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Secretário de Gravataí responde a crítica da coluna

30 de dezembro de 2013 6

Na abertura da Página 10 de hoje, reproduzida neste blog, perguntei o que o prefeito de Gravataí, Marco Alba, ex-secretário de Habitação, e seu secretário-geral de Governo, Luiz Zafalon, ex-presidente da Corsan,  fizeram quando estavam no governo para melhorar a oferta de água no município. Zafallon me mandou uma longa resposta, dizendo que foi feito na gestão dele, o que precisa ser feito e o quais são, na sua visão, os problemas da Corsan. Confira a íntegra da resposta (as palavras em letras maiúsculas são destaques do autor):

“Cara Rosane: Fomos citados (Eu e o Prefeito Marco Alba) em Vossa coluna (Pagina 10) de ZH do dia 30/12/2013.
” o que fizeram Alba e Zaffalon…”.  Sobre a Vossa pergunta diria que fizemos tudo o que a área técnica da CORSAN entendia adequado para acabar com o problema. Veja:
- Reservatório novo na Vista Alegre. Resolveria o problema de estoque de água produzida na ETA de Cachoeirinha e atenderia o lado da cidade entre a RS118 e Cachoeirinha. Foi concluído.
- Reservatórios novos no bairro Cipreste e Neópolis. Para aumentar pressão  e capacidade de armazenamento na área central da cidade, Neópolis e RS 20. Concluídos.
- Adutora de Interligação entre estes dois reservatórios.
- Reservatório na Morada do Vale para resolver crônica falta d´água nas Moradas do Vale, Águas Claras e Tom Jobim. Concluídos.
- Dobrar capacidade de produção de água tratada na ETA de Gravataí. Contratamos a obra para passar de 280 litros/seg para 500 lts/seg.  A obra foi iniciada ainda em 2010; até hoje não foi ativada.
- Reforma Geral da ETA Cachoeirinha que ameaçava desabar.
- Diversos reservatórios novos em vários pontos das duas cidades.
Rosane: Com estas obras e mais de 10 milhões de investimentos em água, dobramos a capacidade de RESERVAÇÃO em Gravataí. Repito, obras elencadas como solução pelos Técnicos da CORSAN. Fazem mais de 4 anos que estas obras se iniciaram. Algumas foram concluídas. Não falta água nos mananciais de captação; não falta energia elétrica. Então porque não resolveram?
- A CORSAN não consegue produzir água tratada para esta capacidade de armazenamento;
- A perda em Gravataí chega a 58%. Vazamentos crônicos jorram água fora há meses.
- O rompimento da adutora de ontem, aconteceu no mesmo local no ano passado.
- A manutenção é deficiente, ultrapassada e rompem redes toda hora.
- etc..

Você esta correta quando diz que “ninguém pode ser responsabilizado sozinho pelos problemas de falta d´água neste verão”.
O problema esta na CORSAN. A CIA não tem estrutura para atender este desafio. Não têm recursos financeiros; se os tiver (financiamentos, OGU, etc..) não têm capacidade para licitar, fiscalizar e realizar as obras. Podemos dar causas ao problema CORSAN:
- Podemos creditar ao modelo de subsídio cruzado? Onde nos mais de 320 municípios atendidos pela CORSAN, apenas 50 são lucrativos?
- A CORSAN têm todos os problemas estruturais de uma ESTATAL e isto mata a empresa dia a dia.
1- Gestão não profissionalizada
2- Gasta 100 milhões/ano em demandas judiciais (trabalhistas e cíveis)
3- Graves problemas corporativos (Associações de classe em excesso; sindicatos em excesso e influentes na gestão; pauta sindical com mais de 100 itens; etc..)
4- Funcionários cedidos e em licença em excesso;
5- Tecnologia ultrapassada em controles operacionais. O Call Center que implantamos em 2010 e o Centro de Controle Operacional, que implantado modernizaria a operação da empresa, tentamos de todo jeito e fomos boicotados. Agora dá sinais de que será implantado; duvido.

Ou seja, isto eleva o custo operacional a níveis proibitivos para saneamento.  Nenhuma empresa do mundo sobrevive a 58% de perdas e a este custo com causas judiciais e falta de produtividade.

Rosane: Podemos falar horas sobre este tema. Porém uma coisa é certa. O modelo e a CORSAN são as causas deste problema todo. São dezenas de cidades com falta d´água neste momento pelo RS.

Em tempo: O ASSUNTO ESGOTO É MUITO PIOR. Com Água que dá lucro temos sérios problemas, imagina ESGOTO que é uma operação que acumula prejuízos a cada metro de rede instalado ??

Abraço e disponível para ampliarmos este assunto. FELIZ 2014.

Luiz Zaffalon
Secretario Geral de Governo”

Saem as primeiras condenações da Operação Leite Compen$ado

26 de dezembro de 2013 7

O juiz Ralph de Moraes Langanke, de Ibirubá, condenou os primeiros réus da Operação Leite Compen$ado, que detectou fraude no leite, a penas que vão de dois anos e um mês de reclusão a 18 anos e seis meses. A pena mais elevada foi aplicada ao réu João Cristiano Marx. Confira abaixo o resumo das penas aplicadas pelo juiz ao final da sentença de mais de 600 páginas:
“Ficam DEFINITIVAMENTE condenados:
a) o réu PAULO CÉSAR CHIESA a uma pena de dois (02) anos e um (01) mês de reclusão;
b) o réu JOÃO IRIO MARX às penas de nove (09) anos e sete (07) meses de reclusão e multa de cento e oitenta (180) dias-multa, com a unidade arbitrada em 1/20 do salário mínimo em vigor no dia 1º de dezembro de 2012, devendo o dia-multa ser atualizado desde o dia 01-12-2012, pelo IGPM;
c) a ré ANGÉLICA CAPONI MARX às penas de nove (09) anos e sete (07) meses de reclusão e multa de cento e oitenta (180) dias-multa, com a unidade arbitrada em 1/30 do salário mínimo em vigor no dia 1º de dezembro de 2012, devendo o dia-multa ser atualizado desde o dia 01-12-2012, pelo IGPM;
d) o réu ALEXANDRE CAPONI às penas de nove (09) anos, três (03) meses e doze (12) dias de reclusão e multa de cento e vinte (120) dias-multa, com a unidade arbitrada em 1/30 do salário mínimo em vigor no dia 1º de dezembro de 2012, devendo o dia-multa ser atualizado desde o dia 01-12-2012, pelo IGPM;
e) o réu JOÃO CRISTIANO PRANKE MARX às penas de dezoito (18) anos e seis (06) meses de reclusão e multa de seiscentos e trinta (630) dias-multa, sendo duzentos e dez (210)  dias-multa com a unidade arbitrada em 1/10 do salário mínimo em vigor no dia 1º de dezembro de 2012, devendo o dia-multa ser atualizado desde o dia 01-12-2012, pelo IGPM, e quatrocentos  e vinte (420) dias-multa com a unidade arbitrada em 1/10 do salário mínimo em vigor no dia 31 de outubro  de 2012, devendo o dia-multa ser atualizado desde o dia 31-10-2012, pelo IGPM; e
f) o réu DANIEL RIET VILLANOVA às penas de onze (11) anos e sete (07) meses de reclusão e multa de  quatrocentos e vinte (420) dias-multa,  com a unidade arbitrada em 1/6 do salário mínimo em vigor no dia 31 de outubro  de 2012, devendo o dia-multa ser atualizado desde o dia 31-10-2012, pelo IGPM.

REGIME CARCERÁRIO:

O eventual início do cumprimento da pena privativa de liberdade far-se-á:
a) no regime semi-aberto para o réu PAULO CÉSAR CHIESA, visto que   embora o réu seja  primário e a pena aplicada seja inferior a quatro anos,  as circunstâncias do art. 59, do CP, que devem ser consideradas na fixação do regime inicial de cumprimento da pena por força do art. 33, § 3º, do CP, por terem sido majoritariamente desfavoráveis ao réu, não autorizam o início do cumprimento da pena no regime aberto, devendo ser cumprida no Presídio de Espumoso/RS; e

b) no regime fechado para os réus JOÃO IRIO MARX, ANGÉLICA CAPONI MARX, ALEXANDRE CAPONI, JOÃO CRISTIANO MARX e DANIEL RIET VILLANOVA, devendo ser cumpridas no Presídio de Espumoso/RS.

DIREITO DE APELAR EM LIBERDADE:

Considerando que os réus responderam o processo presos preventivamente,  DENEGO-LHES o direito de apelar em liberdade.

Assim, recomendem-se os réus no presídio onde se encontram recolhidos.

SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR RESTRITIVAS DE DIREITOS

Inviável para os réus JOÃO IRIO MARX, ANGÉLICA MARX, JOÃO CRISTIANO MARX, ALEXANDRE CAPONI e DANIEL VILLANOVA  em razão das penas impostas (superiores a quatro anos) e inviável para o réu PAULO CÉSAR CHIESA,  visto que a culpabilidade, a conduta social,   os motivos e, principalmente,  as circunstâncias da infração  indicam que essa substituição não seria suficiente para punir o delito praticado pelo réu, fomentando a sensação de impunidade que levou o denunciado a integrar a quadrilha de adulteradores de leite.

DAS CUSTAS
Custas pelos réus, proporcionalmente (1/6 para cada um deles).

PROVIMENTOS:
Transitada em julgado:
a) Lançar os nomes dos réus no rol dos culpados;
b) Remeter ao DINP os boletins estatísticos ou individuais;
c) Remeter os PECs  à VEC;
d) Comunicar ao TRE;
e) Remeter as fichas PJ-30 à VEC de São Leopoldo/RS.

Publique-se. Registre-se. Intimem-se.

Ibirubá,  26 de  dezembro de 2013.

RALPH MORAES LANGANKE

JUIZ DE DIREITO”

2013, o ano mais difícil da vida de Fortunati

21 de dezembro de 2013 35

ABERTURA DA PÁGINA 10 DE DOMINGO

Em mais de 30 anos de vida pública, o prefeito José Fortunati (PDT) nunca teve um ano tão duro quanto o de 2013. Ele só não define como um ano para ser esquecido porque, apesar dos tropeços, tem uma lista de pontos positivos que começam pelo acordo para a construção do metrô, passam pelo início das obras do Cais Mauá e chegam ao sorteio das seleções que jogarão em Porto Alegre.
– Mesmo que as obras de mobilidade estejam atrasadas, temos de comemorar porque estão sendo realizadas – conforma-se.
Os problemas desabaram – literalmente – sobre a cabeça do prefeito aos 40 minutos do primeiro dia de 2013, quando o vento derrubou um toldo onde se realizava a festa de réveillon. Dias depois, na mesma madrugada da tragédia da boate Kiss, em Santa Maria, um incêndio deixou cem famílias desalojadas na Vila Liberdade, perto da Arena
do Grêmio.
A lista dos problemas que Fortunati enfrentou em 2013 é longa: estouro do Conduto Forçado Álvaro Chaves, rompimento do dique que alagou o bairro Sarandi, protestos contra a derrubada de árvores para duplicação da Avenida Beira-Rio, manifestações contra o aumento das passagens de ônibus, escândalo de desvio de recursos na Procempa e incêndio no Mercado Público. Some-se a esses percalços o agravamento da crise das finanças públicas, com a redução dos repasses do governo federal e o aumento das demandas – o crescimento vegetativo da folha de pagamento é de 12% ao ano. A crise na Procempa inviabilizou a compra do sistema que permitiria a implantação da nota fiscal eletrônica e, com isso, a prefeitura perde entre R$ 50 milhões e
R$ 90 milhões.
Em agosto, temendo não conseguir pagar os salários dos servidores em novembro, Fortunati anunciou um pacote de medidas para reduzir gastos. O corte de cargos em comissão esbarrou na resistência dos partidos aliados em indicar os seus demissíveis e a aplicação do teto caiu na Justiça. Graças aos contratos de gestão, houve redução de gastos. Assim mesmo, para pagar o salário de dezembro e o 13º salário, foi preciso usar dinheiro do Dmae e tomar emprestados recursos de fundos que serão repostos em janeiro, quando entra o IPTU de quem resolver pagar com o desconto de 12%.

Tarso avisa que não será candidato sem reestruturação da dívida

19 de dezembro de 2013 24

Desta vez, o governador Tarso Genro foi mais explícito do que nas manifestações anteriores: só será candidato à reeleição se o projeto que reduz o juro e altera o índice de correção da dívida renegociada com a União for aprovado. Na China, ele havia citado esse como um dos elementos que colocaria na balança antes de decidir se será ou não candidato à reeleição, mas hoje, no balanço de fim de ano, tratou a aprovação do projeto como pré-condição para ser candidato. Disse que acredita na aprovação e que recebeu garantias do relator, o senador catarinense Luiz Henrique da Silveira (PMDB),  de que o projeto será votado em fevereiro.
Sem a aprovação do projeto, o Rio Grande do Sul ficará sem possibilidade de tomar novos empréstimso para investimentos, o que tornará muito difícil a vida do próximo governador. Além disso, a redução do juro e a alteração do indexador eliminam o saldo devedor que, sem a mudança, terá de ser pago a partir do vencimento do contrato, em 2028.
Tarso voltou a dizer que sua candidatura também está ligada à definição do palanque da presidente Dilma Rousseff no Rio Grande do Sul. Ele quer ser o único palanque de Dilma no Estado, mesmo que outros partidos da base _ caso do PDT e do PMDB _ tenham candidato próprio. Embora não tenha condicionado a candidatura ao compromisso de ser o único palanque de Dilma, disse que, se isso não for possível, vai sugerir que o PT escolha outro candidato.
Embora não assuma a candidatura, o governador deixou claro que sua principal adversária é a senadora Ana Amélia Lemos (PP). Ao comentar a entrevista que o presidente do PP, Celso Bernardi, deu ontem, fazendo um balanço crítico do seu governo, Tarso disse que a foi uma “manifestação de boa qualidade política”, mas que faltou mostrar que alternativa o PP oferece.
_ Criticaram os aumentos que nosso governo deu ao funcionalismo, mas não dissseram o que pretendem fazer. Vão arrochar os salários? _ questionou.
Tarso lembrou que o PP critica o não pagamento do piso nacional do magistério como básico da carreira, mas não diz se pagará o mínimo. E acrescentou:
_ Eles nos criticam por tomar empréstimos, mas não dizem o que fariam. Será que a alternativa deles é o déficit zero, sem investimentos?
No almoço com a imprensa, Tarso fez um balanço das realizações do governo neste ano e definiu o desenvolvimento econômico e o combate a miséria como a marca de sua adminitração.

Sua Excelência, o livro

08 de novembro de 2013 11

CRÔNICA DE SÁBADO 

Na quarta-feira passada, dia em que entrevistamos a presidente Dilma Rousseff, pisei pela segunda vez na biblioteca do Palácio da Alvorada. É um lugar mágico, com mais de 3 mil livros encadernados em couro, dispostos em estantes que ocupam duas paredes do chão ao teto, com uma escadinha de correr para que se possa alcançar os andares mais altos. Uma das paredes é ocupada por uma tela de Di Cavalcanti e a outra envidraçada, com vista para a piscina e para os jardins. Enquanto Dilma não chegava, eu o David Coimbra, que somos loucos por livros, ficamos bisbilhotando as obras raras, sem tocar, com aquela sensação de quem está em um templo ou em um museu.

Biblioteca do Palácio da Alvorada

Biblioteca do Palácio da Alvorada

Dilma chegou e antes de começar a gravar falamos sobre livros. Ela contou que lê obras da biblioteca oficial, mas prefere ler os seus próprios, porque gosta de rabiscar e, naturalmente, não se pode anotar na margem de um livro do acervo da residência dos presidentes. Falamos sobre as profecias que falam de um mundo sem livros de papel e Dilma disse que não acredita no fim do livro impresso.
_ Seria muito triste um mundo sem livros. Gosto de tocar, gosto do cheiro de papel.
Concordo com ela. E tenho boas razões para acreditar que, apesar dos e-books, o livro de papel ainda tem vida longa pela frente. Basta olhar para essa multidão que circula pela Feira do Livro de Porto Alegre para acreditar que esse produto não é uma espécie em extinção. Para não ficar só com o nosso exemplo mais óbvio, cito outro: estive no Rio de Janeiro no fim de semana passado e circulei pelas minhas praias preferidas: a Livraria Travessa, em seus endereços de Ipanema e do Leblon. Sábado era feriado, domingo estava um sol radiante, e, mesmo assim, havia gente de todas as idades olhando capas, lendo orelhas, pedindo informações aos vendedores. Gente que podia estar na praia bebendo água de coco estava ali, comendo letras e respirando cultura.

Livraria Travessa do shopping Leblon

Livraria Travessa do shopping Leblon

Eu, assim como eles, poderia ter ficado esparramada no sofá e, com o dedo indicado no tablet, comprado em lojas virtuais os livros que saí carregando numa sacolinha. No voo de volta, li mais da metade de Todos nós adorávamos caubóis, da Carol Bensimon, que terminei dois dias depois, na ida para Brasília. Aliás, não conheço nada melhor do que um livro para tornar menos enfadonhas as viagens em aviões cada vez mais desconfortáveis.
No voo de volta de Brasília, li Sangue quente, da minha amiga Claudia Tajes. Meus vizinhos de poltrona devem ter achado que eu era doida para começar a rir sem mais menos, enquanto a maioria dos passageiros dormia. Eu ria das histórias da Claudia e tentava ler devagarinho, para que o livro não terminasse antes da viagem, mas terminou ali na altura de Laguna e lamentei não ter levado as crônicas do Marcelo Canellas, que estão na minha fila.
No fim do mês tenho uma viagem marcada para a China e, além de touca, luvas e casacão para encarar um inverno de até -10ºC, tenho que escolher que livros levar. Serão umas trinta horas entre aviões e aeroportos. Mesmo que eu durma metade desse tempo, sobrará muito para boas leituras. Sei que o mais prático é ler no iPad, para não andar carregando peso, mas qual é a graça? E outra: livro você lê da decolagem à aterrisagem, sem se preocupar com o aviso de que “a partir deste momento todos os aparelhos eletrônicos devem ser desligados”.

Eu não amo o Facebook, mas me rendo, Mr. Zuckerberg

01 de novembro de 2013 9

CRÔNICA DE SÁBADO

OK, você venceu, Mr. Zuckerberg. Eu não morro de amores pelo seu Facebook, e vou lhe dizer por que, mas assino aqui minha rendição. Fui uma das últimas a aderir ao Orkut e entrei em pânico quando pessoas que eu não conhecia começaram a me mandar convites para ser “amiga”. Meu conceito de amigo é arcaico: pessoas com quem eu posso contar no mundo real, abraçar, conversar olho no olho. Lá nos escombros do Orkut ainda deve ser possível encontrar na minha conta algumas fotos do Japão e pouca coisa mais. Meus filhos e amigos migraram para o Facebook e eu achei que poderia continuar vivendo com o e-mail, o Twitter, o blog, a coluna em Zero Hora, o programa na rádio Gaúcha e o comentário na TVCOM. Mas o mundo exige mais e tenho os equipamentos indispensáveis para, se for o caso, ficar conectada 24 horas por dia.

A Bárbara Nickel, que sabe tudo de redes sociais, tentou me convencer com bons argumentos de que era impossível viver no século 21 sem uma conta no Facebook. Resisti com a justificativa de que não tinha tempo para mais um Tamagochi (alguém aqui não conhece um Tamagochi?) e que se eu não conseguiria interagir com esses amigos virtuais seria melhor não tê-los. A incansável Bárbara me ofereceu uma possibilidade tentadora: uma página, como as que as pessoas muito ocupadas têm, mas para administrá-la eu precisaria ter também uma conta comum.

Criamos as páginas e elas passaram mais de um ano mofando na minha indecisão sobre como dividir os cocos entre o Facebook, o blog, a coluna, o Twitter e a minha grande paixão nas redes sociais, o Instagram. Confesso aqui que quando penso em publicar uma informação no Facebook tenho a sensação de estar traindo os leitores que assinam ou compram Zero Hora na banca. Minha ideia original de tratar de assuntos profissionais na página e ter apenas amigos e parentes no meu perfil pessoal começou a ruir quando pipocaram os convites para ser amigo de algum dos meus amigos, parentes e colegas de trabalho. Acho indelicado rejeitar e temo frustrar esses “novos amigos”, porque no perfil pessoal eu praticamente não posto nada. Tudo o que se vê ali são as fotos duplicadas do Instagram _ e que não são fotos jornalísticas. São fotos das minhas plantas, dos cachorros, de paisagens, de detalhes que valem pela cor ou pela forma, de retalhos de viagem.

Minha bronca com o Facebook começa pelo nickname: detesto ouvir “feice”. Continua pela poluição da página, com aqueles anúncios que se infiltram entre as fotos e textos e, pior, pelas notificações das coisas que meus poucos amigos curtiram — uma garrafa de Coca-Cola, uma loja de lençóis, uma coisa qualquer que não me interessa saber. Me ensinaram que basta eliminar a opção “Mostrar no Feed de notícias” e não ficarei sabendo do que as pessoas curtiram. É fato, mas se eu eliminar, estarei matando metade do sentido de interação. Me chateia também saber que o Facebook inventa que eu “curti” um hotel ou uma loja que não passei nem perto _ a pé, de carro ou com o mouse.

Quase todos os meus amigos estão no Facebook. E quando eu entro vejo que a luzinha verde dos poucos da minha lista  está acesa, sinal de que estão conectados. Mas, como nem  sempre olho, as mensagens se acumulam e aumentam minha sensação de estar sendo relapsa com pessoas queridas.

Disse que me rendi porque decidi alimentar meu Tamagochi: na página, que qualquer um pode acessar sem ser meu amigo, publicarei textos e fotos que me parecerem relevantes. Ainda não capitulei totalmente a ponto de liberar o perfil pessoal, porque não quero frustrar os leitores com a irrelevância das minhas participações. Talvez daqui a alguns dias eu repense e aceite todos os convites congelados, mas ainda não estou preparada para isso.

Vai aqui o mapa dos meus endereços no mundo virtual, sem garantia de que eu consiga interagir como gostaria:

E-mail: rosane.oliveira@zerohora.com.br

Blog: www.zerohora.com/blogdarosane (blog não deixa de ser uma rede…)

Facebook: www.facebook.com/rosanejornalista

Twitter: www.twitter.com/rosaneoliveira

Instagram: www.instagram.com/rosanedeoliveira

Mesmo com todos esses endereços, metade de mim ainda é analógica: não tenho fissura por vídeos, nunca troquei as fotos dos meus perfis, gosto de um bom livro impresso, tenho assinaturas digitais mas adoro um jornal de papel e sou apaixonada por bons textos. Se você chegou até aqui é porque temos alguma coisa em comum. Será que somos uma espécie em extinção?

Polícia Rodoviária abre retorno na BR-116 para a BR-386

23 de outubro de 2013 0

Quem está trancado na BR-116 a caminho do Vale do Sinos ou da Serra terá agora uma possibilidade de retorno. A Polícia Rodoviária Federal está orientando o trânsito para que os motoristas retornem para Porto Alegre ou desviem pela BR-386.

Quem está antes do acesso à BR-386, em Canoas, deve tomar esse acesso e fazer o retornomais adiante. Quem está entre o acesso da BR-386 e o Parque Assis Brasil e quer ir para o Vale do Sinos ou para a Serra deve fazer o retorno na própria BR-116 e usar o viaduto de acesso à BR-386 e usar, bem mais adiante, a ERS-240, via Montenegro.

Essas informações foram dadas há pouco pelo chefe da Comunicação da PRF, Alessandro  Castro.

Chuva deixa cidades em situação de calamidade

23 de outubro de 2013 1

Desde o início da manhã estou acompanhando os estragos provocados pela chuva em Esteio, Sapucaia e outros municípios da Região Metropolitana. O programa Gaúcha Atualidade foi todo ocupado pela cobertura da enchente. Há tempos não se via uma situação tão grave em Esteio. Os ouvintes estão sendo fantásticos ao compartilhar informações sobre a situação nas estradas e nos bairros atingidos.

O resumo da ópera neste momento:

- Dezenas de bairros de Sapucaia e Esteio estão alagados. Há pessoas ilhadas;

- A BR-116 está interrompida no sentido Capital-Interior. Temos relatos de carros boiando e de motoristas que os abandonam para fugir da correnteza;

- Foi preciso quebrar a mureta para escoar a água;

- O Trensurb só funciona entre a Estação Mercado e a Mathias Velho. Um raio atingiu a rede e não há previsão de retomada do serviço. Conserto dificilmente será concluído antes do meio dia;

-  Escolas estão sendo fechadas porque alunos e professores não conseguem chegar;

- Médicos não conseguem chegar aos postos de saúde;

- Defesa Civil tem dificuldade para chegar aos locais afetados;

- Há relatos de pista alagada tamb[em  na BR-386, perto do Velopark. BR-386 pode ser bloqueada a qualquer momento.

Em seguida, mais informações.

Lei incentivará doações para a saúde

23 de outubro de 2013 0

ABERTURA DA PÁGINA 10

O médico Fernando Lucchese, um dos cardiologistas mais respeitados do Brasil, vibrou de alegria ontem quando o ministro Alexandre Padilha anunciou que o governo planeja criar “uma espécie de Lei Rouanet para a saúde”. A Rouanet é a conhecida legislação nacional de incentivo à cultura, que permite às empresas abater do Imposto de Renda doações feitas à produção de obras culturais ou à construção e o restauro de equipamentos. O anúncio foi feito durante debate sobre saúde pública, promovido pelo Gabinete Digital, no Palácio Piratini. Lucchese estava ao lado do governador Tarso Genro e do secretário Ciro Simoni, e Padilha falava de Brasília por videoconferência.
O ministro não deu detalhes do projeto, mas antecipou que a intenção é estimular as doações de empresas para hospitais que oferecem tratamento para pacientes de câncer ou que sofrem com deficiências. No entendimento de Lucchese, diretor do Hospital São Francisco, da Santa Casa, na categoria “deficiências” podem ser incluídas as cardiopatias congênitas.
Respondendo a perguntas feitas pelas redes sociais, o ministro deu mais alguns detalhes do programa Mais Santas Casas, que anunciara semana passada, em Gramado. Depois de reconhecer que o SUS não existiria sem os hospitais filantrópicos, confirmou um programa de renegociação de dívidas com a União, que deve zerar o passivo em 15 anos. E anunciou mudanças na fórmula de remuneração dos hospitais, que hoje recebem por procedimentos, com base em uma tabela defasada do SUS. Esse modelo, segundo o ministro, é perverso e não estimula a qualidade do atendimento.
Empolgado com a audiência pública virtual coordenada pelo secretário-geral de Governo, Vinicius Wu, Padilha disse que vai estudar a possibilidade de adotá-la no Ministério da Saúde. Tarso e sua equipe criaram essa ferramenta para se comunicar com a população e ele a explorou inclusive para tratar dos protestos de junho.

Respeito ao prefeito e aos vizinhos

17 de outubro de 2013 26

ABERTURa DA PÁGINA 10

Desde os protestos de junho, o prédio em que vive o prefeito José Fortunati, no centro de Porto Alegre, está com tapumes de madeira na portaria envidraçada. É um edifício modesto, habitado por 12 famílias de classe média, que há quatro meses se tornaram reféns dos vândalos que ameaçam invadir o local. Na noite de terça-feira, um grupo de mascarados armados com barras de ferro arrancou os tapumes e quebrou vidros usando pedras trazidas nas mochilas. Há relatos de moradores de que alguns deles portavam facas.
Este foi o sétimo ataque em quatro meses. No penúltimo, os mascarados retiraram tapumes e tentaram colocar fogo nas tábuas. No anterior, a turba havia quebrado uma porta de vidro. Com razão, os vizinhos do prefeito protestam. Vivem apavorados, como vivem os vizinhos do governador Sérgio Cabral, no Rio. E reclamam da Brigada Militar, que, segundo os relatos, estava a 20 metros de distância e não tomou providências para impedir a ação dos baderneiros. O comandante-geral da BM, coronel Fábio Duarte Fernandes, diz que foi tudo muito rápido e que os policiais não conseguiram impedir a depredação. O secretário de Segurança, Airton Michels, ligou para Fortunati, expressou sua solidariedade e prometeu providências.
Fortunati escreveu uma carta ao governador Tarso Genro solicitando uma solução. Ele diz que não quer policiamento 24 horas em frente ao seu prédio, como tem o governador na rua onde mora. Reivindica apenas uma ação preventiva em dias de protestos, para proteger a integridade da família, dos vizinhos e do prédio. O pedetista não estava em casa na hora do ataque. Quando chegou, encontrou os vizinhos em pânico.
O prefeito e a mulher, Regina, entregaram uma carta aos vizinhos informando que pagarão os prejuízos causados ao prédio, porque não acham justo o condomínio arcar com o custo dos consertos, orçados em R$ 6 mil.

Memória preservada

05 de outubro de 2013 1
Foto: Jean Pimentel

Foto: Jean Pimentel

Às vésperas de completar 130 anos,  o primeiro dos seis prédios que formam o complexo original do Hospital Psiquiátrico São Pedro começou a ser restaurado. A primeira fase, que custará R$ 2,2 milhões, contempla a substituição do madeirame destruído pelos cupins, a troca do telhado e a recuperação da estrutura e das redes elétrica e hidráulica. Deve ficar pronto em janeiro de 2014. Depois, serão necessários mais R$ 4 milhões para o acabamento.
Elaborado pela arquiteta Renata Galbinski, o projeto de restauração dos seis prédios está orçado em R$ 45 milhões.  É fruto de uma luta de mais de 10 anos da ONG Amigos da Memória do Hospital São Pedro, encampada pelo governo estadual, que está bancando a restauração.
A direção do hospital e os amigos do São Pedro não querem apenas a restauração do prédio que se confunde com a história da medicina no Rio Grande do Sul e já teve mais 5.000 pacientes internados: querem transformá-lo num polo de memória, cultura, educação e formação em saúde.
Um dos pavilhões abriga a oficina de criatividade e um acervo de mais de 200 mil trabalhos produzidos por internos ou por pacientes que passaram pelo São Pedro.  Essa arte que nasce da loucura está guardada em envelopes pardos, longe dos olhos do público, que poderá contemplá-la quando os prédios estiverem recuperados, com espaços para exibição do acervo.
Diretores do São Pedro acreditam que a restauração dos prédios históricos ajudará a tirá-lo da invisibilidade e eliminar o preconceito que cerca a instituição, por seu passado de depósito de pessoas rejeitadas pelas famílias por terem problemas mentais.  Em instalações franciscanas, o hospital oferece atendimento psiquiátrico ambulatorial e internação pelo SUS, com profissionais qualificados e medicamentos de última geração. Abriga, ainda 220 moradores que ali estão porque perderam o vínculo com a família e não têm para onde ir.
Na contracapa de ZH, vocês vão encontrar  mais fotos lindas da obra, feitas pelo Jean Pimentel. E acqui, veja como deverão ficar os prédios depois da restauração:

saopedro1

 

Marina enrolou-se na própria Rede

04 de outubro de 2013 6

ABERTURA DA PÁGINA 10, QUE HOJE FOI PARAR NA 18

Que não se culpem os cartórios eleitorais nem o Tribunal Superior Eleitoral pelo fracasso da tentativa da ex-senadora Marina Silva de criar um partido para concorrer a presidente da República. A verdade é que a Rede não conseguiu reunir em tempo hábil as 492 mil assinaturas de apoio certificadas pelos cartórios eleitorais. E não conseguiu porque entrou demasiado tarde no processo e perdeu muito tempo debatendo o que queria ser e como se chamaria.
Por mais que pareça injusto ver uma líder como Marina não conseguir registrar a sigla, enquanto o PROS e o Solidariedade estão na rua, aliciando novos filiados, a Justiça Eleitoral não pode decidir com base em simpatias. Pode-se questionar os critérios que norteiam a formação de um partido e repudiar a exigência de assinaturas que não representam qualquer compromisso com a nova agremiação, mas, no caso da Rede, o certo é que uma das principais exigências
não foi cumprida.
Em seu voto, o ministro Gilmar Mendes apontou as incoerências da legislação, mostrou que o processo de conferência das assinaturas é anacrônico e levantou a suspeita de um complô contra Marina. Lembrou da tentativa “vergonhosa, de corar frade de pedra” de aprovar no Congresso uma lei que tinha por objetivo claro barrar a criação do partido de Marina e assim impedir sua candidatura à Presidência. Esse projeto só não foi adiante porque ele barrou com uma liminar.
Até aqui, Marina nunca quis falar em plano B, até para não enfraquecer a mobilização pela legalização da Rede. Ao não conseguir o registro, terá menos de 48 horas para decidir se entra para outro partido ou se fica fora da eleição. Convites não faltam. Um dos destinos possíveis é o Partido Ecológico Nacional, uma sigla sem líderes de expressão, que, em comum com a Rede, tem a defesa da sustentabilidade.  Filiar-se ao PEN significaria, em nome de um projeto eleitoral, abrir mão do discurso de que a Rede era diferente.
A derrota no TSE tem um subproduto negativo para Marina: coloca em dúvida sua competência como líder e como gestora. Quem não consegue atender a requisitos elementares para organizar um partido terá capacidade para administrar o país em caso de vitória?

Sei o que não quero ser (e algum dia vou cultivar orquídeas)

28 de setembro de 2013 12

CRÔNICA DE SÁBADO

Tenho poucas certezas em relação ao futuro. Neste mundo em constante mutação, é difícil saber o que será o amanhã, mas  uma coisa posso garantir: nunca serei candidata a nada. Tenho planos bem mais modestos para quando sentir que não tenho mais lugar no jornalismo (apesar dos meus 31 anos de profissão, espero que esse dia ainda demore para chegar). Meu projeto de aposentadoria inclui cultivar orquídeas, viajar, ler os livros que não li por falta de tempo, dedicar mais atenção à família, ajudar o Instituto do Câncer Infantil, onde sou uma voluntária bissexta, oferecer algumas horas livres à Fundação Thiago Gonzaga, ir ao cinema, ao teatro, à feira. Talvez eu queira aprender francês ou aquarela, fazer um curso de comida tailandesa, tomar chá com as amigas, jogar cartas, escrever contos.

Por que estou falando de um futuro de horas vagas, se não penso em requerer aposentadoria, mesmo com 37 anos de contribuição para o INSS? Falo desses planos em resposta aos leitores e ouvintes que perguntam com insistência se eu também serei candidata. A resposta é não.

Desde que a senadora Ana Amélia Lemos trocou o jornalismo pela carreira política, em 2010, os estudantes com quem converso sempre me fazem esta pergunta. Explico que não tenho vocação, que não me imagino do outro lado, que não consigo pedir votos, que não tenho identificação com nenhum partido nem conseguiria seguir as diretrizes de um, se vivo de observar a vida por todos os lados. E falo das orquídeas. Quem me segue no Instagram sabe que cultivo flores, que as fotografo por onde ano e que tenho apego às coisas terra.

Nos últimos dias, a pergunta sobre a possibilidade de eu também ser candidata voltou com insistência, por conta da decisão do André Machado de deixar o microfone para concorrer a deputado federal pelo PC do B. Compreensível, já que éramos os três dividindo a apresentação do Atualidade, quando o nosso querido Armindo Antônio Ranzolin se aposentou, há pouco mais de seis anos. Daquela formação, só restei eu, agora “decana” do Atualidade, fechando o trio com Daniel Scola e Carolina Bahia.

Na impossibilidade de responder a cada um, optei por esta forma coletiva de reafirmar meu compromisso com o jornalismo. Respeito a decisão do André, da Ana Amélia e de outros jornalistas que abraçaram a carreira política. Acho que quanto mais opções tivermos na hora de votar, melhor. Ressalto que o André foi muito ético se afastando do microfone antes de assinar ficha partidária, já que considero incompatível o exercício do jornalismo com a  atividade político-partidária.

Nunca passou pela minha cabeça concorrer sequer a vereadora em Campos Borges, a minha terra, onde é possível se eleger com menos de 200 votos. Não me seduz a ideia de ter uma lei com meu nome, de relatar um projeto, de participar de uma CPI. Minha tribuna é o rádio, o jornal, a TV, este blog, o Twitter, o Instagram. Só não é o Facebook, porque exige um tempo de que não disponho e, por isso, minha conta é quase fantasma.

 

Emagreça enquanto dorme

27 de setembro de 2013 1

ABERTURA DA PÁGINA 10

Às vésperas do prazo derradeiro para a filiação de quem pretende concorrer na eleição do ano que vem, o país assiste a cenas patéticas de partidos oferecendo vaga para quem está descontente ou quer se aventurar na política. Sem preocupação com ideologia, projeto ou biografia: o importante é fazer número. Vende-se aos interessados a ilusão de que basta se filiar para ter eleição garantida. São mensagens de conteúdo semelhante ao “emagreça enquanto dorme”, um dos spams mais conhecidos da internet.
Enquanto os pequenos partidos querem fazer número, e chamam descontentes, suplentes, ex-isso e ex-aquilo, os grandes já estabelecidos correm atrás de subcelebridades, jogadores de futebol, pessoas com espaço na mídia. E os recém-criados tentam seduzir quem tem mandato para garantir tempo de rádio e TV e uma maior fatia do fundo partidário, principais razões da existência das siglas de aluguel. Tempo de TV vale ouro na hora de negociar a participação em uma aliança e garantir cargos em caso de vitória.
Com 32 partidos registrados no TSE, o Brasil deve ganhar o 33º – a Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, até 5 de outubro. Depois de conceder registro ao Solidariedade e ao PROS, apesar das suspeitas de irregularidades na obtenção das assinaturas de apoio, o Tribunal Superior Eleitoral terá de dar tratamento idêntico à Rede, que conseguiu o apoio mas não tem a certificação dos cartórios eleitorais. O resultado dessa liberalidade é o estímulo à criação de novas siglas, lideradas por idealistas que não encontram espaço para as suas ideias ou por aventureiros dispostos a levar vantagem.
O problema está na lei que dá aos partidos recém-criados direitos que só deveriam ter depois de mostrar alguma representatividade. Mesmo após sucessivos fracassos eleitorais, seguem com acesso a verbas e a tempo de rádio e TV, usando o espaço para a autopromoção de seus pretensos líderes e para a negociata. Contribui para esse quadro a interpretação de que sair do partido pelo qual se elegeu para um novo não significa infidelidade partidária e, portanto, não sujeita o vira-casaca à perda de mandato.

Está nascendo um novo curso de Medicina

26 de setembro de 2013 13

A inclusão de uma emenda na medida provisória que cria o programa Mais Médicos pode abrir caminho para a criação de uma nova faculdade de Medicina no Rio Grande do Sul, voltada a formar profissionais para trabalhar no SUS. O diretor-superintendente do Grupo Hospitalar Conceição, Carlos Nery Paes, está em conversações avançadas com os ministérios da Saúde e da Educação para a implantação do curso no GHC a partir de 2014 ou, na pior das hipóteses, em 2015. O substitutivo do relator da MP, Rogério Carvalho (PT-SE), prevê que hospitais com características como as do Conceição possam fazer o projeto do curso e encaminhar diretamente aos ministérios.
– Temos uma condição muito especial para a criação do curso. Todos os anos, mais de 5 mil alunos de graduação passam pelo Conceição. Todas as faculdades mandam alunos.
O Grupo Conceição começou a trabalhar na elaboração do projeto, que seria focado na formação de médicos para a atenção básica. A faculdade receberia recursos federais e teria acesso universal de acordo com o desempenho no Enem.
O principal apoiador da ideia é o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que estreitou os laços com o Conceição durante as visitas que fez no início do ano por conta do atendimento às vítimas do incêndio na boate Kiss.
A proposta em gestação deve acirrar as divergências entre as entidades médicas e o governo. Tanto o Cremers quanto o Sindicato Médico sustentam que não faltam médicos no Brasil e citam números da Organização Mundial da Saúde. Dizem que o que falta é estrutura de atendimento e um plano de carreira, semelhante ao de juiz e de promotor, para interiorizar os médicos.
Um curso semelhante ao que está sendo planejado para o Conceição foi criado em Passo Fundo e teve índice recorde de inscritos na primeira seleção: 329,5 candidatos por vaga.