Na estratégia dos grandes estúdios de Hollywood, nada é por acidente. Cada movimento é bem planejado. Dito isso, vamos ao novo - o terceiro - trailer do aguardado Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises):
E por que o comentário anterior, de que nada em Hollywood ocorre por acidente?
Elementar, caros leitores. A DC Entertainment e a Warner Bros. Pictures, junto com as produtoras Legendary e Syncopy, lançaram este novo trailer do aguardado filme do maior herói da DC Comics, o Batman, justamente alguns dias antes de Os Vingadores estrear nos Estados Unidos. Espertos.
A história do novo filme estrelado por Batman promete porque fecha o ciclo dirigido e escrito por Christopher Nolan e iniciado com Batman Begins em 2005.
Esta trilogia, que teve, na sequência, o premiado e elogiado Batman - O Cavaleiro das Trevas (2008) e, agora, O Cavaleiro das Trevas Ressurge, foi a mais bem-sucedida do herói das HQs.
Primeiro, pelos filmes anteriores terem sido indicados e, no caso de O Cavaleiro das Trevas, vencedor de estatuetas do Oscar.
Depois, pelas bilheterias. Batman Begins, que teria custado cerca de US$ 150 milhões, faturou pouco mais de US$ 205,3 milhões apenas nos Estados Unidos. O resultado ficou um pouco abaixo do Batman de 1989, que faturou US$ 251,2 milhões. A segunda parte da trilogia, Batman - O Cavaleiro das Trevas, custou aproximadamente US$ 185 milhões e conseguiu, apenas nos Estados Unidos, pouco mais de US$ 533,3 milhões.
Este novo filme estrelado por Batman será o sétimo da grife. E tem tudo para tornar-se a melhor bilheteria do herói nos cinemas - especialmente após o êxito do filme anterior. Saberemos se essa aposta está certa a partir do dia 27 de julho, quando o novo filme de Batman deverá estrear nos cinemas.
A história de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge se passa em Gotham City oito anos depois do herói ter vencido o vilão Duas Caras. Desta vez, ele terá que enfrentar a a Bane (Tom Hardy) e ao supervilão Ra's Al Ghul (Liam Neeson). No elenco, além do inevitável Christian Bale, estão Joseph Gordon-Levit (como o agente John Blake), Anne Hathaway (Selina Kyle, identidade civil da Mulher-Gato), Gary Oldman (o comissário Jim Gordon), Marion Cotillard (como Miranda Tate, executiva da Wayne Enterprises), Morgan Freeman (o administrador Lucius Fox), Juno Temple (Holly Robinson), Michael Caine (o mordomo Alfred Pennyworth), entre outros.
Se você é fã do herói mascarado, confira os outros dois trailers divulgados até o momento deste novo filme:
Você sabe o que esperar de um thriller. Suspense, perseguições, adrenalina e alguma surpresa espalhada aqui e ali. 12 Horas (Gone), primeiro filme do brasileiro Heitor Dhalia feito em Hollywood, não escapa da fórmula. Pelo contrário. Segundo o próprio diretor, ele foi feito como mais um produto do gênero. Mesmo que Dhalia tenha seguido ordens e faça um bom trabalho, o problema de 12 Horas é o roteiro. Querendo brincar com lugares-comum, mas sem fazer muita graça, este filme apenas parece uma desculpa para fazer dinheiro. Previsto inicialmente para ser lançado no dia 6 de abril, hoje a assessoria da Paris Filme, distribuidora do filme no Brasil, confirmou que ele será lançado no dia 20 do próximo mês.
A HISTÓRIA: Uma garota, Jill (Amanda Seyfried) caminha por um bosque. Ela tem um mapa nas mãos. A câmera mostra ela riscando mais uma parte percorrida do imenso Forest Park. Vemos que ela percorreu, mais ou menos, metade do território. Ela volta para o carro, e vai para casa. Ela toma um banho, e fala com a irmã, Molly (Emily Wickersham), que está estudando para um exame. A irmã desaprova a ida de Jill ao bosque. Por sua vez, Jill fala algo sobre bebida que nos deixa pensar sobre problemas que a garota pode ter com as bebidas. Molly fala sobre elas saírem em um encontro no final de semana, mas Jill não parece gostar muito da ideia.
Depois, vemos cenas dela lutando com alguém, em uma espécie de pesadelo. Ela vai trabalhar como garçonete com o carro da irmã. Depois do expediente, volta para casa e encontra as coisas da irmã fora do lugar - a cama desarrumada, os livros e papéis que ela estava estudando bagunçados. Ela se desespera, porque acha que Molly foi sequestrada pelo homem que a tinha atacado alguns anos antes. A partir daí, ela empreende uma busca para saber o que aconteceu com Molly.
VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a 12 Horas): Honestamente, eu esperava um filme pior. Isso não quer dizer que 12 Horas seja bom. Mas como o blog Sala de Cinema foi convidado para o lançamento do filme, me interessei em saber o que a crítica internacional estava falando da produção. E não era muita coisa boa.
Então fui para São Paulo preparada para assistir a uma bomba. E, no final das contas, até que não achei 12 Horas tão ruim quanto os críticos estrangeiros haviam falado. Para início de conversa, como eu disse antes, algo que as pessoas precisam entender é que este filme é totalmente uma produção de gênero. Então sim, você terá a busca clássica por momentos de tensão, pelo suspense e a expectativa de reviravoltas. Como um thriller exige, há também muitas cenas de perseguição, e alguns personagens que podem mostrar-se culpados.
Gostei da direção de Heitor Dhalia. Acho que ele soube utilizar muito bem os recursos que teve à sua disposição. Tecnicamente falando, é um filme bem acabado. Dhalia utiliza muitos recursos de panorâmicas e mantêm a atenção quase todo o tempo nos olhões azuis de Amanda Seyfried. Esses são os seus acertos. Os principais problemas de Gone não residem na direção de Dhalia, mas no roteiro de Allison Burnett.
Li nas notas de produção de 12 Horas que Burnett comentou que escreveu este roteiro praticamente a toque de caixa. Ou seja, que não foi um trabalho que exigiu muito do roteirista. Isso fica evidente. Ele utiliza a velha premissa da "moça traumatizada que parece um tanto desequilibrada e em quem ninguém acredita" como protagonista. A sanidade mental de Jill é um dos elementos fortes do filme. Isso seria interessante, e poderia dar caldo, se fosse explorado de outra forma. (SPOILER - não leia se você não assistiu ao filme). Porque Burnett explora esse possível desequilíbrio de duas formas: mostrando que Jill tomava remédios de uso controlado e que já tinha sido internada em uma instituição psiquiátrica e com ela inventando uma história nova para cada pessoa que ia encontrando na busca pela irmã. (continua... para ler, clique abaixo)
Depois de tratarmos dos novos projetos de alguns dos diretores responsáveis por parte dos grandes filmes da década de 1980, agora é a vez de falarmos dos cineastas dos anos 1990. Como são muitos os nomes de destaque, vamos dividir essa repassada em mais de uma parte. Começando pelos seguintes:
Tim Burton: um bom nome para começar a segunda parte desta lista. Indicado a um Oscar pelo filme de animação A Noiva Cadáver e vencedor de 11 prêmios na carreira. O diretor está finalizando dois filmes: Sombras da Noite e Frankenweenie. O primeiro, com previsão para ser lançado em junho, conta a história de um vampiro, Barnabas Collins, que consegue libertar-se após vários anos de reclusão e, ao voltar para casa, encontra os seus descendentes em apuros. No elenco, Johnny Depp como protagonista, Eva Green, Michelle Pfeiffer, Chlöe Grace Moretz, Helena Bonham Carter, Jonny Lee Miller, Christopher Lee, entre outros. O filme de animação Frankenweenie, que fala sobre um garoto que ressuscita o cãozinho de estimação depois que ele morre, tem previsão de estrear em novembro.
David Cronenberg: diretor vencedor de 63 prêmios, este canadense responsável por sucessos como A Mosca, Crash - Estranhos Prazeres, Marcas da Violência e Senhores do Crime está trabalhando na finalização de Cosmópolis. O filme, com previsão para estrear em agosto, conta a história de um bilionário de 28 anos que cruza Manhattan atrás de um determinado corte de cabelo. A tarefa, aparentemente simples, se transforma em uma odisseia devido às pessoas diferentes que ele vai encontrando pelo caminho - e modificando a sua realidade. O filme promete especialmente porque o protagonista é interpretado por Robert Pattinson, um dos novos queridinhos da América. Outros nomes poderosos fazem parte do elenco: Samantha Morton, Paul Giamatti, Juliette Binoche, Mathieu Amalric, Jay Baruchel, Sarah Gadon, entre outros.
Gus Van Sant: indicado a dois Oscar's, o diretor vencedor de 32 prêmios na carreira e responsável pelos cultuados Garotos de Programa, Um Sonho sem Limites e Gênio Indomável, todos lançados na década de 1990, está trabalhando na pré-produção do drama Promised Land. O filme conta como um vendedor muda de vida após chegar a uma pequena cidade. No elenco, Matt Damon, John Krasinski, Frances McDormand, Rosemarie DeWitt, Hal Holbrock, entre outros.
James Cameron: depois de lançar este mês a versão 3D do clássico Titanic, o diretor responsável pelas duas maiores bilheterias da história preparou para a TV o documentário Titanic: Final Word with James Cameron. No filme, com duas horas de duração, o diretor reúne engenheiros, arquitetos e historiadores para que eles falem sobre as razões que fizeram o transatlântico afundar há um século. A base para as novas conclusões está fundada na tecnologia desenvolvida após o filme de 1997 de Cameron ter sido filmado. Os próximos projetos do diretor estão apenas anunciados, mas não começaram a ser rodados: Battle Angel, um filme de ação e ficção científica orçado em US$ 200 milhões e ambientado no século 26; e duas sequências para Avatar. Nenhum deles tem data de estreia ainda.
Jonathan Demme: diretor premiado com um Oscar pelo filme O Silêncio dos Inocentes, que marcou o início dos anos 1990 e recebeu, no total, cinco estatuetas, Demme está trabalhando na pós-produção do documentário Enzo Avitabile Crossing Borders, focado na história do saxofonista e compositor italiano. O filme deverá ser lançado ainda este ano. Depois, o diretor vai trabalhar nas produções Wally and Andre Shoot Ibsen, um drama sem nenhum grande astro confirmado no elenco e programado para estrear em 2013, e Zeitoun, uma produção interessante, de animação, ambientada na Nova Orleans pós-Katrina onde um empreiteiro sírio ajuda nos esforços de resgate enquanto figura como suspeito de terrorismo. Zeitoun tem estreia prevista para 2014. As duas produções estão em fase de pré-produção.
Baz Luhrmann: indicado a um Oscar como produtor do musical Moulin Rouge - Amor em Vermelho, o diretor volta a lançar um novo filme depois de quatro anos. Antes, entre Moulin Rouge e Austrália, ele chegou a ficar sete anos sem lançar um novo projeto. Agora, ele está trabalhando na pós-produção de The Great Gatsby, inspirado na obra clássica de F. Scott Fitzgerald. O filme é uma grande produção, que teria consumido cerca de US$ 127 milhões, e é estrelado por Leonardo DiCaprio, que interpreta a Jay Gatsby; Carey Mulligan, no papel de Daisy Buchanan; e Tobey Maguire como Nick Carraway. O roteiro é assinado por Luhrmann e Craig Pearce. A produção deve estrear este ano nos Estados Unidos e em janeiro de 2013 no Brasil.
Quentin Tarantino: o diretor mais marcante dos anos 1990 tem dois projetos no horizonte. Fenômeno de público e crítica, autor cultuado por Cães de Aluguel (de 1992), Pulp Fiction - Tempo de Violência (1994) e Jackie Brown (1997), para falar apenas dos filmes de duas décadas atrás ou com 15 anos de história, Tarantino está filmando Django Unchained, um drama western com um elenco fantástico. A história promete: um caçador de escravos, ajudado por seu mentor, tenta resgatar a esposa de um proprietário de terras conhecido pela brutalidade no Mississippi. Alguém tem alguma dúvida que haverá muita pancadaria, morte e sangue na telona? No elenco, Leonardo DiCaprio (outra vez ele), Samuel L. Jackson, Sacha Baron Cohen, Kurt Russell, Christoph Waltz, Jamie Foxx, Kerry Washington, Don Johnson, RZA, entre outros. Direção e roteiro de Tarantino. Depois, o diretor trabalharia em Kill Bill: Vol. 3, produção anunciada, mas ainda sem data de estreia ou elenco definidos.
O fenômeno voltou mostrando fôlego. Titanic, na versão 3D, não conseguiu desbancar Jogos Vorazes da liderança das bilheterias nos Estados Unidos, mas registrou um belo resultado.
No primeiro final de semana em cartaz, a produção de James Cameron conseguiu US$ 17,35 milhões nos Estados Unidos. Menos que a estreia American Pie: O Reencontro, sequência dos filmes de comédia estrelados por Jason Biggs, e que o primeiro blockbuster do ano, Jogos Vorazes, que continua em primeiro lugar nas bilheterias e arrecadou mais US$ 33,5 milhões no final de semana.
O desempenho de Titanic, produção lançada em 2D há quase 15 anos e que continua sendo o segundo filme com maior bilheteria da história, não é nada desprezível.
Desde que estreou nos Estados Unidos, na quarta-feira da semana passada em circuito restrito, Titanic 3D faturou cerca de US$ 25,71 milhões nas bilheterias. Cinco dias do filme em cartaz já pagaram o investimento de James Cameron - de cerca de US$ 18 milhões - na transformação do material original em 3D.
Esse bom começo é um sinal importante de que o filme se dará muito bem nas bilheterias dos diferentes mercados.
O desempenho de cinco dias já colocaram Titanic em quinto lugar entre os filmes feitos originalmente em 2D e que depois foram relançados em 3D.
Com US$ 25,71 milhões nos Estados Unidos, ele fica atrás apenas de Toy Story/Toy Story 3D (e que faturou US$ 30,7 milhões), Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma 3D (US$ 43,28 milhões), A Bela e a Fera 3D (US$ 47,41 milhões) e de O Rei Leão 3D (US$ 94,24 milhões). Mas tem grandes chances de superá-los nas próximas semanas.
Estes números mostram como o drama do naufrágio do transatlântico, que esta semana completa um século e, principalmente, o romance entre Jack e Rosie, interpretados por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, continua fascinando o grande público.
A crença de que valeria retomar esta história no cinema agora, 15 anos depois de sua estreia original, atingindo fãs do drama histórico e também um público jovem que não teve acesso ao filme de 1997, foi mais uma aposta acertada de James Cameron.
Segunda melhor bilheteria da história, fenômeno que levou multidões a chorar e assistir ao mesmo enredo repetidas vezes antes de surgirem na telona os filmes de Harry Potter e Crepúsculo, Titanic volta para os cinemas a partir de hoje. E repaginado.
O retorno da história de amor entre Rose e Jack não acontece em um momento qualquer. O filme completa 15 anos do lançamento inicial (feito em dezembro de 1997), e reestreia uma semana antes do centenário do naufrágio do transatlântico que era considerado indestrutível.
Titanic é uma grande produção em todos os sentidos. Primeiro, por resgatar um dos maiores desastres da história. Depois, por ter 3h14min de duração, ter consumido cerca de US$ 200 milhões e faturado 11 Oscar's.
Superlativo também foi o faturamento do filme: Titanic conseguiu US$ 600,8 milhões nos Estados Unidos e outros US$ 1,24 bilhões no restante do mundo. No total, R$ 1,84 bilhões - mais de nove vezes o custo para ser produzido.
Com estes números, Titanic tornou-se a maior bilheteria de todos os tempos em 1997. Ele só seria superado em 2009 por outro filme dirigido por James Cameron: Avatar.
A produção, ambientada em Pandora, faturou pouco mais de US$ 760,5 milhões nos Estados Unidos e outros US$ 2 bilhões nos outros mercados mundo afora. No total, US$ 2,78 bilhões. Mas como o filme custou mais que Titanic, certamente o lucro dele não chegou a ser tão grande quanto o filme de Jack e Rosie.
James Cameron repaginou Titanic para o formato 3D. Segundo a crítica Claudia Puig, do USA Today, os cenáriso estonteantes e os momentos de tensão da produção original ficaram ainda mais espetaculares com o recurso 3D. "Ao contrário de muitos filmes 3D que são escuros, as imagens do Titanic são mais nítidas, e a inundação quase vertical e a quebra do transatlântico em dois após o choque com o iceberg é ainda mais angustiante", escreveu.
De acordo com a crítica, as cenas das inundações, assim como o desespero dos ocupantes do Titanic por sobreviver, e a heróica sequência em que Jack salva Rose de pular da borda do transatlântico acabam sendo ressaltados pelos novos efeitos.
O 3D evidencia o "virtuosismo técnico" do diretor, na opinião de Puig, na mesma medida que torna evidente algumas fraquezas do roteiro, da edição e a sobra de certas cenas que não seriam necessárias.
Por outro lado, sequências como a tentativa do transatlântico de desviar do iceberg e as quedas dramáticas que seguem ao choque acabam sendo irritantes - a conversão não resolve os problemas do original, segundo Puig.
Segundo o crítico Peter Howell, do Toronto Star, a repaginada de Titanic para o 3D é um "sucesso absoluto". Ele percebeu isso ao ver um "grande número de espectadores" chorando durante e após a pré-estreia do filme, o que comprovaria o "impacto duradouro do romance" entre Rose e Jack.
James Cameron teria gasto US$ 18 milhões e 60 semanas para transformar o Titanic original, em 2D, nesta nova versão em 3D. O resultado está em cada segundo do filme, segundo Howell, porque a produção ficou com imagens mais nítidas e iluminadas. A grandiosidade do Titanic é percebida de maneira ainda mais forte pelos espectadores, assim como a sequência em que a câmera gira enquanto a orquestra toca fica mais intensa, a ponto de quase provocar vertigem.
A dúvida é quanto esta nova versão do clássico de James Cameron conseguirá faturar nas bilheterias. Quantas pessoas que já assistiram a este filme repetidas vezes voltarão a encantar-se com a trama, e quantas delas vão chorar, mais uma vez, com aquela história de amor. A partir de hoje, estas perguntas começarão a ser respondidas.
Enquanto Jogos Vorazes, o primeiro blockbuster (arrasa-quarteirão) do ano segue fazendo os concorrentes comerem poeira, a expectativa para o próximo filme que poderá marcar as bilheterias de 2012 segue aumentando.
De olho nos fãs de HQs (histórias em quadrinhos) da Marvel sedentos pelo novo filme, a rede Cinesystem começou a venda antecipada dos ingressos para a estreia, marcada para o dia 27.
Os ingressos podem ser comprados pelo site da rede ou diretamente nas bilheterias. Quem preferir a segunda opção, ganhará um mini-pôster do filme.
Em Santa Catarina, os ingressos antecipados podem ser adquiridos para as sessões programadas para o dia 27 no Shopping Iguatemi, onde serão exibidas duas cópias em 3D do filme - nas versões dublada e legendada.
As primeiras sessões, nas salas 4 e 5, em versão legendada, estão marcadas para as 00h04min. Depois, haverá sessões legendadas às 14h, 16h45min, 19h, 19h30min, 21h45min e 22h15min. As sessões dubladas estão programadas para às 13h30min e 16h15min.
Na compra pelo site, aparece a opção do primeiro horário, às 00h04min, com a cobrança de R$ 20,40 a entrada inteira (R$ 17 o ingresso e mais R$ 3,30 o serviço), R$ 11,80 a meia entrada e para menores de 12 anos.
A expectativa dos fãs da Marvel é que Os Vingadores repita e amplie a fórmula de alguns dos últimos filmes de sucesso da grife. Com a vantagem desta produção reunir a maior tropa de heróis dos HQs em um único filme.
De forma inteligente, a Marvel tem investido - e testado -, desde 2008, produções que focam seus diferentes heróis históricos.
Em 2008, surgiram os filmes Homem de Ferro e O Incrível Hulk. O primeiro, um retumbante sucesso. O segundo, nem tanto - Hulk parece ser um personagem um tanto "amaldiçoado". Em 2011, foi a vez de Thor e Capitão América: O Primeiro Vingador.
Os personagens principais e alguns secundários destes filmes estarão reunidos em Os Vingadores. Além dos heróis que dão nome às produções citadas, fazem parte da turma da aguardada nova produção Loki, Erik Selvig, o agente Phil Coulson e Clint Barton/Gavião Arqueiro (de Thor), Nick Fury, Natasha Romanoff/Viúva Negra e Pepper Potts (Homem de Ferro 2).
Para alimentar ainda mais a expectativa dos fãs, deixamos algumas fotos dos bastidores da produção:
Take para mais uma cena com o Homem de Ferro
O diretor Joss Whedon conversa com Mark Ruffalo, que interpreta Bruce Banner (Hulk)
O diretor Joss Whedon empunhando o escudo do Capitão América
Jeremy Renner reagindo a um ataque como o Gavião Arqueiro
O diretor conversa com Chris Hemsworth, que interpreta a Thor
Joss Whedon dirige Scarlett Johansson, a Viúva Negra
Scarlett Johansson e Jeremy Renner concentrados em cena de ataque duplo
Robert Downey Jr., Joss Whedon, Chris Hemsworth e Chris Evans em um bate-papo animado
OBS DE PÉ DE PÁGINA: Enquanto Os Vingadores e o novo filme do Batman não chegam, Jogos Vorazes segue liderando as bilheterias nos Estados Unidos e firmando-se como o primeiro blockbuster do ano.
Neste último final de semana, as estreias de Fúrias de Titãs 2 e Espelho, Espelho Meu não foram capazes de tirar Jogos Vorazes da liderança das bilheterias.
O filme dirigido por Gary Ross e estrelado por Jennifer Lawrence e Liam Hemsworth teria arrecadado cerca de US$ 61,1 milhões no final de semana. Até agora, em duas semanas em cartaz, o filme teria acumulado pouco mais de US$ 251 milhões.
Um filme com vários clichês pode ser bom? Vai depender de como a história é conduzida, dos atores e, claro, de um roteiro sem nenhum grande absurdo pelo caminho. A Dançarina e o Ladrão (El Baile de la Victoria) foi atacado por parte da crítica internacional por ter muitos clichês. Apesar deles - ou inclusive por eles -, o filme demonstra o talento do espanhol Fernando Trueba em contar uma história sobre as possibilidades que todos deveriam ter de recomeçar a própria vida. Esta produção fala também sobre redenção, a descoberta do amor nos locais mais improváveis e sobre a (parece cada vez mais) difícil arte de sonhar.
A HISTÓRIA: Dois olhos castanhos olham em direção à Cordilheira dos Andes. Algo levanta poeira, ao longe, e a dona dos olhos castanhos parece agitar-se. A câmera sobe até o céu e retorna mostrando a cidade de Santiago do Chile. Uma notícia na rádio informa que o novo governo promulgou uma anistia para os presos do país, libertando todos que tivessem cumprido dois terços de suas penas e que não tivessem sido condenados por assassinato. Entre os que seriam soltos estava uma "lenda do crime", o ladrão especializado em roube de cofres Nicolás Vergara Grey (Ricardo Darín).
Mas a história vai centrar-se mesmo em um anistiado menos conhecido, o jovem Ángel Santiago (Abel Ayala) que, logo que sai da cadeia, encontra a apaixonante Victoria Ponce (Miranda Bodenhofer). A história destes dois e mais a de Vergara Grey será entrelaçada em um conto sobre as mudanças ocorridas no Chile após a ditatura de Pinochet.
VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu ao filme A Dançarina e o Ladrão): Como recomeçar a vida quando todas as portas parecem estar fechadas? Que chances dois ex-presidiários tem de serem respeitados e amados? Estas são duas perguntas levantadas por A Dançarina e o Ladrão. Mas o filme não fala apenas da dificuldade de dois indivíduos em se reerguerem, mas do desafio de toda uma nação para começar a dar os primeiros voos após um longo período de ditadura.
O roteiro do trio formado pelo diretor Fernando Trueba, de Jonás Trueba e de Antonio Skármeta é inspirado na obra homônima do escritor chileno lançada em 2003. Não li o livro de Skármeta, por isso não sei até que ponto o filme segue com fidelidade o original. Mas posso dizer que o diretor e os roteiristas acertaram na dosagem do drama, da comédia e da "aventura" nesta produção.
As histórias paralelas e intercaladas dos personagens de Vergara Grey e de Ángel mantêm o interesse do público até o final. Trueba não se preocupa em acelerar a narrativa, e nem cede ao estilo de um filme policial. Ele prefere equilibrar o drama dos dois ex-presidiários na busca por novas rotas na vida ao mesmo tempo que mostra o lirismo da dança e do talento de uma garota que plasma a dor provocada pela ditadura chilena.
(SPOILER - não leia se você não assistiu ao filme). Não é por acaso e nem forçada a mudez traumática da personagem Victoria. Toda a odisseia envolvendo a garota, que dá título ao filme, na busca por uma oportunidade, de leveza e da própria "voz" resume a própria trajetória do país, que deve buscar os caminhos para encontrar o "gosto" pela vida novamente. Também não é à toa o pulso cicatrizado de Victoria, e o amor que ela sente por um garoto como Ángel. O condor macho do final, símbolo clássico da liberdade, também não aparece por acidente.
Aliás, cada parte de A Dançarina e o Ladrão é bem planejado. Eis um filme inteligente, e que não pensa duas vezes em abrir espaço para cenas plasticamente bonitas. Alguns podem ficar irritados quando Ángel sai cavalgando pela cidade. Eu achei lindo. E a reação das pessoas enquanto ele passava, de espanto e resistência, mostra como ninguém hoje parece estar aberto para o inusitado e para as belas surpresas que a vida pode nos trazer - ainda mais em cenários de dureza, como os dos centros urbanos.
Depois, claro, há uma explicação para o apreço de Ángel por aquele cavalo. Algo até dispensável - a explicação, me refiro. Mas que pode agradar às pessoas que precisam sempre de uma saída lógica para tudo que veem pela frente. O trio de protagonistas luta por uma oportunidade. E por suas próprias paixões.
Vergara Grey tem frustrado o sonho de resgatar o afeto familiar. E o que fazer quando o que você mais queria retomar não existe mais? Para alguns, isso pode significar o fim da linha. Mas a história de amor até certo ponto pueril de Ángel e Victoria faz o veterano ícone da bandidagem rever a sua própria história, quando ela ainda não estava falida. (continua... para ler, clique abaixo)
Logo mais, teremos um novo filme do Batman estreando nos cinemas - Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge tem previsão de estrar em julho. Mas enquanto ele não surge, o primeiro blockbuster (arrasa-quarteirão) do ano surgiu com uma levada na medida para agradar aos fãs de Harry Potter.
Jogos Vorazes (The Hunger Games) mostrou, mais uma vez, que os filmes de fantasia são os que interessam para o público dos Estados Unidos - e, por contaminação, para as audiências do restante do globo.
A produção, que estreou sexta-feira, conseguiu impressionantes US$ 155 milhões nas bilheterias dos Estados Unidos até domingo. Esta foi a terceira melhor estreia da história.
Adivinhem atrás de quem Jogos Vorazes ficou?
O campeão na arrecadação das bilheterias em um final de semana de todos os tempos foi o filme Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2, que estreou em 2011 e faturou, nos três primeiros dias em cartaz, quase US$ 169,2 milhões.
O segundo colocado como arrasa-quarteirão foi Batman - O Cavaleiro das Trevas, que estreou em 2008 e faturou, no primeiro final de semana em cartaz nos Estados Unidos, pouco mais de US$ 158,4 milhões.
A atriz Jennifer Lawrence, indicada ao Oscar por Inverno da Alma, é a protagonista de Jogos Vorazes
Jogos Vorazes não custou barato. As estimativas é que as produtoras Lionsgate, Ludas, Color Force e Larger Than Life tenham gasto aproximadamente US$ 100 milhões. Mas pelo andar da carruagem, o filme deverá lucrar mais que o dobro do que custou.
Enquanto o filme dirigido por Gary Ross (de Seabiscuit - Alma de Herói e A Vida em Preto e Branco) e estrelado por Jennifer Lawrence, Liam Hemsworth, Stanley Tucci, entre outros, faz todo esse sucesso, a produção John Carter - Entre Dois Mundos, da Disney, revela-se um dos grandes fracassos do ano. Alguns ousam dizer, de todos os tempos.
O filme, que teria custado cerca de US$ 250 milhões - uma vez e meia mais que Jogos Vorazes -, arrecadou pouco mais de US$ 62,3 milhões desde que estreou, no dia 9 de março. Ruim, muito ruim.
Jennifer Lawrence empunha uma das armas utilizadas na disputa entre jovens mostrada pelo filme
Jogos Vorazes é uma adaptação do best-seller homônimo de Suzanne Collins, lançado nos Estados Unidos em 2008, primeira parte de uma trilogia. A história se passa em um mundo pós-apocalíptico dividido em 12 distritos e que promove, todos os anos, um jogo mortal com jovens que é transmitido pela TV.
Com os US$ 155 milhões arrecadados no último final de semana, Jogos Vorazes desbancou as bilheterias de estreia de filmes como Homem-Aranha 3 (US$ 151,1 milhões), A Saga Crepúsculo: Lua Nova (US$ 142,8 milhões), A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 1 (US$ 138,1 milhões), Piratas do Caribe: O Baú da Morte (US$ 135,6 milhões), Homem de Ferro 2 (US$ 128,1 milhões), Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1 (US$ 125 milhões) e Shrek Terceiro (US$ 121,6 milhões).
O que todos eles tem em comum? Uma forte carga de fantasia e pouca relação com o "mundo real", ou dramas mais realísticos, pelo menos. Sinal que as pessoas, cada vez mais, procuram o cinema para se divertirem e sonharem.
O lançamento do filme 12 Horas (Gone) na última terça-feira, em São Paulo, produção que marca a estreia do brasileiro Heitor Dhalia em Hollywood, foi marcada por longos discursos do diretor.
Falante e apreciador do hábito de pontuar sua fala com referências variadas, Dhalia justificou porque não conseguiu imprimir a sua marca nesta nova produção.
Conhecido por um cinema autoral, Dhalia comparou o seu novo trabalho com o de um matador de aluguel, que sente algum prazer em apertar o gatilho, mas que não tem o mesmo gozo que um serial killer.
Segundo ele, o caminho para 12 Horas começou em 2004, quando o primeiro filme do diretor (Nina) foi premiado no Festival de Moscou e o também diretor André Ristum, amigo de Dhalia e finalizador da produção, foi procurado por agentes que representam artistas da área de Moscou e de Los Angeles.
"Naquela época, eu pensei: vou conquistar, ao mesmo tempo, a União Soviética e os Estados Unidos. Em uma tacada só", contou Dhalia.
O diretor resolveu viajar para Los Angeles, para fazer o primeiro contato com os representantes, e sentiu que não avançaria nos Estados Unidos porque não sabia falar inglês.
Voltando para o Brasil, ele começou um curso intensivo, estudando o idioma por seis dias na semana. Na sequência, ele iniciou os estudos de dramaturgia, que prosseguem até hoje.
"Essa foi uma ferramenta que ajudou a mudar a minha perspectiva no processo de fazer cinema. Você ganha ou perde o jogo na dramaturgia, porque é daí que saem todos os argumentos que um filme precisa para existir", opina.
Enquanto avançava com os estudos, Dhalia passou a viajar mais para Los Angeles para conhecer pessoas da indústria do cinema. Ele considera que passou realmente a chamar a atenção dos agentes com o lançamento de seu segundo filme, O Cheiro do Ralo, selecionado para o Festival de Sundance.
"Naquela época, entrei na maior agência de representação de talentos dos EUA. Mas o filme era muito pequeno para aquele jogo. As pessoas gostavam muito de O Cheiro do Ralo, mas para a indústria ele não dizia nada", avalia Dhalia.
Para o diretor, o filme era muito indie e não inspirava os produtores a pensar que o diretor teria capacidade de fazer um filme maior, que tivesse um diálogo mais próximo com o grande público. Mas Dhalia se sentiu mais próximo da indústria de Hollywood e de compreendê-la.
"Fui cada vez mais me submetendo a projetos (que estavam em estudo em Hollywood). Porque, na verdade, Los Angeles é um grande cassino, uma grande bolsa de valores do cinema, com muita especulação e um jogo de sobe e desce de ações no qual você nunca entende direito o que está acontecendo", conta.
Neste sistema complexo de risco para a produção de filmes, Dhalia ganhou mais pontos quando lançou, em 2009, no Festival de Cannes, o seu filme mais internacional: À Deriva. Segundo o diretor, a partir daí, surgiram vários convites e ofertas para fazer filmes nos EUA.
"(Houve) coisas mais especulativas e coisas mais concretas".
Um contato que ele fez em Sundance fez Dhalia assinar o primeiro contrato para um filme em Hollywood, um thriller de espionagem chamado April 23, planejado pela Lakeshore Entertainment. Mas o projeto não decolou. Depois, Dhalia foi chamado para um projeto da produtora Summit, que acabou não vingando também.
"Depois, as duas se juntaram e surgiu o projeto de 12 Horas. Antes disso, flertei e fui considerado para outros projetos, como uma biografia do Scott Fitzgerald e um filme de guerra sobre o ouro nazista que foi transportado de Berlim para Stuttgart. Na verdade, teve vários projetos interessantes, mas que são superdifíceis de financiar".
Até que surgiu 12 Horas, um filme que conseguiu ser pago, segundo Dhalia, apenas com a venda dos direitos para o mercado internacional. O resultado nas bilheterias nos EUA, segundo o diretor, será o lucro dos produtores. Além da Lakeshore e da Summit, o filme foi bancado pela Sidney Kimmel Entertainment. No Brasil, ele será lançado no dia 6 de abril pela Paris Filmes. ATUALIZAÇÃO (27/03): Hoje a assessoria da Paris Filmes divulgou nova data para estreia de 12 Horas no país: 20 de abril. ATUALIZAÇÃO 2 (30/03): Mais uma mudança na data de estreia. A Paris Filmes acaba de divulgar que 12 Horas deverá estrear no dia 13 de abril.
Os melhores trechos da coletiva com o diretor e da entrevista que fizemos com ele após o evento coletivo foram publicados na edição impressa do Diário Catarinense desta sexta-feira. A seguir, leia a entrevista completa:
Diário Catarinense: Como foi para você, um cineasta autoral no Brasil, ir para os Estados Unidos e se submeter a esse sistema industrial que você comentou?
Heitor Dhalia: O grande debate é exatamente esse, a questão do controle criativo. É uma diferença muito grande (entre o Brasil e os EUA). Cada filme é um protótipo e tem uma história particular. Ao contrário do que a gente acha, que Hollywood funciona como um sistema homogêneo, na realidade não é assim. É totalmente hetereogêneo o sistema. O que homogeniza é o sistema financeiro, como é que se faz. Mas você trabalha com pessoas. Tem pessoas muito criativas, autores, produtores, diretores, muito apaixonados por cinema. Hollywood é um lugar muito apaixonado por cinema. Mas tem também os business managers. Todas as histórias clássicas que a gente ouve falar de Hollywood, todos aqueles clichês... a gente vê que aquilo é verdade. Que é um sistema diferente.
DC: Como funciona esse sistema?
Dhalia: Quem comanda o processo criativo é o produtor. Só que com cada diretor e com cada filme esse acordo acontece de forma diferente. Pode ser um acordo mais suave, pode ser um acordo mais duro para o diretor. Primeira coisa, tudo é feito com advogado. É uma indústria em que você tem intermediários. Você tem um advogado, um manager e um agente. Por que tem isso? Essas camadas são para proteger o talento e para proteger também o investimento, que é feito pelo produtor ou pelo estúdio. No caso do talento, um jeito de você domar uma área que é criativa e tal, é fazer leyes ou filtros de controle para suavizar possíveis conflitos. Porque são coisas totalmente diferentes. Há um lado criativo e um lado que está mirando só uma coisa financeira, de controle. E como vai harmonizar isso? Eles fizeram essas leyes que, na verdade, não suavizam muito. Depende muito do perfil do produtor, se ele é muito controlador... E tem um outro elemento, que é a entrada do talento estrangeiro na indústria americana.
DC: Qual é o efeito desta entrada?
Dhalia: Hollywood é a única indústria (do cinema) que realmente existe no mundo. Ela é altamente competitiva. Para fazer esse filme, eu competi com 16 diretores americanos, e todos já tinham feito não sei quantos filmes, inclusive de estúdio. E por alguma razão, eu ganhei. Depois é que você vai entender o que isso significa. O talento estrangeiro entra de duas maneiras. Ou quando eles querem muito, (quando) são muito atraídos por diretores, atores... porque é uma bolsa de valores. O cara quer comprar uma ação em baixa. Ele pensa: "Um diretor que fez um filme experimental não sei onde, eu quero esse cara". Porque esse cara pode ser que daqui a dois filmes seja O CARA. Tem essa coisa... porque lá há dois caminhos: um é o investimento seguro e o outro é o risco. O investimento seguro é quando se sabe que um cara consegue fazer um filme, consegue entregar... ele é americano, já fez... não importa se fez bem ou mal, mas ele fez. Ele não pirou, não saiu andando, entendeu? Tem uma história que eu acho muito engraçada. Tem um diretor que trabalhou neste mesmo sistema que eu trabalhei, ele abandonou o set e saiu andando. Diretor estrangeiro que saiu andando. Disse tchau, saiu andando e nunca mais voltou para o set.
DC: Como você lidou com esse cenário?
Dhalia: Toda vez que eu estava em um momento de crise lá, com dificuldade na produção, tinha duas coisas que eu fazia. Uma era ouvir Luiz Gonzaga, que eu ouvi bastante, para dar uma energizada nas origens, e às vezes eu falava para a minha namorada. "Está jogo duro hoje". Aí ela mandava um ícone de um bonequinho andando. "Se você quiser, você anda" (ela dizia). Então eles apostam muito em uma coisa que já está consagrada, em alguém que já fez alguma coisa que eles conhecem. Para outra coisa que o talento estrangeiro serve, e falando de uma maneira assim, muito cruel, é que você entra como mão de obra barata, comparado com o americano, e mais fácil de controlar. Por que? Porque você não entende o sistema e não entende a língua do jeito que eles entendem. Essa mão de obra, os talentos regionais de cada país que vão para lá, podem entrar com um pouco mais ou menos de condições, dependendo da negociação que você tem, sorte ou sei lá, destino. Depende de uma série de fatores. Às vezes você só entra em um sistema mais industrial, onde você está mais submetido a um limite criativo. Algo emblemático é o gap, a diferença entre a expectativa e o resultado. O drama mora nessa diferença, entre aquilo que você acha e que você consegue (executar). Você entende como funciona e acha as ferramentas para ir para o próximo gap, ou para a próxima jornada que você tem pra fazer. E você só consegue fazer isso quando você já está no campo de batalha. Fazer filme é guerra.
O diretor Heitor Dhalia falou por pouco mais de 40 minutos sobre a sua experiência em dirigir chega o filme 12 Horas (Gone), estrelado por Amanda Seyfried.
Na coletiva para a imprensa em São Paulo terça-feira ele deixou clara que está foi uma produção 100% da indústria, sem margem para a forma de Dhalia trabalhar. Ele não pôde contribuir com o roteiro ou mesmo ensaiar com os atores.
Dhalia comparou o seu trabalho com o de um matador de aluguel, que sente algum prazer em matar, mas que executa um trabalho encomendado e sem o mesmo prazer de um serial killer.
O filme 12 Horas conta a história de uma garota traumatizada, interpretada por Amanda Seyfried, que acredita que a irmã foi raptada. Ela começa, a partir do desaparecimento, uma busca incansável para descobrir o que aconteceu. A produção tem estreia prevista no Brasil para 6 de abril. ATUALIZAÇÃO (27/03): Hoje a distribuidora do filme no Brasil, a Paris Filmes, divulgou nova data para a estreia dele no país, 20 de abril. ATUALIZAÇÃO 2 (30/03): Mais uma mudança na data de estreia. A Paris Filmes acaba de divulgar que 12 Horas deverá estrear no dia 13 de abril.
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