Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Susto em avião da TAM que ia para Brasília

17 de maio de 2013 53

Um avião da TAM que faria o voo JJ3072, entre Porto Alegre e Brasília, teve um problema na turbina logo depois da decolagem e precisou retornar ao Aeroporto Salgado Filho. Entre os passageiros, estava a ex-governadora Yeda Crusius e outros tucanos que viajavam para a convenção nacional do PSDB.

O professor Wambert Di Lorenzo, que concorreu a prefeito de Porto Alegre em 2012, ouviu um estouro e um clarão na turbina esquerda e avisou os comissários. Wambert estava sentado na poltrona 25 C, no corredor.

— Eu, o rapaz e a moça que estavam na mesma fileira pensamos no pior, mas mantivemos a calma e começamos a rezar. Rezei o Ato de Contrição — contou Wambert, católico praticante.

Quando o avião pousou, depois de minutos que para ele pareceram uma eternidade, Wambert escreveu em seu Twitter: "
Voo 3072 da TAM voltou para o Aeroporto depois de estouro e clarão na turbina. Eu e mais 2 passageiros vimos e avisamos à tripulação".

Yeda, de quem Wambert antes aliado agora que manter distância, estava sentada na parte da frente do avião.

Segundo o comandante, o problema foi provocado por um pássaro que se chocou contra a turbina.

Transparência, um tabu no setor público

16 de maio de 2013 12

ABERTURA DA PÁGINA 10

Fracassadas todas as tentativas de impedir a divulgação da remuneração nominal de magistrados e servidores, o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul se rendeu e publicou os dados em seu site na véspera do aniversário da Lei de Acesso à Informação. Graças à ministra Rosa Weber, que negou liminar em um mandado de segurança impetrado pela Ajuris para barrar a publicação, o TJ fez agora o que o Supremo Tribunal Federal, o governo federal e a prefeitura de Porto Alegre já fazem há mais tempo.
A determinação do CNJ e a decisão de Rosa Weber só valem para o Tribunal de Justiça, mas, diante da publicação, nada justifica que o Palácio Piratini, a Assembleia, o Ministério Público e o Tribunal de Contas continuem sonegando essas informações do contribuinte, que é quem paga a conta. O argumento de que uma lei estadual se sobrepõe à Lei de Acesso à Informação foi derrubado pelo Supremo. Será necessária uma ação judicial para garantir a publicação dos salários nos demais poderes?
Ao saber que as informações do TJ já estavam no ar, o presidente da Assembleia Legislativa, Pedro Westphalen, pediu um parecer ao procurador-geral da Casa e anunciou que colocará o assunto em discussão na reunião de líderes na terça-feira. Westphalen não vê motivo para a Assembleia continuar omitindo informações sobre os servidores, até porque a remuneração dos deputados é conhecida.
Os inativos ficaram de fora do sistema de divulgação porque, segundo a assessoria de imprensa da Corte, o TJ entende que a resolução do Conselho Nacional não determina que eles tenham suas remunerações tornadas públicas.

ALIÁS: O presidente do Tribunal de Contas do Estado, Cezar Miola, havia prometido acompanhar o Tribunal de Justiça na divulgação dos salários, mas diz que está impedido por uma liminar concedida a associações de servidores.

Campanha aberta pela reeleição

15 de maio de 2013 21

ABERTURA DA PÁGINA 10, QUE HOJE ESTÁ NA 12

A pretexto de celebrar os 10 anos do PT no poder, os principais líderes do partido protagonizaram no Teatro do Bourbon Country uma prévia da campanha da reeleição da presidente Dilma Rousseff. Comandado pelo ex-presidente Lula, que esbanjou tiradas espirituosas e arrancou gargalhadas da plateia, o ato foi uma ode aos governos petistas.
Já na entrada, 16 monitores de TV mostravam as realizações dos 10 anos no poder, com destaque para os 36 milhões de brasileiros que saíram da miséria, as 290 escolas técnicas, o Prouni e o aumento do salário mínimo. Atrás do palco, um painel com a imagem de Lula e Dilma como gêmeos siameses e a inscrição “Dez anos de governo do povo, para o povo, pelo povo”.
Lula começou lendo mensagem de uma estudante agradecendo a oportunidade de estar na universidade, graças ao Prouni. Falou de política internacional, do protagonismo do Brasil e da necessidade de o país ter boas relações com os países da América Latina. Minimizou os problemas, ironizou os críticos e disse que “alguns companheiros” da imprensa não compreendem o Brasil.
– Não há no mundo nenhum país que tenha a solidez e a perspectiva de futuro que tem o nosso país – discursou Lula.
Vestida de vermelho, Dilma foi a ultima a falar e começou pela frase final de Lula, que pediu aos companheiros para pensarem o que seria o Brasil sem os 10 anos de
governo do PT.
Sem o brilho de Lula, Dilma fez um discurso sóbrio, quase monótono, com raros momentos de descontração. Um deles, quando cumprimentou o presidente do PT gaúcho, Raul Pont, pelos 69 anos completados ontem. Chamou-o de Raulzão e brincou:
– Você está muito conservado. Sempre pensei que você tivesse a minha idade.

Por fim, citou o poema das Utopias, de Mario Quintana:

– Que tristes os caminhos, não fora a presença das estrelas.


Por que a licitação dos pardais não anda

13 de maio de 2013 10

Diante da mortandade em acidentes de trânsito no fim de semana, muita gente se pergunta: e os pardais das estradas estaduais, que o então secretário Beto Albuquerque prometia resolver com uma licitação internacional? Mesmo que o excesso de velocidade seja apenas uma das causas dos acidentes, e que muitos deles tenham ocorrido em cidades e em estradas federais, fomos atrás de respostas sobre a demora na realização da licitação dos pardais.

O repórter Juliano Rodrigues ligou para o Daer e a assessoria de imprensa informou que valia a resposta dada no dia 24 de abril ao jornalista Alvaro Pegoraro, do jornal Folha do Mate, de Venâncio Aires, que encaminhou uma série de questões sobre os pardais na RSC-287 e em outras rodovias do Estado. Veja a resposta do Daer, que segundo a assessoria vale também para Zero Hora:

"O Daer, através da sua Diretoria de Operação Rodoviária, informa que o Termo de Referência está pronto bem como fora encaminhado à Celic - Central de Licitações do Estado, onde através de pareceres da CAGE e PGE foram apresentadas várias sugestões de alteração, algumas foram acolhidas, outras rechaçadas. Entretanto, no que concerne ao parecer da PGE, em função de levantamentos anteriores da Força Tarefa, houve a exigência de que os estudos técnicos de locação dos equipamentos na estrada estivessem no edital.

O Termo de Referência é um documento produzido pelo interessado em contratar serviço para o Estado, onde se encontra contemplado o objetivo da contratação, as características, as quantidades e os preços que o Estado se dispõem a pagar e também o prazo da contratação do serviço. Importante salientar que nesse Termo de Referência deverá estar contemplado o tipo de contratação, que nesse caso deverá apurar uma empresa pela capacidade técnica e também pelo menor preço.

Assim sendo, se faz necessário que procedamos na elaboração dos estudos técnicos de cada equipamento previamente ao edital, para só depois licitarmos.

Diante do exposto, consideramos que o tempo em que levará esse estudo ainda está indefinido, pois alguns levantamentos devem ser elaborados pelo Batalhão Rodoviário, para só depois a engenharia elaborar análises e cumprir com as diretrizes do CONTRAN, a fim de atender as exigências dos estudos e por fim licitar os serviços de controle de velocidade nas rodovias do Estado.

No final do ano passado, o Daer solicitou ao CRBM que fizesse o estudo em toda a malha rodoviária que seria abrangida por equipamentos eletrônicos. Entretanto, ao iniciarmos os trabalhos de produção dos laudos de localização dos equipamentos nos trechos indicados, identificamos falhas técnicas nos levantamentos produzidos por alguns grupamentos do CRBM, os quais fizemos novamente, já pela 3ª vez, a solicitação de que fosse realizado novo levantamento, a fim de contemplar as exigências técnicas que os estudos de laudo requerem. Estamos, portanto, nesse momento, aguardando que esses estudos sejam produzidos e encaminhados ao DAER para produzirmos o laudo final que deverá estar contemplado no edital a ser encaminhado à CELIC para licitação.

No momento da análise do edital pelos órgãos de controle (Cage e PGE) são feitas inúmeras sugestões/questionamentos, e não temos como listar um a um. Alguns exemplos de pontos divergentes ou que não estavam muito claros citados pela PGE ou pela CAGE foram:

Tipo de licitação – A PGE acreditava que deveria ser apenas menor preço e o Daer defendia técnica e preço.  Ficou técnica e preço.

Cooperativas de servidores – necessidade de incluir no edital a impossibilidade de as Cooperativas de Servidores participarem da licitação. Informação foi incluída no edital.

Encargos trabalhistas – ficou definido que o Daer não se responsabilizará pelos encargos trabalhistas dos prestadores de serviço. Desta forma, os licitantes deverão incluir em seus preços todos os valores correspondentes a despesas trabalhistas, sociais, previdenciárias, etc.

Houve questionamento sobre se o contrato seria firmado com o Estado ou com o Daer. Foi esclarecido que o contrato será com o Daer.

Havia dúvidas sobre os prazos estabelecidos. Foi esclarecido que os prazos estavam de acordo com a Lei 8.666/93.

Todos eles já foram resolvidos, menos a questão dos estudos técnicos.  Portanto, o único impasse no momento diz respeito à necessidade de realização destes estudos antes da publicação do edital. Todos os detalhes, inclusive a forma como são realizados, estão previstos na Resolução 396 do Contran. É exigido que seja executado este estudo antes da instalação dos equipamentos, mas o dispositivo citado não traz como regra esta necessidade, de estar contido no edital."



Um patinho em cada lagoa

10 de maio de 2013 30

ABERTURA DA PÁGINA 10

Dos candidatos que disputaram a eleição presidencial de 1989, somente dois tinham jingles com refrões inesquecíveis. Lula, com  “Lula-lá, brilha uma estrela/ Lula-lá”, e Guilherme Afif Domingos, o do slogan “Juntos chegaremos lá”, com a música chiclete “Dois patinhos na lagoa/ vote Afif 22”. Vinte e dois era o número do PL (hoje é do PCO). Vinte e quatro anos depois, Afif chegou lá, pela mão do PT. Não como presidente, mas como ministro da presidente Dilma Rousseff. De ex-crítico ferrenho do PT e da própria Dilma, transformou-se em ministro do PSD, o partido que quando nasceu não era de esquerda nem de direita, muito pelo contrário.
De 1989 para cá, na aparência, mudou apenas a cor do basto cabelo de Afif, agora grisalho. A verdadeira mudança ocorreu no discurso de 2010, quando falava como candidato a vice de Geraldo Alckmin em São Paulo e dizia que Dilma não tinha preparo para ser presidente. Que ela não era capaz de pilotar um teco-teco e estava querendo dirigir um Boeing. Crítico ferrenho da carga tributária, Afif mudou de lado para ser ministro da Micro e Pequena Empresa, o 39º ministério do governo Dilma.
Seguindo uma máxima do ex-presidente Lula, segundo a qual só os energúmenos são incapazes de mudar, Afif mudou. E mudou tanto, que agora diz que aqueles discursos contra Dilma não passavam de “retórica de campanha”. É uma contribuição e tanto para a credibilidade da política. Maior do que essa, só a construção que permitiu a Afif deixar um patinho em cada lagoa: ministro de Dilma e vice-governador de São Paulo, pronto para se licenciar em Brasília sempre que Alckmin se afastar.  
Como sua nomeação é parte da estratégia de reeleição de Dilma, a ideia é que Afif permaneça no governo durante a campanha eleitoral. Para consumo interno, o agora ministro poderá reinventar seu slogan de 1989 e dizer “juntos continuaremos lá”. Na hipótese de Dilma perder a eleição, o PSD não terá nenhum problema para integrar o governo vencedor, em nome da governabilidade.

Falcatruas por todos os lados

09 de maio de 2013 9

ABERTURA DA PÁGINA 10, QUE HOJE ESTÁ NA 18

Nove dias depois de a Operação Concutare expor as linhas gerais de um esquema de fraude na concessão de licenças ambientais, o Rio Grande do Sul é sacudido pela revelação de que milhões de litros de leite foram adulterados com a adição de água de poço, para aumentar a quantidade entregue na indústria, e de ureia com formol para mascarar a perda de nutrientes. Ureia, um fertilizante conhecido por deixar a grama mais verde, era misturado ao leite, alimento básico para crianças. Um crime inominável, praticado por empresários inescrupulosos para aumentar o lucro.
O senso comum costuma fazer a associação imediata entre corrupção e política, mas uma observação atenta das operações do Ministério Público e das polícias mostra que o protagonismo nas fraudes não é exclusividade de quem passou pelas urnas ou ocupa cargos públicos. Mesmo quando a corrupção envolve políticos, não se pode esquecer que do outro lado existe o corruptor. Sem a figura de alguém que se disponha a pagar propina, não existe o corrompido.
No caso do leite, as fraudes detectadas em três regiões do Estado tinham no comando, segundo a investigação, transportadores que atuavam como intermediários, cometiam crime contra a saúde pública e contra o Fisco, porque adulteravam notas fiscais. Nenhum dos oito presos é político. As indústrias que receberam o produto adulterado e não detectaram a fraude se dizem vítimas, mas a verdade é que falharam e pagarão caro por isso: sua credibilidade já foi para o ralo e terão prejuízos incalculáveis com o repúdio do consumidor à marca.
O noticiário dos últimos dias revelou a existência de uma fraude contra o SUS em que médicos cobravam por sessões de quimioterapia de pacientes falecidos. Resumo da ópera: há corrupção na política, sim, mas ela está disseminada por amplos setores
da sociedade.

Edital da ponte do Guaíba sai em setembro

07 de maio de 2013 11

Está batido o martelo no governo federal: o edital para a construção da nova ponte do Guaíba sai em setembro deste ano. O cronograma de um novo pacote de obras foi apresentado hoje pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e pelo ministro dos Transportes, César Borges, em reunião da qual participaram o deputado federal Paulo Pimenta (PT), o chefe da representação do governo do Rio Grande do Sul em Brasília, Hideraldo Caron.
Este é o cronograma de lançamento dos editais das obras rodoviárias no Rio Grande do Sul:

Junho de 2013 -Ponte sobre o Rio das Antas, na BR-285

Julho de 2013 - Restauração da Ponte do Rio Jaguarão, em Jaguarão

Agosto de 2013 - Melhorias em 38,9 quilômetros da BR-116

Setembro de 2013 - Nova ponte do Guaíba

Outubro de 2013 - Acesso ao Porto de Rio Grande, na BR-392

Novembro de 2013 - Nova ponte sobre o canal São Gonçalo, na BR-392, em Pelotas
Dezembro de 2013 - Nova ponte sobre o Rio Jaguarão na BR-116
Além dessas sete obras, a duplicação da BR 290, entre Eldorado do Sul e Pantano Grande, está com edital já publicado.
Para a BR 392 Santa Maria/Santo Ângelo, anunciada recentemente pela presidenta Dilma Roussefff, já foram contratadas as empresas projetistas.E a travessia urbana de Santa Maria, obra de R$ 309 milhões, já foi licitada e tem previsão de início no segundo semestre de 2013.

Falar ou calar, eis a questão

07 de maio de 2013 23

Os presos na Operação Concutare podem ser divididos em dois grupos: os que falam e os que exercem o direito constitucional de permanecerem calados. Ex-presidente da Assembleia, ex-vereador e ex-secretário estadual e municipal, Luiz Fernando Záchia está no enxuto grupo dos que optaram por falar. Respondeu a tudo o que lhe foi perguntado na Polícia Federal. Por isso, seu depoimento no dia 1º de maio durou mais de cinco horas. Se suas respostas convenceram ou não os delegados da Polícia Federal,
é outra história.
– Falei porque não tenho nada a esconder. Esperava ter esclarecido todas as dúvidas, por isso me surpreendi quando me mandaram de volta para o Presídio Central depois do depoimento – disse Záchia a Zero Hora ontem, na primeira entrevista desde que saiu da prisão.
O ex-secretário está convencido de que entrou na mira da Operação Concutare em novembro do ano passado, a partir de uma viagem à Espanha, em que fez palestra sobre a revitalização da orla do Guaíba, indicado pelo ex-deputado Berfran Rosado (PPS, futuro MD), dono do Instituto Biosenso. Záchia soube agora que quatro agentes da Polícia Federal viajaram a Madri para acompanhar o congresso e monitoraram os passos dele, de Berfran e do ex-secretário Giancarlo Tusi Pinto, sócio da Biosenso. Dessa viagem, participou também a vice-prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas, à época recém-eleita, mas ela não é alvo da investigação.
Ex-colega de Berfran na Assembleia e no secretariado de Yeda Crusius, Záchia foi flagrado em conversas telefônicas com ele e com Giancarlo Tusi Pinto, outro investigado. Como os dois optaram por não se manifestar, alegando que antes precisam conhecer todos os detalhes do inquérito, algumas respostas de Záchia devem ser confrontadas com as versões dos dois. Em resposta aos pedidos de entrevista, o advogado de Berfran, Luciano Feldens, tem dito que ele falará nos próximos dias.
Na PF, um dos que mais falaram foi Ricardo Pessoa, funcionário da Fepam, que fez acordo de delação premiada. Ele trabalhava na área de mineração e foi preso com R$ 350 mil.

Rodin ameaçada

03 de maio de 2013 38

ABERTURA DA PÁGINA 10, HOJE NA 16

Com a decisão do Supremo Tribunal Federal de rejeitar a denúncia contra o deputado José Otávio Germano (PP) por envolvimento na fraude do Detran, toda a Operação Rodin corre o risco de ser anulada. Os advogados dos réus esperavam por esse julgamento para entrar com ações pedindo a nulidade do processo. O argumento é de que, como José Otávio tinha prerrogativa de foro, todos os acusados teriam de ser julgados em Brasília, como ocorreu com o mensalão.
Além do placar de 6 a 1 pela rejeição da denúncia, José Otávio comemorou o conteúdo dos votos de cada ministro e as críticas ao trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da juíza Simone Barbisan Fortes. Como Simone pediu transferência para Florianópolis sem concluir o processo, os advogados vão tentar anular todo o trabalho.
A defesa de José Otávio, comandada desde o início pelo advogado José Antônio Paganella Boschi, se baseou no fato de que
ele não poderia ter sido investigado sem autorização do Supremo e, no entanto, teve os sigilos quebrados. Quando surgiram os boatos sobre seu envolvimento, o deputado fez um pedido de informações sobre o que existia contra ele. A juíza e o Ministério Público Federal responderam que não havia nada.
Quem tornou públicos os indícios contra ele não foi o MPF nem a PF, mas o Ministério Público Estadual, numa entrevista com apresentação de documentos e gravações.
Ontem, quando Gilmar Mendes deu o quarto voto pela rejeição da denúncia, José Otávio levantou do sofá em que assistia à sessão pela TV e ligou para o pai, o ex-vice-governador Otávio Germano.
– Eu devia isso a ele e à minha família, que sofreu nestes cinco anos e meio de pesadelo. Eu não tinha como me defender porque não havia uma acusação formal – desabafou no final da tarde de ontem.
Com 50 anos completados em 21 de abril, José Otávio define o dia 2 de maio como o dia do seu renascimento político.

ALIÁS
Embora o nome do PP para o Piratini em 2014 seja o da senadora Ana Amélia Lemos, José Otávio Germano diz que o jogo não está jogado e admite disputar o governo ou o Senado.

A trilha do dinheiro

02 de maio de 2013 19

ABERTURA DA PÁGINA 10, HOJE NA 14

Como a investigação sobre as fraudes ambientais corre em segredo de Justiça, ainda não é possível montar o quebra-cabeça completo de como funcionava o pagamento de propina para acelerar a liberação de licenças ou para autorizar empreendimentos burlando a lei. Também não é possível responder ainda à mãe de todas as perguntas: o dinheiro sujo era usado em benefício próprio ou serviu para financiar campanhas eleitorais?
Seguir a trilha do dinheiro é a parte mais difícil nas investigações de corrupção, porque quem se corrompe não costuma depositar em contas correntes que possam ser identificadas numa simples quebra de sigilo bancário. A história mostra que também não é prudente usar dinheiro mal havido na compra de imóveis, colocá-los no próprio nome e correr o risco de bloqueio pela Justiça.
Os policiais que cumpriram os 28 mandados de busca e apreensão recolheram reais, dólares e euros, mas os delegados da PF sabem que o dinheiro encontrado em espécie é só uma parte. Há, também, presentes usados para abrir caminho no labirinto burocrático que as empresas precisam percorrer para obter uma licença de instalação ou de operação.
Do ponto de vista ético, não há diferença entre oferecer presentes para acelerar a liberação de uma licença ou pagar para um funcionário público atropelar a legislação e autorizar a instalação de um empreendimento em área proibida. É corrupção do mesmo jeito. Para efeito de punições futuras, sim, faz diferença, principalmente quando se trata
de crime ambiental.
Caso se confirme a existência de um esquema de financiamento de campanhas eleitorais, a repercussão é imprevisível, porque a investigação da Polícia Federal envolve pessoas de diferentes partidos. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente era comandada por Luiz Fernando Záchia, do PMDB, numa prefeitura do PDT. A área ambiental no Estado é feudo do PC do B, num governo do PT. Berfran Rosado é filiado ao PPS (agora MD), serviu aos governos do PMDB e do PSDB e foi candidato a vice-prefeito numa aliança com o PC do B. Nessa sopa de letrinhas, políticos de esquerda, de centro e de direita têm bons motivos para perder o sono.

Punição antecipada

01 de maio de 2013 12

ABERTURA DA PÁGINA 10, QUE HOJE ESTÁ NA 14

Desta vez, nenhum dos presos foi fotografado algemado ou tentando esconder os pulsos no camburão da Polícia Federal, como se viu na Operação Rodin, mas isso não significa que os presos da Concutare tenham sido privilegiados. Nenhum dos detidos na Rodin passou pela experiência de dormir no Presídio Central no período da prisão temporária. Na prática, quem é preso começa a cumprir a pena antes da conclusão do inquérito, seja favelado ou figurão. Quem vive na miséria não sente muita diferença, mas para um suspeito de crime de colarinho branco é um mergulho no abismo.
Ninguém esquece uma passagem pelo Presídio Central, quando se tem que enfrentar o rito de ficar desnudo e enfrentar a revista que antecede a entrada na cela. Homens acostumados a circular de terno e gravata, dormir em camas confortáveis, comer em casa ou em bons restaurantes, tomar banho quente e fazer a higiene com produtos de qualidade tiveram de se contentar com kits básicos de sobrevivência: colchão fininho, cobertor simples, daqueles apelidados de “pulguentos”, sabonete, escova e pasta de dentes, prato, caneca e colher de plástico.
A cena de advogados, engenheiros, geólogos e empresários lavando os pratos de plástico depois de comer a comida da cadeia pode ser pedagógica para quem aposta na impunidade confiando na lentidão da Justiça.
Na Operação Rodin os presos ficaram alojados no prédio da Superintendência da PF, que não era um hotel cinco estrelas mas nem se compara ao Presídio Central. O tratamento diferente não é um exercício de sadismo da PF nem exclusividade dos suspeitos de envolvimento em crime ambiental: simplesmente não há como acomodar os 18 no prédio da superintendência. E o Central é o único presídio masculino de Porto Alegre, em regime fechado. Para lá são mandados os presos temporários que precisam ser interrogados pela polícia.
Os condenados ocupam outras galerias, as degradadas que deram ao Central o título de pior presídio do Brasil. O sistema carcerário brasileiro é desumano, mas não existe clamor popular por melhores condições porque a maioria das pessoas considera a privação da liberdade insuficiente. Quer ver o preso humilhado e reage quando o governo adota medidas óbvias como vaciná-los para impedir a disseminação de um surto de gripe.

Mistérios da Operação Concutare

29 de abril de 2013 65

Como a investigação está sob segredo de Justiça, a entrevista coletiva dos superintendente Sandro Caron e dos delegados da Polícia Federal que trabalharam no caso ficou cheia de lacunas. Os mandados de prisão foram expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o que indica a existência de investigados com foto privilegiado.

Os nomes dos 18 presos não foram divulgados pelos delegados, mas sabe-se que além do secretário estadual do Meio Ambiente, Carlos Niedersberg, do municipal, Luiz Fernando Záchia, e do consultor Berfran Rosado há seis emrpesários e outros quatro consultores. Os demais  são servidores públicos _ pelo menos dois deles são da Fepam.

Um dos presos era o responsável, na Fepam, pela concessão de licenças a empreendimentos imobiliários no Litoral e teria autorizado construções em áreas de dunas. O outro era responsável pela área de mineração. Também foi preso um funcionário do Departamento Nacional de Produção Mineral.

Os delegados mencionaram a tentativa de um dos presos de influenciar nas decisões da Assembleia Legislativa, mas invocaram o sgredo de Justiça para não entrar em detalhes.

Durante a coletiva, sintetizei as informações pelo twitter. Vocês pode conferir em @rosaneoliveira.


Tessaro não está entre os presos

29 de abril de 2013 9

A Polícia Federal informa que o ex-vereador Nelcir Tessaro não está entre os presos e nem sequer é investigado na Operação Concutare. O nome dele me foi informado por uma autoridade, junto com os de Luiz Fernando Záchia, Carlos Niedersberg e Berfran Rosado. Esses três estão presos na sededa Superintendência da Polícia Federal, mas Tessaro não tem qualquer envolvimento.

Peço desculpas ao ex-vereador Nelcir Tessaro por ter divulgado essa informação equivocada.

Operação da PF prende secretários de Meio Ambiente

29 de abril de 2013 29

Foram presos na madrugada de hoje pela Polícia Federal o secretário estadual do Meio Ambiente, Carlos Niedersberg, o secretário municipal do Meio Ambiente, Luiz Fernando Záchia, o ex-secretário do Meio Ambiente Berfran Rosado.

O prefeito José Fortunati afastou temporariamente o secretário Záchia.

Detalhes em seguida no Gaúcha Atualidade.

[O post foi atualizado às 9h05min]

PF divulga nota sobre operação que investigou crimes ambientais

29 de abril de 2013 4

Veja a nota que acaba de ser divulgada pela Polícia Federal aidna sem os nomes dos presos, que serão anunciados às 10h, em entrevista coletiva:

"Porto Alegre/RS – A Polícia Federal deflagrou na manhã de hoje, 29 de abril, a Operação Concutare, com o objetivo de reprimir crimes ambientais, crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro.

A operação iniciou em junho de 2012 e identificou um grupo criminoso formado por servidores públicos, consultores ambientais e empresários. Os investigados atuam na obtenção e na expedição de concessões ilegais de licenças ambientais e autorizações minerais junto aos órgãos de controle ambiental.

Cerca de 150 policiais federais participam da Operação para executar 29 mandados de busca e apreensão e de prisão temporária expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. As ordens judiciais estão sendo cumpridas nos municípios de Porto Alegre, Taquara, Canoas, Pelotas, Caxias do Sul, Caçapava do Sul, Santa Cruz do Sul, São Luiz Gonzaga, no Rio Grande do Sul, e em Florianópolis, Santa Catarina.

A operação foi denominada Concutare, termo com origem no latim, que significa concussão. Os investigados serão indiciados por corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, crimes ambientais e lavagem de dinheiro, conforme a participação individual de cada envolvido."


As investigações foram conduzidas pela Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente e ao Patrimônio Histórico (DELEMAPH) e pela Unidade de Desvios de Recursos Públicos da Polícia Federal no Rio Grande do Sul.


Será realizada entrevista coletiva às 10 horas de hoje, 29, na Superintendência da Polícia Federal no Rio Grande do Sul (Av. Ipiranga, nº 1365).