Estivesse em melhor conta com a cúpula estadual do PT, talvez a ala de Carlito Merss tivesse conseguido expulsar o vereador Adilson Mariano. Mas não deu. O arquivamento do pedido de expulsão feito pelo PT de Joinville a pedido do governo Carlito mostra mais a fragilidade da administração do que a força do vereador. É uma derrota do prefeito.
O PT de Santa Catarina sabia que o arquivamento seria encarado como fracasso de Carlito, mas, apesar dos adiamentos, não achou outro caminho. A cúpula estadual pelo menos criou uma obrigação para Mariano: assinou documento se comprometendo a seguir as orientações do PT de Joinville. O vereador conseguiu uma vitória, mas teve de entregar parte dos anéis para não perder a mão.
Se tiver greve ano que vem, em tese, Mariano não poderá apoiar, por exemplo. Só que para enquadrar o dissidente, o governo Carlito tem de discutir os temas dentro do diretório. Daí sai uma ata para que depois, caso Mariano venha a desobedecer, seja possível tentar a expulsão de novo.
Ninguém consegue governar tendo que toda hora ficar em reunião de partido, se explicando a todo momento. Até porque boa parte das decisões é difícil, não é coisa para votar. Carlito dificilmente se dará ao trabalho de brincar de assembleia só para produzir atas contra Mariano.
No caso da greve dos servidores, cuja participação de Mariano foi a gota d’água para o pedido de expulsão, não houve proibição expressa de participação de petistas. Estava aí a saída técnica para engavetar o pedido de expulsão. Estivesse Carlito muito bem na relação com o PT, Mariano ia para o cadafalso.
A luta sempre continua
O clima de confronto continua. Assim que soube da disposição do PT de Joinville de recorrer a Brasília para tentar a expulsão do vereador, a ala de Mariano começou a preparar nota condenando a iniciativa.