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Posts do dia 27 junho 2012

Maluf, o personagem

27 de junho de 2012 34

De sinônimo da corrupção a cabo eleitoral cobiçado por todos os candidatos a prefeito de São Paulo e conquistado pelo petista Fernando Haddad, Paulo Maluf é hoje um dos personagens mais falados da incipiente campanha eleitoral. E se ufana dessa condição com aquela modéstia que os brasileiros conhecem há mais de três décadas.

- Fui o melhor prefeito que São Paulo já teve e o que mais obras realizou em São Paulo. Das três eleições que disputei para deputado federal, em duas fui o mais votado do Brasil - gabou-se Maluf em entrevista ao Gaúcha Atualidade.

Empolgado com a popularidade conquistada depois da foto com o ex-presidente Lula e com Haddad no jardim de sua mansão em São Paulo, Maluf defendeu aliança e ressaltou sua capacidade de decidir eleição.

- Aliança você faz com os divergentes. Você não faz sanduíche de pão com pão - filosofou Maluf para justificar o casamento com Haddad, a quem definiu como o mais preparado para resolver os problemas de São Paulo, por ser próximo da presidente Dilma Rousseff.

No velho estilo de driblar as perguntas que considera inconveniente, Maluf tergiversou sobre o fato de ser procurado da Interpol e de não poder viajar para vários países. No ar, deu seu endereço residencial em Brasília e disse que, assim como foi localizado pela Rádio Gaúcha, pode ser encontrado por quem estiver querendo falar com ele _ inclusive a polícia. Sobre o título de "persona non grata", dado a ele pelo PP gaúcho, desconversou: disse que tem excelentes relações com os deputados da bancada federal e com a senadora Ana Amélia Lemos.

Ouça a íntegra da entrevista:


Enfim, o julgamento

27 de junho de 2012 27

ABERTURA DA PÁGINA 10

Pressionado por todos os lados, o ministro Ricardo Lewandowski, revisor do relatório do processo do mensalão, liberou os documentos ontem, a tempo de permitir que o julgamento comece no dia 2 de agosto, como quer o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ayres Britto. Trata-se de uma péssima notícia para quem sustenta que o mensalão não existiu e para os que esperavam protelar o início do julgamento para depois da eleição.
O cenário, para fins eleitorais, é o pior possível. A campanha coincidirá com um momento de recapitulação das denúncias que andavam esquecidas pelo tempo decorrido desde o estouro do escândalo, detonado pelo ex-deputado Roberto Jefferson (PTB). Quem ainda se lembra da CPI dos Correios? Dos depoimentos intermináveis? Dos saques de vultosas somas de dinheiro que, segundo a denúncia, iam parar nas mãos de parlamentares aliados? Tudo isso dividirá a atenção dos eleitores com a campanha para as prefeituras e Câmaras de Vereadores.
Mesmo que os acusados não sejam candidatos, o desgaste é inevitável para os candidatos que têm alguma ligação com os envolvidos. Com tantos réus e tantos advogados competentes na defesa, é difícil acreditar em julgamento rápido. Tudo indica que não haverá sentença até 6 de outubro. Está garantido o início em 2 de agosto, mas não há prazo para a conclusão dos trabalhos. Mesmo com o mutirão proposto pelo ministro Ayres Britto, há obstáculos pelo caminho. Dois ministros se aposentam ainda este ano. Sabe-se lá quando a presidente Dilma Rousseff nomeará os substitutos.
Em 2006, o mensalão não impediu a reeleição do presidente Lula, apesar de ter derrubado alguns dos seus principais ministros e chamuscado os aliados. O candidato era Lula, apelidado de Teflon, porque nele nada colava. Quatro anos depois, Lula usou seu prestígio para eleger Dilma Rousseff. Agora, será impossível tirar o mensalão do foco.