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Racha e expulsões no Bloco de Lutas

19 de setembro de 2013 7

Uma assembleia dos membros do Bloco de Lutas deliberou pela exclusão de filiados do PT do grupo que milita pelo passe livre, desmilitarização da Brigada Militar, entre outras pautas. A gota d’água para a decisão foi uma propaganda do partido mostrar imagens de integrantes do bloco nos protestos de junho.

Veja o vídeo abaixo:

A avaliação foi de que o Piratini tentou se apropriar do sentido das manifestações, que eram contra o próprio sistema estatal. O Bloco de Lutas, agora, é composto por filiados do PSOL, do PSTU, e por integrantes da Federação Anarquista Gaúcha.

Petistas reagem

A juventude petista reagiu nesta  à expulsão do Bloco de Lutas. Em nota, os filiados criticam a decisão do movimento e afirmam que há um “nítido esvaziamento político” no bloco.
“Fomos expulsos por aqueles que dizem que são libertários, mas usaram do autoritarismo para se sobrepor à política”, diz a nota.

Abaixo, leia a íntegra da manifestação do Bloco de Lutas:

Durante os meses que se passaram muitas lutas foram travadas, muitas assembleias, debates e um grande esforço em manter a unidade entre os setores que combatem as formas de opressão na sociedade.
Essa unidade crítica foi construída na ação e na diversidade, baseada em princípios e em práticas coletivas no modo de agir e decidir, recebendo e fazendo críticas duras ao processo de luta que construímos, porém sem perder a ternura e o compromisso de resgatar as lutas populares combativas em Porto Alegre e no Brasil.
Nos últimos meses travamos lutas cotidianas pelo Passe Livre e por um transporte 100% público, enfrentamos a BM, suas bombas de gás e suas balas de borracha. Enfrentamos a burocracia institucional. São centenas de violações de direitos praticados durante esse ano aos manifestantes durante as mobilizações. A postura da BM seguiu a mesma lógica, combater o inimigo: O POVO! Além das perseguições politicas aos movimentos e indivíduos que compõem o Bloco de Lutas, incluído arrombamento da sede da FAG e apreensão ilegal de livros ditos “subversivos”, por conter conteúdo anarquista.
Denunciamos as várias manobras realizadas pelo PT internamente no Bloco: Desviar o foco do embate ao governo Tarso Genro, tentar frear a greve dos professores e a aliança entre os trabalhadores, em inchar as instâncias do bloco para frear seu ímpeto combativo e contra institucionalização.
A expulsão do PT do Bloco de Lutas foi mais do que necessária após os últimos fatos: Agressão direta a professores, ataque genocida às comunidades Quilombolas e Originárias (Indígenas), e suas escolhas pelo agronegócio e os setores patronais do RS.
A gota d’água que justificou a tomada de atitude foi o uso sorrateiro de fotos e vídeos das manifestações do Bloco de Lutas no programa de televisão do PT, que se aproveitou das imagens de companheiros que têm clara e explícita oposição ao governo, manipulou as informações e utilizou a construção coletiva em nome de novas filiações para seu partido.
Repudiamos o comportamento aparelhista que se trava na relação com as estruturas sindicais, transformando as ferramentas dos trabalhadores em correias de transmissão do governo/partido. A expulsão do PT da composição do Bloco de Lutas foi aprovada a partir de um amplo debate quando foi realizada a avaliação sobre a atuação do governo petista e de seus militantes dentro do bloco. A expulsão não foi a única proposta apresentada durante a assembleia, mas a partir da negativa dos militantes do PT de não fazerem autocrítica e publicarem retratações em relação às atitudes de seu partido, mas do contrário, ameaçando retirar o apoio dos sindicatos que compõem, que inclui advogados e carros de som.
É inconcebível manter a unidade com quem comanda o governo do estado, quem se apropria das lutas dos trabalhadores e faz dos movimentos e sindicatos correia de transmissão do governo e do partido. A decisão tomada pela assembleia geral do Bloco vai ao alcance da unidade dos setores combativos, a escolha pelos de baixo, e a aliança dos oprimidos contra os opressores.
Por isso afirmamos nossos princípios de independência de classe, de autonomia, horizontalidade e combatividade. Lutamos pelo Passe Livre para estudantes, desempregadxs, indígenas e quilombolas, e que os ricos paguem a conta. Por um transporte 100% público e pela desmilitarização da BM.
Afirmamos nosso compromisso em seguir a luta nas ruas com ações diretas e construindo e fortalecendo as alianças entre os setores combativos e revolucionários.
LUTAR CRIAR PODER POPULAR

E a nota da Juventude Petista:

Dia 17/09, participamos da nossa última “Assembleia do Bloco de Lutas pelo Transporte Público”, uma organização criada no início de cada ano para tentar barrar o aumento das passagens de ônibus, da qual a militância do Partido dos Trabalhadores sempre participou. No entanto, este ano o processo foi diferente. Fortes mobilizações se avolumaram no final de 2012, formando protestos com unidade real, que criaram um novo cenário para as discussões e organização do Bloco.  Convém salientar que os rodoviários Cutistas, foram os percursores e propulsores deste crescente movimento, articulado inclusive lutas em outros municípios e estados, iniciamos ainda no ano passado (Dezembro) encontros sistemáticos com o bloco, em espaços como: – Utopia e Luta, SIMPA, entre outros espaços.
 
Quando surgiram as jornadas de Junho, em Porto Alegre já estávamos nas ruas há mais tempo e tínhamos conquistado vitórias, barrando o aumento da passagem e dando projeção à luta a partir de uma unidade de ação, com a participação efetiva de militantes da JPT e rodoviários petistas.

As mobilizações mostraram a efervescência de uma juventude que quer participar da política, mas que não se sente representada pelas estruturas tradicionais de poder. Neste período de avanços, o Bloco de Lutas tinha como princípio, e na sua essência, um espaço de unidade de ação, uma estrutura aberta, democrática, participativa e horizontal, com a qual aprendemos muito.

Ao mesmo tempo outros movimentos sociais também se reanimaram a sair às ruas e assim foram organizadas as paralisações nacionais das centrais sindicais dos dias 11 de julho e 30 de agosto. A Juventude do PT, pela relação histórica com a CUT, também obteve tarefas nessas mobilizações, quando estivemos nas garagens de ônibus junto com a oposição dos rodoviários, fortalecendo a luta da classe trabalhadora.

A JPT sempre esteve na construção do Bloco de várias formas, através da militância em espaços como sindicatos, movimentos sociais etc. Na luta pelo transporte 100% público, articulamos forças e construímos unidade de ação para pressionar todos os governos, inclusive os nossos, e fazer com que os ricos pagassem a conta. A Bancada de Vereadores e o PT, fomentados pela sua Juventude, realizaram nesse período inúmeros debates, tendo como resultado um projeto de lei em tramitação, que prevê Transporte 100% Público.

Construímos a vitoriosa Ocupação da Câmara de Porto Alegre, dialogando com nossa ampla rede de apoiadores para o suporte necessário, desde alimentação, estrutura e assessoria jurídica do movimento, contando também com apoio político e estratégico de nossa bancada de vereadores na realização do diálogo. Participamos da construção dos projetos de lei do Bloco, mesmo avaliando que eram limitados comparados ao projeto da nossa Bancada de Vereadores e, pela valorização da construção coletiva, apoiamos!

Com independência e sem amarras, não medimos esforços para realizar assembleias e atos democráticos, plurais e combativos, disputando a consciência e adesão da sociedade para a pauta do transporte público e para a importância de ir às ruas construir uma democracia verdadeira e participativa.

Jamais nos furtamos de marchar em frente ao Palácio, onde construímos um grande ato e inclusive fizemos a relação com outros movimentos sociais que também tinham ato marcado para se somar e apoiar o Bloco. Tampouco fizemos falas individuais ou coletivas no sentido de “frear o ímpeto combativo” do movimento.

Estávamos na Praça da Matriz no dia da violenta agressão aos indígenas, totalmente descabida e injustificável. Emitimos nota pública condenando estas ações, reivindicando a desmilitarização da polícia e exigindo que o governo fizesse a opção política pela demarcação das terras dos povos tradicionais. Não foi a primeira vez que a Brigada Militar agiu com truculência e arbitrariedade. Desde o primeiro momento em que isso aconteceu pautamos o problema internamente no partido e publicamente, pelo dever de disputar os rumos dos nossos governos.

Ressaltamos que a cultura política do autoritarismo é incompatível com a democracia, que a instituição Brigada Militar age com autonomia tendo grande disputa com setores da direita, ao mesmo tempo não se pode atribuir a um único governo a responsabilidade pela postura de uma instituição militar nacionalmente organizada, que ainda comemora a “Revolução de 64″ todo o dia 31 de março, também não podemos aceitar qualquer grau de conivência com tais posturas. Essa é uma luta permanente e orgulha-nos o enfrentamento feito no Governo Olívio Dutra aos excessos da BM, quando foram inseridos novos conceitos de policiamento cidadão, unificação das polícias e a alteração no Regimento Disciplinar da Brigada Militar, além do projeto de Lei que prevê o fim da Justiça Militar.

Ficou nítido o esvaziamento político do Bloco, abandonaram a pauta do transporte e do Passe Livre. Vínhamos propondo a retomada da pauta do Transporte 100% público, pois diante de tantos temas o Bloco foi instrumentalizado pelo oportunismo de forças políticas como PSOL e PSTU, simplesmente para criar o símbolo do anti-petismo internamente. Havia a proposta de um seminário para definição da plataforma política, temos dois projetos protocolados na Câmara, tem uma CPI que criminaliza o movimento, e cadê o Bloco? Há tempos estas forças esvaziaram os espaços de elaboração política. Antes de proporem a expulsão somente dos petistas, o Bloco tentou expulsar outros movimentos sociais como o MST e o Levante Popular da Juventude, usando como argumento a relação de diálogo que eles possuem com o governo, coisa que o próprio Bloco realizou. Não obstante as nossas contribuições, até então sempre bem-vindas, construídas, sem exceção, de forma democrática e horizontal, houve um argumento instransponível nas falas de expulsão mais indignadas.

 Agora começa uma infeliz batalha de versões sobre o episódio da nossa expulsão. A “Nota Oficial do Bloco de Lutas sobre a Expulsão do PT” mente ao denunciar supostas “manobras internas” dos petistas que sempre construíram o movimento.

O pretexto para a expulsão dos petistas foi a utilização de uma imagem na qual aparecem integrantes do Bloco de Lutas durante uma reunião oficial com o governador Tarso Genro em um vídeo institucional do PT. Nunca foi discutida, porém, a utilização de imagens das mobilizações do Bloco de Lutas por outras forças políticas e partidos.

 A “Nota Oficial do Bloco de Lutas sobre a Expulsão do PT” mente  ao afirmar que não temos posturas críticas. Sobre o vídeo, a JPT propôs nessa mesma assembleia que, caso alguém se sentisse lesado, seria o caso de discutir uma nota pública de repúdio ao uso da imagem e, juridicamente, uma ação questionando sua utilização.

Fomos expulsos do Bloco por sermos radicalmente democráticos, já que enfrentamos a contradição de ser governo e cobrar do próprio governo maiores avanços. Fomos expulsos por aqueles que dizem que são libertários, mas usaram do autoritarismo para se sobrepor à política. Nos condenaram e nos expulsaram por sermos filiados e construtores do Partido dos Trabalhadores.
Em nada mudaram os motivos que nos fizeram construir a unidade de ação pelo transporte 100% público e pelo Passe Livre (pauta que o próprio Bloco esqueceu). Lembramos que, inclusive, foi aprovado o Passe Livre Estadual para estudantes gaúchos no mesmo dia em que resolveram nos expulsar.
 
Não aceitamos que o Bloco tenha se transformado, pela vontade de algumas personalidades mais sectárias, em espaço para julgamento de acertos e equívocos do PT. Não aceitamos a demonização do PT. Acreditamos que o Partido dos Trabalhadores ainda é a principal ferramenta da classe trabalhadora. Não perdemos a perspectiva da crítica, mas sabemos enxergar os avanços que tivemos nesses 10 anos de governo, e temos claro que as mobilizações de junho foram fruto desses avanços, pois entendemos que a população e os jovens querem mais.

Os Rodoviários Cutistas (RodoCUT), que sempre foram a favor da democratização do bloco e pelo verdadeiro apoio social assinamos conjuntamente este documento, pois nos inserimos dentro deste espaço com a finalidade de buscar o bem comum a toda a nação. Compreendemos que não existe luta de um soldado só se existem falhas é porque existe espaço para o crescimento.

A militância petista seguirá nas ruas, de onde nunca saiu, construindo espaços democráticos e ferramentas de articulação de lutas sociais e de unidade de ação verdadeira, sem hipocrisia e sectarismo. Criando espaços para aqueles que querem construir uma sociedade mais justa e igualitária, que lutam contra todas as formas de opressão, por uma sociedade socialista, feminista e democrática! Viva o PT, Viva a classe trabalhadora!

Juventude do Partido das/dos Trabalhadores/RS
Rodoviários Cutistas / RodoCUT

Comentários (7)

  • Eduardo diz: 20 de setembro de 2013

    Ta sem assunto Rosane?

  • joao diz: 20 de setembro de 2013

    Oque o PT dos mensaleiros estava fazendo neste bloco de lutas?

    Por outro lado, oque é este Bloco de Lutas? Um grupelho formado por playboys desocupados. Não tem nenhuma significância. Se não fosse pelas badernas e destruição ninguém notaria sua presença. Usam esse bloco para descarregar seus recalques e frustações de meninos mimados que não tiveram limites.

    Já temos sindicatos, partidos políticos, UNE e outros grupos que se dizem representantes do povo. Não representam o povo coisa nenhuma. Apenas representam a sim mesmo e lutam para manter seus privilégios. Aliás, privilégios que saem caros $$$ para os trabalhadores.

    Este bloco de lutas grita slogans jurássicos achando que são coisa nova. É mais do mesmo. Não me representam nem tem procuração para representar o povo. O povo que trabalha e estuda, não quer ser representado por esses baderneiros desocupados.

    Vivem da mesada dos pais, não trabalham, não estudam. São parasitas que só atrapalham os verdadeiros trabalhadores. Como sempre receberam tudo de graça, são arrogantes, prepotentes não tem o mínimo respeito pelas coisas que são de todos e muito menos toleram pensamentos diferentes. Meros ditadores mimados que tem desprezo pelos verdadeiros trabalhadores.

    Não sei porque a imprensa, que eles tanto criticam, ainda lhe da espaço. Já fui a passeatas e vi como esses baderneiros provocam a policia para criar factoides. Entre eles e a policia fico com a última.

    Os petistas foram precursores desta prática. Eram revolucionários. Hoje são paus mandados que aparelham e parasitam os órgãos públicos, sindicatos… Que para manter se míseros empregos não se constrangem em sair a rua para defender corruptos de toda a espécie. Eis oque serão no futuro estes revolucionários do bloco de lutas.
    Aliás, aqui temos um tal de Aroto que é um representante típico dessa classe. Reparem que ele dificilmente posta alguma coisa nos fins de semana. Lógico, deve ser um desses CCs que só se dedica a causa durante o expediente.

    Querem ser revolucionários? Saia da saia da mãe, vão trabalhar, se sustentem e doem o dinheiro DE VOCÊS para quem necessita. Ai acreditarei em vocês.

  • joao amorim diz: 21 de setembro de 2013

    Sempre eles querendo ser os donos das idéias e das atit
    des. Foi assim com o bolsa família. Parece que irão criar o bolsa cachaça, bolsa maconha e bolsa craque. A ultima deles foi criar uma bolsa de R$ 150,00 para icentivar os estudantes a se dedicarem a cursos para se tornarem professores. É uma piada e de mal gosto.

  • kafka diz: 21 de setembro de 2013

    Dia desses escrevi que não encontrava nas fotos de manifestações dos professores, uma tal de Jussara, loura, que liderava as badernas do magistério, no governo anterior. Pois hoje, lendo um artigo a respeito da Semana Farroupilha, encontrei uma referência informando que uma tal de Jussara Dutra (será a mesma?), agora É CC do Palácio Piratini para Assuntos Aleatórios (ops, coordenadora de atividades de pesquisa em gastronomia do Palácio Piratini). Certamente Arroto/Sérgio/Frizzo & Cia, passarão a ter uma companheira para orientá-los em matéria de alimentação. Esses petistas de resultado não dormem de touca…

  • nelico diz: 21 de setembro de 2013

    Este “bloco” ai é a favor ou contra a demissão do assessor petista da Ideli Salvatti,ocorrida ontem?

  • O Arroto diz: 23 de setembro de 2013

    Diante da possível reeleição da Dilma, bem como, diante da constatação evidente de que o governo Tarso não é ‘galinha morta’, vai uma saudação aos desesperados da direita, com uma frase do CHE:

    “Sonha e serás livre de espírito… luta e serás livre na vida.”

  • nelico diz: 24 de setembro de 2013

    Arroto: faltou uma frase:” roubes em governo petralha e seras rico”

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