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A nova versão da Taça Serrada

28 de dezembro de 2010 0

Willy Cesar. Foto: Solano Ferreira

Zero Hora trouxe no domingo uma nova versão para o episódio da Taça Serrada. Uma das histórias mais pitorescas do futebol brasileiro, protagonizada há 70 anos, pode se tratar de uma estória.

O episódio da Taça Serrada, dividida por São Paulo e Rio Grande, teria um relato diferente do que é repassado. A sucessão de empates, motivo da decisão salomônica de partir o troféu ao meio, seria fruto da ficção oral, conforme a pesquisa do jornalista rio-grandino Willy Cesar.

- É uma lenda urbana – assegura Willy, que trabalha no livro Sport Club São Paulo – Um Século de Futebol Popular, com lançamento previsto para 2011. Durante seis meses, o pesquisador revirou atas, livros e jornais antigos atrás da verdade sobre a partilha, realizada entre 26 e 28 de dezembro de 1940.

A versão oficial trata de uma cisão no futebol da cidade. Rio Grande, São Paulo e Riograndense romperam relações. Para selar a paz, organizou-se a Taça Confraternização. A final teve Rio-Rita. Após seguidos empates, os clubes serraram o troféu. O site do São Paulo informa que “pênaltis foram batidos à exaustão”, porém em 1940 as penalidades sequer existiam.

No entanto, a pesquisa do jornalista, que pegou os clubes de surpresa, aponta que Rio Grande e São Paulo eram aliados. O dois romperam com o Riograndense, campeão estadual de 1939 e tetracampeão municipal em 1940. E a Taça Confraternização, disputada em forma de triangular, teve vencedor. O São Paulo bateu o Riograndense e empatou com Rio Grande. Seu nome foi gravado no troféu, marca ainda presente.

O livro Rio Grande – Centenário do Futebol Brasileiro confirma os resultados, porém cita uma final sem número de jogos e placares. Seriam quatro empates em séria, porém Willy Cesar não encontrou registros na imprensa, nas atas do memorial do clube e com antigos dirigentes das equipes.

- A partilha foi uma decisão da diretoria do São Paulo. Um sinal de amizade entre os dois times – assegura o pesquisador.

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A versão antiga: a versão contada pelos dois clubes afirma que São Paulo, Rio Grande e Riograndense, os três times da cidade, disputaram a Taça Confraternização. Na final, deu São Paulo e Rio Grande, o clássico Rio-Rita. Após sucessivos empates, as equipes decidiram serrar o troféu.

A nova versão: a pesquisa do jornalista Willy Cesar assegura que os empates sucessivos não aconteceram. Houve o Torneio Confraternização, com as três equipes, porém o São Paulo foi o campeão, com uma vitória e um empate no triangular. O clube resolveu cortar a taça e dar a metade ao Rio Grande em sinal de amizade ao co-irmão.

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A NOVA HISTÓRIA

Em 1939, São Paulo e Rio Grande criam uma aliança, chamada “o eixo”, para vencer o Riograndense, clube hegemônico à época.

Em abril de 1940, São Paulo e Rio Grande rompem com o Riograndense durante o Torneio Início da cidade.

Em 26 de julho a Federação Rio Grandense de Desportos costura a paz e cria um triangular, chamado Taça Confraternização.

O primeiro jogo acontece no dia 28 de julho, vitória do São Paulo sobre o Riograndense por 4 a 1. Em 4 de agosto, Rio Grande e São Paulo empatam em 1 a 1. Já no dia 11, o Riograndense vence o Rio Grande por 4 a 2.

Pela pontuação da época, o São Paulo é o campeão do torneio. Soma três pontos (vitórias valiam dois), contra dois do Riograndense e um do Rio Grande.

Em 20 de outubro, o São Paulo recebe a Taça Confraternização, com seu nome gravado como campeão nos dois lados.

Em um ato de amizade ao Rio Grande, a direção do São Paulo decide serrar o troféu. A entrega acontece entre 26 e 28 de dezembro.

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