerca de 20 minutos, ele prometeu:

— Vou dar minha alma para alcançar um futuro melhor, com meu estilo e tenacidade e com a minha escola de vida, que é o esporte.

Para dar um caráter de defesa dos trabalhadores, a organização do evento convidou representantes de diferentes profissões, entre metalúrgicos, médicos, cozinheiros, como platéia para o candidato. Scioli também estava ao lado de governadores peronistas no palco.

Militantes de várias facções do peronismo compareceram ao evento. Foto: Rodrigo Lopes

Militantes de várias facções do peronismo compareceram ao evento. Foto: Rodrigo Lopes

Cristina Kirchner não compareceu ao evento, mas foi lembrada pelo cantor Ricardo Montaner, autor do tema da campanha de Scioli.

— Um aplauso para Cristina — pediu o músico, atendido de pé pelos militantes.

A plateia, como se estivesse em uma partida de futebol, não parou de gritar e de bater tambores, até mesmo enquanto os políticos discursavam. A partir desta sexta-feira, a Argentina entra no período chamado “veda eleitoral”, quando estão proibidas as propagandas políticas.

Protesto, Dilma, relações com o Brasil e outros temas

22 de outubro de 2015 0

 

Esqueçam o que eu falei sobre não ter cortes de ruas. 12h30min desta quinta-feira: trânsito parado na esquina da Avenida 9 de Julho com Corrientes. Um protesto de trabalhadores desempregados provocou um nó no tráfego da região central de Buenos Aires. Em um dos entrocamentos mais movimentados da América Latina, era possível sentar no meio da avenida.

Foto: Rodrigo Lopes

Foto: Rodrigo Lopes

 

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*

Em 2003, quando Néstor Kirchner ficou em segundo lugar no primeiro turno, mas acabou ganhando depois que Carlos Menem desistiu, os argentinos estavam descrentes na política: “que se vayan todos”, era uma expressão comum. Outra frase habitual era dizer que todos os candidatos são “mais do mesmo”. Doze anos depois, os argentinos estão mais entusiasmados com a eleição – e profundamente polarizados. Um termômetro são os cartazes com propaganda política nas ruas – menos do que no Brasil -, distribuição de santinhos e comícios lotados.

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A baixa popularidade da presidente brasileira não parece preocupar o candidato de Cristina Kirchner, Daniel Scioli. Ele esteve há duas semanas com Dilma Rousseff, em Brasília. Luiz Inácio Lula da Silva visitou o político argentino em Buenos Aires. Ambos, inclusive, participaram da inauguração de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) nos arredores da capital. Scioli importou a ideia do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, de quem é amigo.

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No segundo mandato de Cristina e sob Dilma, o Mercosul esfriou. Nos últimos quatro anos, o intercâmbio comercial entre Brasil e Argentina encolheu US$ 11 bi. Como parceiros, Cristina escolheu Venezuela, Bolívia e China. Dilma optou pelos EUA.

Paralelos entre as eleições argentinas de 2003 e de 2015

22 de outubro de 2015 0

Retorno à Argentina 12 anos depois de cobrir a vitória de Néstor Kirchner sobre Carlos Menem. Na verdade, naquela eleição de 2003, Menem venceu no primeiro turno, Kirchner ficou em segundo lugar. Mas Menem, antevendo a derrota no ballotage (como os argentinos chamam o segundo turno), desistiu. Resultado: Kirchner, El Pingüino das terras geladas da Patagônia, tornou-se presidente. Era um político pouco conhecido, mais famoso por ser o marido da Cristina, então senadora da República. A eleição de 2003 encerrou um período dramático da história argentina – era uma chance para o país sair definitivamente da crise de 2001 – no período posterior à queda de Fernando de la Rúa, a Argentina chegou a ter cinco presidentes em menos de 40 dias. Nas urnas, os eleitores disseram não a Menem, o populista que, durante 10 anos, manteve o peso atrelado ao dólar para conter a inflação e privatizou empresas como a Aerolíneas Argentinas. De desconhecido, Kirchner tornou-se um herói – sua morte, em 2010, em decorrência de um ataque cardíaco, mobilizou peronistas de todos os matizes. O povo foi às ruas. A viúva Cristina, como uma Evita dos anos 2000, virou candidata natural. Foi eleita presidente, reeleita e planejava mudar a Constituição para se candidatar de novo em 2015. Não deu. A oposição impôs uma dura derrota nas últimas eleições parlamentares. O governo ficou sem apoio para mudar a Carta Magna.

Casa Rosada. Foto: Rodrigo Lopes

Casa Rosada. Foto: Rodrigo Lopes

A Argentina de 2015 é bem diferente da Argentina de 2003. Não há piquetes pelas ruas – há 12 anos, os cortes de calles e avenidas de Buenos Aires eram constantes. Os bancos, então fechados com portas blindadas por medo de quebra-quebra, hoje estão abertos. Em 2003, havia uma grande descrença na política e nos políticos. Hoje, há campanha nas ruas – não tanto quanto no Brasil, mas em uma rápida caminhada pelo microcentro da capital argentina é possível ver cartazes com os rostos dos candidatos e pessoas entregando santinhos. Não que os argentinos acreditem muito nos políticos hoje em dia. Tanto quanto o Obelisco, a Calle Florida ou Mafalda, discutir política nos cafés e nas esquinas é também símbolo deste país.

Curiosidades, paralelos entre 2003 e 2015, notícias sobre o pleito você encontrará aqui no blog até o domingo da eleição.

Convido você a embarcar nesta viagem. Abraços

Propaganda do candidato governista Daniel Scioli. Foto: Rodrigo Lopes

Propaganda do candidato governista Daniel Scioli. Foto: Rodrigo Lopes

Vídeo: rumores sobre o papa Francisco e denúncias na quinta-feira antes da eleição argentina

22 de outubro de 2015 0

Vídeo: como o míssil russo atingiu o voo MH-17 da Malaysia sobre a Ucrânia

13 de outubro de 2015 1

As autoridades holandesas, que divulgaram nesta terça-feira o relatório confirmando que um míssil de fabricação russa motivou a queda do Boeing 777 da Malaysia Airlines sobre o território da Ucrânia, postaram um vídeo bastante explicativo sobre o fato. O míssil explodiu do lado esquerdo da aeronave, acima da cabine do piloto. Três tripulantes teriam morrido imediatamente. No total, 298 pessoas morreram no episódio.

Cristina Kirchner bailou e viralizou

09 de outubro de 2015 0

Em campanha pela eleição de seu herdeiro político Daniel Scioli, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, dançou durante um comício em Buenos Aires. Ao olhos tímidos e um tanto constrangido de Scioli, ela bailou ao ritmo de Movidito, do cantor Sebastián.

Movidito, movidito / juntito los dos juntitos / de mi cuerpo sale humo / cuando bailas junto a mi.

Virou meme.

Aliás, Daniel Scioli, que tenta se eleger no primeiro turno, no próximo dia 25, virá a Brasília na semana que vem. Na terça-feira, terá uma reunião de trabalho com a presidente Dilma Rousseff.

 

Discurso do papa Francisco no Congresso agrada mais aos democratas do que aos republicanos

24 de setembro de 2015 0

Cinquenta minutos de aplausos, citações de personalidades históricas americanas, mas sobretudo muito crítico a posições republicanas nos Estados Unidos. Primeiro papa a falar no Congresso americano na História, Francisco tocou, de forma singela, como um tapa de luvas, em temas sensíveis ao mundo em geral – e aos EUA em particular. Usou a figura de Moisés para começar seu pronunciamento, em uma referência à união. Mas, em tempos de campanha eleitoral para a sucessão de Barack Obama, nas entrelinhas, as palavras do Pontífice soaram mais como música aos democratas do que aos republicanos.

Em poucas frases, ele conseguiu criticar tanto o extremismo islâmico quanto a forma como o combate – a Guerra ao Terror – foi travada pelos EUA. Disse que “nenhuma religião está imune à ação de indivíduos e do extremismo”, mas que “é necessário um equilíbrio delicado para evitar a violência cometida em nome da religião”. Também atacou os falcões da era Bush, ao dizer que “devemos evitar a tentação de combater o mal com o mal”.

Depois de 30 minutos de fala, o ponto mais forte do discurso foi, como esperado, a questão dos imigrantes. Francisco criou empatia ao se dizer ele próprio um migrante: “Muitos de nós, em algum momento, fomos estrangeiros”. Alguns parlamentares se emocionaram. Outros aplaudiram de pé. “Falo a vocês como filho de imigrantes, sabendo que tantos de vocês também são filhos de imigrantes”, afirmou.

Foi um singelo puxão de orelha nos pré-candidatos republicanos mais radicais, como Donald Trump, que propõe uma reforma migratória e já ameaçou com expulsão ilegais, caso seja eleito presidente em 2016. Pior: Trump recentemente chamou os imigrantes de “traficantes, estupradores”. Francisco utilizou em seu discurso ilustres personalidades americanas, como Martin Luther King (“A América ainda é a terra dos sonhos para muitos”, afirmou), Abraham Lincoln e Doris Day. E afirmou: “É difícil julgar o passado pelos critérios do presente. Não devemos repetir os pecados do passado”.

Em outra alfinetada nos republicanos, Francisco falou da necessidade de um acordo global contra as mudanças climáticas. E encerou com o tradicional: “God bless America”.

A primeira reação dos políticos à visita do Papa veio antes mesmo do discurso no Congresso. Trump, o mais polêmico e fanfarrão dos pré-candidatos, afirmou “respeitar” Francisco, mas disse que não concorda com os assuntos propostos em seus discursos nos EUA até o momento. “Acho que suas palavras são belíssimas e eu respeito o papa. Gosto muito dele, mas também acho que o nosso país esteja enfrentando problemas graves ligados à imigração”, disse na CNN.

Duas tragédias em menos de 15 dias

24 de setembro de 2015 0

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Antes mesmo de o Haj começar, este ano, a peregrinação anual à Arábia Saudita já estava marcada por uma tragédia. No último dia 11 de setembro, um acidente com um guindaste dentro da Grande Mesquita de Meca matou pelo menos 107 pessoas e feriu mais de cem.

A queda do guindaste ocorreu em meio a fortes ventos na cidade. Mas existe uma infestigação em andamento, ordenada pelo príncipe Khaled al-Faisal, governador de Meca. A Grande Mesquita de Meca é o local mais sagrado do Islã e passou por uma grande reforma este ano. Lançadas há quatro anos para ampliar a superfície do lugar  em 400.000 metros quadrados, o equivalente de 50 campos de futebol, para que possa abrigar 2,2 milhões de peregrinos.

O local fica a cerca de 30 quilômetros de Mina, onde ocorreu o tumulto desta quinta-feira. Os sauditas têm feito investimentos para expandir os lugares sagrados e para melhorar o sistema de transporte. Também o número de peregrinos é controlado. Mesmo assim, não foram suficientes para evitar duas tragédias em menos de 15 dias.
Sobre o acidente com o guindaste, uma curiosidade: a obra de reforma da Grande Mesquita era feita por uma construtora saudita vinculada ao BinLadin Group. Fundada nos anos 1930 pelo pai do ex-líder da Al Qaeda Osama bin Laden, o grupo foi excluído de novos projetos públicos.

Entre Che, Camilo, João Paulo e Francisco

20 de setembro de 2015 0

O primeiro destino quando desembarquei em Havana há nove meses para cobrir a reconciliação entre EUA e Cuba, como enviado especial de Zero Hora, foi a Praça da Revolução. Ali, sob o olhar atento de Che Guevara e de Camilo Cienfuegos esculturados em dois prédios públicos, o mundo viu a Revolução Cubana se erigir. Era naquela imensa praça, um largo pelo menos 10 vezes maior do que o da Epatur, em Porto Alegre, que Fidel Castro consolidou seu regime. Naquela tarde, em que, cansado do voo entre Porto Alegre-São Paulo-Cidade do Panamá-Havana me empenhava em caminhar para conversar com cidadãos cubanos ainda em transe com a notícia do acordo com os EUA, percebi ali a força de uma ideologia. Praticamente vazia, com não mais do que 10 turistas, havia uma energia capaz de fazer cair sobre nossos ombros 50 anos de século 20. Foi nesse local que Fidel Castro fez seus mais fortes discursos, alguns de cinco, outros de oito horas. Na tarde em que caminhei pela Praça da Revolução não havia filtros, quase nenhum policial ou turista. Só Che e Cienfuegos.

A Praça da Revolução foi palco de momentos históricos – o Dia do Trabalhador sempre foi uma data histórica na ilha. O papa Bento XVI também discursou ali, em 2012, pouco antes de renunciar. Houve emoção.

Sempre há emoção para católicos por tantos anos proibidos de exercer sua fé na ilha. Mas houve, na história do mundo, dois grandes episódios a marcar aquele largo chamado Praça da Revolução. O primeiro, em 1998, quando João Paulo II pisou ali para pedir a abertura de Cuba ao mundo. A Revolução de 1959, por princípio comunista, atéia, perseguiu o catolicismo. Freiras, padres e fiéis foram presos, torturados ou se exilaram. Alguns resistiram – e viram, como eu vi, três dias após o acordo com os EUA, uma missa lotada na catedral de Havana Vieja. Tendo a Igreja como grande artífice da reconciliação. Em 1998, a imagem de um papa conservador a dialogar com Fidel Castro, no íntimo, soava como heresia para o outro lado.

O segundo grande ato foi hoje, domingo, 20 de setembro de 2015, com o papa Francisco, o primeiro Pontífice latino-americano a pisar no cimento da Praça da Revolução como Papa. O Vaticano foi o grande garantidor do acordo entre Barack Obama e Raúl Castro. O fiador. Desde às 3h da manhã, fiéis se acotovelavam para ver o Papa. Desde às 3h da manhã uma imagem de Jesus Cristo rivalizara, ombro a ombro, com Che Guevara e Camilo. Desde às 3h da manhã se configurava um domingo histórico.

 

Charlie Hebdo volta a provocar polêmica. Agora, por causa da imigração

15 de setembro de 2015 3

O jornal francês Charlie Hebdo voltou a provocar polêmica ao publicar, nesta semana, charges, agora relacionadas à crise com imigrantes às portas da Europa. Uma delas faz referência ao menino sírio Aylan Kurdi, cuja foto morto na praia chocou boa parte da opinião pública mundial. Na charge, “Bem-vindo aos migrantes – Tão perto, mas…” Ao fundo, um cartaz semelhante a de lanchonetes fastfood anuncia: “Dois menus infantis pelo preço de um”.

Foto: islamaideology

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Em outro cartoon, a inscrição “Prova de que a Europa é cristã”. Um homem, semelhante a Jesus, afirma: “Os cristãos caminham sobre as águas”. Outro personagem, um menino, afirma: “As crianças muçulmanas afundam”.

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Os desenhos foram feitos por Laurent Riss Sourisseau, que, desde os atentados à revista, em 7 de janeiro, anda com escolta policial.

O vazio

13 de setembro de 2015 0

Um avião explode contra uma torre. Acidente? Outro. Terror! O Pentágono em chamas. Guerra? Em um descampado da Pensilvânia, um rastro gigante no chão. Um quarto avião? Um presidente com a cara petrificada pela notícia. Insegurança! Enclausurados nos arranha-céus em chamas, pessoas se jogam em queda livre. Caças nos céus com ordem para abater qualquer outro avião. Com ou sem passageiros. Cai a primeira torre. Desespero! Cai a segunda torre.

Quanto tempo é necessários para mudar a História? Meses, anos, séculos? Quantos fatos? Uma morte? 100 mil? Uma catástrofe? Uma revolução?

O mundo como o conhecemos ruiu no exato período entre o choque da primeira aeronave contra a Torre Sul e o despencar da Torre Norte: 102 minutos. Desmoronaram ali os pilares da nossa civilização. Ninguém nunca mais entrou em um metrô da mesma forma. Nunca mais contemplou um arranha-céu sem lembrar daquele dia. Não viajamos da mesma maneira. Não olhamos para o outro com a mesma empatia. Seja o outro o vizinho, um americano, um muçulmano, um cristão. O outro. Seja o outro quem pense diferente de nós, que reze diferente de nós, quem viva do outro lado de Porto Alegre, de Túnis, Kobane ou Paris.

Batizamos de Era do Terror o que, na linguagem nossa de cada dia, é o tempo da desconfiança, da xenofobia, islamofobia, do medo de sentir medo. Descobrimos nomes e lugares.

Tora-Bora. Talibã. Mulá. Kandahar. Armas de destruição em massa. Guantánamo. Al-Qaeda. Al-Jazeera. Tomahawk. Karachi. Aliança do Norte. Cabul. Curdos. Carpet bomb. Sunitas. Bagdá. Basra. Xiitas. Abu Ghraib.

Descobrimos o vazio.

* Texto originalmente escrito para Rádio Gaúcha no especial Arquivo Gaúcha

Vídeo: a inauguração do memorial nos 10 anos dos atentados

11 de setembro de 2015 0

Quando completaram-se 10 anos dos atentados de 11 de setembro de 2001, Nova York inaugurou o memorial no Ground Zero. Abaixo, veja o vídeo que gravei do minuto de silêncio no momento exato em que o primeiro avião se chocou contra uma das torres do World Trade Center.

Na virada de sábado para domingo, à meia-noite, a Rádio Gaúcha vai mostrar, em formato de documentário multiplataforma, o Arquivo Gaúcha, programa sobre coberturas históricas. Esta edição será sobre o 11 de Setembro.

Vídeo: tragédia do bebê sírio deve servir para tomada de decisão

03 de setembro de 2015 0

Por que o Estado Islâmico quer apagar a História?

25 de agosto de 2015 0