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Polêmica do "Orgulho Louco"

25 de outubro de 2015 35

Sete entidades da área da saúde divulgaram nota no fim de semana criticando a Parada do Orgulho Louco, realizada em Alegrete e destacada em foto na coluna de sábado.
Encabeçada pelo Sindicato Médico do Rio Grande do Sul, o texto diz que “é revoltante e degradante ver a irresponsabilidade e falta de sensibilidade daqueles, cuja missão seria justamente cuidar e proteger o enfermo, expondo-o publicamente”.

Os organizadores discordam das críticas e citam o apoio da população de Alegrete como sinal de que a comunidade apoia a iniciativa.

O deputado Adão Villaverde, que recebeu críticas e foi alvo de ironias por propor a inclusão da Para do Orgulho Louco no calendário oficial do estado, diz que a ideia é incompreendida por quem não tem informação:

_ O que queremos é marcar a luta antimanicomial, contra os tratamentos truculentos a esses pacientes. O centro de tudo não é o orgulho, mas o debate por tratamento digno e inclusão dessas pessoas.

Confira a íntegra da nota das entidades contra a Parada do Orgulho Louco:

“Diante das cenas lamentáveis veiculadas sobre a “Parada do Orgulho Louco”, as entidades abaixo assinadas manifestam:
1. É revoltante e degradante ver a irresponsabilidade e falta de sensibilidade daqueles, cuja missão seria justamente cuidar e proteger o enfermo, expondo-o publicamente.
2. Nada justifica valer-se da ingenuidade de um doente mental para vesti-lo de palhaço e levá-lo a desfilar pelas ruas.
3. É vergonhoso que políticos oportunistas tentem alcançar os holofotes pisando no sofrimento das famílias.
4. Já estão sendo analisados instrumentos jurídicos para responsabilizar os envolvidos civil e criminalmente.
5. Recente auditoria do Tribunal de Contas do Estado (TCE) revelou que a ex-secretária da Saúde do Governo Tarso Genro e atual superintendente do GHC usou o transporte do serviço aeromédico de urgência para participar da mesma Parada, em 2014. O gasto foi de R$ 18.300, verba que falta à assistência.

Porto Alegre, 26 de outubro de 2015.

- Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS)
– Conselho Regional de Medicina(CREMERS)
– Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRIGS)
– Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP)
– Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS)
– Sociedade de Apoio ao Doente Mental (SADOM)
– Associação Brasileira em Defesa dos Usuários de Sistemas de Saúde (ABRASUS)”.

 

Comentários (35)

  • Renate Elisabeth Schmidt diz: 25 de outubro de 2015

    Rosane, o fim dos tempos chegou de fato e de direito. Agora sim!

  • Pagador de Impostos diz: 25 de outubro de 2015

    Quando comecei a ler, perguntei para mim mesmo: “O que ser a tal parada do orgulho louco?”
    Naquela hora eu estava em um site bem legal, que propõe a utilização do grafeno para a extração de hidrogênio. Bem legal. E bem possível. E olha que o nobel para o grafeno saiu só em 2011!! É mais fácil construir uma fonte de energia ilimitada e barata do que terminar uma obra do PT!!! Se alguém quiser o link, é só pedir que eu mando em outro post. Daí pensei assim: “vou agora lá na página da Rosane rir um pouco dos petistas”.
    ..
    Bom, depois de ler essa nota onde todos os todas as entidades técnicas protestam conta o tal evento e a “elite cultural petista” posiciona-se a favor nessa inútil discussão, concluí o seguinte:
    Villaverde, não fecha os sanatórios! Quando eu digo que na Coréia do Sul as crianças aprendem programação e aqui as crianças ganham kits gays e eu acho isso errado, me chamam de louco.
    Não acabem com os sanatórios, por favor! Logo, logo irei para um deles!

  • Caroline Pereira diz: 25 de outubro de 2015

    Rosane!

    Falo aqui como familiar de um esquizofrênico e sinto muito o preconceito e estigma que ele sofreu durante toda a vida por tal situação. Acredito que estes movimentos populares são de grande importância para reduzir o desconhecimento da sociedade frente à loucura. Não entendo essas manifestações como exposição, na medida em que estes “enfermos” estão sendo colocados em papel ativo de cidadãos, deixando de ser meros pacientes para estar ativos em seus processos de cuidado.

    Considero super importante que tenhas aberto esse espaço para dar voz aos grupos vulneráveis, assim esse movimento ganha distâncias e mais audiência.

    Obrigada por dar espaço para a Parada e para toda a gente que busca respeito e o direito do cuidado sem segregação e amarras.

    Abraço,

  • Sara Cristina Cougo diz: 25 de outubro de 2015

    Lamentável é a nota das entidades acima, referindo “revolta” pela “exposição pública” de “enfermos”. Revoltante, na verdade, é o desconhecimento (ou não) da luta pela Reforma Psiquiátrica no país que vem, há mais de trinta anos, defendendo a autonomia, o protagonismos e o cuidado em liberdade das pessoas com sofrimento psíquico. Tratamos pessoas e não “enfermos”; pessoas pensantes e desejantes. E, para concluir, deveria ser responsabilizado judicialmente, quem exclui e aprisiona as pessoas em manicômios.

  • károl diz: 25 de outubro de 2015

    A Parada do Orgulho Louco é um evento que envolve toda a cidade de Alegrete na luta contra o estigma que atinge tanto o usuário quanto sua família. Como podemos perceber até algumas entidades desconhecem o teor da política de saúde mental em nosso país e da Organização Mundial de Saúde (OMS), que determina o cuidado em liberdade! É um evento importante no calendário da saúde mental do nosso estado e cumpre com o importante papel de mexer com a cultura de exclusão ainda presente em nossa sociedade.

  • Ivarlete França diz: 25 de outubro de 2015

    Parabenizo a Rosane Oliveira pela bela matéria retratando a Parada Gaúcha do Orgulho Louco – a verdadeira festa da cidadania que ocorreu em Alegrete! A materia deu visibilidade e colocou em evidência, pessoas que normalmente são excluidas nos muros das instituições. Retratou a felicidade que tomou conta da cidade e dos corações. Obrigada Rosane! Somente uma jornalista sensível como você foi capaz de nos mostrar o transbordar de vida presente nos sujeitos que participaram desse evento.
    Ser louco não é ser doente mental, é ter o direito de ser diferentee ser aceito e respeitado!
    abraços! Ivarlete

  • SIMONE MAINIERI PAULON diz: 25 de outubro de 2015

    Impressionante o quanto o convívio mais cotidiano com a loucura desperta a ira de setores conservadores da sociedade! Por que será,nao? Como pesquisadora e formadora na área de saúde há 30 anos, tenho estudado e trabalhado arduamente pelo movimento internacional de fechamento progressivo dos manicômios que, infelizmente, a par de todo um aparato legal já conquistado no Brasil, ainda se ressente muito de opiniões retrógradas e discriminatórias dominantes no senso comum. A grande imprensa prestaria inestimável contribuição caso seguisse teu exemplo de, antes de rechaçar, se aproximar de uma realidade, via de regra, ignorada e a priori relegada inclusive pelo poder público. Infelizmente ainda parece pouco compreendido que divulgar e abrir o diálogo sobre a loucura é uma demanda social, não só restrita às pessoas e familiares que padecem deste tipo de sofrimento, como a toda sociedade que, acolhendo melhor seus diferentes e convivendo com a pluralidade que é da ordem do humano, teria muito a aprender sobre como lidar com as violências que tais intolerâncias têm produzido e, quem sabe, constituir modos de convívio mais solidários. Grata por tua sensível contribuição, neste sentido, ao divulgar a Parada do Orgulho louco .

  • Claudiomiro da Silva Rocha diz: 26 de outubro de 2015

    Gostaria de parabenizar a jornalista Rosane de Oliveira, por sua matéria onde se refere a Parada Gaúcha do Orgulho Louco.
    Lamentável a nota da classe médica, ou daquele conservadores que preferem que as pessoas fiquem trancadas em hospitais para eles poderem entupi-los de remedidos e ganhar muito dinheiro com isso. Tem que ter estomago para aguentar essa gente preconceituosa, ele falam que estão preocupados com os pacientes, a preocupação deles sim é com outras coisas. Mas isso vai servir para a sociedade saber quem esta preocupado mesmo com a sociedade ou com seu umbigo e seu nem estar.

  • Eugênio Ávila diz: 26 de outubro de 2015

    Como é bom ver as mascaras caindo. Capitalistas querendo privatizar até a loucura. Hipócritas contrários aos Direitos Humanos. Higienistas que querem continuar a prender as pessoas em manicômios. Basta falarem com todos que participam do Orgulho Louco em Alegrete, do Mental Tchê em São Lourenço do Sul, o Canoas Loka de Boa em Canoas,e verão que são exemplos do trabalho preconizado pela Saúde Mental Brasileira e pela OMS, na defesa e na ampliação dos avanços alcançados até aqui. No protagonismo dos usuários, no cuidado em liberdade e na desmistificação da loucura perante a sociedade.

  • Claudio Marquiori diz: 26 de outubro de 2015

    Prezada Rosane,Bom Dia !
    Não posso ficar calado diante da absurda nota do SIMERS em que questiona a Parada do Orgulho Louco e seus idealizadores.
    É extremamento entristecedora e revoltante a posição do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul.
    Este evento, tem como principal pauta a luta anti-manicomial, promovendo uma reflexão quanto a inclusão, respeito e amor para com aqueles que sofrem com problemas de saúde mental.
    Dentre as diversas atividades, são promovidas rodas de conversas, teatros, oficinas e danças, tudo com a companhamento pelos profissionais da área da saúde e familiares e comunidade, sempre na expectativa da quebra do paradigma em acabar com as rotulações e criar espaços de de integração.
    Este senhor, formador desta opinião, e que usa o Simers para emitir sua opinião, EXPÔE-SE AO RIDÍCULO E ATESTA SUA INTOLERÂNCIA, PRECONCEITO E FALTA DE SENSIBILIDADE por meio destas palavras.
    Ele é mais um dos defensores de paradigmas biomédicos, da MEDICAMENTALIZAÇÃO e MERCANTILIZAÇÃO da Saúde, razão pela qual nossa saúde continua avançando lentamente.
    A intenção em processar as(os) organizadores da Parada do Orgulho Louco, é uma atitude COVARDE e uma tentativa de aparecer, por total falta de inteligencia emocional e discernimento .
    Me causa muita estranheza o fato de que somente na V edição da Parada do Orgulho Louco, o Simers vem questionar seus objetivos e criticar absurdamente seus idealizadores e organizadores.
    Por fim, posso garantir que não AFROUXAREMOS OS GARRÕES na Luta pelo fim dos MANICÔMIOS.

    XÔ MANICÔMIO !!

  • Judete Ferrari diz: 26 de outubro de 2015

    Prezada Rosane,

    Venho registrar meu contentamento com a notícia que veiculaste em tua coluna, sobre a nossa V PGOL. Sentimo-nos bem representados com tua cobertura em ZH.
    As Paradas Gaúchas do Orgulho Louco/ PGOL, existem desde 2011, em Alegrete e foram criadas a partir de um grande debate com nossos usuários dos serviços de saúde mental, que incomodados com o lugar de estigmatização e discriminação, até então ofertado pela sociedade, sugeriram a realização de uma caminhada em defesa da dimensão lúdica do louco e da loucura. Desde então viemos trilhando um caminho de DESconstruir a tutela e à dependência imposta ao sofredor psíquico. Muitas vezes, este é utilizado para interesses escusos. Como é bem retratado na novela A Regra do Jogo.
    Nossa parada tem como objetivo mostrar o respeito que temos pelos sofredores psíquicos e sua capacidade de enfrentamento e/ou superação do seu sofrimento. Por isso orgulho louco.
    Nosso povo “Mentaleiro” se utiliza da criatividade para contagiar a sociedade para a Reforma Psiquiátrica. As paradas são em sua essência, uma virada cultural com atividades de reconhecimento do território (oferecemos trilhas ecológicas para quem não conhece o Alegrete), com ações de formação em atenção psicossocial, com debates sobre o que adoece, mostras de teatro, música, dança realizados por nossos serviços de saúde, saúde mental, da educação e da assistência social. Também nos motivamos por mostrar os produtos realizados por nossos usuários, em nossos serviços de saúde mental.
    A grande maioria de nossos usuários é acompanhada de seus familiares e amigos nas atividades da Parada e, grande parte deles, é associada em Associações de usuários e familiares de saúde mental. Por isso a grande adesão aos nossos eventos.
    Nossa rede de atenção psicossocial existe há mais de 26 anos e a comunidade Alegretense conhece e respeita o trabalho realizado em nossos serviços de saúde mental, instituído através da Lei Municipal 2662/96 e das leis Estadual e Federal que reformam o campo da atenção psiquiátrica.
    Estamos motivados para seguir em frente ruma à VI Parada Gaúcha do Orgulho Louco, e esperamos contar contigo no debate necessário sobre o rumo da atenção psicossocial em nosso estado e país.

    Obrigada

    Judete Ferrari
    Coordenadora da V PGOL

  • Milton de Deus diz: 26 de outubro de 2015

    Acredito que a luta por uma sociedade sem manicômios seja legal e oportuna, e tudo que venha colaborar para esta realização é bem vindo!! Só acho que não devem fazer disto algo politiqueiro, algo direcionado apenas para fins políticos. É um assunto extremamente sério e devemos lidar com total lisura sem interesses excusos. Também acho que gastos exagerados, uso indevido de helicópteros.. enfim qualquer tipo de desperdicio, de gastos além do normal também deveriam ser evitados, pois acabam manchando algo que é legal e necessário.

  • Paula Adamy diz: 26 de outubro de 2015

    É bastante preocupante quando se limita a luta por garantia de direitos e de cuidado em liberdade como uma questão de algum partido em específico, quando deveria ser uma luta de toda a sociedade, considerando os absurdos vivenciados nos manicômios. O Holocausto Brasileiro não aconteceu somente em Barbacena, mas em todos os locais de privação de liberdade, incluindo o Hospital Psiquiátrico São Pedro e tantas outras clínicas psiquiátricas por aí. Aliás, para quem ainda não leu, fica a dica do livro de Daniela Arbex. Rosane, também quero aproveitar para parabenizá-la em dar espaço para outras formas de cuidado. São essas formas que ajudam a diminuir o excesso de medicalização e que potencializam os sujeitos a se colocarem no mundo de tantas outras formas, com maior cidadania, empoderamento e autonomia, sendo a arte apenas mais uma ferramenta para esse trabalho possível. Quem não entende a potência que esse trabalho pode ter, desculpe, mas não entende nada de promoção de saúde e de cuidado em saúde mental.

  • SILVIA GOLDMEIER diz: 26 de outubro de 2015

    Acompanho há alguns anos o trabalho de quem cuida da saúde, especialmente a saúde mental, com uma lógica diferente da hegemônica lógica médica. Inicialmente, apesar da curiosidade, tinha dificuldade de entender como haveria possibilidade de uma assistência à loucura que excluísse a internação (permanente) como alternativa de cuidado. Debatendo com profissionais que se ocupam de tais práticas e expandindo minhas reflexões para além dos paradigmas aprendidos na minha formação acadêmica que, mesmo na área da enfermagem, foram, à época, dentro de um modelo médico e hospitalocêntrico, pude verificar que o trânsito, o movimento pela cidade e pelos serviços de saúde e assistência, traziam elementos de liberdade, condição necessária à não cronificação de comportamentos e padrões, enredo seminal de qualquer adoecimento, seja no corpo, seja na alma, seja no caráter. O exercício desse direito de ir e vir, realizado no amparo de companhias preparadas e responsáveis, é integrativo para todos os indivíduos e permite que a sociedade se construa com alicerces mais múltiplos, tecendo tramas nas quais cabemos em nossos variados tamanhos, intensidades e formas. A crítica realizada ao investimento no evento e não na assistência avalia dentro do paradigma que separa corpo, emoções, indivíduo, social, eu, outro… Modelo esse que interessa a algumas forma de organizar o mundo, que entende que categorizar é imprescindível à ordem. Ordem, é claro, definida por uns poucos, que se beneficiam de seus lugares privilegiados de quem dá as cartas e determina onde é o lugar determinado para cada um. A rua, nesse caso, ocupada pela alegria, da dor e da delícia de ser o que se é, não faz parte do roteiro de quem quer coordenar e controlar, pois a rua é lugar dos encontros, dos fluxos, das canaletas e dos desvios que abrem caminhos e são sempre da ordem da invenção – que tem sempre sementes de razão, de símbolos compartilho, mas, também, da subversão e de alguma insanidade, que recusa o apenas já conhecido e aceito e ousa sonhar outros mundos. O dinheiro, que nem é tanto, foi gasto em assistência, sim! Em arte, fantasia, carnaval, folia, alforria! Em saúde, movimento, vida!!!

  • Diogo Costa diz: 26 de outubro de 2015

    Prezada Rosane!

    Enquanto trabalhador de saúde mental na 10ª Coordenadoria Regional de Saúde (Alegrete) agradecemos a sensibilidade em mencionar a realização da V Parada Gaúcha do Orgulho Louco dando visibilidade a esse importante espaço de abertura para o exercício da cidadania e dos direitos das pessoas que apresentam sofrimento psíquico, em especial, àquelas alijadas há tanto tempo desse convívio social. Esses movimentos são muito importantes, pois mostram realidades que existem e que não queremos ver/escutar. Esperamos que nossa sociedade entenda que a loucura faz parte do humano em toda sua complexidade e riqueza e que encarcerá-la só faz demonstrar a insanidade daqueles que se julgam capazes de tão “perfeitamente” entendê-la.

    Obrigado e um abraço!

  • Esvaldino g Soares diz: 26 de outubro de 2015

    Tudo o que vier achacar e expor o paciente em público é desnecessáro,.. Lamentavelmente onde chegamos no fundo mas bem no fundo do posso mesmo sobre a ética repeito por parte de alguns seres humano

  • Erasmo Guterres Silva diz: 26 de outubro de 2015

    Cara Rosane

    Encontramo-nos num voo Porto-Brasília.
    Queria reconhecer e agradecer a reportagem que fizestes sobre a Parada do Orgulho Louco.
    Sou médico, Cirurgião Geral, respeito a opinião de especialistas reconhecendo que mesmo entre eles há opiniões divergentes. Em Medicina, como na vida, não há verdades absolutas.
    Acompanho há cinco anos a Parada e vejo doentes mentais sentindo-se protegidos e acarinhados.
    É talvez o mais forte ato contra o preconceito.
    É saudável o debate sobre o assunto sempre considerando o respeito às opiniões divergentes e o objetivo seja unicamente o de buscar a melhor solução aos usuários da saúde mental.
    Abraço
    Erasmo
    Prefeito do Alegrete

  • Graziela de Araujo Vasques diz: 26 de outubro de 2015

    Prezada Rosane de Oliveira

    Venho através deste e-mail cumprimentá-la pela referência que fizeste à Parada do Orgulho Louco que aconteceu em Alegrete na semana passada, e dizer-lhe que somos solidários a você e respeitamos o seu papel enquanto comunicadora, que não merece sofrer retaliações, de qualquer entidade, por publicizar um fato de tamanha importância para o Rio Grande do Sul e para o Brasil, pois, a Parada tem como objetivo maior enfatizar que o usuário de saúde mental, assim como o usuário que possui um câncer ou diabetes, merece e tem DIREITO de ser tratado em liberdade, através de um trabalho CIENTÍFICO que reúne uma boa clínica, ética e políticas públicas inclusivas, demonstrando assim, que a pessoa que possui sofrimento pode sim e deve viver incluída à sociedade, o que nós, trabalhadores, usuários e familiares de São Lourenço do Sul viemos provando que é possível há quase 30 anos, pois, aqui foi criado o segundo Centro de Atenção Psicossocial do Brasil em 1988 e há muito não utilizamos mais Hospitais Psiquiátricos e não privamos as pessoas em sofrimento da liberdade para que tenham acesso ao tratamento. Convido-a para conhecer nossa realidade, a seriedade de nosso trabalho e ouvir os que mais sabem sobre essa diferença de paradigmas de cuidado, que são os próprios usuários, que poderão lhe contar como eram tratados antes e como acontece agora, além de lhe colocar a importância de movimentos como a admirável Parada do Orgulho Louco de Alegrete, para chamar a atenção da sociedade para o preconceito que estes ainda vivem.
    Devido a este histórico, que perpassa as esferas nacional, estadual e municipal, ao cuidado conduzido em Rede de Saúde e o papel ativo de nossa cidade na Luta Antimanicomial é que se resolveu criar o Mental Tchê, um evento que acontece desde 2005 no município de São Lourenço do Sul e tem por objetivo reunir usuários, familiares, trabalhadores, residentes, estudantes, comunidade e simpatizantes de todo o Estado, do Brasil e da América Latina para trocar, discutir e repensar práticas em Saúde Mental, assim, como Alegrete criou a Parada do Orgulho Louco a partir de sua respeitada trajetória e trabalho.
    Este evento destaca-se por ter uma grande participação de usuários, revelando-se um espaço de protagonismo, o que buscamos diariamente em nossas ações no processo de trabalho, para que a pessoa em sofrimento psíquico possa ser agente ativo de sua reabilitação, autônoma e um cidadão de direitos, que mesmo com algumas dificuldades devem ter sim o poder sobre seus pensamentos, desejos e escolhas.
    O Mental Tchê mostra-se também como um espaço de reforço de militância dos que chamamos, carinhosamente, “Mentaleiros”, que lutam pelo cumprimento do que foi conquistado com o movimento da Reforma Psiquiátrica, que ultrapassa o cuidado em Hospitais Psiquiátricos, e busca o cuidado em liberdade em serviços substitutivos, sem grades e no território, e que é baseado em uma Lei Brasileira da Reforma Psiquiátrica, Nº10216 de novembro de 2001. É nesta empreitada que os “Mentaleiros” se comprometem diariamente e que por isso vão às ruas para se fazer cumprir a Lei, destaca-se que as pessoas que usam os serviços de saúde mental (pacientes) vão à luta pela sua inclusão porque querem, desejam, entendem como importante e nunca por obrigação, estiveram na GRANDE PARADA DO ORGULHO LOUCO porque desejaram muito desmistificar olhares preconceituosos como a triste nota que foi direcionada à sua referência ao evento de Alegrete.

    Graziela de Araujo Vasques
    Coordenadora da Política de Saúde Mental, Álcool e outras drogas de São Lourenço do Sul/RS

  • Júlia Monteiro Schenkel diz: 26 de outubro de 2015

    As caminhadas e marchas fazem parte da história das lutas pelos direitos humanos. São atos politicos que precisam ser respeitados numa sociedade pretensamente democrática. O posicionamento retrógrado do SIMERS em relação a Parada Gaúcha do Orgulho Louco apenas confirma que, infelizmente, a sociedade ainda trata a loucura e a diferença como algo a ser escondido. Porque não uma Parada do Orgulho Louco? Como pode uma entidade ligada à saúde querer impedir alguém de ir para rua lutar por seu direito de existir do jeito que se é?

  • Renan Aurélio Marques diz: 26 de outubro de 2015

    Devido à repercussão sobre a V Parada do Orgulho Louco, divido e compartilho com o mundo minha simples opinião de dentista, especializando em Saúde Pública, e, sobretudo, cidadão que vem se esforçando para contribuir com mais tolerância, respeito e humanização em nossa cidade, país e mundo.

    Abaixo, o que compartilhei ontem, no facebook:

    “Partindo do pressuposto de que todo mundo que atua na área da saúde, principalmente, compreenda que, antes de suas especialidades, são profissionais que atuam em áreas diferentes mas que possuem um comum objetivo – o da promoção de saúde – e, além disso, entendam, de fato, o que significa o processo saúde-doença, seus determinantes e condicionantes, é extremamente entristecedora e revoltante a posição do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (SIMERS) a respeito da V Parada Gaúcha do Orgulho Louco que aconteceu em Alegrete nos dias 22,23 e 24 deste mês.

    Este evento, para quem não conhece, acolhe pessoas de diversas cidades e tem como uma de suas principais pautas a luta anti-manicomial, buscando a reflexão quanto à inclusão, respeito e amor que devemos ter para com aqueles que sofrem com problemas de saúde mental, ao passo que permitem aos usuários serem protagonistas de um momento ímpar, onde cada indivíduo, com suas particularidades e peculiaridades, demostra seus potenciais e habilidades com muita alegria, dedicação e descontração. Dentre as mais diversas atividades, são promovidas rodas de conversa, teatros, oficinas e danças, tudo com acompanhamento e assistência de profissionais da área da saúde, familiares e comunidade. Sempre na expectativa de quebrar paradigmas, acabar com rotulações e criar espaços de integração.

    Dito isto, gostaria de comentar a declaração que li no site do SIMERS para que vocês me entendam melhor: “é revoltante e degradante ver a irresponsabilidade e falta de sensibilidade daqueles cuja missão seria justamente cuidar e proteger o doente, expondo-o publicamente ao ridículo”.

    O Senhor próprio, formador desta opinião, expõe-se ao ridículo e atesta sua intolerância, preconceito e falta de sensibilidade por meio destas palavras. Provavelmente tu és mais um dos defensores de paradigmas biomédicos, da medicamentalização e mercantilização da saúde – razão pela qual, infelizmente, nossa Saúde Pública continua avançando lentamente.
    Sua intenção de processar civil e criminalmente as(os) organizadoras(es) deste evento nada mais é do que uma atitude covarde e uma tentativa de aparecer, haja vista sua falta de inteligência emocional que lhe impossibilita ter discernimento a respeito de uma situação como esta.
    Lamento o fato de o Senhor, um formador de opinião e que encontra-se em uma posição privilegiada, comportar-se de tal maneira. Preocupa-me, mais ainda, o fato de a formação de muitas(os) acadêmicas(os) de medicina e tantas áreas da saúde estar nas “mãos” de seres humanos como tu.

    Às organizadoras do evento, familiares e usuárias – devo salientar que foram, em sua grande maioria, mulheres -, o meu agradecimento por proporcionarem ao nosso Alegrete um momento tão bonito e de reflexão como este. Vocês foram além de suas prerrogativas profissionais, foram além de seus “deveres” enquanto cidadãs e seres humanos! Não tenhamos medo e nem vergonha, pois só há quebra de tabus e inclusão quando o silêncio é quebrado e as cortinas são abertas!
    Tenho muito orgulho de saber que a Saúde Mental de Alegrete é uma das melhores do Brasil e, quiçá, do mundo! Parabéns e um forte abraço!”

    “Ser louco é a única possibilidade de ser sadio nesse mundo doente!”

    Às pessoas que divergem de nossa opinião: sintam-se mais que à vontade para expor suas ideias e justificar como conseguem enxergar que esconder e abandonar pessoas, que apenas não capazes de atender às imposições desta sociedade “doente”, mas que têm tantos outros potenciais, é sinônimo de cuidado e amor, e não de maustratos e marginalização.

  • Julio Roberto Hocsman diz: 26 de outubro de 2015

    Prezada Rosane,
    Achei inconveniente a nota das entidades, entre as quais as representativas da minha classe médica, em relação a “Parada do Orgulho Louco” realizada em Alegrete.”Valer-se da ingenuidade do doente mental” como é dito, dá, equivocadamente, a entender que foi um ato forçado contra a vontade do paciente ou de sua família. É importante que a população saiba que os organismos que tratam com essa enfermidade, em vários locais do Brasil, buscam aproximar de todas as maneiras o paciente com a sua comunidade, por que ao contrário do que pensam os signatários da nota isso confere humanidade. ”Desumano, pisar no sofrimento das famílias”, é mantê-los emparedados como sempre foi feito. O Centenário Hospital São Pedro foi construído a época fora da cidade para que a população não tivesse contato com esses pacientes como se sua enfermidade contagiosa fosse. E por mais incrível que possa ser, ainda tem gente que parece defender o permanente isolamento desse tipo de paciente.
    Julio Hocsman.
    Ex Secretário de Saúde do RS e um dos autores da Lei antimanicomial

  • erica duarte diz: 26 de outubro de 2015

    Sim os tempos mudaram para alguns e felizmente temos conseguido enxergar as pessoas como iguais. A muitos anos os doentes ficavam afastados das pessoas sadias (?) para que elas não fossem também pessoas doentes. Isto já acabou a muito tempo.
    Mas tem algumas pessoas que não se atualizaram em conhecimentos e não se atualizaram em serem pessoas. Parabéns a Alegrete e tantas outras cidades que estão fazendo esse movimento que não é de agora mas nesse momento precisa ser retomado.
    Sou da área da saúde e com muito orgulho cuido de pessoas e não as excluo.

  • Nilson Maestri Carvalho diz: 26 de outubro de 2015

    Prezadas (os),
    Como médico (CRM-RS 16.387) sinto-me envergonhado com a nota oportunista e repugnante das entidades pretensamente representativas da profissão que exerço com orgulho.
    A nota mistura proposital e maldosamente a suposta utilização irregular do transporte aéreo por parte da então Secretária da Saúde com uma avaliação medieval e distorcida do evento.
    Se a ex-Secretária da Saúde cometeu alguma improbidade, cabe a estas entidades a denúncia à Justiça. Mas não utilizá-la para distorcer e desqualificar este evento que é respeitado em todo o Brasil por aqueles que lutam contra uma prática manicomial que um dia envergonhará nossos filhos e netos, assim como hoje nos envergonhamos do massacre dos ameríndios, do tráfico e escravidão dos negros, do holocausto nazista…. Aliás, todos deveriam ler o livro “O Holocausto Brasileiro”, da jornalista Daniela Atbex, relatando o massacre de 60.000 seres humanos no maior manicômio do Brasil.
    Alguns “doutores” ficam chocados com “loucos” desfilando e brincando alegremente com suas fantasias, em liberdade, como cidadãos plenos de direito. Mas naturalizam os “uniformes” que lembram aqueles utilizados nos campos de concentração nazista e as mortes por infecção respiratória nas noites de inverno em função das condições aviltantes de sobrevivência em instituições totais, como o Hospital Psiquiátrico São Pedro, por exemplo.
    Parabéns à Prefeitura de Alegrete e a todos que organizam e apoiam o evento, que cresce a cada ano (tanto que está incomodando os guardiões dos presídios sanitários…).
    Aos medievais seus castelos com calabouços escuros e úmidos, suas muralhas, seus feudos… Aos que acreditam na vida e no humanismo, a defesa da liberdade e dos direitos humanos, expressos em momentos sublimes como a “Parada do Orgulho Louco”

  • Diego Elias Rodrigues dos Santos diz: 26 de outubro de 2015

    O Ataque gratuito a parada do orgulho louco é uma manifestação de ódio e intolerância e uma parcela da sociedade que não respeitas as manifestações sociais e a convivência com os diferentes. A parada do orgulho louco é um símbolo de uma cuidado em saúde que da certo que respeita os direitos humanos.

  • Paulo michelon diz: 26 de outubro de 2015

    Prezada rosane
    Quero lhe parabenizar por sua coluna sobre a parada do orgulho louco
    Acontece que a reforma psiquiátrica gaúcha e brasileira inseriu os usuários pacientes da saúde mental em uma Cultura de liberdade
    O que a parada do orgulho louco e a manifestação cultural desta liberdade estes usuários antes trancafiados em manicomios hoje desfrutam de cidadania tem voz tem direitos não é que temos orgulho da doença mais temos orgulho de poder dizer a sociedade que estes usuários são capazes de produzir Cultura de manifestar seus desejos de exigir respeito nada tem de revoltante nosso revoltante é quando trancafiam estes pacientes usuários em manicomios cessando sua liberdade
    Somos todos parada do orgulho louco

  • Patricia Benites diz: 26 de outubro de 2015

    Prezada Rosane:
    Quero agradecer a nota que publicaste em relação à V Parada do Orgulho Louco, explicitando o quanto é rico e produtivo quando descortinamos a loucura e olhamos as pessoas como iguais. Muito já foi postado aqui da nossa história, do que fomos aprendendo desde que decidimos enquanto política nacional e estadual, pelo cuidado em liberdade em consonância com a Organziação Mundial da Saúde.
    Lendo a nota sei que ela fala de um determinado olhar que não é consenso na própria classe médica. A nota é desrespeitosa com a sociedade em si, colocando os usuários como meros reprodutores do que outras pessoas mandam, o que é completamente errôneo e que demonstra tamanho desconhecimento de que quando vivenciamos o cuidado em liberdade, ninguém é obrigado e seguir algo que alguém (que acha que sabe) está determinando.
    O cuidado em liberdade, coloca a todos nós no mesmo cenário, onde um compartilha e ajuda o outro, com respeito, seriedade, ética…..A Parada é mais uma das grandes atividades do RS, como o exposto anteriormente e que propõe um olhar ampliado sobre o Ser Humano.
    A nota também não é o posicionamento de muitos médicos, batalhadores incansáveis pelo cuidado em liberdade. Ou seja, é uma manifestação que não explicita a classe como um todo e acredito que talvez as demais entidades que assinam a nota também não tem o total conhecimento do significado da Parada.
    Mas penso que isto não está ligado à Parada especificamente, mas um posicionamento retrógrado, que continua tentando colocar as pessoas em sofrimento psíquico como pessoas sem condição nenhuma de expressar, protagonismo e autonomia.
    Trabalho há 20 anos com saúde mental e sei que isto pode ser uma realidade quando não ampliamos a nossa concepção sobre o sofrimento psíquico e não oportunizamos diferentes formas de cuidado. E, mais do que isto, quando desacreditamos que é possível ir além daquele sofrimento. Quando reconhecemos que esse sofrimento não é a pessoa, mas fala de uma parte da pessoa, investimentimo. Investimos oportunidade, arte, respeito, afeto…tudo em prol do reconhecimento da cidadania.
    Assim como se cada um passa a olhar e a tratar o outro como quer ser visto e tratado, tudo muda de figura. Empatia é essencial ao Ser Humano. O que eu não desejo para mim, não posso desejar para os outros. Isto é ética!
    Talvez estejas presenciando neste momento a representação do que muitas pessoas têm vivido ao longo das suas vidas em diferentes partes do Brasil, pois o pior manicômio é o manicômio da alma. É preciso coragem para traspor, muita coragem e sabedoria para trilhar caminhos nem sempre conhecidos, mas que nos proporcionam conhecimento, vida e HUMANIDADE.
    Abraço,
    Patricia Benites

  • Tamires Sivinski diz: 26 de outubro de 2015

    A referida nota justifica a urgência de continuarmos a nossa luta antimanicomial. Se ainda há trabalhadores da saúde e entidades representativas que concebem os usuários dos serviços de saúde mental como “ingênuos” e “enfermos”, temos muito trabalho pela frente. É preciso, sim, parar uma cidade inteira para fazê-la pensar sobre o cuidado aos sujeitos em sofrimento psíquico, sobre a nossa organização social que nos adoece e nos enlouquece, sim! Que tenhamos muitos Alegretes por este Rio Grande do Sul, é motivo de orgulho ver uma cidade se debruçar sobre essa questão, e os que lá estão desfilando, caros médicos, não se envergonham de nada. As entidades que assinaram a nota é que deveriam se envergonhar, não trabalham pela autonomia e protagonismo de seus pacientes? Querem continuar a lhes imprimir a marca da incapacidade? Isso sim é vergonhoso, lamentável e, infelizmente, histórico!

  • Juliana Tavares Ferreira diz: 27 de outubro de 2015

    Rosane !!

    Gostaria de manifestar meu incondicional apoio a Parada Gaúcha do Orgulho Louco e aos usuários de saúde mental desse nosso pampa. A manifestação cultural que a parada promove, visa a reinserção social do usuário na “vida” da cidade, dando visibilidade e criando espaços de encontro para discussão e reflexão sobre as mais variadas formas de sofrimento psíquico, afirmando que a diferença e o diferente tem espaço, e deve ter seus direitos respeitados nessa sociedade. A manifestação descabida do SIMERS, nada mais é do que uma disputa corporativa por um modelo de cuidado centrado unicamente no médico, dentro do hospício, essa é a grande questão que está em jogo. Fiz questão de deixar minha contribuição, pois já participei de algumas edições da parada e sei do que estou dizendo.

  • Mariana Seabra diz: 27 de outubro de 2015

    Qualquer um de nós que necessita de assistência em saúde não é estigmatizado ou tem sua vida pautada/rotulada por ser hipertensa, diabética, ou qualquer outro diagnóstico formal. A parada do orgulho Louco serve para mostrar como nossa sociedade discrimina sem pensar, para além disto, reafirma direitos e empodera os usuários dos serviços de saúde mental. Diferente do que as entidades – que supõe deter de todo conhecimento sobre a causa e o fato -referem como ingênuos, estas pessoas são dotadas de vontades e desejos que somente em espaços como estes podem expor. Pelo cuidado em liberdade!

  • Danielle Celi dos Santos Scholz diz: 27 de outubro de 2015

    Prezada Rosane

    Te parabenizo pela notícia da Parada Gaúcha do Orgulho Louco dada a relevância social que este legitimo movimento da Luta Antimanicomial pela Reforma Psiquiátrica do município de Alegrete vem realizando anualmente. Apoio e acompanho este movimento com um Orgulho Louco, pois sei da seriedade e constante luta deste movimento por uma sociedade sem manicômios e que verdadeiramente promove reinserção e lugar social para loucura. Para além da grande estima que tenho por este movimento ao participar visualizo também a grande autonomia que usuários e familiares da saúde mental vem construindo sua participação na Parada Gaúcha do Orgulho Louco e principalmente na sociedade. Nesse contexto compreendo que os participantes são usuários e familiares, sujeitos e protagonistas e NÃO ENFERMOS!

    Por uma sociedade sem manicômios e com direito de todas as formas de expressar nossas Lutas e experiências na sociedade!

  • Fábio A. Moraes diz: 27 de outubro de 2015

    Também gostaria de fazer um pequeno registro em apoio à matéria sobre a Parada Gaúcha do Orgulho Louco. O faço na condição de docente de psicologia e psicólogo, atuando junto à rede pública de saúde de Novo Hamburgo, onde participei da implantação de vários serviços substitutivos (ao hospital psiquiátrico) ao longo dos últimos 25 anos, e, fundamentalmente, na condição de cidadão. Sabemos que a aprovação de uma lei (como a 10.216/2001) não é suficiente para transformar uma cultura pautada pela violência e exclusão. Prova disto é justamente a manifestação não dos médicos, mas das corporações médicas. O que está a nos indicar um longo caminho a percorrer. O manicômio, esse que as corporações citadas insistem em chamar de hospital psiquiátrico, mais do que através das paredes, dos muros e da falta de assistência, se faz presente nas palavras. Palavras que mantêm a violência, a exclusão e que impedem a livre expressão das diferenças (que sempre estarão nos desacomodando, como a Parada). “(…) proteger o enfermo”. Hoje há um amplo mercado para as “boas intenções”. Entretanto, não nos deixemos enganar! Conseguiremos perceber que nada existe nessa ideia além da própria negação de outra possibilidade de existência. As piores coisas foram feitas em nome da “proteção” de alguém tomado como mais fraco. Pra começar, a negação da sua possibilidade de não ser fraco, mas forte. Não “enfermo”, mas diferente. Potente, desde que deixemos abertas as portas para a expressão dessa potência.

  • Izar Mirailh diz: 28 de outubro de 2015

    Causa-me indignação a rapidez e violência da nota dessas entidades. Um evento onde participaram 4 mil pessoas não pode ter tantos “irresponsáveis”. Esse fato poderia ser melhor avaliado, indagados os organizadores e então, tomada uma decisão entre tantas entidades importantes. Nessa nota sim, acredito que houve ranço político, havia um deputado presente. Mas saibam senhores que havia gente de outros partidos também, havia prefeito, vereador, secretários, que não foram citados porque não havia razão, naquele momento o partido não era importante. Se temos as caminhadas do Outubro Rosa, a Parada Gay, por quê não ter a Parada do Orgulho Louco? Orgulho sim, porque temos orgulho dessas pessoas estarem entre nós, de estarem inseridas numa sociedade que algum tempo atrás as trancafiava em manicômios. Participo de todas as paradas contra discriminação porque acredito que esse tipo de evento serve para mostrar o trabalho realizado e chamar a atenção para o que está sendo feito. Foi um dia fantástico, vimos apresentações belíssimas de teatro, de músicos, exposição de trabalhos confeccionados por esses doentes mentais que, se não fossem “expostos”, ninguém saberia quanta coisa bonita esses apelidados doentes podem fazer. Ah, alguns vestidos de palhaço eram os ditos normais.

  • Clarissa diz: 29 de outubro de 2015

    Parada Gaúcha Do Orgulho Louco
    Da Parada Ao Movimento

    Uma parada que não para
    E não pode parar
    Que afeta, mobiliza
    Fazendo vidas borbulhar

    Parada que movimenta
    Corpos livres a dançar
    Nessa dança desacomoda
    E se faz incomodar

    Principalmente aqueles
    Que só querem corpos docilizar
    Amarrar, medicalizar,
    Trancar, neuromodular

    Mas na militância seguimos
    Caminhando pela cidade
    Sustentando outro olhar
    Cuidando em liberdade

    Nessa Canoa Loka de Boa
    Juntos embarcamos
    Avante contra maré
    Remamos, remamos

    Não haverá de passar
    Preconceito, estigmatização
    Somos duros nessa luta
    Há 20 anos de afirmação, re(afirmação)

    Re(afirmando) o que é óbvio
    O que já esta por dado
    Espantando doutores
    Que estão desinformados

    Afirmamos a vida
    Em sua diversidade
    Lidando com as diferenças
    Com respeito e sensibilidade

    Somos todos chapeleiros
    Loucos uns pelos outros
    Somos todos mentaleiros
    Amamos uns aos outros

    Eu não tiro o chapéu
    Para você seu Coronel

  • Oscar Augusto Moreira diz: 30 de outubro de 2015

    Concordo plenamente com as entidades profissionais que foram contra a tal passeata, pois não chegasse, esses políticos, aproveitadores, agora abusam dos nossos doentes
    mentais vestidos de palhaço, dando uma desculpa esfarrapada de conscientização da sociedade para o problema. É querer muito holofote…promoção as custas dos doentes
    mentais.

  • Paulo diz: 1 de novembro de 2015

    Ainda existem pessoas com transtorno mental internadas permanentemente? Caso existam são poucas e deveriam ser analisados caso a caso, com suas respectivas famílias ( basta verificar que há famílias muito mais adoentadas que o próprio paciente). A medicina evoluiu, nesta área em específico, há mais de 60 anos e ainda tem muito mais a colaborar com humanidade. Estas passeatas não tem uma repercussão suficiente ao meu ponto de vista além de ter uma conotação politica explicita, ou seja, uso politico e não técnico de pessoas que necessitam de ajuda. A mídia neste ponto tem muito a colaborar até porquê os meios de comunicação como um todo através de suas novelas e filmes demonstram o transtorno mental de forma estigmatizante e preconceituosa. Termos como louco, manicômio não são mais usados praticamente usados, ainda bem. Lembro que esta tramitando a certo tempo no congresso a lei sobre a psciofobia onde deveria constar como crime a manipulação política destas pessoas que com certeza não são loucas e nem irão a manicômios mas podem ser ingênuas manipuláveis.

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