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Posts na categoria "filme premiado"

Crítica de Diário de Um Jornalista Bêbado (The Rum Diary)

04 de maio de 2012 0

Diz a lenda que todo jornalista que se preze tem que ser bom de copo. Em outras palavras, deve beber bem - ou fumar, pelo menos, porque algum vício básico o jornalista deve ter. Diário de Um Jornalista Bêbado (The Rum Diary) resgata esta lenda e se aprofunda nela através da história do jornalista Paul Kemp, interpretado por Johnny Depp.

Quem acompanha a carreira do ator verá muitos pontos em comum entre Diário de Um Jornalista Bêbado e o ótimo Medo e Delírio (Fear and Loathing in Las Vegas), de 1998, dirigido por Terry Gilliam. Algo explica essa lembrança evidente: Diário de Um Jornalista Bêbado é inspirado no livro de Hunter S. Thompson, o mesmo autor da obra que inspirou Gilliam. O problema deste novo filme de Depp é que ele não é melhor que o filme de Gilliam. Só mesmo os jornalistas para se identificarem com esta produção e achá-la (talvez) interessante acima da média.

A HISTÓRIA: Um avião de acrobacias vermelho percorre o céu de Porto Rico, em 1960. Ele carrega uma faixa que dá as boas vindas para a Union Carbide. O jornalista Paul Kemp (Johnny Depp) acorda com o barulho do avião no hotel em que está hospedado, recebe o café da manhã e sai para falar com o editor chefe do jornal San Juan Star, Edward J. Lotterman (Richard Jenkins).

Mesmo não causando uma boa impressão, Kemp é contratado. Sua primeira missão é escrever o horóscopo diário do jornal. Pouco a pouco, ele vai adentrando na realidade de Porto Rico, mesmo sem falar espanhol, e é convocado pelo consultor de relações públicas Hal Sanderson (Aaron Eckhart), a emprestar o seu talento literário para um projeto de convencimento social de grupos imobiliários poderosos.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Diário de Um Jornalista Bêbado): Não tenho dúvidas que este filme afetará os seus distintos públicos de maneiras muito diferentes. Terá um impacto para os jornalistas, especialmente os da "velha guarda". E terá um efeito muito mais suave para os que não vivem os prazeres e agruras desta profissão.

Diário de Um Jornalista Bêbado, como o nome sugere, mostra a rotina de pessoas habituadas a beber muito. De entornar copos e copos - de cerveja e, principalmente, de rum. Afinal, estamos falando de Porto Rico, um país que é considerado um "Estado livre associado", ou seja, não é totalmente independente e nem mesmo uma parte integral dos Estados Unidos (em outras palavras, não é um dos estados dos EUA).

A história conta que Porto Rico foi conquistado pela Espanha em 1493. Em 1898, o país foi cedido para os Estados Unidos. Cem anos depois, um referendo decidiu que Porto Rico seguiria no meio do caminho entre ser independente e fazer parte integralmente dos Estados Unidos.

Desde 1917, quem nasce no país é considerado cidadão estadunidense. Mas pelo fato de Porto Rico não fazer parte da União de estados do país, seus cidadãos não podem votar para presidente, mas podem ajudar a eleger os vencedores das eleições primárias. Confuso, não?

Pois Diário de Um Jornalista Bêbado mostra esta confusão entre uma identidade própria de Porto Rico e sua forte dependencia dos Estados Unidos - ao ponto do país ser visto como um reduto de férias para os aposentados da classe média dos EUA. (continua... para ler, clique abaixo)

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Crítica de Um Método Perigoso (A Dangerous Method)

27 de abril de 2012 1

Me disseram, certo dia, que qualquer pessoa que quiser ajudar outra a se tratar psicologicamente deve ter, também, um pouco de loucura para resolver. Ou, em outras palavras, que qualquer psicólogo ou psiquiatra deve, em algum momento, precisar de análise também, para enfrentar os seus próprios problemas e/ou demônios.

Impossível não admirar a Freud, um dos grandes nomes das ciências de todos os tempos. Mas mesmo admirando-o, nunca entendi muito bem porque da fixação dele com as questões sexuais. Li algumas teorias a respeito, mas nunca me aprofundei sobre as razões que fizeram ele ir tão fundo apenas nesta direção. Um Método Perigoso (A Dangerous Method) surge para contribuir com estes debates porque ele foca uma amizade entre dois científicos que mudou a história. Fala de Freud e de Jung. Fascinante.

A HISTÓRIA: Dois homens seguram uma mulher descontrolada em uma carruagem. Sabina Spielrein (Keira Knightley) quer sair dali, ela resiste, mas quando a carruagem para, ela é levada para dentro da Clínica Burghölzli na cidade de Zurique, na Suíça, em agosto de 1904. Na manhã seguinte, ela é recepcionada pelo médico Carl Jung (Michael Fassbender), que começa a experimentar com Sabina os métodos de psicanálise de Sigmund Freud (Viggo Mortensen). A proposta de Jung é que ele e a paciente se encontrem quase todos os dias para conversar. Conforme o caso dela vai avançando e o tratamento surte efeito, Jung se arrisca a começar a corresponder-se com Freud. A partir daí, o filme conta a história destes três personagens.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu ao filme Um Método Perigoso): O surgimento da psicanálise, momento revolucionário no tratamento dos problemas e dores da mente, é o foco deste filme. A primeira sensação que Um Método Perigoso nos provoca é a da angústia, ao ver Keira Knightley se retorcendo, literalmente, para interpretar a personagem de Sabina Spielrein em sua fase de crise e mesmo depois.

A atriz faz um bom trabalho. Mas continuo achando que esse tipo de papel não é para ela. Senti Knightley um pouco deslocada no papel. Quando você sente o esforço do ator, é porque as coisas não vão bem. Quando assistimos a um ator vivenciando o personagem, tornando-o legítimo, aquele personagem faz sentido. Quando o esforço fica evidente... parece que para o espectador é jogada a outra parte do sacrifício.

Isso acontece com os outros dois atores. Eles estão bem, mas parecem se esforçar em assumir um tom sério e intelectual. Um Método Perigoso tem menos de duas horas, mas parece ter mais. E isso não se deve apenas à densidade do roteiro de Christopher Hampton, inspirado em sua peça The Talking Cure e no livro A Most Dangerous Method, de John Kerr. Parte do esforço que o espectador tem que fazer para continuar interessado na história se deve também pelas interpretações, algumas vezes forçadas.

Mas a história, por si só, é fascinante. E, evidentemente, não cabe em um filme, em uma peça ou em um livro. O surgimento da psicanálise e as relações amistosas e depois de ruptura entre Freud e Jung estão cheias de detalhes que merecem ser conhecidos e, eu diria, estudados.

Um Método Perigoso humaniza os dois ícones da psicanálise e nos faz pensar em como mesmo o mais genial e ousado cientista tem, ele próprio, as suas imperfeições. Se um ícone estivesse alheio a defeitos e problemas, não seria humano, certo? Eu já conhecia um pouco da história de Freud e Jung, mas francamente este filme torna muito mais simples a explicação de pontos fundamentais na vida dos cientista. Para começar, a fixação de Freud pelo que Jung chamou de "interpretação exclusivamente sexual do material clínico" que eles estudavam. (continua... para ler, clique abaixo)

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Crítica de À Margem do Lixo

13 de abril de 2012 1

Orgulhosos de seus trabalhos, organizados e militantes. À Margem do Lixo mostra uma ótica diferente dos catadores de materiais recicláveis de São Paulo. Sem narrador - o que reforça ainda mais a ótica dos realizadores - ou dados que revelem a importância daquele coletivo, o filme segue uma linha purista de documentário. Daquelas que conhecemos muito bem: o diretor e o roteirista assumem uma verdade e a perseguem até o final. Um filme interessante, que mostra parte da realidade. Como todo documentário, aliás.

A HISTÓRIA: Barracões. Um catador percorre o caminho entre eles, com o seu carrinho, enquanto um trem passa próximo. Depois, um catador corre e pasa por baixo de uma ponte, mas tem que parar para deixar o trem passar. Corta. A câmera agora mostra catadores com seus carrinhos cheios andando em meio ao trânsito de São Paulo.

Eles se arriscam, mas seguem puxando quantidades incríveis de papelão e de outros produtos recicláveis. Faça chuva, faça sol. Para alguns motoristas, eles são apenas empecilhos, estorvos no trânsito já naturalmente complicado. Eles aparecem também caminhando por calçadas. Pouco a pouco, começando pelo catador conhecido como Bispo, o documentário vai contando a história destas pessoas, homens e mulheres, com um filme totalmente narrado por eles.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu ao filme À Margem do Lixo): Uma realidade pode ser contada de muitas e muitas maneiras. Ainda que qualquer documentário registre o que acontece da forma mais verdadeira possível, sem artifícios, ele se torna apenas um documento de parte de uma realidade mais ampla.

À Margem do Lixo é um filme panfletário. E isso não é ruim. Claramente esta produção defende a categoria dos catadores de lixo, primeiro mostrando a dureza de seu trabalho. Depois, a dignidade daquelas pessoas e o orgulho que elas sentem pelo que fazem. Finalmente, enfoca a organização e as discussões deles como grupos em busca de condições mais dignas.

Entre um argumento e outro, a produção também descola o "trabalho humano" dos catadores daquele "trabalho de máquinas" do processamento daquele material recolhido pelos heróis desta história. De um lado, gente em busca de dignidade. De outro, indústrias sem trabalhadores.

Fica evidente a defesa dos realizadores de que há algo errado nestes extremos. De que falta um pouco de equilíbro na equação, e de repartir mais aquelas "riquezas". O dinheiro parece ser feito por máquinas, em um lirismo mecânico descolado do fim humanitário de todo aquele processo, que deveria ser o de dar oportunidades, comida e estudo para pessoas batalhadoras. (continua... para ler, clique abaixo)

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Titanic consegue a terceira melhor bilheteria

09 de abril de 2012 0

O fenômeno voltou mostrando fôlego. Titanic, na versão 3D, não conseguiu desbancar Jogos Vorazes da liderança das bilheterias nos Estados Unidos, mas registrou um belo resultado.

No primeiro final de semana em cartaz, a produção de James Cameron conseguiu US$ 17,35 milhões nos Estados Unidos. Menos que a estreia American Pie: O Reencontro, sequência dos filmes de comédia estrelados por Jason Biggs, e que o primeiro blockbuster do ano, Jogos Vorazes, que continua em primeiro lugar nas bilheterias e arrecadou mais US$ 33,5 milhões no final de semana.

O desempenho de Titanic, produção lançada em 2D há quase 15 anos e que continua sendo o segundo filme com maior bilheteria da história, não é nada desprezível.


Desde que estreou nos Estados Unidos, na quarta-feira da semana passada em circuito restrito, Titanic 3D faturou cerca de US$ 25,71 milhões nas bilheterias. Cinco dias do filme em cartaz já pagaram o investimento de James Cameron - de cerca de US$ 18 milhões - na transformação do material original em 3D.

Esse bom começo é um sinal importante de que o filme se dará muito bem nas bilheterias dos diferentes mercados.

O desempenho de cinco dias já colocaram Titanic em quinto lugar entre os filmes feitos originalmente em 2D e que depois foram relançados em 3D.

Com US$ 25,71 milhões nos Estados Unidos, ele fica atrás apenas de Toy Story/Toy Story 3D (e que faturou US$ 30,7 milhões), Star Wars: Episódio I - A Ameaça Fantasma 3D (US$ 43,28 milhões), A Bela e a Fera 3D (US$ 47,41 milhões) e de O Rei Leão 3D (US$ 94,24 milhões). Mas tem grandes chances de superá-los nas próximas semanas.

Estes números mostram como o drama do naufrágio do transatlântico, que esta semana completa um século e, principalmente, o romance entre Jack e Rosie, interpretados por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet, continua fascinando o grande público.

A crença de que valeria retomar esta história no cinema agora, 15 anos depois de sua estreia original, atingindo fãs do drama histórico e também um público jovem que não teve acesso ao filme de 1997, foi mais uma aposta acertada de James Cameron.



Reestreia do fenômeno Titanic 15 anos depois

06 de abril de 2012 0

Segunda melhor bilheteria da história, fenômeno que levou multidões a chorar e assistir ao mesmo enredo repetidas vezes antes de surgirem na telona os filmes de Harry Potter e Crepúsculo, Titanic volta para os cinemas a partir de hoje. E repaginado.

O retorno da história de amor entre Rose e Jack não acontece em um momento qualquer. O filme completa 15 anos do lançamento inicial (feito em dezembro de 1997), e reestreia uma semana antes do centenário do naufrágio do transatlântico que era considerado indestrutível.

Titanic é uma grande produção em todos os sentidos. Primeiro, por resgatar um dos maiores desastres da história. Depois, por ter 3h14min de duração, ter consumido cerca de US$ 200 milhões e faturado 11 Oscar's.

Superlativo também foi o faturamento do filme: Titanic conseguiu US$ 600,8 milhões nos Estados Unidos e outros US$ 1,24 bilhões no restante do mundo. No total, R$ 1,84 bilhões - mais de nove vezes o custo para ser produzido.

Com estes números, Titanic tornou-se a maior bilheteria de todos os tempos em 1997. Ele só seria superado em 2009 por outro filme dirigido por James Cameron: Avatar.

A produção, ambientada em Pandora, faturou pouco mais de US$ 760,5 milhões nos Estados Unidos e outros US$ 2 bilhões nos outros mercados mundo afora. No total, US$ 2,78 bilhões. Mas como o filme custou mais que Titanic, certamente o lucro dele não chegou a ser tão grande quanto o filme de Jack e Rosie.

James Cameron repaginou Titanic para o formato 3D. Segundo a crítica Claudia Puig, do USA Today, os cenáriso estonteantes e os momentos de tensão da produção original ficaram ainda mais espetaculares com o recurso 3D. "Ao contrário de muitos filmes 3D que são escuros, as imagens do Titanic são mais nítidas, e a inundação quase vertical e a quebra do transatlântico em dois após o choque com o iceberg é ainda mais angustiante", escreveu.

De acordo com a crítica, as cenas das inundações, assim como o desespero dos ocupantes do Titanic por sobreviver, e a heróica sequência em que Jack salva Rose de pular da borda do transatlântico acabam sendo ressaltados pelos novos efeitos.

O 3D evidencia o "virtuosismo técnico" do diretor, na opinião de Puig, na mesma medida que torna evidente algumas fraquezas do roteiro, da edição e a sobra de certas cenas que não seriam necessárias.

Por outro lado, sequências como a tentativa do transatlântico de desviar do iceberg e as quedas dramáticas que seguem ao choque acabam sendo irritantes - a conversão não resolve os problemas do original, segundo Puig.


Segundo o crítico Peter Howell, do Toronto Star, a repaginada de Titanic para o 3D é um "sucesso absoluto". Ele percebeu isso ao ver um "grande número de espectadores" chorando durante e após a pré-estreia do filme, o que comprovaria o "impacto duradouro do romance" entre Rose e Jack.

James Cameron teria gasto US$ 18 milhões e 60 semanas para transformar o Titanic original, em 2D, nesta nova versão em 3D. O resultado está em cada segundo do filme, segundo Howell, porque a produção ficou com imagens mais nítidas e iluminadas. A grandiosidade do Titanic é percebida de maneira ainda mais forte pelos espectadores, assim como a sequência em que a câmera gira enquanto a orquestra toca fica mais intensa, a ponto de quase provocar vertigem.

A dúvida é quanto esta nova versão do clássico de James Cameron conseguirá faturar nas bilheterias. Quantas pessoas que já assistiram a este filme repetidas vezes voltarão a encantar-se com a trama, e quantas delas vão chorar, mais uma vez, com aquela história de amor. A partir de hoje, estas perguntas começarão a ser respondidas.

Crítica de Sete Dias com Marilyn (My Week with Marilyn)

17 de março de 2012 0

Você que, como eu, tem uma paixão contagiante pelo cinema, já se imaginou acompanhando os bastidores de filmagem de uma produção com alguns dos grandes astros de sua época? Agora, imagine ter feito isso na era das grandes estrelas, ter visto e convivido de perto com Marilyn Monroe, por exemplo.

Sete Dias com Marilyn (My Week with Marilyn) torna este sonho realidade. Nos aproxima de uma das maiores estrelas de Hollywood de todos os tempos. Conhecemos um pouco da intimidade da diva, sua fragilidade, talento e carisma. E é de cair o queixo a interpretação de Michelle Williams para o papel. Perfeita, para dizer o mínimo.

A HISTÓRIA: O filme começa nos contando que, em 1956, no auge de sua carreira, Marilyn Monroe (Michelle Williams) viajou para a Inglaterra para fazer um filme com Sir Laurence Olivier (Kenneth Branagh). Chegando lá, ela conheceu um jovem chamado Colin Clark (Eddie Redmayne), que escreveu um diário sobre os bastidores das filmagens. E o filme é a história real sobre o que aconteceu.

No breu, ela aparece do lado direito da tela. Quando o holofote acende sobre ela, a diva se vira. E dá um show. Começa aí a história da experiência de Marilyn Monroe na Inglaterra, contada por Clark. Através daquele jovem fascinado pelo cinema, acompanhamos os bastidores da filmagem de O Príncipe Encantado (The Prince and the Showgirl), e nos aproximamos de alguns dos grandes astros daquela época. Com destaque, é claro, para a complexidade da personalidade de Marilyn e das pessoas que a cercavam.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso recomendo que só continue a ler quem já assistiu a Sete Dias com Marilyn): Impressionante. Ficamos fascinados com Michelle Williams como Marilyn Monroe. Da mesma forma com que o personagem de Colin Clark, embasbacado com aquela sequência inicial do filme que está sendo exibida em uma sala de cinema repleta de homens igualmente babões. Ela faz um trabalho impecável e marcante. Algumas vezes, a ponto do espectador ser até capaz de esquecer da Marilyn original, e acreditar que esta assistindo à diva na telona outra vez.

Até assistir a esse filme, eu não sabia que se tratava de uma história real, baseada nos escritos de um admirador que teve a oportunidade de conviver com Marilyn por um período. Interessante a forma com que esta história real foi contada. Bom trabalho do roteirista Adrian Hodges, baseado nos livros My Week with Marilyn e The Prince, the Showgirl and Me, escritos por Clark.

Ele acerta em começar com Marilyn na telona do cinema e, a partir daí, abraçar a ótica do narrador desta história. A empatia é criada rapidamente, e isso é fundamental para o espectador continuar interessado no filme.

Além disso, claro, o diretor Simon Curtis acerta ao apostar no trabalho de seus atores. Ele evidencia não apenas Michelle Williams e Kenneth Branagh, mas o "narrador" Eddie Redmayne e todos os demais intérpretes selecionados à dedo para esta produção. E o elenco, aliás, é exemplar.

Julia Ormond interpreta à diva Vivien Leigh, mulher de Laurence Olivier; Emma Watson interpreta à Lucy, que trabalha nos estúdios e atrai o protagonista; Dougray Scott interpreta a Arthur Miller, marido de Marilyn; Dominic Cooper a Milton Greene, fotógrafo e amigo pessoal de Marilyn; Judi Dench, fantástica, interpreta a Sybill Thorndike; e Zoë Wanamaker à Paula Strasberg, que não desgruda de Marilyn. Todos estes tem relevância para a história e aparecem muito bem em cena.

Eis um filme de atores. Com grandes interpretações. Como não poderia deixar de ser. Até porque esta é uma produção que conta sobre os bastidores de um filme. Então os acertos, erros, exageros, o talento e, porque não, o ego dos atores está em evidência. Interessante como Sete Dias com Marilyn mostra astros como Monroe e Laurence Olivier de perto, com todas as suas fraquezas e talento. (continua... para ler, clique abaixo)

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Crítica de Shame

16 de março de 2012 1

Duas pessoas com problemas. Graves, sem uma solução fácil. Mas a dificuldade para a solução está, justamente, na forma desapegada de vivermos atualmente. Shame permanece focado na história de dois indivíduos mas, através deles, o filme reflete sobre a hiper sexualidade de uma geração sem amarras, com pouca capacidade para se comprometer, mas que busca constantemente o prazer. Ainda que interessante e com duas grandes atuações, Shame é um filme um tanto repetitivo e bastante erótico. Bem feito, mas lhe falta um pouco de inventividade.

A HISTÓRIA: Um homem está acordado e olha para o alto enquanto está deitado nu na cama, com o lençol tapando metade de seu corpo. Ele se levanta. Depois, aparece na estação do metrô. Dentro de um vagão, ele observa os passageiros, até fixar o olhar em uma jovem bonita. Corta.

Em outra ocasião, logo após gozar ao lado de uma mulher qualquer, ele sai nu pela casa e ouve uma mensagem na secretária eletrônica. Uma mulher pede para ele atender o telefone. A garota no metrô começa a ficar constrangida com o olhar fixo dele.

O homem, em outra ocasião, recebe uma garota de programa em casa. Segue a sequência anterior, da gravação, e descobrimos que o nome deste homem é Brandon (Michael Fassbender). Vamos acompanhá-lo no trabalho e em suas variadas cenas de conquista e sexo.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Shame): Logo de cara, nós sabemos que aquele homem tem algum problema. E a música que o acompanha, de permanente "suspense" apenas aumenta a expectativa para que algo de muito errado aconteça. O bom é que esta expectativa não termina em um lugar-comum fácil, como de que ele é um psicopata, assassino de prostitutas, ou um maluco deste gênero.

Pelo contrário. O personagem de Brandon Sullivan assusta pelo tanto que ele é um "sujeito comum". Não sei vocês, mas eu fiquei o tempo todo pensando sobre a quantidade de homens solteiros que fazem o mesmo que ele. Que estão pensando o tempo todo em sexo e cuidando de sentir prazer o máximo de tempo possível. Não é ruim, é claro, sentir prazer. Mas buscá-lo daquela forma, simplesmente, sem nenhum apego ou risco de compromisso, é sinal de doença. E grave.

Impressionante como o protagonista de Shame não tem apego por nada. Ele vai para o trabalho, mas não gosta do que faz. Ou não se interessa o suficiente pela profissão - do contrário, não chegaria constantemente atrasado.

Não tem relacionamentos verdadeiros. Sai com o chefe, David Fisher (James Badge Dale), que vê em Brandon a isca perfeita para despertar o interesse de mulheres interessantes. Pega mulheres à torto e direito, mas não se encontra com elas mais do que uma noite. (continua... para ler, clique abaixo)

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Crítica de Drive

02 de março de 2012 1

Um filme com estilo. No conteúdo e na forma. Drive resgata um jeito de fazer cinema um tanto esquecido e presenteia o espectador com uma história bem contada e envolvente. Quem diria que um sujeito bom de braço no volante poderia ser tão versátil. E render tantas cenas instigantes muito além da ação. Drive lembra um pouco o estilo da boa fase de Quentin Tarantino. Mas não é uma cópia do estilo do diretor ou mesmo uma releitura. Ele tem criatividade e estilo próprio, com foco menor nos diálogos e uma atenção maior em outros quesitos.

A HISTÓRIA: Um homem (Ryan Gosling) comenta, por telefone e olhando por uma janela de hotel, que há milhares de ruas em Los Angeles. E que basta o interlocutor dizer hora e local, que ele dará cinco minutos para ele. Depois deste tempo, ele vai embora, não importa o que aconteça. Em seguida, ele diz que a pessoa não poderá falar mais com ele naquele celular. O homem então pega uma bolsa e sai do quarto. Dirige pelas ruas iluminadas, até chegar em uma oficina e pegar um Chevy Empala, um carro mais básico e comum para ele dirigir.

O dono da oficina, Shannon (Bryan Cranston) explica que este é o carro mais usado na Califórnia. O protagonista então dirige, escutando a transmissão do jogo entre Celtics e Clippers. Chega no lugar combinado, vê dois homens atravessando a rua e tira o relógio do pulso para colocá-lo no volante. Ele dá cinco minutos para eles fazerem o roubo e depois segue para a fuga. A partir daí, mergulhamos na vida deste motorista.

VOLTANDO À CRÍTICA (SPOILER - aviso aos navegantes que boa parte do texto à seguir conta momentos importantes do filme, por isso só recomendo que continue a ler quem já assistiu a Drive): Uma pessoa nunca é uma coisa só. Um médico não é apenas um sujeito que tenta curar pessoas. Ele também pode ser um pai, sem dúvidas é um filho - ou já foi um -, um apreciador de bons vinhos, um especialista em mitologia grega, um ótimo pescador e tantas outras coisas... Da mesma forma, o protagonista de Drive não é apenas um ótimo motorista. Mas a habilidade dele para guiar com maestria um carro e seu conhecimento das ruas de Los Angeles fazem ele utilizar este diferencial para muitas funções.

No começo de Drive, ele parece ser apenas um motorista voraz e especialista em fugas espetaculares. E aí surge a primeira boa sacada da direção de Nicolas Winding Refn: mostrar como o ingrediente principal do protagonista não é a destreza, dirigir o carro de uma maneira enfurecida, mas a inteligência. Ele conhece como ninguém as ruas e quebradas de Los Angeles. Sabe como a polícia funciona. E, pouco a pouco, o roteiro de Hossein Amini vai nos mostrando que ele conhece também, com precisão, o funcionamento da bandidagem.

Um grande acerto do filme, para começar, é esta resistência em cair no lugar-comum de um filme de ação. Ainda que a destreza no volante seja fundamental para o protagonista, este não é o único elemento que o diferencia dos demais. A inteligência e o comportamento reto, centrado em proteger a Irene (Carey Mulligan) e seu filho, Benicio (Kaden Leos), e a manter-se vivo, contam muito mais.

Então Drive acaba tendo elementos de filmes de ação, mas ele também abraça o drama e o suspense. Faz lembrar dos filmes noir, não apenas pelo estilo, mas pela lógica da produção, na qual o protagonista parece fadado a se dar mal - e tem que lutar para manter-se o mais limpo possível em um ambiente de contravenções e de um tipo de "submundo".

Como em tantas outras produções, acompanhamos o protagonista em um momento de ruptura. Ele está deixando a vida de motorista de ladrões para abraçar apenas as suas outras duas profissões: dublê de astros em filmes de ação e mecânico. Neste momento, como manda a regra da roda-viva do cotidiano, ele também encontra outro motivo para mudar de foco: conhece a Irene e seu filho. Fica encantado por ela, e parece que o interesse é recíproco. Mas como nunca as coisas são fáceis, ele só se complica com esta ilusão de viver um grande amor. (continua... para ler, clique abaixo)

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Uggie esteve no Oscar

27 de fevereiro de 2012 0

Ele foi o comentário da semana passada. Dias antes da cerimônia do 84º Oscar começar, todos queriam saber se, no caso de uma vitória de O Artista, o cãozinho Uggie subiria ao palco.

Chegaram a pensar em Uggie como parceiro de cena do apresentador Billy Crystal. Mas dias antes do Oscar, os produtores da cerimônia de premiação divulgaram, através de nota, que ele não participaria da noite.

Mesmo sem autorização oficial para aparecer, Uggie foi fotografado sobre o palco junto do ator Jean Dujardin, premiado como o melhor do ano pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

Depois, Uggie, cãozinho nascido em 2002 que encantou espectadores do mundo inteiro por sua atuação no melhor filme do ano, apareceu nos bastidores do Oscar. Ele inclusive fez poses, como esta aí de cima.

Da raça Jack Russell Terrier, Uggie ficou famoso não apenas por O Artista, mas também por seu trabalho no menos conhecido Mr. Fix It, de 2006, e em Água para Elefantes, de 2011.

A "carreira" do astro canino começou com aparições em comerciais e, no cinema, em 2005, quando ele apareceu em Roqueiros. Mas nenhum desempenho dele foi tão elogiado quanto aquele de O Artista.

Premiados no Oscar 2012 - resultado final

27 de fevereiro de 2012 0

As previsões sobre o Oscar deste ano acertaram em quase todos os alvos. Poucas surpresas foram registradas na noite de gala do cinema de Hollywood. E mesmo elas nãos foram desagradáveis.

Como poucas vezes antes na história da premiação, não podemos apontar para escolhas injustas. Pelo contrário. O Oscar, como a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood tem cuidado de fazer, nos últimos anos, reinventou-se mais uma vez.

A premiação foi, claramente, uma homenagem à arte de fazer filmes. A Academia olhou para o passado. Fez homenagens a ele. Mas olhou para o presente e o futuro.

Prova disso é que premiou, com quantidade igual de estatuetas, O Artista e A Invenção de Hugo Cabret. Os dois receberam cinco estatuetas, cada. Mas como havia sido cantado nas bolsas de apostas e nas premiações mundo afora, O Artista levou a melhor abocanhando os prêmios principais da noite.

O filme dirigido por Martin Scorsese e a produção conduzida por Michel Hazanavicius merecem aplausos. E os receberam. Mas apesar do virtuosismo e da invenção de ser o melhor filme 3D já feito - nas palavras de James Cameron - Hugo não era a melhor produção em disputa.

O Artista retoma a essência da Sétima Arte, rende homenagem a vários ícones do cinema mas, mais que isso, plasma aquilo que Hollywood vem fazendo nos últimos anos: a vontade de reinventar-se. A ousadia de largar para trás aquela que se considerava a fórmula certa de fazer as coisas para abraçar a nova realidade. Porque o tempo não para. Ele é imutável. E é preciso aprender com ele. O Artista trata disso.

Fora os dois filmes, que dividiram 10 dos principais prêmios deste ano, o destaque da noite foi o terceiro Oscar recebido pela atriz Meryl Streep - 17 vezes indicadas na premiação. Também foi bacana ver dois estrangeiros ganhando em categorias principais - o diretor Michel Hazanavicius e o ator Jean Dujardin.

Merece menção ainda o Oscar recebido por Woody Allen, único ausente da premiação - ele ganhou na categoria Melhor Roteiro Original.

O Brasil perdeu a disputa na melhor chance que já teve no Oscar. Desta vez, tínhamos 50% de chance de ganhar na categoria de Melhor Canção Original - afinal, só havia um outro concorrente. E ainda assim, perdemos. Paciência. Um dia teremos cacife para embolsar uma estatueta.


Veja, a seguir, a lista completa dos vencedores da 84ª festa do cinema de Hollywood:

Melhor Filme: O Artista.

Melhor Diretor: Michel Hazanavicius, de O Artista.

Melhor Atriz: Meryl Streep, de A Dama de Ferro.

Melhor Ator: Jean Dujardin, de O Artista.

Melhor Atriz Coadjuvante: Octavia Spencer, de Histórias Cruzadas.

Melhor Ator Coadjuvante: Christopher Plummer, de Toda Forma de Amor.

Melhor Roteiro Original: Meia-Noite em Paris.

Melhor Roteiro Adaptado: Os Descendentes.

Melhor Filme em Língua Estrangeira: A Separação.

Melhor Animação: Rango.

Melhor Documentário: Undefeated.

Melhor Direção de Fotografia: A Invenção de Hugo Cabret.

Melhor Direção de Arte: A Invenção de Hugo Cabret.

Melhor Figurino: O Artista.

Melhor Maquiagem: A Dama de Ferro.

Melhor Edição: Millennium - Os Homens Que Não Amavam as Mulheres.

Melhor Edição de Som: A Invenção de Hugo Cabret.

Melhor Mixagem de Som: A Invenção de Hugo Cabret.

Melhores Efeitos Visuais: A Invenção de Hugo Cabret.

Melhor Trilha Sonora: O Artista.

Melhor Canção Original: Man or Muppet, de Os Muppets.

Melhor Curta-metragem: The Shore.

Melhor Curta-metragem Documentário: Saving Face.

Melhor Curta-metragem de Animação: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore.


E se você quiser saber como foi o tapete vermelho, antes da cerimônia do Oscar começar, e todas as entregas de prêmios, leia o post abaixo. Ele foi publicado enquanto os eventos iam ocorrendo.