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Posts do dia 25 maio 2011

Sob nova administração

25 de maio de 2011 2

Jingle bell, jingle bel.... Foto: Amarildo Forte / Agência RBS

“Sob Nova Direção” era o nome de um programa meia-boca da Globo na década passada, mas não era disso que eu queria falar, e sim de como esse termo pode também ser aplicado para descrever um estalo despretensioso que tive esses dias — arrumando a cama antes de vir trabalhar e com aquele estado de concentração mental quase zen em que você não está pensando no trabalho, nas contas para pagar, na prestação, na pensão dos filhos, etc. Aquele estado de concentração em que você, por não estar pensando em absolutamente nada, termina por pensar no que você está fazendo naquele momento: arrumando a cama. E aí você se dá conta de que arruma a cama de um determinado jeito há anos não porque considera esse o melhor jeito, simplesmente um dia começou a arrumar assim porque alguma mulher participante de sua vida mandou, sugeriu, botou pressão ou simplesmente pediu para que você fizesse daquele jeito.

Ao longo da vida de um homem, todas as mulheres mais próximas que cruzarem seu caminho (e já falamos sobre como depois de uma determinada idade mesmo aqueles que nunca foram galãs já cruzaram com um certo número delas) vão ter exigências, sugestões e imposições a fazer sobre seus hábitos, modos de vida, estilo, método e periodicidade de limpar e arrumar sua casa e até sobre a mobília. E nós, como criaturas afáveis e muito isentas de frescuras que somos, pelo bem da causa maior, aceitamos algumas ou até a maioria dessas exigências, já que não faz lá muita diferença.

A questão é essa: não faz lá muita diferença mesmo: em termos de prendas domésticas, não temos muitas vezes a metodologia meticulosa que aplicamos a outras coisas como a lavagem e a regulagem do carro ou o conserto da borracha da torneira ou da lâmpada queimada da sala. Na casa não faz diferença — muitas vezes a própria arrumação nem faz diferença, então não tem por que não absorver aquela orientação/pedido/exigência, poupando as desavenças para coisas maiores e de fato importantes. Até porque muitas vezes você faz determinadas coisas de um jeito e não de outro porque aprendeu em casa – as vezes vendo sua própria mãe, e talvez a insistência de muitas garotas em aplicar na rotina de alguém um procedimento em lugar de outro possa ser visto como uma forma de deixar uma “marca” de que as coisa mudaram. Seja porque você agora está com uma mulher nova e ela não quer entulhos procedimentais vindo das antigas namoradas seja porque agora ela é, em tese, a mulher mais importante da sua vida, e não a tua mãe.

Mas aí um dia as relações acabam, e aquelas mulheres que passaram um tempão tentando te doutrinar somem. Ou enchem o seu saco e levam o bilhete azul ou elas mesmo se cansam de ti e põem o pé na estrada.

Mas sempre ficam para trás, encravados na tua rotina, um ou dois hábitos adquiridos ao longo de um certo tempo de convivência: arrumar a cama no inverno com o lençol ao contrário, para puxar a parte que ficou pra fora das cobertas e dobrá-la do lado certo sobre os cobertores. Pôr o papel higiênico com a tira saindo por cima do rolo — ou pra baixo. Adoçar muito o café. Fazer chimarrão com gengibre na água quente. OU com erva doce misturada à erva. OU com a erva pura, que esse negócio de floreios é frescura além da conta. Lavar a louça só com sabão de coco, porque o detergente gasta mais água para sair da louça e é poluente. Ou só tomar café solúvel. Ou só tomar café passado…. Note que não estou aqui me manifestando contra o necessário compartilhamento de tarefas quando um casal mora junto, mas o que me parece é que a mulherada quer que a situação familiar tenha evoluído o bastante para que dividamos as tarefas, mas como são tarefas de casa, o jeito que vale tem de ser o delas. E um dia, sozinho outra vez, você se acostumou tanto com determinados procedimentos automáticos para lidar com algo que já não fazia tanta diferença logo no início que os incorporou sem pensar muito.

E aí a vida segue. Aparece uma outra mulher, nova, fresca e cheirando a promessas de inverno.

E começa todo o processo de novo, com as minas investindo contra manias e procedimentos adquiridas de outros relacionamentos ou mesmo da infância sob a asa da tua mãe – ainda que muitas vezes a gente nem tenha mencionado isso.  Ou seja:  muito de um namoro ou relacionamento se passa a tua mulher tentando, em um processo silencioso,  purgar de ti todas as mudanças realizadas na administração anterior: que nem governante que assume desfazendo todos os projetos dos que o anterior de outro partido realizou.

Será que agora, com uma mulher na presidência fazendo um governo de continuidade em vez de ruptura isso de alguma forma muda?

Provavelmente não, mas eu falei que era um estalo despretensioso.

Saber fugir de um compromisso com a sogra é uma arte

25 de maio de 2011 27

Tem até doce com nome "Olho de Sogra". Por favor... Foto: divulgação

Nem sempre é possível, mas duvido que você não busque uma desculpa para fazer qualquer outro tipo de atividade que não um compromisso com sua sogra. Ok, provavelmente algum “melhor genro do mundo” escreverá nos comentários que não tem problemas com a mãe da mulher, que ela é uma ótima pessoa, sabe entender a relação do casal e até dá conselhos. Mas vamos combinar que grande parte das pessoas – homens e mulheres – não se dá bem com sua sogra.

Freud, talvez, explicaria que tudo se trata de um apego demasiado da senhora, a sogra, ao que veio de seu ventre. A sabedoria popular identifica que ela, a sogra, é a pior coisa do mundo e ponto. Não há mais discussão. O que acredito ser um problema, pois quando certo assunto é tratado como “maioria acha isso” acaba banalizado e passamos a bater, bater, bater sem ao menos entender os motivos de dar o soco ou o pontapé.

O problema é que a sogra quer ser mais do que ela realmente é ou representa. Ela é a sogra. Ela não é mãe, conselheira do casal, babá ou pediatra, curandeira, cozinheira, plantonista, empata f… Mas tem uma coisa que eu simplesmente abomino: a sogra ser a terceira pessoa da relação. Você quer ir ao teatro? Ela quer ir também. Ao cinema? Ela ainda pensa em escolher o filme. Simplesmente passear para tomar um chimarrão? Ela leva a cuia, a bomba, o mate e o maldito chá que você já disse milhares de vezes que odeia.

Talvez, veja bem, eu disse talvez, com o tempo, o ambiente entre genro e sogra melhore. Dizem que faz parte da evolução, quanto mais velhos ficamos, cresce a tolerância. Enquanto o ambiente não melhora, é sempre bom ter uma boa desculpa na ponta da língua. Afinal, saber fugir de um compromisso com a sogra – e não levar esporro da mulher – é uma arte.

Quem mente mais: ele ou ela?

25 de maio de 2011 14

Foto: sxc.hu

Mentiroso.

Quem já ouviu essa palavra em alto e bom som sabe o que significa a acusação e o quanto é doloroso o remorso – acredito que doa até para quem não tem caráter algum.
Há quem diga que existe a mentirinha boba, que não fere nem magoa ninguém. Algo que você diz no calor do momento, sem pensar. Um mero “vou lá e já volto”. Não deu as caras de novo, mentiu. Outras mentiras são mais sérias. E quando descobertas causam estragos consideráveis. Aqui há inúmeros exemplos e eu não vou me entregar, não é mesmo?

Sendo curto e grosso: todo mundo mente. E elas, também elas, principalmente elas, mentem. Com essa simples frase e percebendo o quanto nossos leitores gostam de um debate, está lançada a questão: quem mente mais: ele ou ela?