Hoje tem catarinense subindo ao palco do Palácio dos Festivais no 39º Festival de Cinema de Gramado. A estreante na direção Cíntia Domit Bittar é uma das 16 concorrentes da Mostra de Curtas-metragens Nacional com o filme Qual Queijo Você Quer?
O nervosismo para hoje não é tão grande pois o curta já foi apresentado no Festival de Paulínia deste ano, do qual não levou nenhum prêmio, mas recebeu elogios de críticos como Luiz Zanin, do jornal O Estado de S. Paulo, e Rodrigo Fonseca, de O Globo.
_ Fico muito feliz com a repercussão, quer dizer que estou no caminho certo. Estar em festivais é um atestado de qualidade, um selo. Dá vontade de fazer mais filmes. O mais gratificante é a reação do público, os comentários sobre o curta, a reação da imprensa _ diz Cíntia, de 25 anos, que ainda levará o filme para o 22º Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo (o Kinoforum), no final do mês.
Formada em cinema pela Unisul e trabalhando no mercado basicamente como montadora de filmes, Cíntia escreveu o roteiro de Qual Queijo... sem grandes pretensões. Pensou no filme para caber no orçamento do prêmio Funcine de 2009. O curta foi rejeitado. No ano seguinte, mudou apenas a cena de abertura no roteiro e inscreveu-se novamente no prêmio e acabou ganhando.
A intenção era uma história simples, de baixo orçamento, com apenas uma locação, poucos atores e fácil de produzir. Escreveu o roteiro em um dia. Em 2010, Cíntia e outros cinco profissionais já haviam criado a produtora Novelo Filmes, e enviaram quatro roteiros para concorrer no Funcine do ano passado.
_ Mandei novamente o roteiro de Qual Queijo... só por desencargo de consciência, não estava preparada para receber a notícia de que era esse que tinha ganhado.
Rodado com três câmeras em formato digital e realizado com os R$ 30 mil dados pelo prêmio, o curta é uma mistura de uma notícia que Cíntia havia lido na internet de um senhor de 90 anos que matou a mulher esganada, com histórias de seus próprios avós.
_ É um filme sobre relacionamentos, uma história tragicômica, com raiz no melodrama, com uma trilha de bolero que dá um tom melodramático _ completa Cíntia.
O curta narra o ápice de uma briga de um casal de idosos, que viveram juntos durante décadas, até o momento em que Afonso (Henrique César), marido de Margarete (Amélia Bittencourt), pede a ela que compre um queijo da venda.
Gravado em apenas um dia, em um apartamento no Centro de Florianópolis, a composição do cenário foi inspirada no aparamento da avó de Cíntia. Os objetivos chegaram das mais variadas formas: utensílios das casas de avós dos integrantes da equipe, móveis usados, brechós, objetos criados pelos estudantes do Ceart da Udesc, quadros da avó de Cíntia pintados na década de 1930.
Montadora, diretora, roteirista e produtora-executiva do curta, a diretora envolveu-se nas várias etapas da produção de um filme.
_ O curta é pequeno em termos de produção, então eu pude exercer todas essas funções. Gosto de construir o filme no set de filmagens, o set nada mais é do que o momento de você fabricar as melhores imagens possíveis. Não me apego muito ao roteiro já pronto, tem que ter uma sensibilidade de montar cada etapa.
Durante os dias na serra, a diretora não se cansou de distribuir flyers, bottons e ímãs de geladeira, feitos com a marca do curta para levar um grande público à sala de cinema hoje.
_ Um filme tem que se tornar popular, para que o nome dele circule para o maior número de pessoas possível. O curta não tem o mercado em potencial como o longa-metragem, ele vende a produtora, o profissional.
A diretora inscreveu Qual Queijo... em oito festivais. Das quatro seleções que já foram divulgadas, ele só não entrou no Festival de Brasília. Em Gramado, ela não esconde a vontade de sair da serra com um Kikito nas mãos:
_ Acho que temos chances, está no páreo, sempre enxerguei ele como um filme bom antes de Paulínia, e depois das reações no festival, foi atestado que o filme funciona _ comenta ela.










