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Dilma e Marina ignoram os outros adversários

02 de setembro de 2014 2

ABERTURA DE POLÍTICA+, TERÇA-FEIRA

Todas as vezes em que o regulamento do debate no SBT permitiu, Dilma Rousseff e Marina Silva escolheram uma a outra para fazer perguntas. Dilma de vermelho e Marina de branco pareciam estar num debate de segundo turno. Aos demais adversários restou o papel de coadjuvantes. Organizado por SBT, Folha de S.Paulo, portal UOL e rádio Jovem Pan, o confronto foi o segundo desta campanha.
Menos tensa do que no encontro anterior, na Band, Dilma foi a primeira a perguntar. Escolheu Marina. Apresentou uma lista com as promessas da adversária e quanto elas custariam, para perguntar de onde sairia o dinheiro para bancar as medidas. Com a calma que tem caracterizado sua participação nos debates, Marina evitou identificar fontes concretas. Disse que o importante era a “qualidade do gasto” e que o dinheiro viria da maior eficiência na arrecadação e na administração.
Marina também escolheu questionar a principal adversária, citou os índices negativos da economia, lembrou promessas da campanha de 2010 e perguntou a Dilma o que deu errado no governo dela. A presidente preferiu responder com o que deu certo, reconheceu que o país tem problemas “e que as mudanças precisam continuar”. A candidata do PSB voltou a acusar Dilma de não reconhecer os erros, o que dificultaria a correção de rumo.
A presidente voltou à carga, cobrando de Marina pelo que chamou de “desprezo pelo pré-sal”. Marina disse que não desprezava o petróleo, mas que era preciso ir além e investir em fontes alternativas de energia, coisa que o PT não teria feito. Dilma rebateu citando os milionários investimentos em energia eólica.
Até o fim, as duas trocaram farpas. Mesmo nas respostas aos jornalistas e a outros candidatos, uma dirigia indiretas à outra ou tentava complementar respostas que haviam ficado pela metade.
Mais uma vez, Dilma foi fustigada por todos os concorrentes, especialmente por conta do mau desempenho da economia. Com Marina, os pontos mais abordados foram a falta de base no Congresso, as contradições entre discurso e prática e o recuo em relação aos direitos dos homossexuais, por pressão do pastor Silas Malafaia.

No Twitter, a síntese do debate no SBT

01 de setembro de 2014 1

Desde às 18h estou sintetizando o debate no SBT pelo Twitter e fazendo análises em 140 toques. A análise completa estará amanhã na coluna.

Se você perdeu o debate, pode conferir no meu perfil: www.twitter.com/rosaneoliveira .

Recuo expõe fragilidade de Marina

01 de setembro de 2014 14

ABERTURA DE POLÍTICA+, SEGUNDA-FEIRA

O pastor Silas Malafaia não precisou esperar nem 24 horas depois de ameaçar fazer “a mais dura e contundente fala” sobre um candidato a presidente se Marina Silva não revisasse o programa de governo divulgado na sexta-feira, em pontos referentes aos gays. No sábado mesmo, Marina sucumbiu à pressão e divulgou uma errata: o apoio ao casamento gay e à aprovação de uma lei que equipara a homofobia ao racismo foram substituídos por abstrações que desagradaram aos homossexuais e não convenceram Malafaia. O pastor queria menos “subjetividades”.
O que assusta no episódio é a falta de firmeza. Marina tem todo o direito de ser contra o casamento gay e de não endossar a lei que criminaliza a homofobia, mas precisa assumir claramente suas posições.
A justificativa de “falha processual na editoração do texto” comporta uma pergunta: a candidata não leu o programa que assinou ou é incapaz de resistir à pressão de um pastor evangélico? Na sexta-feira, Malafaia escreveu (em letras maiúsculas): “Estou aguardando Marina se posicionar, o que vai falar mais alto para ela? Sua convicção política ou sua fé? Cristo ou a sua ideologia?” (a série de posts pode ser conferida em www.twitter.com/pastormalafaia).
Na sexta-feira, Marina já havia publicado outra errata em relação à energia nuclear. O programa de governo incluía a energia nuclear entre as fontes alternativas que teriam prioridade na sua gestão. Estava errado.
Embora se saiba que programa de governo é uma carta de intenções, a ideia do PSB era conquistar a confiança de setores mais resistentes a Marina com o discurso de que ela seguiria a cartilha de Eduardo Campos. As contradições alimentarão os debates dos próximos dias e serão usadas pelos adversários para tentar conter o crescimento da candidata que os ameaça.

É isso mesmo?

01 de setembro de 2014 0

Por Juliano Rodrigues

Já é rotina em período eleitoral: a cada manifestação pública, candidatos despejam informações, estatísticas e índices.
Muitas vezes o que é dito para sustentar o raciocínio dos políticos carece de exatidão e embasamento técnico. A partir de hoje, ZH esclarecerá aos leitores algumas das posições dos concorrentes e apurar se aquilo que eles dizem em entrevistas, debates e na propaganda é verdade, se não é, ou se contém imprecisões.

indicadores
Ana Amélia Lemos (PP)
Entrevista ao site Sul 21, em 30 de junho

“O governador atual se comprometeu, assumiu reajustes para os professores do Rio Grande do Sul que terão que ser pagos em 2015, ou seja, para o próximo governo. Nesse caso, ele está comprometendo o orçamento para o próximo exercício, o que eu acho inadequado.”

naoNão procede – Embora o governador Tarso Genro tenha, de fato, concedido aumento salarial a servidores além do seu período de governo – é o caso dos delegados de Polícia, por exemplo – a candidata Ana Amélia está equivocada sobre a situação dos professores. O pagamento da última parcela do aumento aprovado pela Assembleia em dezembro de 2012 será em novembro deste ano, e não de 2015. A divisão foi a seguinte: 28,98% em três parcelas, 6,5% em novembro de 2013, 6,5% em maio de 2014 e 13,72% em novembro de 2014.

Vieira da Cunha (PDT)
Entrevista ao Jornal do Comércio, em 25 de agosto

“O Estado tem um índice de 22 homicídios por 100 mil habitantes. Basta citar o número do vizinho Uruguai, que é de cinco homicídios por 100 mil habitantes, para se verificar a situação inaceitável em que se encontra o Estado.”

waitNão é bem assim – O candidato não deixou claro a que período se refere, mas, segundo a sua assessoria, os dados que sustentam a tese foram extraídos do Mapa da Violência, estudo assinado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz sobre os homicídios no Brasil em 2012. Os números citados pelo pedetista estão corretos em relação ao estudo, que utiliza dados do Ministério da Saúde, mas são diferentes do que registrou a Secretaria Estadual da Segurança Pública. Segundo o órgão, o índice de homicídios no RS era de 18 homicídios por 100 mil habitantes em 2012. Em 2013, caiu para 17,3 homicídios por 100 mil habitantes. A diferença está na metodologia utilizada pelos dois órgãos. A secretaria considera homicídio uma “tipificação legal dada após uma investigação”, como explica o coronel Luís Fernando Linch, chefe da divisão de Estatística Criminal. Já o Ministério da Saúde conta como assassinato o que consta no atestado de óbito assinado pelo médico.

Alguma declaração dos candidatos chamou a sua atenção e você quer colocá-la à prova? Mande a sua dúvida para juliano.rodrigues@zerohora.com.br

Como Marina subverteu a lógica eleitoral

31 de agosto de 2014 18

Publiquei este texto sábado à tarde em zerohora.com, mas para que vocês possam exercer o direito democrático de comentar, vou reproduzir o texto aqui:

No início de agosto, Marina Silva era considerada um peso morto na campanha de Eduardo Campos. Não tinha conseguido transferir seu patrimônio eleitoral para o cabeça de chapa e ainda atrapalhava as negociações feitas por Campos em quase metade dos Estados brasileiros, por discordar das posições políticas dos aliados. Para piorar, dificultava o trânsito dele em setores vitais da economia, como o agronegócio. Com a morte de Campos, Marina chega ao fim de agosto como um fenômeno nas pesquisas, empatada com Dilma Rousseff e à frente de Aécio Neves no primeiro turno. No segundo turno, venceria a petista. De coadjuvante de uma campanha que não conseguia chegar a dois dígitos se transformou em protagonista da disputa, quebrando a polarização PT-PSDB, inaugurada em 1994 e mantida nas quatro eleições seguintes.Ao passar de patinho feio a cisne, Marina subverteu a lógica eleitoral vigente nas últimas eleições. E derrubou os esteios que sustentavam, no imaginário da classe política, a estrutura de uma candidatura com chances de ganhar a eleição: partido forte, marqueteiro famoso, tempo de rádio e TV, experiência administrativa aprovada e dinheiro para financiar a campanha. O alicerce de sua candidatura é feito de outro material: comoção pela morte trágica do companheiro de chapa, carisma, distanciamento dos partidos políticos tradicionais e imagem de honestidade.

Marina não tem afinidade com o PSB que a hospeda, vetou a palavra “partido” quando tentou criar a Rede Sustentabilidade, o dinheiro ainda é escasso (tende a jorrar com a ascensão nas pesquisas), seu tempo de rádio e TV é minúsculo (2min03seg) comparado ao de Aécio (4min35seg) e insignificante perto do de Dilma (11min24seg). O programa de TV é pouco mais do que uma produção caseira. Para completar, a única experiência administrativa dela é a de ministra do Meio Ambiente de Lula, uma gestão controversa, marcada por críticas de que era um entrave ao desenvolvimento do país pelo radicalismo em defesa do meio ambiente.

Como explicar, então, a liderança de Marina nas pesquisas, que os adversários torcem para não passar de uma bolha? Há pelo menos sete motivos que explicam o resultado das sondagens até aqui:

1. Comoção pela morte de Eduardo Campos

Em geral, a morte melhora a biografia de qualquer pessoa. Quando se trata de um jovem de família conhecida, pai de cinco filhos e político bem-sucedido, com velório e enterro transmitidos pela TV, a comoção aumenta. Herdeira da candidatura, Marina foi beneficiada pela superexposição e pela proximidade com a viúva e os filhos de Campos. É essa a principal explicação do PSDB para a explosão nas pesquisas.

2. Herança dos protestos de junho

Pesquisas feitas em 2013 mostravam que Marina era uma das poucas figuras do mundo político que tinham conseguido passar incólumes pelos protestos que levaram multidões às ruas naquele inverno. A popularidade da presidente Dilma Rousseff despencou, os partidos eram rechaçados pelos manifestantes e a hashtag #naomerepresenta era aplicada aos políticos em geral. A extrema esquerda, representada por PSOL, PSTU, PCB e PCO achou que podia capturar essa insatisfação e transformá-la em votos. Seus candidatos nunca saíram da casa de 1%. Até a entrada de Marina, a soma dos indecisos e dos que pretendiam votar nulo ou em branco estava na faixa de 24%. Hoje, caiu para 7%, segundo o último Datafolha. Ela herdou os índices de Campos, tirou votos dos adversários e atraiu parte desse contingente de insatisfeitos.

3. Desgaste dos partidos políticos

Ao analisar os protestos de 2013, o governador Tarso Genro concluiu que eles atestavam a falência do sistema partidário atual e confirmavam o que chamou de “crise da representação”. A receita de Tarso era a aposta na democracia direta e na reforma política. A adesão à candidatura de Marina, que não conseguiu formar a sua Rede a tempo de concorrer, indica que o governador tinha razão: o eleitor de Marina dá sinais de que não se importa com partidos. Sua escolha é pessoal.

4. Guerra PT-PSDB enfraquece Dilma e Aécio

Os vinte anos de guerra entre PT e PSDB produziram um clima de animosidade que contaminou a campanha e desceu a níveis alarmantes no submundo da internet. Os dois partidos gastam mais energia para desqualificar o adversário do que para apregoar as virtudes dos seus candidatos. Resultado: parte dos eleitores acaba se convencendo de que Dilma e Aécio não merecem seu voto e identificam em Marina uma opção descontaminada. Repete-se o fenômeno que deu a vitória a Germano Rigotto (PMDB) na eleição para o governo do Rio Grande do Sul em 2002, quando Antônio Britto (PPS) e Tarso Genro (PT) se atacaram tanto que acabaram abrindo caminho para a terceira via.

5. Efeito dos mensalões do PT e do PSDB

A condenação dos líderes petistas envolvidos no escândalo do mensalão e o processo que envolve o PSDB de Minas Gerais em um esquema do gênero, com a troca recíproca de acusações, favorece Marina, que não tem ligação com nenhum dos dois. Marina cultiva a imagem de mulher ética, religiosa e simples, que não se envolveu com financiamento irregular de campanha. As falcatruas que envolvem o pagamento do jatinho que caiu matando Eduardo Campos não bateram na conta de Marina, embora ela tenha viajado no avião, quando era vice. Como não tratava das questões operacionais da campanha, a denúncia de uso de empresas fantasmas no pagamento do avião e os indícios de crime eleitoral não colaram nela.

6. Aval de pessoas de credibilidade

O escudo de Marina para se proteger das acusações dos adversários de que é inexperiente e concorre com um partido sem quadros suficientes para compor um governo é o aval de pessoas como o senador Pedro Simon, que abraçou a candidatura dela com mais empolgação do que a sua própria. Dias antes da confirmação de Beto Albuquerque como vice, Simon dizia que a candidatura só seria viável com um vice do Sudeste, já que são paulistas os vices de Dilma e Aécio.

— Uma chapa com a Marina do Acre e o Beto do Rio Grande do Sul é uma piada.

Confirmada a candidatura de Beto, Simon mudou de ideia e se transformou no principal padrinho da dupla no Rio Grande do Sul. Com o discurso de que vai governar “com as melhores cabeças” e que essas pessoas estão nas universidades e em outros partidos, Marina tenta se vacinar contra a acusação de que não tem como formar um ministério de qualidade. Ela cita pessoas como Pedro Simon, Eduardo Suplicy e José Serra para dizer que, se eleita, vai formar um governo de coalizão, sem precisar ceder a pressões de partidos aliados.

7. Um vice de outra banda

As divergências de posição com Beto Albuquerque, apontadas como sinal de que o discurso da “nova política” não combina com a prática, é usado pro Marina para abrir caminho em setores resistentes a ela, como o agronegócio. Beto recebeu doações de campanha da indústria de armas, o que Marina não aceita. Na entrevista ao Jornal Nacional, ela chegou a dizer que nunca foi contra os transgênicos, o que não é verdade. A proximidade com Neca Setúbal, herdeira do Banco Itaú, e com  Guilherme Leal, dono da Natura, serve como credencial para melhorar o trânsito no meio eleitoral, embora deixe um flanco aberto para as críticas de que é mais uma contradição entre o discurso da “política diferente” e a prática da “velha política”.

O mundo mágico dos ministros do Supremo

30 de agosto de 2014 12

ABERTURA DE POLÍTICA+, SÁBADO

O Brasil entrou em recessão técnica com dois trimestres consecutivos de queda no PIB. A indústria reclama da retração e propõe redução de jornada de trabalho, com corte de salários, para evitar o desemprego. A propaganda dos adversários do governo não cansa de mostrar a deterioração das contas públicas, mas a crise passa longe, muito longe das cabeças coroadas dos ministros do
Supremo Tribunal Federal.
Só no mundo mágico em que vivem Suas Excelências, é razoável propor um aumento de 22%, que eleva os subsídios de R$ 29.462 para R$ 35.919 em janeiro de 2015. O projeto foi aprovado na quinta-feira, em sessão administrativa, sem transmissão pela TV Justiça, no mesmo dia em que o governo enviou para o Congresso a proposta de Lei de Diretrizes Orçamentárias, prevendo reajuste de R$ 8,8% para o salário mínimo, que subiria de R$ 724 para R$ 788.
Os ministros incluíram na conta as perdas inflacionárias de 2009 a 2013. Por uma lei aprovada em 2012, em janeiro de 2015 o subsídio do STF subirá para R$ 30.935, mas os ministros querem mais 16,11%.
O problema não é os 11 integrantes do Supremo ganharem R$ 35 mil por mês. É o efeito cascata em todo o setor público. Se o Congresso aprovar, também os salários de deputados e senadores e do presidente da República subirão no mesmo patamar. E os aumentos seguirão se reproduzindo em todas as instâncias do Judiciário, levando na carona o Ministério Público, os tribunais de Contas, as Assembleias Legislativas, os governos estaduais.
Os candidatos a governar o falido Rio Grande do Sul que se preparem: se passar o projeto do STF, logo desembarcarão na Assembleia propostas estendendo o índice  para membros do Tribunal de Justiça e do Ministério Público. Menos mal que não prosperou a proposta de vinculação automática dos reajustes: eles terão de ser negociados. E a Assembleia terá de levar em conta a situação financeira do Estado.

Não será surpresa se Marina ganhar no primeiro turno

29 de agosto de 2014 87

Depois da pesquisa do Datafolha divulgada no Jornal Nacional, os adversários terão de trabalhar com a possibilidade de Marina Silva (PSB) vencer a eleição no primeiro turno, embora a tendência seja de segundo turno entre ela e a presidente Dilma Rousseff. Marina subiu 13 pontos em 10 dias, alcançou Dilma – as duas estão com 34% – e derrubou o tucano Aécio Neves para 15%. A queda de cinco pontos de Aécio é tão ou mais preocupante para Dilma do que o empate com Marina, porque os três são os únicos candidatos competitivos. Como todos os outros oito juntos somam 3%, o segundo turno depende de Dilma e Aécio estancarem a sangria.

A estratégia de Aécio de desconstruir a candidatura de Dilma está funcionando, mas ele não obteve qualquer vantagem dos ataques. Pelo contrário, perdeu pontos para Marina e corre o risco de se tornar vítima do voto útil: o antipetismo alimentado pelos tucanos nos últimos 20 anos ajuda Marina.

Na simulação de segundo turno, a vantagem também é de Marina, com 50%, 10 pontos à frente de Dilma. Em um cenário de segundo turno entre Dilma e Aécio, a presidente teria 48% e o tucano, 40%.

A pesquisa do Datafolha reflete os primeiros dias do horário eleitoral e o primeiro debate entre os candidatos. Atacada por todos os adversários, Dilma também viu piorar sua avaliação. O índice bom e ótimo caiu de 38% para 35% em 10 dias, enquanto o de ruim e péssimo subiu de 23% para 26%.

A notícia de que o Brasil entrou em recessão técnica, com o segundo trimestre consecutivo de queda no PIB, complica ainda mais a situação da presidente.

A situação de Aécio é ainda mais delicada: ele vem perdendo terreno para Marina em todos os Estados, incluindo São Paulo e Minas Gerais, dois colégios eleitorais dominados pelo PSDB. Em São Paulo, as pesquisas indicam a reeleição do governador Geraldo Alckmin, mas a campanha dos dois está descasada. Em Minas, o petista Fernando Pimentel abriu larga vantagem sobre o tucano Pimenta da Veiga.

Santa Catarina é outro exemplo de derrocada do PSDB. Em 2010, o tucano José Serra venceu a eleição em Santa Catarina. Fez 45% no primeiro turno e 56,6% contra 43,4% de Dilma Rousseff no segundo.

Neste ano, o quadro se alterou radicalmente. A pesquisa do Ibope divulgada hoje no Diário Catarinense mostra que Aécio tem 20%, dois a menos do que Marina Silva, o que configura empate técnico. Marina, que nunca digeriu o acordo de Eduardo Campos com a família Bornhausen, cresceu por conta própria em Santa Catarina e, na simulação de segundo turno, está tecnicamente empatada com a presidente Dilma Rousseff.

Racismo é crime e tem de ser punido

29 de agosto de 2014 83

De novo, a vergonha por mais uma manifestação racista no meu Estado. Vergonha maior porque essa manifestação nojenta veio da torcida do Grêmio, o time pelo qual tenho simpatia desde criança. Vergonha porque não é a primeira, nem a segunda, nem a última vez. Enquanto não houver punição para esses idiotas que se dizem torcedores, continuaremos a lamentar o que aconteceu com Aranha, com Márcio Chagas, com Dani Alves e com tantos outros negros ofendidos em estádios. Aliás, o torcedor que chamou Dani Alves de macaco foi banido para a vida inteira dos estádios. Mas isso foi na Europa. Aqui o Grêmio emitiu uma nota de repúdio e muita gente vai achar que é suficiente. Não é!
Eu quero ver o que a justiça desportiva vai fazer. Aplicar multa? Banir o Grêmio da Copa do Brasil? Tirar o mando de campo por alguns jogos?

O que tem na cabeça essa mulher que aparece no vídeo xingando o jogador do Santos? Essa dona _ e os outros babacas que chamam adversários de “macaco imundo” ou fazem gestos que lembram os primatas _ devem achar que vieram ao mundo trazidos pela cegonha. Esquecem que somos todos descendentes de macacos e temos uma dívida histórica com os negros, por conta da escravidão.
Eu quero ver esses torcedores prestando serviços comunitários, lavando chão, pagando cestas básicas, sendo impedidos de ir aos estádios. Eu quero ver o Grêmio ajudando a polícia a identificar os criminosos. Sim, porque racismo é crime e está tipificado no Código Penal. Eu sei que os justos não podem pagar pelos pecadores, mas se os não-racistas ficam de braços cruzados diante de uma manifestação racista, e isso tem sido recorrente na Arena, merecem a punição de passar algum tempo sem poder ver seu time jogar. Defendi a puniçãopara o Esportivo, quando ocorreu com Márcio Chagas, reafirmo agora quando se trata do meu time do coração.
Estamos na Era das selfies e dos vídeos para tudo. Que cada um faça a sua parte e denuncie os criminosos que fazem manifestações racistas, para que um dia tenhamos respeito nos estádios de futebol.

O 11 de setembro da campanha eleitoral

29 de agosto de 2014 13

ABERTURA DE POLÍTICA+, SEXTA-FEIRA

O crescimento de Marina Silva nas pesquisas já começou a produzir mudanças no horário eleitoral dos adversários. Não por coincidência, Dilma Rousseff e Aécio Neves usaram a mesma palavra para tentar subtrair eleitores da candidata do PSB: aventura. Sem citar o nome de Marina, os programas de Aécio e Dilma afirmaram que o Brasil precisa votar em alguém com experiência e não pode correr o risco de se jogar “em uma aventura”.
Aécio ressaltou o que fez em Minas, Dilma, o que fez no Brasil. No rádio e na TV, nenhum fez ataques diretos a Marina, mas as indiretas pontuaram o programa de ontem, com reproduções de trechos do debate na Rede Bandeirantes. Em uma das partes, Dilma diz que “mais médicos não é um paliativo”. No debate, Marina disse que o programa Mais Médicos era um paliativo.
O discurso oficial das duas campanhas é de que os números de Marina ainda estão inflados pela comoção da morte de Eduardo Campos, mas nos bastidores a avaliação é de que, se ela não cair até o dia 10 de setembro, será muito difícil derrotá-la. O pesadelo dos aliados de Dilma é chegar a 11 de setembro com um quadro favorável à eleição de Marina no primeiro turno.
Como Aécio mantém a estratégia de atacar o governo do PT sem trégua e ainda está poupando a ex-ministra, não se pode descartar a possibilidade de ela se beneficiar do embate entre os dois e até vencer no primeiro turno.
A campanha de Dilma vai reservar um terço do tempo para tratar do passado e dois terços para as promessas de futuro. No programa de ontem, a candidata reconheceu os problemas na área da saúde e prometeu aumentar a oferta de especialistas e de exames no segundo mandato.
Em outra frente, os aliados de Dilma foram convocados a colocar o bloco na rua.
– Temos o dobro do exército de Aécio e cinco vezes mais soldados do que Marina. Não podemos ficar parados, vendo a banda passar – compara um dos estrategistas.

Com a palavra, Pedro Ruas, o autor do projeto

27 de agosto de 2014 29

Recebo do vereador Ruas uma longa carta justificando o projeto de sua autoria, que muda o nome da Castelo Branco para Avenida da Legalidade e da Democracia. Colo aqui, na íntegra, como contraponto ao questionamento que fiz em outro post:

“Acho que a população deve saber como foi “criado” o nome da (até hoje) chamada Av. Castelo Branco. Em 1973, logo após a inauguração da Free Way, numa churrascada em Porto Alegre, o General e Presidente Médici falou mais ou menos o seguinte: “Esta gente (gaúchos da capital) não gostam de nós (os militares). Nunca homenagearam o Castelo(Branco) e até inauguraram uma estrada com nome estrangeiro”.

Imediatamente, os puxa-sacos de plantão tiveram a ideia de dar o nome da avenida de ligação de Porto Alegre com a Free Way ao ditador morto, para agradar ao ditador vivo e poderoso Médici. Providenciaram, então, uma carta dos Correios e Telégrafos informando ao Médici que o nome do trecho seria Presidente Castelo Branco.

NUNCA HOUVE PROJETO DO EXECUTIVO MUNICIPAL, NUNCA PASSOU NADA PELA CÂMARA, tudo num completo absurdo sem legislação. Nós estamos no cinqüentenário do golpe de 64, que instaurou uma Ditadura Militar cruel e sanguinária, com prisões, cassações, exílios, tortura e morte. Os símbolos de tal período não merecem homenagem alguma, na mesma linha internacional de respeito aos direitos humanos que os países têm seguido, tanto que não há mais homenagens aos ditadores na Argentina, no Chile, e não existem ruas Adolf Hitler na Alemanha ou Mussolini na Itália.

Em 1976, o chamado general civil Petrônio Portella manifestou-se dizendo que a ‘homenagem ao Castelo era pequena”. De novo se mobilizaram forças subservientes para buscar “reparar” a pequenez da homenagem. Em 1977/78, Petrônio Portella era Ministro da Justiça do Governo Figueiredo e voltou ao tema. Foi então que fizeram aquelas toneladas do Parcão de homenagem ao Castelo Branco, tudo sempre ao arrepio da lei e com base no servilismo.

Ora, porque manter tudo isto? E os presos, torturados, mortos, não merecem nossa consideração agora? E, se nada disto for considerado, como ter uma avenida tão importante que sequer foi apreciada pela Câmara Municipal, o que aconteceu agora pela primeira vez?

Sabes que respeito – e muito – tuas opiniões, já que, independentemente de nossa amizade, és a jornalística política mais importante do estado. Mas quero registrar a importância que a história e o combate à Ditadura Militar têm na minha vida, até para que nada parecido aconteça de novo. Eu sou um militante dos direitos humanos e me orgulho disto. Á propósito, estou no meu quinto mandato, com a honra de ser o mais votado da cidade, e NUNCA DEI UM NOME DE RUA EM PORTO ALEGRE, mesmo que não tenha nada contra quem o faça.

Um abraço fraterno,

Pedro Ruas”

Troca de nome da Castelo Branco não apaga a História

27 de agosto de 2014 49
Foto: Leonardo Contursi, Divulgação

Foto: Leonardo Contursi, Divulgação

A aprovação da troca de nome da Castelo Branco para Avenida da Legalidade e da Democracia, aprovada agora à tarde pela Câmara de Vereadores com 21 votos favoráveis, cinco contrários, cinco abstenções e quatro ausências, reabre uma polêmica antiga na cidade: qual é o sentido da mudança? Autor do projeto assinado também por Fernanda Melchionna (PSOL), o vereador Pedro Ruas (PSOL) diz que nome de rua é homenagem e que um ícone da ditadura não poderia ser contemplado com esse galardão.

Leia mais:

>>> Vereadores aprovam projeto que altera nome da Avenida Presidente Castelo Branco

Por essa ótica, as escolas que se chamam Costa e Silva, Emílio Garastazu Médici e Castelo Branco mesmo deveriam rebatizadas. Um revisionismo mais radical poderia propor a troca de nome da Avenida Getúlio Vargas, argumentando que, apesar do legado que deixou, o presidente apelidado de “pai dos pobres” também foi um ditador e entregou Olga Benário para morrer nas mãos dos carrascos nazistas. O risco é a cidade se transformar numa espécie de Sucupira. Para corrigir equívocos históricos, um vereador obsessivo mergulharia na nomenclatura das ruas de Porto Alegre ou de qualquer outra cidade em busca de personagens que não deveriam merecer a homenagem. Para isso seria preciso criar uma classificação para as máculas e definir a partir de que grau o homenageado perderia o título.

Não há dúvida de que Avenida da Legalidade é mais bonito do que Castelo Branco, mas será que o nome pega? Essa via de acesso a Porto Alegre tem o nome do marechal  desde 1973. Será difícil para os repórteres de trânsito se acostumarem a chamá-la pelo novo nome quando o prefeito José Fortunati sancionar a lei. Assim como ninguém chama da Praça da Alfândega de Senado Florêncio nem a a Rua da Praia de Andradas, é grande a possibilidade de a troca ficar apenas nos papéis.

A assessoria de Fortunati diz que ele não tem pressa e que antes de sancionar vai fazer os estudos técnicos necessários, mas é improvável que vete. Primeiro, porque não há ilegalidade nem inconstitucionalidade no projeto de Ruas. Segundo, porque sendo um dos principais líderes do PDT, não será ele a dizer não a um projeto que homenageia o movimento liderado por Leonel Brizola e que, hoje, é nome de um espaço mínimo — o Largo da Legalidade — em frente ao Piratini.

Do ponto de vista prático, a troca de nome da Castelo Branco não tem os mesmos transtornos que produziria uma mudança em rua ou avenida repleta de casas e escritórios. Ninguém mora nem trabalha na Castelo Branco: ela é uma das portas de entrada de Porto Alegre. Basta avisar o Google e outros fornecedores de mapas e de serviços de localização por satélite e tudo se resolve.

A intenção de Ruas é respeitável, mas não apaga a História: a ditadura deixou marcas pelo Brasil inteiro. O cearense Castelo Branco é nome de rua em outras cidades e até do principal estádio de Fortaleza, carinhosamente apelidado de Castelão.

Marina, um tsunami na campanha

26 de agosto de 2014 87

Uma das frases mais repetidas desde a morte de Eduardo Campos está sendo confirmada na pesquisa do Ibope que acaba de ser divulgada: com a entrada de Marina Silva, temos outra eleição. O cenário anterior a 13 de agosto se esboroou na queda do Cessna PR-AFA em que viajava o candidato do PSB: Marina deixou o tucano Aécio Neves para trás e derrotaria a presidente Dilma Rousseff no segundo turno, se a eleição fosse hoje.

>>> Confira aqui a pesquisa completa

A pesquisa ainda não reflete o horário eleitoral gratuito, que começou na semana passada, mas confirma o que o Datafolha já indicava: Marina é competitiva, tem baixíssima rejeição e atrai um eleitorado desencantado, que estava indeciso ou pretendia votar nulo ou em branco. Candidata da Rede, que concorre pelo PSB, herdou os nove pontos que Campos tinha na última pesquisa do Ibope, tirou quatro pontos de Dilma, quatro de Aécio e dois do Pastor Everaldo, seu concorrente no eleitorado evangélico. Conquistou seis dos brancos e nulos e mais três dos indecisos.

Mesmo que a pesquisa ainda esteja contaminada pela comoção da morte de Campos e pela avalanche de notícias sobre a escolha de Marina como candidata a presidente de Beto Albuquerque como vice, o conjunto de dados tem consistência para semear pânico nas campanhas de Dilma e Aécio. A presidente tem 34% de intenções de voto e 36% de rejeição. Aécio tem 19% de intenção de voto e 18% de rejeição. Marina tem três vezes mais votos (29%) do que rejeição (10%).

Os números esquentam o debate de hoje à noite na Bandeirantes e aumentam a expectativa pela entrevista que Marina dará amanhã ao Jornal Nacional. Faltam seis semanas para a eleição, Dilma e Aécio têm mais tempo do que ela na propaganda de rádio e TV, mas Marina é um fenômeno e tem, além da força pessoal, o patrimônio político de Eduardo Campos, que se valorizou com sua morte trágica.

PP de Canoas discutirá expulsão de vereador suspeito de extorquir funcionários

26 de agosto de 2014 8

O presidente do diretório municipal do PP de Canoas, Francisco Biazus, convocou a executiva da sigla para uma reunião na quarta-feira, na qual será discutida a situação do vereador Cláudio Jancke, preso em operação do Ministério Público na segunda-feira. Jancke é suspeito de exigir parte dos salários de servidores do seu gabinete.

Em uma das gravações feitas durante a investigação, o vereador fala em receber metade dos vencimentos dos funcionários.

Ouça:

Apesar da prisão e das provas divulgadas pelo Ministério Público, o presidente do PP de Canoas ainda é reticente sobre o que poderá ocorrer com o vereador. Biazus afirma que “tem de ter calma para lidar com a situação”.

— Acompanhei a coisa por alto e não faço julgamento. Não sei se fica muito claro (a exigência de parte do salário), tenho de ouvir os dois lados.

Já o presidente estadual da sigla, Celso Bernardi, afirma que vai acionar o diretório municipal para cobrar explicações.

— É responsabilidade do diretório municipal julgar o vereador, mas não podemos ter compromisso com o erro. É uma situação muito grave — explica.

"Só ficar no Facebook reclamando não adianta"

25 de agosto de 2014 15

O HORÁRIO ELEITORAL EM 140 TOQUES

Síntese despretensiosa do programa desta segunda-feira: governador, deputado estadual e senador. São as notinhas que postei no Twitter durante o programa. A partir de hoje, pretendo extrair o título do post das falas dos candidatos. “Só ficar no Facebook não adianta” foi dita pelo jovem Marcel Van Haten, candidato do PP a deputado estadual. Eis os tuítes de hoje:

Pretensão pouca é bobagem nesse horário eleitoral. Quanto menor o partido, mais enfeitado o cacique.

Tarso exibe depoimento de Walter Lídio Nunes, da Celulose Riograndense e de Victor Park, da Hyundai para avalizar política do governo.

Comício do PT no Gigantinho vai render muitos e muitos takes no horário eleitoral. Hoje foi Dilma falando sobre crescimento do PIB gaúcho.

Vieira da Cunha mostra Leonel Brizola, seu inspirador. E o depoimento de Luciane, sua mulher e mãe dos quatro filhos. Bem família.

Acertada a estratégia da campanha de Sartori de apresentá-lo como um gringo simples. Ficou simpático.

Repeteco nos programas tem explicação: falta de dinheiro para a produção. PMDB nacional não dá nada para Sartori. E doadores andam escassos.

No rádio, Sartori disse que a única coisa que ele decidiu sozinho foi que não decidiria nada sozinho. Dá o que pensar.

Depoimento de Beatriz, que teve câncer e fez a reconstrução de mama graças a projeto de Ana Amélia, ocupa boa parte do programa da senadora.

Ana Amélia usa depoimento de Beatriz como um mote para falar de projetos para a área da saúde e de proteção da mulher.

“Bico comprido, rabo curto e as mãos limpas”. É o slogan de um certo Bolzan, candidato do PSDB a deputado estadual.

Hoje no rádio um candidato a deputado pelo PV se apresentou como “Paim, defensor da previdência e dos aposentados”. Sacou a sutileza (sic)?

Any Ortiz (PPS) e Tâmara Biolo Soares (PT) são fisicamente parecidas. Mas estão em Campos opostos na política.

Pedro Simon apresenta o filho Tiago como sucessor. Nos próximos dias, estará no ar como candidato ao Senado.

Bernadete Vidal é outra que não desiste nunca. Concorre outra vez à Assembleia. Agora pelo DEM.

Duas primeiras-damas disputam vaga na Assembleia: Regina Becker, de Porto Alegre, e Fátima Schirmer, de Santa Maria. Mais alguma?

“Só ficar no Facebook reclamando não adianta… ” É isso aí, Marcel Van Hatten. Bem pensado.

Luis Augusto Lara diz que implantou o Pronatec e os albergues da solidariedade. Onde estão os albergues que eu ainda não vi?

Achei que era o João Luiz Vargas voltando, mas é o cantor nativista Luiz Marenco o candidato com barba de Marechal Deodoro.

Manuela usa o espaço na TV com muita competência. Foi assim que se elegeu vereadora pela primeira vez. É uma comunicadora nata.

Espaço do PMDB-PSB na campanha do Senado ficou bizarro. Diz que sucessor de Beto será escolhido nos próximos dias. Já foi: é Pedro Simon.

Olívio propõe assembleia Constituinte exclusiva. Será que tem clima para isso? Não vejo muita chance de essa ideia prosperar.

Agora temos Simon e Simone disputando o Senado. Parece nome de dupla sertaneja, mas juntos tiram o sono de adversários.

Lasier Martins foca na educação, a bandeira de Leonel Brizola. Mas seu tempo é mínimo perto dos que têm os três principais adversários.

Enquanto escrevo, perco algumas pérolas. O candidato a deputado estadual que quer vaga na câmara é um visionário. Já pensa em 2018.

Simon será o candidato do PMDB ao Senado

24 de agosto de 2014 57

O senador Pedro Simon resistiu, reclamou de quem dizia que ele seria candidato, mas sucumbiu diante da pressão do PMDB e concorrerá novamente ao Senado, na vaga aberta com a saída de Beto Albuquerque da chapa para disputar a vice-presidência da República. A reunião que sacramentou a candidatura terminou agora há pouco, com o sim do senador, que pretendia se aposentar em 31 de janeiro, quando termina seu mandato.

Além da pressão do PMDB, pesou na decisão do senador sua amizade com Marina Silva, candidata do PSB a presidente. O senador foi convencido de que não está apenas entrando atrasado numa disputa polarizada entre Lasier Martins e Olívio Dutra: há um papel maior reservado a ele, como avalista da dupla Marina-Beto, que sofre resistência no PMDB. Hoje, uma ala do partido está com Dilma Rousseff e Michel Temer (a aliança oficial), outra com Marina e uma terceira com Aécio Neves.

Logo depois da morte de Eduardo Campos, quando começou a ganhar força a indicação de Beto como vice, os líderes do PMDB passaram a citar Simon como o favorito para substituí-lo. O vice-prefeito Sebastião Melo disse que se Beto fosse candidato a vice, o PMDB resolveria a substituição em 10 minutos, com um telefonema. Ao ler a noticia no blog, a assessoria de Simon ligou para desautorizar Melo. No mesmo dia, falei com o senador e ele reafirmou que não havia hipótese de ser candidato. E citou três nomes que considerava prontos para concorrer à cadeira que hoje ocupa: Ibsen Pinheiro, José Fogaça e Germano Rigotto. Os três, que em outro momento sonharam com a candidatura, declinaram.

Na semana passada, Simon chegou a dizer que estava proibido por seu médico de concorrer. Consultado, o cardiologista Fernando Lucchese confirmou que  aconselhara o paciente a nao disputar a eleição, por conta da idade avançada. Lembrou que uma campanha é muito desgastante e que não seria adequado para um homem de 85 anos correr o Estado em busca de votos. Lucchese disse que não via impedimento para Simon ser senador, mas apenas para ser candidato.

Como faltam 40 dias para a eleição, Simon deve se concentrar na gravação dos programas de TV, nas entrevistas e debates, e limitar as viagens ao Interior.