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Um ministro de luxo na Educação

27 de março de 2015 55

Em meio à maré de más notícias dos últimos dias, o Palácio do Planalto encerrou a semana com um anúncio animador: a escolha do filósofo Renato Janine Ribeiro para o Ministério da Educação. Além da qualidade intelectual do escolhido, o ponto positivo é que a presidente Dilma Rousseff, enfim, tirou a Educação da bacia das almas, aquele balcão onde se negocia a distribuição dos ministérios.

Bendita hora em que Cid Gomes comprou briga com o Congresso ao dizer que a Câmara tinha entre 300 e 400 achacadores e apontou o dedo para o presidente Eduardo Cunha. O destempero verbal derrubou Cid e abriu vaga para um professor capaz de dar sentido ao slogan “Pátria Educadora”.
Para que Janine não seja um novo Cristovam Buarque _ o bem-intencionado que não conseguiu pôr suas ideias em prática quando foi ministro _, é preciso que Dilma deixe o homem trabalhar. A máquina do MEC é um moedor de carne, há uma série de incêndios que o ministro precisa apagar e o corte do orçamento exige criatividade dos gestores públicos. Um dos primeiros nós a serem desatados é o do financiamento estudantil, que atormenta milhares de pais e alunos desde o início do ano letivo, mas a grande missão de Janine é pensar políticas de médio e longo prazo para que a educação avance de fato.
Janine está para a Educação como Joaquim Levy para a Fazenda. Os dois são técnicos respeitados em suas respectivas áreas, mas Janine leva uma vantagem sobre Levy: não enfrenta resistências no PT, como o ministro da Fazenda, a quem cabe ministrar medidas amargas para recolocar a economia nos trilhos.
No mesmo dia em que indicou Janine, a presidente Dilma Rousseff fez um movimento para agradar ao PT: indicou Edinho Silva,  ex-tesoureiro de sua última campanha, como ministro da Comunicação Social. A qualquer momento, Henrique Eduardo Alves deve ser nomeado para o Ministério do Turismo, cumprindo o plano original. Alves é um dos principais caciques do PMDB, está sem mandato e só não entrou na composição inicial do ministério porque temia-se que estivesse na lista da Lava-Jato. Para completar a sexta-feira, o vice-presidente Michel Temer revelou que Dilma está inclinada a aceitar o conselho de reduzir o número de ministérios.

Prejuízo econômico e político para a CUT

27 de março de 2015 9
Foto: Mateus Bruxel, Agência RBS

Foto: Mateus Bruxel, Agência RBS

Foi histórica a decisão do Cpers de romper os laços com a Central Única dos Trabalhadores (CUT).  O Gigantinho  dividido entre os que vestiam a camiseta vermelha da CUT e a amarela da desfiliação é uma imagem emblemática do enfraquecimento da central e expõe, também, a perda de terreno do PT entre os professores.

CUT e PT sempre foram umbilicalmente ligados. O Cpers, um dos maiores sindicatos da América Latina, foi dos primeiros a aderir à central e resistiu a várias tentativas de separação, patrocinadas por grupos de oposição ao alinhamento com os governos petistas.

Com a saída do Cpers, a CUT perde mais do que uma importante fonte de receita – são 81 mil associados. Perde um sindicato combativo e capilarizado, com filiados espalhados por todos os pontos do território do Rio Grande do Sul. “A CUT não me representa”, diziam os cartazes dos professores vestidos de amarelo na assembleia de ontem, mas o descontentamento é antigo entre os simpatizantes de outras centrais sindicais e os que desejam um sindicato independente, focado apenas nas pautas do magistério.

Com a desfiliação, o Cpers perde o apoio logístico que a central oferecia para suas manifestações (embora a direção diga que vai continuar dando sustentação às demandas dos professores). A presidente do sindicato, Helenir Aguiar Schürer, lamentou que a separação tenha sido tratada como prioridade na assembleia que definiu os próximos passos no embate com o governo por melhores salários.

Preocupada em não banalizar a greve como instrumento de pressão, Helenir adotou um caminho diferente do de sua antecessora, Rejane de Oliveira, dando prioridade ao diálogo, mas isso não significará refresco para o governo. Logo depois da assembleia, o governador José Ivo Sartori e o secretário Vieira da Cunha receberam a direção do Cpers. A relação tem sido pautada pela cortesia, mas os professores querem mais do que cafezinho e aperto de mão.

Foto: Evandro Oliveira, Divulgação

Foto: Evandro Oliveira, Divulgação

Comunicação é só um dos problemas de Dilma

26 de março de 2015 16

Sem condições de continuar no cargo depois do vazamento de um documento que desnuda os equívocos de comunicação do governo Dilma Rousseff, o ministro Thomas Traumann pediu demissão. Como era previsto, Dilma aceitou, nomeou outro porta-voz, mas o problema está longe de ser resolvido.
Traumann cometeu o que no popular se chama “sincericídio”. Produziu um documento para consumo interno, tecendo críticas aos métodos usados pelo governo na área da comunicação. Definiu a estratégia como “errada e errática” e disse que o Planalto vive um momento de “caos político”.
O documento foi parar no jornal O Estado de S.Paulo e se tornou um prato cheio para a oposição, que aprovou a convocação de Traumann para dar explicações ao Congresso. Um dos pontos mais comprometedores é o que fala em usar a estrutura de comunicação do governo para favorecer o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que enfrenta sérios problemas de popularidade. Outro, o que trata dos “robôs” usados pelo PT para defender o governo.
Longe de resolver um problema, a saída de Traumann cria outros para a presidente. Ela perde um jornalista capaz de apontar os equívocos de um governo cercado de pessoas que preferem ignorar a realidade e imaginar, por exemplo, que as manifestações de 15 de março foram exclusivas de uma minoria ou da elite branca inconformada com o sucesso das políticas sociais.
Sem Traumann, a tendência é de que o PT realize o antigo desejo de ver a comunicação em geral (e as verbas de publicidade em particular) debaixo do guarda-chuva do ministro Ricardo Berzoini.
A comunicação é apenas um dos problemas, mas não o maior. O que corrói a popularidade do governo é a corrupção na Petrobras, a crise econômica e o desarranjo na política, com a presidente refém dos presidentes do Senado e da Câmara, Renan Calheiros e Eduardo Cunha.

Assembleia justifica tempo dado a Sossella

25 de março de 2015 7

Por meio de nota oficial, a Assembleia Legislativa justificou a demora em cumprir a ordem judicial que manda afastar o deputado Gilmar Sossella (PDT), que teve o diploma cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral.

Veja a íntegra da nota:
“Tendo em vista a decisão judicial que envolve o mandato do deputado Gilmar Sossella, o Poder Legislativo do Estado do Rio Grande do Sul esclarece:

1)   A Assembleia Legislativa acolheu, no último dia 20, ofício expedido pelo Tribunal Regional Eleitoral ordenando a imediata cassação do mandato do referido parlamentar e, também de imediato, deu início aos procedimentos legais necessários para o pleno cumprimento da decisão.

2)   Considerando decisões do Supremo Tribunal Federal, foi garantido ao parlamentar, enquanto se cumpre o rito processual, o direito à ampla defesa no que se refere às formalidades inerentes ao caso, sem quaisquer implicações ao mérito da decisão judicial.

3)   Tão logo foi concluído o parecer da Procuradoria Geral desta Assembleia, o parlamentar em questão foi cientificado   da decisão judicial a ser cumprida.

4)   Importante salientar que a inobservância do rito que envolve o processo de cassação configuraria atropelo às disposições Constitucionais e jurisprudências existentes, tornando o procedimento passível de nulidade.

5)   A partir desta data, 25 de março de 2015, passa a correr o prazo de cinco dias úteis para que o parlamentar manifeste-se, unicamente sobre aspectos formais ou procedimentais adotados pela Assembleia.

6)   Encerrado o prazo legalmente estabelecido, haja vista a gravidade do tema, a Mesa do Poder Legislativo poderá, a qualquer tempo, reunir-se para proceder a declaração da perda do mandato eletivo.

Salário de março deve ser pago em dia

23 de março de 2015 21

Está prevista para as 11h desta terça-feira a resposta do governo do Estado à pergunta mais ouvida nos últimos dias: o salário de março será pago em dia ou parcelado? A Secretaria da Fazenda diz que, para confirmar o pagamento em dia do salário, precisa antes saber quanto rendeu a arrecadação de ICMS da indústria, mas a lógica indica que a ameaça não será concretizada.
Apesar de o líder do governo, Alexandre Postal, ter dito que faltaria dinheiro para os salários em março ou, no máximo, em abril, a tendência é de quitação da folha até dia 31. A ordem do governador José Ivo Sartori para o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, foi para que fizesse o possível e o impossível para não atrasar o pagamento dos servidores.
Sartori sabe que a população ainda não tem a compreensão da gravidade da crise. Recém na quinta-feira, o governo abriu os números para a imprensa. No dia 30, em Passo Fundo, serão iniciadas as caravanas da transparência pelo Interior – e ninguém quer ser recebido com um panelaço. Atrasar os salários é medida extrema, que o governo só poderá tomar se provar que não tem, de fato, outra alternativa.
Se o dinheiro da arrecadação for insuficiente – e se não entrarem os R$ 112 milhões que o Estado espera receber da União por conta de perdas com as exportações –, o governo ainda pode fazer algumas manobras para pagar os servidores. São elas: atrasar outros fornecedores, sacar até R$ 300 milhões dos depósitos judiciais e usar recursos que estão no caixa único com outra destinação. Nada que já não tenha sido feito.
Um sinal de que os salários do Poder Executivo não sofrerão atraso neste mês é que o governo fala em pedir solidariedade aos outros poderes, mas não acena com corte na parcela mensal que repassa ao Judiciário, ao Ministério Público e à Assembleia. Se houvesse atraso, seria apenas para os servidores do Executivo, que tem as menores médias salariais.

Contraponto ao panelaço

20 de março de 2015 22

Na primeira visita de um presidente da República a Eldorado do Sul, Dilma Rousseff teve  uma recepção capaz de fazer esquecer, por momentos, as agruras da crise política que levou sua credibilidade ao fundo do poço. Em vez de vaias, palmas. Em vez de panelaço, um coro de “olê, olê, olá, Dilmaá, Dilmaá”. Em vez de multidões vestidas de verde e amarelo gritando “Fora Dilma”, milhares de simpatizantes com camisetas vermelhas repetindo “Dilma, guerreira/ mulher brasileira”.
Organizado pelo MST, com o apoio logístico de centrais sindicais, o ato no assentamento Lanceiros Negros, onde ela inaugurou um silo de secagem e armazenamento de arroz agroecológico, teve clima de comício eleitoral. Até na escolha dos quatro ministros que acompanharam a presidente ficou explícita a preocupação em evitar atrito. Eram todos do PT: Patrus Ananias, Miguel Rossetto, Pepe Vargas e Tereza Campello. Deputados, apenas os do PT. A presença do ex-governador Olívio Dutra, ídolo dos sem-terra e dos pequenos agricultores, deixou o ambiente com jeito de convenção partidária. Mas teve também fogo amigo, disparado pelo comandante do MST.
Sentado na primeira fila, João Pedro Stedile foi o terceiro a discursar. Falou mal do agronegócio e dos agrotóxicos, disse que “o Incra virou uma tapera velha” e pediu que a presidente tire o instituto e a Conab das mãos dos partidos e “coloque companheiros que gostem dos pobres”. Atacou a Rede Globo, chamou de “classe média reacionária” os que foram, às ruas no dia 15, reduziu a corrupção na Petrobras a atos de “meia dúzia de gerentes lumpens”, provocou o juiz Sérgio Moro, pediu a divulgação do nome dos
8 mil brasileiros que têm conta no HSBC na Suíça e defendeu a reforma política.
Quase no final, passou a questionar o ajuste fiscal. Sugeriu que, em vez de cortar direitos dos trabalhadores, Dilma taxe as grandes fortunas e recrie a CPMF para depósitos acima de R$ 100 mil. E disse que os ministros precisam ser mais humildes para ouvir o povo:
– Se o orçamento tem problema, por que o seu Levy não vem aqui discutir conosco?
Última a falar, Dilma começou dizendo que respeita Stedile, mas não concorda em tudo com ele. Fez um discurso conciliador, explicou as medidas adotadas, incluindo os cortes no seguro-desemprego e no seguro- defeso (para pescadores) e defendeu o ajuste fiscal como condição para o Brasil voltar a crescer.

PMDB elege presidente no fim do mês

20 de março de 2015 0

Por Juliano Rodrigues

Terminou nesta sexta-feira o prazo para a inscrição das chapas à convenção estadual que escolherá o presidente do PMDB gaúcho. Os grupos internos da legenda decidiram por uma formação de consenso para o diretório. Os 71 titulares serão aclamados no dia 29 de março e escolherão quem comandará a sigla.

Por enquanto, há dois nomes que já declararam publicamente a intenção de concorrer: o atual presidente estadual, Edson Brum, e o deputado federal Alceu Moreira. O deputado Ibsen Pinheiro também é cotado para o cargo.

Roso faz campanha pelo fim da pensão de ex-governador

19 de março de 2015 6

julianoroso

Autor de um projeto que acaba com a pensão para ex-governadores, o deputado Juliano Roso (PC do B) iniciou ontem a coleta de assinaturas em apoio à proposta.
Roso está convencido de que o fim das pensões só será aprovado se houver pressão popular:
– Esse benefício é indefensável. Com a crise que o Estado enfrenta, o poder público tem de dar o exemplo.
O deputado vai colher assinaturas  físicas, andando com uma pastinha embaixo do braço, e eletrônicas, por meio de petição na internet.
Diferentemente da proposta da deputada Any Ortiz (PPS), que sugere manter a pensão nos quatro anos seguintes ao fim do mandato, Roso defende a extinção pura e simples do benefício. A lei não atingiria os atuais ex-governadores e as viúvas.
O deputado vai colher depoimentos de ex-parlamentares que tentaram, em vão, acabar com as pensões. O primeiro foi Luiz Carlos Casagrande (PT), há 24 anos. Depois, vieram José Farret (PP) e Luciano Azevedo (PPS).
Roso espera conseguir o apoio do governador José Ivo Sartori, que será prejudicado se a lei for aprovada.

Sartori precisa ir além dos cortes

19 de março de 2015 10

A apresentação do diagnóstico das finanças do Estado foi didática, mas ficou faltando indicar qual é o projeto de futuro do governo José Ivo Sartori, além de reduzir despesas. O excesso de cautela do governador, que teme “avançar o sinal”, faz parecer que o Piratini não tem uma estratégia mais ousada de enfrentamento das dificuldades. Sartori deu pistas de que medidas mais fortes virão, mas cortou qualquer especulação, fiel ao lema “um passo de cada vez”.
Nesta etapa, o governo quer convencer a sociedade de que o quadro é grave. Depois, virão as medidas amargas, entre as quais não se descarta o aumento do ICMS e o enxugamento da estrutura do Estado.
Quem acompanha a situação crítica das finanças já sabia que o déficit previsto para 2014 é de R$ 5,4 bilhões. A receita pode crescer com os aumentos de preços dos combustíveis e das tarifas de energia elétrica, mas pode ser impactada negativamente pela retração da economia. Na despesa, a margem de manobra é mínima, já que 87% são gastos com pessoal e com o pagamento da dívida.
Mesmo com as medidas que devem resultar em um corte de despesas da ordem de R$ 1,5 bilhão, resta um rombo de cerca de R$ 4 bilhões. Para cobri-lo, o governo fala vagamente em combater a sonegação e buscar recursos federais. E descarta postergar a aplicação dos aumentos aprovados no governo passado. A conta não fecha e, por isso, o temor de atraso no pagamento dos salários tira o sono dos servidores.
Na prática, a cada mês faltam cerca de R$ 400 milhões de receita para cobrir as despesas. O governo já fez duas coisas que criticava no antecessor: usou dinheiro dos depósitos judiciais e de empréstimos para investimentos. Neste mês, não será diferente.
Em reunião com secretários e deputados aliados, Sartori reafirmou que precisa compartilhar as dificuldades com os outros poderes e avançou um passo além do que dissera aos jornalistas:
– Vamos revisar todos os incentivos fiscais.

Receita de combate à corrupção

19 de março de 2015 15

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Foi esclarecedora a entrevista que o procurador Deltan Dallagnol, 35 anos, deu há pouco ao Gaúcha Atualidade. Coordenador da força-tarefa da Operação Lava-Jato, Dallagnol integra um grupo de jovens procuradores do Ministério Público Federal especializado em desvendar esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro. O procurador disse que a estimativa de desvios de R$ 4 bilhões na Petrobras é conservadora: pode ter sido  muito mais. As informações colhidas nessa operação poderão levar à abertura de novos inquéritos, envolvendo outros órgãos e obras públicas.​

Em 23 minutos de entrevista, Dallagnol desmontou as principais teses da defesa dos investigados na Lava-Jato:

1. Que todas as doações de campanha registradas nas prestações de contas são legais. A Lava-Jato descobriu que existe a “doação camaleão”: parece legal, mas não é. Entra nas contas de candidatos e partidos como se fosse espontânea, mas é fruto de propina;

2. Que as empreiteiras são vítimas de políticos achacadores. Ninguém precisa fazer cartel para se defender. O cartel foi montado para aumentar os lucros, superfaturando preços;

3. Que os delatores deram informações falsas para incriminar A ou B. O réu só se beneficia da delação premiada se as informações que der se confirmarem.

Dallagnol reafirmou o que já é evidente para quem acompanha as investigações: corrupção era um modelo de negócio na Petrobras.

O procurador deu a receita de combate à corrupção que teve sucesso em Hong Kong:

1. Conscientização da população, para que denuncie quando identificar casos de corrupção;

2. Auditoria de contratos pelos órgãos de controle;

3. Punição dos corruptos, o que exige aparelhamento dos órgãos de investigação, treinamento de agentes e uma legislação eficaz.

Para acompanhar as investigações da Lava-Jato, acesse http://www.lavajato.mpf.mp.br

Ouça a entrevista completa:

Afinal, quem dá as cartas no Planalto?

18 de março de 2015 17

Em três atos, a demissão do ministro da Educação, Cid Gomes, mostrou   quem tem a força. No primeiro, o PMDB ameaçou abandonar a base do governo se o ministro não fosse demitido. No segundo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, anunciou triunfante a demissão de Cid e contou que soubera da novidade por um telefonema do ministro Aloizio Mercadante. No terceiro, quase uma hora depois, o Planalto distribuiu nota oficial informando que Cid Gomes pedira demissão.
Cid não é o primeiro ministro a cair por pressão de um partido aliado. A novidade é a demissão ser anunciada pelo presidente da Câmara dos Deputados. Mais do que uma descortesia, o que Cunha fez foi expor a fragilidade da presidente Dilma Rousseff e exibir a força do PMDB.
Por que caiu o ministro da Educação da Pátria Educadora? Porque disse o que muita gente pensa: que a Câmara tem entre 300 e 400 achacadores. Ofendeu os deputados e mexeu com os brios de Cunha, que o chamou para dar explicações, esperando que se retratasse.
Falou mais alto o DNA dos Gomes (seu irmão, Ciro, é famoso por não ter papas na língua). Em vez de pedir desculpas, Cid não só manteve o que dissera, como acrescentou que preferia ser chamado de mal-educado do que de achacador. Queimou as pontes em um momento dramático, em que a popularidade da presidente chegou perto do fundo do poço.
Integrante de um pequeno partido, o PROS, Cid não chegou a completar três meses no cargo. Em 2011, a primeira queda foi a de Antonio Palocci, em junho. Especula-se que novas demissões podem ocorrer a qualquer momento. Thomas Traumann, da Comunicação, é o primeiro da fila.
O episódio ofuscou o que deveria ser a pauta positiva da semana de Dilma, o lançamento do pacote anticorrupção. E reforçou a impressão de que, em Brasília, vigora a Lei de Murphy:
“Se alguma coisa pode dar errado, dará”.

Lava-jato joga luzes nas conexões de Dirceu

18 de março de 2015 23

Cumprindo pena em prisão domiciliar pela condenação no escândalo do mensalão, o ex-ministro José Dirceu está agora na mira da Operação Lava-Jato por suas conexões com empresas investigadas na roubalheira na Petrobras. A pedra no sapato de Dirceu se chama Gerson Almada, sócio da Engevix, preso há quatro meses em Curitiba e que está negociando um acordo de delação premiada.
Gerson Almada foi ouvido ontem em Curitiba. Logo depois, o juiz Sérgio Moro levantou o sigilo dos documentos da quebra de sigilo bancário de Dirceu e de sua empresa, a JD. Um documento da Receita Federal mostra que entre 2006 e 2013 Dirceu faturou R$ 29,2 milhões em serviços de consultoria.
O maior cliente – EMS S.A. – pagou R$ 5,568 milhões pelos conselhos do ex-ministro. Não se pode afirmar que sejam pagamentos ilegais, mas a investigação vai se debruçar sobre esses dados para apurar a natureza dos serviços prestados. Da Construtora OAS, empresa investigada na Lava-Jato, Dirceu recebeu R$ 2,411 milhões.
O ex-ministro foi o homem forte no início do primeiro governo do ex-presidente Lula. Caiu exatamente quando Roberto Jefferson o acusou de ser o mentor do esquema apelidado de mensalão. Mesmo sem provas documentais de seu envolvimento, Dirceu foi condenado com base na teoria do domínio do fato.
A partir do depoimento de testemunhas, o relator Joaquim Barbosa e a maioria dos ministros entendeu que ele era o cérebro do esquema. O que os investigadores querem saber é se Dirceu também está por trás do esquema de cobrança de propina montado na Petrobras.
A investigação de Dirceu é um motivo a mais de preocupação para o ex-presidente Lula. Foi o ex-ministro quem negociou o apoio da base aliada que garantiu a Lula maioria no Congresso.

A gota que fez transbordar o copo de Fortunati

17 de março de 2015 5

Foi uma gota d’água que fez transbordar o copo da paciência do prefeito José Fortunati com o PDT. Há muito tempo o prefeito está insatisfeito com os vereadores de seu partido, mas ontem, com a derrubada de dois vetos seus na Câmara, entre eles o que torna obrigatório o ar-condicionado nos ônibus, Fortunati, explodiu. Telefonou para o presidente do PDT, Pompeo de Matos, para avisar que estava se licenciando do partido até 31 de dezembro de 2016, quando termina seu mandato de prefeito. Depois, diz ele que só Deus sabe.
Deus não tem nada a ver com isso. Amigos do prefeito garantem que ele deve ir para a Rede de Marina Silva, se a ex- senadora conseguir, enfim, legalizar seu partido e se as regras do jogo não mudarem. Fortunati garante que não ficará neutro na sua sucessão, mas acha cedo para falar do assunto.
A verdade é que Fortunati se cansou das picuinhas dos vereadores. E eles se cansaram do que chamam de autoritarismo do prefeito. Reclamam que ele não negocia, toma atitudes radicais sem consultar ninguém e não sabe ouvir.
Na apreciação dos vetos, apenas o ex-secretário do Esporte, João Bosco Vaz, votou com o prefeito.
Thiago Duarte e Delegado Clayton se alinharam com a oposição e Márcio Bins Ely e Nereu Dávila fizeram pior: se omitiram. Os vereadores se sentem desrespeitados por vetos do prefeito a projetos de autoria deles.
Pompeo de Mattos vai reunir a bancada na sexta-feira para ouvir os vereadores e pedir compreensão. Pompeo quer mostrar que o partido não pode abrir mão do prefeito da Capital e possível candidato a governador em 2018. Ele acredita que Fortunati pode voltar atrás se tiver um compromisso dos vereadores de que daqui para a frente tudo vai ser diferente. Hoje, Fortunati bate pé e diz que não, não e não.
Pompeo usa uma frase de efeito para justificar sua crença de que o diálogo pode acabar com a crise no PDT:
_ Se os senhores da guerra mateassem ao pé do fogo, antes de lavar a erva o mundo estaria em paz.
É só uma frase de efeito mesmo, até porque, no Rio Grande do Sul, a terra do chimarrão, os homens são tradicionalmente belicosos em matéria de política.

Fazenda busca apoio de aliados para medidas econômicas

17 de março de 2015 5
Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Por Juliano Rodrigues

Ainda sem saber se poderá pagar a folha de março do funcionalismo, o secretário da Fazenda, Giovani Feltes, recebeu nesta terça-feira os deputados do PDT para expor a situação das contas públicas. A reunião com os trabalhistas foi a última de uma série com as bancadas governistas para detalhar as finanças e buscar apoio político.

– É preciso compartilhar com todos esta realidade e buscar um mínimo de convergência para determinadas medidas que forçosamente terão que ser buscadas – disse Feltes, sem detalhar quais seriam as medidas.

Para o deputado Diógenes Basegio, a dificuldade para o pagamento dos salários poderá ser superada em março, mas dificilmente os vencimentos serão quitados em dia no mês de abril:

– O relato que tivemos é preocupante. A projeção é de que, a partir de abril, o Estado não consiga parar a folha.

Na quinta-feira, o governador José Ivo Sartori se reúne com os deputados da base para falar, entre outros temas, sobre finanças.

Novos problemas obrigam Dilma a mudar de postura

16 de março de 2015 28

Em meio à ressaca do dia seguinte às manifestações que tomaram as ruas das principais cidades brasileiras, o governo teve nesta segunda-feira uma prova de que nada é tão ruim que não possa piorar: na 10ª fase da Operação Lava-Jato, que completa um ano amanhã, o Ministério Público Federal denunciou 27 pessoas, entre as quais João Vaccari Neto,  tesoureiro do PT, e Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, indicado pelo partido para o cargo. Duque voltou a ser preso pela Polícia Federal, por tentar transferir 20 milhões de euros de sua conta na Suíça para o Principado de Mônaco.
A presença de Vaccari na lista de denunciados é um constrangimento extra para o governo. Ele está para a Lava-Jato como Delúbio Soares esteve para o mensalão. Segundo a investigação, era o operador da propina cobrada na diretoria de Serviços na gestão de Duque e repassada para o diretório nacional do PT, sem destinação específica para esta ou aquela campanha. Vaccari é um militante, como Delúbio. Mesmo sob pressão, não tem o perfil de quem faz delação premiada.
A preocupação do PT deve ser com Duque: se ele seguir o caminho de Paulo Roberto Costa e fizer delação premiada para tentar uma redução de pena, a situação pode se complicar para o PT e para o Palácio do Planalto. Privado da liberdade e asfixiado financeiramente pelo bloqueio de suas contas, Duque é uma bomba ambulante. E será ouvido nos próximos dias na CPI da Petrobras.
Enquanto os procuradores davam entrevista sobre a nova fase da Lava-Jato, batizada de “Que país é esse?”, a presidente Dilma Rousseff falou pela primeira vez depois da manifestação de domingo. Primeiro, num discurso durante a sanção do novo Código de Processo Civil. Em seguida, numa entrevista coletiva em que não fugiu das perguntas e surpreendeu pela mudança de postura e pelo discurso, mais pé no chão do que o de 8 de março e o dos ministros Miguel Rossetto e José Eduardo Cardozo no domingo.
A presidente fez uma defesa convicta do ajuste fiscal, que enfrenta resistência no PT e nos movimentos sociais. Foi um recado ao mercado, que teme pelo enfraquecimento do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.
Dilma defendeu a reforma política e confirmou que nos próximos dias vai anunciar um pacote anti-impunidade, com as medidas prometidas na campanha eleitoral. Questionada sobre a denúncia de Duque e Vaccari, disse que é um sinal da independência da PF e do Ministério Público para conduzir as investigações da Lava-Jato. Dilma rebateu a afirmação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de que a corrupção está no Executivo e não no Legislativo.
_ A corrupção é uma senhora bastante idosa. Ela não poupa ninguém. Pode estar em toda parte, inclusive no setor privado _ disse a presidente, no que pode ser considerado um ato falho, já que a corrupção poupa quem não se deixa corromper.
Depois de repetir que as manifestações de domingo são uma prova da solidez da democracia e de relembrar o tempo em que os brasileiros não podiam protestar contra o governo, Dilma reafirmou que quer diálogo.  Recusou-se, no entanto, a fazer mea culpa dos erros do governo.
_ Existe uma certa volúpia da imprensa em querer uma situação confessional. Teremos diálogo com quem quiser dialogar, mas aqui não é um palco de confissões. Me apontem uma situação em que o governo tenha errado, para eu poder responder. Caso contrário, seria fingimento de minha parte.
Ao encerrar a breve entrevista, reconheceu um erro do governo:
— O governo cometeu um erro em relação ao Fies. Passou para ao setor privado o controle dos cursos.