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O que os candidatos propõem para as pessoas com deficiência

24 de outubro de 2014 2

Por Cristiely Carvalho

Dois meses de horário eleitoral gratuito mostraram muitos embates e algumas propostas: sobre saúde, educação, economia e infraestrutura. No entanto, faltaram ideias para 24% da população brasileira, cerca de 46 milhões de pessoas com deficiência.

Na terça-feira, mandamos perguntas para as equipes dos candidatos à Presidência e ao governo do Estado para conhecer as propostas até então escondidas ou indefinidas. Os questionamentos foram elaborados de forma colaborativa, junto a deficientes que enviaram questões de forma voluntária. Confira, abaixo,
o que cada candidatura propõe.

Aécio Neves (PSDB)

A assessoria declarou que as pessoas com deficiência sempre serão incluídas nas áreas que tiverem aplicação de investimento. Uma das propostas é a revisão de critérios para mpliação da concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC), visando a beneficiar quem necessita de órteses ou medicamentos de alto
custo.

Com o programa Brasil Acessível, proposto pelo candidato, materiais utilizados para a criação de tecnologias, bem como seus aparelhos, dispositivos e equipamentos, terão impostos reduzidos, a fim de diminuir os preços. A educação será contemplada com grandes investimentos, promete o candidato, visando à capacitação de professores para atender às necessidades desse público, juntamente com a melhoria das condições de acessibilidade das escolas.

Reduzir o número de deficientes trabalhando na informalidade é uma das metas de Aécio. Para atingir o objetivo, o candidato propõe a criação de auxílio-inclusão a quem ingressar no mercado de trabalho, estimulando a produtividade.

Dilma Rousseff (PT)

O destaque apontado pela campanha é o programa Viver sem Limite, criado pelo Governo Federal em 2011, que busca promover autonomia e igualdade de oportunidades as pessoas com deficiência. No campo educacional, além da criação das salas multifuncionais equipadas, a assessoria enfatiza a criação de cursos de bacharelado e licenciatura de Letras-LIBRAS em 13 universidades federais.

A novidade fica por conta da política pública voltada para cães-guia, com a criação de sete institutos tecnológicos, para o treinamento desses animais, que auxiliam na busca do deficiente visual por independência. Na promoção de tecnologias acessíveis, funciona na UNICAMP o Centro Nacional de Referência de Tecnologia Assistiva, que coordena a criação de novos equipamentos em benefício desse grupo.

Caso eleita, a candidata propõe a ampliação do Minha Casa Minha Vida 3, seguindo o modelo de residências adaptáveis em todos os empreendimentos entregues pelo governo federal. O aprimoramento das ações existentes e a continuidade das políticas de inclusão estão entre as metas de Dilma.

José Ivo Sartori (PMDB)

De acordo com a campanha, é possível maximizar a inclusão desenvolvendo projetos com forte participação do Estado. A capacitação do quadro atual de professores é uma das principais propostas do candidato para o apoio necessário aos estudantes que possuem deficiência.

Caso eleito, Sartori compromete-se a contemplar as normas estruturais de acessibilidade em obras desenvolvidas pelo Estado. A fiscalização de empreendimentos já existentes sob responsabilidade do Rio Grande do Sul também faz parte de suas metas.

De acordo com a assessoria do candidato, quando a integração do deficiente à sociedade for plena, não haverá a necessidade de um programa voltado exclusivamente a esse público. A equipe de campanha lamentou a ausência desse tema durante o horário eleitoral, no entanto afirma estar atenta aos anseios desse importante grupo da sociedade.

Tarso Genro (PT)

Na resposta, a assessoria ressalta os investimentos do programa RS Sem Limites, criado em 2012, seguindo os moldes do programa do governo federal Viver sem limites. As atividades esportivas adaptadas e os banhos de mar assistidos fizeram parte do projeto Praia Acessível, que segundo a proposta, deve manter-se pelos próximos anos.

Os investimentos na recuperação física das escolas estaduais e a formação de professores e gestores para o atendimento aos alunos com deficiência fazem parte de algumas ações já aplicadas por Tarso em sua gestão. O acesso aos serviços públicos estaduais e a facilitação da comunicação serão oportunizados pela Central de Interpretação de Libras,, com instalação prevista para novembro.

A novidade é a proposta da criação de rotas acessíveis nas cidades gaúchas, em parceria com o governo federal. A assessoria de campanha do petista promete aprofundar as políticas públicas existentes.

Ibope e Datafolha mostram vantagem de Dilma sobre Aécio

23 de outubro de 2014 23

Mais uma vez, os indícios de que a presidente Dilma Rousseff tinha avançado nas pesquisas vieram pelo mercado financeiro, antes da divulgação do Ibope e do Datafolha: o dólar foi a R$ 2,51 e atingiu o maior valor desde 2005. A bolsa caiu 3,24% e passou a ter perdas no acumulado do ano. Quando as pesquisas foram enfim divulgadas, veio a confirmação: Dilma se distanciou de Aécio Neves e agora lidera no Datafolha e no Ibope, fora da margem de erro.
No Ibope, a presidente tem 49% das intenções de voto e o senador, 41%. No Datafolha, Dilma tem 48% e Aécio, 42%. Além disso, dois dados mostram que o cenário é mais favorável para Dilma: a avaliação do governo melhorou e a rejeição de Aécio subiu de 35% para 42% no Ibope e de 34% para 41% no Datafolha.
Pesquisa não substitui eleição, a margem de confiança é de 95% e a margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. Isso significa quen ão se pode considerar a eleição decidida, mas a curva de evolução dos números mostra que, hoje, Dilma é favorita.
Como se explica a virada, já que os dois começaram o segundo turno tecnicamente empatados, mas com Aécio à frente? Com base nas pesquisas pode-se afirmar que os debates, com ataques de parte a parte, acabaram favorecendo Dilma, porque uma parcela do eleitorado considerou inaceitável a forma como Aécio tratou ua presidente,  quando a chamou de mentirosa e leviana. Não se pode desprezar, também, o peso da falta de água em São Paulo, explorada na propaganda do PT, e a importância de ter dois palanques no Rio, onde Aécio não tem nenhum.

PMDB tenta evitar confronto de militantes

23 de outubro de 2014 8

O vice-prefeito Sebastião Melo está recomendando aos militantes que não façam concentração em frente ao prédio da RBS TV hoje à noite, durante o debate entre os candidatos José Ivo Sartori e Tarso Genro. O PMDB está preocupado com a possibilidade confronto entre militantes das duas candidaturas, depois do clima tenso no encontro de ontem em frente ao prédio da Rádio Guaíba.
A campanha de Sartori alinha outros motivos de preocupação: o arrombamento do comitê de Sartori na Avenida Padre Cacique, durante a madrugada, apesar dos indícios de que se  tratou de vandalismo e furto de cadeiras, e a apreensão, pelo Tribunal Regional Eleitoral, de material apócrifo, com ataques à candidatura do PMDB.

Repúdio ao uso indevido do meu nome na propaganda

23 de outubro de 2014 19

Depois que notificamos o PT e a Justiça Eleitoral, saiu do ar o trecho da propaganda de Tarso Genro que usava _ sem a nossa autorização _ parte de comentário que eu, Daniel Scola e Carolina Bahia fizemos no Atualidade na web, um programa exclusivo na internet. Pois para a minha surpresa, a nossa imagem reapareceu na propaganda, agora no espaço de José Ivo Sartori. A diferença é que pegaram o trecho da propaganda de Tarso, tiraram a nossa voz e puseram um “selo” com a palavra “falsidade”, na tentativa de confundir os eleitores.

Repudio o uso indevido da minha imagem na propaganda dos dois candidatos. A campanha de Sartori também não nos pediu autorização para utilizar nossa imagem e está sendo notificada, como foi a campanha de Tarso Genro. Além de violar o direito autoral, considero o  uso desse material é um desrespeito ao meu trabalho como jornalista.

Pedido auxílio-moradia para juízes aposentados

23 de outubro de 2014 7

Em petição encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) pede que o pagamento de auxílio-moradia de R$ 4,3 mil seja estendido aos juízes e desembargadores aposentados. A entidade defende a tese de que magistrados ativos e inativos devem ter paridade entre os vencimentos.
Na decisão que liberou o pagamento do benefício, o ministro Luiz Fux autorizou que aposentados recebessem o auxílio. Depois, o Conselho Nacional de Justiça regulamentou que deveria ser pago apenas aos juízes ativos. O STF ainda não se manifestou sobre o pedido da AMB.

Em memorando enviado ontem aos servidores do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, o presidente José Aquino Flôres de Camargo assumiu o que alguns juízes ainda tentam esconder e escreveu que o auxílio-moradia é “recomposição salarial”.

De outra parte, o conselheiro do Tribunal de Contas Estilac Xavier firmou posição contra o auxílio-moradia de magistrados e membros do Ministério Público. Estilac diz que, se for estendido aos conselheiros do TCE, vai renunciar ao benefício, por considerá-lo ilegítimo e sem base legal.

 

Calendário eleitoral faz obras saírem do papel

23 de outubro de 2014 7

ABERTURA DE POLÍTICA+, QUINTA-FEIRA

Se todo ano fosse eleitoral, é possível que as obras atrasadas desencantassem. Foi aproximar-se a eleição e duas construções reivindicadas há anos pelos gaúchos começaram a andar: a ponte do Guaíba e a duplicação da BR-290 entre Eldorado do Sul e Pantano Grande. O ministro dos Transportes, Paulo Passos, assinou ontem a ordem de início para a duplicação de três dos quatro lotes da BR-290. Isso significa que os vencedores da licitação podem começar a derrubar a vegetação e fazer a terraplenagem.
As empresas que receberam a ordem de início ontem têm 41 meses para concluir o trabalho, mas não há previsão para o começo da duplicação no lote 1, que ainda depende de autorização da Funai, por abrigar uma comunidade indígena.
A expectativa é de que não se repita na BR-290 o impasse que atrasou a duplicação de um trecho da BR-386, entre Tabaí e Estrela, por falta de entendimento entre o Dnit e a Funai em relação a uma comunidade indígena. A maior parte da obra foi concluída e liberada ao tráfego, mas o trecho restante está recém no início.
O deputado Paulo Pimenta (PT), que acompanhou a assinatura no Ministério dos Transportes, acredita que será mais fácil um acordo com a Funai na BR-290 do que foi na BR-386 e na duplicação da BR-116, entre Eldorado do Sul e Pelotas.
Junto com a Rodovia do Parque (BR-448), a duplicação dessas três estradas integra um conjunto de obras com as quais o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff se comprometeram. De todas, Dilma só conseguiu inaugurar a BR-448, entre Porto Alegre e Sapucaia do Sul. Nos últimos dias, o governo também autorizou a abertura de licitação para estendê-la até Portão.
Além de concluir essas obras, o próximo governo terá de pensar em outra duplicação estratégica para o escoamento da produção no Rio Grande do Sul: a da BR-386, a partir de Lajeado em direção ao Norte. Se não há como fazer com recursos públicos, que se inclua num programa de concessões, porque não há pedágio mais caro do que as vidas que se perdem nos acidentes.

Sartori consolida vantagem no Ibope

22 de outubro de 2014 48

Apesar de Tarso Genro ter crescido três pontos percentuais entre a última pesquisa do Ibope e a mais recente, divulgada ontem, a vantagem do candidato José Ivo Sartori se solidificou. Com 53% das intenções de voto, contra 37% de Tarso, Sartori tem uma folga superior à soma dos indecisos (3%) e dos que pretendem votar branco ou nulo (7%). Os resultados indicam que os debates não provocaram alteração significativa no quadro eleitoral.
A pesquisa foi realizada entre os dias 18 e 20, antes, portanto, da brincadeira de Sartori com o piso salarial do magistério, um dos assuntos mais comentados nas redes sociais por ação dos militantes da campanha de Tarso. Sartori acusou o PT de tirar a afirmação do contexto, mas reconheceu que foi um erro dizer, em uma entrevista ao portal Terra, que piso se consegue na Tumelero, e pediu desculpas aos professores.
Assim como na semana passada,  os índices de Tarso são compatíveis com o de eleitores que consideram seu governo bom ou ótimo: 38%. Quando a pergunta é se o eleitor aprova ou desaprova o modo de governar de Tarso, a resposta é que 47% aprovam e 45% reprovam.
Sartori segue surfando na onda antipetista que o levou ao segundo turno. O “efeito Teflon”, usado durante muito tempo para explicar por que nada colava no
ex-presidente Lula, ajuda a entender por que os ataques do PT na propaganda eleitoral não atingem o candidato. A campanha dele aposta na mudança, mesmo sem deixar claro o que pretende mudar se for eleito.
Cada eleição tem uma lógica própria, mas, para efeito de comparação, na última vez que o Rio Grande do Sul teve segundo turno, em 2006, a pesquisa do Ibope de cinco dias antes da eleição mostrava Yeda Crusius com 55% e Olívio Dutra com 35%. No resultado final, Yeda foi eleita com 51,54% contra 44,01% de Olívio.

Tarde demais, senhores ministros

19 de outubro de 2014 77

Agora que a campanha eleitoral está se aproximando do final, o Tribunal Superior Eleitoral resolveu exigir respeito dos candidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves. A decisão chega tarde: a eleição é no próximo domingo e, mesmo que cada propaganda agressiva seja retirada do ar, ela já cumpriu seu papel de desqualificar o adversário.
O debate do SBT, que ultrapassou todos os limites em matéria de agressividade, fez o presidente do TSE, Dias Toffoli, rever a posição passiva adotada até então. A campanha de cada candidato editou o debate de forma a mostrar as fraquezas do oponente. O TSE não gostou, e vários comerciais dos dois candidatos foram proibidos nos últimos três dias. Agora, Dilma não pode insinuar que Aécio estava bêbado ou drogado quando se recusou a soprar o bafômetro numa blitz da Lei Seca no Rio de Janeiro. Aécio não pode dizer que o irmão de Dilma, Igor Rousseff, foi contratado pela prefeitura de Belo Horizonte, mas nunca apareceu para trabalhar.
O TSE pode arbitrar o que é aceitável ou não na propaganda, mas não tem como impedir que nos debates os candidatos se ataquem. Dilma e Aécio têm falado mais de passado do que de futuro.
É evidente que Aécio vai continuar falando da Petrobras, porque sabe que os desvios denunciados por Paulo Roberto Costa desgastam Dilma, embora possam respingar no PSDB por conta de um suposto pagamento de propina a Sérgio Guerra, que não está aqui para se defender. Também é evidente que Dilma vai lembrar os escândalos da época do governo Fernando Henrique Cardoso, como compra de votos para a reeleição, Sivam e Pasta Rosa, Alstom e mensalão tucano, casos em que ninguém foi punido.
O risco que Aécio e Dilma correm ao persistir na política do ataque é o de ampliar a aversão dos eleitores à política, com o aumento da abstenção e dos votos brancos e nulos. No primeiro turno, 38,7 milhões de eleitores não escolheram candidato.

Não autorizo o uso de meu nome em propaganda eleitoral

19 de outubro de 2014 56

Com razão, leitores de ZH e ouvintes da Rádio Gaúcha me escrevem questionando o uso de uma frase minha na propaganda eleitoral de Tarso Genro, na tentativa de prejudicar seu adversário, José Ivo Sartori. Esclareço que não autorizei o uso do meu nome na propaganda de quem quer que seja e considero falta de respeito pinçar uma frase de comentário meu e utilizá-la contra um candidato. A RBS está notificando o PT para que suspenda a utilização desse trecho do meu comentário e de outros programas dos veículos do Grupo.

Tenho mais de 30 anos de profissão, nunca me vinculei a partido político e considero a independência o meu maior patrimônio. Ao utilizar minha voz na propaganda de Tarso Genro, sem autorização, o PT, que com frequência critica meus comentários, tenta induzir os eleitores a acharem que gravei essa propaganda. O argumento de que tudo o que vai ao ar se torna de domínio público não convence: a utilização de uma fala minha na propaganda eleitoral denota intenção de confundir os eleitores.

Dos comentários que fiz no primeiro turno é possível extrair trechos contra a e a favor de todos os candidatos, porque não tenho compromisso com nenhum deles. Também contra a minha vontade, a campanha de José Ivo Sartori utilizou no primeiro turno um recorte da coluna Política+, no qual eu destacava a sinceridade do candidato por não assinar a carta elaborada pelo Cpers, se comprometendo com o pagamento do piso do magistério e com outras demandas da categoria.

Agradeço a solidariedade dos leitores que me escreveram alertando para o uso indevido de um trecho de comentário feito na Rádio Gaúcha.  Reafirmo que não autorizo o uso do meu nome na propaganda eleitoral e seguirei fazendo meu trabalho com independência e respeito ao público.

Desafio de quem se eleger será reconciliar o país

16 de outubro de 2014 51

Não é só nos debates entre Dilma Rousseff e Aécio Neves que o clima de MMA se expressa nesta eleição: a pancadaria se multiplica nas redes sociais e já afeta as relações pessoais. Eleitores fanáticos de um candidato agem como se quem votar no outro fosse um idiota ou estivesse vendido. Nesse clima de desrespeito generalizado, o primeiro desafio de quem for eleito em 26 de outubro será reconciliar um país dividido
ao meio.
Os candidatos se acusam mutuamente de mentir – e fizeram isso incontáveis vezes no debate do SBT. Atacam-se como cães ferozes e estimulam a guerrilha na internet. Os seguidores de cada um vibram com cada golpe abaixo da cintura e reproduzem o comportamento agressivo nas relações com os amigos. Compartilham boatos sem se perguntar se os amigos querem receber conteúdo de baixo nível, desrespeitam a opção do outro desqualificando seu candidato e semeiam ódio nas redes sociais. Na cracolândia digital, eleitores de Aécio são “coxinhas” e quem vota em Dilma é “petralha”, duas palavras reveladoras da falta de argumento para o debate de ideias.
A ameaça de José Pedro Stédile, líder do MST, de promover “guerra” se Aécio for eleito é uma tentativa de intimidar os eleitores. É tão condenável quanto a agressão sofrida pelo ator Gregório Duvivier, em um restaurante do Rio, por pessoas que o rotularam como petista.  O ator Dado Dolabella, condenado por agressão a mulheres, chegou a escrever em seu Facebook que alguém dizer que está com Dilma é equivalente a falar que está com ebola e que deveria ser “isolado da sociedade”.
Esse país dividido terá de aceitar a vitória de um ou de outro. O vencedor terá de governar para todos e não apenas para seus eleitores. Ao perdedor caberá fazer oposição responsável, para não acirrar ainda mais os ânimos e jogar o país numa crise institucional.
Um dos coordenadores da campanha de Dilma, o ex-ministro Miguel Rossetto, diz que não existe risco de crise institucional.

–  Este país tem uma cultura democrática consolidada – minimizou Rossetto.

Na onda de Sartori

16 de outubro de 2014 47

Antes de conhecer o resultado da pesquisa do Datafolha que o coloca 17 pontos à frente de Tarso Genro, José Ivo Sartori, seus assessores e os líderes do PMDB eram só otimismo na passagem do candidato pelos veículos da RBS. Sartori surfa na onda da mudança e do antipetismo e, assim, pode dar-se o luxo de disputar o segundo turno sem dizer exatamente o que fará se for eleito.

Nas entrevistas ao longo do dia, o candidato peemedebista foi evasivo em relação aos temas mais polêmicos, como as áreas que serão alvo do corte de despesas, as medidas que pretende adotar para reduzir o déficit da previdência e a necessidade de mudar o plano de carreira do magistério para pagar o piso salarial. Vagamente, indicou que haverá redução de despesas com viagens e insistiu na necessidade de equilibrar as contas.

Como havia feito Tarso Genro em seu dia na RBS, Sartori prometeu melhores serviços públicos, valorização do magistério, saúde de qualidade e investimentos em infraestrutura. Faltou dizer qual é a mágica financeira, considerando-se que o Estado hoje gasta mais do que arrecada e as despesas mais pesadas (dívida, previdência e folha de pagamento dos servidores de carreira são irredutíveis). As respostas mais objetivas se referem aos investimentos: a aposta é nas parcerias público-privadas para estradas, com cobrança de pedágio, saneamento e até presídios.

A pesquisa do Datafolha indica que José Ivo Sartori conquistou quase todos os votos de Ana Amélia Lemos (PP). Da votação no primeiro turno (35,66% dos votos) para o índice de 52% no Datafolha, Sartori ganhou 16,34 pontos. Ana Amélia teve 19,24%. Tarso cresceu 6 pontos em relação à votação obtida no primeiro turno. De acordo com o Datafolha, ainda há 7% indecisos e 6% dispostos a votar em branco ou anular o voto.

Se forem considerados apenas os votos válidos, Sartori tem 60% e Tarso, 40%.

Destaques da pesquisa

Uma das explicações para a virada de José Ivo Sartori, que na semana anterior à eleição estava em terceiro nas pesquisas, está no momento em que o eleitor decidiu o voto. Nada menos do que 17% dos entrevistados pelo Datafolha fizeram sua opção na véspera ou no dia da eleição.

O Datafolha também mediu o grau de convicção dos eleitores de cada um dos dois candidatos e a rejeição. Do total de entrevistados, 50% disseram que, com certeza, votariam em Sartori. Outros 25% responderam que poderiam votar, Só 20% disseram que não votariam nele de jeito nenhum. A rejeição a Tarso é de 41%, superior ao índice de eleitores que, com certeza, votariam no governador (32%). Uma parcela de 22% diz que talvez votasse em Tarso.

O índice de intenção de voto de Tarso (35%) é ligeiramente inferior ao dos 36% que consideram o governo bom ou ótimo.
O dado mais impressionante do Datafolha é que Sartori está à frente em todas as faixas de idade, renda e grau de instrução. Ganha de goleada no Interior e supera o governador inclusive em Porto Alegre e Região Metropolitana, tradicionais redutos do PT.

INTENÇÃO DE VOTO E
REJEIÇÃO DE JOSÉ IVO SARTORI
Votaria com certeza 50%
Talvez votasse 25%
Não votaria de jeito nenhum 20%
Não sabe/Não respondeu 5%

INTENÇÃO DE VOTO E
REJEIÇÃO DE TARSO GENRO
Votaria com certeza 32%
Talvez votasse 22%
Não votaria de jeito nenhum 41%
Não sabe/Não respondeu 4%

VANTAGEM NO INTERIOR
55% dos eleitores do Interior disseram que votarão em Sartori. Tarso tem 33% das intenções de voto nesta fatia do eleitorado.

COM ANTECEDÊNCIA
58% dos entrevistados pelo Datafolha disseram que escolheram em quem votar para governador pelo menos um mês antes do
primeiro turno.

EM CIMA DA HORA
17% dos eleitores decidiram o seu candidato ao Piratini na véspera ou no próprio dia do primeiro turno.

MAIORIA SABE
75% dos entrevistados pelo Datafolha acertaram o número do seu candidato na sondagem. Outros 21% não sabem os dígitos.

NOTA DO GOVERNO TARSO
5,9 é a média atribuída pelos eleitores ao governo petista. É a mesma nota da última pesquisa.

Candidatos medem força em debate

14 de outubro de 2014 28

Frente a frente na Rádio Gaúcha, no primeiro debate do segundo turno, os candidatos Tarso Genro (PT) e José Ivo Sartori (PMDB) apresentaram, durante uma hora e meia, suas credenciais para disputar o voto dos eleitores. Apesar do clima cordial nos bastidores, Tarso jogou no ataque o tempo todo, vinculando Sartori aos governos de Antônio Britto e Yeda Crusius e ignorando os de Pedro Simon e Germano Rigotto. Sartori manteve a estratégia de evitar o confronto, mas distribuiu alfinetadas e, no fim, avisou:
– Fraternalmente, quero lhe dizer que não vou deixar nada sem resposta nem transferir responsabilidades ou buscar culpados pelas dificuldades do momento.
Em um ponto, os candidatos foram convergentes: não há como administrar o Estado sem renegociar a dívida e reduzir a parcela repassada todos os meses à União. Nenhum dos dois apresentou um plano B para o caso de não ocorrer a renegociação: os dois acreditam que o acordo sairá por conta da afinidade com os candidatos que apoiam na eleição presidencial.
Sartori chamou Tarso de arrogante e disse que, se for eleito, vai manter tudo o que está dando certo no governo atual. Defendeu o equilíbrio das finanças, mas não indicou onde pretende cortar gastos e prometeu a nomeação de mais policiais e a valorização dos servidores públicos.
Uma diferença ficou evidente no discurso dos dois, quando Tarso questionou Sartori sobre a política de valorização do piso regional, criticada pelo vice de Sartori, José Paulo Cairoli. Sartori respondeu que quem vai governar é ele, não o vice. Sustentou que a correção do piso não é política pública e que o governo deve ser o mediador na discussão entre empregados e empregadores. Tarso retrucou que é política pública, sim, e que o aumento real do piso movimenta a economia.

Como Tarso quer atrair os eleitores

13 de outubro de 2014 86

ABERTURA DE POLÍTICA+, TERÇA-FEIRA

Um dia inteiro de entrevistas a veículos do Grupo RBS permitiu aos eleitores do Rio Grande do Sul conhecer  melhor as armas do governador Tarso Genro para tentar conquistar um segundo mandato. Amanhã, será o dia de José Ivo Sartori cumprir o mesmo roteiro e explicitar os pontos ainda obscuros de seu programa
de governo,
Nas entrevistas, Tarso defendeu a lógica de seus quatro anos de mandato: aumentar os gastos públicos para fomentar o crescimento da economia e, assim, enfrentar a crise estrutural do Estado. Disse que, se reeleito, vai tomar novos empréstimos para investimentos, aproveitando o “espaço fiscal” a ser aberto com a aprovação do projeto de reestruturação da dívida do Estado, previsto para ser votado em novembro.
Ao longo do dia, o governador repetiu várias vezes a frase síntese de sua resposta à afirmação de Sartori de que não se pode fazer campanha olhando pelo retrovisor: olhar para trás é necessário para evitar a repetição de desastres. Entre os “desastres” dos governos do PMDB ou apoiados por Sartori, Tarso cita a forma como a CEEE foi privatizada e as cláusulas do contrato de renegociação da dívida, dois episódios da gestão de Antônio Britto.
A cada pergunta sobre problemas que seu governo não conseguiu resolver, Tarso respondia citando o que fez e a forma como recebeu a área em questão – das estradas à saúde, passando pelo magistério e pela segurança pública.
O governador repetiu a teoria expressa em dois vídeos gravados por ele no fim de semana e divulgados nas redes sociais, de que existe uma “conspiração política em curso para manipular a vontade eleitoral no segundo turno” e impedir a vitória da presidente Dilma Rousseff. Essa conspiração teria por base a divulgação de trechos da Operação Lava-Jato, que investigou denúncias de corrupção na Petrobras.

Curiosidades da eleição

06 de outubro de 2014 109

A exigência de reserva de 30% das vagas de candidato para as mulheres não contribuiu para melhorar a representação feminina. Em 2010, o RS elegeu duas deputadas federais e sete estaduais. Neste ano, uma federal e sete estaduais.

Três deputados foram eleitos com a ajuda do capital político dos pais:
– Covatti Filho (filho de Vilson Covatti): eleito deputado federal.
– Sérgio Turra (filho de Francisco Turra): eleito deputado estadual.
– Tiago Simon (filho de Pedro Simon): eleito deputado estadual.

Os jovens candidatos autodeclarados indutores dos protestos de junho de 2013 fracassaram na eleição. Lucas Maróstica (PSOL), Matheus Gomes (PSTU) e João “Sem Medo” (PT) ficaram muito distantes do número de votos necessário para serem eleitos à Câmara. Matheus fez 11 mil votos, Lucas, 5,8 mil e João, 2,3 mil.

Auxiliado pela votação da sua coligação, o PV conseguiu eleger João Reinelli deputado estadual com apenas 9 mil votos. O índice é semelhante ao necessário para eleger um vereador na Capital.

Bola cheia: funcionou a dobradinha entre a dupla campeã da Libertadores de 1995 pelo Grêmio, Danrlei e Jardel. O primeiro foi reeleito deputado federal com 158,9 mil votos. Jardel vai debutar na Assembleia: fez 41,2 mil votos.

Bola murcha: alguns boleiros e ex-dirigentes fracassaram na tentativa de ingressar ou de manter-se na política. Paulo Odone (PPS), ex-presidente do Grêmio, ficou de fora. Sandro Sotilli (PSB), Dinho (PRB) e Tarcísio Flecha-Negra (PSD) não conseguiram a eleição.

Jornalistas e radialistas não conseguiram reproduzir, nas urnas, a popularidade em meios de comunicação. André Machado (PC do B) e Bibo Nunes (PSD) ficaram de fora da Câmara. Mauro Saraiva Jr. (PSDB), Paulo Borges (DEM) e Professor Nathanael (PTB) não conseguiram se eleger para a Assembleia.

Presidir a Assembleia é uma credencial e tanto para quem disputa a reeleição. Os quatro presidentes da última legislatura se reelegeram: Alexandre Postal fez 44,8 mil votos, Pedro Westphalen, 65,1 mil, Adão Villaverde, 31 ,9 mil, e Gilmar Sossella, 57,4 mil.

Uma reprise da eleição de 2002

06 de outubro de 2014 7

No dia 27 de fevereiro, quando José Ivo Sartori deu o sim ao PMDB e foi lançado pré-candidato a governador, no Hotel Laghetto Viverone, o discurso dos principais líderes era coincidente: repetir a façanha de Germano Rigotto, que em 2002 largou com 2% das intenções de voto e venceu a eleição. Sartori teve de disputar a indicação com Paulo Ziulkoski, venceu com mais de 70% dos votos dos delegados do PMDB e entrou na campaha disposto a quebrar a polarização entre Tarso Genro (PT) e Ana Amélia Lemos (PP). Até o início de setembro, as pesquisas indicavam que seria praticamente impossível a reprise de 2002: um mês antes da eleição, Sartori patinava na casa dos 11%, enquanto Ana Amélia estava com 38% e Tarso com 30%.
Graças a uma propaganda eficiente, que explorou sua condição de homem simples e gestor experiente, Sartori começou a ganhar terreno. Mesmo sem fazer promessas e sem apresentar um plano de governo detalhado, caiu nas graças do eleitor pela simplicidade. Já no primeiro programa, havia chamado a atenção ao falar de seu passado, apresentar a mãe e dizer que saiu da colônia, mas a colônia não saiu dele. Na campanha, ganhou de jovens simpatizantes o apelido de “Sartorão da massa”.
A classificação de Sartori para disputar o segundo turno com Tarso Genro se deve, também, à desidratação da candidatura de Ana Amélia Lemos. Atacada pelo PT por ter trabalhado como cargo de confiança do marido, o senador Octávio Cardoso, em 1986, e por não declarar à Justiça Eleitoral a propriedade de uma fazenda em Goiás, a candidata subestimou o efeito das denúncias. Só decidiu respondê-las no horário eleitoral quando começou a perder pontos nas pesquisas, mas era tarde.
Ana Amélia também foi vítima do salto alto. Estava tão certa da vitória que no debate da TV Pampa se despediu dizendo aos adversários que podiam espernear à vontade, que ela iria ganhar a eleição. A candidata já tinha decidido que moraria no Palácio Piratini e falava como se já estivesse eleita.