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Rede de omissões na tragédia de Três Passos

18 de abril de 2014 4

ABERTURA DA PÁGINA 10

Os  furos na rede de proteção que deveria garantir a integridade do menino Bernardo Uglione Boldrini transformaram-se em um rombo monumental diante da informação de que a madrasta Graciele Ugulini já teria tentado matar a criança por asfixia e que esse fato seria de conhecimento do Ministério Público de Três Passos e do Conselho Tutelar de Santa Maria. Cairia por terra o argumento do juiz Fernando Vieira dos Santos de que tudo foi feito de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A informação sobre a suposta tentativa de assassinato apareceu em uma troca de e-mails entre o advogado Marlon Balbon Taborda, e o MP. O Conselho Tutelar de Santa Maria também foi comunicado da situação e nada fez. Mesmo que não fosse um caso da sua região, cabia ao conselho acionar seus pares em Três Passos para proteger Bernardo.
Antes de surgir a informação sobre a suposta tentativa de assassinato por asfixia, relatada pelo advogado com base no depoimento de uma babá, o juiz disse que tentou reatar os laços com a família, como manda o ECA.  De fato, a regra é tentar preservar os laços familiares, mas não quando a criança está correndo risco de vida nas mãos de uma psicopata e de um pai omisso.
O advogado diz que a polícia esteve na casa do médico, mas que ele estaria internado. A se confirmar que a polícia foi alertada e não fez nada, amplia-se a lista dos que poderiam ter evitado a tragédia e se omitiram.
A promotora Dinamárcia Maciel entrou com o pedido de transferência da guarda para a avó materna no dia 31 de janeiro deste ano. Foi depois dessa solicitação que o juiz chamou o pai e a criança e caiu na conversa de madalena arrependida do médico. Bernardo pediu socorro de todas as formas que foi capaz na limitação dos seus 11 anos. Não foi ouvido.
Por todas as informações que surgiram nos últimos dias, não é exagero dizer que estamos diante de uma versão gaúcha da crônica de uma morte anunciada, obra-prima do escritor Gabriel García Márquez. Aos 87 anos, Gabo morreu ontem, deixando milhões de órfãos de seu realismo fantástico, que, em casos como o de Bernardo, foi superado pela realidade.

Nem toda madrasta é malvada

17 de abril de 2014 6

CRÔNICA

Sempre que uma criança é vítima de uma bandida, como Bernardo Boldrini foi de Graciele Ugulini, uma parcela da população tende a fazer generalizações absurdas, como se madrasta fosse, necessariamente, sinônimo de mulher má. Minha solidariedade às boas madrastas, que tratam os filhos de seu companheiro com carinho, respeito e dedicação. Graciele Ugulini e Ana Carolina Jatobá, a madrasta assassina de Isabela Nardoni, são exceções, mas, infelizmente, o estigma se acentua em momentos trágicos como este.
Na quarta-feira, o programa Polêmica tratou do caso e fez a seguinte pergunta: “Madrasta é suspeita de matar o filho da outra. As madrastas são estigmatizadas. É uma injustiça?” Foi um programa com convidados inteligentes  _ o psiquiatra Jaime Vaz Brasil, lúcido e inspirado, a psicóloga Sônia Sebenelo e advogada Delma Silveira Ibias, presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família. Imaginei que o resultado da enquete daria algo como 99% dizendo que é injusto estigmatizar as madrastas mas, para minha surpresa, 25% responderam que não. Mesmo não sendo uma pesquisa científica (as respostas são dadas pelo Facebook) fiquei alarmada e pensei com os meus botões: pobres das boas madrastas. Elas não merecem essa suspeita.
A palavra não ajuda. Madrasta é substantivo e adjetivo. Como substantivo feminino, diz o Aurélio, é “a mulher com relação aos filhos do anterior matrimônio do marido”. Até aqui, tudo bem. No sentido figurado, “mãe pouco carinhosa, que maltrata os filhos” ou “qualquer mulher ou qualquer coisa de que provêm dissabores em lugar de carinho”. Exemplo: “A fortuna lhe foi madrasta”. Como adjetivo, “ingrata, avara, pouco carinhosa”.
Na origem dessa má fama estão os contos de fada. Quem não abominou a madrasta da Cinderela, que escravizou a menina quando ela ficou órfã de pai? Que criança não teve medo da madrasta da Branca de Neve, que contratou um matador de aluguel para dar cabo da enteada e, fracassada essa tentativa, disfarçou-se de velhinha para dar-lhe a maçã envenenada? Bruxas as duas, como muitas madrastas da vida real, mas menos cruéis do que Graciele e Ana Carolina. Aliás,  Graciele consegue ser ainda pior do que Ana Carolina porque, segundo a investigação, premeditou o crime _ e pode ter matado Bernardo por pura ganância.
Conheço tantas mulheres que se enquadram nos neologismos “boadrasta” ou “otimadrasta” que seria injusto escolher uma ou duas para ilustrar esta crônica. Sou tentada a falar de Carmela, madrasta da minha amiga Helena, uma senhorinha encantadora que conheci nos anos 1980. Mas não quero fulanizar. Esta é uma relação em geral delicada, seja o marido viúvo, divorciado ou solteiro com filhos. As boas madrastas sabem que não podem querer ocupar o lugar da mãe. Seu papel não é fácil, porque as crianças fazem comparações, não raro têm ciúme do pai e com frequência, no caso de pais divorciados em processo litigiosos, são induzidas pela mãe biológica a rejeitar a nova companheira do pai.
Quase tudo o que se diz sobre as madrastas vale também para os padrastos. É verdade que há casos de criminosos que abusam ou agridem filhos da companheira, alguns que torturam e matam por não tolerar o choro de um bebê, mas não se pode generalizar. Também há mães e pais biológicos que maltratam os filhos, sonegam amor e se omitem diante da violência dos companheiros.

Detran aposta em vídeo chocante para conscientizar motoristas

16 de abril de 2014 9

Inspirado no exemplo da Austrália e da Nova Zelândia, o Detran do Rio Grande do Sul decidiu adotar uma espécie de terapia de choque nas campanhas de prevenção a acidentes de trânsito. O primeiro comercial entrou no ar às vésperas do início da Operação Viagem Segura de Páscoa. Por ser um feriadão de cinco dias, já que a folga de boa parte dos trabalhadores começa na quinta-feira e só termina na segunda-feira, as autoridades temem a repetição da mortandade registrada nos últimos anos.

Criada pela agência Morya, a campanha trabalha com o conceito de que a segurança no trânsito depende da escolha do motorista. A filosofia da campanha, que terá mais quatro comerciais ao longo do ano, foi explicada ontem pela direção do Detran e pelo publicitário Fábio Bernardi, em uma sessão especial de exibição da primeira peça.

O comercial de 30 segundos, que já está no ar, mostra o impacto de uma capotagem em alta velocidade, em que o motorista ensanguentado fica de cabeça para baixo, se contorcendo de dor. O texto diz: “Você sabe por que existe o limite de velocidade? Porque quanto mais rápido você anda, mais destrutivo é o impacto sofrido pelo veículo. E na vida real não tem volta. Você não consegue desrespeitar as leis da física, mas pode não ser vítima delas. A escolha é sua”.
No comercial, a cena retrocede e termina com o veículo andando em segurança na velocidade de uma via bem sinalizada.

As estatísticas mostram que, nos últimos anos, os feriados de Páscoa estão entre os que registram o maior número de mortes (média de 7,4 por dia, perdendo apenas para o do Dia do Trabalho, com 7,6). Como o de Tiradentes também é violento, e neste ano os dois se juntam, o Detran-RS e as polícias rodoviárias vão reforçar a fiscalização para coibir o excesso de velocidade, as ultrapassagens indevidas e o consumo de álcool por motoristas.

Veja os dados abaixo:

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Candidatura de Simon é incerta

16 de abril de 2014 9

ABERTURA DA PÁGINA 10, HOJE NA 14

Uma semana depois da definição de que Pedro Simon seria candidato à reeleição, o PMDB mergulhou outra vez na dúvida em relação ao Senado. A certeza da semana passada transformou-se em ponto de interrogação depois de uma reunião da executiva estadual, da qual Simon teria saído antes do fim. Embora participantes do encontro tentem colocar panos quentes, dizendo que nada mudou, fontes do PMDB confirmam que o senador está incomodado com a forma como o ex-governador Germano Rigotto reagiu à notícia de sua decisão de disputar a reeleição.
Simon não gostou especialmente de Rigotto ter dito que só se colocou à disposição do partido para concorrer quando viu a entrevista dele à Globo News, em julho, dizendo que não concorreria. O senador, garante um dos líderes do PMDB, também está insatisfeito com a falta de entusiasmo da base do PMDB e com as críticas dos companheiros que sugerem uma retirada estratégica, temerosos de que encerre a carreira com uma derrota para Lasier Martins (PDT).
No final da tarde de ontem, questionado pela Página 10 sobre as especulações de que desistiu da candidatura, Simon foi seco:
– Combinamos na reunião que só quem vai falar é o presidente do partido.
Diante da pergunta sobre se, pessoalmente, gostaria de concorrer, cortou:
– Não vou falar, nem para ti, nem para ninguém.
O presidente do PMDB, Edson Brum, diz
que nada mudou e jura que Simon ficou até o
fim da reunião:
– Quem diz que ele saiu antes é um mentiroso. Ficou até o fim e ainda lanchou conosco. Tomou suco com torrada. Ele disse que, se o partido quiser, será o candidato. Devolvemos a bola para ele, dizendo que, se ele quiser, será o candidato do PMDB. Se não, temos um nome pronto, que é o Rigotto.
– Simon é o candidato natural do ponto de vista moral e político. Ninguém vai destituí-lo, mas ele não é mais uma unanimidade, como foi no passado – diz outro líder do PMDB.
O senador é considerado peça-chave na aliança com o PSB, pelas relações com a ex-senadora Marina Silva, que será vice de Eduardo Campos.

Crise na Petrobras não é culpa da oposição

15 de abril de 2014 11

ABERTURA DA PÁGINA 10, QUE HOJE ESTÁ NA 6

A defesa veemente que a presidente Dilma Rousseff fez da Petrobras ontem, na visita a Pernambuco, não apaga o fato de que a maior estatal brasileira só está passando por essa crise porque houve problemas de gerenciamento e porque está sendo investigada pela Polícia Federal. Não foi a oposição, como insinua a presidente, quem jogou a Petrobras no meio do redemoinho. Foram os fatos, entre os quais a compra da refinaria de Pasadena, um negócio em que a melhor das hipóteses para o governo é a da incompetência pura e simples. A pior, a de manipulação de informações
para enriquecimento ilícito de diretores ou financiamento de campanhas eleitorais.
A Polícia Federal, que prendeu um ex-diretor da Petrobras, é republicana. Se encontrou elementos que o ligam ao doleiro Alberto Youssef, não podia tapar o sol com a peneira. A Operação Lava-Jato puxou um fio do novelo e começaram a aparecer outros indícios de irregularidades graúdas na empresa. A suspeita de que a estatal foi usada para financiar campanhas eleitorais, por meio de doações de seus fornecedores, é grave e precisa ser esclarecida o mais depressa possível, para que os culpados sejam punidos e a empresa pare de sangrar em praça pública.
É claro que o escândalo interessa aos opositores de Dilma, que nas pesquisas eleitorais não conseguem se aproximar dos índices dela, mas ninguém conseguiria manchar o nome da empresa se atrás da fumaça não houvesse fogo. O oxigênio da combustão não é o falatório dos adversários, mas os “malfeitos” que Dilma prometeu coibir e punir.
Quem conhece o funcionamento das CPIs e a capacidade de abafá-las quando se tem maioria sabe que não é pelo Congresso que virão as respostas às perguntas sobre o que, de fato, ocorreu nos labirintos da empresa. Em geral, as CPIs trabalham com o material que a polícia e o Ministério Público colhem. Seu papel é de dar visibilidade a documentos, tornar público o que se tenta esconder, expor as perguntas sem resposta. CPI é um instrumento da oposição. Por isso, os governos, todos eles, fazem o possível e o impossível para evitá-las. Se não conseguem, tentam assumir o controle para impedir depoimentos e quebras de sigilo.

Alguma coisa em comum

12 de abril de 2014 5

CRÔNICA DE SÁBADO

A celebração dos 50 anos de Zero Hora começou para nós, colaboradores do  jornal, assinantes e convidados, com uma sessão especial do espetáculo Corteo, do Cirque du Soleil. Coube-me a agradável tarefa de ler o texto de saudação aos colegas e aos convidados. Um dos trechos dizia: “Estarmos reunidos para um espetáculo do Cirque du Soleil tem um grande significado para nós. Eles são um exemplo de transformação do circo: atraindo os maiores talentos, trabalhando duro para alcançar a perfeição e entregando um produto inovador para o público eles conquistaram resultados impensáveis para este tipo de negócio mantendo a essência da sua arte: encantar o público.
Por isso, este espetáculo deve ser também um momento de inspiração para todos nós. Hoje, marcamos o início da concretização das transformações que vamos vivenciar ao longo de 2014 na nossa Zero Hora. Temos os maiores talentos, estamos trabalhando duro em busca da qualidade e queremos entregar um produto ainda mais inovador para o nosso público. E, com todas essas mudanças, queremos manter a essência da nossa arte: produzir conteúdo de qualidade para os nossos públicos, em qualquer plataforma”.
Ocupei meu lugar na plateia matutando sobre o quanto nossa atividade tem em comum com a dos artistas e dos operários do Cirque du Soleil. Ao longo do espetáculo, foram aparecendo as conexões que dão sentido à comparação. Para começar, na nossa atividade se destacam os talentos individuais, mas é o trabalho de equipe que dá consistência ao conjunto. Para que possamos cumprir bem a nossa função de informar, temos de contar com os colegas da linha de frente e com toda a estrutura espalhada em diferentes áreas. Os operários vestidos de preto, que se movem como sombras entre um número e outro para organizar os equipamentos, são para o Cirque du Soleilo que são em um jornal os colegas das áreas de apoio, cujos nomes não aparecem nos créditos. Não se penduram nas cordas, não dão saltos mortais, não precisam ter habilidades com os malabares, mas sem eles os profissionais conhecidos do público não teriam como se apresentar.
Sim, nós jornalistas sabemos o que é se equilibrar na corda bamba. Assim como os artistas do Cirque, temos consciência de que precisão é uma palavra crucial nas nossas vidas. Temos redes de segurança para evitar erros fatais. Precisamos da cumplicidade do público. Tocamos como numa orquestra, dominamos nosso instrumento, mas precisamos de regência.  Corremos contra o tempo. Às vezes fazemos papel de palhaço (quando somos ludibriados por nossas fontes). Queremos emocionar o público, como a Valentina, superando as nossas limitações.
Sem querer estragar a surpresa de quem ainda vai assistir ao espetáculo, há um número em particular que tem tudo a ver com o trabalho de equipe tão essencial no jornalismo. É quando duas pessoas formam uma figura só, a do cavalo, numa extraordinária exigência de sincronia, como a que se espera do repórter com o fotógrafo, do editor com o designer, de todos os que precisam atuar em dupla.

Não é só pelo Gim Argelllo

11 de abril de 2014 7

ABERTURA DA PÁGINA 10, HOJE LÁ NA 20

Os jovens que foram às ruas em junho popularizaram o bordão “não é só pelos 20 centavos”, referindo-se ao descontentamento com a qualidade do transporte coletivo e não apenas com o aumento da passagem. Um bordão semelhante poderia ser adotado em relação ao Tribunal de Contas da União: não é só pelo Gim Argello (PTB-DF), que afinal deixou de ser uma ameaça porque renunciou à indicação. Preocupante é o que está por trás da escolha de Argello, um senador que responde a inquéritos no Supremo Tribunal Federal por peculato, lavagem de dinheiro, crime contra a lei de licitações, crime eleitoral e corrupção ativa.
Com essa folha corrida, Argello jamais poderia ter sido indicado para um órgão de fiscalização de contas públicas. Mesmo que ainda não tenha sido condenado, o currículo não contempla as exigências de  “idoneidade moral” e “reputação ilibada”, que carregam certo grau de subjetividade. Argello pediu para sair porque não quis enfrentar a sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, já que os senadores rejeitaram o pedido para votação da indicação em regime de urgência, diretamente pelo plenário.
O problema é a forma como são indicados os ministros do TCU, na base do conchavo. Argello era da “cota” do Senado, foi bancado pelo presidente Renan Calheiros, mas a manobra que permitiu a abertura de uma vaga tem as digitais da presidente Dilma. Para que Argello fosse indicado agora, era preciso que o ministro Valmir Campelo antecipasse o pedido de aposentadoria. O que fez o governo? Ofereceu a Campelo uma vice-presidência do Banco do Brasil e ele se aposentou.
E isso não é tudo. No TCU, Campelo era responsável por fiscalizar as obras da Copa. Deixou o trabalho pela metade para ocupar um cargo oferecido pelo governo cujas contas tinha até então poder para fiscalizar.
Milionário, Gim Argello não precisa de emprego. Sua indicação para o TCU faz parte de uma articulação para não concorrer à reeleição na chapa de José Roberto Arruda, que, acredite quem quiser, será candidato ao governo do Distrito Federal pelo PR. Esse reforço na chapa de um adversário não convém ao governador Agnelo Queiroz (PT), candidato à reeleição.

Ex-governador Germano Rigotto desiste de concorrer ao Senado

10 de abril de 2014 19

A decisão do senador Pedro Simon (PMDB) de concorrer à reeleição teve como efeito imediato a desistência do ex-governador Germano Rigotto de postular o cargo. Em nota enviada à imprensa, Rigotto abriu mão de disputar a indicação. Leia a íntegra abaixo:

Comunicado aos gaúchos e à imprensa

 Em respeito ao povo gaúcho, de quem sempre recebi igual tratamento, entendo ser necessário posicionar-me diante dos últimos fatos em relação às eleições de 2014.

Em entrevista para a Globo News, na metade do ano passado, o senador Pedro Simon disse que havia desistido de buscar a reeleição. A partir disso, meu nome surgiu naturalmente como uma possibilidade para concorrer ao Senado Federal. Recebi muito apoio e carinho das pessoas, além do entusiasmo da base do PMDB.

Mostrei-me, então, disponível e preparado para esse desafio. Entendi que minha bagagem acumulada, tanto no parlamento quanto no governo, poderia ser útil para exercer o mandato de senador. Dispus-me a lutar no Senado pelas mudanças de que o Brasil precisa, a defender o nosso Estado e a ajudar a construir um novo posicionamento para o PMDB, começando por um projeto nacional e evoluindo até uma candidatura própria do partido à Presidência da República.

Depois desse momento, o senador Simon fez manifestações no sentido de que poderia ser candidato. Diante disso, reafirmei sua preferência de escolha. Por fim, ontem, através da imprensa, soube que ele revelou sua decisão de buscar mais um mandato no Senado Federal.

De minha parte, como sempre fiz, reconheço seu direito e legitimidade para essa postulação. Assim sendo, informei hoje à direção partidária que abro mão de concorrer a qualquer cargo nas eleições de 2014. E, através deste comunicado, torno pública minha decisão.

Agradeço o reconhecimento recebido dos gaúchos e das gaúchas, sentimento que recolho cotidianamente em todos os ambientes que frequento. Agradeço também o grande apoio da nossa militância partidária, com a qual sempre tive proximidade e afinidade.

A política não se dá apenas através de cargos. Portanto, encaro essa circunstância com naturalidade. Através do Instituto Reformar, que presido, seguirei o trabalho que venho fazendo, procurando formar opinião e fortalecer as causas e as transformações necessárias para o Brasil e o Rio Grande que desejamos.

 

Germano Rigotto

Uma pedra a menos no caminho do projeto da dívida

10 de abril de 2014 8

ABERTURA DA PÁGINA 10, QUE HOJE FOI PARAR NA 16-17

O Palácio Piratini comemorou como final de campeonato a aprovação do projeto de reestruturação da dívida nas comissões de Constituição e Justiça e de Assuntos Econômicos do Senado. Não é para tanto, mas, do jeito que o projeto estava encrencado, qualquer meia vitória vira motivo de celebração. Recapitulando, o projeto estava trancado por decisão do Ministério da Fazenda. O temor do ministro Guido Mantega era de que a aprovação de uma proposta que, na prática, tira receita da União, contribuísse para piorar a imagem do país aos olhos das agências de classificação de risco.
Tarso tinha tanta certeza de que a proposta seria aprovada nas comissões, que foi a Brasília para acompanhar pessoalmente a votação. O mesmo fizeram o prefeito José Fortunati, o presidente da Assembleia, Gilmar Sossella, e deputados comprometidos com o projeto.
O Rio Grande do Sul conseguiu dar uma rara demonstração de unidade. Todos os pré-candidatos se mostraram favoráveis à reestruturação da dívida, incluindo a senadora Ana Amélia Lemos (PP), que tem voz e voto no Senado. Na sexta-feira passada, durante o 15º Encontro Estadual do Fisco, em Gramado, Ana Amélia reafirmou a Tarso seu compromisso com a proposta.
Para o governador, que havia ameaçado não concorrer à reeleição se o projeto não fosse aprovado, a vitória nas comissões dá o conforto necessário para assumir a candidatura sem ser acusado de ter voltado atrás. Com a aprovação pelo plenário no horizonte, Tarso já fala no significado da aprovação: uma ponte para 2027, já que permitirá ao Estado tomar novos empréstimos e financiar investimentos em infraestrutura.
A reestruturação da dívida, com a mudança do índice de correção e a redução dos juros é essencial para viabilizar outros projetos que serão o carro-chefe da campanha dele e da presidente Dilma Rousseff, como o metrô de Porto Alegre. No Piratini, a interpretação é de que Dilma liberou a aprovação do projeto porque está alarmada com a queda nas pesquisas e quer uma aliança com governadores e prefeitos asfixiados pelo peso da dívida nas contas públicas.

PMDB bate o martelo: Simon será o candidato ao Senado

08 de abril de 2014 90

Está encerrada a temporada de especulações sobre o candidato do PMDB ao Senado: Pedro Simon vai concorrer à reeleição. A decisão foi tomada em um almoço na Churrascaria Barranco, na segunda-feira. À mesa, na parte interna do restaurante, sentaram-se sete pessoas: o senador,  o pré-candidato do partido ao Piratini, José Ivo Sartori, o presidente do partido, Edson Brum, o secretário-geral, João Alberto Machado, os ex-presidentes Ibsen Pinheiro e Rospide Neto e o ex-deputado Luis Roberto Andrade Ponte.
A conversa começou com a constatação de que a indefinição não poderia perdurar por muito tempo e que nenhum dos possíveis candidatos está disposto a enfrentá-lo numa convenção.
_ Se não tiver outro candidato, eu vou _ disse Simon.
_ Se tu vais, não haverá outro candidato _ respondeu um dos presentes com a concordância unânime dos demais.
O PMDB ainda não decidiu que tipo de ato fará para formalizar a candidatura. Poderá ser uma pré-convenção, uma reunião da executiva ou mesmo um ato festivo. O desejo da cúpula do PMDB é juntar no mesmo evento o anúncio da candidatura de Simon e da aliança com o PSB, que já está alinhavada. Em um cenário ideal, a festa terá a presença da ex-senadora Marina Silva, futura vice de Eduardo Campos e uma das principais defensoras da candidatura de Simon.

Mendes Ribeiro pede aposentadoria na Câmara

08 de abril de 2014 12

Depois de sucessivas renovações da licença para tratamento de saúde, o deputado federal Mendes Ribeiro Filho protocolou ontem o pedido de aposentadoria por invalidez.
A partir de agora, Mendes vai se dedicar aos cuidados com a saúde e trabalhar, do apartamento, para eleger o filho, Pablo Mendes Ribeiro, que hoje é suplente de vereador em Porto Alegre.
_ Minha despedida vem sendo gradual, desde que saí do Ministério da Agricultura, em março do ano passado. Hoje me despeço do mandato, mas não da política.

Mendes teve um câncer no cérebro em 2007. Foi operado na Santa Casa, em Porto Alegre, e viveu os cinco anos seguintes sem sinal do problema> Em outubro de 2011 o tumor reapareceu e ele foi operado no Hospital Sírio Libanês, quando ocupava o cargo de ministro da Agricultura. Depois de um período de recuperação, Mendes retornou ao trabalho, mas teve de pedir para sair em março de 2013, por não conseguir conciliar o tratamento com as atividades de ministro. Retornou à Câmara dos Deputados, mas as dificuldades de locomoção o obrigaram a pedir licença do mandato em agosto de 2013.

Com a  aposentadoria, o suplente Eliseu Padilha, que está no cargo há oito meses, vira titular.

Novos aumentos para futuro governo pagar

08 de abril de 2014 22

O que aconteceria com um prefeito candidato à  reeleição que, no ano da eleição, mandasse para a Câmara um projeto de reajuste de 15,76% para os servidores públicos, a ser pago em seis parcelas pelo sucessor nos três primeiros anos de governo? No mínimo, seria acusado de estar tentando conquistar a simpatia dos servidores no ano eleitoral. Pois é isso que o governador Tarso Genro está fazendo com funcionários da Polícia Civil e da Brigada Militar. O projeto precisa ser votado e sancionado hoje, porque nos seis meses que antecedem a eleição o governante está impedido de conceder reajustes salariais.
Tarso protocolou a proposta na Assembleia na sexta-feira, em regime de urgência. Os líderes deram acordo para a publicação, o que abre caminho para a votação na sessão de hoje. A decisão sobre votar ou não será tomada pelos líderes na reunião das 11h30min.
O chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, defende o projeto com o argumento de que ele faz parte de uma política de equiparação dos reajustes de comissários, inspetores e investigadores com os delegados da Polícia Civil e do quadro de nível médico da Brigada com os aumentos dados aos oficiais. Mas por que mandar agora, se é para pagar entre 2015 e 2017?
– Tentamos convencer as categorias a deixar o projeto para o próximo governo mandar, mas os sindicatos pressionaram para que fosse agora porque querem um calendário até 2018, como outros já tiveram – justifica Pestana.
Por trás da decisão está a preocupação em garantir a estabilidade nas relações com policiais civis e militares, que serão muito demandados na Copa do Mundo. Tarso se orgulha de ter conseguido evitar greves com a política salarial de médio prazo.
O chefe da Casa Civil diz que
o projeto poderia ser considerado eleitoreiro se o governo tivesse passado três anos sem dar aumento e fizesse a proposta somente agora, mas o
reajuste foi “construído na
mesa de negociação”.
Até ontem à noite, a oposição ainda avaliava se o mais conveniente era aprovar o projeto, para não comprar briga com os policiais, ou deixar a tarefa de negociar reajuste para o próximo governador.

Por que Dilma vai bem no Rio Grande do Sul

07 de abril de 2014 43

ABERTURA DA PÁGINA 10

São múltiplos os fatores que explicam a liderança folgada da presidente Dilma Rousseff na pesquisa do Ibope no Rio Grande do Sul, com índices bem superiores aos do Brasil, captados pelo Datafolha. O maior peso deve ser atribuído às obras federais no Estado. Mesmo que só a BR-448 esteja pronta, Dilma assinou os contratos para a construção da nova ponte do Guaíba e para a duplicação da BR-290, entre Eldorado do Sul e Pantano Grande. A duplicação da BR-392, entre Pelotas e Rio Grande, será inaugurada nos próximos dias, e da BR-116, entre Guaíba e Pelotas, está andando.
Há, também, as moradias do Minha Casa, Minha Vida, as obras de saneamento do PAC e o metrô de Porto Alegre, cujo projeto está com licitação aberta para manifestação de interesse, com pelo menos três grandes consórcios disputando a obra. O Ibope constatou que a avaliação de Dilma entre os gaúchos é positiva: 54% de aprovação, nota média 5,6 e 42% de bom e ótimo, contra 23% de ruim e péssimo.
Outra explicação para os números está na fragilidade dos adversários. No Rio Grande do Sul, tanto Lula quanto Dilma perderam para os candidatos do PSDB, mas Aécio Neves, que hoje estará em Porto Alegre, ainda não conseguiu decolar. No cenário mais provável, com a presença de candidatos de partidos nanicos, Dilma tem 43% e Aécio, 21%. Eduardo Campos (PSB) ainda é um ilustre desconhecido para os eleitores gaúchos e tem somente 8% das intenções de voto.
O resultado da pesquisa deve intensificar a busca pelo apoio dos líderes gaúchos do PP e do PMDB por Aécio e Campos. Por enquanto, os dois presidenciáveis contam somente com seus próprios partidos, que apresentam fragilidades no Estado.
A liderança da senadora Ana Amélia Lemos (PP) na pesquisa para o Palácio Piratini torna seu palanque ainda mais valorizado. O PP gaúcho não quer ouvir falar na hipótese de Ana Amélia Lemos desistir do Piratini para ser vice de Aécio Neves (PSDB), mas a senadora desconversa quando questionada e destaca a aliança entre os dois partidos em Minas.

Seis meses antes, cenário de polarização

05 de abril de 2014 33

A confirmação de José Ivo Sartori como candidato do PMDB a governador não foi suficiente para desmontar o cenário de polarização entre Ana Amélia Lemos (PP) e o governador Tarso Genro (PT), delineado desde as primeiras pesquisas publicadas no ano passado. A seis meses da eleição, Ana Amélia tem 38% das intenções de voto e Tarso, 31%. Os números do Ibope são idênticos aos do levantamento do Instituto Methodus, divulgado em dezembro pela Rede Bandeirantes. À época, Ana Amélia tinha 38,2% e Tarso, 31,8%.

No final de setembro de 2013, o Ibope mostrava Tarso e Ana Amélia tecnicamente empatados. De outubro para cá, os dois cresceram. Ela ganhou 11 pontos percentuais, ele cinco e os demais pré-candidatos permaneceram estagnados, na faixa de zero a 5%. O crescimento da senadora e do governador veio da definição dos eleitores indecisos, que caíram de 19% para 10%, e dos que estavam dispostos a votar em branco ou a anular o voto. Eram 18% e agora são 11%. Os números mostram quão árdua é a tarefa dos que pretendem se credenciar como terceira via: terão de tirar votos dos líderes.

Ana Amélia tem a seu favor o baixo índice de rejeição: 10% contra 26% do governador. A boa notícia para Tarso é que a avaliação do governo não é tão ruim como pintam os adversários, embora 48% não confiem nele: 5,1 de nota média, 47% de aprovação contra 45% de reprovação; 29% de bom e ótimo, 42% de regular e 25% de ruim e péssimo. Há seis meses, era melhor. Nas simulações de segundo turno, a senadora supera Tarso (48% a 34%) e todos os possíveis adversários. O governador perde apenas para Ana Amélia.

Por esta época, em 2010, Tarso tinha 31% em uma pesquisa do Datafolha e José Fogaça (PMDB), 30%. Tarso acabou ganhando no primeiro turno. Em 2006, seis meses antes da eleição,Germano Rigotto (PMDB) e Olívio Dutra (PT) estavam tecnicamente empatados, com 26%. Yeda Crusius (PSDB) tinha somente 11%, mas acabou sendo eleita. Resumo da ópera: com toda a campanha pela frente e uma Copa do Mundo no meio, é cedo para previsões. Uma coisa, porém, é certa: os números não ajudam Vieira da Cunha e José Paulo Cairoli a conseguirem aliados.

Lugar de criança é na sala de aula

05 de abril de 2014 2

Três notícias animadoras para quem se indignou com a história das crianças da Escola Estadual Rui Barbosa, de Viamão, relatada na Página 10 de sexta-feira, que estavam tendo aula dia sim, dia não:

1. O secretário da Educação, Jose Clovis de Azevedo, que estava viajando para inaugurar novas escolas e não sabia do arranjo, discorda do rodízio adotado para resolver o problema da falta de espaço;

2. A 28ª Coordenadoria Regional de Educação foi intimada a resolver o problema imediatamente, para que as crianças tenham aula todos os dias;

3. O secretário reconhece que as crianças têm prejuízo, sim, não frequentando as aulas todos os dias. E proibiu, em portaria, que as escolas mandem os alunos para casa mais cedo quando faltarem professores.

O problema da Escola Rui Barbosa só será resolvido definitivamente em 2015, quando estiver concluído novo prédio, a ser construído em regime de urgência. A solução provisória não passa pela instalação de contêineres, até porque seria necessária uma licitação que demoraria cerca de dois meses. Para acomodar os alunos que ficaram desalojados com a interdição do prédio principal, a igreja vizinha cedeu um espaço à escola. Também ficou acertado que a escola funcionará em três turnos, durante o dia. Cada turma terá aulas de 3 horas e 45 minutos por dia, o que não é suficiente para cumprir a carga legal de 800 horas anuais. A compensação será feita com aulas aos sábados e com a redução do período de férias. Longe do ideal, mas melhor do que ficar em casa.

A Secretaria da Educação se comprometeu a providenciar a contratação de transporte escolar para levar os alunos que moram longe da escola e terão aula em horários especiais.

As providências na Escola Rui Barbosa incluem ainda a instalação de novas lâmpadas e a pintura, em branco, da parede do depósito da foto publicada ontem na Página 10, onde as crianças estavam tendo aula no escuro. Por fim, a SEC se comprometeu com a instalação de uma estrutura provisória para garantir alimentação às crianças, que estão sem refeitório.