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Juízes gaúchos querem auxílio-moradia de 4,2 mil

20 de setembro de 2014 0

Com salários que variam de R$ 19,3 mil a R$ 26,5 mil, os magistrados gaúchos pleiteiam receber mais R$ 4,3 mil por mês a título de auxílio-moradia, não importando se têm casa própria quitada, alugam um apartamento ou pagam prestações de um imóvel financiado. O pedido é produto do efeito cascata de decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux, que declarou legal o pagamento de auxílio-moradia aos juízes federais de todo o país.

Ontem, a Ajuris reiterou um pedido que havia sido feito ao Tribunal de Justiça na terça-feira para que os juízes e desembargadores do Estado, ativos e inativos, recebam o auxílio de R$ 4,3 mil (o valor ainda não foi regulamentado e pode ser alterado, para mais ou para menos).

O presidente da Ajuris, Eugênio Couto Terra, explica que Fux atendeu a uma solicitação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e esclareceu que a decisão valia também para a magistratura dos Estados.

– No dia 18, o presidente do CNJ, Ricardo Lewandowski, pediu esse esclarecimento ao ministro e ele respondeu positivamente. Não há necessidade de análise jurídica do TJ. O ministro já disse que se aplica e temos convicção de que o tribunal fará o pagamento.

Se os 747 juízes e desembargadores da ativa e os 409 aposentados passarem a receber os R$ 4,3 mil a partir de 2015, a conta, somente no próximo ano, será de R$ 60 milhões.

– Somos a magistratura que menos ganha no Brasil. Com o auxílio, poderemos nos aproximar das carreiras de outros Estados – queixa-se Couto Terra.

Membros do Ministério Público também deverão entrar na fila para pedir o pagamento do auxílio-moradia, já que o Judiciário reconhece que deve haver simetria no recebimento de vantagens entre essas carreiras.

O pagamento do auxílio-moradia será uma preocupação a mais para quem se eleger governador, porque a fonte de financiamento dos poderes é uma só: os nossos impostos.

Meta de esvaziar o Presídio Central ainda está longe de ser atingida

19 de setembro de 2014 0

A promessa do governador Tarso Genro de esvaziar o Presídio Central até o fim do ano ainda está distante de ser atingida. Apesar disso, o petista tem comemorado a redução do número de detentos na casa prisional, em comparação ao que recebeu no início do seu governo. Em entrevista a ZH, falou que dificuldades impostas por Ministério Público e Judiciário diminuíram o ritmo de transferência de presos.

— Pela primeira vez o Presídio Central está sendo esvaziado, já são mais de 1.200 apenados que foram transferidos. É que nós enfrentamos uma dupla dificuldade: com as empresas que fazem os presídios, o emperramento dos controles e ações judiciais que vêm do Ministério Público. Temos ações que exigem a saída do apenados e ações que impedem a retirada. Isso dificulta a rapidez que queremos. Temos hoje cinco presídios para serem entregues. Até o fim do ano, a maior parte dos apenados será transferida.

Atualmente, o Central tem 4,1 mil presos. Em dezembro de 2010, o número chegava a 5,3 mil.

Quadro estável favorece Ana Amélia

19 de setembro de 2014 2

ABERTURA DE POLÍTICA+, SEXTA-FEIRA

A estabilidade nos índices dos candidatos ao governo do Rio Grande do Sul, detectada pela pesquisa do Datafolha, deve desconcertar a equipe de marketing do candidato Tarso Genro, que na última semana apostou todas as fichas no enfraquecimento da rival Ana Amélia Lemos. O PT esperava atingir a senadora com a denúncia de que ela ocupou um cargo em comissão no gabinete do marido, por 11 meses, há 28 anos. A notícia, publicada inicialmente no site Sul21, ligado ao PT, e reproduzida nos principais veículos de comunicação do Estado, foi amplificada nas redes sociais e apresentada no horário eleitoral como denúncia.
Nos cálculos dos petistas, o fato de ter sido funcionária do gabinete do marido e, ao mesmo tempo, colunista de ZH e diretora da sucursal da RBS em Brasília caracterizaria Ana Amélia como fantasma no Senado. O PT usou também a defesa da senadora como arma contra ela.
– Vasculharam a minha vida e tudo que encontraram foi trabalho – defendeu-se Ana Amélia, dizendo que a prática era comum há 30 anos e não havia ilegalidade.
Ana Amélia disse também que o salário era “baixinho”. O programa de Tarso foi às ruas perguntar a eleitores se achavam baixo um salário de quase R$ 9 mil, valor atualizado do que ela ganhava no Senado em 1986. A resposta levada ao ar, obviamente, foi não.
O caso de nepotismo foi um dos instrumentos usados para desqualificar Ana Amélia. Tarso também apontou, na TV, a inconsistência das propostas dela e mostrou um vídeo de 2010, no qual aparece defendendo a reeleição de Yeda Crusius.
A pesquisa foi feita em uma semana de forte exposição dos candidatos. Os principais deram entrevista ao Jornal do Almoço e a Zero Hora (a de Tarso foi ao ar depois de encerrada a coleta de dados).

Maioria dos eleitores do RS não sabe em quem votar para deputado

19 de setembro de 2014 2

Por Juliano Rodrigues

A pesquisa Datafolha que mostrou o cenário das eleições para Piratini e Senado também trouxe outros dados importantes, como a indefinição dos eleitores sobre em quem votar para deputado. Segundo a sondagem, apenas 23% dos entrevistados já definiram o seu candidato a deputado federal, enquanto 77% estão indecisos. A faixa etária com maior percentual de indecisos é a de 16 a 34 anos, na qual 82% ainda não definiram o voto.

Leia mais:
>>> Datafolha mostra Ana Amélia com 37% e Tarso com 27%
>>> Lasier tem 28% e Olívio aparece com 26%

Na corrida à Assembleia, os números são semelhantes: 27% das pessoas que responderam à pesquisa disseram já terem definido o candidato a deputado estadual. O restante, 73%, ainda não sabe em quem votar. As fatias do eleitorado com maior percentual de indecisos – 81% – são as das pessoas com Ensino Fundamental e renda familiar mensal de até dois salários mínimos.

Vendem-se cadeiras cativas no paraíso

18 de setembro de 2014 34

ABERTURA DE POLÍTICA+, QUARTA-FEIRA

Na propaganda eleitoral, nas entrevistas  e nos debates entre os candidatos, o céu é o limite em matéria de promessas. Os que estão no poder ou já passaram por algum cargo público apresentam suas realizações amplificadas por efeitos especiais. Ignorando restrições orçamentárias, acenam com obras, programas, serviços e vantagens impagáveis. Vendem para o eleitor a ilusão de que, com vontade política, tudo
é possível.
Quem se candidata a algum cargo precisa dizer às pessoas o que pretende fazer, mas o exagero leva ao descrédito. Uma das tarefas mais árduas de quem entrevista candidatos é arrancar respostas objetivas para as perguntas “como fazer” ou “com que dinheiro” será possível cumprir esta ou aquela promessa.
Depois do Mais Médicos, Dilma Rousseff, por exemplo, acena com o “Mais Especialidades”, um programa para oferecer consultas com especialistas e exames pelos quais hoje os usuários do SUS esperam meses ou até anos para conseguir. De onde sairão os especialistas e os recursos, não se sabe. No pacote de um próximo mandato, a presidente insere todas as mudanças que o PT não fez em 12 anos, incluindo a reforma política.
Quase todos os dias, Aécio Neves apresenta uma nova promessa, invoca os exemplos de Minas Gerais e diz que será possível cumpri-la com a gestão competente dos recursos. Promete, por exemplo, criar a carreira de médico federal, mas não dá detalhes de como funcionará, muito menos de quanto custará para os cofres públicos.
Marina Silva promete escolas de turno integral e ampliação dos investimentos na área social. Questionada sobre a origem do dinheiro para pagar a conta, cita a “redução de dois pontos na taxa Selic”, como se baixar juro por decreto não fosse uma contradição com a promessa de independência do Banco Central.
Na eleição para o governo do Estado não é diferente, mas a crise das finanças torna mais fácil a identificação das fantasias.

Novo vídeo de campanha do Detran mostra riscos de não utilizar cinto de segurança

17 de setembro de 2014 2

Começará a ser veiculado nesta quinta-feira o novo vídeo da campanha Viagem Segura, do Detran, para a conscientização dos motoristas sobre os perigos do trânsito. A peça publicitária aborda os riscos da não utilização de cinto de segurança.

Veja o vídeo abaixo:

Os outros vídeos elaborados para a campanha do Detran abordaram excesso de velocidade e ultrapassagem proibida. A exemplo das peças veiculadas anteriormente, nos feriados de Páscoa e Dia do Trabalho, as imagens são impactantes. O Detran apresentará mais duas peças até o final do ano, tratando da distância segura entre veículos e do uso de iluminação adequada.

Uma pesquisa encomendada pela autarquia para medir o impacto da campanha mostrou que 84% dos entrevistados consideram que os vídeos com imagens de acidentes são mais eficientes para conscientizar os condutores.

Na quinta-feira, o vídeo será veiculado nos telões da Arena do Grêmio antes do jogo do time gaúcho contra o Santos.

Mudança à vista na lei do piso

17 de setembro de 2014 21

ABERTURA DE POLÍTICA+, QUARTA-FEIRA

De quanto será o reajuste do piso do magistério em 2015, se a correção for pelo critério de hoje, que usa o Fundeb como parâmetro? A Confederação Nacional dos Municípios (CNM) projeta um aumento de 22,7%, considerado impagável por prefeitos e governadores que defendem a correção pelo INPC.
Diante desse quadro, o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, está convencido de que, passada a eleição, o governo mobilizará sua base para aprovar o projeto de lei número 3.776, que tramita no Congresso desde 2008, quando a lei do piso foi sancionada. Como a elevada correção é um pesadelo para prefeitos e governadores de diferentes partidos, não será difícil que a mudança seja efetivada, acredita Ziulkoski.
A correção pelo INPC estava prevista no projeto original encaminhado ao Congresso em 2007 pelo então presidente Lula. Foi alterado no Senado graças a um movimento encabeçado pelo senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Lula não quis vetar o artigo e sancionou na íntegra a lei que leva a assinatura dos ministros da Justiça e da Educação à época, Tarso Genro e Fernando Haddad. No mesmo dia, encaminhou o projeto alterando a lei do piso, mas nem ele nem a presidente Dilma Rousseff fizeram qualquer esforço para aprovar a mudança.
Por esta época, no ano passado, a previsão era de que o reajuste do piso, pelo Fundeb, seria de 18%. Em dezembro, o Ministério da Educação refez as contas e, num canetaço, o ministro Aloizio Mercadante fixou o índice de correção em 8,32%. Como a redução sofreu contestação na Justiça, Ziulkoski acredita que a única forma de o governo adotar um reajuste aceitável para prefeitos e governadores é aprovar o projeto que consagra o INPC como indexador.
O governador Tarso Genro é um dos principais defensores da mudança do índice de correção e usa a alteração feita no Congresso como justificativa sempre que é acusado de não cumprir uma lei que ele próprio assinou.

Na gangorra das pesquisas

16 de setembro de 2014 62

Divulgada no Jornal Nacional agora à noite, a mais recente pesquisa do Ibope aponta queda de três pontos na intenção de voto em Dilma Rousseff, estabilidade de Marina Silva e sinais de recuperação de Aécio Neves no primeiro turno. Comparada com o levantamento anterior do Ibope, divulgado na sexta-feira passada, Dilma caiu de 39% para 36%, Marina passou de 31% para 30% e Aécio subiu de 15% para 19%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, Dilma é líder no primeiro turno, mas segue empatada com Marina no segundo turno: a ex-senadora, tem 43% e a presidente, 40%. O Ibope ouviu 3.010 eleitores no sábado, 13 de setembro.
Os indícios de recuperação de Aécio também aparecem nas simulações de segundo turno. Na semana passada, o Ibope mostrava Aécio 11 pontos atrás de Dilma (44% a 33%). Na de hoje, a diferença caiu para sete pontos (44% a 37%). No confronto entre Marina e Aécio, ela tinha 51% e ele, 27%. Agora, a ex-ministra tem 48% e o senador, 30%.
A pesquisa captou um momento em que Dilma intensificou os ataques a Marina na propaganda de rádio e TV e Aécio passou a questionar com mais veemência a candidata do PSB. De sábado para cá, o programa de Dilma voltou a se focar nas realizações do governo e nas promessas para o segundo mandato. A estratégia de atacar Marina foi alvo de críticas e de reclamações da ex-ministra do Meio Ambiente.
O resultado do Ibope difere pouco do Vox Populi realizado sábado e domingo, que mostrou Dilma com 36% e Marina com 27%, uma vantagem de nove pontos para a presidente. No segundo turno, Marina tinha 42% e Dilma, 42% no Vox Populi. Em uma eventual disputa com Aécio, o Vox Populi apontou vantagem de 11 pontos para Dilma (47% a 36%).

Orçamento de 2015 prevê receita 12,5% maior

15 de setembro de 2014 44

A proposta de orçamento para 2015, encaminhada hoje à Assembleia Legislativa, deveria ter a capa cor de rosa, tal o otimismo embutido nos números. O valor global, de R$ 57,4 bilhões, é 12,5% superior ao deste ano. Mesmo com a economia brasileira em recessão técnica, o governo do Rio Grande do Sul trabalha com uma perspectiva de crescimento da arrecadação de ICMS em 12,4% e investimentos no valor total de R$ 2,5 bilhões.
Do total de investimentos, apenas uma parcela ínfima é de recursos próprios. Pelo menos
R$ 1 bilhão vêm de empréstimos já contratados para projetos que estão em andamento. A outra parte depende de novos financiamentos. Não estão contabilizados na proposta os empréstimos que o governo pretende tomar se for aprovada a renegociação da dívida, prometida para novembro, e que devem passar de R$ 3 bilhões.
Mesmo que as previsões otimistas se confirmem, e que a receita cresça acima de 12% (descontada a inflação, seria um crescimento real de cerca de 6%), o próximo governo terá de buscar receitas extraordinárias para cobrir as despesas. Só a folha de pagamento dos servidores terá um aumento de 14,5%. Além dos reajustes já aprovados, esse índice contempla o crescimento vegetativo da folha e aumento do completivo para que nenhum professor receba abaixo do piso.
Descontados os repasses para os municípios, a receita corrente líquida é de R$ 34,5 bilhões. O secretário da Fazenda, Odir Tonollier, garante que o orçamento é realista e que estão assegurados os 12% para a saúde e os 25% para a educação. Esse percentual é calculado sobre
R$ 27,6 bilhões, que vêm a ser a receita líquida
de impostos e transferências.
Não há, no orçamento de 2015, previsão para o efeito cascata da eventual aprovação, pelo Congresso, do reajuste de 22% pleiteado pelos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Virou moda pregar o fim da reeleição

15 de setembro de 2014 46

ABERTURA DE POLÍTICA+, SEGUNDA-FEIRA

De tempos em tempos, quando as coisas por algum motivo não vão bem na política, os brasileiros se agarram a uma panaceia. Depois dos protestos de junho, o PT e a presidente Dilma Rousseff cismaram que o caminho seria um plebiscito para fazer a reforma política que o Congresso se recusa a levar adiante. O PT ainda não desistiu da ideia. Agora, a moda é o fim da reeleição para cargos executivos e a volta do mandato de cinco anos. Entre seus defensores, estão os candidatos Marina Silva e Aécio Neves.
O problema do Brasil não é o instituto da reeleição, que funciona muito bem nas democracias maduras. É o abuso do poder político e econômico, com um sistema indecente de financiamento de campanhas, e isso não acaba se o prefeito, governador ou presidente for impedido de concorrer a um segundo mandato. Sem mecanismos de controle, para continuar no poder os partidos seguirão usando a máquina, seja o candidato o sucessor natural ou um poste.
Diante dessa onda, que envolve líderes que trabalharam para aprovar o direito de Fernando Henrique Cardoso disputar um segundo mandato, cabe a pergunta: quem garante que, daqui a alguns anos, por conveniência eleitoral, não se tentará uma nova mudança?
Se Fernando Henrique não tivesse podido disputar a reeleição, será que o Plano Real teria sobrevivido? Convém lembrar que seus dois principais adversários à época, Luiz Inácio Lula da Silva e Leonel Brizola, eram críticos do Plano Real. Brizola foi vice de Lula, e FH os derrotou no primeiro turno.
A reeleição não é um problema em si. Pelo contrário, é a oportunidade que os eleitores têm de mandar para casa um governante com o qual não estejam satisfeitos, em vez de aturá-lo por mais um ano como ocorreu com José Sarney. Alguém acredita que Sarney teria sido reeleito?

Nepotismo entra na campanha

13 de setembro de 2014 47

A pergunta mais ouvida ontem nas discussões sobre a eleição era sobre o efeito da notícia de que Ana Amélia Lemos (PP) ocupou um cargo em comissão no gabinete do marido, o então senador Octávio Cardoso, de abril de 1986 a março de 1987. Divulgada inicialmente no site Sul21, a história movimentou as redes sociais e deverá ser abordada na propaganda de rádio e TV de Tarso Genro na próxima semana, com o enfoque de que Ana Amélia era “funcionária fantasma do gabinete do marido”.
A senadora definiu a nomeação como “um erro de quase 30 anos atrás”, que estaria sendo explorado politicamente pelo PT. Refutou a acusação de que era “funcionária fantasma” e disse que ajudava Cardoso na elaboração de discursos e na seleção de notícias que mereciam ser lidas, a chamada “clipagem”.
A acusação dificilmente produzirá efeito entre os eleitores cativos de Ana Amélia. O PT vai tentar atingir os que votam nela impactados pela ideia de novidade e pela imagem construída em mais de três décadas como jornalista. Outro subproduto da denúncia é enfraquecer o discurso da senadora contra os cargos em comissão e desconcertá-la nos debates.
Até os anos 1990, era prática corriqueira no Congresso os deputados e senadores nomearem mulheres e filhos para cargos em comissão. O nepotismo vicejava no Legislativo, no Executivo e no Judiciário. Também era comum os jornalistas terem um emprego na iniciativa privada e outro no setor público. Hoje, essas práticas são inaceitáveis.
Uma das primeiras reações dos aliados de Ana Amélia foi resgatar uma reportagem da Folha de S.Paulo mostrando que, quando foi prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro nomeou para um cargo em comissão a cunhada Silvia Lemos, que era sua secretária no escritório de advocacia em que trabalhava.

No Estado da intolerância

12 de setembro de 2014 22

Por que no Rio Grande do Sul tudo tem de ser assim, na ponta da faca? Será a herança da Revolução Farroupilha, das degolas, da construção do mito de uma terra de homens valentes? A intolerância se materializa em atos como o incêndio ao CTG de Santana de Livramento que abrigaria um casamento coletivo e foi semidestruído porque um dos casais é formado por duas mulheres. A intolerância se manifesta em gestos como o do imbecil que tentou incendiar a casa de Patrícia Moreira, a jovem que cometeu injúria racial contra o goleiro Aranha. E o nosso hino tão cantado neste setembro ainda sugere que “sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra”.
Nesse mar de intolerância, um texto publicado no Facebook por uma jovem universitária foi a gota d’água que fez transbordar o copo da minha indignação. Diz a menina: “OBRIGADA ao querido que me atirou no chão e disse as seguinte palavras: ‘sapatão tem que apanhar mesmo’. Não pela dor física, mas a psicológica, o lado que me faz pensar que essa merda de mundo não tem jeito mesmo. Espero estar errada, mas até o momento não vejo como isso seria possível. Isso tudo porque eu cortei meu cabelo? Isso seria então um bom motivo para me julgarem?
Obrigada, mas esse julgamento preconceituoso eu dispenso.”
Essa menina, cujo nome não vou revelar porque não tenho autorização, havia cortado o cabelo por uma causa muito nobre: para ajudar crianças com câncer. Doou um pedaço do seu cabelo para que se transformasse em peruca para uma criança que ficou carequinha em consequência da quimioterapia. Na rua, encontra um monstro que cisma de agredi-la por desconfiar que uma menina de cabelo cortado tipo “joãozinho” é obrigatoriamente lésbica. “Sapatão” foi a palavra usada pelo brutamontes que jogou a garota no chão. E se ela fosse homossexual, qual o problema?
É por essas e por outras manifestações insanas surgidas nas redes sociais nos últimos dias, somada à fúria de pastores e devotos contra os gays, que considero chegada a hora de desengavetar o projeto que criminaliza a homofobia. Esse assunto não pode ser discutido somente em véspera de eleição, na guerra entre candidatos.

Sartori surpreende pela sinceridade

12 de setembro de 2014 43

ABERTURA DE POLÍTICA+, SEXTA-FEIRA

Bem que o Cpers tentou colocar os candidatos a governador contra a parede e arrancar de todos um  compromisso assinado com 11 reivindicações dos professores, entre as quais o pagamento do piso do magistério como básico do plano de carreira. Líder nas pesquisas de intenção de voto, a senadora Ana Amélia Lemos (PP) foi a primeira a participar da sabatina e assinou o documento, mas fez uma ressalva verbal: fará “o esforço máximo para pagar o piso”.
Ontem, José Ivo Sartori (PMDB) teve uma atitude incomum para um candidato em véspera de eleição: recusou-se a assinar o documento e admitiu propor alterações no plano de carreira para cumprir a lei do piso.
– Quando fui prefeito, cumpri meu papel sem assinar qualquer papel. Nunca fiz isso, não seria agora que eu iria fazer, porque não é da minha conduta. Quem assinou a lei do piso não cumpriu. O que frustra a população é a promessa e as assinaturas indevidas de protocolos que depois não se executam.
Questionado pela presidente do Cpers, Helenir Oliveira, se planeja mexer no plano de carreira, Sartori surpreendeu novamente por falar a verdade, mesmo correndo o risco de perder votos. Admitiu propor a mudança do plano, apesar de saber que os professores não querem ouvir falar de alterações.
– Os professores têm de oferecer uma contrapartida. Não podem ter só exigências. Isso vai fazer parte da conversa. Onde vamos arrumar o dinheiro? Ou temos todos boa vontade ou vamos ficar nessa postura antiga de continuar com o conflito.
Ontem à tarde, Vieira da Cunha (PDT) passou pela mesma sabatina. Disse que vai fazer o possível e o impossível para pagar o piso e assinou a carta apresentada pelo Cpers. Por questões de agenda, Tarso Genro marcou a conversa com o sindicato para o dia 25. A dúvida é: assinará o documento, como Ana Amélia e Vieira, ou seguirá o exemplo de Sartori?

Confira a íntegra do documento do Cpers

Ibope, Datafolha e Vox Populi na mesma linha

10 de setembro de 2014 64

Com pequenas variações, dentro da margem de erro de três pontos para mais ou para menos, as pesquisas do Ibope e do Datafolha são coerentes entre si e com o levantamento do Vox Populi, divulgado na terça-feira pelo site Sul21. Todos mostram Ana Amélia Lemos em primeiro lugar, com vantagem de 8 a 10 pontos. Nas simulações de segundo turno, os três institutos indicam a vitória de Ana Amélia, com vantagem de 13 pontos no Datafolha, 15% no Vox Populi e 16% no Ibope.
Nas últimas três semanas, os índices dos candidatos a governador só se mexeram dentro da margem de erro. A pesquisa anterior do Ibope era da metade de agosto, quando Ana Amélia e Tarso ainda estavam empatados. Os números de José Ivo Sartori também são idênticos nos três institutos: 11% no Ibope e no Datafolha e 12% no Vox Populi. Vieira da Cunha não decolou: tem 2% no Ibope e no Datafolha e 3% no Vox Populi.
O quadro de estabilidade na eleição para governador pode ser explicado pelo aumento do interesse na eleição para presidente, que deixou em segundo plano a disputa do Piratini. Os números indicam, também, que o eleitor não está dando a mínima atenção para a propaganda de rádio e TV, item responsável pela maior parte dos gastos de campanha. Com a popularização da TV a cabo e da internet, o eleitor foge do horário eleitoral e a influência das produções torna-se quase nula.
A principal movimentação ocorreu na eleição para o Senado. No Ibope, Lasier Martins abriu vantagem de seis pontos sobre Olívio Dutra (30% a 24%). O senador Pedro Simon, último a entrar na disputa, está com 14%. No Vox Populi, Lasier tem 28%, Olívio, 27% e Simon, 14%. O Datafolha só vai divulgar hoje o resultado da pesquisa para o Senado.

Datafolha cristaliza empate entre Dilma e Marina

10 de setembro de 2014 2

A nova pesquisa do Datafolha sobre a sucessão presidencial reforça o cenário desenhado no levantamento do MDA, divulgado ontem pela Confederação Nacional dos Transportes: consolidação do empate técnico entre Dilma Rousseff e Marina Silva no primeiro turno e no segundo turnos, com variações dentro da margem de erro.
A situação de Dilma teve leve melhora em relação à semana passada, mas o quadro pode ser considerado indefinido.
Relembrando, na pesquisa do Datafolha divulgada em 3 de setembro Dilma tinha 35% e Marina, 34%. Agora, a presidente tem 36% e a ex-ministra, 33%. No segundo turno, Marina levava uma vantagem de sete pontos na semana passada (48% a 41%). Agora, a diferença caiu para quatro pontos (47% a 43%), o que significa empate técnico.
Pelos números do Datafolha, a delação premiada do ex-diretor da Petrobras, com a revelação de nome de aliados do governo que teriam recebido propina, não produziu qualquer efeito nas intenções de voto dos eleitores. Aécio Neves, o candidato que mais bateu no governo por conta das denúncias de corrupção na Petrobras, não conseguiu sair dos 15% (em 18 de agosto ele tinha 20%).
A situação pode mudar com a decisão judicial que mandou entregar às CPIs da Petrobras os documentos relativos à delação premiada de Costa. Mesmo que a CPI tenha compromisso com o sigilo, esse tipo de informação sempre acaba vazando. Os próximos dias serão tensos nos comandos de campanha.