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Crítica de Um Método Perigoso (A Dangerous Method)

27 de abril de 2012 1

Me disseram, certo dia, que qualquer pessoa que quiser ajudar outra a se tratar psicologicamente deve ter, também, um pouco de loucura para resolver. Ou, em outras palavras, que qualquer psicólogo ou psiquiatra deve, em algum momento, precisar de análise também, para enfrentar os seus próprios problemas e/ou demônios.

Impossível não admirar a Freud, um dos grandes nomes das ciências de todos os tempos. Mas mesmo admirando-o, nunca entendi muito bem porque da fixação dele com as questões sexuais. Li algumas teorias a respeito, mas nunca me aprofundei sobre as razões que fizeram ele ir tão fundo apenas nesta direção. Um Método Perigoso (A Dangerous Method) surge para contribuir com estes debates porque ele foca uma amizade entre dois científicos que mudou a história. Fala de Freud e de Jung. Fascinante.

A HISTÓRIA: Dois homens seguram uma mulher descontrolada em uma carruagem. Sabina Spielrein (Keira Knightley) quer sair dali, ela resiste, mas quando a carruagem para, ela é levada para dentro da Clínica Burghölzli na cidade de Zurique, na Suíça, em agosto de 1904. Na manhã seguinte, ela é recepcionada pelo médico Carl Jung (Michael Fassbender), que começa a experimentar com Sabina os métodos de psicanálise de Sigmund Freud (Viggo Mortensen). A proposta de Jung é que ele e a paciente se encontrem quase todos os dias para conversar. Conforme o caso dela vai avançando e o tratamento surte efeito, Jung se arrisca a começar a corresponder-se com Freud. A partir daí, o filme conta a história destes três personagens.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu ao filme Um Método Perigoso): O surgimento da psicanálise, momento revolucionário no tratamento dos problemas e dores da mente, é o foco deste filme. A primeira sensação que Um Método Perigoso nos provoca é a da angústia, ao ver Keira Knightley se retorcendo, literalmente, para interpretar a personagem de Sabina Spielrein em sua fase de crise e mesmo depois.

A atriz faz um bom trabalho. Mas continuo achando que esse tipo de papel não é para ela. Senti Knightley um pouco deslocada no papel. Quando você sente o esforço do ator, é porque as coisas não vão bem. Quando assistimos a um ator vivenciando o personagem, tornando-o legítimo, aquele personagem faz sentido. Quando o esforço fica evidente... parece que para o espectador é jogada a outra parte do sacrifício.

Isso acontece com os outros dois atores. Eles estão bem, mas parecem se esforçar em assumir um tom sério e intelectual. Um Método Perigoso tem menos de duas horas, mas parece ter mais. E isso não se deve apenas à densidade do roteiro de Christopher Hampton, inspirado em sua peça The Talking Cure e no livro A Most Dangerous Method, de John Kerr. Parte do esforço que o espectador tem que fazer para continuar interessado na história se deve também pelas interpretações, algumas vezes forçadas.

Mas a história, por si só, é fascinante. E, evidentemente, não cabe em um filme, em uma peça ou em um livro. O surgimento da psicanálise e as relações amistosas e depois de ruptura entre Freud e Jung estão cheias de detalhes que merecem ser conhecidos e, eu diria, estudados.

Um Método Perigoso humaniza os dois ícones da psicanálise e nos faz pensar em como mesmo o mais genial e ousado cientista tem, ele próprio, as suas imperfeições. Se um ícone estivesse alheio a defeitos e problemas, não seria humano, certo? Eu já conhecia um pouco da história de Freud e Jung, mas francamente este filme torna muito mais simples a explicação de pontos fundamentais na vida dos cientista. Para começar, a fixação de Freud pelo que Jung chamou de "interpretação exclusivamente sexual do material clínico" que eles estudavam. (continua... para ler, clique abaixo)

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A história de Noé contada por Aronofsky

24 de abril de 2012 0

Depois de ser indicado ao Oscar de melhor diretor pelo retumbante Cisne Negro (Black Swan), Darren Aronofsky faz mais uma aposta alta na carreira. Desta vez ele vai filmar Noah, adaptação da história bíblica da Arca de Noé.

As filmagens do longa começam em julho. Noah deverá ser rodado na Islândia e em Nova York. Para estrelar o filme como Noé, o ator Russell Crowe, de Gladiador e Robin Hood.

Noah será produzido por Scott Franklin e pelo diretor, Aronofsky, ambos da Protozoa Pictures, e por Mary Parent da Disruption Entertainment. Ari Handel, responsável por Cisne Negro, fará a produção executiva de Noah, junto com Arnon Milchan (New Regengy) e Chris Brigham (A Origem). Pela lista, podemos perceber que há muita gente acreditando em Aronofsky.

O projeto é ousado - e as chances são altas do filme ser brilhante ou uma verdadeira bomba. Dificilmente ele conseguirá ficar no meio do caminho entre estes dois extremos.

O roteiro de Noah é de Aronofsky e Ari Handel (que escreveu a história de Fonte da Vida). Depois de concluído, o roteiro da dupla passou por uma revisão de John Logan, indicado três vezes ao Oscar - pelos filmes A Invenção de Hugo Cabret, O Aviador e Gladiador.

Segundo a Paramount Pictures, que prevê lançar Noah nos cinemas no dia 28 de março de 2014, a história do filme se passa "em um mundo devastado pelos pecados humanos". Neste ambiente, Noé recebe "uma missão divina: construir uma arca para salvar a criação do dilúvio que se aproxima".

Outros nomes do elenco ainda não foram confirmados, mas há rumores da participação de Saoirse Ronan e Jennifer Connelly na produção.



O que os mestres andam aprontando (parte 2)

10 de abril de 2012 0

Depois de tratarmos dos novos projetos de alguns dos diretores responsáveis por parte dos grandes filmes da década de 1980, agora é a vez de falarmos dos cineastas dos anos 1990. Como são muitos os nomes de destaque, vamos dividir essa repassada em mais de uma parte. Começando pelos seguintes:

Tim Burton: um bom nome para começar a segunda parte desta lista. Indicado a um Oscar pelo filme de animação A Noiva Cadáver e vencedor de 11 prêmios na carreira. O diretor está finalizando dois filmes: Sombras da Noite e Frankenweenie. O primeiro, com previsão para ser lançado em junho, conta a história de um vampiro, Barnabas Collins, que consegue libertar-se após vários anos de reclusão e, ao voltar para casa, encontra os seus descendentes em apuros. No elenco, Johnny Depp como protagonista, Eva Green, Michelle Pfeiffer, Chlöe Grace Moretz, Helena Bonham Carter, Jonny Lee Miller, Christopher Lee, entre outros. O filme de animação Frankenweenie, que fala sobre um garoto que ressuscita o cãozinho de estimação depois que ele morre, tem previsão de estrear em novembro.

David Cronenberg: diretor vencedor de 63 prêmios, este canadense responsável por sucessos como A Mosca, Crash - Estranhos Prazeres, Marcas da Violência e Senhores do Crime está trabalhando na finalização de Cosmópolis. O filme, com previsão para estrear em agosto, conta a história de um bilionário de 28 anos que cruza Manhattan atrás de um determinado corte de cabelo. A tarefa, aparentemente simples, se transforma em uma odisseia devido às pessoas diferentes que ele vai encontrando pelo caminho - e modificando a sua realidade. O filme promete especialmente porque o protagonista é interpretado por Robert Pattinson, um dos novos queridinhos da América. Outros nomes poderosos fazem parte do elenco: Samantha Morton, Paul Giamatti, Juliette Binoche, Mathieu Amalric, Jay Baruchel, Sarah Gadon, entre outros.

Gus Van Sant: indicado a dois Oscar's, o diretor vencedor de 32 prêmios na carreira e responsável pelos cultuados Garotos de Programa, Um Sonho sem Limites e Gênio Indomável, todos lançados na década de 1990, está trabalhando na pré-produção do drama Promised Land. O filme conta como um vendedor muda de vida após chegar a uma pequena cidade. No elenco, Matt Damon, John Krasinski, Frances McDormand, Rosemarie DeWitt, Hal Holbrock, entre outros.


James Cameron: depois de lançar este mês a versão 3D do clássico Titanic, o diretor responsável pelas duas maiores bilheterias da história preparou para a TV o documentário Titanic: Final Word with James Cameron. No filme, com duas horas de duração, o diretor reúne engenheiros, arquitetos e historiadores para que eles falem sobre as razões que fizeram o transatlântico afundar há um século. A base para as novas conclusões está fundada na tecnologia desenvolvida após o filme de 1997 de Cameron ter sido filmado. Os próximos projetos do diretor estão apenas anunciados, mas não começaram a ser rodados: Battle Angel, um filme de ação e ficção científica orçado em US$ 200 milhões e ambientado no século 26; e duas sequências para Avatar. Nenhum deles tem data de estreia ainda.

Jonathan Demme: diretor premiado com um Oscar pelo filme O Silêncio dos Inocentes, que marcou o início dos anos 1990 e recebeu, no total, cinco estatuetas, Demme está trabalhando na pós-produção do documentário Enzo Avitabile Crossing Borders, focado na história do saxofonista e compositor italiano. O filme deverá ser lançado ainda este ano. Depois, o diretor vai trabalhar nas produções Wally and Andre Shoot Ibsen, um drama sem nenhum grande astro confirmado no elenco e programado para estrear em 2013, e Zeitoun, uma produção interessante, de animação, ambientada na Nova Orleans pós-Katrina onde um empreiteiro sírio ajuda nos esforços de resgate enquanto figura como suspeito de terrorismo. Zeitoun tem estreia prevista para 2014. As duas produções estão em fase de pré-produção.



Baz Luhrmann: indicado a um Oscar como produtor do musical Moulin Rouge - Amor em Vermelho, o diretor volta a lançar um novo filme depois de quatro anos. Antes, entre Moulin Rouge e Austrália, ele chegou a ficar sete anos sem lançar um novo projeto. Agora, ele está trabalhando na pós-produção de The Great Gatsby, inspirado na obra clássica de F. Scott Fitzgerald. O filme é uma grande produção, que teria consumido cerca de US$ 127 milhões, e é estrelado por Leonardo DiCaprio, que interpreta a Jay Gatsby; Carey Mulligan, no papel de Daisy Buchanan; e Tobey Maguire como Nick Carraway. O roteiro é assinado por Luhrmann e Craig Pearce. A produção deve estrear este ano nos Estados Unidos e em janeiro de 2013 no Brasil.


Quentin Tarantino: o diretor mais marcante dos anos 1990 tem dois projetos no horizonte. Fenômeno de público e crítica, autor cultuado por Cães de Aluguel (de 1992), Pulp Fiction - Tempo de Violência (1994) e Jackie Brown (1997), para falar apenas dos filmes de duas décadas atrás ou com 15 anos de história, Tarantino está filmando Django Unchained, um drama western com um elenco fantástico. A história promete: um caçador de escravos, ajudado por seu mentor, tenta resgatar a esposa de um proprietário de terras conhecido pela brutalidade no Mississippi. Alguém tem alguma dúvida que haverá muita pancadaria, morte e sangue na telona? No elenco, Leonardo DiCaprio (outra vez ele), Samuel L. Jackson, Sacha Baron Cohen, Kurt Russell, Christoph Waltz, Jamie Foxx, Kerry Washington, Don Johnson, RZA, entre outros. Direção e roteiro de Tarantino. Depois, o diretor trabalharia em Kill Bill: Vol. 3, produção anunciada, mas ainda sem data de estreia ou elenco definidos.


Reestreia do fenômeno Titanic 15 anos depois

06 de abril de 2012 0

Segunda melhor bilheteria da história, fenômeno que levou multidões a chorar e assistir ao mesmo enredo repetidas vezes antes de surgirem na telona os filmes de Harry Potter e Crepúsculo, Titanic volta para os cinemas a partir de hoje. E repaginado.

O retorno da história de amor entre Rose e Jack não acontece em um momento qualquer. O filme completa 15 anos do lançamento inicial (feito em dezembro de 1997), e reestreia uma semana antes do centenário do naufrágio do transatlântico que era considerado indestrutível.

Titanic é uma grande produção em todos os sentidos. Primeiro, por resgatar um dos maiores desastres da história. Depois, por ter 3h14min de duração, ter consumido cerca de US$ 200 milhões e faturado 11 Oscar's.

Superlativo também foi o faturamento do filme: Titanic conseguiu US$ 600,8 milhões nos Estados Unidos e outros US$ 1,24 bilhões no restante do mundo. No total, R$ 1,84 bilhões - mais de nove vezes o custo para ser produzido.

Com estes números, Titanic tornou-se a maior bilheteria de todos os tempos em 1997. Ele só seria superado em 2009 por outro filme dirigido por James Cameron: Avatar.

A produção, ambientada em Pandora, faturou pouco mais de US$ 760,5 milhões nos Estados Unidos e outros US$ 2 bilhões nos outros mercados mundo afora. No total, US$ 2,78 bilhões. Mas como o filme custou mais que Titanic, certamente o lucro dele não chegou a ser tão grande quanto o filme de Jack e Rosie.

James Cameron repaginou Titanic para o formato 3D. Segundo a crítica Claudia Puig, do USA Today, os cenáriso estonteantes e os momentos de tensão da produção original ficaram ainda mais espetaculares com o recurso 3D. "Ao contrário de muitos filmes 3D que são escuros, as imagens do Titanic são mais nítidas, e a inundação quase vertical e a quebra do transatlântico em dois após o choque com o iceberg é ainda mais angustiante", escreveu.

De acordo com a crítica, as cenas das inundações, assim como o desespero dos ocupantes do Titanic por sobreviver, e a heróica sequência em que Jack salva Rose de pular da borda do transatlântico acabam sendo ressaltados pelos novos efeitos.

O 3D evidencia o "virtuosismo técnico" do diretor, na opinião de Puig, na mesma medida que torna evidente algumas fraquezas do roteiro, da edição e a sobra de certas cenas que não seriam necessárias.

Por outro lado, sequências como a tentativa do transatlântico de desviar do iceberg e as quedas dramáticas que seguem ao choque acabam sendo irritantes - a conversão não resolve os problemas do original, segundo Puig.


Segundo o crítico Peter Howell, do Toronto Star, a repaginada de Titanic para o 3D é um "sucesso absoluto". Ele percebeu isso ao ver um "grande número de espectadores" chorando durante e após a pré-estreia do filme, o que comprovaria o "impacto duradouro do romance" entre Rose e Jack.

James Cameron teria gasto US$ 18 milhões e 60 semanas para transformar o Titanic original, em 2D, nesta nova versão em 3D. O resultado está em cada segundo do filme, segundo Howell, porque a produção ficou com imagens mais nítidas e iluminadas. A grandiosidade do Titanic é percebida de maneira ainda mais forte pelos espectadores, assim como a sequência em que a câmera gira enquanto a orquestra toca fica mais intensa, a ponto de quase provocar vertigem.

A dúvida é quanto esta nova versão do clássico de James Cameron conseguirá faturar nas bilheterias. Quantas pessoas que já assistiram a este filme repetidas vezes voltarão a encantar-se com a trama, e quantas delas vão chorar, mais uma vez, com aquela história de amor. A partir de hoje, estas perguntas começarão a ser respondidas.

O que os mestres andam aprontando (parte 1)

29 de março de 2012 1

Uma das qualidades de Hollywood é encontrar e evidenciar o trabalho de grandes diretores, sejam eles oriundos dos Estados Unidos ou de outras partes do globo e importados para a principal indústria cinematográfica mundial.

Nos últimos 30 anos, alguns diretores ficaram conhecidos por forjarem ótimos clássicos modernos.

Mesmo com tantos bons diretores surgindo a cada ano, nunca é demais saber o que estes mestres andam aprontando. Até para saber se vale ou não continuar seguindo-os e pagando os ingressos por seus filmes. Nesta primeira parte, focamos diretores que foram responsáveis por alguns dos grandes filmes da década de 1980:


Martin Scorsese: um dos diretores mais conhecidos de Hollywood, vencedor do Oscar de Melhor Diretor por Os Infiltrados e indicado ao prêmio em outras seis ocasiões como diretor, outras duas como roteirista e mais uma como produtor, Scorsese tem dois filmes em fase de pré-produção e um terceiro anunciado. Os dois que já tiveram os orçamentos aprovados devem estrear em 2013.

São eles: The Wolf of Wall Street, baseado na biografia de Jordan Belfort, conta a história de um corretor da bolsa de Nova York que se recusa a cooperar em um caso de fraude e corrupção. O filme será estrelado por Leonardo DiCaprio. Silence, um drama histórico ambientado no século 17 que conta a história de dois padres jesuítas que enfrentam perseguição e violência quando eles viajam para o Japão. No elenco, estariam Daniel Day-Lewis, Gael García Bernal e Benicio Del Toro. Scorsese também assumiria a cinebiografia de Frank Sinatra, sem data para ser filmada ou lançada, e que tem o título provisório de Sinatra.


Steven Spielberg: ele leva vantagem, se comparado com Scorsese, porque tem três estatuetas em sua prateleira. Duas como diretor, por A Lista de Schindler e O Resgate do Soldado Ryan, e uma como produtor de A Lista de Schindler. Ainda ganhou um prêmio Irving G. Thalberg, também entregue pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood em 1987. Atualmente, ele está trabalhando na finalização de um filme e na pré-produção de outro.

São eles: Lincoln, previsto para ser lançado nos cinemas ainda este ano, e que conta a história do ex-presidente dos Estados Unidos, um ícone na história do país, especialmente por suas ações durante a Guerra Civil. Interpreta Abraham Lincoln o ator Daniel Day-Lewis. Além dele, faz parte do elenco desta superprodução os atores Joseph Gordon-Levitt, Tommy Lee Jones, James Spader, entre outros. Em seguida, o diretor começaria a trabalhar em Robopocalypse, uma ficção científica com estreia prevista para 2013 e que se debruçaria sobre uma revolta de robôs.



Ridley Scott: indicado a três Oscar's nos últimos 20 anos e vencedor de outros 13 prêmios, o diretor de Gladiador, O Gângster e Rede de Mentiras está finalizando um filme e foi confirmado como diretor de uma outra produção, que ainda começará a ser filmada.

Ele está dando os últimos retoques em Prometheus, uma ficção científica que trata tanto da origem quanto do possível fim da Humanidade. No elenco, Michael Fassbender, Charlize Theron, Guy Pearce, entre outros.

Depois, Scott vai dirigir The Counselor, que conta a história de um advogado que se envolve com o tráfico de drogas. O filme, com estreia prevista para 2013, será estrelado por Fassbender, e há rumores que Natalie Portman, Jeremy Renner e Javier Bardem também poderiam integrar o elenco.



Oliver Stone: vencedor de três Oscar's, sendo dois como diretor, por Platoon e Nascido em 4 de Julho, e um como roteirista, por O Expresso da Meia-Noite, Stone está finalizando Savages, um filme que conta a história de dois homens que resolvem enfrentar o cartel mexicano depois que a namorada que eles "compartilham" é sequestrada pelos bandidos.

No elenco, Taylor Kitsch, Aaron Johnson, John Travolta, Blake Lively, Salma Hayek, Uma Thurman, Emile Hirsch, Benicio Del Toro, entre outros. A previsão de estreia nos Estados Unidos é para o dia 6 de julho.



Joel e Ethan Coen: os irmãos, vencedores de quatro Oscar's (três pelo filme Onde os Fracos Não Tem Vez, pelos quais ganharam como produtores, diretores e roteiristas; e mais o prêmio de roteiristas por Fargo), estão filmando Inside Llewyn Davis, uma produção focada em uma cantora e compositora que percorre o cenário musical de Nova York e, mais especificamente, da folk music nos anos 1960. À frente do elenco, a atriz Carey Mulligan. E ao lado dela, nomes como Garrett Hedlund, Justin Timberlake, John Goodman, Oscar Isaac, entre outros.

Hollywood destrinchada: entrevista com o diretor Heitor Dhalia, de 12 Horas (Gone)

23 de março de 2012 0

O lançamento do filme 12 Horas (Gone) na última terça-feira, em São Paulo, produção que marca a estreia do brasileiro Heitor Dhalia em Hollywood, foi marcada por longos discursos do diretor.

Falante e apreciador do hábito de pontuar sua fala com referências variadas, Dhalia justificou porque não conseguiu imprimir a sua marca nesta nova produção.

Conhecido por um cinema autoral, Dhalia comparou o seu novo trabalho com o de um matador de aluguel, que sente algum prazer em apertar o gatilho, mas que não tem o mesmo gozo que um serial killer.

Segundo ele, o caminho para 12 Horas começou em 2004, quando o primeiro filme do diretor (Nina) foi premiado no Festival de Moscou e o também diretor André Ristum, amigo de Dhalia e finalizador da produção, foi procurado por agentes que representam artistas da área de Moscou e de Los Angeles.

"Naquela época, eu pensei: vou conquistar, ao mesmo tempo, a União Soviética e os Estados Unidos. Em uma tacada só", contou Dhalia.

O diretor resolveu viajar para Los Angeles, para fazer o primeiro contato com os representantes, e sentiu que não avançaria nos Estados Unidos porque não sabia falar inglês.

Voltando para o Brasil, ele começou um curso intensivo, estudando o idioma por seis dias na semana. Na sequência, ele iniciou os estudos de dramaturgia, que prosseguem até hoje.

"Essa foi uma ferramenta que ajudou a mudar a minha perspectiva no processo de fazer cinema. Você ganha ou perde o jogo na dramaturgia, porque é daí que saem todos os argumentos que um filme precisa para existir", opina.

Enquanto avançava com os estudos, Dhalia passou a viajar mais para Los Angeles para conhecer pessoas da indústria do cinema. Ele considera que passou realmente a chamar a atenção dos agentes com o lançamento de seu segundo filme, O Cheiro do Ralo, selecionado para o Festival de Sundance.

"Naquela época, entrei na maior agência de representação de talentos dos EUA. Mas o filme era muito pequeno para aquele jogo. As pessoas gostavam muito de O Cheiro do Ralo, mas para a indústria ele não dizia nada", avalia Dhalia.

Para o diretor, o filme era muito indie e não inspirava os produtores a pensar que o diretor teria capacidade de fazer um filme maior, que tivesse um diálogo mais próximo com o grande público. Mas Dhalia se sentiu mais próximo da indústria de Hollywood e de compreendê-la.

"Fui cada vez mais me submetendo a projetos (que estavam em estudo em Hollywood). Porque, na verdade, Los Angeles é um grande cassino, uma grande bolsa de valores do cinema, com muita especulação e um jogo de sobe e desce de ações no qual você nunca entende direito o que está acontecendo", conta.

Neste sistema complexo de risco para a produção de filmes, Dhalia ganhou mais pontos quando lançou, em 2009, no Festival de Cannes, o seu filme mais internacional: À Deriva. Segundo o diretor, a partir daí, surgiram vários convites e ofertas para fazer filmes nos EUA.

"(Houve) coisas mais especulativas e coisas mais concretas".

Um contato que ele fez em Sundance fez Dhalia assinar o primeiro contrato para um filme em Hollywood, um thriller de espionagem chamado April 23, planejado pela Lakeshore Entertainment. Mas o projeto não decolou. Depois, Dhalia foi chamado para um projeto da produtora Summit, que acabou não vingando também.

"Depois, as duas se juntaram e surgiu o projeto de 12 Horas. Antes disso, flertei e fui considerado para outros projetos, como uma biografia do Scott Fitzgerald e um filme de guerra sobre o ouro nazista que foi transportado de Berlim para Stuttgart. Na verdade, teve vários projetos interessantes, mas que são superdifíceis de financiar".

Até que surgiu 12 Horas, um filme que conseguiu ser pago, segundo Dhalia, apenas com a venda dos direitos para o mercado internacional. O resultado nas bilheterias nos EUA, segundo o diretor, será o lucro dos produtores. Além da Lakeshore e da Summit, o filme foi bancado pela Sidney Kimmel Entertainment. No Brasil, ele será lançado no dia 6 de abril pela Paris Filmes. ATUALIZAÇÃO (27/03): Hoje a assessoria da Paris Filmes divulgou nova data para estreia de 12 Horas no país: 20 de abril. ATUALIZAÇÃO 2 (30/03): Mais uma mudança na data de estreia. A Paris Filmes acaba de divulgar que 12 Horas deverá estrear no dia 13 de abril.

Os melhores trechos da coletiva com o diretor e da entrevista que fizemos com ele após o evento coletivo foram publicados na edição impressa do Diário Catarinense desta sexta-feira. A seguir, leia a entrevista completa:


Diário Catarinense: Como foi para você, um cineasta autoral no Brasil, ir para os Estados Unidos e se submeter a esse sistema industrial que você comentou?

Heitor Dhalia: O grande debate é exatamente esse, a questão do controle criativo. É uma diferença muito grande (entre o Brasil e os EUA). Cada filme é um protótipo e tem uma história particular. Ao contrário do que a gente acha, que Hollywood funciona como um sistema homogêneo, na realidade não é assim. É totalmente hetereogêneo o sistema. O que homogeniza é o sistema financeiro, como é que se faz. Mas você trabalha com pessoas. Tem pessoas muito criativas, autores, produtores, diretores, muito apaixonados por cinema. Hollywood é um lugar muito apaixonado por cinema. Mas tem também os business managers. Todas as histórias clássicas que a gente ouve falar de Hollywood, todos aqueles clichês... a gente vê que aquilo é verdade. Que é um sistema diferente.


DC: Como funciona esse sistema?

Dhalia: Quem comanda o processo criativo é o produtor. Só que com cada diretor e com cada filme esse acordo acontece de forma diferente. Pode ser um acordo mais suave, pode ser um acordo mais duro para o diretor. Primeira coisa, tudo é feito com advogado. É uma indústria em que você tem intermediários. Você tem um advogado, um manager e um agente. Por que tem isso? Essas camadas são para proteger o talento e para proteger também o investimento, que é feito pelo produtor ou pelo estúdio. No caso do talento, um jeito de você domar uma área que é criativa e tal, é fazer leyes ou filtros de controle para suavizar possíveis conflitos. Porque são coisas totalmente diferentes. Há um lado criativo e um lado que está mirando só uma coisa financeira, de controle. E como vai harmonizar isso? Eles fizeram essas leyes que, na verdade, não suavizam muito. Depende muito do perfil do produtor, se ele é muito controlador... E tem um outro elemento, que é a entrada do talento estrangeiro na indústria americana.


DC: Qual é o efeito desta entrada?

Dhalia: Hollywood é a única indústria (do cinema) que realmente existe no mundo. Ela é altamente competitiva. Para fazer esse filme, eu competi com 16 diretores americanos, e todos já tinham feito não sei quantos filmes, inclusive de estúdio. E por alguma razão, eu ganhei. Depois é que você vai entender o que isso significa. O talento estrangeiro entra de duas maneiras. Ou quando eles querem muito, (quando) são muito atraídos por diretores, atores... porque é uma bolsa de valores. O cara quer comprar uma ação em baixa. Ele pensa: "Um diretor que fez um filme experimental não sei onde, eu quero esse cara". Porque esse cara pode ser que daqui a dois filmes seja O CARA. Tem essa coisa... porque lá há dois caminhos: um é o investimento seguro e o outro é o risco. O investimento seguro é quando se sabe que um cara consegue fazer um filme, consegue entregar... ele é americano, já fez... não importa se fez bem ou mal, mas ele fez. Ele não pirou, não saiu andando, entendeu? Tem uma história que eu acho muito engraçada. Tem um diretor que trabalhou neste mesmo sistema que eu trabalhei, ele abandonou o set e saiu andando. Diretor estrangeiro que saiu andando. Disse tchau, saiu andando e nunca mais voltou para o set.


DC: Como você lidou com esse cenário?

Dhalia: Toda vez que eu estava em um momento de crise lá, com dificuldade na produção, tinha duas coisas que eu fazia. Uma era ouvir Luiz Gonzaga, que eu ouvi bastante, para dar uma energizada nas origens, e às vezes eu falava para a minha namorada. "Está jogo duro hoje". Aí ela mandava um ícone de um bonequinho andando. "Se você quiser, você anda" (ela dizia). Então eles apostam muito em uma coisa que já está consagrada, em alguém que já fez alguma coisa que eles conhecem. Para outra coisa que o talento estrangeiro serve, e falando de uma maneira assim, muito cruel, é que você entra como mão de obra barata, comparado com o americano, e mais fácil de controlar. Por que? Porque você não entende o sistema e não entende a língua do jeito que eles entendem. Essa mão de obra, os talentos regionais de cada país que vão para lá, podem entrar com um pouco mais ou menos de condições, dependendo da negociação que você tem, sorte ou sei lá, destino. Depende de uma série de fatores. Às vezes você só entra em um sistema mais industrial, onde você está mais submetido a um limite criativo. Algo emblemático é o gap, a diferença entre a expectativa e o resultado. O drama mora nessa diferença, entre aquilo que você acha e que você consegue (executar). Você entende como funciona e acha as ferramentas para ir para o próximo gap, ou para a próxima jornada que você tem pra fazer. E você só consegue fazer isso quando você já está no campo de batalha. Fazer filme é guerra.



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O grande projeto de Walter Salles

15 de março de 2012 1

O burburinho sobre o filme On the Road está ganhando cada vez mais corpo. Especialmente com a divulgação do novo trailer da produção.

Veja o vídeo:


Esta será a terceira produção de Walter Salles com características focadas no mercado internacional e com recursos que incluem produtores dos Estados Unidos.

Possivelmente, On the Road será o filme que projetará, definitivamente, o diretor brasileiro.

Pelo trailer, é possível assistir a migração da máquina de escrever para a estrada, a simbologia exata para a experiência vivida pelo escritor Jack Kerouac, autor da obra clássica que inspirou o filme.

Mais uma vez, a exemplo do que aconteceu antes com Diários de Motocicleta, Salles conta com uma ótima fonte primária de inspiração para seu filme, além do trabalho do competente roteirista porto-riquenho Jose Rivera - o mesmo que escreveu a história baseada na viagem de Che Guevara e Alberto Granado.

A exemplo do filme de 2004 que projetou Salles internacionalmente, em On the Road temos novamente o clássico filme de "estrada". Mas desta vez, sai de cena a caridade e preocupação social de Che Guevara para entrar em cena a loucura e a experimentação de Kerouac, que escreveu On the Road baseado em suas próprias experiências.

A obra, lançada em 1957, conta a história de dois amigos que cruzam os Estados Unidos da costa leste até a oeste sem ficar muito tempo em cada lugar. É uma viagem de excessos, regada por muita bebida, alguma droga e várias mulheres. Mas que também ressalta o fascínio de se sair de um lugar sem saber onde se pode chegar.

Outra grande diferença de Diários de Motocicleta para esta nova produção é que Salles apresenta seu novo trabalho após ter estreado como diretor em Hollywood.

Verdade que Água Negra (Dark Water), produção da Touchstone Pictures e de outras três produtores que custou importantes US$ 30 milhões, não agradou tanto ao público e à crítica. Mas foi importante para mostrar que Salles poderia trabalhar nos Estados Unidos.

Agora é diferente. On the Road, que teria custado cerca de US$ 25 milhões, tem um clássico da literatura como fonte de inspiração e um elenco estelar que impressiona.

Para começar, a badalada Kristen Stewart, conhecida pela série Crepúsculo, formada por cinco produções baseadas em quatro best-sellers e que, sozinha, deve atrair um público importante para o filme.

Depois, On the Road tem no elenco atores reconhecidos, como Kirsten Dunst; a três vezes indicada ao Oscar Amy Adams; o também indicado ao Oscar Viggo Mortensen, e o vencedor de um Globo de Ouro Steve Buscemi.

Na lista estão ainda as revelações Sam Riley, de Control, 13 - O Jogador e Pior dos Pecados; Tom Sturridge, de Mentes Diabólicas e Waiting for Forever; Garrett Hedlund, de Onde o Amor Está! e Tron: O Legado; e a brasileira Alice Braga, respeitada em Hollywood por filmes como O Ritual, Predadores, Território Restrito, entre outros.

Além disso, outro ponto positivo para o filme é que ele tem recursos de duas produtoras expressivas no mercado internacional: a francesa MK2, responsável pela trilogia das cores de Krzysztof Kieslowski, e a inglesa Film4, responsável por filmes como A Dama de Ferro e Shame.

Além delas, fizeram parte da produção a brasileira VideoFilmes e as menos expressivas Nomadic Pictures, do Canadá, e SPAD Films, dos Estados Unidos.

Mas nada como o trailer para atiçar a vontade do espectador de conferir o filme. Com bom ritmo e cenas provocativas, que lembram as interpretações de atores que ficaram conhecidos por utilizarem o "método" de interpretação de Lee Strasberg, o vídeo de On the Road é um importante cartão-de-visitas de Salles.

Logo saberemos se ele fará o efeito pretendido e se este será o filme de maior êxito do diretor - não apenas nas bilheterias, mas também em premiações.

O filme tem estreia prevista no Brasil para o dia 15 de junho. Veja outras fotos da produção:



Sam Riley, Kristen Stewart e Garrett Hedlund em uma de suas "bandas" de automóvel






O protagonista Sal Paradise (Sam Riley) colocando as suas ideias no papel







A estrada é um cenário constante na produção. Aqui, mais um trecho do longo caminho


A nova animação de Tim Burton

07 de março de 2012 0


O diretor e produtor Tim Burton examina o modelo do cãozinho Sparky



O californiano da cidade de Burbank Tim Burton é um destes diretores com uma forte identidade fílmica. Quase impossível começar a assistir a um filme dele e não identificar, em seguida, algumas de suas características como autor.

Burton sempre gostou de personagens diferentes, um tanto marginais, e de histórias que misturam o humor e o terror. Sete anos depois de ter lançado o filme de animação A Noiva Cadáver, Burton volta a estrear uma produção deste gênero.

Frankenweenie, com previsão de estreia para o dia 2 de novembro e sob a grife da Disney, retoma o gosto do diretor pela técnica da animação stop-motion, produzida com bonecos e cenários feitos à mão e com os quadros filmados individualmente.

O diretor já havia utilizado esta mesma técnica em A Noiva Cadáver, indicado ao Oscar - e também no filme O Estranho Mundo de Jack, do qual ele foi produtor. Para Frankenweenie foram produzidos pouco mais de 200 bonecos e cenários.

Mas este novo filme de Burton tem uma história interessante por trás. Baseado em uma ideia original do diretor, Frankenweenie foi planejado para ser um longa mas, na época em que Burton teve o "insight", ele não tinha o prestígio que tem agora - e, muito menos, recursos para um longa estrelado por um garoto que vira um mini-Dr. Frankenstein.

No lugar de um longa, surgiu então o curta-metragem homônimo de 1984 estrelado por atores como Barret Oliver, Daniel Stern e Shelley Duvall. Quatro anos depois do curta, Burton começaria a fazer a sua fama e ganhar prestígio com o longo Os Fantasmas se Divertem, já um clássico. Em 1989 veio o primeiro Batman, e o resto é história.

Agora, com prestígio, um público fiel, 11 prêmios e 28 indicações na carreira, Burton consegue apresentar um Frankenweenie inovador. Não porque o filme utiliza stop-motion, mas porque a produção, filmada em preto e branco, está sendo renderizada em 3D. A Disney promete uma experiência única para os espectadores. Veja a seguir o trailer do novo filme:

O novo filme de Burton conta a história de Victor (voz de Charlie Tahan), um garotinho simpático que perde, inesperadamente, o cãozinho de estimação, Sparky, e que resiste à ideia de nunca mais vê-lo saltitante. Utilizando um laboratório todo equipado, o menino consegue ressuscitar o cãozinho. Mesmo tentando escondê-lo, Sparky acaba escapando e criando muita confusão pela cidade.

Entre os atores que emprestam as suas vozes para a animação estão Winona Ryder, Catherine O'Hara, Martin Short, Martin Landau, entre outros.

Veja, abaixo, algumas imagens do filme e dos bastidores da produção:



Victor e o cãozinho Sparky em sua "segunda vida"





A dupla tentando ser discreta





O jovem Victor tentando reanimar Sparky no laboratório localizado no ático





Gênios trabalhando: o animador Jens Gulliksen dando vida à Victor perto do cemitério


 

 


O assistente de Tim Burton, Barry Jones, ajeita um dos cenários da produção




O animador Matias Liebrecht trabalhando com Victor no ático



Crítica de Meia-noite em Paris (Midnight in Paris)

24 de fevereiro de 2012 0

Paris... ah, Paris! Quem já caminhou pelas ruas, calçadas, praças, parques, cafés, restaurantes, museus e viu todas as cores e nuances de luz da capital francesa sabe que não existe uma cidade do mundo com aquele encanto. Há um charme, uma aura diferenciada. Woody Allen acerta na mosca ao fazer uma homenagem descarada para esta cidade com Meia-noite em Paris (Midnight in Paris). Ele retoma o seu texto ligeiro, esperto, com várias referências às artes e histórias da cidade e, de quebra, encontra a sua versão jovem em Owen Wilson. Bom rever Allen em sua melhor forma novamente.

A HISTÓRIA: Vários ângulos mostram Paris em todo o seu esplendor, acompanhados de uma trilha sonora deliciosa. Imagens que contam parte da rotina da cidade, começando pela manhã, seguindo pela tarde, com tempo bom e chuva, até chegar à noite iluminada. Em seguida, o roteirista de Hollywood e escritor Gil (Owen Wilson) tenta convencer a noiva, Inez (Rachel McAdams) de que não há e nunca houve uma cidade como Paris.

Especialmente quando chove. Ela não entende as razões de tanto fascínio, e diz que não poderia morar fora dos Estados Unidos. Gil está maravilhado com o cenário que inspirou Monet, mas Inez responde dizendo que ele está apaixonado por uma fantasia. A partir daí, acompanharemos as aventuras do casal por uma Paris bastante distinta, que varia conforme a ótica de cada um.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Meia-Noite em Paris): Woody Allen voltou à sua melhor forma. No texto ligeiro, cheio de referências e de humor inteligente. Meia-noite em Paris faz uma descarada e merecida homenagem à mais maravilhosa das cidades, Paris. Mas o filme é delicioso não apenas por isso, mas pelas pequenas ironias sobre a forma diferente com que as pessoas encaram as próprias vidas e as cidades pelas quais vão percorrendo enquanto esta mesma vida passa.

Como é costumeiro nos filmes de Allen, em Meia-noite em Paris os protagonistas vivem um momento de crise. (SPOILER - não leia se você não assistiu ao filme). E por ironia, vivem essa crise nas vésperas de dar o passo mais decisivo: o de se casarem. Mas eles parecem falar idiomas diferentes a todo o instante. E, desde o início, o espectador fica esperando para saber em qual momento eles irão se separar. Porque parece impossível eles darem certo. Ele é um romântico, sonhador. Ela, uma garota fascinada por alguém mais velho e que pareça vomitar conhecimento a cada palavra proferida - pura ilusão, diga-se. Porque ninguém sabe tudo. E aquele que parece estar dando uma aula constante, é apenas maçante.

Meia-noite em Paris tem o tempo certo. Não é longo demais, e nem repetitivo. E essas qualidades parecem ser cada vez mais difíceis de serem encontradas. Os filmes que conseguem acertar no tempo e na dose do vai-e-vem do roteiro sem torná-lo repetitivo são um verdadeiro achado. Claro que esta produção repete duas fórmulas: o conflito entre Gil e Paul (Michael Sheen), o "super-crânio" admirado por Inez, e as "voltas no tempo" do protagonista. Mas como em cada uma destas "repetições" há novidades, novos elementos, um molho nos diálogos, principalmente, a fórmula não parece ajustada. E também não se repete vezes demais.

O primeiro elemento que chama a atenção na produção e continua impecável até o final é a trilha sonora. E o apurado senso estético de Allen para capturar a essência de Paris. A trilha sonora que merece aplausos é mérito de Stephane Wrembel. Diferente de outros diretores, que poderiam perder tempo demais focando os cenários maravilhosos de Paris, Allen faz isso apenas na medida necessária. No "clipe" de homenagem que abre a produção e poucas vezes mais - e sempre tratando a cidade como pano-de-fundo de diálogos interessantes e interpretações sob medida. Nada de exageros, nada "over" - diferente de Vicky Cristina Barcelona, só para dar um exemplo recente. (continua... para ler, clique abaixo)

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Premiados no Goya e em Berlim

20 de fevereiro de 2012 0

Os Prêmios Goya, na Espanha, e o Festival de Berlim, na Alemanha, não tem o apelo popular mundo afora como o Oscar, festa maior da indústria cinematográfica de Hollywood badalada pelas celebridades. Mas as duas premiações, com características muito peculiares, servem de termômetro para o espectador encontrar bons filmes.

Neste ano, os Prêmios Goya foram entregues mais tarde do que em edições anteriores, quando os vencedores da disputa eram conhecidos mais no início de fevereiro. A 26ª edição da maior premiação do cinema espanhol foi promovida em Madri e revelou algumas das produções mais interessantes da última temporada do cinema latino.

A grande vencedora deste ano foi a produção No Habrá Paz Para Los Malvados, dirigida por Enrique Urbizu, cineasta nascido em Bilbao. Indicado em 14 categorias, o filme ganhou em seis: melhor filme, diretor, ator (Jose Coronado), roteiro original, edição e som.

O filme, ambientado em Madri, conta a história de um dia qualquer na vida do investigador policial Santos Trinidad (Coronado). Voltando para casa bêbado, ele se vê envolvido em um triplo assassinato. Para o "azar" do policial, há uma testemunha dos crimes. Ele então começa a empreender uma caçada para eliminar esta pessoa que pode prejudicá-lo. Enquanto isso, a juíza Chacón (Helena Miguel) começa a investigar o caso e aproximar-se da verdade.

Filme de ação, ambientado na capital espanhola e que, na disputa com La Piel que Habito, de Pedro Almodóvar, levou a melhor? No Habrá Paz Para Los Malvados merece ser conferido.

Falando no filme de Almodóvar, La Piel Que Habito saiu vencedor em duas categorias: Melhor Atriz, com a consagração de Elena Anaya, e Ator Revelação, entregue para Jan Cornet, sem dúvida um dos pontos fortes do filme. O veterano Lluis Homar ganhou como Melhor Ator Coadjuvante por seu papel em Eva, e Ana Wagener venceu como Atriz Coadjuvante por La Voz Dormida. O mesmo filme que premiou Wagener consagrou também María León como Atriz Revelação.

O diretor Kike Maíllo, de Eva, ganhou como Novo Diretor. O filme de animação Arrugas, dirigido por Ignacio Ferreras, saiu vencedor na categoria Melhor Roteiro Adaptado, deixando para trás a badalada produção La Piel Que Habito. A mesma produção saiu vencedora também na categoria Melhor Animação.

O Artista, um dos filmes mais consagrados dos últimos anos, saiu vencedor na categoria Filme Europeu. O argentino Um Conto Chinês, com o sempre ótimo Ricardo Darín, consagrou-se como Melhor Filme Hispanoamericano.

No mesmo mês em que o polêmico juiz Baltasar Garzón foi proibido de exercer suas funções durante 11 anos, o documentário Escuchando al Juez Garzón, dirigido pela talentosa Isabel Coixet, foi consagrado como Melhor Documentário nos Prêmios Goya. Um tópico a mais para polêmica na Espanha. Falando em polêmica, os seguranças do prêmio agiram rápido e impediram que três participantes do grupo Anonymous subissem ao palco para protestar contra a Lei Sinde, que prevê o controle de sites na internet utilizados para o compartilhamento de arquivos. Eles não conseguiram protestar sobre o palco com suas máscaras, mas o grupo teria tirado o site do prêmio do ar. Veja todos os premiados em Madri neste link.

No mesmo dia em que foram entregues os Prêmios Goya, na Espanha, ficaram conhecidos os ganhadores do Festival de Berlim, principal premiação do cinema na Alemanha. Diferente dos Goya, que focam o cinema espanhol comercial em primeiro plano, o Festival de Berlim tem como característica principal selecionar produções com um caráter mais alternativo de várias partes do mundo.

Este ano, mais uma vez, o Festival de Berlim distribuiu prêmios para várias de suas produções mais badaladas - dificilmente o evento concentra muitos prêmios para uma única produção, como acontece no Goya ou no Oscar.

O Urso de Ouro de Melhor Filme foi entregue para Cesare Deve Morire, dos italianos Paolo e Vittorio Taviani. A produção acompanha a encenação da peça Julio César, de Shakespeare, por detentos de uma prisão de segurança máxima de Roma. Este foi o único prêmio recebido pelo filme em Berlim.

O Grande Prêmio do Júri foi entregue para Just the Wind, do diretor húngaro Bence Fliegauf, que acompanha a vida de uma família de ciganos, vizinha de uma outra família, da mesma etnia, que foi atacada. A ótima diretora francesa Ursula Meier, de Home, ganhou uma Menção Especial por seu novo filme L'Enfant d'en Haut que, a exemplo de sua produção anterior, também está focado nas relações familiares.

O Urso de Prata de Melhor Diretor foi entregue para o alemão Christian Petzold, do filme Barbara. A produção conta a história de uma médica de Berlim que é enviada para uma pequena cidade da Alemanha Oriental nos anos 1980 como punição por ter solicitado uma visita à parte Ocidental do país. Vários filmes que valem uma conferida.

O Brasil marcou presença entre os premiados de duas maneiras diferentes. Primeiro, com a produção Tabu, realizada pelo português Miguel Gomes com recursos de Portugal, Alemanha, França e Brasil. O filme, que dividiu as opiniões dos jornalistas que acompanharam o festival, ganhou o Prêmio Alfred Bauer, entregue para produções inovadoras. O documentário brasileiro Licuri Surf, dirigido por Guile Martins, recebeu uma menção especial do Júri Internacional da mostra competitiva de curtas-metragens. Veja a lista completa de ganhadores escolhidos pelos diferentes grupos de jurados no site do festival.