
As previsões sobre o Oscar deste ano acertaram em quase todos os alvos. Poucas surpresas foram registradas na noite de gala do cinema de Hollywood. E mesmo elas nãos foram desagradáveis.
Como poucas vezes antes na história da premiação, não podemos apontar para escolhas injustas. Pelo contrário. O Oscar, como a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood tem cuidado de fazer, nos últimos anos, reinventou-se mais uma vez.
A premiação foi, claramente, uma homenagem à arte de fazer filmes. A Academia olhou para o passado. Fez homenagens a ele. Mas olhou para o presente e o futuro.
Prova disso é que premiou, com quantidade igual de estatuetas, O Artista e A Invenção de Hugo Cabret. Os dois receberam cinco estatuetas, cada. Mas como havia sido cantado nas bolsas de apostas e nas premiações mundo afora, O Artista levou a melhor abocanhando os prêmios principais da noite.
O filme dirigido por Martin Scorsese e a produção conduzida por Michel Hazanavicius merecem aplausos. E os receberam. Mas apesar do virtuosismo e da invenção de ser o melhor filme 3D já feito - nas palavras de James Cameron - Hugo não era a melhor produção em disputa.
O Artista retoma a essência da Sétima Arte, rende homenagem a vários ícones do cinema mas, mais que isso, plasma aquilo que Hollywood vem fazendo nos últimos anos: a vontade de reinventar-se. A ousadia de largar para trás aquela que se considerava a fórmula certa de fazer as coisas para abraçar a nova realidade. Porque o tempo não para. Ele é imutável. E é preciso aprender com ele. O Artista trata disso.
Fora os dois filmes, que dividiram 10 dos principais prêmios deste ano, o destaque da noite foi o terceiro Oscar recebido pela atriz Meryl Streep - 17 vezes indicadas na premiação. Também foi bacana ver dois estrangeiros ganhando em categorias principais - o diretor Michel Hazanavicius e o ator Jean Dujardin.
Merece menção ainda o Oscar recebido por Woody Allen, único ausente da premiação - ele ganhou na categoria Melhor Roteiro Original.
O Brasil perdeu a disputa na melhor chance que já teve no Oscar. Desta vez, tínhamos 50% de chance de ganhar na categoria de Melhor Canção Original - afinal, só havia um outro concorrente. E ainda assim, perdemos. Paciência. Um dia teremos cacife para embolsar uma estatueta.
Veja, a seguir, a lista completa dos vencedores da 84ª festa do cinema de Hollywood:
Melhor Filme: O Artista.
Melhor Diretor: Michel Hazanavicius, de O Artista.
Melhor Atriz: Meryl Streep, de A Dama de Ferro.
Melhor Ator: Jean Dujardin, de O Artista.
Melhor Atriz Coadjuvante: Octavia Spencer, de Histórias Cruzadas.
Melhor Ator Coadjuvante: Christopher Plummer, de Toda Forma de Amor.
Melhor Roteiro Original: Meia-Noite em Paris.
Melhor Roteiro Adaptado: Os Descendentes.
Melhor Filme em Língua Estrangeira: A Separação.
Melhor Animação: Rango.
Melhor Documentário: Undefeated.
Melhor Direção de Fotografia: A Invenção de Hugo Cabret.
Melhor Direção de Arte: A Invenção de Hugo Cabret.
Melhor Figurino: O Artista.
Melhor Maquiagem: A Dama de Ferro.
Melhor Edição: Millennium - Os Homens Que Não Amavam as Mulheres.
Melhor Edição de Som: A Invenção de Hugo Cabret.
Melhor Mixagem de Som: A Invenção de Hugo Cabret.
Melhores Efeitos Visuais: A Invenção de Hugo Cabret.
Melhor Trilha Sonora: O Artista.
Melhor Canção Original: Man or Muppet, de Os Muppets.
Melhor Curta-metragem: The Shore.
Melhor Curta-metragem Documentário: Saving Face.
Melhor Curta-metragem de Animação: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore.
E se você quiser saber como foi o tapete vermelho, antes da cerimônia do Oscar começar, e todas as entregas de prêmios, leia o post abaixo. Ele foi publicado enquanto os eventos iam ocorrendo.