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Depois das estátuas milenares, Estado Islâmico ataca sítios arqueológicos

06 de março de 2015 0

 

Nimrod, berço da civilização assíria. Foto: Karim Sahib, AFP

Nimrod, berço da civilização assíria. Foto: Karim Sahib, AFP

O Estado Islâmico segue com sua fúria contra patrimônios históricos do Iraque. Depois de destruir estátuas milenares do Museu de Mossul, o grupo terrorista agora ataca sítios arqueológicos da região de Nimrod, um dos pontos considerados berço da civilização.

A cidadela fica a 30 quilômetros de Mossul e foi fundada em 1250 a.C. Séculos mais tarde, Nimrod tornou-se capital do Império Assírio, o mais importante da época, estendendo-se da Mesopotâmia até Egito, Turquia e Irã.

A Unesco se manifestou nesta sexta-feira, considerando crime de guerra a destruição das ruínas da cidade.

De Martha Gellhorn a Lynsey Addario, as mulheres na cobertura de guerra

03 de março de 2015 0
Lynsey Addario, fotógrafa de guerra, terá sua história contada em filme

Lynsey Addario, fotógrafa de guerra, terá sua história contada em filme

Uma pergunta recorrente, quando converso com estudantes de jornalismo sobre cobertura de guerras: “Por que há poucas mulheres fazendo este tipo de trabalho?” A premissa de que há poucas mulheres no front é verdadeira apenas em parte. Nos conflitos na Líbia, no Líbano e em Israel, encontrei muitas jornalistas e fotógrafas, trabalhando como freelancer ou integrando equipes de TV, na frente e atrás das câmeras, ou em grandes agências de notícias. Há muito tempo, a cobertura não é exclusividade de homens. Uma das precursoras foi Martha Gellhorn, que esteve na Guerra Civil Espanhola, em 1936, na invasão do Panamá, em 1990, na Segunda Guerra Mundial e na Guerra do Vietnã. Seus relatos podem ser lidos no magnífico livro A face da guerra, editado pela Objetiva na coleção Jornalismo de Guerra.

Ao ler este post, o colega Humberto Trezzi, que também esteve na Líbia, lembra que Martha é muito bem retratada em um filme recente e fascinante: Hemingway e Martha. Nicole Kidman faz o papel da jornalista.

Uma das correspondentes de guerra da atualidade é a americana Lynsey Addario. Vencedora do prêmio Pulitzer, esteve presente no Afeganistão durante a intervenção americana posterior aos ataques do 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Fotografou também a Guerra do Iraque, o genocídio de Darfur (Sudão) e o estupro de mulheres no Congo. Na Líbia, foi capturada por forças de Muammar Kadafi. Segundo ela, o fato de ser mulher possibilitou ir além das linhas de frente e chegar à casa das pessoas.

Seu livro “It’s what I do: a photographer’s life of love and war” vai virar filme. Nesta terça-feira, os estúdios Warner Bros. venceram o leilão pelos direitos cinematográficos sobre as memórias da fotógrafa, um projeto para o qual contará com o diretor Steven Spielberg e a atriz Jennifer Lawrence. Para conhecer mais o trabalho de Lynsey, veja os links abaixos

Fotos de Lynsey para a National Geographic

Site oficial da fotógrafa

Reportagem em português no site da embaixada dos EUA no Brasil

Foto: Lynsey Addario

Foto: Lynsey Addario

Foto: Lynsey Addario

Foto: Lynsey Addario

Foto: Lynsey Addario

Foto: Lynsey Addario

Fidel reaparece. Ao lado de Los Cinco

02 de março de 2015 0
Foto do Cubadebate, Fidel entre os cinco ex-agentes cubanos.

Foto do Cubadebate, Fidel entre os cinco ex-agentes cubanos.

Fidel Castro reapareceu nesta segunda-feira em foto publicada pelo jornal Granma. Aos 88 anos, o ex-presidente cubano, vestindo um uniforme esportivo azul, está sentado, rodeado pelos cinco ex-prisioneiros, libertados em dezembro como parte do acordo entre Estados Unidos e Cuba. O encontro, que durou cinco horas, aconteceu na casa de Fidel, em Havana. As imagens da reunião foram publicadas pelo Granma, junto com um artigo no qual Fidel relata alguns dos assuntos sobre os quais conversaram. “Fui feliz durante horas ouvindo relatos maravilhosos de heroísmo do grupo”, afirmou em certo trecho.

Leia reportagem do Cuba Debate aqui

Brasil na capa da Economist, pela segunda vez de forma negativa

27 de fevereiro de 2015 0

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A revista Economist, uma das mais importantes do cenário econômico mundial, traz, em sua versão para a América Latina, uma capa polêmica para os brasileiros. A primeira página da publicação, que chega às bancas na semana que vem, mostra uma passista de escola de samba sendo tragada por um pântano verde. A revista afirma que a economia brasileira está “uma bagunça” e que os problemas seriam maiores do que os admitidos pelo governo.
É a segunda capa que mostra o Brasil de forma negativa em pouco tempo: a primeira foi uma espécie de continuação de uma que mostrava o Cristo Redentor “decolando” do Corcovado. O Brasil em franco crescimento. Meses depois, a imagem mostrava o Cristo em queda livre, como um foguete “desgovernado”. Veja as imagens:

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Estado Islâmico derruba estátuas milenares no Iraque

26 de fevereiro de 2015 4

Revoltante o vídeo que está circulando nesta quinta-feira na internet. Nas imagens, extremistas do Estado Islâmico aparecem destruindo estátuas com mais de 3 mil anos. O material integrava coleção do museu de Mossul e é parte do patrimônio cultural da civilização assíria, que viveu no norte do Iraque e da Síria desde o século X a.C.

As obras têm valor histórico inestimável. O museu de Mossul foi ocupado pelo Estado Islâmico em junho. Nas imagens, é possível ver os guerrilheiros destruindo as estátuas com marretas e furadeiras. “Maomé ordenou”, diz o grupo para quem as estátuas são símbolos de idolatria.

A ação do grupo lembra a destruição dos budas de Bamiyan (fotos abaixo), no Afeganistão, pela milícia Talibã, meses antes dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Budas de Bamiyan, antes e depois da destruição no Afeganistão.

Budas de Bamiyan, antes e depois da destruição no Afeganistão.

 

Justiça argentina livra Cristina de denúncia por acobertar atentado na Amia

26 de fevereiro de 2015 1
Juiz Daniel Rafecas

Juiz Daniel Rafecas

O juiz federal Daniel Rafecas não aceitou a denúncia que havia sido apresentada pelo procurador Alberto Nisman, que acusava a presidente Cristina Kirchner de ter acobertado indícios de participação do Irã no atentado contra Amia.

Nisman que apareceu morto em seu apartamento em Puerto Madero, havia feito a denúncia em 14 de janeiro, quatro dias antes de sua morte. Além de Cristina, estavam na denúncia o chanceler Hector Timerman e outros funcionários do governo e dirigentes do Partido Justicialista.

Veja a cobertura completa do caso no especial do La Nacion

Mistério na noite de Paris

25 de fevereiro de 2015 0

Em vídeo, comento a estranha aparição de drones em série nas noites parisienses, especialmente em locais sensíveis, como a embaixada americana, a Torre Eiffel, entre outros. A polícia investiga.

Presidente Obama, ataque o Estado Islâmico

25 de fevereiro de 2015 0

Antes de tudo, peço ao senhor e à senhora um habeas corpus preventivo: como repórter, vi de perto duas guerras, na Líbia e no Líbano, conheço o horror de um bombardeio e de inocentes morrerem perto de mim. Por isso, caro leitor, sou um intransigente defensor da paz e do diálogo para a solução de conflitos — em casa, no trabalho ou do outro lado do mundo. Meu comportamento pacífico, no entanto, não me impede de defender a guerra em alguns casos. Haveria solução diferente para pôr fim ao horror nazista, por exemplo?

Quando estão em jogo direitos elementares do ser humano ou a violação dos mesmos, a guerra é um dever. Por isso, dirijo meu apelo ao prédio 1.600 da Avenida Pensilvânia, em Washington: presidente Barack Hussein Obama, faça uma guerra aberta contra o Estado Islâmico!

Quando estão em jogo direitos elementares do ser humano ou a violação dos mesmos, a guerra é um dever. Por isso, dirijo meu apelo ao prédio 1.600 da Avenida Pensilvânia, em Washington: presidente Barack Hussein Obama, faça uma guerra aberta contra o Estado Islâmico!

Sei que o senhor é um construtor de pontes. Também sei que pavimentou sua carreira como um incansável na busca de consensos. Sim, eu também estava lá, no Grant Park, de Chicago, naquela noite de 2008, quando o senhor prometeu trazer de volta do Iraque os filhos dos americanos e defendeu um mundo multilateral em lugar do unilateralismo da era Bush.

Mas o senhor também prometeu o fechamento de Guantánamo e não cumpriu. Pregou a paz, mas fez a guerra contra Kadafi. Então, Mr. President, o que espera para destruir um medieval grupo que corta cabeças de seres humanos, põe fogo em prisioneiros dentro de jaulas e prega que as mulheres têm menos direitos do que os homens? Bombas esporádicas não estão funcionando.

O Estado Islâmico é uma ameaça ao mundo livre. Persegue e mata muçulmanos e cristãos — estes últimos, marcando suas casas como os nazistas faziam com os judeus.

Não é difícil imaginar que bombardeios pontuais, com infiltração de forças especiais e fomento de grupos internos sejam suficientes para retomar os territórios ocupados pelo EI. Sua margem para negociação no Congresso é pequena, mas os falcões republicanos devem estar sedentos por uma nova guerra.

Use seus homens no Capitólio para apressar a discussão. O mundo se omitiu em Ruanda. Agiu tarde na Bósnia. Quantos inocentes mais precisarão morrer com tiros de fuzis na nuca ou decapitados, exibidos em tempo real nas redes, para que o senhor faça alguma coisa?

Texto publicado em Zero Hora de 24 de fevereiro de 2015.

Quem são as noivas da Jihad

23 de fevereiro de 2015 1

A incrível história das jovens britânicas que deixaram Londres para se juntar ao Estado Islâmico.

Em 90 segundos, entenda o trabalho de um sniper

17 de fevereiro de 2015 0

Sniper Americano, filme de Clint Eastwood, mostra o treinamento, as batalhas e os traumas de um atirador de elite. No vídeo abaixo, comento a atividade dos membros Seal, grupo de elite da marinha americana.

 

Desfile na Sapucaí com dinheiro de ditadura africana

16 de fevereiro de 2015 2
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Obiang. Foto: AFP

 

A partir das 23h40min de hoje, a Beija-Flor vai levar para a Sapucaí uma homenagem a Guiné Equatorial. O tema é “Um griô conta a História: um olhar sobre a África e o despontar da Guiné Equatorial. Caminhemos sobre a trilha de nossa felicidade”. Até aí, nenhum problema. Muito antes pelo contrário: Carnaval é acima de tudo um fenômeno cultural – e será uma oportunidade de os brasileiros conhecerem um pouco mais sobre este esquecido país da África Ocidental.

O lado suspeito da história é de onde vem o dinheiro para a apresentação desta noite. Trata-se de um investimento feito pelo presidente de Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, 72 anos. Seriam cerca de US$ 10 milhões injetados na conta da Beija-Flor. Quase nada para o ditador milionário, que reina sobre jazidas de petróleo (o terceiro maior produtor da África, atrás de Nigéria e Angola), enquanto sua população passa fome. No ranking da revista Forbes, Obiang é o oitavo líder mais rico do mundo, com fortuna estimada em quase R$ 2 bilhões. Sua gente, no entanto, é uma das mais pobres da África. No Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Guiné Equatorial ocupa a 144ª posição.

Trata-se de um dos piores países africanos no que diz respeito aos direitos humanos e se mantém como o “pior do pior” no ranking anual da Freedom House. Há mais de 35 anos no poder, Obiang comanda um regime na base de execuções sumárias, torturas, prisões arbitrárias e repressão violenta a protestos. Ele e seu filho, Teodoro Nguema Obiang Mangue, o Teodorin, são acusados nos Estados Unidos por lavagem de dinheiro e evasão fiscal. Em 2011, a Justiça americana tentou congelar seus bens, entre eles uma casa em Los Angeles (US$ 30 milhões), um avião (US$ 38,5 milhões) e uma Ferrari (US$ 500 mil).

Obiang comandou um dos golpes de Estado mais sangrentos da África: derrubou o antigo presidente (seu tio, diga-se de passagem) Francisco Macías Nguema, em agosto de 1979. Em seguida, ordenou o fuzilamento do rival.

Não é a primeira vez que uma escola de samba homenageia um país sob governo polêmico: em 2006, a Unidos de Vila Isabel desfilou trazendo para a Sapucaí o ideal de Simón Bolívar, por uma América Latina unida. O dinheiro veio da PDVSA, a estatal de petróleo venezuelana, injetado por Hugo Chávez. Um ano antes, a Petrobras havia depositado na conta da mesma escola US$ 5 milhões para um enredo sobre energia.

Em tempo – o ditador africano não gostou da versão do samba gravada para o desfile da noite de hoje. Não havia o nome completo do país. O texto falava apenas “Guiné”. Obiang mandou incluir o “Equatorial” para diferenciar dos outros dois países com nomes parecidos: Guiné e Guiné Bissau.

Dentro do Estado Islâmico

26 de janeiro de 2015 0

Féeeeeeeerias!!!!!

Aproveito o descanso para fazer a dissertação de mestrado que trata da prática jornalística em áreas de guerra. Então, acabo não me afastando muito do trabalho do dia dia. Mas prometo ficar mais off nas próximas semanas. Passo por aqui apenas para repassar o link indicado pelo colega Humberto Trezzi, de Zero Hora.

Veja aqui

Nele, é possível testemunhar operações de confronto entre combatentes curdos e extremistas do Estado Islâmico em pleno deserto – aliás, na baita reportagem de ontem do “Fantástico”, da Rede Globo, deu pra ter uma ideia do poderio militar dos terroristas, sem falar na coragem da jornalista que entrou na Síria para gravar as imagens, uma das poucas reportagens que vi em profundidade e de dentro da região dominada pelo Estado Islâmico.

Voltando ao vídeo, cenas de confrontos entre tanques e um vilarejo dominado pelo EI – algo raro nos dias de hoje, homem a homem, máquina a máquina. Infelizmente, claro.

Vídeo: o discurso de Obama sobre o estado da União

22 de janeiro de 2015 0

Argentina: a hora da verdade para Cristina

19 de janeiro de 2015 0

 

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É quase possível ouvir um tango, dramático, arrastando-se sobre o fundo da história que vimos e ouvimos nesta segunda-feira: um procurador de Justiça argentino, justiceiro, disposto a revelar um esquema internacional para acobertar as relações do governo de Cristina Kirchner e dos aiatolás iranianos sobre um dos episódios mais traumáticos da história argentina.

Os atentados contra a embaixada de Israel, em 1992, e a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em 1994, são assuntos até hoje intragáveis para os argentinos – e para a América Latina como um todo. Não há conclusões. Apenas suposições, muitas delas quase certeiras, como a participação do Hezbollah e do regime iraniano nas ações terroristas.

Com um tiro, o procurador Alberto Nisman silenciou (ou foi silenciado) um capítulo que os argentinos acompanham como novela brasileira: “na véspera do que prometia ser um dos dias mais importantes de sua carreira, como afirmou Pablo Mendelevich, comentarista de política do jornal La Nación, ao fazer dele as palavras de Menem: “Ninguém morre na véspera”.

Nas últimas entrevistas que concedeu, antes do disparo certeiro em seu apartamento no bairro de Puero Madero, Nisman havia denunciado a presidente Cristina Kirchner e o chanceler Héctor Timerman por participação em um esquema, em 2012, para acobertar os fugitivos iranianos acusados do ataque contra a Amia.
Aos fatos: a Justiça argentina considera culpados do atentado o presidente do Irã à época, Ali Akbar Rafsanjani, o ex-chanceler Ali Akbar Velayati, o ex-ministro de Inteligência Ali Fallahijan, o ex-chefe da Guarda Revolucionária Mohsen Rezai, o ex-chefe da Força Quds e ex-ministro da Defesa Ahmad Vahidi, além de outros três diplomatas.

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Uma das primeiras pessoas a entrar no apartamento de Nisman, nesta segunda-feira, após a descoberta do corpo do procurador, foi o secretário federal de Segurança, Sergio Berni, homem de confiança da presidente Cristina. Parte dos documentos que Nisman pretendia apresentar ao Congresso foi encontrada pela polícia federal e levada do apartamento. O juiz Manuel Campos, encarregado da investigação da morte de Nisman, pertence à Justiça Legítima, organização de juízes que respalda o governo de Cristina.

Ora, por anos, o ex-presidente Carlos Menem conseguiu acobertar o que até as pedras da Calle Florida desconfiam: a aliança iraniano-libanesa está diretamente vinculada aos dois atentados. Segundo o promotor, em troca da imunidade, o governo de Cristina conseguiria acordos comerciais com o Irã, especialmente para exportações de carne argentinas. Em tempos de desabastecimento, a Argentina receberia petróleo iranino. Mas que interesses teria Cristina – e, até seu falecido marido, Néstor Kirchner – em acobertar o que poderia ser um dos maiores crimes de seu principal rival no Partido Justicialista (peronista), Carlos Menem?

Com os argentinos, não se brinca. Eles não engolem engodos. Centenas foram às ruas do país na noite desta segunda-feira, tomando emprestado o lema francês desses dias: “Je suis Charlie”. Em uma corruptela, transforaram a frase para “Todos somos Nisman”.

Se Nisman se suicidou por conta própria ou foi levado a isso, talvez nunca se saiba. Mas é evidente que sua morte terá um alto impacto político na campanha eleitoral, que está prestes a começar.

Dois pesos, duas medidas

17 de janeiro de 2015 25

A reação da presidente Dilma Rousseff à execução do carioca Marco Archer foi a mais dura declaração de um presidente brasileiro em direção a outro país desde a ocasião em que um funcionário do governo israelense chamou o Brasil de “anão diplomático”. No ano passado, o presidente de Israel pediu desculpas pela fala de seu subordinado.

Desta vez, é mais grave. O presidente indonésio, Joko Widodo, não apenas ignorou o apelo de clemência de Dilma, feito na sexta-feira, por telefone, quanto sua diplomacia sequer respondeu a algumas cartas do Itamaraty, enviadas no ano passado, sugerindo que a Justiça do país reconsiderasse a morte de Marco. Não pedia sua libertação, não o declarava inocente. Pedia apenas sua extradição, para que cumprisse pena no Brasil.
A decisão tomada pelo governo brasileiro de chamar de volta seu embaixador é comum na diplomacia – mas trata-se de uma medida forte. Demonstra um grande descontentamento por parte de um governo. As palavras do Planalto, na nota divulgada logo após a confirmação da execução, na tarde deste sábado, são as mais duras de um presidente do Brasil em anos: “A decisão da Indonésia afeta gravemente as relações entre nossos países”.

Relações estas que, diga-se de passagem, não são muitas. Nem comerciais nem diplomáticas.

A Indonésia tem o direito de executar suas leis, obviamente. Marco Archer cometeu um crime considerado grave pela legislação do país asiático, mas que o governo anterior fez vistas grossas durante anos.

Se você é pego com drogas na Indonésia sabe que é isso que pode ocorrer. Mas é raro que estrangeiros sejam executados – as pessoas acabam definhando no corredor da morte por décadas. Recorrem… recorrem… pedem clemência. Há uma regra informal de que você vai ficar atrás das grandes por um longo tempo, mas que, no final, haverá chance de ser solto. Aconteceu em algumas ocasiões – e a clemência é um intrumento legal da constituição do país. A série de execuções de hoje – além do brasileiro, ocorreram outras, de cidadãos de Holanda, Nigéria, Malaui e Vietnã – foram as primeiras em meses.

Acontece que o presidente Widodo, que assumiu no ano passado, fez sua campanha tendo como promessa o combate ao tráfico de drogas. O tema toca diretamente a vida dos cidadãos – que apóiam, em larga escala, a pena de morte para o delito. Daí, porque a ministra dos Direitos Humanos, Ideli Salvatti, afirmou que se trata de uma decisão política.
Não é. É o cumprimento da lei, por mais cruel que seja.

A execução por pelotão de fuzilamento é uma herança indonésia da ditadura militar de Suharto, que oprimiu sua população por décadas e expandiu territórios – inclusive até o Timor Leste, onde os militares brasileiros atuaram por alguns anos como força de intervenção e manutenção da paz, pela ONU.

O mais contraditório é que o mesmo governo que executou um brasileiro pede clemência no caso de um cidadão indonésio condenado à pena de morte na Arábia Saudita. Trata-se de Satinah Binti Jumadi Ahmad, uma cidadã indonésia condenada por assassinar e roubar sua empregadora. A Indonésia apelou formalmente ao rei Abdullah, da Arábia Saudita, para que suspenda a execução.

Dois pesos, duas medidas.