
Cesa voltou a operar em 2009 Foto: Porto de Rio Grande
Alvo de disputa judicial, a transferência da unidade de Rio Grande da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) para a superintendência do porto marítimo, que repassaria a administração à empresa Serra Morena, está prestes a ser desfeita.
O secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Beto Albuquerque, assegurou que o terminal de 12 mil metros quadrados, apto a estocar 60 mil toneladas de grãos, ficará com a companhia.
A pedido da Secretaria Estadual da Agricultura, a troca consumada ao final do governo de Yeda Crusius, mediante uma indenização de R$ 34 milhões, está sendo reavaliada. Com um plano de reestruturação da Cesa em elaboração, a tendência é que o terminal seja devolvido à companhia.
Novo superintendente do Porto de Rio Grande, Dirceu Lopes considera a questão decidida. O porto antecipou R$ 6 milhões da indenização. O dinheiro volta e o terminal é outra vez da Cesa. Na prática, apesar da transferência ter sido publicada no Diário Oficial, a unidade de Rio Grande continua sendo operada por funcionários da Cesa.
O repasse da unidade à superintendência do porto foi a forma encontrada pelo governo Yeda para pôr fim a ociosidade e suprir a carência de investimentos do terminal. Desde 2009, quando voltou a operar, a unidade trabalha somente com arroz.
A troca foi parar na Justiça, questionada por representantes de operadoras portuárias interessadas no terminal. Escolhida como gestora, a Serra Morena investiria R$ 3,2 milhões, com a instalação de dois tombadores e um descarregador de barcaças. A empresa aguarda uma decisão do Piratini.
Na gerência da Cesa, a possibilidade da retomada da estrutura em Rio Grande é
comemorada. A companhia tem 22 unidades, sendo que Rio Grande é a única com saída para o mar. Assegura a saída do arroz gaúcho.
Dentro do plano de reestruturação, comandado pelo presidente da companhia, Jerônimo Oliveira Junior, o terminal receberá melhorias, como instalação de tombadores. Também será aberto a outras culturas, como trigo e soja, porém mantendo a prioridade ao arroz.
A Cesa ainda negocias o passivo de dívidas trabalhistas e terá o sistema de gestão informatizado e abrirá um futuro concurso público para repor o quadro de funcionários. A estimativa é que pelo menos cem vagas sejam abertas.
>> Entenda o caso
Com capacidade ociosa, a unidade da Cesa no Porto de Rio Grande carece de investimentos em infraestrutura. Para qualificá-la e melhor aproveitar sua estrutura, o Governo Yeda decidiu repassar a administração do terminal à Superintendência do Porto de Rio Grande (SUPRG).
A transferência foi realizada no final do ano, através de um ato administrativo. A SUPRG teria que indenizar o Piratini em R$ 34 milhões. Com a gerência do terminal, a superintendência negociou um contrato de operação portuária com a empresa Serra Morena, que modernizaria e usaria a estrutura por 36 meses.
O caso foi parar na Justiça. Diretores da empresa Supermar, interessada em administrar o terminal da Cesa, ingressaram com ação popular para impedir o negócio, que teria irregularidades.
Com a troca de comando no Piratini, a Secretaria Estadual da Agricultura solicitou uma revisão do caso. É negociado com a SUPRG a devolução da unidade rio-grandina para a Cesa.
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