Estreia hoje o programa Cine DC. Fruto do blog Sala de Cinema, o Cine DC vai comentar toda semana um filme que esteja estreando nas telonas de Santa Catarina ou que já esteja em cartaz.
Felipe Alves encabeça o programa que hoje conta com os convidados Renê Muller e Marcos Espíndola, ambos da equipe do Variedades do Diário Catarinense.
O comentário de estreia é sobre Bravura Indômita (True Grit), refilmagem do longa homônimo lançado em 1969, que consagrou John Wayne com um Oscar de melhor ator. O remake é dirigido pelos irmãos Joel e Ethan Coen e concorre a 10 categorias no Oscar deste ano, incluindo melhor filme, diretor e ator para Jeff Bridges.
Assista à primeira edição do Cine DC:
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Têm mais filmes do Oscar estreando nas telas de Santa Catarina. Bravura Indômita, dos irmãos Coen, está na disputa por 10 estatuetas e estreia em várias cidades. Já a animação francesa O Mágico, com roteiro de Jacques Tati, chega apenas em Tubarão. O musical Burlesque, com Christina Aguilera e Cher, estará em exibição em Florianópolis. E o thriller O Ritual traz um elenco que mistura Anthony Hopkins e Alice Braga em uma trama de exorcismo.
Sinopse: Refilmagem do clássico wester de 1969 que consagrou John Wayne um com um Oscar de melhor ator. Na história, após a morte do pai, a jovem Mattie Ross contrata, por cem dólares, o xerife "Rooster" Cogburn para caçar e capturar o assassino de seu pai. Teimosa e corajosa, ela exige fazer parte desta jornada para ter certeza que seu objetivo será alcançado.
De Joel e Ehtan Coen. Faroeste, 16 anos, 110 min. Com Jeff Bridges, Matt Damon e Hailee Steinfeld.
Sinopse: Ali é uma jovem de uma cidade do interior com uma bela voz, que vai a Los Angeles para concretizar os seus sonhos. Por acaso, ela chega a um teatro majestoso, mas em péssimo estado de conservação, The Burlesque Lounge, onde está sendo exibido um fantástico musical. Ali é contratada como garçonete por Tess (Cher), dona e administradora do teatro.
De Steve Antin. Musical, 12 anos, 112 min. Com Christina Aguilera e Cher.
O Mágico (L'illusionniste)
Sinopse: A mágica ilusionista e tradicional de Tatischeff está em decadência. Ele passa por várias cidades tentando sobreviver tirando coelho da cartola, fazendo brotar buquês de flores, descobrindo moedas atrás de orelhas de crianças. Mas sua glória é roubada por estrelas do rock e pelas novidades mostradas pela TV. Então o mágico se vê forçado a se apresentar em bares falidos e festas.
De Sylvain Chomet. Animação, 12 anos, 90 min. Com roteiro de Jacques Tati.
Sinopse: Inspirado em fatos reais o filme conta a história do cético seminarista Mikael Kovak que, relutantemente, frequenta uma escola de exorcismo no Vaticano. Sua vida muda quando ele encontra o ortodoxo Padre Lucas, que lhe apresenta o lado mais obscuro de sua fé.
De Mikael Håfström. Suspense, 14 anos, 114 min. Com Anthony Hopkins, Colin O'Donoghue e Alice Braga.
Mais um filme sobre exorcismo estreia nesta sexta-feira, em Santa Catarina. Baseado em fatos reais e com Anthony Hopkins no elenco, O Ritual não traz nada de novo. Pelo contrário, propõe-se a ser um filme de terror, mas o diretor Mikael Håfström (de 1408) abusa dos clichês do gênero e cria um thriller que não mete medo em ninguém.
Na história, o norte-americano Mikael Kovak (o insosso Colin O'Donoghue), por pressão de seu pai, acaba se tornando um seminarista. Mas o problema é que o rapaz questiona sua própria fé e se põe à prova quando decide realizar um curso de exorcismo no Vaticano.
Um flerte com a jornalista Angeline (a brasileira Alice Braga) põe fogo no caldeirão de dúvidas que borbulham na mente de Mikael. Mas o pouco espaço dado à personagem de Alice faz com que ela acabe se tornando irrelevante na trama. O que poderia ser mais um ponto de conflito para o seminarista, acaba se transformando numa amizade de interesses (afinal, ela é uma jornalista e quer desvendar os mistérios do exorcismo).
No Vaticano Mikael conhece Padre Lucas (Hopkins), que demonstra ao americano rituais exorcistas e se mostra uma figura um tanto perturbadora. O principal caso analisado é o de uma italiana de 16 anos, grávida, que se contorce, berra obscenidades, prevê o imprevisível e cospe objetos. Possessão demoníaca ou distúrbio mental? A dúvida, proposta pelo próprio Mikael, cético, logo é descartada, e a narrativa se torna unidimensional, sem maiores conflitos.
A trama é leve demais, sem densidade. Ao contrário da trilha sonora, das locações e da fotografia que, sempre obscuras, dão o tom sombrio que casaria muito bem com um roteiro bem construído.
Mais conhecido como o maligno Hannibal Lecter em O Silêncio dos Inocentes, Anthony Hopkins se enquadra muito bem em um personagem como Padre Lucas, mas seu potencial poderia ter sido mais bem trabalhado.
Impossível não comparar O Ritual com O Exorcista - até porque, a certa altura, Padre Lucas faz um menção explícita ao filme - mas o longa não é nada mais do que uma versão mais light do clássico de 1973, só que sem contorções de cabeça, vômito verde e o impacto causado na época.
Um dos maiores problemas do filme é que, em várias vezes, se criam expectativas, momentos de tensão, que acabam frustrando o espectador por não serem significastes ao andamento da trama. Como se somente gatos pretos, sessões de exorcismo e sustos repentinos fossem bons o suficiente para um bom thriller.
Não é novidade que os irmãos Coen (Ethan e Joel) estão entre os grandes realizadores do cinema atual. Desde sua estreia, com Gosto de Sangue (1984), não há um de seus filmes _ lançados em periodicidade anual _ que seja pelo menos interessante.
Brincam com vários gêneros, sem perder a capacidade de contar uma história de modo arrebatador.
Agora, retornam com Bravura Indômita. É seu primeiro western. E quem gosta de westerns, claro, já assistiu a um filme com esse nome: o estrelado por John Wayne, em 1969. O veterano ator levou o Oscar ao interpretar Reuben J. "Rooster" Cogburn, um agente federal, bêbado e caolho. Cogburn volta agora na interpretação de outro espetacular ator, Jeff Bridges. Mas, ao contrário da versão de Wayne, o personagem não é um veículo para uma estrela. É mais um dos curiosos tipos que povoam a cinematografia dos Coen, enredados em tramas que vão lhe exigir, claro, demonstrar sua verdadeira natureza.
Os irmãos, aliás, viram o original há décadas, e confessaram mal se lembrar dele. Preferiram tomar como ponto de partida o romance de Charles Portis. Mattie Ross, uma adolescente de 14 anos, contrata Cogburn para que ele capture o assassino de seu pai. Teimosa e implacável com negócios, Mattie (papel que pode render um Oscar à revelação Hailee Steinfeld) não só contrata o veterano agente da lei como exige acompanhar a caçada, que se estende sobre um território indígena. Quer presenciar a captura do fugitivo, Tom Chaney (Josh Brolin). Acaba tendo, nesse filme, um peso que na versão de 1969 era eclipsado pela presença de Wayne.
O western dos Coen foge de alguns clichês. As cidades e lugares são de uma limpeza, de uma ordem impecável. E a luta entre o mal e o bem, traço de seus filmes, foge do maniqueísmo. A performance do ótimo elenco sustenta boa parte de Bravura Indômita, em especial a interação entre Bridges, Hailee e Matt Damon. O astro de Identidade Bourne mergulhou em seu personagem (LaBoeuf, o ranger do Texas que também está à caça de Chaney) com tanta vontade que parte da plateia terá dificuldade em reconhecê-lo.
Grandes diálogos e atuação, grande edição, e cenas que vão entrar para qualquer antologia Coen _ destaque para a onírica cavalgada em que Cogburn tenta buscar socorro para Mattie, picada por uma cobra. Bravura Indômita, ao que tudo indica, não terá vida fácil na premiação dos Oscar. E daí? Pode não ser tão bom quanto Onde os Fracos Não Tem Vez - que rendeu à dupla a estatueta de melhor filme em 2008 -, mas é um filme engraçado, duro, bem pensado, maravilhosamente realizado.
Texto: Renê Muller
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