Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
clicRBS
Nova busca - outros

Posts com a tag "#RoteiroEmoção"

Acampamento de luxo nos Aparados da Serra

31 de janeiro de 2015 9

O Parador Casa da Montanha Ecovillage está a cerca de dez quilômetros do centro de Cambará do Sul, no meio do caminho  para o Cânion Itaimbezinho. O fim de semana começou me deixando a civilização pra e fugindo para um outro mundo. Bom, nem tão longe. A proposta é um afastamento da correria diária, mas sem perder o conforto. Um “acampamento de luxo”.

IMG_4966

A chegada já convida a relaxar. Minha primeira visão do local já estava acompanhada de um espumante Terranova rosé.

IMG_4964

Nem tinha visto o quarto, mas esse córrego me fez pensar que ir embora, daí a dois dias, seria dureza.

Aí eu cheguei no quarto e vi que estava certa. Como deixar esse lugar?

IMG_4972

E continuavam as gentilezas. O que faz toda a diferença.

IMG_4971

Importante explicar que são três tipos de habitações no Parador Casa da Montanha. Essa é a suíte superior. Tem apenas seis meses, são cabanas de madeira com toda a comodidade possível.

Olha o que é a vista do deck da cabana.

IMG_4977

Ficou curioso com aquela pontinha branca no canto à esquerda, embaixo? Vou mostrar mais de perto, porque é exatamente o que você está imaginando.

IMG_4981

Uma hidromassagem privativa. Você vê que na frente tem uma cortina. No lado direito também. Ela mantém a privacidade. Essas cabanas ficam em um espaço mais reservado do Paradouro. Portanto, são bem discretas.

Mas deixa eu contar que já era final da tarde de sexta e o dia começou a cair. Brindando os hóspedes com essa vista.

IMG_5046

No Casa da Montanha o por do sol tem uma canção especial. É mágico o momento que ela começa a tocar. Mesmo sendo janeiro, quando não há mais os raios solares o frio toma conta. Até uma fogueira aquece os corações naquele momento.

IMG_5048

 

O lugar é mágico. Alguns detalhes interessantes: todas as cabanas têm televisão e DVD. Canais apenas em uma sala especial no lobby. É uma escolha da administração do hotel. Então, se você fizer muita questão de TV,  é só pegar um ou mais DVDs da coleçãodo Parador, que fica à disposição dos hóspedes. Alêm de filmes (maioria blockbusyer), avistei por lá a última temporada de Sex And The City.

Depois de uma noite reconfortante de sono pesado – imagina dormir com o som do córrego na frente da cabana – era hora do café da manhã.

IMG_5073

Geleias, pães e bolos feitos no local. Juro que não sei o que era melhor: as variedades do café ou a vista.

IMG_5076

Posso dizer e a disputa era justa. Especialmente com esse omelete feito na hora.

IMG_5343

Uma vez alimentada, me deu preguiça de sair pra conhecer o Itaimbezinho ainda naquela manhã. E até porque o fogo de chão para o churrasco do meio-dia (almoço oficial dos sábados no Parador) já estava a a aceso…

IMG_5087

Aí resolvi curtir uma das especialidades do lugar: dolce far niente.

Também, com essa vista, vale ficar à toa.

IMG_5107

Dá pra tomar banho no riacho enquanto aguarda o almoço. A água é geladinha mas o frio da noite – cerca de dez graus – foi substituído pelo calor do dia. Olha as cores.

IMG_5350

Acredite, isso é tudo na área do hotel. Sair como?

IMG_5397

Pequena surpresa: uma cachoeira que fica encoberta por uma pedra.

IMG_5402

Enquanto isso, o churrasco é feito no fogo de chão,

IMG_5103

Já a salada, orgânica, é cultivada na horta do hotel.

IMG_5326

O Parador tem outros dois tipos de cabanas. A intermediária é a barraca suíte. São suspensas e têm um deck com banheira também. Pela luz, será minha escolha na próxima estadia por lá. É outra proposta também, muito legal.

IMG_5385 IMG_5376 IMG_5375

A opção de suíte superior (que tem o menor valor) é uma mistura de barraca com chalé. Tem banheiro, mas sem chuveiro.

IMG_5368

Os hóspedes usam uma casa de banho próxima, que também tem uma banheira e que pode ser usada por todos.

IMG_5355

Parador Casa da Montanha

Estrada do Faxinal, RS 429 – Morro Agudo – Cambará do Sul -RS

Telefone: (54) 3504-5302

Valores:

Barraca luxo: de R$321,00 a R$747,00

Barraca suíte: de R$698,00 a R$1.468,00

Suíte superior: de R$972,00 a R$1.750,00

Churrasco campeiro (almoço de sábado): R$80,00 por pessoa

Almoço e jantar: R$60,00 por pessoa

 

 

 

Um pedaço emocionante do Tibete em Três Coroas

26 de dezembro de 2014 10

Era um sábado daqueles tão quentes que a fome estava em segundo plano. Por isso o alívio de entrar naquela casa em meio a um amplo gramado em Três Coroas – o ar condicionado fez a vida mudar pra melhor naquele instante.

IMG_3434

O Espaço Tibet tem essa qualidade: muda a vida. Se tivermos olhos e ouvidos atentos. Olhos para o lugar, suas cores, seus detalhes que nos levam pra outro país.

IMG_3554

E ouvidos para escutar as histórias de Ogyen Shak. Chef do restaurante e mestre em pinturas de templos desde pequeno, saiu do Tibete como refugiado e passou pela Índia e São Paulo até vir parar no Templo Budista de Três Coroas. Encontrou a gaúcha Adriana, com quem casou, e juntos abriram o Espaço Tibet, onde servem receitas tradicionais. Em um ambiente incrível, com jardins cuidados e desenvolvidos pelo próprio Ogyen.

IMG_3567

Ogyen está há oito anos no Brasil. Aos 16 fugiu do Tibete, dominado pela China comunista, em uma caminhada de quase dois meses pelas montanhas congeladas em direção à Índia. O pai prometeu: “enquanto eu viver, vocês terão condições de estudar a cultura e a religião de vocês”. Numa madrugada, pagou para atravessadores levarem seus filhos até o país vizinho – onde teriam liberdade. Algum tempo depois, pai e mãe também seguiram para a Índia. Ogyen nunca mais viu os tios, os avós e a casa onde cresceu:

- Vocês no Brasil reclamam do seu país. Mas eu não tenho país. Não tenho mundo. Preciso fechar uma porta para ter meu mundo. Não sinto nada quando vejo fotos dos parentes que nasceram depois que me fui, porque não toquei neles, não tomei chá com eles – define, na simplicidade peculiar do tibetano.

A travessia pelas montanhas congeladas foi árdua. Usando apenas chinelos, chegou na Índia e teve que amputar os dedos de um dos pés. Tinham congelado. Teve mais sorte que três dos seus parceiros de travessia, que morreram. Uma moça, lembra, perdeu a vida sobre o gelo:

- O sangue foi congelando dentro dela e ela abriu os braços. Ficou lá, assim. Tivemos que deixá-la e continuar caminhando.

Outra não seguiu a orientação de rolar sobre a neve fofa e decidiu caminhar. Caiu em um buraco. Os colegas de caminhada estenderam uma corda feita com as roupas que vestiam. Quando ela agarrou, as roupas congeladas quebraram e ela caiu mais para o fundo. Não tinham como salvá-la.

Quando finalmente chegou na Índia, ficou internado um ano em um hospital organizado para refugiados do Tibete. O país é lar também do líder espiritual dos tibetanos, o Dalai Lama, perseguido pelo regime chinês.

Apesar de tudo que passou, Ogyen não tem raiva dos vizinhos: “É preciso separar o sal do açúcar nessa vida. Os chineses não são a mesma coisa que a política chinesa. O povo chinês é meu irmão”.

E essa candura do chef tibetano transparece nos pratos feitos com carinho e cuidado. E pra quem acha que budistas são necessariamente vegetarianos, olha esse prato chamado “Racha”.

IMG_3466

É o mais pedido no restaurante. Receita do pai de Ogyen, é um pernil de cordeiro com molho de cravo. Tenro, suculento, maravilhoso. Vem acompanhado de arroz branco flambado na manteiga com castanhas de caju picadas, uva passa e gergelim preto. As batatas cozidas são seladas na manteiga com ervas finas.

Ah, sim, sobre ser vegetariano? O próprio Ogyen responde:

- O budista diz: se é vegetariano, parabéns. Se não é, parabéns também. O que importa é que esteja mantendo e respeitando o que o próprio corpo precisa.

Simples, né?

Deixa eu mostrar mais. Olha só como nos receberam. Chá de boas-vindas.

IMG_3446

E o coquetel de boas-vindas. É sem álcool, mas eles fazem com vodka se o cliente quiser. É uma mistura de polpa de maracujá, kiwi, morango, abacaxi e pêssego, preparada lá no restaurante mesmo.

IMG_3453

Sério, é tão delicioso e nutritivo que já vale por uma refeição.

Oi?

Não, com os pratos de lá, não vale não. Prepare espaço.

Olha a entrada: o prato mais típico tibetano. Três tipos de momo: de carne, de batata e de legumes.

IMG_3459

E não acabou. Depois do prato principal (o cordeiro da foto lá de cima), veio a sobremesa. Não sou aquela fã de doces, mas já descobri que adoro sobremesas que incluam frutas. Banana, de preferência. Essa aqui é incrível:

IMG_3538

Esse é o Shintok Tse, purê de banana com frutas secas e calda de caramelo com sorvete.

Os preços são acessíveis. Cada prato serve muito bem duas pessoas (escolha uma entrada também).

Não cansei de tirar fotos. O colorido, o clima, a vibe incrível, tudo chama a atenção.

IMG_3506

Sou eu, ou o Dalai Lama é uma simpatia? Vejo um olhar de menino nele.

IMG_3509

Não deu pra aproveitar o deck porque era um dia muito quente, atípico. Mas vai dizer que não é romântico? Dica: tem muita gente que vem jantar aqui e aproveita pra pedir seu/sua amado/amada em casamento!

IMG_3497

O lugar também tem uma loja de produtos tibetanos. Como está difícil a importação, alguns vêm da China.

IMG_3522

Aproveitei pra aparecer nessa foto, claro!

IMG_3524

Os desenhos dessas xícaras são feitos pelo próprio Ogyen. São os oito símbolos auspiciosos tibetanos budistas. Esse do meio é o Nó do Infinito Amor, ou Nó da Sorte, Nó Místico ou Nó da Longa Vida. Ele lembra que a existência não tem começo nem fim, é um ciclo de nascimento e renascimento. Ele também mostra o entrelaçamento dos seres através do amor – todos fazemos parte do todo. Achei tão bonito que comprei para mim e para dois amigos queridos que faziam aniversário. Amor nunca é demais, não acham?

IMG_3527

Podia falar muito mais do que senti naquele almoço e naquela tarde. Mas acho que já provoquei vocês. Vão até lá. Provem da comida e das histórias de Ogyen. Desafiem-se a sair da zona de conforto, a repensar onde estamos e o que fazemos aqui. E garanto – vamos reclamar bem menos de tudo quando lembrarmos o caminho que esse homem simples e apaixonado pela vida percorreu.

ESPAÇO TIBET TASHI LING – TRÊS COROAS

Endereço: Rua Alagoas, 361, Bairro Águas Brancas – Três Coroas – RS

Telefone: (51) 3546-5763 e (51) 9678-3184

Horários

Quartas e quintas das 11h45h às 15h

Sextas das 11h45h às 15h e das 20h às 23h

Sábados das 11h45 às 16h e das 20h às 23h

Domingos e feriados das 11h45h às 16h

 

 

 

Restaurantes de Porto Alegre ainda aceitam reservas para a Ceia de Natal

22 de dezembro de 2014 0

Há alguns anos era muito difícil – senão impossível – achar um restaurante que recebesse clientes para a ceia de Natal em Porto Alegre. Mesmo nos hotéis, a possibilidade era restrita.
Mas esse ano algumas casas estarão trabalhando na noite do dia 24. Confira:

Foto: Arquivo/ClicRBS

Foto: Arquivo/ClicRBS

Hotel Deville Prime Porto Alegre (Avenida dos Estados, 1.909) – Informações e Reservas: (51) 3373-5000 ou pelo e-mail secret.poa@deville.com.br
Valor: R$ 120,00 (+ 10%) por pessoa. Bebidas à parte. Crianças até 5 anos de idade não pagam. De 6 a 10 anos têm 50% de desconto; pacote jantar + hospedagem (2 pessoas): R$ 469,00 (+15%);

Becco Praia de Belas (Av Borges de Medeiros, 3120) Informações e reservas: (51) 3028.9796 ou pelo e-mail becco@becco.com.br
Valor: R$ 195,00 + 10% por pessoa. Crianças até 5 anos não pagam. 50% de desconto para crianças de 6 a 10 anos.

Hotel Laghetto Viverone Moinhos (Rua Doutor Vale, 579 – Moinhos de Vento) – Telefone:(51) 2102-7272
Valor da ceia é R$ 280 + 10% por pessoa. Crianças até 5 anos não pagam. De 6 a 11 anos, pagam 50% do valor.

 

Atualização em 24/12: a ceia do Hotel Sheraton já está com os lugares esgotados.

Hotel Sheraton (Rua Olavo Barreto Viana, 18 – Moinhos de Vento)
O valor da ceia é de R$ 241,00 + 10% por pessoa (para reservas até o dia 23/12 – no dia 24/12, o valor será de R$ 260,00 + 10%) e inclui bebidas como refrigerantes, vinho, espumante e cerveja. Reservas: (51) 2121.6060. O Sheraton Porto Alegre também oferece o pacote “Jante e Fique”, com possibilidade de jantar mais a estadia no hotel e check out tardio, às 16h do dia 25, por R$ 739,00 + 15%.

 

O restaurante que promete gastronomia com felicidade

13 de dezembro de 2014 11

Oliden Berna não se diz chef: É cozinheiro clássico-moderno. Mas já foi advogado. Poderia ser também arquiteto – participou e opinou em todas as etapas da construção do casarão que fica na Avenida Otto Niemeyer. O entorno não tem tradição de restaurantes, mas isso não assustou Oliden. Ele e o sócio, Elton Pivatto, investiram no total cinco milhões de reais. Do bolso, garantem. E foram cinco anos para completar a obra.

O mármore do chão é italiano: Nero Marquina. As dobradiças alemãs não fazem barulho nas portas. O pé direito é alto, com madeira e camurça nas paredes. O local lembra as naves de uma catedral. A luz é direcionada para as mesas, sem claridade direta.

Oliden não é nada modesto. Quer trazer a primeira estrela do Guia Michelin para o Rio Grande do Sul. Afirma que o que ele faz não é cozinha de autor: “Aqui todos os pratos serão iguais, sempre. Há estabilidade: os pratos são do restaurante, não do chef”. E para garantir isso, balanças de precisão, fichas plastificadas com as receitas – algumas com diferença de um grama entre um ingrediente e outro são parte das ferramentas usadas por Oliden.

Oliden Berna

O cardápio tem 14 pratos, com valores entre 77 e 98 reais. Todos são da culinária italiana, mas executados com técnicas francesas. A carta de vinhos tem um valor acessível e a adega exposta na entrada tem 80 rótulos de seis países (Brasil, Argentina, Chile, Portugal, França, Espanha e Itália).

 

 Oliden Berna é polêmico: “Não há gastronomia brasileira, há um marketing em cima de determinados chefs. Cultura gastronômica no nosso país? Talvez daqui a uns duzentos anos.”

Mas também pode ser mais ameno. Quando fala das mulheres, pra quem entende que foi pensado o local: “Quando concebemos o Berna pensamos na doçura da mulher. No comportamento feminino, na elegância feminina. Fizemos uma passarela na entrada, com dois degraus, para que elas desfilem seus vestidos, seus sapatos, seus cabelos, suas unhas, suas jóias. O centro do restaurante é para que elas possam discutir a relação, dizer que estão grávidas, que amam seus parceiros”.

Com amor ou não, vale conhecer o imponente restaurante. E pras mulheres, a dica: vá de salto alto e experimente parar no degrau extra da entrada. E depois conta aqui no blog se realmente fez diferença!

Ok, falei, falei do lugar… mas vocês querem saber também o que foi o jantar, certo? Aí vai:

IMG_2918

Caponata, abobrinha e beringela.

Pão feito no próprio restaurante.

Carpaccio clássico.

Pra mim, o melhor sabor da noite: Velouté de Cogumelos da terra ao vinho Marsala

Escolhemos um Pinot Grigio para harmonizar com frutos do mar.

Risoto de Frutos do Mar.

Pappardelle de Frutos do Mar.

IMG_2957

E uma das minhas sobremesas preferidas: Creme Brulée.

Berna

Avenida Otto Niemeyer, nº 1044. (não tem placa com nome do restaurante)

Porto Alegre

Às sextas e sábados é aconselhável fazer reserva pelo 51 3264.1044

www.bernarestaurante.com

Quatro lugares para viver Buenos Aires como os portenhos

09 de dezembro de 2014 0

O Caderno Viagem de Zero Hora me convidou para contar um pouco de Buenos Aires no estilo #RoteirodaSara. Escolhi quatro lugares que adoro da capital portenha que têm tudo a ver com o circuito off-turist. Confere!

Fui pela primeira vez a Buenos Aires em 2007. Doze dias sozinha, hospedada em San Telmo — um dos bairros mais antigos da cidade —, descobrindo a capital argentina. Fiz as visitas obrigatórias: Casa Rosada, Avenida de Mayo, Café Tortoni, Caminito.

Depois, retornei em muitas ocasiões. Volto no mínimo duas vezes por ano. Minha paixão só aumenta. Quero viver Buenos Aires como os portenhos — a vida da cidade me fascina.

Não fujo dos lugares turísticos — o Café Tortoni, por exemplo, é parada obrigatória se não tiver fila, o que é cada vez mais raro! — em todas minhas visitas. O que eu gosto, mesmo, é de matar a saudade do tradicional e conhecer o novo. Para quem quer adicionar ao seu roteiro alguns lugares tradicionais para os portenhos, dou algumas sugestões:

Acassuso

O Rio da Prata tem uma costa incrível, onde os portenhos adoram passar os fins de semana. Chegam para o almoço, pedem drinks e aproveitam o dia até o sol se pôr. Um desses lugares é o restaurante La Ventola. Fui em um domingo e me caiu o queixo quando vi aquela paisagem incrível, com mesas espalhadas pelo gramado — nenhuma muito próxima da outra.

IMG_2540

Vista incrível. E uma brisa…

Gin tônica em um domingo de sol: o paraíso é aqui

Gin tônica em um domingo de sol: o paraíso é aqui

O cardápio vai de carne da parrilla até uma caçarola de frutos do mar. Carta de vinhos, sobremesa e aquela sensação de que a vida não precisa ser muito melhor do que aquele momento.

Cazuela de mariscos. Pra viver comendo!

Cazuela de mariscos. Pra viver comendo!

Copa Ventola: sorvete de creme e doce de leite, charlotte, brownies, calda de frutas vermelhas... *suspiro

Copa Ventola: sorvete de creme e doce de leite, charlotte, brownies, calda de frutas vermelhas… *suspiro

Acassuso fica na Grande Buenos Aires. Para chegar, a linha de trem Tigre que sai da Estação Retiro é uma opção. O Tren de La Costa (turístico) deixa mais perto, na estação Barrancas. Também é possível contratar um táxi ou remis (esse último uma opção mais barata com valor informado antes da viagem).

La Ventola. Elcano, 1.700. Martinez

 

El Nacional

nacional

Estudantes e funcionários públicos são maioria no El Nacional

Quer viver a verdadeira experiência de um almoço no centro de Buenos Aires? Em frente à Igreja das Luzes e do Colégio Nacional, El Nacional recebe praticamente a tarde toda gente para almoçar. Trabalhadores, estudantes, funcionários públicos — fica próximo da Casa Rosada e dos prédios do governo na região.

IMG_1923

Cardápio do dia. Clássico.

Comida com preço acessível e muito saborosa, o toque especial é perguntar pela Mabel, garçonete que trabalha lá há 14 anos. Apresente-se dizendo que você é brasileiro, de Porto Alegre, e que a Sara sugeriu o lugar. Ela vai gargalhar, cheia de simpatia, chamar as colegas e sugerir uma mesa na janela — melhor coisa é almoçar olhando o movimento da rua de pedestres que tem na frente.

Vista da minha mesa preferida para a Calle Bolívar e a Igreja San Ignacio

Vista da minha mesa preferida para a Calle Bolívar e a Igreja San Ignacio

Peça um vinho e curta o “espírito de Buenos Aires”.Para sobremesa? Duraznos con crema (pêssego em calda com creme de leite). Eles servem originalmente com uma nata batida com açúcar, mas eu prefiro o tradicional crema de leche.

IMG_1965

Ouça as conversas e perceba um outro lado incrível da capital portenha.

Bolívar, 220. De segunda a sexta

 

Barrio Chino

Almoço de sábado? Vá ao Bairro Chinês. O difícil é escolher o restaurante: são vários, um ao lado do outro. O bairro de Belgrano se transforma em uma festa de cores e de sons: em algumas lojas, entender o espanhol dos donos é um desafio. Lembra do filme Um Conto Chinês, com Ricardo Darín? Por todos os lados, é fácil identificar as locações.

Supermercado no Barrio Chino

Supermercado no Barrio Chino

Passeie pelos corredores dos supermercados e deixe o preconceito de lado: você verá comidas, ou partes de comida, que nunca imaginou. Aproveite para comprar chás e apetrechos. É um pedacinho da China na Argentina.

IMG_2097

Da última vez, fui ao restaurante Todos Contentos (um nome bem espanhol para um restaurante chinês). Pedi uma carne ensopada com legumes e vários tipos de cogumelos. Maravilhoso.

Todos Contentos: Arribeños, 2.177

 

Anciens Combattants

Um dos mais tradicionais restaurantes franceses da cidade não está na Recoleta ou em Palermo. Fica em Constituición, bairro histórico que, hoje, pela falta de organização e de apoio aos imigrantes que chegam, é conhecido pelo tráfico de drogas e pelo trottoir noturno feminino. Mesmo assim, vale se organizar. Reserve antes (não chegue sem reserva), confirme o horário que vai chegar e se prepare para voltar no tempo.

Entrada do Les Ancients

Entrada do Les Anciens

O casarão de 1900 era a casa de hóspedes da Família Canale (da imponente fábrica Bizcochos Canale, que se vê ao chegar no bairro La Boca). A partir da década de 1940, tornou-se sede da União de Combatentes Franceses. O pé direito alto, o madeirio antigo, tudo faz do lugar um museu: até peças da armada napoleônica podem ser encontradas lá. Troféus, memorabilia. É uma experiência única.

IMG_2342
A chef é a argentina Laura, que começou como cozinheira no Anciens há 24 anos.

Chef Laura

Chef Laura

Pedi um lomo de boeuf con roquefort (filé com fatias de queijo roquefort)

 

IMG_2283

Minha amiga pediu um magret de canard (pato tão maravilhoso que juro que queria o dela).

IMG_2281

A cada temporada, o cardápio muda. São quatro por ano. Mas não espere uma carta de vinhos francesa: há bons rótulos argentinos. E não tenha medo: se um restaurante consegue sobreviver naquela vizinhança, é porque a experiência vale a pena.

Santiago del Estero, 1.435

Refeições fora de casa são um desafio para mães com bebês que têm alergia alimentar

20 de novembro de 2014 4

(Essa matéria foi ao ar no programa SuperSábado da Rádio Gaúcha de 22/11/14)

Imagine essa situação: uma mãe com um bebê que só se alimenta no peito e que tem, o bebezinho, alergia à proteína do leite de vaca, de carne vermelha e de soja. Mas se ele mama no peito, qual o problema? O problema é que cada vez que a mãe consome algum alimento que tenha uma dessas proteínas, o bebê consome também – através da amamentação. E sofre com uma série de sintomas.

Descobri aqui na própria Rádio Gaúcha que a incidência dessa alergia é cada vez mais comum. Milena Schoeller, nossa chefe de reportagem que recém voltou da licença-maternidade, conta que o Pedro de 6 meses tem essa alergia e que a alimentação dela, a mãe, mudou completamente: “Mudou tudo. Quem faz uma dieta de exclusão como a minha não deixa de comer apenas o leite e a carne vermelha. Precisa afastar tambem qualquer contato que o alimento teve com outros elementos. Não posso comer algo preparado em uma panela onde antes foi feito algo com leite, ou manteiga, por exemplo”.

Milena e o marido Leandro Staudt: a alergia do Pedro mudou a alimentação da mãe

Milena e o marido Leandro Staudt: a alergia do Pedro mudou a alimentação da mãe

E o mais difícil pra Milena é comer fora. Na última vez, uma inocente polenta deixou o Pedro doente: ” Pensei: polenta é só farinha de milho e água, não há problema. Dois dias depois o Pedro reagiu com sintomas respiratórios e gastrointestinais. Aí descobri que naquela polenta tinha sido colocado um pouco de manteira, para dar a liga na hora de fritar”.

Carla Fachim escolheu fazer a dieta restritiva pra amamentar o Lorenzo

Carla Fachim escolheu fazer a dieta restritiva para amamentar o Lorenzo

Outra colega, a apresentadora Carla Fachim, da RBSTV, também descobriu que o Lorenzo, seu bebê, tem alergia à proteína do leite da vaca. E pra continuar amamentando, teve que mudar a alimentação: “Tive que cortar leite de vaca, leite de soja, derivados dos dois, carne vermelha e gordura animal. E tive que fazer isso desde os primeiros dias de vida do Lorenzo. Era meu sonho amamentar e consegui fazer com que ele tomasse o leite do peito. Quando ele apresentou essa reação a pediatra me disse – ou nós começamos com um complemento e ele vai tomar um leite especial, e cortamos o teu leite, ou você faz essa dieta alimentar e amamenta o Lorenzo. E escolhi a dieta, porque acho muito importante o leite materno para o meu filho”.

Ana Celina, chef do House Bistrô, restaurante aqui em Porto Alegre que prepara refeições para pessoas que têm alguma restrição alimentar. Serviu salmão e batatas assados em um papelote no forno (confira as fotos). Perguntei pra Ana qual o maior desafio em casos como esse. De acordo com ela, é manter o prazer da refeição: “Que tenha sabor, que não sejam aqueles pratos com um aipim, uma couve, um tomate. A comida precisa te encher os olhos também.” Ana Celina costuma buscar ingredientes diferentes em feiras de produtos orgânicos como a do Brique da Redenção nos sábados pela manhã ou em casa especializadas.

Almoço no House: salada, frutas, salmão e batatas no forno, tudo sem contaminação cruzada

Almoço no House: salada, frutas, salmão e batatas no forno, tudo sem contaminação cruzada

A nutricionista Daniela Schneider entende que as mães não precisam deixar de comer fora, mas precisam saber o que buscar em um restaurante ou bistrô: “É preciso conhecer o lugar onde se vai comer, conhecer quem vai preparar os alimentos. Não adianta só retirar os alimentos proibidos. É preciso cuidar com a contaminação cruzada. Se cortei um queijo com uma faca em uma tábua e depois usei essa faca e tábua para cortar outro alimento, vou contaminar com o prato com os ingredientes proibidos”.

 

House Café & Bistro

Dona Laura, 19 – Porto Alegre, Rio Grande do Sul

Telefone: (51) 3087-3087

 

Cardápio adaptado pela nutricionista Daniela Schneider para mães que amamentam filhos que têm restrição alimentar:

Salada de lentilhas, cenouras, nozes e agrião

Ingredientes:
1 xícara de lentilhas (deixe de molho em água fria por 2 horas)
2 e ½ xícaras de água
1 dente de alho
1 folha de louro
1 cebola pequena espetada com 2 cravos
1 colher de sopa de azeite de oliva
2 cenouras grande
50 g de nozes
1 maço de agrião
Sal e pimenta a gosto

Modo de fazer:
Coloque as lentilhas de molho por duas horas em água fria. Cozinhe as cenouras al dente. Descasque e corte em forma de palitos finos. Reserve.
Cozinhe a lentilha com a folha de louro, o sal, a pimenta, o alho e a cebola com o cravo em fogo alto por 10 minutos e em fogo baixo por mais 20 a 35 minutos, ou até que as lentilhas estejam macias.
Retire a folha de louro e a cebola e escorra as lentilhas (se necessário).
Misture as lentilhas, a cenoura, as nozes e o agrião, já higienizado e sirva gelado.
Torta de frango cremoso com palmito sem leite, sem soja e sem ovo

Ingredientes:

Massa:
6 xicaras de chá de farinha de trigo (720 gramas)
1 xicara de chá de óleo (190 ml)
4 colheres de sopa de azeite (50 ml)
1/2 xicara de chá de agua (115 ml)
1 colher de sopa de sal (15 gramas)

Recheio:
3 xícaras de chá de peito de frango desfiado (300 gramas)
1 cebola ralada (113 gramas)
½ xícara de chá de água (115 ml)
4 dentes de alho (13 gramas)
1 vidro de palmito cortado em rodelas (261 gramas)
40 azeitonas (150 gramas)
2 colheres de sopa de amido de milho (20 gramas)
3 colheres de sopa de óleo (24 ml)

Modo de Preparo:

Recheio: Refogar o alho com a cebola e o óleo. Colocar o frango desfiado, a água e azeitonas. Quando começar a ferver adicionar a maisena. Deixar engrossar um pouco e adicionar o palmito.
Reservar para rechear.

Massa: Misturar todos os ingredientes em um recipiente com a água aos poucos. O ponto ideal é quando ela começar a desgrudar do fundo do recipiente. Se necessário, colocar um pouco mais de farinha. Forrar o fundo da forma com a massa, preencher com o recheio e depois cubrir com o restante da massa por cima fazendo uma espécie de “tampa”. Assar até ficar dourado por cima.

Pão com Ervas sem leite, sem soja e sem ovo

Ingredientes:
300ml de água morna
500g de farinha de trigo integral
1 colher de sopa de açúcar cristal (15g)
1 colher de chá de sal (5g)
1 colher de sopa de fermento instantâneo biológico seco (10g)
1 colher de chá de orégano (5g)
½ colher de chá de manjericão seco (5g)
2 colheres de sopa de água (28ml)
1 pitada de sal (1g)
1 colher de sopa de semente de gergelim torrada (10g)
Azeite para untar

Modo de Preparo:
Colocar a farinha, o fermento, o açúcar, 1 colher de chá de sal, o orégano e o manjericão em uma tigela. Acrescentar a água e mexer bem até formar uma massa homogênea. Polvilhar uma superfície limpa com farinha e modelar a massa. Colocar a massa em uma assadeira untada com azeite. Cobrir a massa com um pano úmido e deixar crescer em lugar quente até dobrar o tamanho. Pré-aquecer o forno em temperatura alta. Misturar as 2 colheres de sopa de água com 1 pitada de sal. Fazer três cortes no topo do pão e pincelar todo o pão com essa água salgada e polvilhar o gergelim em cima.
Assar por 35 a 40 minutos.

Brusquetas no copinho

Croutons com tomates marinados no azeite temperado.

Ingredientes:
2 tomates maduros, sem pele e sem sementes, picados
1 colher de sopa de manjericão fresco
2 colheres de sopa de azeite
Meio dente de alho picado
12 azeitonas pretas sem caroço picadas
1 xícara de chá de croutons (feitas com o pão de ervas)
Sal e pimenta a gosto

Modo de fazer:
Em um recipiente, misture bem os tomates com o manjericão, o azeite, o alho, o sal, a pimenta e as azeitonas.
Deixe marinar por cerca de meia hora.
Em copinhos tipo whisky, coloque um pouco de croutons e cubra com a marinada. Decore com folhinhas de manjericão.

Esta receita foi inspirada em uma receita que pode ser encontrada no site de receitas da Nestlé.