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Posts de novembro 2009

Domingo de sol é domingo de Cassino

29 de novembro de 2009 0




Kitesurf foi uma das atrações do domingo no Cassino. Crédito: Guilherme Mazui

Vale depositar uma moedinha no velário da Catedral de São Pedro. Pois o homem que as chaves do céu mandou um domingão de céu azul e tempo abafado em Rio Grande. Tempo que propiciou um belo domingo na praia do Cassino.

 

A temperatura ficou na casa dos 27ºC durante todo o dia. O clima chamou os riograndinos e os vizinhos para o balneário. Muitos carros de Pelotas estacionaram na meia-praia, que teve banho de mar e muito kitesurf, como na foto aí.

Postado por Guilherme Mazui, de Rio Grande

Obra doble chapa

29 de novembro de 2009 0

A Feira Binacional do Livro de Jaguarão vai até o próximo sábado, em Jaguarão. Autores brasileiros e uruguaios lançam livros, mas uma obra está, digamos, no meio da Ponte Internacional Mauá. Trata-se do título bilíngue de Hélio Ramirez. Lendas do Rio Jaguarão / Leyendas del Rio Yaguarón.

Em 30 páginas ele reúne cinco lendas da região fronteiriça. Sao 15 em português e 15 em espanhol. O livro custa R$ 18. O Rumos do Sul dá uma palhinha com a lenda O Tesouro de Garibaldi / El Tesoro de Garilbadi.

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O TESOURO DE GARIBALDI

 

Esta estória escutei à beira de fogão a lenha. Contada por tias-avós, em noites de lua cheia, geada branqueando os campos… frio de rachar!  Muito chimarrão para os homens, e para as mulheres o mate doce com muita erva de chá: manzanilha, carqueja, funcho…

Nós, crianças, acocoradas aqui e ali, somente olhávamos… a tal bebida nos era proibida! E, escutando as conversas dos mais velhos, tínhamos os olhos esbugalhados, coração aos sobressaltos (ainda mais quando caía alguma semente de “ocalito” sobre o telhado de zinco!).
 A República Juliana fenecia.

Garibaldi, junto a Anita, resolveu emigrar para a Banda Oriental do Uruguai.

 A sorte estava virando para o lado dos monarquistas, que tinham olhos e ouvidos por todos os rincões do Pampa.
Garibaldi conseguiu chegar até a fronteira, mas, informado por amigos republicanos, resolveu não fazer pouso em Jaguarão, pois sua presença na cidade seria notada.  Era muito perigoso tão importante figura farroupilha cair em mãos imperiais!  Melhor seria cruzar o rio num lugar mais distante e ermo –  convenceram-lhe os amigos.

O Passo do Centurião era o lugar perfeito para tal peripécia. Dali, Melo estava a algumas léguas.

O Passo era,e felizmente ainda é, um local agreste e luxuriante, com mato muito fechado e –  dizem -  com muita cobra urutu -  a “cruzeira de los gauchos” –  de bote curto e certeiro.

Havia também, para facilitar as montarias, um empedrado natural, típico “camino de los  ‘quileros’  ” (gente meio brasileira, meio oriental, que, desde que o mundo é mundo, conhecia cada curva, cada camalote, cada ilha do rio).
Mas Garibaldi foi descoberto.

Com os imperiais em seu encalço, desesperado, enterra todo o seu dinheiro e pertences de valor – dizem que inclusive uma bandeira da República Rio-Grandense, presente do general Bento Gonçalves – em três grandes panelas de ferro e vadeia, junto com Anita, o Jaguarão, somente com a roupa do corpo.
O tempo passou…

Após escaramuças no Uruguai, Garibaldi tomou o rumo da Europa, em direção à sua querida Itália –  que naqueles tempos ainda era composta de vários reinos –  para participar de sua unificação…  Bom, mas isso é outra história!
Correram os anos e, um dia, um pobre gaudério, que procurava uma rês desgarrada, achou, numa das grotas mais perdidas do Passo do Centurião, junto ao pé de um velho e grande jerivá, semienterrada, uma grande panela de ferro com muitas moedas de ouro.

Era parte do tesouro de Garibaldi.
O sortudo mudou de vida: comprou terras, uma boa ponta de gado, e cavalo de patrão pra ele e seus dois filhos.
A notícia do enriquecimento correu mundo…

Um vizinho, homem  maleva, inescrupuloso, de uma inveja medonha e com vários crimes nas costas, armou, junto com outros de sua laia, uma cilada para o estancieiro e seus filhos.

Fizeram toda espécie de judiaria e tortura, para que confessassem: “Onde estavam as outras duas panelas de ferro?”
Mas, se os três sabiam o lugar,  o segredo morreu com eles.

Os corpos foram atirados num perau e viraram comida de peixe.

Contam que, ainda hoje, em noites de lua nova, três luzes vagueiam por entre os sarandis que nascem junto às pedras do Passo do Centurião.

Serão as almas dos três mortos guardando as outras duas panelas de ferro com o tesouro? ou estarão, elas, clamando por justiça?

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EL TESORO DE GARIBALDI

 

     

      Escuché esta historia junto a un fogón a leña. contada por tias – abuelas, en noches de luna llena, helada  blanqueando campos…frio de quebrar los huesos! mucho mate para los hombres y para las mujeres el mate dulce con  bastante yerba de té: ”manzanilha”, carqueja, ”funcho”…nosotros, los niños,agachaditos aqui y alli apenas mirábamos…la tal bebida para nosotros era prohibida!  y, escuchando los asuntos de los mayores teníamos los ojos asustados, corazón a los saltos (más aún cuando caía uma simiente de eucalipto sobre la teja sonora).

   La República Juliana fenecía. Garibaldi, junto a Anita, resolvió emigrar a la Banda Oriental del  Uruguay.  La suerte se habia vuelto para el lado de los monarquistas que tenían sus ojos y oídos por todos los rincones de la pampa.

Garibaldi consiguió llegar a la frontera pero, informado por amigos republicanos, resolvió no hacer parada em Yaguarón pues su presencia en la ciudad seria notada.  Era muy peligroso tan importante figura “ farroupilha” caer em manos imperiales,  mejor sería cruzar el río en um lugar más distante y ermo – sus amigos le dijeron. el Paso  Centurión era el lugar perfecto para tal peripecia; de allí Melo estaba a algunas léguas.

      El paso era y, felizmente aún es, um local agreste y “luxuriante”, com mata muy cerrada y – dicen – con mucha “cobra urutu” – la crucera de los gauchos – de “bote” corto y certero.  Hay  también, para facilitar las “monterias”, un empedrado natural, típico “camino de los quileros” (con gente medio brasilera, medio oriental que, desde que el mundo era mundo, conocía cada curva, cada camalote, cada islã  del  río).

     Pero garibaldi fue descubierto.  Con los imperiales en su encalzo, desesperado, entierra todo su dinero y objetos de valor, citan algunos que también uma bandera de la República Riograndense, regalo del general Bento Gonçalves – en tres grandes ollas de  hierro y   vadea junto con Anita el Yaguarón solamente com la ropa del cuerpo.

     El tiempo pasó. después de  refriegas en el Uruguay, Garibaldi rumbió para Europa, en dirección a su querida itália – que en aquellos tiempos era compuesta de vários reinos – para participar de su unificación.pero esta es  otra história!

     Después de muchos años pasados , un dia, um pobre gaucho que buscaba su res desgarrada, encontró en una de las cuevas más perdidas del Paso  Centurión, junto al pié de  una vieja y gran  palmera pindó , semi-enterrada, una gran olla de hierro con muchas monedas de oro!  Parte del tesoro de Garibaldi. El sortudo mudó de vida. compró tierras, una buena punta de ganado y caballo de patrón para él y sus dos hijos.

La notícia del enriquecimiento corrió mundo…

Un vecino maleva e inescrupuloso – de una envídia terrible y con varios crimenes em sus espaldas, armó junto  com otros de su mismo carácter una cilada para el estanciero y sus hijos. los lastimaron y torturaron de todas maneras para que confesaran: adónde estaban las otras ollas de hierro? 

Pero si los tres sabian el lugar, el secreto murió con ellos.  Sus cuerpos fueron tirados em un “perau” y transformados en comida de peces.

Cuentan que – aún hoy – en noches de luna nueva, tres luces vagan por los sarandis que nacen junto a las piedras del Paso Centurión.  Serán las almas de los tres muertos guardando las otras dos ollas de hierro con el tesoro? o estarán ellas clamando por justicia?

 

 

Postado por Guilherme Mazui, de Rio Grande

Aniversário do Sete de Abril

29 de novembro de 2009 0




Theatro Sete de Abril faz 176 anos. Crédito: turismo.gov.rs.br

Definida a programação do 176º aniversário do Theatro Sete de Abril, em Pelotas. Festa que precisa ser valorizada mesmo. Este é o primeiro teatro do Rio Grande do Sul, um dos mais antigos do Brasil. Tão antigo, que é theatro com th. É contemporâneo da pharmacia, por exemplo. O aniversário é na próxima quarta-feira. Confira a programação.

Terça - Exposição Arte no Sete, 20h;

Quarta – Espetáculo Uma Noche em México, do artista Gauer Carrasco, 21h;

Quinta – Espetáculo Filhote de Cruz Credo, 15h;

Quinta – Espetáculo Dez (quase) Amores;

Sexta – 1º Festival Manuel Padeiro de Cinema e Animação;

Sábado – Espetáculo Projeto carinho: Doze anos de oportunidades e realizações

Postado por Guilherme Mazui, de Rio Grande

Feijão e pêssego comprometidos em Canguçu

29 de novembro de 2009 0


A informação é da Emater de Canguçu. As chuvas da última semana causaram prejuízos no município aqui do sul do Estado. O feijão e o pêssego foram as culturas mais afetadas, com perdas de 30% a 40%, seguidas do fumo (15 a 20%), cebola, trigo, cevada e hortifrutigranjeiros (10%).

Postado por Guilherme Mazui, de Rio Grande

Cenas da enchente em Camaquã

28 de novembro de 2009 0



A assessoria de imprensa da Prefeitura de Camaquã enviou fotos da enchente na Ilha de Santo Antônio, no interior do município. Esta localidade está ilhada há mais de uma semana. Ela fica no encontro do Rio Camaquã com a Lagoa dos Patos. Mais de 600 pessoas estão ilhadas. Elas passaram fome e sede na semana passada, mas com a ajuda de Bombeiros, Prefeitura, Defesa Civil e de doações, estão conseguindo suportar a situação.

Postado por Guilherme Mazui, de Rio Grande

Rústica do Porto de Rio Grande

28 de novembro de 2009 0

A Superintendência do Porto do Rio Grande (Suprg), juntamente com a Associação dos Corredores de Rua do Rio Grande (Acorrg), promove no próximo dia 6, a partir das 10h, a rústica “94 anos do Porto do Rio Grande”. A rústica integra o Gran Corridas de Rua – 4ª etapa. O evento que homenageia os 94 anos do Porto Novo do Rio Grande, completados no último dia 15.


O percurso Maior (10 km) sairá da Smtel e seguirá pela avenida Buarque de Macedo, rua Cristóvão Colombo, rua Dom Bosco, rua Marechal Deodoro, avenida Buarque de Macedo, rua Domingos de Almeida, rua 1º de Maio, avenida Argentina, rua Comendador Henrique Pancada, avenida Portugal, rua Marechal Deodoro, chegada na Smtel.  Já o percurso Menor (2 km) terá largada em frente a Smtel, seguindo pela avenida Buarque de Macedo, avenida XV de Novembro, rua General Abreu, rua Marechal Deodoro, com chegada na Smtel.

 

Na categoria Maior serão premiados com medalhões do 1º ao 5º colocado (feminino e masculino) e receberão medalhas do 6º ao 70º colocado no masculino e do 6º ao 10º colocado no feminino. Na categoria Menor receberão medalhões do 1º ao 5º colocado (masculino e feminino) e medalhas do 6º ao 80º lugar no masculino e do 6º ao 40º lugar no feminino.

 

Os interessados podem realizar as inscrições até o próximo dia 5, na sede da Acorrg, na rua República do Líbano, nº 204, no horário das 14h às 17h30min, na segunda, terça, quarta e sexta-feiras e no sábado. Para participar da categoria Maior (nascidos até 1992) é necessário inscrever-se na competição e pagar a taxa de R$ 15 (não sócios). Para os sócios a taxa é isenta.


Já os competidores na categoria Menor (nascidos de 1993 a 2001) ficam isentos da taxa de inscrição. Na hora da prova somente haverá inscrição para os atletas de outros municípios pré-agendados. Os competidores deverão apanhar a sua numeração na véspera da prova na sede da Arcorrg. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (53) 3232.3364 ou pelo site www.acorrg.com.br

Postado por Guilherme Mazui, de Rio Grande

Estragos do vento em Rio Grande

27 de novembro de 2009 0

 

Juntei as fotos enviadas pelo Eduardo Beleske e o ilustre Seu José Carlos Sarda. Mostram os estragos que os ventos causaram ontem em Rio Grande. Hoje o dia é ensolarado e de céu azul

Postado por Guilherme Mazui, de Rio Grande

Feira do Livro Binacional em Jaguarão

27 de novembro de 2009 0

Começa hoje, às 14h, a 1ª Feira Binacional do Livro de Jaguarão. A iniciativa é legal demais, pois é mais um esforço para integrar Brasil e Uruguai, desta vez por meio da literatura. A feira vai até o dia 5 de dezembro, na Feira na Praça Alcides Marques. A feira reúne livreiros do Brasil e das cidades vizinhas do Uruguai. Boa chance para encontrar obras em português e espanhol.

 

Sexta (27)
14h- Abertura dos Livreiros (Rua do Amor)
14h- Exposição de Carros antigos (Largos das Bandeiras)
18h- Tarde de Autógrafos Marilú Duarte (Casa de Cultura)
19h- Abertura Institucional (Praça de alimentação)
19:30h-Coral Municipal Jorge Pagliani( Praça de alimentação)
20h- Grupo El Anden- La Plata /Argentina (Praça de alimentação)

Sábado (28)

14h-Abertura dos Livreiros (Rua do Amor)
14h-Exposição de carros antigos (Largo das Bandeiras)
18h- Tarde de Autógrafos Marilú Duarte (Casa de Cultura)
19h- Escola de dança: Dança & Cia
19:30h- Boró- MPB (Praça de alimentação)
20:15h- Pedro Munhoz (Praça de alimentação)
21h- Kako Xavier e Banda – SESC (Praça de alimentação)

Domingo (29)

14h – Abertura dos Livreiros (Rua do Amor)
18h- Tarde de Autógrafos Marilú Duarte (Rua do Amor)
19h- Invernada Artística Lanceiros da Querência (Praça de alimentação)
19:30h- Grupo Vocal- Quinta Geração (Praça de alimentação)
20:15h- Grupo Bixo de Pé (Praça de alimentação)
21h- Chico Saratt e Sérgio Napp (Praça de alimentação)

Segunda (30)

14h- Abertura dos Livreiros (Rua do Amor)
18h- Tarde de Autógrafos Marilú Duarte (Casa de Cultura)
19h-Peça teatral “A feiurinha”- IEEES (Praça de alimentação)
19:30h-Premiação Melhor Companheiro Rotary (Praça de alimentação)
20:15h- Gijo- MPB (Praça de alimentação)
21h- Lançamento do CD “Escolhas” de Carina Lopez (Praça de alimentação)

Terça (1°)

14h-Abertura dos Livreiros (Rua do Amor)
18h-Tarde de Autógrafos Marilú Duarte (Casa de Cultura)
19h-Escola de Dança Ayuni (Praça de alimentação)
19:30h- Hélio Ramirez (Praça de alimentação)
20:15h- Sidney Bretanha (Praça de alimentação)
21h- Beto Borges (Praça de alimentação)

Quarta (2)

14h- Abertura dos Livreiros (Rua do Amor)
18h-Tarde de Autógrafos Marilú Duarte (Casa de Cultura)
19h- Escola de Dança Espaço de dança (Praça de alimentação)
19:30h- Peça Teatral “Dom Quixote” (Praça de alimentação)
20:15-Jhonny Ferreira – Intendencia Municipal de Cerro Largo (Praça de Alimentação)
21h- Lyber Bermudez (Praça de alimentação)

Quinta (3)
14h-Abertura dos Livreiros (Rua do Amor)
18h-Tarde de Autógrafos Marilú Duarte (Casa de Cultura)
19h-Grupo de Dança Tradicionalista- Sem Fronteiras (Praça de Alimentação)
19h-Lançamento do Projeto de Fortalecimento de Capacidade com foco no Desenvolvimento Humano Local e Gestão Integrada (Biblioteca Pública)
19:30h- Gilberto Izquierdo (Praça de alimentação)
20:15h- Julio Silveira (Praça de alimentação)
21h- Aluísio Rockemback (Praça de alimentação)

Sexta (4)
9h- Encontro Literário Mario Benedetti (Biblioteca Pública)
14h-Abertura dos Livreiros (Rua do Amor)
14h-Encontro Literário Mario Benedetti (Biblioteca Pública)
18h- Tarde de Autógrafos Marilú do Duarte (Biblioteca Pública)
19h- Invernada Artística Rincão da Fronteira (Praça de alimentação)
19:30h- Banda Sala 25 (Praça de alimentação)
20:15h- Pimenta Buena (Praça de alimentação)
21h- Fugata Tango (Tetra Esperança)

Sábado (5)
9h-Encontro Literário Mario Benedetti (Biblioteca Pública)
14h-Abertura dos Livreiros (Rua do Amor)
14h- Encontro Literário Mario Benedetti (Biblioteca Pública)
18h-Tarde de Autógrafos Marilú Duarte (Casa de Cultura)
19h- Grupo de Dança Los Horneros (Praça de alimentação)
19:30h-Banda Divergências (Praça de Alimentação)
20:15h- Banda Blackout (Praça de alimentação)
21h- Alencar Feijó, André Timm e Regis Bardini (Praça de alimentação)
21:45h- Canções de Armar e Desarmar (Praça de alimentação)

Postado por Guilherme Mazui, de Rio Grande

A volta da chuva

26 de novembro de 2009 0

Riograndinos tentam se proteger da chuva. Crédito: Eduardo Beleske  

Na quinta-feira, a chuva voltou. E forte na manhã aqui no sul do Estado. Em Rio Grande, onde o fotógrafo Eduardo Beleske flagrou as pessoas de guarda-chuva em riste, o vento chegou a 109 km/h. A força das rajadas destelhou duas casas e derrubou árvores no Cassino. O quilômetro 2 da RS-734 está em meia pista, pois três árvores tombaram na pista.

 

Pelotas, Capão do Leão, Arroio do Padre, Jaguarão, Piratini, Pedro Osório e Morro Redondo registraram chuvas. Em Arroio Grande o temporal deixou a cidade sem luz, derrubou árvores e postes.

Postado por Guilherme Mazui, de Rio Grande

Ping-pong com o Capitão Deper

25 de novembro de 2009 5

Capitão Gürhan Deper: uma figuraça. Curtam o estilo do rapaz. Crédito: Nauro Júnior 

Gürhan Deper, 34 anos. Um tipo, no mínimo, extravagante. Cabeça raspada a zero com um tufo de cabelo na nuca. Cavanhaque fino, acompanhado de duas tiras nas bochechas. Brinco de escorpião na orelha esquerda e anel de cobra no anelar da mão direita. Marrento, apreciador de destilados. Eis o capitão do navio mercante turco Düden.

 

Este é o graneleiro que se incendiou na costa gaúcha, a 260 quilômetros de Tramandaí. Pois o capitão Deper e os outros 21 sobreviventes, vindos da Turquia e do Azerbaijão, estão desde ontem em Rio Grande. Sem vontade de falar sobre o fogo, o resgate, a vida no mar. Penamos, tivemos que fazer compras com os estrangeiros, mas eu e o fotógrafo Nauro Júnior conseguimos falar com o capitão.

 

Guilherme Mazui – Como foi o incêndio? Onde começou?

Capitão Gürhan Deper – Amigo, não quero falar. Não posso falar.

 

Mazui – Mas tu não és o capitão?

Capitão Deper – Sou, mas não quero falar. Estou cansado. Muda de assunto. Preciso comprar roupas. Perdi tudo no incêndio do navio.

 

Mazui – A gente pode te ajudar. Quer?

Capitão Deper – Sério? Vamos lá.

 

Mazui – O que tu precisas?

Capitão Deper – Tudo (risos). Camisa, calça, bermuda, jaqueta, tênis.

 

Mazui – E tu não ficaste ferido no incêndio?

Capitão Deper – Fiquei. Olhe meus braços (cheio de cortes). Quando o fogo começou eu pulei da cabine. Dava uns 4 metros de altura.

 

Mazui – Noooossa.

Capitão Deper – Tá, mas muda de assunto. Esse tênis aqui é grande. Pede um menor. E pede para ele (Nauro) parar de tirar foto. Não quero. Sou feio. Não vai ficar bom.

 

Nauro Júnior – Oferece outro pra ele. Capitão, precisa de camisa?

Capitão Deper – Preciso. Mas não fala mais do incêndio. Vamos tomar uma cerveja de noite? A gente bebe e conversa sobre o incêndio.

 

Mazui – Tomar uma cerveja?

Capitão Deper – Só cerveja?

 

Nauro – Mas o que esse capitão bebe?

Capitão Deper – Ah. Baccardi, whisky, tequila. Bebo de tudo.

 

Nauro   Se tu acompanhares esse capitão ele fica são e tu morto.

Mazui – Eu sei… Mas capitão, e o medo de morrer?

Capitão Deper – Claro que eu tive. Um navio pegando fogo, você dentro e sem saber se tem resgate. Mas muda de assunto.

 

Mazui – Tu jogas alguma coisa?  

Capitão Deper – Futebol.

 

Nauro – Mais alguma?

Capitão Deper – Futebol, futebol e futebol.

 

Nauro – Pra qual time tu torces?

Capitão Deper – Ah, Fenerbahçe. Cheio de brasileiros. Alex, Deivid, Roberto Carlos. Zico treinava lá, mas está fora.

 

Mazui – E tu tens camisa do Fener?

Capitão Deper – Tinha. Minha camisa pegou fogo no navio. Tudo pegou fogo no navio. Por isso estou aqui fazendo compras. Quero calças. Gosto de calças maiores, como aquelas (mostra uma xadrez). Quero camisas, porém curtas, justas.

 

Mazui – Quem paga a conta das compras?

Capitão Deper – O dono do navio. Ele que cuida de tudo. Tirar o navio do mar, nos mandar de volta para casa.

 

Nauro – Tu tens família?

Capitão Deper – Sou livre, hehehe.

 

Mazui – Conheces as mulheres do Brasil?

Capitão Deper – Claro (e beija os dedos)! São demais.

 

Nauro – Tu já conhecias Rio Grande?

Capitão Deper – Não. A primeira vez. Já estive muitas vezes no Brasil, mas aqui é a primeira. Cheguei vivo pelo menos, hehehe.

Mazui - Cara, não aguento a curiosidade. Por que esse cabelo?

Capitão Deper - É uma questão privada, ok?  

Mazui – Beleza. A gente precisa ir, escrever a reportagem, baixar fotos. E a cerveja?

Capitão Deper – Me liga. Liga para o hotel. A gente toma cerveja e fala sobre o navio.

PS: a cerveja ficou para os próximos dias.

Postado por Guilherme Mazui, de Rio Grande