O tal estacionamento rotativo

Desde segunda-feira Rio Grande tem estacionamento rotativo. R$ 0,60 por cada meia hora nas 13 ruas que compõem a novíssima faixa azul, a tal zona da discórdia.
De costume, todo estacionamento rotativo é polêmico desde a sua gestação, nas sugestões de Executivo e Legislativo, nas votações na Câmara de Vereadores. E assim seguem até o nascimento, como ontem, aqui em Rio Grande.
A novidade, a faixa azul, veio ao mundo causando resmungos. Muitos, com razão. O quadrilátero vai da rua Riachuelo a Silva Paes e da Fernando Duprat da Silva até a Conselheiro Pinto Lima. Os motoristas pagam R$ 0,60 por meia hora, podendo ficar estacionados por no máximo duas horas. Quem não paga ou excede o tempo é autuado e tem o veículo guinchado.
O resultado imediato foi a debandada dos motoristas. Rumaram à ruas de faixa branca, para desespero dos comerciantes da área azul. A turma do comércio já chorou. De mãos dadas com os motoras, que precisam caminhar ou pagar.
Mas o choro dos motoras tem outro motivador. A desorganização. Os parquímetros, gerentes do estacionamento rotativo, estrearam emperrando. Muitas máquinas não funcionaram em seu debut. A Prefeitura já acionou a fabricante, de Gravataí, para realizar os reparos.
Outra coisa. Chegaram os parquímetros e os fiscais, mas nas ruas mais escondidas do quadrilátero seguem os guardadores. Tem gente pagando nos parquímetros e no “tio, vou dar uma cuidadinha aí no carro”.
Mais um probleminha, trazido por um leitor. A área azul não foi totalmente pintada. Ou seja, há áreas de faixa branca com os parquímetros e fiscais agindo. Como todo veículo traz uma bola de cristal no painel, os motoristas olham o branco e adivinham que ali deveria ser azul.
Pois nosso leitor foi autuado em faixa branca. Ao reclamar, recebeu tal resposta.
- Tinha um carro estacionando ali e não conseguimos pintar. Vamos pintar assim que der.
Boa justificativa. O leitor insistiu em não pagar. Pediu o telefone do responsável. Outra resposta.
- Estamos instalando ainda a sede. Não temos telefone nesta semana.
O leitor ligou para a Secretaria de Transporte. Ouviu que não precisaria pagar a autuação. Afirmativa contrária à do fiscal.
Bom, a sequência de confusões mostra despreparo no momento de instalar um projeto considerado por muitos pertinente – Rio Grande tem frota de 80 mil veículos –, mas por outros um desrespeito.
Quando o assunto é polêmico, o mínimo que se espera é que seja implantado de forma matemática, para justamente evitar mais confusão. Aconteceu o contrário em Rio Grande. Estrearam o estacionamento rotativo como as primeiras telhas da cidade, feitas “nas coxas”. Detalhe: em 1737 não havia outra opção. Em 2010 há. Organização evita muitos resmungos.





Cássio Furtado, 29 anos, é jornalista e natural de Pelotas. É professor de cursos pré-universitários e comentarista internacional da Rádio Universidade (RU) da Universidade Católica de Pelotas.
Elis Radmann, 35 anos, é socióloga e natural de Pelotas. Diretora do Instituto Pesquisas de Opinião (IPO), é mestre em Ciências Políticas pela UFRGS e professora de cursos de pós-graduação das Faculdades do Serviço Nacional do Comércio (Senac).
Henrique Pires, 46 anos, formado em Estudos Sociais, é natural de Pedro Osório, radialista e diretor do Departamento de Arte e Cultura da Universidade Federal de Pelotas, presidente do Conselho Municipal de Cultura e do Instituto João Simões Lopes Neto.
Jairo Fonseca de Azevedo, 60 anos, engenheiro residente da Secretaria de Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais do Distrito Industrial de Rio Grande.
José Carlos da Cunha Sardá, 60 anos, é telegrafista aposentado da Embratel em Rio Grande. Hoje, confecciona maquetes navais para agências marítimas, museus e colecionadores e mantém o
Jussara Cruz Argoud, 48 anos, é natural de Pelotas, formada em Turismo. É gestora de projetos do Sebrae-RS, onde atua desde 2002 como consultora e desde 2006 como gestora.
Maria Amélia Dias da Costa, 56 anos, é advogada, mestre em Ciência Política e natural de Pelotas. É professora aposentada da UFPel e professora titular das Faculdades Anhanguera.
Rafael de Sá, 34 anos, é administrador de empresas e natural de Rio Grande. É sócio-diretor da empresa Vetorial.net, vice-presidente da Associação Riograndense dos Provedores de Acesso, Serviços e Informações da Rede Internet (Internet Sul) e coordenador geral do comitê rio-grandino do Programa Gaúcho de Qualidade e Produtividade.
Renzo Antoniolli, 50 anos, é natural de Santo Ângelo e se estabeleceu em Pelotas como comerciante há 28 anos. Há quatro anos e meio é presidente do Sindilojas.



