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PSB pede retirada da urgência para votar projeto da Empresa Gaúcha de Rodovias

24 de maio de 2012 7

Depois da oposição e das federações empresariais, hoje foi a vez da bancada do PSB, partido do secretário de Infraestrutura, Beto Albuquerque, pedir a retirada do regime de urgência para votação do projeto que cria a Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR).

O pedido foi feito após uma longa conversa dos deputados com o próprio Beto, que já vinha fazendo ressalvas ao conteúdo da proposta. Beto havia concordado, por exemplo, com as críticas da oposição ao pagamento de salário aos diretores da EGR, durante seis meses, quando deixassem a empresa.

A quarentena está prevista no projeto para evitar que os diretores saiam da EGR e trabalhem em empresas prestadoras de serviços para essa área no Estado.  O secretário também reclamava de a EGR estar sendo criada para administrar apenas os pedágios, quando deveria englobar também as concessões de ônibus e de estações rodoviárias, para deixar o Daer focado apenas na construção e conservação de estradas.

Mobilização contra o pacote

23 de maio de 2012 11
Líderes empresariais se reuniram com o líder do governo, Valdeci Oliveira, para pedir mais prazo à discussão dos projetos ...

Líderes empresariais se reuniram com o líder do governo, Valdeci Oliveira, para pedir mais prazo à discussão dos projetos ...

... e depois pediram ao presidente da Assembleia, Alexandre Postal, que projetos não sejam aprovados em regime de urgência

... e depois pediram ao presidente da Assembleia, Alexandre Postal, que projetos não sejam aprovados em regime de urgência

Presidentes das principais federações empresariais do Estado foram à Assembleia Legislativa hoje para pedir que a Assembleia não aprove, em regime de urgência, os principais projetos do pacote encaminhado pelo governador Tarso Genro. O grupo conversou com o deputado Valdeci Oliveira, líder do governo, e com o presidente da Assembleia, Alexandre Postal.

Os dirigentes da Fiergs, Farsul, Federasul, Fecomércio, Federação dos Clubes de Dirigentes Lojistas pediram que seja retirada a urgência dos projetos que aumentam a alíquota de contribuição previdenciária de 11% para 13,25%. O problema não é o aumento da alíquota: as entidades reconhecem a existência do déficit previdenciário e a necessidade de buscar receita, mas querem que, em vez de simplesmente aumentar a alíquota, o governo adote a previdência complementar aprovada pelo Congresso.

As maiores críticas ficaram por conta da criação da Empresa Gaúcha de Rodovias, estatal destinada à gestão dos pedágios. Na avaliação dos empresários, não há por que devolver os pedágios ao Estado, já que, historicamente, o poder público é mau gestor nessa área. Porta-voz do grupo, o empresário Zildo De Marchi, presidente da Fecomércio, disse que as entidades são favoráveis à constituição de um marco regulatório para o sistema de concessões e à realização de novas licitações.

As federações também criticaram o aumento das taxas do Detran e pediram a retirada do projeto, argumentando que, na prática, ele representa aumento da carga tributária. Apesar de considerarem positivo o projeto do Simples gaúcho, os empresários reclamaram que os percentuais de desconto são inferiores aos pleiteados pelas federações e a proposta não repõe o que foi perdido em dezembro de 2010.

Valdeci não se comprometeu com mudanças:

- Meu compromisso é dar ciência ao governador imediatamente e mostrar a ele e a Casa Civil os argumentos e preocupações dos senhores, que representam, juntos, a maior parcela do PIB do Rio Grande do Sul.

Postal disse que deve conduzir o parlamento conforme o previsto na Constituição Estadual, mas acredita na possibilidade do governo estadual reavaliar a urgência diante dos pedidos de maior tempo para a discussão sobre a criação da empresa estatal e sobre a previdência. Como parlamentar, Postal concorda com as entidades, afirmando que a questão da previdência não será solucionada pela atual proposta. Ele também é contrário à criação de uma empresa para cuidar das rodovias, especialmente pelo fato da matéria carecer de maior clareza.

O presidente da Fiergs, Heitor Müller, insistiu que é importante que os deputados intercederem junto ao governo para a concessão de prazo adequado à discussão das propostas.

- A criação da empresa deve ser melhor avaliada. Tecnicamente, ela não é o melhor caminho. O Estado precisa melhorar sua infraestrutura e não deve abandonar a ideia de que precisa de parcerias público-privadas, pois não há dinheiro suficiente para investimento em áreas como saúde, educação e estradas - disse Müller.

Congresso divulgará salários dos servidores

23 de maio de 2012 1

No embalo da decisão da presidente Dilma Rousseff e do Supremo Tribunal Federal, o Congresso também vai dar transparência aos salários de todos os servidores do Poder Legislativo. A decisão foi anunciada agora há pouco pelo presidente da Câmara, Marco Maia, depois de uma reunião com o presidente do Senado, José Sarney.

As informações estarão disponíveis a partir da regulamentação do ato pelo Ministério do Planejamento.

- Os Poderes estão em sintonia com os anseios da sociedade. Conversei com o presidente Sarney e decidimos o que o Parlamento, o mais transparente dos Poderes, deveria dar esta resposta à sociedade - disse o presidente da Câmara.

Transparência obrigatória*

23 de maio de 2012 11

Acabaram-se as desculpas para omitir dos contribuintes informações sobre o salário dos servidores públicos ativos e inativos e de pensionistas. Se o Supremo Tribunal Federal decidiu, por unanimidade, divulgar a remuneração dos ministros e dos servidores, está dado o comando para que todos os órgãos públicos façam o mesmo em nome do cumprimento da Lei de Acesso à Informação.

O Supremo segue a trilha aberta pela presidente Dilma Rousseff, que em decreto de regulamentação da lei determinou a publicação dos salários de todos os servidores federais.

No Tribunal de Justiça, no Ministério Público, na Assembleia e no Tribunal de Contas do Estado, que esperavam pela decisão do Supremo, a implementação da medida agora será questão de tempo.

O governador Tarso Genro já havia anunciado que divulgará a relação de servidores do Executivo, com seus respectivos salários. Devem ser preservadas as informações de caráter pessoal, como os descontos com pensão alimentícia e empréstimo consignado.

O Supremo optou pela divulgação da remuneração bruta, o que significa o salário básico e os penduricalhos, quando houver. Por uma questão de justiça, convém que sejam divulgados, junto com o bruto, os descontos com Imposto de Renda, previdência e plano de saúde.

Com a transparência, será possível saber o que é real e o que é fantasia nas folhas de pagamento, quem acumula mais de um contracheque do setor público, quantos são os marajás com salários acima do teto.

A decisão dos ministros poupa os órgãos públicos de responder a uma enxurrada de pedidos de informações que, fatalmente, seriam protocolados em todo o Brasil. Uma frase do presidente do Supremo, Carlos Ayres Britto, resume o espírito da decisão:

– Como nosso empregador, o contribuinte tem o direito de saber quanto nos paga.

* Texto publicado na coluna de quarta-feira, 23 de maio de 2012

Faltam mulheres para concorrer

21 de maio de 2012 15

* Texto publicado na Página 10 desta segunda-feira, 21 de maio

Você ficará com a impressão de que já leu este texto, mas é a história que se repete a cada dois anos. Às vésperas das convenções, os principais partidos estão à cata de mulheres para preencher as listas de candidatos e assim cumprir a lei que exige um mínimo de 30% das vagas para cada sexo. Como nunca faltam homens para concorrer, convencionou-se dizer que a lei estabelece uma cota de 30% para as mulheres.

O PT, que a partir de 2014 adotará as cotas de 50% para cada sexo nas eleições para vereador, deputado estadual e deputado federal, avalia que a dificuldade em encontrar mulheres candidatas já foi maior.

– Em 2008 foi bem pior. Neste ano, nossa maior dificuldade é nas cidades com menos de 30 mil eleitores – informa Cícero Balestro, integrante do Grupo de Trabalho Eleitoral.

Em Porto Alegre, com exceção do PT e do PTB, a tendência é partidos e coligações terem de deixar vagas em aberto por não conseguir mulheres em quantidade suficiente para preencher a cota de 30%. Dos 36 vereadores da Câmara, só três são mulheres: Maria Celeste e Sofia Cavedon, do PT, Fernanda Melchionna, do PSOL. As três são candidatas à reeleição e, segundo previsões dos seus partidos, devem ser reeleitas. Além das duas vereadoras que tem hoje, o PT acredita que pode eleger mais uma, a jovem Ariane Chagas, candidata da corrente da vereadora Maria do Rosário. O PSOL ainda sonha em conseguir na Justiça autorização para a ex-deputada Luciana Genro concorrer. Por ser filha do governador Tarso Genro, Luciana estaria impedida de disputar a eleição.

– A finalidade da lei é evitar a exploração de prestígio de um parente por outro. Este não é o meu caso. O apoio que já recebi nas urnas comprova que não preciso explorar o prestígio político de ninguém – diz Luciana.

Partido do prefeito José Fortunati, o PDT é um dos mais carentes de mulheres com densidade eleitoral. Na eleição passada, elegeu Juliana Brizola, que renunciou dois anos depois para assumir como deputada estadual. Suplente na última eleição, Neuza Canabarro já avisou que não concorre. Já o PC do B tirou a ex-deputada Jussara Cony da Secretaria do Meio Ambiente para tê-la como candidata a vereadora. Cony tenta voltar à Câmara, por onde começou sua carreira, nos anos 1980.

Sem representante feminina desde a saída de Clênia Maranhão, o PMDB vai investir na ex-gari Roseli da Silva, criadora do Centro Infantil Renascer. O PP tem como principal candidata a ex-secretária da Cultura Mônica Leal, que na Câmara já foi suplente e assumiu o mandato com a indicação de vereadores para o governo de José Fogaça, em 2005. O PSDB aposta todas as suas fichas na psicóloga Tarsila Crusius, que contará com o prestígio da mãe, a ex-governadora Yeda Crusius.

Ainda o concurso do magistério

20 de maio de 2012 19

Mais uma carta de professora para tentar entender o resultado do concurso do magistério, que aprovou pouco mais de 5 mil candidatos para um total de 10 mil vagas:

"Estou escrevendo para te parabenizar pelo que escreveste hoje na Zero Hora. Pela primeira vez depois do resultado do concurso do magistério ter saído li algo como o que tu escreveste, o teu questionamento sobre os motivos das altas reprovações. Finalmente alguém cogitou a ideia de que a prova tenha sido fora da nossa realidade.

Com certeza isto aconteceu. O governo mandou elaborar uma prova onde abordava conhecimentos que não estão em nossa realidade. A melhor faculdade que tenhamos estudado não nos preparou para a interdisciplinaridade. A prova de ciências humanas, por exemplo, aborda conceitos não somente da área do candidato mas de outras. Assim, o professor de história teria que dominar conceitos de geografia, filosofia, sociologia... Em três meses, pois em média foi este o tempo dado entra a publicação do edital e a data da prova.

Outra coisa: dias depois do edital ter sido publicado, as bibliografias foram alteradas. Eu mesma tinha lido dois livros, os quais foram retirados e acrescentados outros no lugar. Me parece que algo está errado. Hoje quando vi teus questionamentos me senti um pouco melhor. Vi que tem pessoas observando os dois lados. Estava juntamente com duas amigas nesta "peleia" desde novembro passado, quando começamos cursinhos preparatórios e um intenso estudo, incluindo feriados, sem férias, sem descanso, abrindo mão da família e de outras tantas coisas.

Será que estamos despreparadas ou será que o Estado aplicou algo totalmente fora da nossa realidade?

Obrigada e um abraço

Andréia da Rosa"

Carta de professora

19 de maio de 2012 16

Com a devida autorização, vou publicar aqui a carta da professora Carla Silva, nomeada há 12 anos na rede estadual de educação. Creio que ela ajuda nessa reflexão sobre a situação da educação no Estado e sobre os resultados do último concurso do magistério:

"Bom Dia Rosane!
Sou professora da rede estadual de educação e, em meio à tantos comentários que ajudam a denegrir a imagem da categoria, fiquei feliz ao ler o teu artigo da página 10 da Zero-Hora de hoje. Não sou sindicalista, nem partidária, e há 12 anos assisto e sinto na pele o tratameno que os governos dão ao magistério público estadual. Não só pelos baixos salários, mas também pelas condições de trabalho. Na escola em que atuo, desde dezembro passado enfrentamos o fato que todo o telhado e rede elétrica do prédio de 70 anos está seriamente comprometido. E, mesmo estando com pedido de obras emergenciais ficamos á mercê da boa vontade burocrática dos orgãos que deveriam nos apoiar e solucionar problemas como este. No entanto, ainda esta semana tivemos um curto em uma sala administrativa e o compasso de espera continua. Até quando? provavelmente até que um incêndio aconteça e Deus queira que seja, pelo menos,à noite quando a escola não tem pessoas circulando.
Estas condições afetam, não só aos professores, como também aos alunos que são expostos, todos os dias, às estas situações, não só em minha escola, pois este quadro se repete em muitas escolas da rede estadual.
Do total de 9 professores que atuam atualmente em minha escola, somente 4 são nomeados. Destes 9, 7 atuam diretamente nas salas de aula e ,destes, 5 são contratados. Todos fizeram concurso esperando garantir a sua permanência na rede, no entento, para nossa surpresa,todos foram reprovados. Conheço o trabalho do meu quadro de professores, sei da qualidade e dedicação destes profissionais e do quanto já conquistamos no processo de ensino aprendizagem que estabelecemos aqui na escola e não acredito que todos sejam tão incompetentes como o governo e boa parte da mídia estão tentando mostrar. Acho incrível que a culpa seja somente dos professores. No decorrer dos meus anos de magistério tenho me espantado com a qualidade dos estagiários que as instituições superiores tem mandado para as escolas. Em primeiro lugar, a duração dos estágios não favorece uma prática efetiva destes estudantes. Os relatórios e projetos desenvolvidos por eles deixam muito a desejar, e os erros ortográficos são gritantes. Há algum tempo, para conseguir um diploma de curso superior tínhamos que assistir aula todos os dias, por pelo menos 4 anos, e saíamos com UMA habilitação específica. Hoje, as aulas são à distância, os cursos duram menos tempo (2 a 3 anos) e os "profissionais" saem com várias habilitações.
Se formos associar à estes fatores a responsabilidade das famílias com a formação dos filhos, temos um coquetel perfeito para destinar estes alunos ao fracasso. E a culpa é somente dos professores incompetentes? Vejo que, assim como em qualquer profissão, existem sim profissionais descompromissados, mas no caso do magistério estes não são a maioria. Fico satisfeita que a minha visão não seja única e, que pessoas como tu, também vejam todos estes problemas.
Acredito que uma reformulação deveria começar pelo MEC, estabelecendo diretrizes firmes para a formação de professores. Da mesma forma os programas de geração de renda, deveriam investir na formação profssional das famílias que vivem na linha da probreza, incentivando-as a buscar melhoas na sua qualidade de vida através do trabalho e não na dependência de "esmolas" que não são efetivas, como as "bolsas" que temos atualmente e só estimulam a permanência da situação.
Quanto ao governo estadual, acredito que deveria "valorizar" os profissionais que conseguem realizar um bom trabalho com todas as condições físicas e financeiras que eles oferecem, pois estes sim, são os verdadeiros heróis. Na verdade seria importante que os governantes pensassem que ao desvalorizar seus funcionários estão desvalorizando a sí mesmo e colocando por terra todo o discurso de investimento que, muito lindamente, e de forma bem eficaz veículam por ai.
Em nome das minhas colegas de trabalho, agradeço as tuas palavras desta manhã.
Atenciosamente
Carla Silva"

Foco nas crianças

18 de maio de 2012 1

Encarregada de fazer deslanchar o programa Brasil Carinhoso, a ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, detalhou hoje no programa Gaúcha Atualidade as medidas que o governo vai adotar para tirar da miséria famílias que têm crianças de zero a 6,9 anos. No Rio Grande do Sul, são 58 mil famílias que receber um complemento de R$ 70.

O Brasil Carinhoso inclui a construção de creches, a compra de vagas em instituições particulares, pelas prefeituras, com dinheiro do programa Brasil sem Miséria, e a distribuição de medicamentos e vitaminas para crianças desnutridas.

Já fora do ar, Tereza contestou os críticos dos programas de distribuição de renda que consideram o Bolsa Família um estímulo às mulheres pobres para terem filhos. Tereza diz que nas regiões em que existem mais dependentes do Bolsa Família se registram os maiores índices de redução da taxa de fecundidade. Os índices de natalidade estão chegando a níveis preocupantes, segundo a ministra, porque podem significar, num futuro próximo, carência de mão de obra e aumento do déficit previdenciário, como se verifica nos países desenvolvidos.

Ouça aqui a aentrevista da ministra

Retrato do caos na educação

18 de maio de 2012 15

** Texto publicado na Página 10 desta sexta-feira (18/05)

O resultado do concurso que pretendia selecionar 10 mil professores para a rede pública estadual dá uma pista de por que as provas de avaliação dos alunos nas escolas do Rio Grande do Sul, em todos os níveis, apresentam resultados tão ruins. Se entre mais de 60 mil inscritos só cerca de 5 mil conseguiram acertar o mínimo de 60% das questões das provas, há indícios de que os professores estão sendo mal preparados ou o Estado aplicou uma prova descolada da realidade.

Entre os milhares de reprovados, estão professores que já trabalham nas escolas públicas – parte como contratados em caráter temporário, parte como concursados que buscam uma nova nomeação. Estarão esses professores desatualizados? Ou por trabalharem em mais de uma escola para sobreviver não têm tempo para se preparar?

O concurso deste ano trouxe uma saudável inovação: provas específicas para cada área do conhecimento. O problema é que não se conseguiu, entre os aprovados, preencher metade das vagas.

Diante desse resultado desastroso, há que buscar respostas nos cursos de formação de professores, tanto nas universidades públicas quanto nas privadas e comunitárias. O que se está ensinando aos jovens que desejam ser professores? A proliferação de cursos superiores, presenciais ou de ensino à distância, pode ter produzido queda na qualidade?

O resultado do concurso saiu um dia depois da divulgação dos dados que colocam o Rio Grande do Sul entre os campeões de reprovação dos alunos no Ensino Médio. A explicação para esses índices de repetência e de evasão pode ter a mesma raiz do resultado do concurso: o Estado vive um círculo vicioso. Baixos salários tornaram a carreira desinteressante e afastaram do magistério os melhores alunos das escolas públicas e privadas. Os cursos que formam professores estão entre os menos concorridos nas faculdades. E os professores mais preparados preferem trabalhar nas escolas privadas, que pagam mais.

Nos últimos anos, o Rio Grande do Sul se acostumou a não discutir pedagogia. Quando se fala em educação, normalmente o foco é a eterna guerra entre o Cpers e o governo por melhores salários. É claro que o salário é importante, mas não é tudo. Há que se buscar um caminho para melhorar a educação em todos os níveis e isso exige um mutirão com a participação de todos os atores, a começar pelas famílias que, em geral, pouco se envolvem com a escola dos filhos.

Transparência nos salários

17 de maio de 2012 27

O decreto que regulamenta a Lei de Acesso à Informação, publicado no Diário Oficial de hoje, não deixa dúvida: salários de servidores e subsídios de agentes públicos devem ser publicados nos sites de transparência.

Como a interpretação vigente na maioria dos órgãos públicos era de que a divulgação das remunerações desrespeita a privacidade dos servidores, depois da publicação do decreto baixou a lei do silêncio nas repartições.

Um dos poucos a dar sua interpretação sobre a extensão da lei, o procurador-geral do Ministério Público de Contas, Geraldo da Camino, não tem dúvida de que a divulgação dos ganhos deve ser ampla, geral e irrestrita. Só ficariam de fora descontos como pensão alimentícia e empréstimos consignados, que só interessam ao servidor.

A determinação de divulgar os salários provocou desconforto entre os servidores, que temem ser alvo de ladrões ou de achaques de parentes, mas já é realidade na prefeitura de São Paulo. Nos Estados Unidos, todos os salários são públicos.

Quem entrar no site do Estado de Nevada saberá, quanto ganha por ano, em salários, benefícios e penduricalhos, o chefe dos bombeiros, o professor universitário ou qualquer outro servidor público.

Clique aqui e confira.

Dilma libera obras em estradas gaúchas

17 de maio de 2012 10

Na tentativa de fazer deslanchar o PAC 2, que está em ritmo muito lento, em reunião com a diretoria do DNIT hoje à tarde, a presidente Dilma Rousseff aprovou um pacote de obras de infraestrutura que só no Rio Grande do Sul chega a R$ 2 bilhões. Estão no pacote a ordem de início da duplicação da BR-116, entre Eldorado do Sul e Pelotas, o contorno de Pelotas e a duplicação da BR-290, entre Eldorado do Sul e Pantano Grande. O único que ainda não foi licitado é o da BR-290.

A licitação para a duplicação da BR-116 foi feita em nove lotes. A obra deve começar nos próximos dias em sete deles, porque em dois existem áreas ocupadas por índios que precisam ser reacomodados. O contorno de Pelotas havia sido suspenso há mais de um ano, quando o governo constatou que, no projeto executivo, o custo da obra subirá muito em relação ao projeto básico.

Dilma deveria anunciar as obras na segunda-feira, quando viria ao Rio Grande do Sul para inaugurar duas estações da extensão do trensurb até Novo Hamburgo, mas com a decisão dos metroviários de entrarem em greve a visita foi suspensa.

Tortura, nunca mais

17 de maio de 2012 44

Um dia depois da instalação da Comissão da Verdade, ouvimos no Gaúcha Atualidade um depoimento emocionante do ex-deputado Carlos Araújo, preso e torturado na ditadura.

Araújo contou que começou a ser torturado ainda na camionete da polícia em que foi colocado logo depois de ser preso. Deu detalhes da tortura no pau de arara e dos choques elétricos nos órgãos genitais. Relatou que pensou em se matar e que se jogou debaixo de uma Kombi para ser hospitalizado e escapar da tortura.

Ex-marido e hoje conselheiro da presidente Dilma Rousseff, também ela uma vítima da tortura, Araújo defendeu a Comissão da Verdade, mesmo que ela não resulte em punição para torturadores. Foi tanta a repercussão da entrevista que logo depois Araújo já era um dos assuntos mais comentados do Twitter.

Se você perdeu a entrevista, confira aqui.

O contrário do esquecimento

17 de maio de 2012 11

Quem já ouviu da própria boca da presidente Dilma Rousseff ou de seu ex-marido Carlos Araújo os relatos sobre o inferno da prisão e da tortura compreende melhor as lágrimas que ela não conseguiu conter durante a instalação da Comissão da Verdade. Contestada pelos simpatizantes do regime militar e criticada pela esquerda porque não prevê punição para os torturadores, a comissão instalada ontem é tudo o que pode ser feito neste momento. Até pode ser que seu trabalho resulte em pressão popular pela revisão da interpretação sobre a extensão da Lei da Anistia mas hoje este não é o foco.

A instalação da comissão tem um simbolismo maior para Dilma do que para qualquer um dos integrantes do grupo encarregado de vasculhar documentos, ouvir testemunhas e montar o quebra-cabeça do que ocorreu nos Anos de Chumbo. Pelos limites de tempo, estrutura e poder, é possível que a comissão pouco avance em relação ao que já se conhece dos abusos praticados na ditadura, mas Dilma tinha obrigação de pelo menos tentar resgatar esse pedaço da história. A primeira parte desse compromisso foi resgatada ontem.

A presença dos quatro únicos ex-presidentes vivos ampliou o peso político da solenidade. Diplomaticamente, Dilma escolheu um dos símbolos da resistência à ditadura _ e que nunca pegou em armas _ para iniciar seu pronunciamento:

_ Eu queria iniciar citando o deputado Ulysses Guimarães que, se vivesse ainda, certamente, ocuparia um lugar de honra nessa solenidade. O senhor diretas, como aprendemos a reverenciá-lo, disse uma vez: "a verdade não desaparece quando é eliminada a opinião dos que divergem. A verdade não mereceria este nome se morresse quando censurada." A verdade, de fato, não morre por ter sido escondida. Nas sombras somos todos privados da verdade, mas não é justo que continuemos apartados dela à luz do dia.

Para não ampliar o descontentamento dos militares, reforçou que o papel da Comissão da Verdade não será promover a vingança:

_ A palavra verdade, na tradição grega ocidental, é exatamente o contrário da palavra esquecimento. É algo tão surpreendentemente forte que não abriga nem o ressentimento, nem o ódio, nem tampouco o perdão. Ela é só e, sobretudo, o contrário do esquecimento.

O discurso foi um dos mais inspirados desde a posse, há quase um ano e meio. Terminou com uma frase que resume o espírito da criação da comissão:

_ A força pode esconder a verdade, a tirania pode impedi-la de circular livremente, o medo pode adiá-la, mas o tempo acaba por trazer a luz. Hoje, esse tempo chegou.

Veja a íntegra do pronunciamento:

Senhor Michel Temer, vice-presidente da República,

Senhores ex-presidentes da República: senador José Sarney, ex-presidente da República e presidente do Senado Federal; senhor Fernando Collor de Mello, ex-presidente da República; senhor Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República; senhor Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República;

Deputado Marco Maia, presidente da Câmara dos Deputados,

Ministro Carlos Ayres Britto, presidente do Supremo Tribunal Federal,

Senhor Dipp Lângaro, aliás, desculpa, Gilson Lângaro Dipp, representante membro do Supremo [Superior] Tribunal de Justiça, e representante aqui da Comissão da Verdade,

Senhoras e senhores ministros de Estado aqui presentes. Eu cumprimento todos ao cumprimentar a Gleisi Hoffmann, da Casa Civil; o José Eduardo Cardozo, da Justiça; o Luís Inácio Adams, da Advocacia-Geral da União; e a Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos; e o embaixador Celso Amorim, da Defesa.

Senhores ex-ministros da Justiça: Fernando Lyra, senador Aloysio Nunes Ferreira, senador Renan Calheiros e o integrante da Comissão da Verdade, que foi responsável pela fala que dá início a esta cerimônia, que é José Carlos Dias.

Queria cumprimentar também os senhores e senhoras senadores aqui presentes, ao saudar o senador Eduardo Braga, líder do governo no Senado Federal.

Cumprimentar as senhoras e senhores deputados federais, cumprimentando o deputado Arlindo Chinaglia.

Cumprimentar também o senhor Roberto Gurgel, procurador-geral da República,

O ministro João Oreste Dalazen, presidente do Tribunal Superior do Trabalho.

Cumprimentar aqui também o senhores comandantes das Forças: almirante Júlio Soares de Moura Neto, da Marinha; general Enzo Martins Peri, do Exército; brigadeiro Juniti Saito, da Aeronáutica; general José Carlos De Nardi, do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas.

Senhoras e senhores membros da Comissão da Verdade Cláudio Fontelles, Gilson Lângaro Dipp, José Carlos Dias, José Paulo Cavalcanti Filho, Maria Rita Kehl, Paulo Sérgio Pinheiro, Rosa Maria Cardoso da Cunha.

Queria cumprimentar todos os prefeitos aqui presentes saudando o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati.

Cumprimentar o coordenador residente das Nações Unidas no Brasil, Jorge Chediek.

Cumprimentar o senhor Amerigo Incalcaterra, representante regional do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos, por intermédio de que cumprimento todos os demais representantes de Organismos Internacionais.

Cumprimentar todas as senhoras e senhores representantes de entidades de defesa dos direitos humanos, senhoras e senhores familiares, senhoras e senhores jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

Senhoras e senhores,

Eu queria iniciar citando o deputado Ulysses Guimarães que, se vivesse ainda, certamente, ocuparia um lugar de honra nessa solenidade. O senhor diretas, como aprendemos a reverenciá-lo, disse uma vez: "a verdade não desaparece quando é eliminada a opinião dos que divergem. A verdade não mereceria este nome se morresse quando censurada." A verdade, de fato, não morre por ter sido escondida. Nas sombras somos todos privados da verdade, mas não é justo que continuemos apartados dela à luz do dia.

Embora saibamos que regimes de exceção sobrevivem pela interdição da verdade, temos o direito de esperar que, sob a democracia, a verdade, a memória e a história venha à superfície e se torne conhecidas, sobretudo, para as novas e as futuras gerações.

A palavra verdade, na tradição grega ocidental, é exatamente o contrário da palavra esquecimento. É algo tão surpreendentemente forte que não abriga nem o ressentimento, nem o ódio, nem tampouco o perdão. Ela é só e, sobretudo, o contrário do esquecimento. É memória e é história. É a capacidade humana de contar o que aconteceu.

Ao instalar a Comissão da Verdade não nos move o revanchismo, o ódio ou o desejo de reescrever a história de uma forma diferente do que aconteceu, mas nos move a necessidade imperiosa de conhecê-la em sua plenitude, sem ocultamentos, sem camuflagens, sem vetos e sem proibições.

O que fazemos aqui, neste momento, é a celebração da transparência da verdade de uma nação que vem trilhando seu caminho na democracia, mas que ainda tem encontro marcado consigo mesma. Nesse sentido... E nesse sentido fundamental, essa é uma iniciativa do Estado brasileiro e não apenas uma ação de governo.

Reitero hoje, celebramos aqui um ato de Estado. Por isso, muito me alegra estar acompanhada por todos os presidentes que me antecederam nestes 28 benditos anos. Por isso, muito me alegra estar acompanhada por todos os presidentes que me antecederam nestes 28 benditos anos de regime democrático.

Infelizmente, não nos acompanha o presidente Itamar Franco, a quem rendo as devidas homenagens, por sua digna trajetória. Por sua digna trajetória de luta pelas liberdades democráticas, assim como pelo zelo com que governou o Brasil, sem qualquer concessão ao autoritarismo.

Cada um de nós aqui presentes – ex-presidentes, ex-ministros, ministros, acadêmicos, juristas, militantes da causa democrática, parentes de mortos desaparecidos e mesmo eu, uma presidenta – cada um de nós, repito, é igualmente responsável por esse momento histórico de celebração.

Cada um de nós deu a sua contribuição para esse marco civilizatório, a Comissão da Verdade. Esse é o ponto culminante de um processo iniciado nas lutas do povo brasileiro, pelas liberdades democráticas, pela anistia, pelas eleições diretas, pela Constituinte, pela estabilidade econômica, pelo crescimento com inclusão social. Um processo construído passo a passo, durante cada um dos governos eleitos, depois da ditadura.

A Comissão da Verdade foi idealizada e encaminhada ao Congresso no governo do meu companheiro de jornada, presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem tive a honra de servir como ministra e a quem tenho o orgulho de suceder. Mas ela tem sua origem, também, na Lei da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos, aprovada em 1995, na gestão do presidente Fernando Henrique Cardoso. Naquela oportunidade, o Estado brasileiro reconheceu, pela primeira vez, a sua responsabilidade pelos mortos de desaparecidos sob sua custódia. Pelos mortos de desaparecidos sob sua custódia durante o regime autoritário.

No entanto, é justo que se diga que o processo que resultou na Comissão da Verdade teve início ainda antes disso, durante o mandato do presidente Fernando Collor, quando foram abertos os arquivos do DOPS de São Paulo e do Rio de Janeiro, trazendo a público toneladas de documentos secretos que, enfim, revelados representaram um novo alento aos que buscaram informações sobre as vítimas da ditadura.

O Brasil deve render homenagens às mulheres e aos homens que lutaram pela revelação da verdade histórica. Aos que entenderam e souberam convencer a nação de que o direito à verdade é tão sagrado quanto o direito que muitas famílias têm de prantear e sepultar seus entes queridos, vitimados pela violência praticada pela ação do Estado ou por sua omissão.

É por isso, é certamente por isso que estamos todos juntos aqui. O nosso encontro, hoje, em momento tão importante para o país, é um privilégio propiciado pela democracia e pela convivência civilizada. É uma demonstração de maturidade política que tem origem nos costumes do nosso povo e nas características do nosso país.

Tanto quanto abomina a violência e preza soluções negociadas para as suas crises, o Brasil certamente espera que seus representantes sejam capazes de se unir em torno de objetivos comuns, ainda que não abram mão, mesmo que mantenham opiniões divergentes sobre outros temas, o que é normal na vida democrática.

Ao convidar os sete brasileiros que aqui estão e que integrarão a Comissão da Verdade, não fui movida por critérios pessoais nem por avaliações subjetivas. Escolhi um grupo plural de cidadãos, de cidadãs, de reconhecida sabedoria e competência. Sensatos, ponderados, preocupados com a justiça e o equilíbrio e, acima de tudo, capazes de entender a dimensão do trabalho que vão executar. Trabalho que vão executar – faço questão de dizer – com toda a liberdade, sem qualquer interferência do governo, mas com todo apoio que de necessitarem.

Quando cumpri minha atribuição de nomear a Comissão da Verdade, convidei mulheres e homens com uma biografia de identificação com a democracia e aversão aos abusos do Estado. Convidei, sobretudo, mulheres e homens inteligentes, maduros e com capacidade de liderar o esforço da sociedade brasileira em busca da verdade histórica, da pacificação e da conciliação nacionais.

O país reconhecerá nesse grupo, não tenho dúvidas, brasileiros que se notabilizaram pelo espírito democrático e pela rejeição à confrontos inúteis ou gestos de revanchismo.

Nós reconquistamos a democracia a nossa maneira, por meio de lutas e de sacrifícios humanos irreparáveis, mas também por meio de pactos e acordos nacionais, muitos deles traduzidos na Constituição de 1988.

Assim como respeito e reverencio os que lutaram pela democracia enfrentando bravamente a truculência ilegal do Estado, e nunca deixarei de enaltecer esses lutadores e lutadoras, também reconheço e valorizo pactos políticos que nos levaram à redemocratização.

Senhoras e senhores,

Hoje também passa a vigorar a Lei de Acesso à Informação. Junto com a Comissão da Verdade, a nova lei representa um grande aprimoramento institucional para o Brasil, expressão da transparência do Estado, garantia básica de segurança e proteção para o cidadão.

Por essa lei, nunca mais os dados relativos à violações de direitos humanos poderão ser reservados, secretos ou ultrassecretos. As duas – a Comissão da Verdade e a Lei de Acesso à Informação – são frutos de um longo processo de construção da democracia, de quase três décadas, do qual participaram sete presidentes da República. Quando falo sete presidentes é porque estou incluindo por justiça, e porque o motivo do nosso encontro é a celebração da verdade, o papel fundamental desempenhado por Tancredo Neves, que soube costurar, com paciência competência e obstinação, a transição do autoritarismo para a democracia que hoje usufruímos.

Transição é imperativo que se lembre aqui conduzida com competência, habilidade e zelo pelo presidente José Sarney, que o destino e a história puseram no lugar de Tancredo, e que nos conduziu à democracia.

Mas, mesmo reconhecendo o papel que todos desempenharam, não posso deixar de declarar o meu orgulho, por coincidir com meu governo o amadurecimento de nossa trajetória democrática. Por meio dela, o Estado brasileiro se abre, mais amplamente, ao exame, à fiscalização e ao escrutínio da sociedade.

A Lei de Acesso à Informação garante o direito da população a conhecer os atos de governo e de estado por meio das melhores tecnologias de informação.

A transparência a partir de agora obrigatória, também por lei, funciona como o inibidor eficiente de todos os maus usos do dinheiro público, e também, de todas as violações dos direitos humanos. Fiscalização, controle e avaliação são a base de uma ação pública ética e honesta.

Esta é a razão pela qual temos o dever de construir instituições eficientes e providas de instrumentos que as tornem protegidas das imperfeições humanas.

Senhoras e senhores,

Encerro com um convite a todos os brasileiros, independentemente do papel que tiveram e das opiniões que defenderam durante o regime autoritário. Acreditemos que o Brasil não pode se furtar a conhecer a totalidade de sua história. Trabalhemos juntos para que o Brasil conheça e se aproprie dessa totalidade, da totalidade da sua história.

A ignorância sobre a história não pacifica, pelo contrário, mantêm latentes mágoas e rancores. A desinformação não ajuda apaziguar, apenas facilita o trânsito da intolerância. A sombra e a mentira não são capazes de promover a concórdia. O Brasil merece a verdade. As novas gerações merecem a verdade, e, sobretudo, merecem a verdade factual aqueles que perderam amigos e parentes e que continuam sofrendo como se eles morressem de novo e sempre a cada dia.

É como se disséssemos que, se existem filhos sem pais, se existem pais sem túmulo, se existem túmulos sem corpos, nunca, nunca mesmo, pode existir uma história sem voz. E quem dá voz à história são os homens e as mulheres livres que não têm medo de escrevê-la. Atribui-se a Galileu Galilei uma frase que diz respeito a este momento que vivemos: "a verdade é filha do tempo, não dá autoridade."

Eu acrescentaria que a força pode esconder a verdade, a tirania pode impedi-la de circular livremente, o medo pode adiá-la, mas o tempo acaba por trazer a luz. Hoje, esse tempo chegou.

Piratini decide bancar pagamento dos professores

14 de maio de 2012 17

Piratini decide bancar pagamento dos professores   Apesar da decisão judicial que não reconhece o acordo entre o governo e o Ministério Público, o governo gaúcho depositou no Banrisul os R$ 9,5 milhões para pagamento da diferença aos 34.789 professores que recebem abaixo do piso nacional de R$ 1.451 por 40 horas semanais de trabalho. O dinheiro estará disponível amanhã na conta dos professores.

chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, diz que o governo vai recorrer da decisão do juiz José Antônio Coitinho, mas ainda estuda o processo para saber qual é o instrumento adequado.

Embora o juiz diga que a decisão não impede o governo de pagar os professores, a interpretação da Procuradoria-Geral da Assembleia é de que o governo não pode fazer esse pagamento sem autorização do Legislativo. Pestana insiste na visão do governo de que é desnecessário encaminhar projeto à Assembleia.

Dos 34.789 professores que terão alguma parcela a receber, 25.683 são inativos e 9.106, ativos. Por faixa, os valores estão assim distribuídos:

- Até R$ 100 - 2.113 professores
- De R$ 100 a R$ 200 - 7.553 professores
- De R$ 200 a R$ 300 - 11.233 professores

- De R$ 300 a R$ 400 - 9.902 professores
- Acima de R$ 400 - 4.808 professores  

Esses númeors mostram que 72% dos professores contemplados receberão acima de R$ 200. Pestana diz não compreender a decisão do Cpers, que tentou embargar o pagamento do que ele considera uma antecipação salarial:

- Quero ver o que o Cpers vai dizer a esses professores se a Justiça decidir que eles te~rão de devolver o dinheiro, ficar anos sem receber e ainda correr orisco de ver o passivo se transformar em precatório.

Decisão judicial não impede pagamento a professores

14 de maio de 2012 13

Atenção, professores. Estava errada a interpretação segundo a qual a decisão do juiz José Antônio Coitinho impedia o Estado de pagar amanhã o complemento aos mais de 32 mil professores que ganham abaixo de R$ 1.451 por 40 horas semanais de trabalho. O juiz considerou nulo o acordo feito entre o governo o Ministério Público, mas negou liminar ao Cpers, que tentava impedir o depósito do chamado completivo, previsto para amanhã.

"Não há prejuízo nenhum no pagamento de R$ 1.451,00, acordado entre o Ministério Público e o Estado, para todos os professores gaúchos que ganham menos do que este valor. Este pagamento não importa em dano irreparável aos professores, nem tampouco em homologação de acordo de vontades", afirmou o magistrado.

Na decisão, o juiz também explica que o pagamento não vai modificar o que já foi decidido pelo STF.

Resumindo, o juiz não reconhece a validade do acordo entre o governo e o MP, para pagamento da diferença a quem recebe menos de R$ 1.451, mas não determina a suspensão do pagamento.

Daqui a pouco, o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, e o secretário da Educação, Jose Clovis Azwevedo, darão entrevista para informar o que o governo pretende fazer.

Vela aqui o texto do magistrado:

"Vistos. Trata-se de Embargos Declaratórios opostos por CENTRO DOS PROFESSORES DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL _ SINDICATO DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO _ CPERS contra a decisão de fls.302/303 que homologou o acordo parcial firmado entre o Estado do Rio Grande do Sul e o Ministério Público Estadual, na condição de terceiro interessado. Narra o CPERS que, em 24/04/2012, as partes da presente ação civil pública firmaram acordo parcial para o pagamento imediato de parcela completiva ao vencimento básico dos professores que recebem valor inferior ao piso nacional. Tal acordo foi homologado pela decisão que ora vai embargada (fls.302/303). Sustenta, outrossim, que: o mecanismo utilizado pelo acordo parcial e temporário esvazia o intuito do pactuado, pois não visa adequar a conduta às exigências legais, mas corroborar a ilegalidade de forma parcial e temporária; a decisão de homologação de acordo cria uma contradição ao exposto na sentença prolatada; resta inafastável a contradição existente na decisão que, em especial em pontos grifados, demonstram o total desacordo do texto com o direito pleiteado; resta cristalina a condenação entre a sentença e o acordo parcial, relativizando a sentença proferida. Salienta a existência de contradição e obscuridade apresentadas na decisão, referindo que o Poder Judiciário, ao proferir decisão diversa daquilo que foi decidido no mérito, chancela estabelecimento do critério de base de cálculo diverso para o pagamento do piso dos servidores. Postula, ao final, o acolhimento dos presentes embargos declaratórios, esclarecendo as contradições e obscuridades apontadas. RELATADO. DECIDO. Inicialmente saliento que, nos termos do artigo 499 do Código de Processo Civil1, há possibilidade de interposição do recurso pelo terceiro prejudicado, pois devidamente demonstrado o seu interesse em intervir na relação submetida à apreciação judicial. O recurso será analisado, sendo os presentes embargos declaratórios conhecidos. É do Ministério Público o mérito de todos os incontáveis avanços que os Professores Gaúchos já obtiveram em decorrência da propositura da presente demanda. Não fosse a coragem do ¿Parquet¿, o Governo Estadual não teria cedido em tudo o que notoriamente já cedeu. Entretanto, quanto ao acordo celebrado, no meu sentir, operou em equívoco técnico jurídico. Em ação civil pública, quando o Ministério Público é autor, na condição de substituto processual, não pode ser celebrado acordo. É o que ensina o Ministro do STJ Teori Albino Zavascki, in verbis: "...a legitimação para agir conferida ao Ministério Público nos casos de ação civil atende sempre o interesse público. Este interesse é indisponível, dado que o direito substancial derivado do interesse público é indisponível. Isso vale ainda que se trate de direito meramente patrimonial, pois, legitimado o Ministério Público para vir a juízo agir na defesa desse interesse, ele se transforma de privado em público. Logo, o Ministério Público não poderá praticar atos que importem disposição do direito material como, V.g., a renúncia ao direito, a confissão, a transação...¿(Revista de Informação Legislativa, v.29, n.114, p.149-156). É exatamente o que ocorre neste processo. Trata-se de ação civil pública movida pelo Ministério Público contra o Estado, buscando o cumprimento de Lei Federal. O pedido foi julgado procedente, determinando-se que o Estado obedeça à Lei. Não pode ser celebrado acordo entre as partes. O direito do Povo Gaúcho ao cumprimento da Lei Federal é indisponível. Uma vez determinado pelo Poder Judiciário que seja cumprida a Lei do Piso, ninguém está autorizado a dispor deste direito. O cumprimento da Lei consubstancia-se em direito indisponível dos cidadãos. O raciocínio lógico conduz à conclusão de que o Ministério Público não está autorizado a acordar em ação civil pública onde se pleiteia cumprimento de lei federal. Façamos o raciocínio. Primeira premissa: O Ministério Público não pode alterar texto legal; Segunda premissa: Transigindo em ação civil, que busca cumprimento de lei, permitirá que esta seja cumprida somente em parte, alterando o texto legal; Conclusão: Não pode transigir em ação civil pública onde se busca o cumprimento de lei. O acordo, na melhor hipótese, uma vez homologado, irá tumultuar o cumprimento da decisão, senão inviabilizar. Com certeza dará lugar a infindáveis discussões jurídicas. Senão vejamos: Em que pese, no início do instrumento de composição (fl. 300), estar expresso que as partes não transigem, de extrema relevância consignar que o Ministério Público está renunciando ao direito a todas as diferenças salariais dos professores gaúchos, desde a data em que foi firmado o acordo até final decisão do processo, no mínimo. Explico. Toda diferença entre o que deveriam receber os educadores, em decorrência da sentença e da Lei, e o que receberão em razão do acordo, não poderá ser pleiteado por estes na medida em que restou acordado a vigência de uma ¿parcela completiva¿. Se o autor concorda com a vigência do que chamou de ¿parcela completiva¿, evidentemente não terão direito, os professores, a tudo que lhes seria devido e que ultrapassasse tal ¿parcela¿. Outro problema. No instrumento está previsto que vigorará ¿...enquanto mantida a sentença proferida na presente ação civil pública...¿ (fl. 301). Ocorre que se a sentença não for reformada, o acordo produzirá efeitos eternamente. Vale dizer, se a decisão de primeiro grau for mantida e especialmente nesta hipótese, os direitos emergentes do processo irão se limitar ao acordo e não à decisão. Além do mais, em razão da mesma redação dúbia (¿...enquanto mantida a sentença proferida na presente ação civil pública...¿), o acordo agregará efeito suspensivo aos recursos especial e extraordinário manejados, eventualmente, pelo Estado. Estes recursos, em regra, não tem efeito suspensivo. Todavia, o acordo, como foi proposto, impedirá a execução do julgado enquanto perdurar a sentença, o que, aliás, como já foi posto, poderá gerar efeitos eternamente. Assim, a homologação do acordo, na melhor hipótese, irá tumultuar o cumprimento de decisão judicial. Na pior, irá corresponder a negar aos professores os direitos emergentes da Lei do Piso. Quanto ao Estado, pode _ deve _ obedecer à Lei. Se tem intenção de cumprir o compromisso que assumiu no acordo com o "Parquet", nada o impede. Pague R$ 1451,00 a quem percebe menos. Por certo não estará cumprindo integralmente o que foi decidido pelo Judiciário, mas, em algum aspecto, estará beneficiando pessoas. Agrego efeito infringente aos embargos de declaração interpostos pelo CPERS. Indefiro pedido de homologação do acordo, revogando decisão interlocutória das folhas 302 a 303/verso. Intimem-se partes e terceiro prejudicado, que deve ser cadastrado."