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Posts na categoria "crítica"

Crítica de Diário de Um Jornalista Bêbado (The Rum Diary)

04 de maio de 2012 0

Diz a lenda que todo jornalista que se preze tem que ser bom de copo. Em outras palavras, deve beber bem - ou fumar, pelo menos, porque algum vício básico o jornalista deve ter. Diário de Um Jornalista Bêbado (The Rum Diary) resgata esta lenda e se aprofunda nela através da história do jornalista Paul Kemp, interpretado por Johnny Depp.

Quem acompanha a carreira do ator verá muitos pontos em comum entre Diário de Um Jornalista Bêbado e o ótimo Medo e Delírio (Fear and Loathing in Las Vegas), de 1998, dirigido por Terry Gilliam. Algo explica essa lembrança evidente: Diário de Um Jornalista Bêbado é inspirado no livro de Hunter S. Thompson, o mesmo autor da obra que inspirou Gilliam. O problema deste novo filme de Depp é que ele não é melhor que o filme de Gilliam. Só mesmo os jornalistas para se identificarem com esta produção e achá-la (talvez) interessante acima da média.

A HISTÓRIA: Um avião de acrobacias vermelho percorre o céu de Porto Rico, em 1960. Ele carrega uma faixa que dá as boas vindas para a Union Carbide. O jornalista Paul Kemp (Johnny Depp) acorda com o barulho do avião no hotel em que está hospedado, recebe o café da manhã e sai para falar com o editor chefe do jornal San Juan Star, Edward J. Lotterman (Richard Jenkins).

Mesmo não causando uma boa impressão, Kemp é contratado. Sua primeira missão é escrever o horóscopo diário do jornal. Pouco a pouco, ele vai adentrando na realidade de Porto Rico, mesmo sem falar espanhol, e é convocado pelo consultor de relações públicas Hal Sanderson (Aaron Eckhart), a emprestar o seu talento literário para um projeto de convencimento social de grupos imobiliários poderosos.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Diário de Um Jornalista Bêbado): Não tenho dúvidas que este filme afetará os seus distintos públicos de maneiras muito diferentes. Terá um impacto para os jornalistas, especialmente os da "velha guarda". E terá um efeito muito mais suave para os que não vivem os prazeres e agruras desta profissão.

Diário de Um Jornalista Bêbado, como o nome sugere, mostra a rotina de pessoas habituadas a beber muito. De entornar copos e copos - de cerveja e, principalmente, de rum. Afinal, estamos falando de Porto Rico, um país que é considerado um "Estado livre associado", ou seja, não é totalmente independente e nem mesmo uma parte integral dos Estados Unidos (em outras palavras, não é um dos estados dos EUA).

A história conta que Porto Rico foi conquistado pela Espanha em 1493. Em 1898, o país foi cedido para os Estados Unidos. Cem anos depois, um referendo decidiu que Porto Rico seguiria no meio do caminho entre ser independente e fazer parte integralmente dos Estados Unidos.

Desde 1917, quem nasce no país é considerado cidadão estadunidense. Mas pelo fato de Porto Rico não fazer parte da União de estados do país, seus cidadãos não podem votar para presidente, mas podem ajudar a eleger os vencedores das eleições primárias. Confuso, não?

Pois Diário de Um Jornalista Bêbado mostra esta confusão entre uma identidade própria de Porto Rico e sua forte dependencia dos Estados Unidos - ao ponto do país ser visto como um reduto de férias para os aposentados da classe média dos EUA. (continua... para ler, clique abaixo)

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Crítica de Um Método Perigoso (A Dangerous Method)

27 de abril de 2012 1

Me disseram, certo dia, que qualquer pessoa que quiser ajudar outra a se tratar psicologicamente deve ter, também, um pouco de loucura para resolver. Ou, em outras palavras, que qualquer psicólogo ou psiquiatra deve, em algum momento, precisar de análise também, para enfrentar os seus próprios problemas e/ou demônios.

Impossível não admirar a Freud, um dos grandes nomes das ciências de todos os tempos. Mas mesmo admirando-o, nunca entendi muito bem porque da fixação dele com as questões sexuais. Li algumas teorias a respeito, mas nunca me aprofundei sobre as razões que fizeram ele ir tão fundo apenas nesta direção. Um Método Perigoso (A Dangerous Method) surge para contribuir com estes debates porque ele foca uma amizade entre dois científicos que mudou a história. Fala de Freud e de Jung. Fascinante.

A HISTÓRIA: Dois homens seguram uma mulher descontrolada em uma carruagem. Sabina Spielrein (Keira Knightley) quer sair dali, ela resiste, mas quando a carruagem para, ela é levada para dentro da Clínica Burghölzli na cidade de Zurique, na Suíça, em agosto de 1904. Na manhã seguinte, ela é recepcionada pelo médico Carl Jung (Michael Fassbender), que começa a experimentar com Sabina os métodos de psicanálise de Sigmund Freud (Viggo Mortensen). A proposta de Jung é que ele e a paciente se encontrem quase todos os dias para conversar. Conforme o caso dela vai avançando e o tratamento surte efeito, Jung se arrisca a começar a corresponder-se com Freud. A partir daí, o filme conta a história destes três personagens.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu ao filme Um Método Perigoso): O surgimento da psicanálise, momento revolucionário no tratamento dos problemas e dores da mente, é o foco deste filme. A primeira sensação que Um Método Perigoso nos provoca é a da angústia, ao ver Keira Knightley se retorcendo, literalmente, para interpretar a personagem de Sabina Spielrein em sua fase de crise e mesmo depois.

A atriz faz um bom trabalho. Mas continuo achando que esse tipo de papel não é para ela. Senti Knightley um pouco deslocada no papel. Quando você sente o esforço do ator, é porque as coisas não vão bem. Quando assistimos a um ator vivenciando o personagem, tornando-o legítimo, aquele personagem faz sentido. Quando o esforço fica evidente... parece que para o espectador é jogada a outra parte do sacrifício.

Isso acontece com os outros dois atores. Eles estão bem, mas parecem se esforçar em assumir um tom sério e intelectual. Um Método Perigoso tem menos de duas horas, mas parece ter mais. E isso não se deve apenas à densidade do roteiro de Christopher Hampton, inspirado em sua peça The Talking Cure e no livro A Most Dangerous Method, de John Kerr. Parte do esforço que o espectador tem que fazer para continuar interessado na história se deve também pelas interpretações, algumas vezes forçadas.

Mas a história, por si só, é fascinante. E, evidentemente, não cabe em um filme, em uma peça ou em um livro. O surgimento da psicanálise e as relações amistosas e depois de ruptura entre Freud e Jung estão cheias de detalhes que merecem ser conhecidos e, eu diria, estudados.

Um Método Perigoso humaniza os dois ícones da psicanálise e nos faz pensar em como mesmo o mais genial e ousado cientista tem, ele próprio, as suas imperfeições. Se um ícone estivesse alheio a defeitos e problemas, não seria humano, certo? Eu já conhecia um pouco da história de Freud e Jung, mas francamente este filme torna muito mais simples a explicação de pontos fundamentais na vida dos cientista. Para começar, a fixação de Freud pelo que Jung chamou de "interpretação exclusivamente sexual do material clínico" que eles estudavam. (continua... para ler, clique abaixo)

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Crítica de A Perseguição (The Grey)

20 de abril de 2012 5

O que pode ser pior do que trabalhar em um local inóspito, gelado, cheio de neve por todos os lados e cercado por sujeitos durões, que curtem um bar e uma briga? E se na saída deste local, o avião em que você está cair, em local ainda mais inóspito?

A Perseguição (The Grey) mostra que realidades complicadas podem sempre ficar ainda mais complicadas. No melhor estilo de "nada que está ruim não pode piorar". Um filme angustiante, com um grande ator à frente do elenco, e que segura a tensão até o final. Belo trabalho do diretor Joe Carnahan, que tem um estilo seco e direto. Como uma história assim exige.

A HISTÓRIA: Cenário com montanhas geladas e trilha sonora composta de uivos. Instalações fumegantes, e a voz grave de Ottway (Liam Neeson) fala sobre um trabalho no fim do mundo. Ele se define como "um matador assalariado de uma grande companhia petrolífera". No início, você pensa que ele está fazendo uma fina ironia mas, de fato, ele é um matador. De lobos.

Ottway cuida da segurança dos funcionários da companhia, eliminando os animais ferozes quando eles se aproximam demais. Sujeito cheio de arrependimentos, Ottway segue o seu caminho meio que por inércia, até o dia em que eles tem que sair às pressas do local antes da chegada de uma tempestade de gelo. Eles embarcam em um avião, que sofre um acidente. A partir daí, Ottway e os sobreviventes terão que enfrentar as piores condições e perigos na busca pela sobrevivência.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu ao filme A Perseguição): Poucos tem a coragem do diretor e roteirista Joe Carnahan para fazer um filme como este. Porque, pela densidade e desesperança convicta desta produção, ela pode ser tudo, menos um projeto que renderá uma grande bilheteria.

As pessoas não querem saber de filmes como este. Querem assistir a fantasias, ou comédias escrachadas e repetitivas. Tudo que lhes faça esquecer um pouco da dureza de suas próprias realidades. Prova disso são as últimas grandes bilheterias de Hollywood.

Então é preciso ter coragem para fazer um filme como A Perseguição. Porque ele não alivia. Pelo contrário. Vai ficando cada vez mais tenso e forte conforme a história se desenvolve. E a beleza desta produção é que ela não é apenas isso. Um filme sobre situações extremas e o choque entre o homem racional e a sua parte irracional e/ou primitiva.

O protagonista, por exemplo, não é apenas uma figura dura, mas também um homem adulto que é capaz de olhar para o passado e citar a poesia do pai, ter foco em saídas corajosas no presente enquanto ele lembra da voz doce da amada perdida. E não é apenas ele que tem a história destrinchada. Outros personagens que o acompanham também tem suas memórias, temores e momentos de valentia. Esses elementos fazem toda a diferença em A Perseguição.

O cenário do filme parece impossível para qualquer ser humano. E, ainda assim, aquelas pessoas insistem em buscar a vida por lá. Contra todas as adversidades. Essa teimosia mostra a valentia do espírito daquelas pessoas, ou apenas uma falta extrema de alternativas? As duas respostas são válidas. (continua... para ler, clique abaixo)

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Crítica de À Margem do Lixo

13 de abril de 2012 1

Orgulhosos de seus trabalhos, organizados e militantes. À Margem do Lixo mostra uma ótica diferente dos catadores de materiais recicláveis de São Paulo. Sem narrador - o que reforça ainda mais a ótica dos realizadores - ou dados que revelem a importância daquele coletivo, o filme segue uma linha purista de documentário. Daquelas que conhecemos muito bem: o diretor e o roteirista assumem uma verdade e a perseguem até o final. Um filme interessante, que mostra parte da realidade. Como todo documentário, aliás.

A HISTÓRIA: Barracões. Um catador percorre o caminho entre eles, com o seu carrinho, enquanto um trem passa próximo. Depois, um catador corre e pasa por baixo de uma ponte, mas tem que parar para deixar o trem passar. Corta. A câmera agora mostra catadores com seus carrinhos cheios andando em meio ao trânsito de São Paulo.

Eles se arriscam, mas seguem puxando quantidades incríveis de papelão e de outros produtos recicláveis. Faça chuva, faça sol. Para alguns motoristas, eles são apenas empecilhos, estorvos no trânsito já naturalmente complicado. Eles aparecem também caminhando por calçadas. Pouco a pouco, começando pelo catador conhecido como Bispo, o documentário vai contando a história destas pessoas, homens e mulheres, com um filme totalmente narrado por eles.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu ao filme À Margem do Lixo): Uma realidade pode ser contada de muitas e muitas maneiras. Ainda que qualquer documentário registre o que acontece da forma mais verdadeira possível, sem artifícios, ele se torna apenas um documento de parte de uma realidade mais ampla.

À Margem do Lixo é um filme panfletário. E isso não é ruim. Claramente esta produção defende a categoria dos catadores de lixo, primeiro mostrando a dureza de seu trabalho. Depois, a dignidade daquelas pessoas e o orgulho que elas sentem pelo que fazem. Finalmente, enfoca a organização e as discussões deles como grupos em busca de condições mais dignas.

Entre um argumento e outro, a produção também descola o "trabalho humano" dos catadores daquele "trabalho de máquinas" do processamento daquele material recolhido pelos heróis desta história. De um lado, gente em busca de dignidade. De outro, indústrias sem trabalhadores.

Fica evidente a defesa dos realizadores de que há algo errado nestes extremos. De que falta um pouco de equilíbro na equação, e de repartir mais aquelas "riquezas". O dinheiro parece ser feito por máquinas, em um lirismo mecânico descolado do fim humanitário de todo aquele processo, que deveria ser o de dar oportunidades, comida e estudo para pessoas batalhadoras. (continua... para ler, clique abaixo)

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Crítica de 12 Horas (Gone)

13 de abril de 2012 1

Você sabe o que esperar de um thriller. Suspense, perseguições, adrenalina e alguma surpresa espalhada aqui e ali. 12 Horas (Gone), primeiro filme do brasileiro Heitor Dhalia feito em Hollywood, não escapa da fórmula. Pelo contrário. Segundo o próprio diretor, ele foi feito como mais um produto do gênero. Mesmo que Dhalia tenha seguido ordens e faça um bom trabalho, o problema de 12 Horas é o roteiro. Querendo brincar com lugares-comum, mas sem fazer muita graça, este filme apenas parece uma desculpa para fazer dinheiro. Previsto inicialmente para ser lançado no dia 6 de abril, hoje a assessoria da Paris Filme, distribuidora do filme no Brasil, confirmou que ele será lançado no dia 20 do próximo mês.

A HISTÓRIA: Uma garota, Jill (Amanda Seyfried) caminha por um bosque. Ela tem um mapa nas mãos. A câmera mostra ela riscando mais uma parte percorrida do imenso Forest Park. Vemos que ela percorreu, mais ou menos, metade do território. Ela volta para o carro, e vai para casa. Ela toma um banho, e fala com a irmã, Molly (Emily Wickersham), que está estudando para um exame. A irmã desaprova a ida de Jill ao bosque. Por sua vez, Jill fala algo sobre bebida que nos deixa pensar sobre problemas que a garota pode ter com as bebidas. Molly fala sobre elas saírem em um encontro no final de semana, mas Jill não parece gostar muito da ideia.

Depois, vemos cenas dela lutando com alguém, em uma espécie de pesadelo. Ela vai trabalhar como garçonete com o carro da irmã. Depois do expediente, volta para casa e encontra as coisas da irmã fora do lugar - a cama desarrumada, os livros e papéis que ela estava estudando bagunçados. Ela se desespera, porque acha que Molly foi sequestrada pelo homem que a tinha atacado alguns anos antes. A partir daí, ela empreende uma busca para saber o que aconteceu com Molly.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a 12 Horas): Honestamente, eu esperava um filme pior. Isso não quer dizer que 12 Horas seja bom. Mas como o blog Sala de Cinema foi convidado para o lançamento do filme, me interessei em saber o que a crítica internacional estava falando da produção. E não era muita coisa boa.

Então fui para São Paulo preparada para assistir a uma bomba. E, no final das contas, até que não achei 12 Horas tão ruim quanto os críticos estrangeiros haviam falado. Para início de conversa, como eu disse antes, algo que as pessoas precisam entender é que este filme é totalmente uma produção de gênero. Então sim, você terá a busca clássica por momentos de tensão, pelo suspense e a expectativa de reviravoltas. Como um thriller exige, há também muitas cenas de perseguição, e alguns personagens que podem mostrar-se culpados.

Gostei da direção de Heitor Dhalia. Acho que ele soube utilizar muito bem os recursos que teve à sua disposição. Tecnicamente falando, é um filme bem acabado. Dhalia utiliza muitos recursos de panorâmicas e mantêm a atenção quase todo o tempo nos olhões azuis de Amanda Seyfried. Esses são os seus acertos. Os principais problemas de Gone não residem na direção de Dhalia, mas no roteiro de Allison Burnett.

Li nas notas de produção de 12 Horas que Burnett comentou que escreveu este roteiro praticamente a toque de caixa. Ou seja, que não foi um trabalho que exigiu muito do roteirista. Isso fica evidente. Ele utiliza a velha premissa da "moça traumatizada que parece um tanto desequilibrada e em quem ninguém acredita" como protagonista. A sanidade mental de Jill é um dos elementos fortes do filme. Isso seria interessante, e poderia dar caldo, se fosse explorado de outra forma. (SPOILER - não leia se você não assistiu ao filme). Porque Burnett explora esse possível desequilíbrio de duas formas: mostrando que Jill tomava remédios de uso controlado e que já tinha sido internada em uma instituição psiquiátrica e com ela inventando uma história nova para cada pessoa que ia encontrando na busca pela irmã. (continua... para ler, clique abaixo)

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Crítica de A Dançarina e o Ladrão (El Baile de la Victoria)

30 de março de 2012 7

Um filme com vários clichês pode ser bom? Vai depender de como a história é conduzida, dos atores e, claro, de um roteiro sem nenhum grande absurdo pelo caminho. A Dançarina e o Ladrão (El Baile de la Victoria) foi atacado por parte da crítica internacional por ter muitos clichês. Apesar deles - ou inclusive por eles -, o filme demonstra o talento do espanhol Fernando Trueba em contar uma história sobre as possibilidades que todos deveriam ter de recomeçar a própria vida. Esta produção fala também sobre redenção, a descoberta do amor nos locais mais improváveis e sobre a (parece cada vez mais) difícil arte de sonhar.

A HISTÓRIA: Dois olhos castanhos olham em direção à Cordilheira dos Andes. Algo levanta poeira, ao longe, e a dona dos olhos castanhos parece agitar-se. A câmera sobe até o céu e retorna mostrando a cidade de Santiago do Chile. Uma notícia na rádio informa que o novo governo promulgou uma anistia para os presos do país, libertando todos que tivessem cumprido dois terços de suas penas e que não tivessem sido condenados por assassinato. Entre os que seriam soltos estava uma "lenda do crime", o ladrão especializado em roube de cofres Nicolás Vergara Grey (Ricardo Darín).

Mas a história vai centrar-se mesmo em um anistiado menos conhecido, o jovem Ángel Santiago (Abel Ayala) que, logo que sai da cadeia, encontra a apaixonante Victoria Ponce (Miranda Bodenhofer). A história destes dois e mais a de Vergara Grey será entrelaçada em um conto sobre as mudanças ocorridas no Chile após a ditatura de Pinochet.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu ao filme A Dançarina e o Ladrão): Como recomeçar a vida quando todas as portas parecem estar fechadas? Que chances dois ex-presidiários tem de serem respeitados e amados? Estas são duas perguntas levantadas por A Dançarina e o Ladrão. Mas o filme não fala apenas da dificuldade de dois indivíduos em se reerguerem, mas do desafio de toda uma nação para começar a dar os primeiros voos após um longo período de ditadura.

O roteiro do trio formado pelo diretor Fernando Trueba, de Jonás Trueba e de Antonio Skármeta é inspirado na obra homônima do escritor chileno lançada em 2003. Não li o livro de Skármeta, por isso não sei até que ponto o filme segue com fidelidade o original. Mas posso dizer que o diretor e os roteiristas acertaram na dosagem do drama, da comédia e da "aventura" nesta produção.

As histórias paralelas e intercaladas dos personagens de Vergara Grey e de Ángel mantêm o interesse do público até o final. Trueba não se preocupa em acelerar a narrativa, e nem cede ao estilo de um filme policial. Ele prefere equilibrar o drama dos dois ex-presidiários na busca por novas rotas na vida ao mesmo tempo que mostra o lirismo da dança e do talento de uma garota que plasma a dor provocada pela ditadura chilena.

(SPOILER - não leia se você não assistiu ao filme). Não é por acaso e nem forçada a mudez traumática da personagem Victoria. Toda a odisseia envolvendo a garota, que dá título ao filme, na busca por uma oportunidade, de leveza e da própria "voz" resume a própria trajetória do país, que deve buscar os caminhos para encontrar o "gosto" pela vida novamente. Também não é à toa o pulso cicatrizado de Victoria, e o amor que ela sente por um garoto como Ángel. O condor macho do final, símbolo clássico da liberdade, também não aparece por acidente.

Aliás, cada parte de A Dançarina e o Ladrão é bem planejado. Eis um filme inteligente, e que não pensa duas vezes em abrir espaço para cenas plasticamente bonitas. Alguns podem ficar irritados quando Ángel sai cavalgando pela cidade. Eu achei lindo. E a reação das pessoas enquanto ele passava, de espanto e resistência, mostra como ninguém hoje parece estar aberto para o inusitado e para as belas surpresas que a vida pode nos trazer - ainda mais em cenários de dureza, como os dos centros urbanos.

Depois, claro, há uma explicação para o apreço de Ángel por aquele cavalo. Algo até dispensável - a explicação, me refiro. Mas que pode agradar às pessoas que precisam sempre de uma saída lógica para tudo que veem pela frente. O trio de protagonistas luta por uma oportunidade. E por suas próprias paixões.

Vergara Grey tem frustrado o sonho de resgatar o afeto familiar. E o que fazer quando o que você mais queria retomar não existe mais? Para alguns, isso pode significar o fim da linha. Mas a história de amor até certo ponto pueril de Ángel e Victoria faz o veterano ícone da bandidagem rever a sua própria história, quando ela ainda não estava falida. (continua... para ler, clique abaixo)

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Crítica de Sete Dias com Marilyn (My Week with Marilyn)

17 de março de 2012 0

Você que, como eu, tem uma paixão contagiante pelo cinema, já se imaginou acompanhando os bastidores de filmagem de uma produção com alguns dos grandes astros de sua época? Agora, imagine ter feito isso na era das grandes estrelas, ter visto e convivido de perto com Marilyn Monroe, por exemplo.

Sete Dias com Marilyn (My Week with Marilyn) torna este sonho realidade. Nos aproxima de uma das maiores estrelas de Hollywood de todos os tempos. Conhecemos um pouco da intimidade da diva, sua fragilidade, talento e carisma. E é de cair o queixo a interpretação de Michelle Williams para o papel. Perfeita, para dizer o mínimo.

A HISTÓRIA: O filme começa nos contando que, em 1956, no auge de sua carreira, Marilyn Monroe (Michelle Williams) viajou para a Inglaterra para fazer um filme com Sir Laurence Olivier (Kenneth Branagh). Chegando lá, ela conheceu um jovem chamado Colin Clark (Eddie Redmayne), que escreveu um diário sobre os bastidores das filmagens. E o filme é a história real sobre o que aconteceu.

No breu, ela aparece do lado direito da tela. Quando o holofote acende sobre ela, a diva se vira. E dá um show. Começa aí a história da experiência de Marilyn Monroe na Inglaterra, contada por Clark. Através daquele jovem fascinado pelo cinema, acompanhamos os bastidores da filmagem de O Príncipe Encantado (The Prince and the Showgirl), e nos aproximamos de alguns dos grandes astros daquela época. Com destaque, é claro, para a complexidade da personalidade de Marilyn e das pessoas que a cercavam.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Sete Dias com Marilyn): Impressionante. Ficamos fascinados com Michelle Williams como Marilyn Monroe. Da mesma forma com que o personagem de Colin Clark, embasbacado com aquela sequência inicial do filme que está sendo exibida em uma sala de cinema repleta de homens igualmente babões. Ela faz um trabalho impecável e marcante. Algumas vezes, a ponto do espectador ser até capaz de esquecer da Marilyn original, e acreditar que esta assistindo à diva na telona outra vez.

Até assistir a esse filme, eu não sabia que se tratava de uma história real, baseada nos escritos de um admirador que teve a oportunidade de conviver com Marilyn por um período. Interessante a forma com que esta história real foi contada. Bom trabalho do roteirista Adrian Hodges, baseado nos livros My Week with Marilyn e The Prince, the Showgirl and Me, escritos por Clark.

Ele acerta em começar com Marilyn na telona do cinema e, a partir daí, abraçar a ótica do narrador desta história. A empatia é criada rapidamente, e isso é fundamental para o espectador continuar interessado no filme.

Além disso, claro, o diretor Simon Curtis acerta ao apostar no trabalho de seus atores. Ele evidencia não apenas Michelle Williams e Kenneth Branagh, mas o "narrador" Eddie Redmayne e todos os demais intérpretes selecionados à dedo para esta produção. E o elenco, aliás, é exemplar.

Julia Ormond interpreta à diva Vivien Leigh, mulher de Laurence Olivier; Emma Watson interpreta à Lucy, que trabalha nos estúdios e atrai o protagonista; Dougray Scott interpreta a Arthur Miller, marido de Marilyn; Dominic Cooper a Milton Greene, fotógrafo e amigo pessoal de Marilyn; Judi Dench, fantástica, interpreta a Sybill Thorndike; e Zoë Wanamaker à Paula Strasberg, que não desgruda de Marilyn. Todos estes tem relevância para a história e aparecem muito bem em cena.

Eis um filme de atores. Com grandes interpretações. Como não poderia deixar de ser. Até porque esta é uma produção que conta sobre os bastidores de um filme. Então os acertos, erros, exageros, o talento e, porque não, o ego dos atores está em evidência. Interessante como Sete Dias com Marilyn mostra astros como Monroe e Laurence Olivier de perto, com todas as suas fraquezas e talento. (continua... para ler, clique abaixo)

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Crítica de Shame

16 de março de 2012 1

Duas pessoas com problemas. Graves, sem uma solução fácil. Mas a dificuldade para a solução está, justamente, na forma desapegada de vivermos atualmente. Shame permanece focado na história de dois indivíduos mas, através deles, o filme reflete sobre a hiper sexualidade de uma geração sem amarras, com pouca capacidade para se comprometer, mas que busca constantemente o prazer. Ainda que interessante e com duas grandes atuações, Shame é um filme um tanto repetitivo e bastante erótico. Bem feito, mas lhe falta um pouco de inventividade.

A HISTÓRIA: Um homem está acordado e olha para o alto enquanto está deitado nu na cama, com o lençol tapando metade de seu corpo. Ele se levanta. Depois, aparece na estação do metrô. Dentro de um vagão, ele observa os passageiros, até fixar o olhar em uma jovem bonita. Corta.

Em outra ocasião, logo após gozar ao lado de uma mulher qualquer, ele sai nu pela casa e ouve uma mensagem na secretária eletrônica. Uma mulher pede para ele atender o telefone. A garota no metrô começa a ficar constrangida com o olhar fixo dele.

O homem, em outra ocasião, recebe uma garota de programa em casa. Segue a sequência anterior, da gravação, e descobrimos que o nome deste homem é Brandon (Michael Fassbender). Vamos acompanhá-lo no trabalho e em suas variadas cenas de conquista e sexo.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Shame): Logo de cara, nós sabemos que aquele homem tem algum problema. E a música que o acompanha, de permanente "suspense" apenas aumenta a expectativa para que algo de muito errado aconteça. O bom é que esta expectativa não termina em um lugar-comum fácil, como de que ele é um psicopata, assassino de prostitutas, ou um maluco deste gênero.

Pelo contrário. O personagem de Brandon Sullivan assusta pelo tanto que ele é um "sujeito comum". Não sei vocês, mas eu fiquei o tempo todo pensando sobre a quantidade de homens solteiros que fazem o mesmo que ele. Que estão pensando o tempo todo em sexo e cuidando de sentir prazer o máximo de tempo possível. Não é ruim, é claro, sentir prazer. Mas buscá-lo daquela forma, simplesmente, sem nenhum apego ou risco de compromisso, é sinal de doença. E grave.

Impressionante como o protagonista de Shame não tem apego por nada. Ele vai para o trabalho, mas não gosta do que faz. Ou não se interessa o suficiente pela profissão - do contrário, não chegaria constantemente atrasado.

Não tem relacionamentos verdadeiros. Sai com o chefe, David Fisher (James Badge Dale), que vê em Brandon a isca perfeita para despertar o interesse de mulheres interessantes. Pega mulheres à torto e direito, mas não se encontra com elas mais do que uma noite. (continua... para ler, clique abaixo)

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Crítica de O Pacto (Seeking Justice)

09 de março de 2012 2

Nos últimos anos o ator Nicolas Cage vem demonstrando um gosto um tanto estragado para a escolha de papéis no cinema. Não foi um, mas vários filmes duvidáveis que o ator ganhador de um Oscar escolheu para protagonizar. O Pacto (Seeking Justice) faz parte deste grupo de produções de baixa qualidade. O argumento principal é difícil de engolir, mas o principal é a execução da história e os buracos deixados aqui e ali.

A HISTÓRIA: Um homem pergunta para outro se ele está desperdiçando o seu tempo. Uma câmera grava a conversa. O homem que está sendo focado pela câmera diz que se "eles" souberem da conversa, vão matá-lo. O outro pergunta para ele como funciona. O homem que está sendo gravado diz que aquilo está errado e se levanta. Ameaça ir embora, mas o outro segura a sua mão e diz que ele está fazendo a coisa certa. Daí pergunta o que significa a frase "o coelho faminto pula".

Depois, o homem nervoso caminha até o carro. Antes de ir embora, ele é impulsionado por outro veículo e caido estacionamento elevado sobre outro carro. Corta. Cenas de festa urbana. Em um bar, o casal Will Gerard (Nicolas Cage) e Laura (January Jones), cercado de amigos, celebra mais um ano de união. Mais tarde, ela será agredida em um assalto, e Will toma uma decisão arriscada.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a O Pacto): Este filme tenta reinventar uma fórmula batida. Aquela da linda mulher, casada, feliz, que é violentada e agredida em um assalto, o que provoca indignação e vonta de vingança no marido. Ao invés dele sair armado por aí atrás do bandido, desta vez ele ganha uma outra alternativa.

A ideia de mostrar uma outra solução para o problema, mas ainda explorando o desejo de vingança de um cidadão comum, não é ruim. A falha de O Pacto é a sua execução. O roteiro de Robert Tannen, desenvolvido a partir de uma estória criada por ele e por Todd Hickey, é muito ruim. Difícil de engolir, desde o início. E os atores, que parecem não ter engolido aquelas linhas e falas do roteiro, também não ajudam. Todos estão mal, especialmente Cage.

Para a história desse filme convencer, para começo de conversa, o personagem de Cage deveria parecer muito mais desesperado e indignado do que aparece aqui. Talvez um outro ator, em seu lugar, nos convenceria melhor. Depois, o homem que faz a oferta infame deveria aparecer de outro jeito, vocês não acham? (continua... para ler, clique abaixo)

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Crítica de Drive

02 de março de 2012 1

Um filme com estilo. No conteúdo e na forma. Drive resgata um jeito de fazer cinema um tanto esquecido e presenteia o espectador com uma história bem contada e envolvente. Quem diria que um sujeito bom de braço no volante poderia ser tão versátil. E render tantas cenas instigantes muito além da ação. Drive lembra um pouco o estilo da boa fase de Quentin Tarantino. Mas não é uma cópia do estilo do diretor ou mesmo uma releitura. Ele tem criatividade e estilo próprio, com foco menor nos diálogos e uma atenção maior em outros quesitos.

A HISTÓRIA: Um homem (Ryan Gosling) comenta, por telefone e olhando por uma janela de hotel, que há milhares de ruas em Los Angeles. E que basta o interlocutor dizer hora e local, que ele dará cinco minutos para ele. Depois deste tempo, ele vai embora, não importa o que aconteça. Em seguida, ele diz que a pessoa não poderá falar mais com ele naquele celular. O homem então pega uma bolsa e sai do quarto. Dirige pelas ruas iluminadas, até chegar em uma oficina e pegar um Chevy Empala, um carro mais básico e comum para ele dirigir.

O dono da oficina, Shannon (Bryan Cranston) explica que este é o carro mais usado na Califórnia. O protagonista então dirige, escutando a transmissão do jogo entre Celtics e Clippers. Chega no lugar combinado, vê dois homens atravessando a rua e tira o relógio do pulso para colocá-lo no volante. Ele dá cinco minutos para eles fazerem o roubo e depois segue para a fuga. A partir daí, mergulhamos na vida deste motorista.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Drive): Uma pessoa nunca é uma coisa só. Um médico não é apenas um sujeito que tenta curar pessoas. Ele também pode ser um pai, sem dúvidas é um filho - ou já foi um -, um apreciador de bons vinhos, um especialista em mitologia grega, um ótimo pescador e tantas outras coisas... Da mesma forma, o protagonista de Drive não é apenas um ótimo motorista. Mas a habilidade dele para guiar com maestria um carro e seu conhecimento das ruas de Los Angeles fazem ele utilizar este diferencial para muitas funções.

No começo de Drive, ele parece ser apenas um motorista voraz e especialista em fugas espetaculares. E aí surge a primeira boa sacada da direção de Nicolas Winding Refn: mostrar como o ingrediente principal do protagonista não é a destreza, dirigir o carro de uma maneira enfurecida, mas a inteligência. Ele conhece como ninguém as ruas e quebradas de Los Angeles. Sabe como a polícia funciona. E, pouco a pouco, o roteiro de Hossein Amini vai nos mostrando que ele conhece também, com precisão, o funcionamento da bandidagem.

Um grande acerto do filme, para começar, é esta resistência em cair no lugar-comum de um filme de ação. Ainda que a destreza no volante seja fundamental para o protagonista, este não é o único elemento que o diferencia dos demais. A inteligência e o comportamento reto, centrado em proteger a Irene (Carey Mulligan) e seu filho, Benicio (Kaden Leos), e a manter-se vivo, contam muito mais.

Então Drive acaba tendo elementos de filmes de ação, mas ele também abraça o drama e o suspense. Faz lembrar dos filmes noir, não apenas pelo estilo, mas pela lógica da produção, na qual o protagonista parece fadado a se dar mal - e tem que lutar para manter-se o mais limpo possível em um ambiente de contravenções e de um tipo de "submundo".

Como em tantas outras produções, acompanhamos o protagonista em um momento de ruptura. Ele está deixando a vida de motorista de ladrões para abraçar apenas as suas outras duas profissões: dublê de astros em filmes de ação e mecânico. Neste momento, como manda a regra da roda-viva do cotidiano, ele também encontra outro motivo para mudar de foco: conhece a Irene e seu filho. Fica encantado por ela, e parece que o interesse é recíproco. Mas como nunca as coisas são fáceis, ele só se complica com esta ilusão de viver um grande amor. (continua... para ler, clique abaixo)

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