ABERTURA DA PÁGINA 10, HOJE NA 14
Como a investigação sobre as fraudes ambientais corre em segredo de Justiça, ainda não é possível montar o quebra-cabeça completo de como funcionava o pagamento de propina para acelerar a liberação de licenças ou para autorizar empreendimentos burlando a lei. Também não é possível responder ainda à mãe de todas as perguntas: o dinheiro sujo era usado em benefício próprio ou serviu para financiar campanhas eleitorais?
Seguir a trilha do dinheiro é a parte mais difícil nas investigações de corrupção, porque quem se corrompe não costuma depositar em contas correntes que possam ser identificadas numa simples quebra de sigilo bancário. A história mostra que também não é prudente usar dinheiro mal havido na compra de imóveis, colocá-los no próprio nome e correr o risco de bloqueio pela Justiça.
Os policiais que cumpriram os 28 mandados de busca e apreensão recolheram reais, dólares e euros, mas os delegados da PF sabem que o dinheiro encontrado em espécie é só uma parte. Há, também, presentes usados para abrir caminho no labirinto burocrático que as empresas precisam percorrer para obter uma licença de instalação ou de operação.
Do ponto de vista ético, não há diferença entre oferecer presentes para acelerar a liberação de uma licença ou pagar para um funcionário público atropelar a legislação e autorizar a instalação de um empreendimento em área proibida. É corrupção do mesmo jeito. Para efeito de punições futuras, sim, faz diferença, principalmente quando se trata
de crime ambiental.
Caso se confirme a existência de um esquema de financiamento de campanhas eleitorais, a repercussão é imprevisível, porque a investigação da Polícia Federal envolve pessoas de diferentes partidos. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente era comandada por Luiz Fernando Záchia, do PMDB, numa prefeitura do PDT. A área ambiental no Estado é feudo do PC do B, num governo do PT. Berfran Rosado é filiado ao PPS (agora MD), serviu aos governos do PMDB e do PSDB e foi candidato a vice-prefeito numa aliança com o PC do B. Nessa sopa de letrinhas, políticos de esquerda, de centro e de direita têm bons motivos para perder o sono.



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