Os Prêmios Goya, na Espanha, e o Festival de Berlim, na Alemanha, não tem o apelo popular mundo afora como o Oscar, festa maior da indústria cinematográfica de Hollywood badalada pelas celebridades. Mas as duas premiações, com características muito peculiares, servem de termômetro para o espectador encontrar bons filmes.
Neste ano, os Prêmios Goya foram entregues mais tarde do que em edições anteriores, quando os vencedores da disputa eram conhecidos mais no início de fevereiro. A 26ª edição da maior premiação do cinema espanhol foi promovida em Madri e revelou algumas das produções mais interessantes da última temporada do cinema latino.
A grande vencedora deste ano foi a produção No Habrá Paz Para Los Malvados, dirigida por Enrique Urbizu, cineasta nascido em Bilbao. Indicado em 14 categorias, o filme ganhou em seis: melhor filme, diretor, ator (Jose Coronado), roteiro original, edição e som.
O filme, ambientado em Madri, conta a história de um dia qualquer na vida do investigador policial Santos Trinidad (Coronado). Voltando para casa bêbado, ele se vê envolvido em um triplo assassinato. Para o "azar" do policial, há uma testemunha dos crimes. Ele então começa a empreender uma caçada para eliminar esta pessoa que pode prejudicá-lo. Enquanto isso, a juíza Chacón (Helena Miguel) começa a investigar o caso e aproximar-se da verdade.
Filme de ação, ambientado na capital espanhola e que, na disputa com La Piel que Habito, de Pedro Almodóvar, levou a melhor? No Habrá Paz Para Los Malvados merece ser conferido.
Falando no filme de Almodóvar, La Piel Que Habito saiu vencedor em duas categorias: Melhor Atriz, com a consagração de Elena Anaya, e Ator Revelação, entregue para Jan Cornet, sem dúvida um dos pontos fortes do filme. O veterano Lluis Homar ganhou como Melhor Ator Coadjuvante por seu papel em Eva, e Ana Wagener venceu como Atriz Coadjuvante por La Voz Dormida. O mesmo filme que premiou Wagener consagrou também María León como Atriz Revelação.
O diretor Kike Maíllo, de Eva, ganhou como Novo Diretor. O filme de animação Arrugas, dirigido por Ignacio Ferreras, saiu vencedor na categoria Melhor Roteiro Adaptado, deixando para trás a badalada produção La Piel Que Habito. A mesma produção saiu vencedora também na categoria Melhor Animação.
O Artista, um dos filmes mais consagrados dos últimos anos, saiu vencedor na categoria Filme Europeu. O argentino Um Conto Chinês, com o sempre ótimo Ricardo Darín, consagrou-se como Melhor Filme Hispanoamericano.
No mesmo mês em que o polêmico juiz Baltasar Garzón foi proibido de exercer suas funções durante 11 anos, o documentário Escuchando al Juez Garzón, dirigido pela talentosa Isabel Coixet, foi consagrado como Melhor Documentário nos Prêmios Goya. Um tópico a mais para polêmica na Espanha. Falando em polêmica, os seguranças do prêmio agiram rápido e impediram que três participantes do grupo Anonymous subissem ao palco para protestar contra a Lei Sinde, que prevê o controle de sites na internet utilizados para o compartilhamento de arquivos. Eles não conseguiram protestar sobre o palco com suas máscaras, mas o grupo teria tirado o site do prêmio do ar. Veja todos os premiados em Madri neste link.
No mesmo dia em que foram entregues os Prêmios Goya, na Espanha, ficaram conhecidos os ganhadores do Festival de Berlim, principal premiação do cinema na Alemanha. Diferente dos Goya, que focam o cinema espanhol comercial em primeiro plano, o Festival de Berlim tem como característica principal selecionar produções com um caráter mais alternativo de várias partes do mundo.
Este ano, mais uma vez, o Festival de Berlim distribuiu prêmios para várias de suas produções mais badaladas - dificilmente o evento concentra muitos prêmios para uma única produção, como acontece no Goya ou no Oscar.
O Urso de Ouro de Melhor Filme foi entregue para Cesare Deve Morire, dos italianos Paolo e Vittorio Taviani. A produção acompanha a encenação da peça Julio César, de Shakespeare, por detentos de uma prisão de segurança máxima de Roma. Este foi o único prêmio recebido pelo filme em Berlim.
O Grande Prêmio do Júri foi entregue para Just the Wind, do diretor húngaro Bence Fliegauf, que acompanha a vida de uma família de ciganos, vizinha de uma outra família, da mesma etnia, que foi atacada. A ótima diretora francesa Ursula Meier, de Home, ganhou uma Menção Especial por seu novo filme L'Enfant d'en Haut que, a exemplo de sua produção anterior, também está focado nas relações familiares.
O Urso de Prata de Melhor Diretor foi entregue para o alemão Christian Petzold, do filme Barbara. A produção conta a história de uma médica de Berlim que é enviada para uma pequena cidade da Alemanha Oriental nos anos 1980 como punição por ter solicitado uma visita à parte Ocidental do país. Vários filmes que valem uma conferida.
O Brasil marcou presença entre os premiados de duas maneiras diferentes. Primeiro, com a produção Tabu, realizada pelo português Miguel Gomes com recursos de Portugal, Alemanha, França e Brasil. O filme, que dividiu as opiniões dos jornalistas que acompanharam o festival, ganhou o Prêmio Alfred Bauer, entregue para produções inovadoras. O documentário brasileiro Licuri Surf, dirigido por Guile Martins, recebeu uma menção especial do Júri Internacional da mostra competitiva de curtas-metragens. Veja a lista completa de ganhadores escolhidos pelos diferentes grupos de jurados no site do festival.