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Prejuízos e insegurança nas estradas

02 de março de 2015 0

O que se viu hoje na BR-116 e na entrada de Camaquã, no confronto entre caminhoneiros e a polícia, mostra que o governo federal subestimou a força da manifestação. Não foi apenas o bloqueio da principal rodovia que liga a Capital ao sul do Estado, mas um protesto violento, que acabou atraindo outros descontentes com o governo. Pode ser uma prévia do que vem por aí a partir das manifestações previstas para 15 de março.
A ideia de que a sanção da Lei dos Caminhoneiros, pela presidente Dilma Rousseff, acalmaria os ânimos, não se confirmou. Pelo contrário: a tensão aumentou com a prisão de manifestantes e com a decisão do governo de usar a Força Nacional de Segurança para desobstruir a rodovia e garantir o transporte de combustíveis e alimentos para o sul do Estado. Dez municípios da região enfrentam falta de gasolina e diesel, escolas suspenderam as aulas e o prejuízo causado pelos bloqueios é incalculável.
Só na indústria de transformação, a perda diária é estimada em R$ 760 milhões. Esse número foi apresentado ontem, em reunião das federações empresariais do Estado, na Fiergs. Um dos segmentos mais afetados é o da indústria de alimentos, por lidar com produtos perecíveis. Nesse setor, calcula-se que o prejuízo diário chega a R$ 152 milhões.
O conflito nas estradas ameaça a segurança de quem não tem nada a ver com a briga dos caminhoneiros com o governo. Na noite de domingo, os manifestantes já haviam feito barricadas semelhantes às montadas ontem, queimando um carro velho e obstruindo a rodovia com um tronco de árvore. Ontem, em Camaquã, motoristas e passageiros de carros e ônibus correram riscos ao passar pela área em que manifestantes atiravam rojões, paus e pedras na polícia e os agentes respondiam com balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo.

Perguntas que precisam ser feitas

14 de fevereiro de 2015 53

Pelo andar da carruagem, as medidas de maior impacto planejadas pelo governo Sartori só serão divulgadas depois que a população se convencer de que a situação financeira do Estado é, de fato, crítica. Por enquanto, nem os aliados estão convencidos de que a fonte de financiamento do déficit secou.

Enquanto o governo faz cortes cosméticos e evita discutir medidas mais profundas, a coluna propõe que se discuta qual é o sentido de se manter como intocáveis certas estruturas incompatíveis com a ideia de um Estado moderno e eficiente e de perpetuar benefícios que não cabem no orçamento. Algumas perguntas sobre as quais o governador e seus secretários deveriam refletir:

1. Qual é o sentido de manter uma estrutura cara como o Tribunal de Justiça Militar, que vai custar neste ano R$ 36,6 milhões?

2. Antes de nomear mais professores, por que não devolver para a sala de aula pelo menos metade dos milhares que trabalham em funções burocráticas nas coordenadorias regionais de educação, nas próprias escolas ou em outros órgãos públicos?

3. É aceitável que os coronéis da Brigada Militar se aposentem com menos de 50 anos de idade? E que o Estado tenha 480 coronéis inativos para 29 em atividade?

4. Qual é a lógica do pagamento de licença-prêmio por assiduidade a servidores públicos que têm estabilidade no emprego e ganham três meses de folga a cada cinco anos trabalhados?

5. Como se justifica a manutenção de uma estrutura inchada na Casa Militar, que já teve mais de 130 PMs cedidos? Hoje são 67, mas o quadro ainda não está fechado.

6. Por que o Estado paga gratificação de permanência a servidores que já completaram o tempo de aposentadoria, sem medir a produtividade e sem questionar a real necessidade de prorrogar a permanência.

7. Até quando o Estado vai continuar pagando aluguel, enquanto é dono de imóveis subaproveitados?

Pipas e origamis para dizer adeus a Carlos Urbim

13 de fevereiro de 2015 7

Carlos Urbim, o guri daltônico nos deixou nesta manhã de neblina em pleno fevereiro. Sou tentada a achar que as nuvens desceram até o chão em Porto Alegre para envolver a alma do nosso querido amigo e carregá-lo para a eternidade. Urbim nos deixa órfãos de suas risadas, de seu sotaque fronteiriço, de seus textos que encantam crianças e adultos, da sua bondade, do seu jeito de eterno guri, mesmo que tenha se tornado avô.
Há 22 anos, eu só conhecia o Urbim dos livros. Entramos no mesmo dia em Zero Hora, no inverno de 1992. No processo de integração nasceu uma admiração pela pessoa generosa que ele era. Foi amizade à primeira vista.
Com meus filhos pequenos, frequentei suas inspiradas sessões se autógrafo, que arrebatavam as crianças. Depois ele saiu de ZH e passamos a nos ver menos. Nos aniversários da Cíntia Moscovich e do Luiz Paulo Faccioli, sempre com a sua Alice, nos eventos da literatura, na Feira do Livro. Ele foi um patrono carismático como poucos, iluminando a Praça da Alfândega com sua luz.
Se eu pudesse escolher um jeito para me despedir do Urbim, reuniria os amigos e soltaria pipas de todas as cores numa colina do Pampa. Pipas que ele veria com outras cores, transformadas pelo olhar daltônico e pelo jeito todo próprio de enxergar poesia onde a maioria das pessoas vê apenas um papagaio de papel de seda. Em vez de flores, eu faria como os japoneses: enfeitaria a despedida do meu amigo com cordões de origamis, pequenos tsurus de todas as cores, voando ao encontro desta alma que se desgarrou do corpo e cobriu de neblina o céu de Porto Alegre.

Tesoura afiada antes do decreto

13 de fevereiro de 2015 9

ABERTURA DE POLÍTICA +, SEXTA-FEIRA

Estava tudo preparado para a divulgação do decreto que revisa o orçamento de 2015 para torná-lo mais adequado à realidade financeira do Estado, mas o governador José Ivo Sartori pediu tempo para analisar os cortes durante o feriadão. Na prática, a chamada reprogramação orçamentária, feita normalmente no primeiro trimestre de cada ano, já começou.
A Fazenda definiu cotas para cada secretaria, com cortes que variam de 25% a 40% nas despesas de custeio. Os chefes das pastas tiveram de informar como reduzirão os gastos para atingir a meta. O receituário varia de secretário para secretário.
Na Educação, Vieira da Cunha decidiu não cortar nenhum programa, mas reduzir os recursos destinados a parte deles. Na Cultura, Victor Hugo optou por eliminar cargos de confiança, designando diretores que responderão por mais de uma instituição.
Até agora, o corte de maior impacto é o do repasse para santas casas e hospitais filantrópicos. Desde que o secretário João Gabbardo comunicou a redução do repasse de R$ 103 milhões mensais para R$ 70 milhões, o setor está em pé de guerra. No próximo dia 27, haverá assembleia para debater a suspensão dos atendimentos pelo SUS. A Federação das Santas Casas cobra também o pagamento de uma dívida de R$ 255 milhões.
O governo concluiu que só na Saúde as contas deixadas pela gestão anterior passam de R$ 700 milhões. No total, os restos a pagar chegam a R$ 1 bilhão.
A radiografia da situação das finanças, já com os números de janeiro e da primeira quinzena de fevereiro, serão apresentados publicamente depois do Carnaval, com os cortes previstos no decreto.
O governo optou por não divulgar agora as medidas mais duras que pretendia anunciar com a radiografia das finanças. A avaliação é de que, antes, é preciso convencer a população e os aliados de que a situação do Estado é mesmo crítica. A crise deve se agravar a partir de março.

Primeira-dama terá status de secretária

12 de fevereiro de 2015 24

Um mês e meio depois da posse, o governo de José Ivo Sartori criou a 20ª secretaria para permitir que a primeira-dama, Maria Helena Sartori, se licenciasse da Assembleia sem precisar renunciar ao mandato. O Gabinete de Políticas sociais ganhou status de secretaria, vinculado ao Gabinete do Governador, porque Maria Helena é a segunda suplente da bancada do PMDB e assumiria na Assembleia com a ida de Fábio Branco e de Juvir Costella para o secretariado. Em outubro ela fez 31.234 votos.
O governo Sartori tem agora 20 secretarias de 21 secretários. O coordenador de Comunicação, Cleber Benvegnu, tem status de secretário.
Antes da posse, Sartori anunciou que o papel de Maria Helena no governo seria “apenas de primeira-dama”, sem remuneração. Como a lei prevê que um deputado só pode se licenciar do cargo para ser secretário de Estado, a solução jurídica encontrada foi acomodá-la numa secretaria extraordinária. A cadeira na Assembleia será ocupada por Ibsen Pinheiro, que ficou na terceira suplência.
Como se dividirá entre as atividades de secretária e de primeira-dama, Maria Helena abriu mão de 50% do salário de R$ 18,9 mil, pagos aos secretários. Ela assume a secretaria nesta sexta-feira.
Em pronunciamento na Assembleia, Maria Helena explicou a decisão de abrir mão de 50% do salário:
_ Sei que não posso separar em que momento estarei primeira-dama ou secretária. Mas, por uma questão de foro íntimo, tomei essa decisão.
No Gabinete de Políticas Sociais, a primeira-dama elegeu como focos de atuação as políticas para as mulheres, o Primeira Infância Melhor e a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Violência Escolar (Cipave).

Um serviço que precisa ser mantido

11 de fevereiro de 2015 20

ABERTURA DE POLÍTICA+ QUARTA-FEIRA

Se alguém ainda tinha dúvida sobre a necessidade de o Estado oferecer um serviço de transporte de pacientes em estado grave, deve ter se convencido diante do caso da criança argentina que caiu da sacada de um hotel em Capão da Canoa. O desencontro de informações reabriu o debate sobre o assunto e forçou o secretário da Saúde, João Gabbardo, a reafirmar que o serviço não será suprimido na esteira do pacote de contenção de gastos.
Depois de uma nota oficial pouco esclarecedora, emitida pela Secretaria da Saúde, Gabbardo disse à coluna que não determinou a suspensão do serviço e que o convênio com a equipe hoje responsável pelo atendimento está mantido. O secretário abriu uma investigação para saber por que uma atendente da equipe de regulação do SUS disse que o transporte aeromédico não existia mais.
A médica Rossana de Carli, que atendeu o menino na emergência do Hospital Santa Luzia, em Capão da Canoa, relatou ter enfrentado dificuldade para obter a autorização para a remoção na aeronave da Brigada Militar. Disse que precisou implorar para trazer a criança de helicóptero para o Hospital de Pronto Socorro e só conseguiu a autorização depois de 45 minutos, o que retardou o atendimento.
Gabbardo informou que o serviço será mantido, mas o governo está repensando quem vai prestar o atendimento e se os dois helicópteros comprados para esse fim serão exclusivos da Secretaria da Saúde. O governo estuda o uso compartilhado com a Secretaria da Segurança.
Se depender da opinião do secretário, o atendimento dos pacientes que precisam ser transportados de helicóptero será feito por médicos e enfermeiros do Samu, os mesmos que trabalham nas ambulâncias. Se essa for a opção, as equipes receberão treinamento especial para atuar em aeronaves.

ALIÁS: O uso do helicóptero da Uniair para ir a uma feijoada no Litoral faz lembrar a resposta do então candidato José Ivo Sartori à equipe do La Urna, quando perguntado sobre o que cortaria: “Viagenzinha em demasia. Não se pode mexer naquilo que é importante na vida das pessoas”.

De helicóptero se vai mais rápido

10 de fevereiro de 2015 33

Ilegal não é, mas chama atenção pela contradição entre o discurso de austeridade e a prática: minutos após pregar união para enfrentar a crise financeira, na abertura da colheita do arroz, sábado, em Tapes, o governador José Ivo Sartori embarcou em um helicóptero da Uniair rumo ao Litoral Norte, mesmo sem ter compromissos oficiais na agenda.
Conforme o Palácio Piratini, o custo da viagem – incluindo o percurso de cerca de cem quilômetros entre Porto Alegre e Tapes – foi de R$ 13 mil.
De Tapes, Sartori seguiu de helicóptero para Capão da Canoa. Desembarcou no Centro de Formação Aeropolicial e partiu para Xangri-lá, onde participou da feijoada de aniversário do vereador de Porto Alegre Idenir Cecchim (PMDB). Na comitiva, também estavam o presidente da Assembleia, Edson Brum (PMDB), e o secretário da Segurança, Wantuir Jacini, que acompanharam Sartori na feijoada.
O Piratini informou que o governador optou por  viajar de helicóptero e não de carro, para chegar ao compromisso “mais rápido”.
Depois da parada em Xangri-lá, Sartori percorreu cerca de 70 quilômetros, de carro, até Torres, para descansar ao lado da família. O retorno para Porto Alegre, segundo a assessoria, foi de automóvel.
A assessoria explicou ainda que as aeronaves da Brigada Militar não foram utilizadas como de costume porque uma delas estava em manutenção e a outra, cedida para a Operação Golfinho. Já o presidente da Assembleia disse que, como estava de “carona”, não houve “nenhuma despesa extra” aos cofres públicos.
Nos últimos quatro meses de sua gestão, Tarso Genro contratou duas vezes os serviços da Uniair. Em novembro, “visando compromissos de interesse público”, o petista viajou para Xangri-lá, ao custo de R$ 9,1 mil, e para Lagoão (R$ 13 mil). O Estado possui contratos com a Uniair, empresa da Unimed-RS que presta serviços aéreos, para transporte executivo e aeromédico.

helicoptero

Colaborou: Cleidi Pereira

 

 

Eu, tu, eles, nós, vós, eles

09 de fevereiro de 2015 32

Se os petistas querem ajudar a presidente Dilma Rousseff a sair da crise que corroeu sua popularidade, a primeira coisa a fazer é parar de justificar os erros com os argumentos de que os outros também fizeram. Ou que os outros fizeram pior e não foram investigados.
Nada pode ser mais ofensivo para os brasileiros honestos do que essa ideia de que o roubo na Petrobras é coisa pouca perto do que teria sido desviado em outros escândalos, como o do Banestado. Não se pode transigir com a corrupção nem passar a ideia de que um erro justifica outro.
É verdade que o PT não inventou a corrupção nas obras públicas e que se roubava na Petrobras antes da chegada do ex-presidente Lula ao poder. Está aí o ex-gerente Pedro Barusco para confirmar que começou a receber propina em 1997. Está aí o Caso Alstom, para mostrar que os tucanos, encastelados no poder em São Paulo desde Mario Covas, também sujaram as mãos. O que não dá para aguentar é essa mania dos dirigentes petistas de culparem a “mídia” pela exposição das entranhas de um esquema milionário de corrupção que veio à tona pela investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.
Na campanha eleitoral, Dilma já usou esse argumento de que a diferença entre os escândalos dos governos petistas e os anteriores é que antes se engavetavam acusações. Ora, o PT está no poder desde 2003. A Polícia Federal teve tempo de sobra para investigar os malfeitos do passado. Por que não o fez?
Dilma não vai sair do atoleiro com discurso, até porque a comunicação é um dos seus pontos fracos. O que a presidente e seus ministros precisam é apresentar ao país  um programa consistente para sair da crise. E não passar a mão na cabeça de quem ajudou a afundar uma empresa com o tamanho, a importância e a reputação da Petrobras, mesmo que seja um companheiro de partido.

De mal a pior

08 de fevereiro de 2015 25

Por qualquer ângulo que se olhe, a pesquisa do Datafolha divulgada no fim de semana é péssima para a presidente Dilma Rousseff. Além de uma queda vertiginosa de popularidade – de 42% de bom e ótimo em outubro para 23% em fevereiro –, a pesquisa mostra um conjunto de números desfavoráveis ao governo e uma percepção negativa do futuro: 55% acham que a situação econômica do país vai piorar.
Dilma paga o preço de ter vendido na campanha eleitoral um país de ficção, que se desnudou antes mesmo da posse. As medidas adotadas nos primeiros dias do segundo mandato, combinadas com as novas descobertas da Operação Lava-Jato, fizeram o índice de reprovação (soma de ruim e péssimo) saltar de 24% para 44%. Essa relação entre aprovação e rejeição é a pedra no sapato da presidente: os que consideram o governo ruim ou péssimo representam quase o dobro dos que o avaliam como bom ou ótimo. Para um terço dos entrevistados, o governo é regular.
Era previsível que a popularidade baixasse com as medidas duras que estão sendo adotadas para devolver o equilíbrio às contas públicas, mas a crise na Petrobras empurrou os índices para além das previsões, abaixo até do que parecia ser o fundo do poço, os protestos de junho de 2013.
A Petrobras arrastou a imagem da presidente para o pântano da desconfiança: 77% dos 4 mil entrevistados pelo Datafolha dizem que ela tinha conhecimento do esquema de corrupção na estatal. Para 52%, ela sabia dos desvios e permitiu que continuassem. Seis em cada 10 entrevistados acham que Dilma mentiu na campanha.
Os piores números são os da expectativa dos brasileiros: 81% acham que a inflação vai aumentar e 62% acreditam que o desemprego vai crescer, daí a percepção de 55% de que a situação econômica vai piorar.

Olívio Dutra defende expulsão de tesoureiro e lamenta: "PT caiu na vala comum"

06 de fevereiro de 2015 13

Por Juliano Rodrigues – juliano.rodrigues@zerohora.com.br

Uma das raras vozes dissonantes ao discurso oficial da direção do PT de defesa do tesoureiro João Vaccari Neto das acusações de corrupção, o ex-governador Olívio Dutra afirmou nesta sexta-feira que o partido “já deveria” ter expulsado Vaccari da sigla e decretou:

— O PT caiu na vala comum dos outros partidos.

Olívio faz parte da oposição interna da legenda ao grupo político que comanda o diretório nacional e já se manifestou publicamente reiteradas vezes contra a proteção do PT aos envolvidos no escândalo do mensalão.

Delator diz que PT recebeu US$ 200 milhões em propinas da Petrobras

Em entrevista a ZH, o ex-governador lembrou que o PT não aprendeu com as lições do episódio do mensalão e disse que o afastamento de suspeitos de envolvimento na Operação Lava-Jato “já vem tarde”.

— Tem uma ferrugem contaminando as engrenagens do partido. As punições já vêm tarde. Medidas têm de ser tomadas e já vêm tarde, porque não foram tomadas atitudes com outras coisas (mensalão) e a ferrugem foi se alastrando. É evidente que o PT, primeiro, tem de reconhecer que houve figuras importantes do partido e do governo que cometeram atos totalmente contrários aos princípios que fundamentaram a criação do PT e fundamentam a sua existência.

Olívio afirmou também que o PT precisa “retomar a sua conduta” original. Segundo o ex-governador, o partido precisa parar de tentar transferir as responsabilidades pelas atitudes dos supostos envolvidos no esquema de corrupção na Petrobras. O petista diz que o PT “precisa dar exemplo”:

— O partido tem de demonstrar claramente isso e não ficar tergiversando, desconversando e às vezes até alisando os pelos de quem está, se não envolvido de imediato, com elementos seríssimos de que participou ou participa de esquemas que privatizam o Estado por dentro. Caímos na vala comum por essas atitudes de figuras não só como essa como de outros. Então não é uma coisa isolada. Infelizmente, estamos imitando outros partidos. Não temos que estar achando: “Ah, os outros fizeram pior, os outros fizeram igual”. Não tem que ficar querendo justificar essas atitudes. Tem de assumir que elas foram erradas, criminosas e o partido tem de retomar a sua conduta.

Nesta sexta-feira, a direção nacional do PT está reunida em Belo Horizonte para discutir o futuro e comemorar os 35 anos de fundação do partido. Antes mesmo da conclusão da investigação sobre os desvios em contratos da Petrobras para o PT, que teriam sido mediados por João Vaccari Neto, o presidente da sigla, Rui Falcão, garante que o tesoureiro é inocente.

Dilma flerta com o perigo

06 de fevereiro de 2015 3

Se estivesse voando com céu de brigadeiro, com a economia nos trilhos e a popularidade em alta, a presidente Dilma Rousseff poderia dar-se o luxo de indicar para o comando da Petrobras uma pessoa de sua confiança, sem se preocupar com o que o mercado vai pensar. Com uma CPI no seu encalço, Dilma não está em condições de fazer aventura e isso torna mais incompreensível a transferência do presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, para a presidência de uma estatal que precisa de oxigênio e mão de ferro contra a corrupção para recuperar a credibilidade.
Bendine, a quem Dilma chama de “Dida”, é um burocrata que fez carreira no Banco do Brasil e chegou ao topo da carreira no governo do ex-presidente Lula. Nem de longe tem o perfil que poderia fazer as ações da Petrobras se recuperarem, mas Dilma o escolheu assim mesmo, o nome vazou antes do fechamento do mercado e o resultado foi mais uma queda na Bovespa.
É possível que Dilma tenha escolhido Bendine pelos bons resultados que obteve como presidente do Banco do Brasil, mas também pode ter sido por absoluta falta de opção. Diante da renúncia coletiva da direção da Petrobras, um dia depois do aviso prévio, a presidente tinha 24 horas para escolher os substitutos. Henrique Meirelles, tido como o preferido do ex-presidente Lula e um dos poucos nomes capazes de acalmar o mercado, teria dito não. Outros executivos cotados podem ter preferido continuar na zona de conforto das empresas que dirigem a assumir o leme de uma Petrobras em frangalhos ou sido vetados por excesso de proximidade com o mercado. Essas especulações pontuaram as conversas desta sexta-feira, diante da falta de informações oficiais.
Em meio ao escândalo da Petrobras, com desvios bilionários de dinheiro, entregar a presidência a um homem que tem a confiança do governo há seis anos soou como um sinal de que Dilma preferiu alguém “da turma” ou um “mandalete”. Ressalve-se que Bendine não está envolvido em nenhum grande escândalo, mas há  pontos mal explicados de sua biografia que justificariam maior cautela. Causa estranhamento a informação de que, sendo presidente de um banco, pagava contas com dinheiro vivo e não com cheque administrativo ou transferência eletrônica. Em agosto do ano passado, o novo presidente da Petrobras pagou multa de R$ 122 mil à Receita Federal após ser autuado por não comprovar a procedência de aproximadamente R$ 280 mil informados na sua declaração de Imposto de Renda.
Bendine também foi alvo de suspeitas pela concessão de um empréstimo subsidiado de quase R$ 3 milhões, de um programa do BNDES, à socialite  Val Marchiori, a “perua” do reality show Mulheres Ricas, sem as garantias necessárias e sendo a cliente devedora do banco. À época, justificou que o crédito foi aprovado por três comitês, que envolveram no mínimo 17 técnicos de carreira.

Desconto no salário do governador e do vice

05 de fevereiro de 2015 11

No contracheque de janeiro, o governador José Ivo Sartori e o vice, José Paulo Cairolli, receberam subsídio idêntico ao de seus antecessores (R$ 17.347,14 para o governador e R$ 11.564,76). O aumento sancionado em janeiro não foi implementado na folha porque faltava encontrar o caminho legal para fazer o estorno.
Em fevereiro, o valor bruto aparecerá com a correção (R$ 25.322,25 no caso de Sartori e R$ 18.991,69 no do vice), mas será estornada a diferença para que o líquido seja exatamente igual ao de janeiro. O Imposto de Renda e a contribuição para o Instituto de Previdência do Estado serão calculados pelo valor bruto.
A  Secretaria da Fazenda teve de criar uma nova rubrica no sistema de pagamento, para permitir o retorno do dinheiro aos cofres públicos.

Sartori e Cairoli abriram mão do aumento por tempo indeterminado, mas o subsídio de governador e vice é o valor corrigido.

 

Crise chega às portas do Planalto e ao cofre do PT

05 de fevereiro de 2015 28

A cada nova etapa da Operação Lava-Jato, a crise da Petrobras se aproxima um pouco mais do Palácio do Planalto e do Partido dos Trabalhadores. Na My Way, a ramificação deflagrada ontem, confirmou-se o que os petistas temiam: o tesoureiro João Vaccari Neto foi levado para depor. Tecnicamente, não chegou a ser preso, mas “condução coercitiva” é quase a mesma coisa.
E o motivo que levou os investigadores a interrogar Vaccari Neto é um depoimento do tipo arrasa-quarteirão do ex-gerente Pedro Barusco, aquele que na delação premiada aceitou devolver quase US$ 100 milhões roubados da Petrobras.
Os petistas tentam desqualificar Barusco usando o argumento de que é um criminoso tentando obter redução de pena pela delação premiada, mas os agentes envolvidos nas investigações da Lava-Jato não se preocupam com o caráter dos delatores. Deles, querem apenas informações que ajudem a montar o quebra-cabeça da corrupção.

Sem apresentar provas, Barusco disse em seu depoimento que o PT recebeu entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões em propina, entre 2003 e 2013, para financiar campanhas políticas. O esquema envolveria 14 empresas prestadoras de serviços da Petrobras.
“O pagamento de propina dentro da Petrobras era algo endêmico e institucionalizado”, definiu Barusco na delação premiada.
A divulgação do conteúdo do depoimento e a nova fase da Lava-Jato coincidiram com a criação da CPI da Petrobras, primeiro ato da gestão de Eduardo Cunha na Câmara. A CPI foi viabilizada graças à assinatura de deputados da base do governo, que se esboroa diante de uma presidente catatônica, que aparenta ter perdido o controle da situação.
É improvável que a CPI avance um centímetro à frente da Polícia Federal e o Ministério Público. Nem é essa a pretensão da oposição. O que os adversários de Dilma querem é desgastá-la ao máximo, abrindo caminho para um processo de impeachment, uma ameaça cada vez mais concreta.

Graça já vai tarde, mas ela é o mal menor

05 de fevereiro de 2015 4

ABERTURA DE POLÍTICA+, QUINTA-FEIRA

Caricata, a quase ex-presidente da Petrobras Graça Foster virou uma espécie de símbolo do naufrágio da maior e mais tradicional empresa brasileira, mas é preciso que se diga: ela não pode ser o bode expiatório. É provável que a corrupção na Petrobras tenha começado muitos anos antes, mas as investigações da Operação Lava-Jato mostram que cresceu, floresceu e se multiplicou na gestão de Sérgio Gabrielli, no governo do ex-presidente Lula.
Graça não teve habilidade para conduzir a Petrobras na maior crise da sua história e só caiu depois da divulgação do balanço desastroso e das explicações inconsistentes que acompanharam os números. Sangrou em praça pública durante meses, apesar de mais de uma vez ter colocado o cargo à disposição de sua amiga, a presidente Dilma Rousseff. Virou motivo de chacota pela aparência desleixada e de críticas consistentes pela omissão. Passou a ser chamada de “desgraça”.
No meio do mar de lama que envolve a Petrobras, já quase ninguém se lembra da figura da mulher que catava latinhas para sobreviver, estudou Engenharia e chegou à presidência de uma das maiores petroleiras do mundo. Graça foi à lona junto com toda a diretoria da Petrobras, ela que havia sido guindada ao cargo para colocar ordem na casa desarrumada pelos homens de confiança de Gabrielli – Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa e Renato Duque, entre outros personagens da Lava-Jato.
Graça se encrencou porque ignorou alertas sobre os desvios na Petrobras e porque, como Nestor Cerveró, também passou bens para o nome dos filhos quando a investigação avançou. Tornou-se a cara de uma crise que fermentou na gestão de Gabrielli, assim como Dilma está pagando o pato por ações de Lula.
O problema de Dilma é que antes de ser presidente foi ministra das Minas e Energia e comandou o conselho de administração da Petrobras. Seu desafio agora é encontrar pessoas confiáveis para recuperar a imagem da empresa e estancar de vez a roubalheira.

Solidariedade na crise? Só em outro planeta

05 de fevereiro de 2015 14

Só a falta de informações oficiais do governo sobre o tamanho da crise das finanças públicas pode explicar o descaso do Judiciário e do Ministério Público com o pedido de solidariedade do governador José Ivo Sartori. Menos de 24 horas depois de Sartoi ter pedido solidariedade na crise, a resposta do Tribunal de Justiça e do Ministério Público foi um pacote de projetos que cria mais despesas em valor estimado em R$ 20,2 milhões neste ano.
Não se discute aqui a Justiça das medidas, entre as quais o aumento do vale-refeição dos servidores que, diferentemente de juízes e promotores, não recebem auxílio-moradia nem ganharam o aumento sancionado nos primerios dias de janeiro por Sartori. A questão é: pode-se criar novas despesas no momento em que se projeta um déficit de R$ 5,4 bilhões para este ano?
Confira abaixo a lista de projetos e a repercussão financeira em 2015:

PLs COM REPERCUSSÃO FINANCEIRA em 2015
_ Poder Judiciário
PL 24/2015
Extingue 96 cargos efetivos de serviços auxiliares, que estão vagos, e outras 61 funções regidas pela CLT e cria 116 cargos de técnico judiciário e 15 de analista judiciário.
Impacto: R$ 7,7 milhões*

PL 26/2015
Cria 16 cargos de assistente social judiciário, 8 de escrivão e uma função gratificada de oficial escrevente na Comarca de Porto Alegre.
Impacto: R$ 3,3 milhões

PL 27/2015
Cria 14 funções gratificadas e um cargo em comissão nos Serviços Auxiliares do TJ-RS.
Impacto: R$ 753,8 mil

PL 28/2015
Reajusta o auxílio-refeição em 14,6% (para R$ 19,90) e acaba com a contribuição de 6% dos servidores.
Impacto: R$ 6,8 milhões

_ Procuradoria-Geral de Justiça
PL 29/2015
Acaba com a contribuição de 6% dos servidores do MP para o auxílio-refeição.
Impacto: R$ 1,6 milhão

* Custo da criação de novos cargos citado no projeto, mas, no mesmo documento, o Judiciário afirma que a proposta “não acarreta aumento de despesa”