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Braskem anuncia união com a Quattor

Bernardo Gradin, líder empresarial da Braskem comunicou oficialmente há pouco aos integrantes da petroquímica mais uma conquista: a união da Braskem com a Quattor.

Segundo Gradin, 2009 foi um ano de importantes decisões, que modificam o rumo do setor no país. Ele ainda elogiou o empenho pessoal de cada funcionário e convidou os colaboradores a acompanhar as mudanças com a apresentação de cada liderança durante o dia de hoje.

A fusão cria o maior conglomerado do setor das Américas e a oitava petroquímica do mundo.

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Três perguntas para Caco Barcellos

A frente do programa Profissão Repórter, o jornalista Caco Barcellos passou as festas de final de ano com a família em Porto Alegre. RSVip fez três perguntas para o gaúcho que é um dos maiores jornalistas investigativos da história do Brasil. Confira:

RSVip _ Existe alguma reportagem que você ainda não conseguiu fazer?

Caco Barcellos - Olha, geralmente a ideia chega na minha cabeça e já é executada. Não deixo para depois. Mas tem uma pauta que eu quero fazer ainda e não consegui, que é sobre a maconha. Mas eu quero de um outro lado. Quero acompanhar uma cirurgia com o médico maconheiro ou entrevistar o ministro que puxa fumo, por exemplo. Há muita hipocrisia.

RSVip _ Existe algum tipo de censura ao escolher e tratar os assuntos no Profissão Repórter?

Caco _ Vivemos em um verdadeiro paraíso dentro da Rede Globo. Trabalhamos em absoluta liberdade. As únicas restrições que existem são em relação a subir o morro para proteger os profissionais. Depois da morte do Tim Lopes, aumentaram demais os cuidados.

RSVip _ Há uma preocupação permanente com a audiência?

Caco - É fundamental fazer um programa atraente que seja bem aceito. Nosso desafio é mostrar e contar mais e melhor aquilo que o Jornal Nacional já noticiou.

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Desejos mais simples

Não sei exatamente em que momento comecei a desejar coisas mais simples.

Não adianta. Mesmo os mais céticos, desinteressados de todo e qualquer tipo de mandinga, pensamento ou simpatia.

Mesmo os sem fé.

Todos nutrimos uma expectativa especial e diferente nesta época do ano. Não significa que seja melhor ou pior.

Simplesmente é.

Deixamos escapar vontades obscuras. Deparamo-nos com descobertas, reencontramos antigos prazeres.

Mesmo os que se negam a perceber e que acham o maior mico pular sete ondas, comer lentilha, uva, encher papelzinhos de pedidos e todo o arsenal de alho, sal grosso, rosas amarelas e mimos a Iemanjá.

Como um inadiável reencontro anual consigo próprio. Que pode ser bom ou ruim.

Duro ou prazeroso. Produtivo ou fatal.

A realidade é que nem sempre encontramos em nós exatamente o que gostaríamos e imaginávamos que  encontraríamos.

Fins e inícios de ciclos provocam essa embolia emocional nas pessoas.

Umas ficam tristes, outras nervosas. Muitas sentem-se eufóricas. Fazem as contas, buscam lembranças, sentem saudades, ganham quilos, produzem lágrimas, tomam decisões, cortam cabelos, fazem promessas, gastam demais, almejam mudanças, sejam elas quais forem.

E se voltarmos décadas atrás. Como será que imaginávamos nos encontrar no emblemático 2010?

Nossos carros não estacionam no ar, nem temos mordomos robôs ou vestimos roupas cibernéticas, como os Jetsons.

A água não foi exterminada do planeta, nem os hemisférios foram separados.

Ainda.

Não nos ameaça nenhum monolito negro e extraterrestres também não frequentam nossos parques.

Mas voamos pela terra apressados. Abreviando vidas, suspendendo sonhos. Almejamos construções e embalagens descartáveis.

Num lugar em que vícios encurtam dores, e dinheiro, os caminhos.

Onde poder vale mais do que sentir.

A neve castiga a água aterroriza, o sol queima. Ainda há quem reclame que não é mais possível pagar por raios cancerígenos em camas de bronzeamento artificial.

Ao contrário do que se esperava, não vivemos a revolução tecnológica.

A revolução contra tudo o que temos feito por aqui é a natureza que protagoniza.

Sem arcas, nem Nóes.

A hora é de colher o que não foi plantado.

Sem que se roube a esperança. Porque ela não tem desvio. Não se vende, não dá status, não tem versão genérica.

Então, mesmo que eu não tenha encontrado por aqui em 2010, exatamente o que eu imaginava, passei a ter metas menos árduas.

Talvez a transição tenha sido quando em mais um saudável e pirado reencontro anual comigo mesma em 2004, decidi que seria mãe.

Então, além de largas doses anuais de esperança e generosidade, para que eu possa dividir com o mundo e a minha filha de 4 anos, hoje, só quero mesmo cumprir metas bem mais simples.

Pequenos desejos mais singelos.

Comer mais salada, não ser mais repreendida no aeroporto por usar o mesmo cinto de tachas, comprar tênis do tamanho do meu pé. Queria também conseguir esquecer para sempre a falta que o cigarro me faz, ir ao supermercado e escolher as frutas da minha geladeira. Ler mais, dormir mais, mergulhar mais, dançar mais e sorrir ainda mais.

Sentir ao acordar e ao dormir que meu coração não oferece vaga.

Todos os dias lembrar que posso ser infinitamente feliz da mesma forma, ao escolher o vestido do meu casamento ou ao fazer uma invertida perfeita na yoga. Entendeu?

Planos mais cotidianos do que os que costumavam ocupar as primeiras páginas das minhas agendas.

Penso então, se precocemente estou abrindo mão de meus sonhos.

Ou, quem sabe, se porque pulei muita ondinha, comi lentilha e enchi a minha carteira com todos os santos, eu já seja bem faceira com aquilo que me foi reservado até agora.

Feliz 2010!

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Carta aos meus amigos

 

 

 

Quem me conhece um pouco só sabe que eu gosto de fazer amigos. Me questiono se os cuido com a delicadeza e o carinho que uma amigo exige por sua importância. Falto aniversários dos filhos, esqueço presentes, adio ligações, combino o que não posso cumprir, não respondo e-mails.

 

Por isso agradeço por ser alimentada pela deliciosa sensação de tê-los todos bem pertinho de mim. Mesmo que eu acredite que não os mereça assim, tão fieis.

 

Quero dividir essa sensação, não escaparia eu do espírito natalino de fim de ano.

Tenho amigas desde a barriga, minhas primeiras irmãs: a mais velha e a menor.

Amiga que fez quase todas as primeiras coisas que eu me lembro ao meu lado, até o mesmo vestibular pra gente ter a sensação de que não se separaria jamais. A danada fugiu para Espanha. Em Madrid, choramos de rir e de saudades durante uma semana. Lembramos da Dani, Re, Celi e Ana Gabriela, a Luca e a Tati.

Amiga que me cuidou num momento bem difícil. Amiga Telma e Louise de Monza, pela Nilo ou Paraguassu, ouvindo Cazuza, exagerando um pouco e rindo outro tanto. Outra, que não sabe não ser sincera de um jeito só dela: engraçado e verdadeiro.

No início dos anos 90 formei um quinteto na Vila Assunção, que logo ganhou outras duas integrantes. Há quase 20 anos, mesmo longe, estamos perto uma da outra. Para fazer o que tiver que fazer: rir, dançar, temer, chorar, reclamar, entender, rachar a pizza, contar um segredo, fazer uma fofoca, pedir um vestido emprestado, prometer parar de fumar, buscar um exame, sair de casa pra trocar pneu com chuva e vento.

Em seguida, acontecendo um pouco por minha causa. Minha falta de modéstia me obriga a abordar esse ponto. Mas correta que sou, divido a responsabilidade com a minha amiga xará de pensamento e alma. Tá, a Marcinha também tem envolvimento na fusão de 20 mulheres que morrem de euforia e de alegria por se encontrarem todo o fim de ano, há mais de 15 anos.

 

Além a letra M, temos a mania de puxar assunto em comum. Eu sou apaixonada também por outras três Marianas, a Kraemer, a Becker e a Kalil.

Fomos nos apresentando uma para a outra, encontramos sonhos, certezas, fobias, desejos, traumas e dúvidas em comum. Passamos a nos amar e hoje somos necessárias em nossas vidas. Não conseguimos fazê-lo pessoalmente e da maneira que gostaríamos, mas procuramos sempre estar informadas.

Saber quem tá feliz no trabalho, quem se apaixonou, esqueceu aquele trouxa, conseguiu aquela grana, fez aquela viagem, foi aquele obstetra ou se livrou daquela merda de alergia. Qualquer coisa que possa sinalizar que nós 20 estamos felizes.

Mesmo me entitulando presidente do fundão e aglutinadora oficial do amigo secreto das 20, convivo muito bem com a liderança da Marcinha, a mandona, leal e chorona, presidente do grêmio do colégio, parceira do primeiro debut de uma série (porque eu vou a debuts até hoje) e dona de um imenso coração.

Nesse grupo ainda tem as quatro loiras mais doces, iluminadas, dedicadas e queridas da minha vida: a Ana Beatriz, a Kitty, a Denise e a Deborah.

Três arquitetas talentosas e cheias de vida. Uma é a Aninha, nossa mascote, a outra é a Fabi, que me viciou no seu humor e generosidade.

 

Sim, quase todas as minhas amigas são generosas. Uma arrecada 1,5 mil brinquedos, a outra leva picolés para as crianças e nos reencontramos para sempre em um casamento. O casal já se separou, nós estamos cada dia mais unidas.

 

A Cris quase dispensa comentários mas seria uma sacanagem depois de toda essa movimentação do skype não falar nela com o destaque que ela merece. Nossa ícone: prova colorida de que tudo na vida pode ser feito com personalidade e vontade.
Três estilistas talentosas, felizes, cheias de graça, verdadeiras princesas charlotes margueritas lindas das nossas vida.

Três advogadas, o meu amor carioca que vive a vida como ela é e deve ser. Outra estreou agora no amigo das 20 e comigo viveu um dos momentos mais lindo das nossas quatro vidas, antes de nossos bebês virem ao mundo. E a que não abriu mão dos seus sonhos e trocou as leis pelos cães.

Além da Babi, que faz parte do grupo das 20, tenho uma dezena de irmãs jornalistas. Algumas eu vejo todos os dias, outras eu sinto falta de ver todos os dias. A Tati, minha amiga nave mãe não perdoaria não ganhar uma frase só para ela. A Paola e a Lúcia também não. Nem a Cris, que virou minha tia, a Ju, que vai ser mamãe e a Bela, que é a mãe de todas nós da redação.  

Tenho amigas que parecem iguais mas são lindamente diferentes. Tem gente que não sabe nunca quem é uma e a outra, eu não consigo viver sem uma delas por perto. Tenho amigo precisando de oração, outro que conheci na semana passada, galã de novela, fã da Ivete, chefes, colegas, atores, bailarinas, leitoras que cresceram, amigos que estão na Disney, chefs de cozinha e com nomes de anjos.

Tenho amigos anjos também.

E tenho amigos que não estão exatamente se enxergando por aqui mas sabem que também são alvo do meu desejo de amor, saúde, paz e alegria em 2010. Bem nessa ordem.
 
P.S 1: o 17º encontro das 20 foi dia 22. O máximo. Cheio de risadas, música, lágrimas, discurso, berros e fofocas como sempre. Eu ganhei um sapato L-I-N-D-O de oncinha da Karú, que assumiu ontem a presidência da turma (não sei como o bastão saiu, por iniciativa da própria, das mãos da Marcinha). Mas dentro de mim. Em tudo que eu faço, sinto e penso, ela já assumiu esse cargo há anos. A Ju, a outra “Lula” da minha alma, apareceu de surpresa. Linda e francesa. Quase morremos de tanto gritar.


Feliz Natal e Feliz 2010!

 

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Beyoncé à venda na segunda-feira

É fã de Beyoncé? Não estava nem acreditando que a diva pop americana vai fazer quatro shows no Brasil em fevereiro, conforme RSVip publicou em primeira mão aqui no blog?

Pode se preparar para a correria atrás dos convites. A venda para todo o Brasil se inicia nesta segunda-feira e o blog divulga aqui para toda a legião de ”Beyoncetes” do país.

Anota aí:

Para comprar pela Internet o convite para o show em Florianópolis, acesse o www.ingressorapido.com.br.

O telefone? 40031212

Os convites dos camarotes, que ficam ao lado do palco como o Planeta Atlântida de Santa Catarina, são R$ 300. A área vip custa R$ 500 e fica em frente ao palco. Estes dois acessos tem open bar, com bebida liberada.

A pista vip sai por R$ 280 e a normal R$ 90.

Os quatro locais dos shows são: Floripa, Rio, São Paulo e Salvador.

A estreia aqui é dia 4 de fevereiro, aqui no estado vizinho, no Parque do Planeta Atlântida, em Jurerê. No dia 6, ela se apresenta no Pacaembú.

No dia seguinte, 7, não 8 como alguns sites estão divulgando, Beyoncé coloca os cariocas para dançar. Há tentativas de levar o show para o Maracanã mas o local ainda não está confirmado.

No dia 10, ela incendeia a Bahia ao lado de Ivete Sangalo, em meio a folia.

Para a capital catarinense, quem traz o show é a empresa gaúcha H4 Entretenimento. A Caco de Telha é quem leva a musa pop para Salvador, a Mondo Entreternimento e o empresário Luiz Oscar Niemayer para Rio e São Paulo

Confira o serviço em outros Estados:

Florianópolis 
Data: 04 de fevereiro (quinta-feira)
Local: Parque Planeta
Horário: 22h
Abertura Vendas: 21 de dezembro
Ingressos: R$ 90 (meia pista) a R$ 500 (inteira área gold)
Estudantes, menores de 21 anos e maiores de 65 anos pagam meia
Venda: http://www.ingressorapido.com.br e 4003 1212

São Paulo 
Data: 06 de fevereiro (sábado)
Local: Estádio do Morumbi
Horário: 20h (Ivete Sangalo) e 22h (Beyoncé)
Abertura Vendas: 23 de dezembro
Ingressos: R$ 35 (meia arquibancada) a R$ 600 (inteira pista premium) 
Estudantes, aposentados e maiores de 65 anos pagam meia
Venda: http://www.livepass.com.br e 4003 1527

Rio de Janeiro 
Data: 07 de fevereiro (domingo)
Local: HSBC Arena
Horário: 21h
Abertura Vendas: 23 de dezembro
Ingressos: R$ 90 (meia cadeira 3) e R$ 700 (inteira pista vip)
Estudantes, menores de 21 anos e maiores de 65 anos pagam meia  Venda: http://www.livepass.com.br e 4003 1527

Salvador 
Data: 10 de fevereiro (quarta-feira)
Local: Parque de Exposições de Salvador
Horários: 21h (Ivete Sangalo) e 23h (Beyoncé)
Abertura Vendas: 28 de dezembro
Ingressos promocionais: R$ 60 (pista) a R$ 300 (camarote)
Estudantes, aposentados e maiores de 65 anos pagam meia
Vendas: http://www.livepass.com.br e 4003 1527

Postado por Mariana Bertolucci

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Datas de Beyoncé

 

RSVip descobriu mais novidades quentinhas e exclusivas sobre a vida da diva americana Beyoncé ao Brasil.

A estreia nacional da cantora pop será no dia 4 de fevereiro em Florianópolis. Para a capital catarinense, quem traz o show é a empresa gaúcha H4 Entretenimento mas o local não é o Estádio Orlando Scarpelli, do Figueirense, e sim o Parque do Planeta Atlântida de Floripa, em Jurerê.

Atenção fãs, anotem as datas: no dia 6, ela canta em São Paulo, no Pacaembú, no dia seguinte, no Rio de Janeiro, Arena HSBC e no dia 10, incendeia o carnaval baiano em Salvador. Ah, o cachê é aquele mesmo que a coluna publicou em primeira mão ontem, US$ 4,5 milhões mas por quatro apresentações, e não três. Os ingressos começam a ser vendidos a partir do próximo dia 21 de dezembro.

Postado por Mariana Bertolucci

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Beyoncé em Floripa!

RSVip soube agorinha mesmo uma quente e exclusiva.

Que a cantora Beyoncé está com passaporte quase carimbado no Brasil não é novidade.

Sites confirmaram hoje a vinda da musa pop ao Brasil em 2010 como era previsto.

Só que ela não se apresentará no Réveillon carioca e sim em fevereiro perto da folia baiana.

Além da Caco de Telha, de Ivete Sangalo, a Mondo Entreternimento e o empresário Luiz Oscar Niemayer estão envolvidos na vinda na diva.

A notícia exclusiva é que a americana fechou por US$ 4,5 milhões três shows no Brasil.

Os três locais já estão confirmados. Ela se apresentará em Salvador, São Paulo e a data do dia 4 de fevereiro já está reservada para Beyoncé no estádio Orlando Scarpelli, do Figueirense, em Florianópolis.

Se haverá mudança no contrato e shows extras, não se sabe.

Postado por Mariana Bertolucci

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Toca Raul para Leila

 

Um irmão da minha avó dizia: “ninguém vive impunemente à delícia dos extremos”.

Nada mais certo. Nenhum exagero é produtivo. Nem o da extrema delicadeza, que em excesso pode até ser prima irmã da chatice. Para a chatice não há solução.

Só o isolamento pode ser eficaz contra chatos.

Enquanto via a vida de Raul Seixas na TV, pensava qual teria sido o exagero da atriz Leila Lopes, que morreu nesta quinta-feira. Não sei maiores detalhes sobre a trajetória da gaúcha nascida em São Leopoldo e criada em Esteio, mas arrisco que ela superdimensionou um momento da vida, a ponto de se distanciar da realidade.

Não soube dar a ré, nem frear a ansiedade depois de encantar o Brasil interpretando a brejeira e doce Professorinha. Talvez não fizesse ideia do gosto que tinha a fama ou dos perigos que cercam a vaidade.

Da tristeza que é prender-se a uma imagem vazia que não passa de mais um ofício. Tão digno, prazeroso, difícil e exigente como qualquer outro.

Nunca entrevistei Leila Lopes. A lembrança que tenho dela é de alguém bastante sorridente, aliás demais.

Quando ela visitou a redação de Zero Hora há alguns anos, desfilou entre nós como se fosse uma pequena miss quarentona.

Nessa época sim, ela devia ter 40 e poucos anos.

Seu delicado corpo mignon seguia belo, mas o sorriso largo e insistente nos lábios realçava sucessivas plásticas desesperadas.

Não havia expressão, o olhinhos pretos e espertos de outrora miravam nervosos, opacos e sem direção.

Ela foi gentil, parecia feliz de estar entre os conterrâneos enquanto cada um de nós fazia algo diferente. Por um instante dava a impressão que subiria em uma das mesas para nos saudar e chamar a atenção coletiva.

Foi uma visita bem estranha, incomum e triste. Nunca vi nada igual na redação em 12 anos.

Não existiam ainda os filmes pornôs, mas seu semblante já era desorientado. Imagino quantas vezes ela teria se perguntado diante do cruel espelho o que faria para viver feliz com a sua profissão.

Sem nenhum julgamento por sua opção pelos títulos adultos, retomar algum patrimônio e voltar a mídia e aos flashes não foi suficiente para espantar a saudade que a atriz sentia dela mesma.

Assim como Raul Seixas nunca teve vontade de encarar o alcoolismo de frente para garantir uma vida mais longa, Leila Lopes nunca prestou atenção nos outros bonitos papeis que a vida poderia lhe reservar.

Não desistiu do cetro da pequena miss madura em busca de mais uma oportunidade. Qualquer uma que fosse. Em constante guerra com o tempo e a imagem.

Raul tinha a certeza que permaneceria entre nós. Leila tinha pânico de saber que não. Ele escolheu desafiar a doença, consciente ou não, debochado, genial.

Enquanto todos praguejavam contra o frio, ele fazia a cama na varanda.

Um médico argumentou que beber era um suicídio lento. Respondeu:

- Tem alguém com pressa aqui?

Raulzito pegou carona na cauda do cometa aos 44 anos e toda a noite em centenas de lugares do Brasil alguém cutuca o maluco beleza gritando “Toca Rauuuuuuuuuuuuul…”

Certamente Leila não será tão cutucada mas Raul canta para ela, e eu desejo, que em paz, lá em cima, ela encontre a si própria e todo o brilho que tanto almejou por aqui. “Toca Rauuuuuuuuuuuuul…”:

“Ôooo seu moço do disco voador, me leve com você pra onde você for… Ôooo seu moço, não me deixe aqui, enquanto eu sei que tem tanta estrela por aí…”

Postado por Mariana Bertolucci

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Noite de sonhos de Victória

Rosa e azul foram os tons escolhidos para a belíssima decoração da festa de 15 anos de Victória Teixeira Coufal.

Os doces, inspirados nas bolsas da grife Louis Vuitton, nos jeans Diesel e nos perfumes Dolce & Gabbana, chamaram a atenção pela originalidade.
Os convidados, recebidos no Country Club, em Porto Alegre, deixaram recados para a aniversariante — em um mural decorado com uma camiseta do Inter — e ainda puderam descansar num lounge florido.

Fotos: Dulce Helfer

Postado por Mariana

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Por que as mulheres traem?

O mestre em literatura Sergius Gonzaga se propôs a conversar hoje sobre algo que deve encher a sala.

O que o secretário municipal de cultura falará em sua abordagem sobre o adultério feminino na literatura do século 19, deve habitar imaginários e rotinas femininas há séculos até os dias de hoje.

Porque a arte imita a vida.

Generalizações incomodam. Rotulam grupos, enquadram tipos, classificam seres humanos como se fosse tão simples como espécies vegetais.

Certa da delicadeza do assunto, ouso imaginar motivações, sem ter ideia do que Sergius dirá logo mais sobre a traição feminina.

Há as que traem porque simplesmente gostam de sexo ou vingam-se dos parceiros e passam a não controlar tentações. Mas mulher não encara a própria traição como o homem. O dom para o drama as enche de culpa, temores, suposições, de perguntas sem respostas.

Sem envolvimento ou sensações desagradáveis que a culpa provoca, homens traem quase como uma consequência biológica. Dentro de uma absoluta normalidade. Eles fazem sexo, elas traem.

Elas entregam-se a aventuras pela necessidade de sentirem-se amadas e desejadas.

Em um constante apelo ao afeto perdido em meio ao cotidiano massacrante. O que encontram é capaz mudar o rumo de tudo o que haviam planejado para si. Para melhor. 

O que para um sexo é uma necessidade vital, para o outro é um claro sinal de que todos os sonhos foram cruelmente interrompidos, sem que fossem oferecidas outras alternativas, além de tardes vazias, com desejos reprimidos e sentimentos confusos.

Meninas que cresceram preparadas para entender infidelidades de pais, irmãos, tios e avôs e não para assistirem perplexas a puladas de cerca de mães, tias, irmãs e avós. Como se não fosse possível errar e tentar novamente.

As relações atuais não vivem a mesma obrigatoriedade de outros tempos.

Todo o castelo tem o direito e até o dever de ser destruído, pisoteado, desprezado e condenado a erguer-se logo adiante, com outro príncipe dentro.

Mas mulheres ainda não se conformaram em abandonar seus ideais da realeza. Esperam sempre o beijo encantado que as salvará no final da história.

Desconfiam que amor eterno talvez seja coisa do passado ou contemple apenas alguns apaixonados. Mas não registram a informação e insitem em achar que um relacionamento que chegou ao fim e durou anos não deu certo. Deu sim. Só não foi para sempre.

Não fosse assim, Brancas de Neves, Cinderelas ou Belas Adormecidas já teriam sumido de nossos imaginários. Com suas madrastas egoístas, seus generosos pais ausentes e seus vestidos volumosos.

Há tempos já estaríamos acostumadas a entender, que para garantir um final feliz o mesmo cavalo branco pode até carregar mais de um príncipe em momentos diferentes de uma mesma história.

Postado por Mariana Bertolucci

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Saudade

 

Vai saber por que saudade só fala português?

Bela palavra cheia de estranhezas. Mistura vontade de chorar com acesso de riso. Encarna na gente, belisca a alma e chantageia a memória.

Sem trégua que nem choro de bebê com cólica.

De uma perseverança invejável, torturando corações atrapalhados, filhos e pais distantes, amantes covardes, amigos que mesmo dentro da gente, vivem longe demais.

É fácil entender porque a saudade tem sotaque brasileiro.

Mesmo os que têm uma vida infinitamente com mais qualidade fora daqui, não negam que ela vai se aproximando e invade sem ser convidada a cada singela lembrança.

Cheiros, sons, olhares e vozes da gente nossa. Embrenhados da gana boa de viver, povo miserável que dribla a falta de dentes rindo gostoso na hora do gol.

É difícil explicar para esse povo que cisma em ser feliz, que a Olimpíada no Rio ou a Copa do Mundo no Brasil, podem sim, aumentar a fila do SUS, a pobreza, e diminuir o número de escolas que poderiam ser erguidas.

Porque a alegria está na roda de samba, quando fica pronta a fantasia, quando a verde e amarela é penta, hexa e o melhor país do mundo para se viver.

Quem não tem dinheiro, paga a cerveja de quem tem menos ainda, só pelo prazer de estar perto.

Quem tem, amargura heranças sempre mal divididas, frases engasgadas, olhares acusadores, mágoas infinitas que viram feridas físicas. Angústia e dor que moeda nenhuma faz cessar.

Porque além de ter caráter, ser feliz é o único compromisso que o ser humano tem com ele mesmo.

Alcançar metas, desejar mais, superar a si. Como o atleta desafiado. O medo torna-se um nobre sentimento.

Porque quem não teme, não sente.

Nem glória, nem desprezo, nem saudade, nem a falta de si mesmo, abarrotado de valores e cobranças menos verdadeiras e mais mundanas.

É possível não recordar o trejeito do próprio sorriso.

Alguém que não sente medo, nem saudade de nada.

Bonita e doce, como a palavra da língua portuguesa também é.

Ela também vem brusca, como a falta do irmão distante, da casa da vó ou de alguém que hoje não sai dos seus pensamentos.

Aí finca sem pena, cruel e sádica, sombria e melancólica como a palavra também sabe soar.

Mas em um dia de céu mais colorido, músicas mais empolgantes e ares mais leves, reaparece a danada, sem extremos.

Lânguida, quase sedutora, cheia de sutileza e ternura, se aproxima mansinha.

Abandona as sensações de culpa, de arrependimento e de impotência que gostam de acompanhá-la e faz com que você acorde, se olhe no espelho, e se ache até bem ajeitada.

Decida que vai retomar aquela amizade que estava estremecida, mandar um e-mail cheio de verdades para quem você quer perto, abraçar o irmão que você deixou de falar há meses, ou, por incrível que pareça, ligar para o seu filho depois de 20 dias.

Quem sabe procurar aquele médico, pedir demissão, fazer yoga, virar budista… Mil ideias.

Nada disso sem temer tudo de novo. Como será a reação de tanta ação em um só dia?

Sinal que tudo importa para você, que sangue corre aí dentro.

Roendo unhas, desejando trocar a nicotina pela endorfina, louca de saudade de ouvir a própria gargalhada novamente.

Enganando a rotina, o medo, a preguiça e o tempo que não pára, nem o do Cazuza e nem o nosso.

Igualzinha a que eu estava de escrever aqui.

Postado por Mariana Bertolucci

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As primeiras-damas no G20

EFE
EFE

Ficou provado, mais do que nunca, que Carla Bruni entrou no universo das primeiras-damas para ofuscar suas colegas de posto mundo afora. Não adianta.

Nem Michelle Obama, que chegou a ser considerada, a nova Jack Kennedy por seus modelos adequados, coloridos e ousados na mesma medida, faz sombra à La Bruni.

No encontro das primeiras-damas no G20, em Pittsburgh, Michelle escolheu um modelo estampado que realça sua cintura fina e disfarça os quadris largos, mas exagerou no cinto de tachas para arrematar a produção.

Carla não precisa se esforçar muito para fazer a diferença onde quer que esteja.

Ela usou um singelo tailleur preto. Nem mais, nem menos. Estava linda.

A primeira-dama japonesa, Miyuki Hatoyama, acertou na echarpe vaporosa para complementar o look.

Svetlana Medvedeva, da Rússia, teria acertado no tom claro e nas eternas pérolas, caso não estivesse um pouquinho acima do peso.
Fotos: EFE

Gursharan Kaur, da Índia, escolheu um sári lilás, aos moldes de Maya, e se saiu bem. Uma das mulheres do presidente da África do Sul, a fofíssima Nompumelelo Ntuli- Zuma perdeu a bússola e ficou espremida em um conjunto que não ficaria bem nem na primeira-dama francesa.

A brasileira Marisa Letícia também não estava em dia inspirado. O modelo bordô era sem graça e não realçou seus traços claros.

Não adianta, menos é mais.

Postado por Mariana Bertolucci

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19.09.2009

O casamento dos designers Elisa Tramontina e Gustavo Giorgi foi lindo, coloridíssimo, exuberante e concentrou as atenções dos mais de 23 mil habitantes de Carlos Barbosa no último sábado. A escolha da data tinha um significado muito especial, já que foi o mesmo dia em que os pais de Elisa se casaram no ano de 1981. O horário da cerimônia religiosa foi marcado para as 19h19min e, na festa, o filme do casamento dos pais de Elisa também emocionou os convidados.

O querido empresário Clovis Tramontina, pai da noiva, não segurou as lágrimas ao ouvir Ave Maria e conduzir a única filha ao altar. Uma pequena multidão se concentrou em frente à Igreja esperando a entrada do casal. Elisa, que usou uma bela criação romântica de Juliana e Neusinha Pereira, foi maquiada e penteada por Jorginho Goulart, do Hugo Beauty. Os cabelos soltos e enfeitados por delicadas flores a deixaram muito bonita, sempre com um sorriso radiante no rosto. 

Um exército de mais de cem garçons serviu os 1,2 mil convidados que foram acomodados nas 103 mesas da festa. Renato Bing foi muito feliz ao combinar os tons fortes de vermelho, roxo, dourado e laranja em tecidos na riquíssima ambientação. Oitos lustres esféricos de heras com velas dentro, seis gigantescas lanternas com 80 velas cada e imponentes arranjos de rosas e as mais de 2 mil velas enfeitaram o salão e deixaram o ginásio aconchegante. Os elogios foram gerais e a mesa de doces, toda dourada com bonequinhos dos noivos no centro, um espetáculo à parte. Doda Bedin e Ana Paula Leite também foram muito competentes no comando da equipe da Inventa Evento, atenta à montagem da festa desde o dia 30 de agosto.

A pista de dança com ares de boate foi complementada com oito pequenos ambientes com sofás e lounges de cetim dourado e roxo e um bar no meio. Mauricio Fofão e o DJ Jamur Bettoni colocaram a pista para funcionar. A lembrancinha foram dois garfinhos de petisco da linha Cosmos da Tramontina, desenvolvida pelo casal de designers que, em Porto Alegre, abriu o escritório Design Único. O conjunto é feito com retalhos de aço inox, uma solução super sustentável. Elisa e Gustavo embarcaram ontem para a Polinésia Francesa e depois passam uns dias nos Estados Unidos.

Mesa da família dos noivos

Menu do jantar

 

O salão repleto de flores e arranjos

 

Muito dourado na mesa de doces

 

O bolo de Liz Fonseca

 

Detalhes dos docinhos com as iniciais dos noivos

Postado por Mariana Bertolucci

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Resposta para Tati

Não imagina o quanto fiquei perplexa e feliz ao ler teu surpreendente e-mail.

Durante todos esses dias e noites, posterguei essa resposta. Exatamente como tu, que jurou a ti mesma uma dezena de vezes me enviar o e-mail, depois que perdeu o teu amigo do colégio.

Sem ter dito a ele como foi feliz na carona do seu jipe, ouvindo Midnight Oil e Australian Crawl e como sentiu tristeza quando soube que ele já não estava entre nós. Como tu gostaria de tê-lo visitado em Floripa ou de recebê-lo com a mulher e o filho em Miami, onde mora com o teu marido e o teu bebê.

Aliás, talvez seja esse ser, a coisa mais perfeita do teu mundo, que tenha te colocado assim mais pertinho da culpa e da vontade permanente de te tornar uma pessoa ainda mais especial.

Então minha querida, tomei a liberdade de dividir tua resposta com os leitores do blog, por acreditar que algumas sensações são perenes a quase todos os humanos.

Não há quem goste de carregar consigo a culpa e a frustração de um desejo pendente.

Uma visita adiada, um aniversário esquecido, um livro não lido, uma palavra não dita, um abraço travado, um carinho que deixou de acontecer ou um singelo e comovente e-mail como o que recebi de ti.

Nossos “impecáveis” semelhantes também passam por isso. Quem não falha, não esquece ou não adia jamais é porque guarda só para si seus vacilos.

O que não deixa de ser eficiente quando o sujeito não coloca os “óculos de couro” da perfeição, onde só enxerga o seu particular, perfeito e hipócrita universo.

Desconfie sempre das grávidas libidinosas que ficam taradas durante os nove meses e dos ex-fumantes que não sentem vontade de fumar.

Eles existem sim. Talvez até não sejam poucos por aí, mas com certeza não são os seus vizinhos ou colegas de trabalho chatos que nunca lhe dizem algo positivo sobre nada, tampouco sobre você.

Como podes perceber eu continuo freneticamente emendando um assunto no outro e já fugi do que queria te falar.

Acho que já devia ser assim há 25 anos quando aprendíamos a ser o que somos e a separar as sílabas olhando no azul dos olhos da tia Mara. Com a qual tive a sorte de cruzar em um ônibus, anos depois, de dar um abraço apertado e dizer o quanto ela tinha sido importante nas nossas vidas.

Trocamos telefones e por outros tantos anos, espiei a linda letra da nossa querida professora da 4ª série em um papelzinho puído na carteira e senti vontade de ligar, tomar um café, lembrar do colégio, da nossa infância ou mesmo só olhar aqueles vivos olhos de anjo que tanto nos ensinou.

Não o fiz, bem imaginas.

Mesmo sem saber o quanto eu fui marcante na tua vida, aí um dos motivos que fiquei perplexa ao ler tuas belas palavras, teus olhos espertos e puxadinhos também me atraíam.

Os traços de índia, a alegria, saias curtinhas e rodadas balonê, a euforia no Beira-Rio e um jeitinho engraçado e rebolante do teu caminhar.

O teu sorriso sempre pronto para encontrar o meu, me intrigava. Eu pensava: “essa guria é tão querida comigo”.

Não sabia bem o porquê. Vou te confessar que te tinha com carinho em remotas lembranças, mas o tempo já havia apagado essa noite que em que fizemos coisas erradas na beira da praia, ou a que eu te levei para casa um pouco alta.

Tampouco que o texto que escrevi aos 10 anos foi guardado por ti por décadas.

Mas queria te dizer Tati, que teu e-mail está impresso e será guardado para sempre em mim, igualzinho a redação que a tia Mara mimeografou na 4ª série e deve estar nas gavetas da casa da tua mãe.

Que me marcou porque a tia Mara inscreveu em um concurso de redações e eu tirei meu único primeiro lugar na vida. Meu pai fez questão de emoldurar.

Se te inspirei na infância e na adolescência, tu fez isso agora em um tempo que não é mais mimeografado, mas que permitiu que nos reencontrássemos por aqui.

Lembrando de coisas tão essenciais e simples.

Sem deixar para depois, Tati, vamos tentar nos encontrar na tua próxima vinda. Apresentar nossos filhotes, que seguirão escrevendo essa nossa mesma história.

Um beijo com muito carinho e obrigada.

* A Tatiana Da Cunha foi minha colega da 4ª série no Maria Imaculada. Anos depois fomos contemporâneas de turma de praia, de festas, de Beira-Rio, de primeiro porre, e enfim… Ela me escreveu um e-mail lindo contando como eu tinha participado da sua vida inteira. Eu respondo por aqui.

 

Postado por Mariana Bertolucci

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A minha amiga e a gripe A

 

Uma das minhas melhores amigas ficou gripada na última semana. A gripe A foi descartada já que a febre não passava de 37,5.

Não adiantou. Imediatamente ela já sentia todos os sintomas da epidemia. Dores, febre e a lista inteira que os meios de comunicação não cansam de nos repetir. Porque ou se fala na gripe ou se discute se se deveria falar tanto na gripe.

Cada uma das sensações que ela experimentava, dividia conosco, as melhores amigas.

A hipocondríaca gosta de repercutir suas agonias e temores. A graça é também ser alvo da piedade alheia.

Mas o ápice maior de prazer dos hipocondríacos vem da sensação de ressuscitar quando tudo, como sempre, acaba dando certo, e novamente carrega-se a vida, zeradinha nas mãos.

Essa gripe está desnorteando as pessoas. É como se de repente, o planeta inteiro fosse idêntico a minha amiga, que eu amo, mas que é neurótica e pensa sempre que a pior das doenças vai bater na porta do apartamento dela e avançar como um monstro.

Então, mesmo sem uma vida sexual movimentada. Aliás, até bem monótona para uma mulher com a idade e aparência dela, a coitadinha já fez dezenas de testes de HIV.

Sempre sem esquecer de deixar a nós, as melhores amigas, e a sua pobre mãe, histéricas, distribuindo em listas as coisas que cada uma vai herdar, recomendando que seja servido cachorro-quente no enterro e essas coisas que só pessoas muito doidas conseguem pensar.

Justiça seja feita. Quando chegam os resultados e diagnósticos sempre positivos, ela nos presenteia com um exemplo de bem viver.

E assim passa alguns meses, até inventar e se aterrorizar com a próxima pseudo-doença.

Minha amiga sorri sem freio a quem quer que seja, tem palavras sempre belas, verdadeiras ou não, que deixam acalentados todos os corações que tem a sorte de estar por perto dela.

Elogia sem medo, doa o que tem de mais precioso sem esperar nada em troca. É feliz fazendo pessoas felizes. Vibra com cada pequena conquista sua ou da pessoa que ela acabou de ver na fila do SUS numa reportagem do Jornal Nacional.

Vive cada segundo como se fosse o último, sem medo de fazer, de vacilar, de dizer, de gargalhar na hora errada ou chorar no momento impróprio.

Tem verdade constrangedora no seu olhar.

Ela toma banho de chuva, anda de pé no chão, se lambuza de sorvete, canta a música que quer cantar, veste a roupa que quer vestir, dança a hora que quer dançar. Vira cambalhota, joga frescobol, gosta de manga, de amora, de mel, faz careta pro espelho, tem medo altura e lembra quase todos os dias de olhar para o céu e agradecer o brilho das estrelas.

Ela reza quando está dirigindo e acredita nas pessoas. Algo até desconcertante.

Também sente medo e não gosta muito de ficar só. Admite que está aprendendo. Está sempre aprendendo e adora dizer, sentir e escrever saudade.

Um dia queria casar. Mas se não der, não tem problema. Ela sabe que gosta de meninos errados. Isso também não é o fim do mundo, a vida é divertida e agitada.

Mas voltando aos dias de hoje.

Não é só a minha amiga que simula sintomas que inexistem e propaga a neurose e o pânico a sua volta.

Por isso as escolas estenderam as férias, os consultórios e hospitais lotaram e uma tosse é quase um revólver apontado na cabeça.

Porque nossa única certeza, a chata da morte, nos ronda misteriosa e desconhecida.

Democrática, desestrutura famílias pobres, ricas, de todas as raças, crenças e religiões.

Acabamos todos juntos no mesmo lugar. Sem essa de céu e inferno.

Então duas coisas me consolam em tempos de gripe A.

Uma é que a minha amiga não está grávida, o que tornaria a nossa vida, a minha, da mãe dela e das nossas melhores amigas, realmente mais complicada.

A outra é, que quando tudo isso acabar, porque vai acabar, se um terço das pessoas passassem a enxergar o mundo com os mesmos olhos da minha amiga, cada vez que ela se “cura” de uma doença que inventou, o mundo vai ser muito mais gostoso de se viver, mais real e mais bonito.

Postado por Mariana Bertolucci

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