Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Tarde demais, senhores ministros

19 de outubro de 2014 0

Agora que a campanha eleitoral está se aproximando do final, o Tribunal Superior Eleitoral resolveu exigir respeito dos candidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves. A decisão chega tarde: a eleição é no próximo domingo e, mesmo que cada propaganda agressiva seja retirada do ar, ela já cumpriu seu papel de desqualificar o adversário.
O debate do SBT, que ultrapassou todos os limites em matéria de agressividade, fez o presidente do TSE, Dias Toffoli, rever a posição passiva adotada até então. A campanha de cada candidato editou o debate de forma a mostrar as fraquezas do oponente. O TSE não gostou, e vários comerciais dos dois candidatos foram proibidos nos últimos três dias. Agora, Dilma não pode insinuar que Aécio estava bêbado ou drogado quando se recusou a soprar o bafômetro numa blitz da Lei Seca no Rio de Janeiro. Aécio não pode dizer que o irmão de Dilma, Igor Rousseff, foi contratado pela prefeitura de Belo Horizonte, mas nunca apareceu para trabalhar.
O TSE pode arbitrar o que é aceitável ou não na propaganda, mas não tem como impedir que nos debates os candidatos se ataquem. Dilma e Aécio têm falado mais de passado do que de futuro.
É evidente que Aécio vai continuar falando da Petrobras, porque sabe que os desvios denunciados por Paulo Roberto Costa desgastam Dilma, embora possam respingar no PSDB por conta de um suposto pagamento de propina a Sérgio Guerra, que não está aqui para se defender. Também é evidente que Dilma vai lembrar os escândalos da época do governo Fernando Henrique Cardoso, como compra de votos para a reeleição, Sivam e Pasta Rosa, Alstom e mensalão tucano, casos em que ninguém foi punido.
O risco que Aécio e Dilma correm ao persistir na política do ataque é o de ampliar a aversão dos eleitores à política, com o aumento da abstenção e dos votos brancos e nulos. No primeiro turno, 38,7 milhões de eleitores não escolheram candidato.

Não autorizo o uso de meu nome em propaganda eleitoral

19 de outubro de 2014 29

Com razão, leitores de ZH e ouvintes da Rádio Gaúcha me escrevem questionando o uso de uma frase minha na propaganda eleitoral de Tarso Genro, na tentativa de prejudicar seu adversário, José Ivo Sartori. Esclareço que não autorizei o uso do meu nome na propaganda de quem quer que seja e considero falta de respeito pinçar uma frase de comentário meu e utilizá-la contra um candidato. A RBS está notificando o PT para que suspenda a utilização desse trecho do meu comentário e de outros programas dos veículos do Grupo.

Tenho mais de 30 anos de profissão, nunca me vinculei a partido político e considero a independência o meu maior patrimônio. Ao utilizar minha voz na propaganda de Tarso Genro, sem autorização, o PT, que com frequência critica meus comentários, tenta induzir os eleitores a acharem que gravei essa propaganda. O argumento de que tudo o que vai ao ar se torna de domínio público não convence: a utilização de uma fala minha na propaganda eleitoral denota intenção de confundir os eleitores.

Dos comentários que fiz no primeiro turno é possível extrair trechos contra a e a favor de todos os candidatos, porque não tenho compromisso com nenhum deles. Também contra a minha vontade, a campanha de José Ivo Sartori utilizou no primeiro turno um recorte da coluna Política+, no qual eu destacava a sinceridade do candidato por não assinar a carta elaborada pelo Cpers, se comprometendo com o pagamento do piso do magistério e com outras demandas da categoria.

Agradeço a solidariedade dos leitores que me escreveram alertando para o uso indevido de um trecho de comentário feito na Rádio Gaúcha.  Reafirmo que não autorizo o uso do meu nome na propaganda eleitoral e seguirei fazendo meu trabalho com independência e respeito ao público.

Desafio de quem se eleger será reconciliar o país

16 de outubro de 2014 46

Não é só nos debates entre Dilma Rousseff e Aécio Neves que o clima de MMA se expressa nesta eleição: a pancadaria se multiplica nas redes sociais e já afeta as relações pessoais. Eleitores fanáticos de um candidato agem como se quem votar no outro fosse um idiota ou estivesse vendido. Nesse clima de desrespeito generalizado, o primeiro desafio de quem for eleito em 26 de outubro será reconciliar um país dividido
ao meio.
Os candidatos se acusam mutuamente de mentir – e fizeram isso incontáveis vezes no debate do SBT. Atacam-se como cães ferozes e estimulam a guerrilha na internet. Os seguidores de cada um vibram com cada golpe abaixo da cintura e reproduzem o comportamento agressivo nas relações com os amigos. Compartilham boatos sem se perguntar se os amigos querem receber conteúdo de baixo nível, desrespeitam a opção do outro desqualificando seu candidato e semeiam ódio nas redes sociais. Na cracolândia digital, eleitores de Aécio são “coxinhas” e quem vota em Dilma é “petralha”, duas palavras reveladoras da falta de argumento para o debate de ideias.
A ameaça de José Pedro Stédile, líder do MST, de promover “guerra” se Aécio for eleito é uma tentativa de intimidar os eleitores. É tão condenável quanto a agressão sofrida pelo ator Gregório Duvivier, em um restaurante do Rio, por pessoas que o rotularam como petista.  O ator Dado Dolabella, condenado por agressão a mulheres, chegou a escrever em seu Facebook que alguém dizer que está com Dilma é equivalente a falar que está com ebola e que deveria ser “isolado da sociedade”.
Esse país dividido terá de aceitar a vitória de um ou de outro. O vencedor terá de governar para todos e não apenas para seus eleitores. Ao perdedor caberá fazer oposição responsável, para não acirrar ainda mais os ânimos e jogar o país numa crise institucional.
Um dos coordenadores da campanha de Dilma, o ex-ministro Miguel Rossetto, diz que não existe risco de crise institucional.

–  Este país tem uma cultura democrática consolidada – minimizou Rossetto.

Na onda de Sartori

16 de outubro de 2014 45

Antes de conhecer o resultado da pesquisa do Datafolha que o coloca 17 pontos à frente de Tarso Genro, José Ivo Sartori, seus assessores e os líderes do PMDB eram só otimismo na passagem do candidato pelos veículos da RBS. Sartori surfa na onda da mudança e do antipetismo e, assim, pode dar-se o luxo de disputar o segundo turno sem dizer exatamente o que fará se for eleito.

Nas entrevistas ao longo do dia, o candidato peemedebista foi evasivo em relação aos temas mais polêmicos, como as áreas que serão alvo do corte de despesas, as medidas que pretende adotar para reduzir o déficit da previdência e a necessidade de mudar o plano de carreira do magistério para pagar o piso salarial. Vagamente, indicou que haverá redução de despesas com viagens e insistiu na necessidade de equilibrar as contas.

Como havia feito Tarso Genro em seu dia na RBS, Sartori prometeu melhores serviços públicos, valorização do magistério, saúde de qualidade e investimentos em infraestrutura. Faltou dizer qual é a mágica financeira, considerando-se que o Estado hoje gasta mais do que arrecada e as despesas mais pesadas (dívida, previdência e folha de pagamento dos servidores de carreira são irredutíveis). As respostas mais objetivas se referem aos investimentos: a aposta é nas parcerias público-privadas para estradas, com cobrança de pedágio, saneamento e até presídios.

A pesquisa do Datafolha indica que José Ivo Sartori conquistou quase todos os votos de Ana Amélia Lemos (PP). Da votação no primeiro turno (35,66% dos votos) para o índice de 52% no Datafolha, Sartori ganhou 16,34 pontos. Ana Amélia teve 19,24%. Tarso cresceu 6 pontos em relação à votação obtida no primeiro turno. De acordo com o Datafolha, ainda há 7% indecisos e 6% dispostos a votar em branco ou anular o voto.

Se forem considerados apenas os votos válidos, Sartori tem 60% e Tarso, 40%.

Destaques da pesquisa

Uma das explicações para a virada de José Ivo Sartori, que na semana anterior à eleição estava em terceiro nas pesquisas, está no momento em que o eleitor decidiu o voto. Nada menos do que 17% dos entrevistados pelo Datafolha fizeram sua opção na véspera ou no dia da eleição.

O Datafolha também mediu o grau de convicção dos eleitores de cada um dos dois candidatos e a rejeição. Do total de entrevistados, 50% disseram que, com certeza, votariam em Sartori. Outros 25% responderam que poderiam votar, Só 20% disseram que não votariam nele de jeito nenhum. A rejeição a Tarso é de 41%, superior ao índice de eleitores que, com certeza, votariam no governador (32%). Uma parcela de 22% diz que talvez votasse em Tarso.

O índice de intenção de voto de Tarso (35%) é ligeiramente inferior ao dos 36% que consideram o governo bom ou ótimo.
O dado mais impressionante do Datafolha é que Sartori está à frente em todas as faixas de idade, renda e grau de instrução. Ganha de goleada no Interior e supera o governador inclusive em Porto Alegre e Região Metropolitana, tradicionais redutos do PT.

INTENÇÃO DE VOTO E
REJEIÇÃO DE JOSÉ IVO SARTORI
Votaria com certeza 50%
Talvez votasse 25%
Não votaria de jeito nenhum 20%
Não sabe/Não respondeu 5%

INTENÇÃO DE VOTO E
REJEIÇÃO DE TARSO GENRO
Votaria com certeza 32%
Talvez votasse 22%
Não votaria de jeito nenhum 41%
Não sabe/Não respondeu 4%

VANTAGEM NO INTERIOR
55% dos eleitores do Interior disseram que votarão em Sartori. Tarso tem 33% das intenções de voto nesta fatia do eleitorado.

COM ANTECEDÊNCIA
58% dos entrevistados pelo Datafolha disseram que escolheram em quem votar para governador pelo menos um mês antes do
primeiro turno.

EM CIMA DA HORA
17% dos eleitores decidiram o seu candidato ao Piratini na véspera ou no próprio dia do primeiro turno.

MAIORIA SABE
75% dos entrevistados pelo Datafolha acertaram o número do seu candidato na sondagem. Outros 21% não sabem os dígitos.

NOTA DO GOVERNO TARSO
5,9 é a média atribuída pelos eleitores ao governo petista. É a mesma nota da última pesquisa.

Candidatos medem força em debate

14 de outubro de 2014 27

Frente a frente na Rádio Gaúcha, no primeiro debate do segundo turno, os candidatos Tarso Genro (PT) e José Ivo Sartori (PMDB) apresentaram, durante uma hora e meia, suas credenciais para disputar o voto dos eleitores. Apesar do clima cordial nos bastidores, Tarso jogou no ataque o tempo todo, vinculando Sartori aos governos de Antônio Britto e Yeda Crusius e ignorando os de Pedro Simon e Germano Rigotto. Sartori manteve a estratégia de evitar o confronto, mas distribuiu alfinetadas e, no fim, avisou:
– Fraternalmente, quero lhe dizer que não vou deixar nada sem resposta nem transferir responsabilidades ou buscar culpados pelas dificuldades do momento.
Em um ponto, os candidatos foram convergentes: não há como administrar o Estado sem renegociar a dívida e reduzir a parcela repassada todos os meses à União. Nenhum dos dois apresentou um plano B para o caso de não ocorrer a renegociação: os dois acreditam que o acordo sairá por conta da afinidade com os candidatos que apoiam na eleição presidencial.
Sartori chamou Tarso de arrogante e disse que, se for eleito, vai manter tudo o que está dando certo no governo atual. Defendeu o equilíbrio das finanças, mas não indicou onde pretende cortar gastos e prometeu a nomeação de mais policiais e a valorização dos servidores públicos.
Uma diferença ficou evidente no discurso dos dois, quando Tarso questionou Sartori sobre a política de valorização do piso regional, criticada pelo vice de Sartori, José Paulo Cairoli. Sartori respondeu que quem vai governar é ele, não o vice. Sustentou que a correção do piso não é política pública e que o governo deve ser o mediador na discussão entre empregados e empregadores. Tarso retrucou que é política pública, sim, e que o aumento real do piso movimenta a economia.

Como Tarso quer atrair os eleitores

13 de outubro de 2014 86

ABERTURA DE POLÍTICA+, TERÇA-FEIRA

Um dia inteiro de entrevistas a veículos do Grupo RBS permitiu aos eleitores do Rio Grande do Sul conhecer  melhor as armas do governador Tarso Genro para tentar conquistar um segundo mandato. Amanhã, será o dia de José Ivo Sartori cumprir o mesmo roteiro e explicitar os pontos ainda obscuros de seu programa
de governo,
Nas entrevistas, Tarso defendeu a lógica de seus quatro anos de mandato: aumentar os gastos públicos para fomentar o crescimento da economia e, assim, enfrentar a crise estrutural do Estado. Disse que, se reeleito, vai tomar novos empréstimos para investimentos, aproveitando o “espaço fiscal” a ser aberto com a aprovação do projeto de reestruturação da dívida do Estado, previsto para ser votado em novembro.
Ao longo do dia, o governador repetiu várias vezes a frase síntese de sua resposta à afirmação de Sartori de que não se pode fazer campanha olhando pelo retrovisor: olhar para trás é necessário para evitar a repetição de desastres. Entre os “desastres” dos governos do PMDB ou apoiados por Sartori, Tarso cita a forma como a CEEE foi privatizada e as cláusulas do contrato de renegociação da dívida, dois episódios da gestão de Antônio Britto.
A cada pergunta sobre problemas que seu governo não conseguiu resolver, Tarso respondia citando o que fez e a forma como recebeu a área em questão – das estradas à saúde, passando pelo magistério e pela segurança pública.
O governador repetiu a teoria expressa em dois vídeos gravados por ele no fim de semana e divulgados nas redes sociais, de que existe uma “conspiração política em curso para manipular a vontade eleitoral no segundo turno” e impedir a vitória da presidente Dilma Rousseff. Essa conspiração teria por base a divulgação de trechos da Operação Lava-Jato, que investigou denúncias de corrupção na Petrobras.

Curiosidades da eleição

06 de outubro de 2014 109

A exigência de reserva de 30% das vagas de candidato para as mulheres não contribuiu para melhorar a representação feminina. Em 2010, o RS elegeu duas deputadas federais e sete estaduais. Neste ano, uma federal e sete estaduais.

Três deputados foram eleitos com a ajuda do capital político dos pais:
– Covatti Filho (filho de Vilson Covatti): eleito deputado federal.
– Sérgio Turra (filho de Francisco Turra): eleito deputado estadual.
– Tiago Simon (filho de Pedro Simon): eleito deputado estadual.

Os jovens candidatos autodeclarados indutores dos protestos de junho de 2013 fracassaram na eleição. Lucas Maróstica (PSOL), Matheus Gomes (PSTU) e João “Sem Medo” (PT) ficaram muito distantes do número de votos necessário para serem eleitos à Câmara. Matheus fez 11 mil votos, Lucas, 5,8 mil e João, 2,3 mil.

Auxiliado pela votação da sua coligação, o PV conseguiu eleger João Reinelli deputado estadual com apenas 9 mil votos. O índice é semelhante ao necessário para eleger um vereador na Capital.

Bola cheia: funcionou a dobradinha entre a dupla campeã da Libertadores de 1995 pelo Grêmio, Danrlei e Jardel. O primeiro foi reeleito deputado federal com 158,9 mil votos. Jardel vai debutar na Assembleia: fez 41,2 mil votos.

Bola murcha: alguns boleiros e ex-dirigentes fracassaram na tentativa de ingressar ou de manter-se na política. Paulo Odone (PPS), ex-presidente do Grêmio, ficou de fora. Sandro Sotilli (PSB), Dinho (PRB) e Tarcísio Flecha-Negra (PSD) não conseguiram a eleição.

Jornalistas e radialistas não conseguiram reproduzir, nas urnas, a popularidade em meios de comunicação. André Machado (PC do B) e Bibo Nunes (PSD) ficaram de fora da Câmara. Mauro Saraiva Jr. (PSDB), Paulo Borges (DEM) e Professor Nathanael (PTB) não conseguiram se eleger para a Assembleia.

Presidir a Assembleia é uma credencial e tanto para quem disputa a reeleição. Os quatro presidentes da última legislatura se reelegeram: Alexandre Postal fez 44,8 mil votos, Pedro Westphalen, 65,1 mil, Adão Villaverde, 31 ,9 mil, e Gilmar Sossella, 57,4 mil.

Uma reprise da eleição de 2002

06 de outubro de 2014 7

No dia 27 de fevereiro, quando José Ivo Sartori deu o sim ao PMDB e foi lançado pré-candidato a governador, no Hotel Laghetto Viverone, o discurso dos principais líderes era coincidente: repetir a façanha de Germano Rigotto, que em 2002 largou com 2% das intenções de voto e venceu a eleição. Sartori teve de disputar a indicação com Paulo Ziulkoski, venceu com mais de 70% dos votos dos delegados do PMDB e entrou na campaha disposto a quebrar a polarização entre Tarso Genro (PT) e Ana Amélia Lemos (PP). Até o início de setembro, as pesquisas indicavam que seria praticamente impossível a reprise de 2002: um mês antes da eleição, Sartori patinava na casa dos 11%, enquanto Ana Amélia estava com 38% e Tarso com 30%.
Graças a uma propaganda eficiente, que explorou sua condição de homem simples e gestor experiente, Sartori começou a ganhar terreno. Mesmo sem fazer promessas e sem apresentar um plano de governo detalhado, caiu nas graças do eleitor pela simplicidade. Já no primeiro programa, havia chamado a atenção ao falar de seu passado, apresentar a mãe e dizer que saiu da colônia, mas a colônia não saiu dele. Na campanha, ganhou de jovens simpatizantes o apelido de “Sartorão da massa”.
A classificação de Sartori para disputar o segundo turno com Tarso Genro se deve, também, à desidratação da candidatura de Ana Amélia Lemos. Atacada pelo PT por ter trabalhado como cargo de confiança do marido, o senador Octávio Cardoso, em 1986, e por não declarar à Justiça Eleitoral a propriedade de uma fazenda em Goiás, a candidata subestimou o efeito das denúncias. Só decidiu respondê-las no horário eleitoral quando começou a perder pontos nas pesquisas, mas era tarde.
Ana Amélia também foi vítima do salto alto. Estava tão certa da vitória que no debate da TV Pampa se despediu dizendo aos adversários que podiam espernear à vontade, que ela iria ganhar a eleição. A candidata já tinha decidido que moraria no Palácio Piratini e falava como se já estivesse eleita.

Como se explica a virada de Aécio

04 de outubro de 2014 39

No Twitter, um dos meus mais jovens amigos, o Afonso, 19 anos, estudante de Arquitetura, pergunta
_ O que explica essa virada do Aécio?
A pergunta do Afonso é a de milhares de eleitores que neste sábado souberam que em três pesquisas Aécio Neves ultrapassou Marina Silva e que, embora persista o empate técnico, a tendência é ele ir para o segundo turno com Dilma Rousseff.
O que as pesquisas de hoje mostram é a confirmação de uma tendência desenhada nos levantamentos dos últimos dias, com Dilma estabilizada no topo, Marina em queda e Aécio em ascensão. Basta olhar o gráfico da evolução em todos os institutos para perceber que Marina murchava e Aécio recuperava os pontos perdidos para ela a partir da morte de Eduardo Campos.
Marina caiu por uma combinação de fatores que vou resumir aqui:
1. Parte do seu crescimento estava ancorado na comoção provocada pela morte de Eduardo Campos. Passados 40 dias da tragédia, ninguém mais fala de Campos;
2. O PSB não pôde explorar devidamente a imagem de Campos porque, logo depois da morte dele, surgiu a confusão em torno da propriedade do jatinho. O fato de ter sido pago por laranjas não afetou Marina diretamente, mas a impediu de continuar usando a imagem de Campos;
3. Marina foi alvo de uma campanha pesada de desconstrução movida pelo PT, que apelou para a política do medo e vendeu a ideia de que a vitória dela seria o caos para o Brasil em geral e para os pobres em particular.
4. Aos ataques do PT juntou-se a campanha de Aécio, dizendo que Marina é o PT com outra roupa e que ele é o único capaz de mudar de verdade o país.
5. Com menos tempo de TV que os adversários, Marina não tinha como se defender.
6. Marina adotou uma estratégia errada de defesa: focou seu discurso nos beneficiários do Bolsa-Família (lembram da história da farinha e do ovo?), quando o público que precisava fidelizar para chegar ao segundo turno era a classe média antipetista, que votaria nela ou em Aécio com a mesma alegria;
7. No debate da Globo, Aécio foi melhor que Marina. Ela parecia cansada e acuada. Ele estava leve e faceiro, passando a ideia de domínio da situação.
Aqui também vale lembrar que pesquisa não substitui eleição e que vale mesmo é o voto na urna, como disse Beto Albuquerque agora há pouco no Twitter, mas a tendência é de segundo turno entre Dilma e Aécio. Se isso se confirmar, Marina estará livre para sair do PSB, fundar a Rede e trabalhar para emplacar a sua nova política nas próximas eleições

Empate no segundo lugar deixa eleição mais eletrizante

04 de outubro de 2014 8

A disputa pelo segundo lugar na eleição para governador, que já estava acirrada, ficou ainda mais emocionante nas horas que antecedem a abertura das urnas. O empate entre Ana Amélia (PP) e José Ivo Sartori (PMDB) agora é total, com 29% dos votos válidos, enquanto Tarso Genro se mantém na liderança com 36%. Nessa conta estão excluídos os indecisos, os brancos e nulos.
Repete-se no Rio Grande do Sul o fenômeno de 2002, quando Antonio Britto e Tarso Genro polarizaram a disputa durante a maior parte da campanha e, nos últimos dias, Germano Rigotto cresceu e foi para o segundo turno. À época, quem caiu foi Britto. Agora, quem está em trajetória descendente é Ana Amélia, mas Tarso também caiu neste levantamento em comparação com o anterior. Dos três, só Sartori cresceu no último Datafolha.
As simulações de segundo turno mostram Tarso empatado tanto com Ana Amélia quanto com Sartori.
No primeiro turno, Tarso tem uma vantagem em relação aos concorrentes: a maioria dos seus eleitores (66%) sabe o número que terão de digitar na urna. Entre os de Ana Amélia, metade não sabe ou responde um número errado. Dos eleitores de Sartori, 56% responderam o número certo.
A pesquisa indica que os ataques do PT a Ana Amélia funcionaram. Ela demorou para reagir, não deu explicações convincentes, mas quem lucrou foi Sartori, que fez uma campanha zen, sem muitas promessas, apostando na simplicidade e na sua experiência como gestor.
Pesquisa não substitui eleição. Esses são os números de hoje, mas ainda há 10% de eleitores indecisos e outros 4% que planejam anular o voto ou votar em branco, mas podem mudar de ideia.

Eu acredito na força do voto

04 de outubro de 2014 18

Eu tinha 29 anos quando votei pela primeira vez para presidente da República. Queria ter feito isso aos 16 ou aos 18, mas naqueles Anos de Chumbo o presidente era um general escolhido por outros generais. Esta é a sétima vez, desde a volta da democracia, que iremos às urnas para escolher o presidente da República. Depois de três meses de promessas e debates, chegou a hora de escolher o melhor (ou o menos pior).  Pode não ser uma experiência excitante como foi a eleição direta de 1989, a primeira depois de um quarto de século de jejum, mas é melhor do que ficar sabendo pela televisão o nome do general escolhido para nos governar nos próximos quatro anos.
Por ter acompanhado as manifestações pelas eleições diretas em 1984, tenho um apreço enorme pelo voto e uma dificuldade maior ainda para entender quem considera um fardo sair de casa num domingo para escolher presidente, governador, senador, deputado estadual e deputado federal.
Trabalhando com cobertura eleitoral desde 1982, aprendi a ver as qualidades e os defeitos dos candidatos, sem paixão. Voto com a razão, analisando a vida pregressa, a coerência entre o que dizem e o que fazem, as propostas e a visão de mundo. Como os partidos estão descaracterizados e fazem aliança espúrias em nome do poder, voto em pessoas. Minha seleção mistura candidatos de partidos diferentes, veteranos e novatos, homens e mulheres. Defendo a renovação na Assembleia e na Câmara para oxigenar e melhorar a representação, mas não hesito em reeleger alguém que tenha feito por merecer.
Diferentemente de muitas das pessoas com quem convivo, neste 5 de outubro não terei dificuldade para encontrar bons candidatos a deputado estadual ou federal. Meu problema é outro: como escolher apenas um entre os 55 que considero merecedores de uma cadeira na Assembleia e os 31 que me parecem mais aptos para representar o Rio Grande do Sul na Câmara?
Sou radicalmente contra o voto nulo e branco, embora reconheça o direito de quem prefere entregar a terceiros a escolha de quem vai governar e de quem vai legislar e fiscalizar. Não abro mão do meu direito de escolha. Neste ano, entrevistei os principais candidatos a presidente e a governador, acompanhei todos os debates, prestei atenção na propaganda de rádio e TV. Não obtive resposta para todas as perguntas, encontrei qualidades e defeitos em todos, mas votarei com a certeza de estar fazendo a escolha possível. Pela natureza do meu trabalho, não posso compartilhar meu voto nem minha lista de candidatos que merecem um crédito de confiança. Que vençam os melhores.

Novos sinais de que a disputa será acirrada

03 de outubro de 2014 9

Mais uma pesquisa confirma o que as anteriores indicavam: a eleição no Rio Grande do Sul será das mais disputadas dos últimos anos. Um dia depois de o Datafolha mostrar o governador Tarso Genro à frente de Ana Amélia Lemos, com 32% contra 28%, e confirmar a ascensão de José Ivo Sartori, com 23%, o Ibope aponta ampliação da vantagem do candidato do PT. No Ibope, Tarso se isola na liderança, com 35%, contra 27% de Ana Amélia. Sartori tem 20%. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, estaria desfeito o empate detectado no Datafolha.
O fato de 8% dos entrevistados pelo Ibope terem dito que ainda não sabem em quem votar torna a disputa mais emocionante. Significa que mais de 670 mil eleitores escolherão seu candidato a governador poucas horas antes da votação, o que alimenta a esperança dos partidários de Ana Amélia e de Sartori de disputar o segundo turno com Tarso.
Nas simulações de segundo turno, Tarso aparece pela primeira vez à frente, ainda que em situação de empate técnico. Tem 42% a 41% na disputa com Ana Amélia e 43% a 39% em um cenário de confronto com Sartori.
O Ibope também detectou crescimento da presidente Dilma Rousseff no Rio Grande do Sul. Na pesquisa anterior, de 23 de setembro, ela tinha 42% das intenções de voto. Agora, pulou para 45%, pouco acima dos 43,57% que obteve na eleição de 2010.
A principal novidade da pesquisa sobre a sucessão presidencial no Estado é a inversão de posições de Marina Silva e Aécio Neves. Há 10 dias, Marina e Aécio estavam tecnicamente empatados no Rio Grande do Sul (21% e 20%). De lá para cá, a ambientalista perdeu seis pontos e o senador ganhou três. Agora, Aécio tem 23% e Marina, 15%. O desempenho do tucano é inferior ao de José Serra, que em 2010 fez 37,67% dos votos. Mesmo caindo, Marina está acima de sua própria votação no Estado, que foi de 10,51%.

Um cenário em que tudo pode acontecer

02 de outubro de 2014 18

As pesquisas do Ibope e do Datafolha divulgadas agora à noite, antes do último debate, confirmam o que já se desenhava no início da semana: há três possibilidades em aberto. Dilma tanto pode disputar o segundo turno com Marina Silva quanto com Aécio Neves, mas não está descartada a possibilidade de ser reeleita no primeiro turno. No Datafolha, Dilma mantém os 40% dos últimos dois levantamentos, Marina caiu pelo sexta sondagem consecutiva _ perdeu 10 pontos em um mês _ e chegou a 24%, apenas três pontos à frente de Aécio Neves, numa pesquisa em que a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O tucano subiu de 15% para 21% nos últimos 30 dias e está tecnicamente empatado com Marina no segundo lugar.
Quando esses números são transformados em votos válidos, Dilma tem 45%. Para vencer no primeiro turno, é preciso fazer 50% mais um dos votos válidos, uma hipótese ainda considerada improvável, mas não impossível, já que nem todos os pontos perdidos por Marina em setembro caíram no colo de Aécio.
A figura que resulta dos números do Datafolha mostra que a “boca do jacaré” se abre no confronto Dilma X Marina e se fecha na disputa Marina X Aécio.
No Ibope, Dilma e Marina têm os mesmos índices do Datafolha (40% a 24%), mas Aécio tem dois pontos a menos (19%). Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, não se pode falar em empate técnico no Ibope, mas a curva é mais favorável a Aécio do que a Marina.
Diante desse quadro,  cresce em importância o debate da Rede Globo, que começa daqui a pouco, depois da novela Império, na RBS TV.

Vou registrar os melhores momentos do debate dos candidatos a presidente pelo Twitter, no perfil @rosaneoliveira.

Quadro indefinido no RS às vésperas da eleição

02 de outubro de 2014 44

Houve festa no comitê de José Ivo Sartori no momento em que o RBS Notícias divulgou o resultado da pesquisa do Datafolha, na qual aparece tecnicamente empatado com Ana Amélia Lemos no segundo lugar (28% a 23%). O crescimento de Sartori, que pulou de 13% para 19% na espontânea e de 17% para 23% na estimulada, reforçou a convicção dos líderes do PMDB de que ele irá para o segundo turno. Mais celebrada ainda foi a simulação de segundo turno, que mostra Sartori à frente de Tarso Genro (45% a 40%).
– A pesquisa mostra que Sartori é quem pode tirar o PT do governo – comemorou o vice-prefeito Sebastião Melo, coordenador da campanha, convencido de que está diante de uma repetição de 2002, quando Antônio Britto e Tarso Genro polarizaram a disputa até o fim de setembro e Germano Rigotto ganhou a eleição.
No comitê de Tarso, o resultado não surpreendeu: o tracking diário já apontava a queda de Ana Amélia e o salto de Sartori. Os petistas também comemoraram o resultado, porque coloca Tarso quatro pontos à frente de Ana Amélia no primeiro turno e tecnicamente empatado no segundo turno (ela tem 44% e ele, 41%).
Depois de duas semanas de ataques na TV e nas redes sociais, o PT conseguiu derrubar Ana Amélia, mas agora terá de torcer para que ela se estabilize nesse patamar. É que Sartori seria um adversário mais perigoso no embate direto. Além de ficar à frente na simulação de segundo turno, o ex-prefeito de Caxias do Sul é menos rejeitado do que a senadora. Segundo o Datafolha, somente 8% dos eleitores disseram que não votariam nele de jeito nenhum. A rejeição a Ana Amélia subiu de 13% na metade de agosto para 21%. Tarso é rejeitado por 27% dos entrevistados.
Entre os partidários de Ana Amélia, que davam a eleição da senadora como favas contadas, o clima é de perplexidade e de expectativa com a pesquisa do Ibope que deve ser divulgada nesta sexta-feira.
Além dos ataques do PT, a principal explicação para a mudança no quadro é o acerto no tom da campanha de Sartori, que apostou na simplicidade e na humildade.

ALIÁS
A avaliação positiva do governo explica a liderança de Tarso no Datafolha: ele tem 31% de bom e ótimo, 47% de regular e 18% de ruim  e péssimo. A nota média é 5,8.

Deputado entra com representação contra auxílio-moradia a juízes

01 de outubro de 2014 30

O deputado estadual Raul Pont (PT) entregou na terça-feira uma representação junto ao Ministério Público de Contas contra o pagamento de auxílio-moradia a juízes e promotores de Justiça. No documento, o petista argumenta que a concessão do benefício é ilegal, levando em conta que a lei estadual que instituiu o Estatuto da Magistratura não prevê o auxílio.

— A administração pública só pode fazer aquilo que a lei especificou ou determinou, então não se pode pagar o que não está na lei — afirma.

Pont também argumenta que a administração do Tribunal de Justiça, que confirmou o pagamento do auxílio na folha de outubro, não poderia fazer isso, já que não está previsto no orçamento. O procurador-geral do MP de Contas, Geraldo Da Camino, afirmou que o pedido está sob análise.