O novo filme de Cláudio Torres ganha pré-estreia hoje em vários Estados do país e Santa Catarina não está de fora. Florianópolis, São José, Blumenau e Joinville terão sessões do filme somente hoje. O Homem do Futuro, com Wagner Moura e Alinne Moraes, entra em cartaz no Brasil em 2 de setembro. Confira um comentário sobre o filme e assista ao trailer:
Fazer dar certo a mistura de comédia romântica com ficção científica em um filme brasileiro parece algo arriscado e pouco comum por aqui. Mas o diretor e roteirista Cláudio Torres conseguiu.
O Homem do Futuro, que tem pré-estreia hoje no Estado, é um combinado da busca pelo amor perdido com o desejo de mudar o passado. E tudo regado à nostalgia do rock dos anos 1990.
O diretor de Redentor e A Mulher Invisível acerta ao criar uma mistura de Efeito Borboleta com De Volta Pro Futuro, em uma trama que se desenvolve bem ao longo do filme, e, ainda que traga um tema bastante explorado no cinema, consegue atrair a atenção do espectador.
Na história, Wagner Moura (em mais uma ótima interpretação) é João, um cientista e professor de física que, em 2011, encontra-se solitário e infeliz por ter perdido a mulher de seus sonhos, a bela Helena (Alinne Moraes), há 20 anos em uma festa da faculdade.
Quando João desenvolve um conversor de partículas a fim de criar uma nova fonte de energia, ele, acidentalmente, acaba inventando uma máquina do tempo e retorna a 22 de novembro de 1991, o dia em que foi humilhado diante de toda a faculdade durante uma festa e ganhou o apelido de Zero. O que realmente aconteceu naquela noite só vai ser revelado no final, mas foi o que tornou João um completo fracassado.
Ele vê ali a chance de mudar sua vida e criar um futuro perfeito ao lado de Helena ao mudar algumas ações de quando ele tinha 20 e poucos anos. Mas João acaba estragando tudo e, em um futuro paralelo, ele é um empresário de sucesso, sem escrúpulos e que arruinou a vida de Helena. Ele decide então retornar ao passado novamente e desfazer a confusão.
Não saber o que realmente aconteceu naquela noite cria um clima de expectativa crescente, em um trama que alterna presente e passado. O dia da festa à fantasia rende figurinos bizarros e engraçados, além de um dos pontos mais fortes do filme: a capacidade de remeter de forma crível ao início da década de 1990. E contribui muito para isso a trilha sonora (de Luca Raele e Maurício Tagliari) que traz hinos da geração (com músicas como Tempo Perdido, do Legião Urbana, e Creep, do Radiohead, na voz dos próprios Wagner e Aline), além das recorrentes citações à década de 1990, que geram piadas tanto com as leis de hoje quanto com a tecnologia da época.
A motivação de João é o amor e a essência da história. Mas a ficção científica está lá, usando o clichê do elemento máquina do tempo que, neste sentido, não fica atrás das produções norte-americanas. Os efeitos especiais são comedidos e a máquina e o laboratório de física são elementos cênicos muito bem construídos.
Se Wagner se mostra mais uma vez capaz de interpretar diferentes papéis, Alinne Moraes vai crescendo durante o filme e também ganha destaque. A dupla de protagonistas domina as cenas, ao contrário de atores secundários como Gabriel Braga Nunes e Fernando Ceylão, que criam personagens superficiais.
O grande ganho do filme é não se preocupar em explicar exatamente como acontece a volta no tempo, nem elucidar o espectador com grandes detalhes de física _ jogando a culpa dos problemas sempre num chamado "paradoxo quântico". Se Cláudio Torres tentasse se aprofundar na ficção científica, talvez o filme acabaria se perdendo.
Pela primeira vez a Globo Filmes, a Conspiração e a Paramount se uniram para produzir e lançar um filme. O Homem do Futuro já nasce com ares de blockbuster e também como uma das melhores apostas do cinema brasileiro do ano.










