** Texto publicado na Página 10 desta sexta-feira (18/05)
O resultado do concurso que pretendia selecionar 10 mil professores para a rede pública estadual dá uma pista de por que as provas de avaliação dos alunos nas escolas do Rio Grande do Sul, em todos os níveis, apresentam resultados tão ruins. Se entre mais de 60 mil inscritos só cerca de 5 mil conseguiram acertar o mínimo de 60% das questões das provas, há indícios de que os professores estão sendo mal preparados ou o Estado aplicou uma prova descolada da realidade.
Entre os milhares de reprovados, estão professores que já trabalham nas escolas públicas – parte como contratados em caráter temporário, parte como concursados que buscam uma nova nomeação. Estarão esses professores desatualizados? Ou por trabalharem em mais de uma escola para sobreviver não têm tempo para se preparar?
O concurso deste ano trouxe uma saudável inovação: provas específicas para cada área do conhecimento. O problema é que não se conseguiu, entre os aprovados, preencher metade das vagas.
Diante desse resultado desastroso, há que buscar respostas nos cursos de formação de professores, tanto nas universidades públicas quanto nas privadas e comunitárias. O que se está ensinando aos jovens que desejam ser professores? A proliferação de cursos superiores, presenciais ou de ensino à distância, pode ter produzido queda na qualidade?
O resultado do concurso saiu um dia depois da divulgação dos dados que colocam o Rio Grande do Sul entre os campeões de reprovação dos alunos no Ensino Médio. A explicação para esses índices de repetência e de evasão pode ter a mesma raiz do resultado do concurso: o Estado vive um círculo vicioso. Baixos salários tornaram a carreira desinteressante e afastaram do magistério os melhores alunos das escolas públicas e privadas. Os cursos que formam professores estão entre os menos concorridos nas faculdades. E os professores mais preparados preferem trabalhar nas escolas privadas, que pagam mais.
Nos últimos anos, o Rio Grande do Sul se acostumou a não discutir pedagogia. Quando se fala em educação, normalmente o foco é a eterna guerra entre o Cpers e o governo por melhores salários. É claro que o salário é importante, mas não é tudo. Há que se buscar um caminho para melhorar a educação em todos os níveis e isso exige um mutirão com a participação de todos os atores, a começar pelas famílias que, em geral, pouco se envolvem com a escola dos filhos.
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