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Posts do dia 18 maio 2012

Foco nas crianças

18 de maio de 2012 1

Encarregada de fazer deslanchar o programa Brasil Carinhoso, a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, detalhou hoje no programa Gaúcha Atualidade as medidas que o governo vai adotar para tirar da miséria famílias que têm crianças de zero a 6,9 anos. No Rio Grande do Sul, são 58 mil famílias que receber um complemento de R$ 70.

O Brasil Carinhoso inclui a construção de creches, a compra de vagas em instituições particulares, pelas prefeituras, com dinheiro do programa Brasil sem Miséria, e a distribuição de medicamentos e vitaminas para crianças desnutridas.

Já fora do ar, Tereza contestou os críticos dos programas de distribuição de renda que consideram o Bolsa Família um estímulo às mulheres pobres para terem filhos. Tereza diz que nas regiões em que existem mais dependentes do Bolsa Família se registram os maiores índices de redução da taxa de fecundidade. Os índices de natalidade estão chegando a níveis preocupantes, segundo a ministra, porque podem significar, num futuro próximo, carência de mão de obra e aumento do déficit previdenciário, como se verifica nos países desenvolvidos.

Ouça aqui a aentrevista da ministra

Retrato do caos na educação

18 de maio de 2012 19

** Texto publicado na Página 10 desta sexta-feira (18/05)

O resultado do concurso que pretendia selecionar 10 mil professores para a rede pública estadual dá uma pista de por que as provas de avaliação dos alunos nas escolas do Rio Grande do Sul, em todos os níveis, apresentam resultados tão ruins. Se entre mais de 60 mil inscritos só cerca de 5 mil conseguiram acertar o mínimo de 60% das questões das provas, há indícios de que os professores estão sendo mal preparados ou o Estado aplicou uma prova descolada da realidade.

Entre os milhares de reprovados, estão professores que já trabalham nas escolas públicas – parte como contratados em caráter temporário, parte como concursados que buscam uma nova nomeação. Estarão esses professores desatualizados? Ou por trabalharem em mais de uma escola para sobreviver não têm tempo para se preparar?

O concurso deste ano trouxe uma saudável inovação: provas específicas para cada área do conhecimento. O problema é que não se conseguiu, entre os aprovados, preencher metade das vagas.

Diante desse resultado desastroso, há que buscar respostas nos cursos de formação de professores, tanto nas universidades públicas quanto nas privadas e comunitárias. O que se está ensinando aos jovens que desejam ser professores? A proliferação de cursos superiores, presenciais ou de ensino à distância, pode ter produzido queda na qualidade?

O resultado do concurso saiu um dia depois da divulgação dos dados que colocam o Rio Grande do Sul entre os campeões de reprovação dos alunos no Ensino Médio. A explicação para esses índices de repetência e de evasão pode ter a mesma raiz do resultado do concurso: o Estado vive um círculo vicioso. Baixos salários tornaram a carreira desinteressante e afastaram do magistério os melhores alunos das escolas públicas e privadas. Os cursos que formam professores estão entre os menos concorridos nas faculdades. E os professores mais preparados preferem trabalhar nas escolas privadas, que pagam mais.

Nos últimos anos, o Rio Grande do Sul se acostumou a não discutir pedagogia. Quando se fala em educação, normalmente o foco é a eterna guerra entre o Cpers e o governo por melhores salários. É claro que o salário é importante, mas não é tudo. Há que se buscar um caminho para melhorar a educação em todos os níveis e isso exige um mutirão com a participação de todos os atores, a começar pelas famílias que, em geral, pouco se envolvem com a escola dos filhos.