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A Origem mistura ficção científica com boas doses de ação e suspense

05 de agosto de 2010 0

A convite do Cinesystem do Shopping Iguatemi e da Espaço Z, acompanhei a sessão do novo filme de Christopher Nolan, A Origem, que estreia em SC amanhã. Confira a seguir o comentário sobre o filme.

Quando Leonardo DiCaprio abre os olhos, com uma visão embaralhada, e acorda no meio do nada, em um começo nada explicativo (que só será retomado no final), as semelhanças com o longa Amnésia vêm à tona - para quem viu o filme de 2000 que revelou o diretor Christopher Nolan, responsável também pelo dois últimos filmes da franquia Batman, Amnésia inovou ao desmontar a huistória em vários pedaços.

Mas a quebra da linha cronológica narrativa - que hoje já é comum para qualquer espectador - é só o ponto de partida para A Origem.

A história gira em torno do agente/ladrão Dom Cobb (DiCaprio), que tem a capacidade de penetrar no subconsciente das pessoas, em seus sonhos, e descobrir o que quiser escavando a fundo a mente de que ele entrou.

Sua habilidade lançou-o como um disputado espião no mundo corporativo. Mas tudo na vida tem um preço. E para viver de sua habilidade, Cobb teve que abrir mão de viver ao lado de seus filhos. Uma chance de voltar ao lar familiar lhe é dada quando ele recebe uma proposta inusitada do empresário Saito (Ken Watanabe): ao invés roubar sonhos, ele deverá implantar um sonho dentro da mente Robert Fischer, que está prestes a herdar o controle total do império de seu pai.

As semelhanças com Ilha do Medo (filme deste ano, de Martin Scorsese) são muitas. Desde o personagem principal ser interpretado por DiCaprio até a relação com sua esposa (interpretada pela bela Marion Cottilard em A Origem) e o envolvimento da trama com problemas psicológicos. Explicar um pouco mais da relação entre os dois filmes seria estragar as surpresas tanto de um quanto de outro.

Mas o que Christopher Nolan nos apresenta em A Origem é um espetáculo de imagens e de um filme de ação. O suspense se mistura à trama que se desenvolve rapidamente, mas com certos problemas. Para poder por em ação o plano de implantar o sonho em Robert, por exemplo, Cobb reúne uma equipe para ajudá-lo. E o grupo não tem nenhum objetivo concreto por trás do plano. Para Cobb, é claro que ele quer voltar a ver os filhos. Mas todos os outros personagens, desde Ariadne (a ótima Ellen Page) a Arthur (Joseph Gordon-Levitt), são apenas coadjuvantes sem perspectivas no plano arquitetado por Cobb. E talvez este seja o maior erro do filme: não ter objetivo na ação dos outros personagens.

Ao agregar conceitos de psicologia à trama, Nolan nos dá uma ótima ideia de narrativa, que, pouco a pouco, vai se apresentando na tela em um emaranhado de sonhos (em ótimas cenas, como o afogamento na banheira, a conversa entre Ariadne e Cobb em uma mesa de um restaurante e as luta nas paredes de um hotel). Os efeitos especiais são um detalhe à parte. Muito bem feitos, assim como a direção de arte e a fotografia que capricharam para dar todo o tom dinâmico e de ação do filme.

O mais inquietante mesmo do filme é o final. Daqueles que te deixam comentando por horas a fio.

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