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Choque no bolso para despertar a consciência

31 de outubro de 2014 1

Haverá choro e ranger de dentes a partir deste sábado, quando entram em vigor os novos valores das multas para quem faz ultrapassagem em local proibido nas estradas. Não faltarão vozes para dizer que o sentido das multas, que tiveram aumento de até 900%, é meramente arrecadatório e que o ideal é educar os motoristas para que não cometam infrações. É verdade, mas, quando a educação não funciona, o choque no bolso é uma técnica eficaz para despertar a consciência.

Qualquer aprendiz sabe que, se existe uma placa de ultrapassagem proibida, é porque naquele ponto o desrespeito à regra coloca em risco a vida de quem faz a manobra e a de quem vem em sentido contrário. Na prática, motoristas experientes desafiam o perigo o tempo todo nas estradas e ultrapassam em curvas, sem enxergar o que está à frente, como se participassem de uma brincadeira de roleta-russa. Com o aumento do valor das multas, espera-se que os apressadinhos tenham mais cuidado.

As novas regras também têm por objetivo inibir os rachas e as ultrapassagens pelo acostamento, comuns até em vias duplicadas, quando se formam engarrafamentos. A multa para quem for flagrado ultrapassando pelo acostamento ficará sete vezes mais cara. Pula de R$ 127,69 para R$ 957,70. Para quem forçar uma ultrapassagem de risco a multa sobe 10 vezes: de
R$ 191,54 para R$ 1.915,40.

Para os motoristas envolvidos em rachas, a multa passará de R$ 574,62 para R$ 1.915,40, e as penas ficarão mais duras. Hoje, esses infratores são condenados a, no máximo, dois anos de reclusão. Com a nova lei, o tempo pode aumentar para seis anos, se houver lesão corporal, ou para 10, quando resultar em morte.

Autor do projeto apresentado em 2007, aprovado em maio e sancionado agora pela presidente Dilma Rousseff, o deputado Beto Albuquerque (PSB) justifica que 60% das mortes no trânsito ocorrem em choques frontais. Na maioria dos casos, diz ele, são provocadas por ultrapassagens indevidas.

No Brasil, as mortes por acidentes de trânsito aumentaram 41,7% em 10 anos. No Rio Grande do Sul, houve aumento de 16,9%.

Sarney, pesquisas e perguntas sem respostas

30 de outubro de 2014 8

Passada a eleição que deu o segundo mandato à presidente Dilma Rousseff e deixou inconformados os eleitores de Aécio Neves, o mercado financeiro começa a se acomodar. A elevação da Selic, que baliza os juros, derrubou o dólar e fez a bolsa subir, num dia em que os assuntos mais comentados da política foram o vídeo que mostra o voto de José Sarney, a pesquisa manipulada, que o PSDB usou na campanha, e os indícios de furo na “retificação” do depoimento do doleiro Alberto Yousseff, tema da reportagem de capa da revista Veja, transformada em panfleto contra Dilma.

A imagem do senador José Sarney hesitando em digitar o 13 e, por fim, apertando as teclas 4, 5 e confirma, ganhou o mundo. Porque Sarney não é um eleitor qualquer: é um aliado do governo Dilma, estava com adesivo da campanha dela e votou em Aécio. Ele diz que não é bem assim, o voto não mudou a eleição, mas o episódio revela o quão frágeis são os fios que tecem as alianças de ocasião.

Outro tema de debate no pós-eleição é a pesquisa de um certo Instituto Veritá, que Aécio usou no seu programa para dizer que estava na frente. Soube-se agora, pela Folha de S.Paulo, que os marqueteiros sabiam da fragilidade dos números, e mesmo assim, optaram por alardear uma superioridade que Aécio não tinha em Minas. Foi gol contra, porque o tucano perdeu em seu Estado, mas o episódio abre uma nova frente de questionamento às pesquisas e ao uso dos resultados na propaganda.

Por fim, a questão mais relevante: a delação premiada de Alberto Yousseff e o adendo que garantiu a capa da Veja, dizendo que Lula e Dilma sabiam das vigarices na Petrobras, tema da primeira  pergunta de Aécio no debate da Globo. Aqui sobram perguntas sem resposta: Lula e Dilma sabiam ou não? Por que o doleiro não disse antes? Apresentou alguma prova? Fez o acréscimo a pedido de quem e com que objetivo?

Se Dilma, Lula ou os dois sabiam dos desvios na Petrobras, isso não pode ficar apenas no que o doleiro teria dito em um depoimento adicional às vésperas da eleição. Até para a necessária reconciliação pós-eleitoral o Brasil tem o direito de saber o que é verdade e o que foi apenas munição eleitoral.

Café quente até o último dia

30 de outubro de 2014 23

ABERTURA DE POLÍTICA+, QUINTA-FEIRA
Os últimos dois meses do governo Tarso Genro não terão clima de velório pela derrota eleitoral  nem de fim de festa. A ordem dada pelo governador na reunião do secretariado, ontem, em Canela, é conduzir a transição com fidalguia e montar um roteiro de inaugurações que deixe na memória dos gaúchos a imagem de um governo realizador.
– Acreditamos muito no que fizemos e queremos deixar as realizações bem registradas – disse o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, após a reunião.
Para garantir a normalidade, quase todos os secretários que se afastaram para concorrer ou participar da campanha voltaram ao trabalho. O secretário-geral, Vinicius Wu, apresentou uma lista de obras que ficarão prontas até dezembro. Tarso quer participar do maior número possível de inaugurações, especialmente de acessos asfálticos a municípios do Interior.
Para garantir uma transição de alto nível, Tarso indicou os secretários de quatro áreas estratégicas como interlocutores da equipe de seu sucessor. Além de Pestana, que vai coordenar a transição, participam do grupo os secretários da Fazenda, Odir Tonollier, do Planejamento, João Motta, e da Administração, Alessandro Barcellos. Mais uma vez, o Centro de Treinamento
da Procergs, no bairro Tristeza, será a sede da transição.
O trabalho começa efetivamente na segunda-feira, quando Sartori retorna do descanso que começou ontem e Pestana volta de Buenos Aires, onde passará os próximos três dias. A prioridade é definir uma metodologia de trabalho para facilitar o acesso aos dados. Hoje, Pestana vai conversar com o presidente do PMDB, Edson Brum, para formalizar a indicação dos interlocutores.
Tarso voltou a pedir que a equipe respeite o resultado das urnas e faça uma transição civilizada, abrindo para o governador eleito e seus assessores todos os dados solicitados.

De bombeiro a deputado estadual

29 de outubro de 2014 13
Foto: Arquivo Pessoal

Foto: Arquivo Pessoal

 

Eleito com uma diferença de apenas três votos para o primeiro suplente Junior Piaia (PC do B), o vereador de Santiago Miguel Bianchini (PPL) afirma que conseguiu uma vaga na Assembleia “sem dinheiro e sem partido”. O raciocínio do “bombeiro de ferro”, como é conhecido na região, não é nada exagerado. Miguel, que está no terceiro mandato como vereador da cidade (dois pelo PT e um pelo PPL), gastou apenas R$ 16 mil na campanha e será o primeiro deputado estadual do nanico PPL.

Com poucos recursos, Miguel apostou na sua popularidade junto aos moradores e pediu votos a bordo de uma motocicleta (foto). A tática funcionou: fez mais de 10 mil, dos seus 13.515 votos, em Santiago. O segundo na cidade foi Ernani Polo (PP), com 2,4 mil votos. Na Assembleia, Miguel diz que manterá uma posição independente e defenderá o Vale do Jaguari:

– Precisamos de mais atenção a essa região. Temos uma evasão de jovens muito grande devido à falta de oportunidades.

O deputado eleito mantém um blog no endereço http://miguelbianchini.blogspot.com.br/.

Sartori acompanhou apuração pela TVCOM

28 de outubro de 2014 8

Foi pela tela TVCOM que o governador José Ivo Sartori acompanhou a evolução da apuração e soube o momento em que a Justiça Eleitoral o considerou matematicamente eleito no último domingo. Sartori fez a revelação ao jornalista Leo Saballa Jr., em entrevista ao telejornal 20 Horas.
_ Não vou muito de acompanhar resultados, mas assisti pela TV. Pela TVCOM, quero deixar bem claro. Que não seja isso propaganda _ brincou.
Sartori esperou o resultado na casa de seu vice, José Paulo Dornelles Cairoli, no bairro Moinhos de Vento. Quando começamos a fazer especulações sobre o secretariado, o “gringo” se incomodou. Mais tarde, na entrevista coletiva, disse que ninguém está autorizado a dar informações sobre o secretariado e que os nomes só serão anunciados dia 15 de dezembro.

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Governar para todos

28 de outubro de 2014 32

ABERTURA DE POLÍTICA+, TERÇA-FEIRA

Ou é retórica, ou é autoengano a afirmação da presidente Dilma Roousseff de que o país não está partido ao meio. Basta olhar os resultados da eleição para constatar que há, sim, uma divisão clara do eleitorado brasileiro. Essa divisão não é tão simplista como sugere o mapa que pinta de vermelho o Norte e o Nordeste, onde Dilma ganhou de lavada, e o Sul, Sudeste e Centro-Oeste, que deram vitória a Aécio. É preciso mergulhar nos resultados estaduais para captar a influência dos programas sociais e das obras do governo nos resultados.
Mesmo que tenha sido eleita pelos mais pobres e menos instruídos, como indicavam as pesquisas, Dilma não pode governar sem olhar para os Estados que produzem a riqueza necessária ao financiamento dos programas sociais. O primeiro discurso foi uma manifestação calculada para tentar apaziguar os ânimos dos derrotados e, ao mesmo tempo, inflar o ego dos militantes vencedores. Da roupa branca à não citação de Aécio Neves, tudo foi calculado. O que no primeiro momento pareceu uma grosseria, tem explicação: Dilma sabia que citar o adversário resultaria em vaia e geraria chamadas negativas para a festa da vitória.
Não importa que Dilma tenha sido eleita pelos mais pobres. Contados os votos, ganha quem fez um voto a mais e ao adversário cabe respeitar a vontade das urnas. Ao vencedor, apresentar um projeto que contemple o país inteiro.
O dia seguinte à eleição mostrou que o mercado ficou descontente com o resultado e que Dilma terá de apressar o passo na definição do seu ministro da Fazenda. Enquanto Guido Mantega continuar como interino dele mesmo no cargo, estará no ar o clima de desconfiança que faz a bolsa cair e o dólar subir.
Só a presidente pode desfazer esse clima de incerteza em relação ao futuro. Primeiro, montando uma equipe mais confiável. Segundo, mostrando com medidas práticas que o discurso do “nós contra eles” acabou com a campanha eleitoral. Terceiro, deixando claro que não flerta com medidas autoritárias, como gostariam as alas mais radicais do PT.

O que os candidatos propõem para as pessoas com deficiência

24 de outubro de 2014 12

Por Cristiely Carvalho

Dois meses de horário eleitoral gratuito mostraram muitos embates e algumas propostas: sobre saúde, educação, economia e infraestrutura. No entanto, faltaram ideias para 24% da população brasileira, cerca de 46 milhões de pessoas com deficiência.

Na terça-feira, mandamos perguntas para as equipes dos candidatos à Presidência e ao governo do Estado para conhecer as propostas até então escondidas ou indefinidas. Os questionamentos foram elaborados de forma colaborativa, junto a deficientes que enviaram questões de forma voluntária. Confira, abaixo,
o que cada candidatura propõe.

Aécio Neves (PSDB)

A assessoria declarou que as pessoas com deficiência sempre serão incluídas nas áreas que tiverem aplicação de investimento. Uma das propostas é a revisão de critérios para mpliação da concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC), visando a beneficiar quem necessita de órteses ou medicamentos de alto
custo.

Com o programa Brasil Acessível, proposto pelo candidato, materiais utilizados para a criação de tecnologias, bem como seus aparelhos, dispositivos e equipamentos, terão impostos reduzidos, a fim de diminuir os preços. A educação será contemplada com grandes investimentos, promete o candidato, visando à capacitação de professores para atender às necessidades desse público, juntamente com a melhoria das condições de acessibilidade das escolas.

Reduzir o número de deficientes trabalhando na informalidade é uma das metas de Aécio. Para atingir o objetivo, o candidato propõe a criação de auxílio-inclusão a quem ingressar no mercado de trabalho, estimulando a produtividade.

Dilma Rousseff (PT)

O destaque apontado pela campanha é o programa Viver sem Limite, criado pelo Governo Federal em 2011, que busca promover autonomia e igualdade de oportunidades as pessoas com deficiência. No campo educacional, além da criação das salas multifuncionais equipadas, a assessoria enfatiza a criação de cursos de bacharelado e licenciatura de Letras-LIBRAS em 13 universidades federais.

A novidade fica por conta da política pública voltada para cães-guia, com a criação de sete institutos tecnológicos, para o treinamento desses animais, que auxiliam na busca do deficiente visual por independência. Na promoção de tecnologias acessíveis, funciona na UNICAMP o Centro Nacional de Referência de Tecnologia Assistiva, que coordena a criação de novos equipamentos em benefício desse grupo.

Caso eleita, a candidata propõe a ampliação do Minha Casa Minha Vida 3, seguindo o modelo de residências adaptáveis em todos os empreendimentos entregues pelo governo federal. O aprimoramento das ações existentes e a continuidade das políticas de inclusão estão entre as metas de Dilma.

José Ivo Sartori (PMDB)

De acordo com a campanha, é possível maximizar a inclusão desenvolvendo projetos com forte participação do Estado. A capacitação do quadro atual de professores é uma das principais propostas do candidato para o apoio necessário aos estudantes que possuem deficiência.

Caso eleito, Sartori compromete-se a contemplar as normas estruturais de acessibilidade em obras desenvolvidas pelo Estado. A fiscalização de empreendimentos já existentes sob responsabilidade do Rio Grande do Sul também faz parte de suas metas.

De acordo com a assessoria do candidato, quando a integração do deficiente à sociedade for plena, não haverá a necessidade de um programa voltado exclusivamente a esse público. A equipe de campanha lamentou a ausência desse tema durante o horário eleitoral, no entanto afirma estar atenta aos anseios desse importante grupo da sociedade.

Tarso Genro (PT)

Na resposta, a assessoria ressalta os investimentos do programa RS Sem Limites, criado em 2012, seguindo os moldes do programa do governo federal Viver sem limites. As atividades esportivas adaptadas e os banhos de mar assistidos fizeram parte do projeto Praia Acessível, que segundo a proposta, deve manter-se pelos próximos anos.

Os investimentos na recuperação física das escolas estaduais e a formação de professores e gestores para o atendimento aos alunos com deficiência fazem parte de algumas ações já aplicadas por Tarso em sua gestão. O acesso aos serviços públicos estaduais e a facilitação da comunicação serão oportunizados pela Central de Interpretação de Libras,, com instalação prevista para novembro.

A novidade é a proposta da criação de rotas acessíveis nas cidades gaúchas, em parceria com o governo federal. A assessoria de campanha do petista promete aprofundar as políticas públicas existentes.

Ibope e Datafolha mostram vantagem de Dilma sobre Aécio

23 de outubro de 2014 32

Mais uma vez, os indícios de que a presidente Dilma Rousseff tinha avançado nas pesquisas vieram pelo mercado financeiro, antes da divulgação do Ibope e do Datafolha: o dólar foi a R$ 2,51 e atingiu o maior valor desde 2005. A bolsa caiu 3,24% e passou a ter perdas no acumulado do ano. Quando as pesquisas foram enfim divulgadas, veio a confirmação: Dilma se distanciou de Aécio Neves e agora lidera no Datafolha e no Ibope, fora da margem de erro.
No Ibope, a presidente tem 49% das intenções de voto e o senador, 41%. No Datafolha, Dilma tem 48% e Aécio, 42%. Além disso, dois dados mostram que o cenário é mais favorável para Dilma: a avaliação do governo melhorou e a rejeição de Aécio subiu de 35% para 42% no Ibope e de 34% para 41% no Datafolha.
Pesquisa não substitui eleição, a margem de confiança é de 95% e a margem de erro de dois pontos para mais ou para menos. Isso significa quen ão se pode considerar a eleição decidida, mas a curva de evolução dos números mostra que, hoje, Dilma é favorita.
Como se explica a virada, já que os dois começaram o segundo turno tecnicamente empatados, mas com Aécio à frente? Com base nas pesquisas pode-se afirmar que os debates, com ataques de parte a parte, acabaram favorecendo Dilma, porque uma parcela do eleitorado considerou inaceitável a forma como Aécio tratou ua presidente,  quando a chamou de mentirosa e leviana. Não se pode desprezar, também, o peso da falta de água em São Paulo, explorada na propaganda do PT, e a importância de ter dois palanques no Rio, onde Aécio não tem nenhum.

PMDB tenta evitar confronto de militantes

23 de outubro de 2014 8

O vice-prefeito Sebastião Melo está recomendando aos militantes que não façam concentração em frente ao prédio da RBS TV hoje à noite, durante o debate entre os candidatos José Ivo Sartori e Tarso Genro. O PMDB está preocupado com a possibilidade confronto entre militantes das duas candidaturas, depois do clima tenso no encontro de ontem em frente ao prédio da Rádio Guaíba.
A campanha de Sartori alinha outros motivos de preocupação: o arrombamento do comitê de Sartori na Avenida Padre Cacique, durante a madrugada, apesar dos indícios de que se  tratou de vandalismo e furto de cadeiras, e a apreensão, pelo Tribunal Regional Eleitoral, de material apócrifo, com ataques à candidatura do PMDB.

Repúdio ao uso indevido do meu nome na propaganda

23 de outubro de 2014 19

Depois que notificamos o PT e a Justiça Eleitoral, saiu do ar o trecho da propaganda de Tarso Genro que usava _ sem a nossa autorização _ parte de comentário que eu, Daniel Scola e Carolina Bahia fizemos no Atualidade na web, um programa exclusivo na internet. Pois para a minha surpresa, a nossa imagem reapareceu na propaganda, agora no espaço de José Ivo Sartori. A diferença é que pegaram o trecho da propaganda de Tarso, tiraram a nossa voz e puseram um “selo” com a palavra “falsidade”, na tentativa de confundir os eleitores.

Repudio o uso indevido da minha imagem na propaganda dos dois candidatos. A campanha de Sartori também não nos pediu autorização para utilizar nossa imagem e está sendo notificada, como foi a campanha de Tarso Genro. Além de violar o direito autoral, considero o  uso desse material é um desrespeito ao meu trabalho como jornalista.

Pedido auxílio-moradia para juízes aposentados

23 de outubro de 2014 8

Em petição encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) pede que o pagamento de auxílio-moradia de R$ 4,3 mil seja estendido aos juízes e desembargadores aposentados. A entidade defende a tese de que magistrados ativos e inativos devem ter paridade entre os vencimentos.
Na decisão que liberou o pagamento do benefício, o ministro Luiz Fux autorizou que aposentados recebessem o auxílio. Depois, o Conselho Nacional de Justiça regulamentou que deveria ser pago apenas aos juízes ativos. O STF ainda não se manifestou sobre o pedido da AMB.

Em memorando enviado ontem aos servidores do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, o presidente José Aquino Flôres de Camargo assumiu o que alguns juízes ainda tentam esconder e escreveu que o auxílio-moradia é “recomposição salarial”.

De outra parte, o conselheiro do Tribunal de Contas Estilac Xavier firmou posição contra o auxílio-moradia de magistrados e membros do Ministério Público. Estilac diz que, se for estendido aos conselheiros do TCE, vai renunciar ao benefício, por considerá-lo ilegítimo e sem base legal.

 

Calendário eleitoral faz obras saírem do papel

23 de outubro de 2014 7

ABERTURA DE POLÍTICA+, QUINTA-FEIRA

Se todo ano fosse eleitoral, é possível que as obras atrasadas desencantassem. Foi aproximar-se a eleição e duas construções reivindicadas há anos pelos gaúchos começaram a andar: a ponte do Guaíba e a duplicação da BR-290 entre Eldorado do Sul e Pantano Grande. O ministro dos Transportes, Paulo Passos, assinou ontem a ordem de início para a duplicação de três dos quatro lotes da BR-290. Isso significa que os vencedores da licitação podem começar a derrubar a vegetação e fazer a terraplenagem.
As empresas que receberam a ordem de início ontem têm 41 meses para concluir o trabalho, mas não há previsão para o começo da duplicação no lote 1, que ainda depende de autorização da Funai, por abrigar uma comunidade indígena.
A expectativa é de que não se repita na BR-290 o impasse que atrasou a duplicação de um trecho da BR-386, entre Tabaí e Estrela, por falta de entendimento entre o Dnit e a Funai em relação a uma comunidade indígena. A maior parte da obra foi concluída e liberada ao tráfego, mas o trecho restante está recém no início.
O deputado Paulo Pimenta (PT), que acompanhou a assinatura no Ministério dos Transportes, acredita que será mais fácil um acordo com a Funai na BR-290 do que foi na BR-386 e na duplicação da BR-116, entre Eldorado do Sul e Pelotas.
Junto com a Rodovia do Parque (BR-448), a duplicação dessas três estradas integra um conjunto de obras com as quais o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff se comprometeram. De todas, Dilma só conseguiu inaugurar a BR-448, entre Porto Alegre e Sapucaia do Sul. Nos últimos dias, o governo também autorizou a abertura de licitação para estendê-la até Portão.
Além de concluir essas obras, o próximo governo terá de pensar em outra duplicação estratégica para o escoamento da produção no Rio Grande do Sul: a da BR-386, a partir de Lajeado em direção ao Norte. Se não há como fazer com recursos públicos, que se inclua num programa de concessões, porque não há pedágio mais caro do que as vidas que se perdem nos acidentes.

Sartori consolida vantagem no Ibope

22 de outubro de 2014 48

Apesar de Tarso Genro ter crescido três pontos percentuais entre a última pesquisa do Ibope e a mais recente, divulgada ontem, a vantagem do candidato José Ivo Sartori se solidificou. Com 53% das intenções de voto, contra 37% de Tarso, Sartori tem uma folga superior à soma dos indecisos (3%) e dos que pretendem votar branco ou nulo (7%). Os resultados indicam que os debates não provocaram alteração significativa no quadro eleitoral.
A pesquisa foi realizada entre os dias 18 e 20, antes, portanto, da brincadeira de Sartori com o piso salarial do magistério, um dos assuntos mais comentados nas redes sociais por ação dos militantes da campanha de Tarso. Sartori acusou o PT de tirar a afirmação do contexto, mas reconheceu que foi um erro dizer, em uma entrevista ao portal Terra, que piso se consegue na Tumelero, e pediu desculpas aos professores.
Assim como na semana passada,  os índices de Tarso são compatíveis com o de eleitores que consideram seu governo bom ou ótimo: 38%. Quando a pergunta é se o eleitor aprova ou desaprova o modo de governar de Tarso, a resposta é que 47% aprovam e 45% reprovam.
Sartori segue surfando na onda antipetista que o levou ao segundo turno. O “efeito Teflon”, usado durante muito tempo para explicar por que nada colava no
ex-presidente Lula, ajuda a entender por que os ataques do PT na propaganda eleitoral não atingem o candidato. A campanha dele aposta na mudança, mesmo sem deixar claro o que pretende mudar se for eleito.
Cada eleição tem uma lógica própria, mas, para efeito de comparação, na última vez que o Rio Grande do Sul teve segundo turno, em 2006, a pesquisa do Ibope de cinco dias antes da eleição mostrava Yeda Crusius com 55% e Olívio Dutra com 35%. No resultado final, Yeda foi eleita com 51,54% contra 44,01% de Olívio.

Tarde demais, senhores ministros

19 de outubro de 2014 77

Agora que a campanha eleitoral está se aproximando do final, o Tribunal Superior Eleitoral resolveu exigir respeito dos candidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves. A decisão chega tarde: a eleição é no próximo domingo e, mesmo que cada propaganda agressiva seja retirada do ar, ela já cumpriu seu papel de desqualificar o adversário.
O debate do SBT, que ultrapassou todos os limites em matéria de agressividade, fez o presidente do TSE, Dias Toffoli, rever a posição passiva adotada até então. A campanha de cada candidato editou o debate de forma a mostrar as fraquezas do oponente. O TSE não gostou, e vários comerciais dos dois candidatos foram proibidos nos últimos três dias. Agora, Dilma não pode insinuar que Aécio estava bêbado ou drogado quando se recusou a soprar o bafômetro numa blitz da Lei Seca no Rio de Janeiro. Aécio não pode dizer que o irmão de Dilma, Igor Rousseff, foi contratado pela prefeitura de Belo Horizonte, mas nunca apareceu para trabalhar.
O TSE pode arbitrar o que é aceitável ou não na propaganda, mas não tem como impedir que nos debates os candidatos se ataquem. Dilma e Aécio têm falado mais de passado do que de futuro.
É evidente que Aécio vai continuar falando da Petrobras, porque sabe que os desvios denunciados por Paulo Roberto Costa desgastam Dilma, embora possam respingar no PSDB por conta de um suposto pagamento de propina a Sérgio Guerra, que não está aqui para se defender. Também é evidente que Dilma vai lembrar os escândalos da época do governo Fernando Henrique Cardoso, como compra de votos para a reeleição, Sivam e Pasta Rosa, Alstom e mensalão tucano, casos em que ninguém foi punido.
O risco que Aécio e Dilma correm ao persistir na política do ataque é o de ampliar a aversão dos eleitores à política, com o aumento da abstenção e dos votos brancos e nulos. No primeiro turno, 38,7 milhões de eleitores não escolheram candidato.

Não autorizo o uso de meu nome em propaganda eleitoral

19 de outubro de 2014 56

Com razão, leitores de ZH e ouvintes da Rádio Gaúcha me escrevem questionando o uso de uma frase minha na propaganda eleitoral de Tarso Genro, na tentativa de prejudicar seu adversário, José Ivo Sartori. Esclareço que não autorizei o uso do meu nome na propaganda de quem quer que seja e considero falta de respeito pinçar uma frase de comentário meu e utilizá-la contra um candidato. A RBS está notificando o PT para que suspenda a utilização desse trecho do meu comentário e de outros programas dos veículos do Grupo.

Tenho mais de 30 anos de profissão, nunca me vinculei a partido político e considero a independência o meu maior patrimônio. Ao utilizar minha voz na propaganda de Tarso Genro, sem autorização, o PT, que com frequência critica meus comentários, tenta induzir os eleitores a acharem que gravei essa propaganda. O argumento de que tudo o que vai ao ar se torna de domínio público não convence: a utilização de uma fala minha na propaganda eleitoral denota intenção de confundir os eleitores.

Dos comentários que fiz no primeiro turno é possível extrair trechos contra a e a favor de todos os candidatos, porque não tenho compromisso com nenhum deles. Também contra a minha vontade, a campanha de José Ivo Sartori utilizou no primeiro turno um recorte da coluna Política+, no qual eu destacava a sinceridade do candidato por não assinar a carta elaborada pelo Cpers, se comprometendo com o pagamento do piso do magistério e com outras demandas da categoria.

Agradeço a solidariedade dos leitores que me escreveram alertando para o uso indevido de um trecho de comentário feito na Rádio Gaúcha.  Reafirmo que não autorizo o uso do meu nome na propaganda eleitoral e seguirei fazendo meu trabalho com independência e respeito ao público.