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Posts do dia 24 maio 2011

De broxar e fingir

24 de maio de 2011 12

Não importa o quão gostosa seja a garota. Não importa o quanto de licor de amendoim misturado com ovo de codorna você tenha ingerido. Não interessa se faz um dia ou um ano que você não faz sexo. Esqueça até mesmo a sua idade. Também não jogue tudo nas costas das preliminares. Porque se você for broxar, você vai broxar.

Aí eu pergunto: e daí?

Broxar é um ótimo termômetro pruma relação, isso sim. Como em toda situação-limite, ela coloca as pessoas naquele estado de ID puro, sem pudores, sem amarras, sem polimento, sem dúvidas. É só você, sua garota e um p** mole.

E não há garantias, te garanto. Sabemos de histórias de cândida cumplicidade entre casais recém-saídos da balada direto pro motel e casos de divórcio entre gente morando junto há décadas. Tem quem leve no bom humor, tem que faça bico, tem quem ligue a TV pra olhar o noticiário e tem quem peça o dinheiro de volta.

Motivos não faltam prum sujeito broxar e todos são válidos. Aliás, ter uma ereção não é bolinho, não. Imagina que seu corpo precisa desviar uma boa porção de sangue – que está obviamente sendo usada em outra parte dele – para preencher um complexo de tecido cavernoso até ele quase estalar de duro. Não é num estalar de dedos, não. Por isso, qualquer perturbação na ordem natural das coisas pode e vai atrapalhar esse processo.

E pode atrapalhar antes ou mesmo durante. Se for antes, não tem muito o que fazer. Se for durante, dependendo do nível de envolvimento entre as partes, dá pra fingir e ir até determinada parte. Oh, sim, mulheres, nós também fingimos. Também somos capazes de encerrar um assunto no qual não estamos plenamente interessados sem que vocês percebam.

Mas isso é assunto pra outra conversa.

A inconsequência dos conceitos

24 de maio de 2011 0

“they disembarked in 45
and no one spoke and no one smiled
there were too many spaces in the lines…”*

A II Guerra Mundial (tema de praticamente dois terços dos filmes realmente bons que este seu blogueiro já viu, mas isso fica para outro post) deixou um saldo — inexato, óbvio — de cinqüenta milhões de mortos e cerca de vinte e oito milhões de mutilados.
Uma luta para que fosse varrida da face da terra um estado fascista baseado no lema Deutschland über Alles e na idéia de superioridade racial que gerou Auschwitz, Treblinka, Mengele e experiências que teriam lugar de honra na ainda pouco abordada história da ignorância científica — sempre se fala da superstição religiosa em oposição à verdade cartesiana, esquecendo que mesmo entre cientistas há fundamentalistas.

Fico me perguntando o que toda essa gente diria ao saber que hoje, seis décadas depois, o símbolo máximo do padrão mundial de beleza é um privilegiado conjunto de genes que a imprensa especializada não cansa de chamar de Übermodel?

* Os versos são um trecho de Southamptom Dock, faixa 9 do disco The Final Cut, do Pink Floyd – que todo mundo detesta e eu adoro. A faixa dramatiza o desembarque das tropas aliadas após o fim da Segunda Guerra e o clima reinante de que, depois daquela, seria má idéia a Inglaterra entrar em outro conflito – o que seria desmentido nos anos 80 com as Malvinas (e isso também está na música)

Às vezes passear no shopping significa muito mais que apenas comprar roupas

24 de maio de 2011 21

Foto: Susi Padilha

Existe coisa mais chata que passear no shopping e parar em tudo o que é vitrine? Ver ela sonhar com a calça “linda de morrer”, com a nova coleção de Melissas que ela “tem de comprar”, com a blusinha cujo valor é um absurdo para um simples pano bem costurado… enfim, não há coisa mais chata que passear no shopping e parar em tudo o que é vitrine.

Marisa recém havia comentado com o Bernardo que precisava “dar um pulinho” no shopping para comprar calças novas, e ele imaginou todas as cenas descritas acima. Bufou e deixou clara a frase “que saco” no ar. Ela não deu bola. E marcaram o programa para a noite.

A questão é que a Marisa estava há tempos na academia, uns oito meses. Malhava pesado. Agachamento, leg-press, glúteo. Esteira, pilates, step. O espelho mostrava que as duas horas diárias neste período fizeram efeito. E uma ida ao shopping não era capricho. Mas uma necessidade. Na verdade, era um capricho, mas a necessidade mascarava o capricho. Mas o capricho batia forte na cabeça – principalmente em frente ao espelho.

Quando entrou na loja para comprar uma calça, estava decidida: hoje Bernardo mudaria o pensamento de que passear no shopping e parar em tudo o que é vitrine é a coisa mais chata do mundo. Entrou na loja. Cumprimentou o vendedor. E foi certeira: “uma calça jeans, por favor”. Seu número seria 40, mas pediu um 38. Para provocar. Bernardo riu mais alto do que deveria. O vendedor, atento, apenas sorriu. Buscou o jeans 38 e conduziu Marisa ao provador.

Minutos depois, Marisa chamou Bernardo ao provador, baixinho. Ele acreditava que teria de buscar o vendedor para pedir o número 40. Estava pronto para dizer “eu sabia que teria de ser outro número”. Mas, ao ver a calça 38 em Marisa, percebeu o que poucos homens percebem: há tempos não enxergava a mulher. Mal lembrava a dedicação de Marisa, dia após dia, na academia. Coxas, glúteos, barriga. Tudo bem direitinho. No lugar. Havia negligenciado a mulher um bom tempo – e quem negligencia a mulher abre um espaço enorme para a concorrência. Imaginou o verão. As tardes no clube. Lembrou das mulheres dos amigos (susto!). Projetou a chegada em casa.

Ela percebeu o pensamento longe do marido. Voltou ao provador. Saiu do provador. A calça 38 nos ombros. Disse, simplesmente: “Vamos?”. E sorriu. Existe coisa mais chata que passear no shopping e parar em tudo o que é vitrine? Bernardo sabe que há coisa muito pior.

Quando o ciúme desperta a principal virtude em um homem: ser homem

24 de maio de 2011 16

Foto: SXC.hu

Ouvi uma conversa esses tempos que me deixou um tanto inquieto. Um homem e uma mulher discutiam sobre um abraço que ele teria dado em uma amiga dela. Grande amiga, pelo que entendi – e não estou sendo irônico. Aquela amiga dela que você tem certeza que em hipótese alguma vai deixar espaço para você sequer pensar que pode haver algo mais que um abraço. Ele se defendia de todas as formas e tentava mostrar que a conversa não levava a nada. Ela se mostrava avessa a qualquer tipo de argumento e, com os clássicos braços cruzados de quem não quer saber de conversa, falava todas as frases com o final “… talvez o abraço da fulana fosse melhor”.

A partir dessa conversa fiquei pensando: agora esse cara vai olhar para a amiga dela de uma forma diferente. Sabe por quê? Porque ela despertou a curiosidade dele. Ela fez com que ele ficasse pensando no verdadeiro motivo daquele ciúme bobo. Sim, porque a maioria dos ataques de ciúme são bobos. Ele, na verdade, sabe que “a maioria dos ataques de ciúme são bobos”. Mas agora vai se deixar levar por outra afirmação – igualmente boba – “ela acha que a amiga dá mole para mim. Como eu nunca percebi?”. Coincidência ou não, a amiga passa a ficar mais bonita, mais cheirosa, mais formosa que o normal. E está feita a besteira.

O que quero dizer é que vocês, mulheres, muitas vezes despertam a vontade masculina de olhar para o lado. Antes de me massacrar nos comentários, deixe-me dizer que acredito que o personagem da história pode ter culpa no cartório. Quem sabe ele merece até a cadeira elétrica. Mas você não acha que ela deu mole e entregou o ouro para o bandido? Mulher sempre sabe quando outra mulher está dando mole para o namorado, namorido, marido, ficante. Em todo o caso, #ficaadica: a partir de agora dê aquele “oi” bem básico. Não quer se incomodar? No máximo acene com a mão.