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Carta a uma mulher carente

 

As mulheres são divididas em três tipos. As que negam que são carentes, as que desconfiam que talvez tenham momentos carentes e as mais esclarecidas, que conhecem, embora não controlem todas as suas limitações emo-afetivas.

 

Eu não li todo o livro que o Ney Amaral está lançando hoje no Juvenil. Abri alguns capítulos aleatoriamente e gostei do título Cartas para uma Mulher Carente. Decidi escrever a minha.

 

Bem, você que começou a ler esse texto só por curiosidade, achando

que pode ser divertido ou lembrando de alguma amiga próxima. Cuidado!

 

Parece um caso típico de carente rebelde. É sério. Vai faltar auto-policiamento, os conselhos das amigas não serão ouvidos e as relações  detonadas facilmente.

 

Vamos as suas características.Você se acha tão decidida e independente, que não há nenhum problema em tomar a atitude.

 

Se o moço não entendeu a abordagem escancarada, é porque é babaca ou veado. Se abordagem funciona e a carência “que você não tem”, diga-se de passagem, é saciada numa parede escura de uma festa com amassos automáticos, palmas para você.

 

 

Bem feito para as suas amigas, você não é carente, viu? É uma baita pegadora, cheia de iniciativa e consegue o homem que quiser. Só não casou ainda, porque tem muita mulher bonita e galinha por aí, e ninguém é bom o suficiente para você.

 

No outro dia, o cara dos amassos não liga. Nem no outro, nem no outro. Idiota. Na verdade, você que coloca medo em todos eles. Eles gostam de mulheres facilmente dominadas e para isso, você precisaria nascer de novo.

 

Você não é frágil, é poderosa. Eles a desejam, mas morrem de medo. Porque é bem-sucedida, bonita, inteligente, cheia de amigos.

 

Daí, você tenta de todas as maneiras ajudá-lo a entender como está atrapalhado e é mal-resolvido. Vai nos mesmos lugares, cerca os mesmos amigos, insiste, olha, dança feito uma boba, quando a vontade é de sair correndo. Acorda fofa! Eles só não fazem, o que não querem. Quer que eu desenhe?

 

Então você acaba desistindo, beija outro, muda o núcleo, que nem diz uma amiga minha, a Flavinha Mello. Sai do Vale a Pena ver de Novo e decide Viver a Vida.

Posta fotos novas no Facebook. Caras, bocas, biquínis. Só falta dizer que tem diarreia no twitter. Ninguém tem coragem de lhe dizer o quanto você parece patética e carente nas fotos, nas frases.

 

Coloca boa parte da sua vida e todos os seus mistérios no maior depósito virtual de carência do mundo.

 

Se você é do segundo tipo, aquele que desconfia da própria carência, não perca tempo.

 

Procure ajuda. Escute quando sua amiga diz que é melhor não ligar a sexta vez para o cara que você sai.

Se ele não atendeu é porque não pode, ou não quer falar. Não vai ser a sétima ligação que vai dar certo.

 

Tente não achar, que só porque ele não responde no mesmo segundo no MSN, está falando com a outra pessoa muito mais engraçada, mais gostosa e interessante que você.

 

Não pergunte com voz de morta, no que ele está pensando ou por que ele está diferente, Não na hora da exaustão, quando o sono é muito maior do que a vontade de lhe mandar a merda.

 

Não chore baixinho e no escuro. Vá ao banheiro, acenda a luz e chore se olhando no espelho. Repare que cena ridícula você está protagonizando.

 

Não quebre a cabeça se questionando porque você só gosta de homens insensíveis. Para toda mulher carente, sempre tem um homem grosso e injusto.

 

Se sentir que acordou descontrolada, coloque o celular na bolsa de uma amiga, caso decida tomar uma cervejinha.

 

Não escreva mais um e-mail imenso com as mesmas coisas em outras palavras. Ele é grosso, não burro, esqueceu?

 

Não pergunte por que ele está fazendo isso com você? Ele já está tonto, não tem essa resposta ou provavelmente está pensando que se não fizer isso, pode acabar preso por estrangulamento.

 

Não pergunte se existe outra pessoa. Quando existir, você vai saber. Você é chata, mas também não é burra.

 

O livro com relatos e crônicas sobre o tema fala com algum humor dessa característica feminina, mas o autor e médico, também faz relações fisiológicas dos comportamentos feminino e masculino.

 

Explicando científica e geneticamente algumas ações e reações.

 

O fato é que se você achar que pertence ao terceiro time de mocinhas nervosas, dramáticas, chatas e choronas de mulheres, já está com meio caminho andado.

 

Ciente, vive em constante auto-vigilância. Já deve ter espantado uns tantos e agora trata de equilibrar com harmonia a bagunça entre seus hormônios e neurônios.

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O roteiro pode mudar

É possível que um dia você durma imaginando que na manhã seguinte, como vem acontecendo em todas as outras, você vai acordar e fazer as mesmas coisas.

Caminhar pela mesma rua, visitar aquele mesmo amigo, ir até aquele restaurante, ligar para aquela mesma pessoa, ou até dizer aquelas frases que você sempre disse para quem quisesse ouvir.

Mas segundo a mãe do filho primogênito e primeira mulher de John Lennon, Cynthia Lennon, que lançou o livro John, os quatro Beatles uma noite dormiran, John, Paul, Ringo e George e acordaram estrelas mundiais reconhecidas em qualquer canto do mundo.

Atraindo multidões histéricas e nunca vistas. Proibidos de ir na esquina comprar pão

Já vinham agradando na cidade natal, Liverpool, e conquistando algum público cativo em Hamburgo, na Alemanha. Mas foi em uma parcela ínfima de tempo que uma fã histérica soltou o primeiro berro desesperado e agudo e foi exaustivamente copiada por adolescentes dos quatro cantos do planeta.

Desde então, tudo na vida dos quatro talentosos rapazes mudou. Talvez o líder deles nem tivesse sido morto por um admirador psicopata na frente de casa anos depois.

Tudo em questão de segundos.

Sem a mesma sorte do quarteto britânico, outras tantas vidas mudaram de forma impactante nos últimos dias.

O secretário municipal da saúde de Porto Alegre saiu da Igreja com a filha e a mulher, e, em instantes trocou tiros com bandidos e morreu.

No sábado, também em uma fração de segundos, um terremoto abalou o Chile, deixando mais de 700 mortos, feridos, desaparecidos e um cenário impregnado de medo e desespero.

Sete pessoas receberam órgãos de uma outra que teve um AVC repentino. Uma mãe perdeu seu filho numa briga de gangues na Redenção.

Todas essas vidas mudaram. As que foram interrompidas e aquelas que foram totalmente transformadas. Cabe bem o ditado popular, ainda muito repetido, e que eu ouvia do meu avô materno com seu sotaque sergipano: O que se leva da vida, é a vida que se leva.

Não é?

Assim sendo de nada valem nossas angústias ou dúvidas, nem discussões, nem acúmulo de mágoas, silêncios, bens materiais ou projeções futuras se o tempo de hoje não for feliz. E cada segundo dos seus dias forem vividos e desfrutados com prazer e verdade.

Então mesmo que a sua sorte ou azar não seja acordar famoso como os Beatles, receber um coração, ser assassinado saindo da igreja, sobreviver a um tremor de terra, perder um filho em uma briga de gangue.

Faça o logo tudo o que desejar. Sem preconceitos ou horas certas.

Almoce com um amigo, visite a sua avó, compre flores, aprenda outro idioma. Comece a correr, peça demissão, saia de casa, procure um trabalho, compre um travesseiro, comece a dançar, não tenha preguiça de entrar no mar, aprenda a mexer no computador, ligue sem hesitar para quem você quer ter por perto. Gere outra vida.

Seja obcecado por sentir-se bem e faça o que for preciso para isso, dentro dos limites do bom senso. Insista em ser feliz e fazer feliz quem você gosta porque o roteiro pode mudar a qualquer instante.

Com um tiro, uma placa tectônica, uma doação de órgáos ou um show.

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Paris Hilton no Rio

Foi bizarra a presença vip da socialite Paris Hilton, na festa da Devassa, no Pier Mauá, no Rio. De tubinho megajusto cor de uva e transparente, ela deu gritinhos agudos de “I love Devassa, I love Rio”, fez caras e bocas sedutoras, rebolou para um lado, biquinho de diva pro outro, dançou até o chão, tomou um tombo no palco, deu bicota no namorado Doug Reinhardt, que assistia tudo com a maior cara de panaca. Mas ela chama atenção. É linda e parece muito simpática.

A turma da O2, que fez o filme comercial, confirma a simpatia. Metade das cenas foi gravada em Los Angeles, a outra no Rio, com a dublê oficial da herdeira da rede Hilton. Para fazer carinha de quem está gostando demais, especula-se que ela teria abocanhado R$ 1 milhão, dos R$ 100 milhões investidos na campanha toda. Nada mal para interpretar ela  mesma por algumas horas e cair na folia carioca.

Para estrelar a campanha de outra cerveja da marca, dizem que Ivete fechou com Nova Schin por R$ 1,5 milhão, 500 a mais que a loira.

O fato é que o Grupo Schincariol não poderia ter feito melhor escolha. É difícil encontrar uma loira mais devassa e escrachada do que Paris.

Entre o seleto público da festa, Rodrigo Santoro, Marcelo Serrado, Suzana Vieira, os gaúchos Mauren Motta, Marcelo Bragagnolo e uma turma bem descolada de modernos. Todos foram ver a performance da moça.

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O tempo das borboletas

 

 Está escrito em um quadro abstrato que enfeita a sala dos meus pais: “No mundo, todos os estranhos só falam sobre o tempo”.

A frase não deve ser de autoria de quem pintou o quadro, a Miriam, que além de artista plástica é psicanalista.

Eu, puxadora profissional de assunto com estranhos, acho que é a mais pura verdade. A primeira coisa que a gente fala com alguém que não conhece é sobre o frio, o calor, a chuva ou a falta dela. Atinge a todos.

Hoje falar sobre o tempo inclui outro lugar comum: será que mundo vai acabar…

E se vai,a culpa é do homem? O David Coimbra, meu colega de redação, acha que não. Que as tragédias acontecem porque acontecem e o ser-humano, mesmo emporcalhando o planeta do jeito que faz, nada tem a ver com isso.

Seria a injustiça natural e universal. Eu concordo em parte.

Mesmo sem ter chegado a uma conclusão sobre se o avião cai por causa de determinada pessoa, ou se é a hora de todas as quem voam deixarem de viver, acredito, que há o que destino reserve para cada um de nós.

Mais, arrisco que enquanto inquilinos do planeta, temos o poder de interferir no que nos está reservado. Para o lado que for.

Sim, acho que existe o bem e o mal. Os bons e o maus, cohabitando aqui na passageira, complicada e deliciosa aventura de acordar e ir dormir respirando o mesmo ar.

A tragédia do Haiti desmente em parte a minha crença. Não seria possível que uma cidade inteira coletivamente fosse tão negativa para merecer tal punição divina. Destino implacável?

Voltando ao fim do mundo, eu não acredito em profecias. Tampouco que nada temos a ver com as avalanches, epidemias, o calor em excesso ou nevascas mortais.

O que eu acho é que estamos sendo apresentados para um novo mundo e a única alternativa é aceitá-lo. Nem pior, nem melhor, mas diferente.

Um mundo que não tem mais espaço para quem não cultiva o que escreveu Mario Quintana: “O segredo não é correr atrás das borboletas… É cuidar do jardim para que elas venham até você…”

Um jardim que nada tem a ver com o que você veste, o que você gasta, ou com o quão bonito você é. Onde os sentimentos e os projetos de vida são regados com respeito, inspiração e seriedade.

O que o jardim tem a ver com o fim do mundo? Tudo.

Interferir no destino é cuidar do jardim.

Um final de semana relaxante e sem celular de um workholic é tão importante como a decisão de um trabalhador desempregado de entrar nos Alcoólicos Anônimos.

Ambos evitam enfartos fulminantes.

Deixar de ir ao salão de beleza três vezes por semana para dedicar-se a um trabalho voluntário é tão essencial como obrigar-se a visitar o salão de vez em quando para olhar-se no espelho e sentir-se melhor.

Cuidam do seu jardim aqueles que planejam viagens, parcelas, fazem o que gostam, acordam e dormem com quem gostam, dedicam mais tempo dos seus dias falando coisas boas e sorrindo.

Não cuidam os que desejam vinganças, invejam pessoas e objetos, guardam mágoas ou articulam vantagens.

Cada jardim tem suas necessidades.

Só o fato de poder controlar o seu e ajudar a cuidar dos jardins de quem você ama, já é uma dádiva.

O que nos faz moradores mais capazes e responsáveis neste condomínio onde os idosos morrem de calor, as estradas racham ao meio, a mulher é considerada inferior em algumas culturas, as crianças tem fome e os assassinos e traficantes de todas as classes sociais circulam soltos.

Então, mesmo que o governador de Brasília esteja em cana, a Madonna tome caipirinha no copo de plástico ao lado de Jesus no Circo Voador, e o mar de Atlântida e Capão esteja transparente como o do Caribe, o mundo não vai acabar.

E, aproveitando que o ano começa em março mesmo, por que você não dá uma olhada aí no seu jardim?

Paz e amor. Recebam bem as borboletas porque elas ainda andam por aí.

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Braskem anuncia união com a Quattor

Bernardo Gradin, líder empresarial da Braskem comunicou oficialmente há pouco aos integrantes da petroquímica mais uma conquista: a união da Braskem com a Quattor.

Segundo Gradin, 2009 foi um ano de importantes decisões, que modificam o rumo do setor no país. Ele ainda elogiou o empenho pessoal de cada funcionário e convidou os colaboradores a acompanhar as mudanças com a apresentação de cada liderança durante o dia de hoje.

A fusão cria o maior conglomerado do setor das Américas e a oitava petroquímica do mundo.

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Três perguntas para Caco Barcellos

A frente do programa Profissão Repórter, o jornalista Caco Barcellos passou as festas de final de ano com a família em Porto Alegre. RSVip fez três perguntas para o gaúcho que é um dos maiores jornalistas investigativos da história do Brasil. Confira:

RSVip _ Existe alguma reportagem que você ainda não conseguiu fazer?

Caco Barcellos - Olha, geralmente a ideia chega na minha cabeça e já é executada. Não deixo para depois. Mas tem uma pauta que eu quero fazer ainda e não consegui, que é sobre a maconha. Mas eu quero de um outro lado. Quero acompanhar uma cirurgia com o médico maconheiro ou entrevistar o ministro que puxa fumo, por exemplo. Há muita hipocrisia.

RSVip _ Existe algum tipo de censura ao escolher e tratar os assuntos no Profissão Repórter?

Caco _ Vivemos em um verdadeiro paraíso dentro da Rede Globo. Trabalhamos em absoluta liberdade. As únicas restrições que existem são em relação a subir o morro para proteger os profissionais. Depois da morte do Tim Lopes, aumentaram demais os cuidados.

RSVip _ Há uma preocupação permanente com a audiência?

Caco - É fundamental fazer um programa atraente que seja bem aceito. Nosso desafio é mostrar e contar mais e melhor aquilo que o Jornal Nacional já noticiou.

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Desejos mais simples

Não sei exatamente em que momento comecei a desejar coisas mais simples.

Não adianta. Mesmo os mais céticos, desinteressados de todo e qualquer tipo de mandinga, pensamento ou simpatia.

Mesmo os sem fé.

Todos nutrimos uma expectativa especial e diferente nesta época do ano. Não significa que seja melhor ou pior.

Simplesmente é.

Deixamos escapar vontades obscuras. Deparamo-nos com descobertas, reencontramos antigos prazeres.

Mesmo os que se negam a perceber e que acham o maior mico pular sete ondas, comer lentilha, uva, encher papelzinhos de pedidos e todo o arsenal de alho, sal grosso, rosas amarelas e mimos a Iemanjá.

Como um inadiável reencontro anual consigo próprio. Que pode ser bom ou ruim.

Duro ou prazeroso. Produtivo ou fatal.

A realidade é que nem sempre encontramos em nós exatamente o que gostaríamos e imaginávamos que  encontraríamos.

Fins e inícios de ciclos provocam essa embolia emocional nas pessoas.

Umas ficam tristes, outras nervosas. Muitas sentem-se eufóricas. Fazem as contas, buscam lembranças, sentem saudades, ganham quilos, produzem lágrimas, tomam decisões, cortam cabelos, fazem promessas, gastam demais, almejam mudanças, sejam elas quais forem.

E se voltarmos décadas atrás. Como será que imaginávamos nos encontrar no emblemático 2010?

Nossos carros não estacionam no ar, nem temos mordomos robôs ou vestimos roupas cibernéticas, como os Jetsons.

A água não foi exterminada do planeta, nem os hemisférios foram separados.

Ainda.

Não nos ameaça nenhum monolito negro e extraterrestres também não frequentam nossos parques.

Mas voamos pela terra apressados. Abreviando vidas, suspendendo sonhos. Almejamos construções e embalagens descartáveis.

Num lugar em que vícios encurtam dores, e dinheiro, os caminhos.

Onde poder vale mais do que sentir.

A neve castiga a água aterroriza, o sol queima. Ainda há quem reclame que não é mais possível pagar por raios cancerígenos em camas de bronzeamento artificial.

Ao contrário do que se esperava, não vivemos a revolução tecnológica.

A revolução contra tudo o que temos feito por aqui é a natureza que protagoniza.

Sem arcas, nem Nóes.

A hora é de colher o que não foi plantado.

Sem que se roube a esperança. Porque ela não tem desvio. Não se vende, não dá status, não tem versão genérica.

Então, mesmo que eu não tenha encontrado por aqui em 2010, exatamente o que eu imaginava, passei a ter metas menos árduas.

Talvez a transição tenha sido quando em mais um saudável e pirado reencontro anual comigo mesma em 2004, decidi que seria mãe.

Então, além de largas doses anuais de esperança e generosidade, para que eu possa dividir com o mundo e a minha filha de 4 anos, hoje, só quero mesmo cumprir metas bem mais simples.

Pequenos desejos mais singelos.

Comer mais salada, não ser mais repreendida no aeroporto por usar o mesmo cinto de tachas, comprar tênis do tamanho do meu pé. Queria também conseguir esquecer para sempre a falta que o cigarro me faz, ir ao supermercado e escolher as frutas da minha geladeira. Ler mais, dormir mais, mergulhar mais, dançar mais e sorrir ainda mais.

Sentir ao acordar e ao dormir que meu coração não oferece vaga.

Todos os dias lembrar que posso ser infinitamente feliz da mesma forma, ao escolher o vestido do meu casamento ou ao fazer uma invertida perfeita na yoga. Entendeu?

Planos mais cotidianos do que os que costumavam ocupar as primeiras páginas das minhas agendas.

Penso então, se precocemente estou abrindo mão de meus sonhos.

Ou, quem sabe, se porque pulei muita ondinha, comi lentilha e enchi a minha carteira com todos os santos, eu já seja bem faceira com aquilo que me foi reservado até agora.

Feliz 2010!

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Carta aos meus amigos

 

 

 

Quem me conhece um pouco só sabe que eu gosto de fazer amigos. Me questiono se os cuido com a delicadeza e o carinho que uma amigo exige por sua importância. Falto aniversários dos filhos, esqueço presentes, adio ligações, combino o que não posso cumprir, não respondo e-mails.

 

Por isso agradeço por ser alimentada pela deliciosa sensação de tê-los todos bem pertinho de mim. Mesmo que eu acredite que não os mereça assim, tão fieis.

 

Quero dividir essa sensação, não escaparia eu do espírito natalino de fim de ano.

Tenho amigas desde a barriga, minhas primeiras irmãs: a mais velha e a menor.

Amiga que fez quase todas as primeiras coisas que eu me lembro ao meu lado, até o mesmo vestibular pra gente ter a sensação de que não se separaria jamais. A danada fugiu para Espanha. Em Madrid, choramos de rir e de saudades durante uma semana. Lembramos da Dani, Re, Celi e Ana Gabriela, a Luca e a Tati.

Amiga que me cuidou num momento bem difícil. Amiga Telma e Louise de Monza, pela Nilo ou Paraguassu, ouvindo Cazuza, exagerando um pouco e rindo outro tanto. Outra, que não sabe não ser sincera de um jeito só dela: engraçado e verdadeiro.

No início dos anos 90 formei um quinteto na Vila Assunção, que logo ganhou outras duas integrantes. Há quase 20 anos, mesmo longe, estamos perto uma da outra. Para fazer o que tiver que fazer: rir, dançar, temer, chorar, reclamar, entender, rachar a pizza, contar um segredo, fazer uma fofoca, pedir um vestido emprestado, prometer parar de fumar, buscar um exame, sair de casa pra trocar pneu com chuva e vento.

Em seguida, acontecendo um pouco por minha causa. Minha falta de modéstia me obriga a abordar esse ponto. Mas correta que sou, divido a responsabilidade com a minha amiga xará de pensamento e alma. Tá, a Marcinha também tem envolvimento na fusão de 20 mulheres que morrem de euforia e de alegria por se encontrarem todo o fim de ano, há mais de 15 anos.

 

Além a letra M, temos a mania de puxar assunto em comum. Eu sou apaixonada também por outras três Marianas, a Kraemer, a Becker e a Kalil.

Fomos nos apresentando uma para a outra, encontramos sonhos, certezas, fobias, desejos, traumas e dúvidas em comum. Passamos a nos amar e hoje somos necessárias em nossas vidas. Não conseguimos fazê-lo pessoalmente e da maneira que gostaríamos, mas procuramos sempre estar informadas.

Saber quem tá feliz no trabalho, quem se apaixonou, esqueceu aquele trouxa, conseguiu aquela grana, fez aquela viagem, foi aquele obstetra ou se livrou daquela merda de alergia. Qualquer coisa que possa sinalizar que nós 20 estamos felizes.

Mesmo me entitulando presidente do fundão e aglutinadora oficial do amigo secreto das 20, convivo muito bem com a liderança da Marcinha, a mandona, leal e chorona, presidente do grêmio do colégio, parceira do primeiro debut de uma série (porque eu vou a debuts até hoje) e dona de um imenso coração.

Nesse grupo ainda tem as quatro loiras mais doces, iluminadas, dedicadas e queridas da minha vida: a Ana Beatriz, a Kitty, a Denise e a Deborah.

Três arquitetas talentosas e cheias de vida. Uma é a Aninha, nossa mascote, a outra é a Fabi, que me viciou no seu humor e generosidade.

 

Sim, quase todas as minhas amigas são generosas. Uma arrecada 1,5 mil brinquedos, a outra leva picolés para as crianças e nos reencontramos para sempre em um casamento. O casal já se separou, nós estamos cada dia mais unidas.

 

A Cris quase dispensa comentários mas seria uma sacanagem depois de toda essa movimentação do skype não falar nela com o destaque que ela merece. Nossa ícone: prova colorida de que tudo na vida pode ser feito com personalidade e vontade.
Três estilistas talentosas, felizes, cheias de graça, verdadeiras princesas charlotes margueritas lindas das nossas vida.

Três advogadas, o meu amor carioca que vive a vida como ela é e deve ser. Outra estreou agora no amigo das 20 e comigo viveu um dos momentos mais lindo das nossas quatro vidas, antes de nossos bebês virem ao mundo. E a que não abriu mão dos seus sonhos e trocou as leis pelos cães.

Além da Babi, que faz parte do grupo das 20, tenho uma dezena de irmãs jornalistas. Algumas eu vejo todos os dias, outras eu sinto falta de ver todos os dias. A Tati, minha amiga nave mãe não perdoaria não ganhar uma frase só para ela. A Paola e a Lúcia também não. Nem a Cris, que virou minha tia, a Ju, que vai ser mamãe e a Bela, que é a mãe de todas nós da redação.  

Tenho amigas que parecem iguais mas são lindamente diferentes. Tem gente que não sabe nunca quem é uma e a outra, eu não consigo viver sem uma delas por perto. Tenho amigo precisando de oração, outro que conheci na semana passada, galã de novela, fã da Ivete, chefes, colegas, atores, bailarinas, leitoras que cresceram, amigos que estão na Disney, chefs de cozinha e com nomes de anjos.

Tenho amigos anjos também.

E tenho amigos que não estão exatamente se enxergando por aqui mas sabem que também são alvo do meu desejo de amor, saúde, paz e alegria em 2010. Bem nessa ordem.
 
P.S 1: o 17º encontro das 20 foi dia 22. O máximo. Cheio de risadas, música, lágrimas, discurso, berros e fofocas como sempre. Eu ganhei um sapato L-I-N-D-O de oncinha da Karú, que assumiu ontem a presidência da turma (não sei como o bastão saiu, por iniciativa da própria, das mãos da Marcinha). Mas dentro de mim. Em tudo que eu faço, sinto e penso, ela já assumiu esse cargo há anos. A Ju, a outra “Lula” da minha alma, apareceu de surpresa. Linda e francesa. Quase morremos de tanto gritar.


Feliz Natal e Feliz 2010!

 

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Beyoncé à venda na segunda-feira

É fã de Beyoncé? Não estava nem acreditando que a diva pop americana vai fazer quatro shows no Brasil em fevereiro, conforme RSVip publicou em primeira mão aqui no blog?

Pode se preparar para a correria atrás dos convites. A venda para todo o Brasil se inicia nesta segunda-feira e o blog divulga aqui para toda a legião de ”Beyoncetes” do país.

Anota aí:

Para comprar pela Internet o convite para o show em Florianópolis, acesse o www.ingressorapido.com.br.

O telefone? 40031212

Os convites dos camarotes, que ficam ao lado do palco como o Planeta Atlântida de Santa Catarina, são R$ 300. A área vip custa R$ 500 e fica em frente ao palco. Estes dois acessos tem open bar, com bebida liberada.

A pista vip sai por R$ 280 e a normal R$ 90.

Os quatro locais dos shows são: Floripa, Rio, São Paulo e Salvador.

A estreia aqui é dia 4 de fevereiro, aqui no estado vizinho, no Parque do Planeta Atlântida, em Jurerê. No dia 6, ela se apresenta no Pacaembú.

No dia seguinte, 7, não 8 como alguns sites estão divulgando, Beyoncé coloca os cariocas para dançar. Há tentativas de levar o show para o Maracanã mas o local ainda não está confirmado.

No dia 10, ela incendeia a Bahia ao lado de Ivete Sangalo, em meio a folia.

Para a capital catarinense, quem traz o show é a empresa gaúcha H4 Entretenimento. A Caco de Telha é quem leva a musa pop para Salvador, a Mondo Entreternimento e o empresário Luiz Oscar Niemayer para Rio e São Paulo

Confira o serviço em outros Estados:

Florianópolis 
Data: 04 de fevereiro (quinta-feira)
Local: Parque Planeta
Horário: 22h
Abertura Vendas: 21 de dezembro
Ingressos: R$ 90 (meia pista) a R$ 500 (inteira área gold)
Estudantes, menores de 21 anos e maiores de 65 anos pagam meia
Venda: http://www.ingressorapido.com.br e 4003 1212

São Paulo 
Data: 06 de fevereiro (sábado)
Local: Estádio do Morumbi
Horário: 20h (Ivete Sangalo) e 22h (Beyoncé)
Abertura Vendas: 23 de dezembro
Ingressos: R$ 35 (meia arquibancada) a R$ 600 (inteira pista premium) 
Estudantes, aposentados e maiores de 65 anos pagam meia
Venda: http://www.livepass.com.br e 4003 1527

Rio de Janeiro 
Data: 07 de fevereiro (domingo)
Local: HSBC Arena
Horário: 21h
Abertura Vendas: 23 de dezembro
Ingressos: R$ 90 (meia cadeira 3) e R$ 700 (inteira pista vip)
Estudantes, menores de 21 anos e maiores de 65 anos pagam meia  Venda: http://www.livepass.com.br e 4003 1527

Salvador 
Data: 10 de fevereiro (quarta-feira)
Local: Parque de Exposições de Salvador
Horários: 21h (Ivete Sangalo) e 23h (Beyoncé)
Abertura Vendas: 28 de dezembro
Ingressos promocionais: R$ 60 (pista) a R$ 300 (camarote)
Estudantes, aposentados e maiores de 65 anos pagam meia
Vendas: http://www.livepass.com.br e 4003 1527

Postado por Mariana Bertolucci

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Datas de Beyoncé

 

RSVip descobriu mais novidades quentinhas e exclusivas sobre a vida da diva americana Beyoncé ao Brasil.

A estreia nacional da cantora pop será no dia 4 de fevereiro em Florianópolis. Para a capital catarinense, quem traz o show é a empresa gaúcha H4 Entretenimento mas o local não é o Estádio Orlando Scarpelli, do Figueirense, e sim o Parque do Planeta Atlântida de Floripa, em Jurerê.

Atenção fãs, anotem as datas: no dia 6, ela canta em São Paulo, no Pacaembú, no dia seguinte, no Rio de Janeiro, Arena HSBC e no dia 10, incendeia o carnaval baiano em Salvador. Ah, o cachê é aquele mesmo que a coluna publicou em primeira mão ontem, US$ 4,5 milhões mas por quatro apresentações, e não três. Os ingressos começam a ser vendidos a partir do próximo dia 21 de dezembro.

Postado por Mariana Bertolucci

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Beyoncé em Floripa!

RSVip soube agorinha mesmo uma quente e exclusiva.

Que a cantora Beyoncé está com passaporte quase carimbado no Brasil não é novidade.

Sites confirmaram hoje a vinda da musa pop ao Brasil em 2010 como era previsto.

Só que ela não se apresentará no Réveillon carioca e sim em fevereiro perto da folia baiana.

Além da Caco de Telha, de Ivete Sangalo, a Mondo Entreternimento e o empresário Luiz Oscar Niemayer estão envolvidos na vinda na diva.

A notícia exclusiva é que a americana fechou por US$ 4,5 milhões três shows no Brasil.

Os três locais já estão confirmados. Ela se apresentará em Salvador, São Paulo e a data do dia 4 de fevereiro já está reservada para Beyoncé no estádio Orlando Scarpelli, do Figueirense, em Florianópolis.

Se haverá mudança no contrato e shows extras, não se sabe.

Postado por Mariana Bertolucci

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Toca Raul para Leila

 

Um irmão da minha avó dizia: “ninguém vive impunemente à delícia dos extremos”.

Nada mais certo. Nenhum exagero é produtivo. Nem o da extrema delicadeza, que em excesso pode até ser prima irmã da chatice. Para a chatice não há solução.

Só o isolamento pode ser eficaz contra chatos.

Enquanto via a vida de Raul Seixas na TV, pensava qual teria sido o exagero da atriz Leila Lopes, que morreu nesta quinta-feira. Não sei maiores detalhes sobre a trajetória da gaúcha nascida em São Leopoldo e criada em Esteio, mas arrisco que ela superdimensionou um momento da vida, a ponto de se distanciar da realidade.

Não soube dar a ré, nem frear a ansiedade depois de encantar o Brasil interpretando a brejeira e doce Professorinha. Talvez não fizesse ideia do gosto que tinha a fama ou dos perigos que cercam a vaidade.

Da tristeza que é prender-se a uma imagem vazia que não passa de mais um ofício. Tão digno, prazeroso, difícil e exigente como qualquer outro.

Nunca entrevistei Leila Lopes. A lembrança que tenho dela é de alguém bastante sorridente, aliás demais.

Quando ela visitou a redação de Zero Hora há alguns anos, desfilou entre nós como se fosse uma pequena miss quarentona.

Nessa época sim, ela devia ter 40 e poucos anos.

Seu delicado corpo mignon seguia belo, mas o sorriso largo e insistente nos lábios realçava sucessivas plásticas desesperadas.

Não havia expressão, o olhinhos pretos e espertos de outrora miravam nervosos, opacos e sem direção.

Ela foi gentil, parecia feliz de estar entre os conterrâneos enquanto cada um de nós fazia algo diferente. Por um instante dava a impressão que subiria em uma das mesas para nos saudar e chamar a atenção coletiva.

Foi uma visita bem estranha, incomum e triste. Nunca vi nada igual na redação em 12 anos.

Não existiam ainda os filmes pornôs, mas seu semblante já era desorientado. Imagino quantas vezes ela teria se perguntado diante do cruel espelho o que faria para viver feliz com a sua profissão.

Sem nenhum julgamento por sua opção pelos títulos adultos, retomar algum patrimônio e voltar a mídia e aos flashes não foi suficiente para espantar a saudade que a atriz sentia dela mesma.

Assim como Raul Seixas nunca teve vontade de encarar o alcoolismo de frente para garantir uma vida mais longa, Leila Lopes nunca prestou atenção nos outros bonitos papeis que a vida poderia lhe reservar.

Não desistiu do cetro da pequena miss madura em busca de mais uma oportunidade. Qualquer uma que fosse. Em constante guerra com o tempo e a imagem.

Raul tinha a certeza que permaneceria entre nós. Leila tinha pânico de saber que não. Ele escolheu desafiar a doença, consciente ou não, debochado, genial.

Enquanto todos praguejavam contra o frio, ele fazia a cama na varanda.

Um médico argumentou que beber era um suicídio lento. Respondeu:

- Tem alguém com pressa aqui?

Raulzito pegou carona na cauda do cometa aos 44 anos e toda a noite em centenas de lugares do Brasil alguém cutuca o maluco beleza gritando “Toca Rauuuuuuuuuuuuul…”

Certamente Leila não será tão cutucada mas Raul canta para ela, e eu desejo, que em paz, lá em cima, ela encontre a si própria e todo o brilho que tanto almejou por aqui. “Toca Rauuuuuuuuuuuuul…”:

“Ôooo seu moço do disco voador, me leve com você pra onde você for… Ôooo seu moço, não me deixe aqui, enquanto eu sei que tem tanta estrela por aí…”

Postado por Mariana Bertolucci

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Noite de sonhos de Victória

Rosa e azul foram os tons escolhidos para a belíssima decoração da festa de 15 anos de Victória Teixeira Coufal.

Os doces, inspirados nas bolsas da grife Louis Vuitton, nos jeans Diesel e nos perfumes Dolce & Gabbana, chamaram a atenção pela originalidade.
Os convidados, recebidos no Country Club, em Porto Alegre, deixaram recados para a aniversariante — em um mural decorado com uma camiseta do Inter — e ainda puderam descansar num lounge florido.

Fotos: Dulce Helfer

Postado por Mariana

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Por que as mulheres traem?

O mestre em literatura Sergius Gonzaga se propôs a conversar hoje sobre algo que deve encher a sala.

O que o secretário municipal de cultura falará em sua abordagem sobre o adultério feminino na literatura do século 19, deve habitar imaginários e rotinas femininas há séculos até os dias de hoje.

Porque a arte imita a vida.

Generalizações incomodam. Rotulam grupos, enquadram tipos, classificam seres humanos como se fosse tão simples como espécies vegetais.

Certa da delicadeza do assunto, ouso imaginar motivações, sem ter ideia do que Sergius dirá logo mais sobre a traição feminina.

Há as que traem porque simplesmente gostam de sexo ou vingam-se dos parceiros e passam a não controlar tentações. Mas mulher não encara a própria traição como o homem. O dom para o drama as enche de culpa, temores, suposições, de perguntas sem respostas.

Sem envolvimento ou sensações desagradáveis que a culpa provoca, homens traem quase como uma consequência biológica. Dentro de uma absoluta normalidade. Eles fazem sexo, elas traem.

Elas entregam-se a aventuras pela necessidade de sentirem-se amadas e desejadas.

Em um constante apelo ao afeto perdido em meio ao cotidiano massacrante. O que encontram é capaz mudar o rumo de tudo o que haviam planejado para si. Para melhor. 

O que para um sexo é uma necessidade vital, para o outro é um claro sinal de que todos os sonhos foram cruelmente interrompidos, sem que fossem oferecidas outras alternativas, além de tardes vazias, com desejos reprimidos e sentimentos confusos.

Meninas que cresceram preparadas para entender infidelidades de pais, irmãos, tios e avôs e não para assistirem perplexas a puladas de cerca de mães, tias, irmãs e avós. Como se não fosse possível errar e tentar novamente.

As relações atuais não vivem a mesma obrigatoriedade de outros tempos.

Todo o castelo tem o direito e até o dever de ser destruído, pisoteado, desprezado e condenado a erguer-se logo adiante, com outro príncipe dentro.

Mas mulheres ainda não se conformaram em abandonar seus ideais da realeza. Esperam sempre o beijo encantado que as salvará no final da história.

Desconfiam que amor eterno talvez seja coisa do passado ou contemple apenas alguns apaixonados. Mas não registram a informação e insitem em achar que um relacionamento que chegou ao fim e durou anos não deu certo. Deu sim. Só não foi para sempre.

Não fosse assim, Brancas de Neves, Cinderelas ou Belas Adormecidas já teriam sumido de nossos imaginários. Com suas madrastas egoístas, seus generosos pais ausentes e seus vestidos volumosos.

Há tempos já estaríamos acostumadas a entender, que para garantir um final feliz o mesmo cavalo branco pode até carregar mais de um príncipe em momentos diferentes de uma mesma história.

Postado por Mariana Bertolucci

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Saudade

 

Vai saber por que saudade só fala português?

Bela palavra cheia de estranhezas. Mistura vontade de chorar com acesso de riso. Encarna na gente, belisca a alma e chantageia a memória.

Sem trégua que nem choro de bebê com cólica.

De uma perseverança invejável, torturando corações atrapalhados, filhos e pais distantes, amantes covardes, amigos que mesmo dentro da gente, vivem longe demais.

É fácil entender porque a saudade tem sotaque brasileiro.

Mesmo os que têm uma vida infinitamente com mais qualidade fora daqui, não negam que ela vai se aproximando e invade sem ser convidada a cada singela lembrança.

Cheiros, sons, olhares e vozes da gente nossa. Embrenhados da gana boa de viver, povo miserável que dribla a falta de dentes rindo gostoso na hora do gol.

É difícil explicar para esse povo que cisma em ser feliz, que a Olimpíada no Rio ou a Copa do Mundo no Brasil, podem sim, aumentar a fila do SUS, a pobreza, e diminuir o número de escolas que poderiam ser erguidas.

Porque a alegria está na roda de samba, quando fica pronta a fantasia, quando a verde e amarela é penta, hexa e o melhor país do mundo para se viver.

Quem não tem dinheiro, paga a cerveja de quem tem menos ainda, só pelo prazer de estar perto.

Quem tem, amargura heranças sempre mal divididas, frases engasgadas, olhares acusadores, mágoas infinitas que viram feridas físicas. Angústia e dor que moeda nenhuma faz cessar.

Porque além de ter caráter, ser feliz é o único compromisso que o ser humano tem com ele mesmo.

Alcançar metas, desejar mais, superar a si. Como o atleta desafiado. O medo torna-se um nobre sentimento.

Porque quem não teme, não sente.

Nem glória, nem desprezo, nem saudade, nem a falta de si mesmo, abarrotado de valores e cobranças menos verdadeiras e mais mundanas.

É possível não recordar o trejeito do próprio sorriso.

Alguém que não sente medo, nem saudade de nada.

Bonita e doce, como a palavra da língua portuguesa também é.

Ela também vem brusca, como a falta do irmão distante, da casa da vó ou de alguém que hoje não sai dos seus pensamentos.

Aí finca sem pena, cruel e sádica, sombria e melancólica como a palavra também sabe soar.

Mas em um dia de céu mais colorido, músicas mais empolgantes e ares mais leves, reaparece a danada, sem extremos.

Lânguida, quase sedutora, cheia de sutileza e ternura, se aproxima mansinha.

Abandona as sensações de culpa, de arrependimento e de impotência que gostam de acompanhá-la e faz com que você acorde, se olhe no espelho, e se ache até bem ajeitada.

Decida que vai retomar aquela amizade que estava estremecida, mandar um e-mail cheio de verdades para quem você quer perto, abraçar o irmão que você deixou de falar há meses, ou, por incrível que pareça, ligar para o seu filho depois de 20 dias.

Quem sabe procurar aquele médico, pedir demissão, fazer yoga, virar budista… Mil ideias.

Nada disso sem temer tudo de novo. Como será a reação de tanta ação em um só dia?

Sinal que tudo importa para você, que sangue corre aí dentro.

Roendo unhas, desejando trocar a nicotina pela endorfina, louca de saudade de ouvir a própria gargalhada novamente.

Enganando a rotina, o medo, a preguiça e o tempo que não pára, nem o do Cazuza e nem o nosso.

Igualzinha a que eu estava de escrever aqui.

Postado por Mariana Bertolucci

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