Quem me conhece um pouco só sabe que eu gosto de fazer amigos. Me questiono se os cuido com a delicadeza e o carinho que uma amigo exige por sua importância. Falto aniversários dos filhos, esqueço presentes, adio ligações, combino o que não posso cumprir, não respondo e-mails.
Por isso agradeço por ser alimentada pela deliciosa sensação de tê-los todos bem pertinho de mim. Mesmo que eu acredite que não os mereça assim, tão fieis.
Quero dividir essa sensação, não escaparia eu do espírito natalino de fim de ano.
Tenho amigas desde a barriga, minhas primeiras irmãs: a mais velha e a menor.
Amiga que fez quase todas as primeiras coisas que eu me lembro ao meu lado, até o mesmo vestibular pra gente ter a sensação de que não se separaria jamais. A danada fugiu para Espanha. Em Madrid, choramos de rir e de saudades durante uma semana. Lembramos da Dani, Re, Celi e Ana Gabriela, a Luca e a Tati.
Amiga que me cuidou num momento bem difícil. Amiga Telma e Louise de Monza, pela Nilo ou Paraguassu, ouvindo Cazuza, exagerando um pouco e rindo outro tanto. Outra, que não sabe não ser sincera de um jeito só dela: engraçado e verdadeiro.
No início dos anos 90 formei um quinteto na Vila Assunção, que logo ganhou outras duas integrantes. Há quase 20 anos, mesmo longe, estamos perto uma da outra. Para fazer o que tiver que fazer: rir, dançar, temer, chorar, reclamar, entender, rachar a pizza, contar um segredo, fazer uma fofoca, pedir um vestido emprestado, prometer parar de fumar, buscar um exame, sair de casa pra trocar pneu com chuva e vento.
Em seguida, acontecendo um pouco por minha causa. Minha falta de modéstia me obriga a abordar esse ponto. Mas correta que sou, divido a responsabilidade com a minha amiga xará de pensamento e alma. Tá, a Marcinha também tem envolvimento na fusão de 20 mulheres que morrem de euforia e de alegria por se encontrarem todo o fim de ano, há mais de 15 anos.
Além a letra M, temos a mania de puxar assunto em comum. Eu sou apaixonada também por outras três Marianas, a Kraemer, a Becker e a Kalil.
Fomos nos apresentando uma para a outra, encontramos sonhos, certezas, fobias, desejos, traumas e dúvidas em comum. Passamos a nos amar e hoje somos necessárias em nossas vidas. Não conseguimos fazê-lo pessoalmente e da maneira que gostaríamos, mas procuramos sempre estar informadas.
Saber quem tá feliz no trabalho, quem se apaixonou, esqueceu aquele trouxa, conseguiu aquela grana, fez aquela viagem, foi aquele obstetra ou se livrou daquela merda de alergia. Qualquer coisa que possa sinalizar que nós 20 estamos felizes.
Mesmo me entitulando presidente do fundão e aglutinadora oficial do amigo secreto das 20, convivo muito bem com a liderança da Marcinha, a mandona, leal e chorona, presidente do grêmio do colégio, parceira do primeiro debut de uma série (porque eu vou a debuts até hoje) e dona de um imenso coração.
Nesse grupo ainda tem as quatro loiras mais doces, iluminadas, dedicadas e queridas da minha vida: a Ana Beatriz, a Kitty, a Denise e a Deborah.
Três arquitetas talentosas e cheias de vida. Uma é a Aninha, nossa mascote, a outra é a Fabi, que me viciou no seu humor e generosidade.
Sim, quase todas as minhas amigas são generosas. Uma arrecada 1,5 mil brinquedos, a outra leva picolés para as crianças e nos reencontramos para sempre em um casamento. O casal já se separou, nós estamos cada dia mais unidas.
A Cris quase dispensa comentários mas seria uma sacanagem depois de toda essa movimentação do skype não falar nela com o destaque que ela merece. Nossa ícone: prova colorida de que tudo na vida pode ser feito com personalidade e vontade.
Três estilistas talentosas, felizes, cheias de graça, verdadeiras princesas charlotes margueritas lindas das nossas vida.
Três advogadas, o meu amor carioca que vive a vida como ela é e deve ser. Outra estreou agora no amigo das 20 e comigo viveu um dos momentos mais lindo das nossas quatro vidas, antes de nossos bebês virem ao mundo. E a que não abriu mão dos seus sonhos e trocou as leis pelos cães.
Além da Babi, que faz parte do grupo das 20, tenho uma dezena de irmãs jornalistas. Algumas eu vejo todos os dias, outras eu sinto falta de ver todos os dias. A Tati, minha amiga nave mãe não perdoaria não ganhar uma frase só para ela. A Paola e a Lúcia também não. Nem a Cris, que virou minha tia, a Ju, que vai ser mamãe e a Bela, que é a mãe de todas nós da redação.
Tenho amigas que parecem iguais mas são lindamente diferentes. Tem gente que não sabe nunca quem é uma e a outra, eu não consigo viver sem uma delas por perto. Tenho amigo precisando de oração, outro que conheci na semana passada, galã de novela, fã da Ivete, chefes, colegas, atores, bailarinas, leitoras que cresceram, amigos que estão na Disney, chefs de cozinha e com nomes de anjos.
Tenho amigos anjos também.
E tenho amigos que não estão exatamente se enxergando por aqui mas sabem que também são alvo do meu desejo de amor, saúde, paz e alegria em 2010. Bem nessa ordem.
P.S 1: o 17º encontro das 20 foi dia 22. O máximo. Cheio de risadas, música, lágrimas, discurso, berros e fofocas como sempre. Eu ganhei um sapato L-I-N-D-O de oncinha da Karú, que assumiu ontem a presidência da turma (não sei como o bastão saiu, por iniciativa da própria, das mãos da Marcinha). Mas dentro de mim. Em tudo que eu faço, sinto e penso, ela já assumiu esse cargo há anos. A Ju, a outra “Lula” da minha alma, apareceu de surpresa. Linda e francesa. Quase morremos de tanto gritar.
Feliz Natal e Feliz 2010!