A edição impressa de AN não trouxe ontem informações sobre a aprovação da maioria da população ao terceiro mandato de Lula. Leitor cobrou a ausência. Que não foi intencional, apenas uma questão de edição. Mas lá vai. De acordo com a pesquisa CNT/Sensus, 50,4% dos entrevistados concorda com mudança constitucional que permita a possibilidade de terceiro mandato.
A defesa de um casuísmo - mudança das regras para atender as necessidades de quem está no poder - pela maioria da população é um sinal da fraqueza democrática do País. A consulta popular para a escolha de governantes é apenas um dos pilares de uma democracia. Existem outros, como as instituições - poderes Legislativo e Judiciário, ministério público e demais estruturas estatais (mas não necessariamente governamentais). Não é porque a maioria da população tem tal desejo que deve ser automaticamente atendido. E outro presidente estiver mal avaliado, se cortará então o terceiro mandato? Collor só deveria ter sido afastado por quem o elegeu, o povo? Quem matou Isabelle tem de ser definido por plebiscito?
Parece paradoxal, defender a democracia sem ter de entregar todo o poder de decisão ao povo, mas não é: sem respeito à lei, ao Estado democrático de Direito - um conceito desgastado hoje -, com tudo sendo decidido pelo assembleísmo, joga na lata do lixo tudo que uma sociedade levou séculos para construir, que são suas instituições.
Sim, houve casuísmo na possibilidade de reeleição de Fernando Henrique. Mas o equívoco não autoriza o governo petista a tentar outro. Pelo poder da máquina estatal, detentores do poder tem mais chance de se manter. FHC e Lula são provas disso. E quanto mais o tempo passa, mais a máquina se fortalece. Um terceiro mandato fatalmente levaria a um quarto, quinto etc novo período para o presidente.
Postado por Jefferson Saavedra