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Nova busca - outros

Em busca dos símbolos perdidos

09 de junho de 2010 0

Geoglifos ficam no Corredor das Tropas, antigo caminho dos tropeiros. Crédito: Nauro Júnior

Edar Antunes Ribeiro, 72 anos, preserva as mangueiras de sua propriedade. Crédito: Nauro Júnior

Jornalista Bruno Farias investiga os símbolos no sul do Estado. Crédito: Nauro Júnior

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Semana passada, eu e o Nauro fomos para o interior de Capão do Leão em busca dos símbolos que podiam ser vistos pelo satélite. Conhecidos como geoglifos, os desenhos feitos nos campos podem ser encontrados em várias partes do mundo. Aqui no sul do Sul, o pesquisador Bruno Farias estuda eles e acredita que as estruturas foram construídas pelos escravos com torrões de terra para prender o gado conduzido pelos tropeiros.

A pauta tinha os ingredientes que eu gosto. Envolve História, tínhamos uma viagem (apesar do Mazui dizer que ir para Capão do Leão não é viajar) e bons personagens para nos contar as suas histórias. Encontramos o pesquisador e saímos à  caça dos símbolos perdidos.

O carro foi apertado. Além do Antunes na direção, fomos eu, Nauro e mais dois pesquisadores (o autor da pesquisa e um amigo dele). Enquanto o carro sacolejava pelas estradas de terra, minha caneta ia perdendo parte de sua tinta no bloco. As anotações saíam meios tremidas quando o pneu encontrava um buraco, mas eu não queria perder nenhum segundo para saber todos os detalhes da pesquisa e as teorias de Farias.

O carro parou e fomos para uma cerca admirar um geoglifo que podia ser avistado da estrada. Sobre o morro lá estava ele, banhado pela luz do sol, com um anel dourado, uma preciosidade encravada na terra. Fez os olhos de todos brilharem e um sorriso no canto da boca surgir instantâneamente sem nenhum esforço.

Seguimos e na outra parada encontramos um personagem que por si só já valia uma reportagem. Seu Edar Antunes Ribeiro, 72 anos, é um homem do campo que antes de tudo ama seu país. Todos os anos o Exército, a Marinha e a Aeronáutica usam a propriedade de Ribeiro para treinamento militar. Ele diz que já perdeu a conta de quantos amigos fez durante todos os anos em que os militares treinaram lá.

O nome da Fazenda por esse motivo não poderia ser outro: Fazenda da Amizade. Seu Edar conta emocionado que alguns "milicos" que passaram por lá já voltaram para apresentar seus netos para ele. Todo orgulhoso da sua dedicação à Pátria, ele pretende colocar todos os certificados recebidos na sala. Vai faltar espaço nas paredes.

Enquanto estávamos nos campos fotografando, o vento nos castigava e o carro era o refúgio que buscávamos após cada parada. Voltamos cansados, mas com a certeza que tínhamos um baita material em mãos. A reportagem foi publicada na ZH de domingo permitindo ao leitor conhecer essas maravilhas.

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