Pular a barra do clicRBS e ir direto para o cabeçalho.
 

"Área Q" retrata alienígenas de maneira espiritualista

13 de abril de 2012 0

Estreando hoje, Área Q, dirigido por Gerson Sanginitto, é um filme que pode conquistar dois públicos em sua passagem pelas salas de cinema do país. O primeiro é o público do gênero ficção científica, com seu roteiro no melhor estilo Arquivo X. O segundo, por incrível que pareça, é o dos filmes espiritualistas, que têm feito sucesso nas salas de exibição brasileiras.

A ideia principal do filme, assistimos há décadas e retorna com frequência: a de que não estamos sozinhos no Universo. Seres evoluídos visitam o planeta e estão por trás de desaparecimentos registrados em todo o mundo.

Viúvo, Thomas Mathews (interpretado pelo norte-americano Isaiah Washington, do seriado Grey’s Anatomy e dos filmes Romeu Deve Morrer, Irmãos de Sangue e Crime Verdadeiro) é um jornalista premiado, cuja vida sofre um grande abalo com o desaparecimento do filho. Deprimido, confuso e com a carreira profissional se desmanchando, recebe uma proposta para voltar ao trabalho – é enviado por uma revista para o Ceará, onde vai investigar aparições de Objetos Voadores Não Identificados nas cidades de Quixadá e Quixeramobim. Por conta da primeira letra dos nomes, o território é conhecido como a Área Q.

Com o auxílio do guia e tradutor Eliosvaldo (Ricardo Conti), Thomas vai conhecendo aos poucos a população e as inacreditáveis histórias que todos parecem ter para contar. A mais impressionante é a do sertanejo João Batista (Murilo Rosa) que foi abduzido não uma, mas duas vezes. Desaparecido, ele aparece em visões para os moradores da região.

– Eliosvaldo e Thomas são uma dupla insólita. Vão visitando as pessoas que teriam tido contato com os seres espaciais, e ficam no meio daquele jogo: é verdade ou encenação? – adianta Conti.

O ator esteve em Florianópolis há 10 dias, com o produtor Halder Gomes, para a pré-estreia do filme, promovida no Cinespaço Beiramar.

Filme contém temas caros aos espiritualistas

A geografia de Quixadá, arenosa e com suas curiosas formações rochosas, é a pista para que o jornalista comece a acreditar que as aparições têm conexões com o sumiço do filho, ocorrido em Los Angeles (EUA). O filme conta com outra personagem intrigante, a repórter Valquiria (Tania Khalill). Ela tenta convencer Mathews de que as aparições são encenadas.

A trama é comum, mas o que se mostra interessante é a diferença de abordagem. A presença do extraordinário não se dá com os seres e os efeitos espetaculares de Hollywood, mas de maneira mais sutil. Os extraterrestres de Área Q preferem sugerir que existem mais como uma força sobre-humana do que como indivíduos. Os efeitos especiais de Mauro Ramos são simples, mas de eficiência admirável – tanto que acabaram destacados pelo produtor Halder Gomes.

– Não é dos monstros de Hollywood que tratamos, mas de seres superiores. Não levantamos nenhuma bandeira, mas é um filme humanista, que trabalha a questão da espiritualidade e passa uma mensagem – explica Halder, que foi codiretor de As Mães de Chico Xavier.

A obra trata de outras questões caras aos espiritualistas, como cura, sonhos e reencarnação.

Há falhas visíveis no roteiro, parte delas fruto da pressa para fazer um filme com orçamento curto (segundo Gomes, não passou de R$ 3,5 milhões). Mas há locações exóticas – os monólitos da região são um dos destaques – e uma capacidade de abordar com leveza um tema nem sempre fácil e agradável: o sobrenatural.


Bookmark and Share

Envie seu Comentário