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Posts do dia 30 maio 2011

O que as mulheres fazem quando estão sozinhas?

30 de maio de 2011 0

A importância de saber pedir desculpas

30 de maio de 2011 3

Pedro sabia tudo sobre as mulheres. Ninguém conhecia tão bem os atalhos da alma feminina. Ele só não sabia pedir desculpas. Alessandra, amiga dos tempos da faculdade, sempre dizia que, para um homem resolver uma briga, bastava pedir desculpas mesmo que não fosse o responsável pelo desentendimento. Pedro detestava a frase e compensava a falta de humildade com gentileza. Na balada, funcionava como um garçom para elas. Era um tal de Pedro, pega um cosmopolitan pra mim?; Pedro, arranja um lugar pra gente sentar? que nem os amigos aturavam. Mesmo tão prestativo, gabava-se de nunca ter pedido desculpas para uma mulher.

Na praia, também era um cavalheiro. Se ela quisesse deitar na areia, ele estendia a canga. Se, um minuto depois, ela inventasse de deitar de bruços na cadeira de praia – naquela posição tão desconfortável quanto sexy –, lá estava ele amarrando a canga no encosto com dois nós (“só pra garantir”). Tinha sempre por perto um borrifador com água do mar para sapecar no corpo dela quando o sol ameaçava fritar a pele. Sede? Não dava tempo. Pedro já tinha tudo acertado com o vendedor de água de coco. A cada meia hora tinha hidratação.

Certa vez, em Jurerê, encomendou queijo coalho para o almoço. A menina que estava com ele comeu e passou mal. Os dois foram parar no Hospital Universitário. Nem assim ele pediu desculpas.

Por isso, ninguém entendeu quando ele conquistou a Fernanda. Ela nunca, em tempo algum, sequer chegou perto de homem arrogante. Nanda era a rainha do canto esquerdo da Praia da Joaquina e não falava com ninguém. Pedro e os amigos surfavam quase todas as manhãs, e ela sempre estava lá, caminhando ou correndo. Sabia que tinham uma amiga em comum, Alessandra, e aí estava a oportunidade de quebrar o gelo. Ao sair do mar, viu Fernanda fazendo alongamento. Os dois estavam sozinhos na praia. Aquela era a hora, pensou.

– Oi. Não vi mais a Ale. Você sabe dela? – perguntou.

– Oi. Estivemos juntas ontem. Ela foi passar o fim de semana em Garopaba. Talvez eu fale com ela à noite. Algum recado? – respondeu.

– Não, tudo ok. É que tenho dois ingressos para o show do Lenine amanhã…

Fernanda apenas riu. Sabia o que ele queria. Ela também o observava todas as manhãs, enquanto ele pegava onda. Chegava a demorar no alongamento algumas vezes, só para ver se o encontrava antes de ir embora da praia. Em outros dias, desligava o iPod, tirava os óculos escuros e o boné, soltava os cabelos loiros ondulados, quase forçava uma aproximação.

– Isso é um convite?

– É – respondeu Pedro.

Ele não acreditou quando, na saída do teatro, cobriu-a com o cardigã para proteger da chuva fina que caía e ela o abraçou. Na hora da despedida, em frente ao prédio dela, fez o check list mental dos sinais que demonstram se ela queria ou não ser beijada naquele momento:

1. Não mexeu na bolsa imediatamente em busca das chaves de casa.

2. Não colocou a mão na porta do carro (indicativo claro de quem quer sair dali imediatamente).

3. Mexeu nos cabelos.

Sinais iniciais identificados, foi só aproximar o rosto 90% que ela completaria os outros 10% que faltavam para o beijo. Deu certo. Ela o convidou para subir e tomar um café. Tudo corria bem até que os dois brigaram. Discussão comezinha. Pedro, leonino orgulhoso, não usou o ensinamento da amiga Alessandra. A briga tinha sido por culpa dela, mas isso era o que menos importava naquele momento. O namoro acabou pela falta da “palavra mágica”.

Há duas semanas, Pedro foi surfar na Joaquina, como sempre fazia todas as manhãs. Nanda, os óculos escuros, o boné e os cabelos loiros ondulados também estavam lá. Ela demorou mais do que o normal na rotina de alongamentos. Ele saiu da água assim que a viu. Antes que ela dissesse qualquer coisa, lembrou do que a amiga Alessandra ensinou. Não perderia a chance de reconquistar a mulher da vida dele por causa de uma palavra. Respirou fundo, jogou a prancha na areia, ajoelhou-se na frente dela e disse:

– Me desculpa?

As expressões que podem – e vão – tirá-las do sério: o valor de um "tá bem"

30 de maio de 2011 48

Foto: SXC.hu

Cá entre nós: elas devem ter um manual secreto com todos os tópicos e passos para discutir a relação. Esses tempos, conversando com vários amigos, percebi que o modelo de DR das mulheres segue um padrão impressionante. Claro, os problemas masculinos devem ser, igualmente, padronizados. Mas como isso aqui é um blog de homem, vou pender para o lado direito do muro.

Passei a ouvir todas as lamentações dos companheiros de cerveja e a seguinte questão me veio à cabeça: se elas têm esse manual secreto, cabe a nós criarmos mecanismos de defesa, ora bolas. Então, nos inclinamos na mesa, passamos a falar como que sussurrando e agora temos uma expressão para – tentar – tirá-las do sério: “tá bem”.

Mas não pode ser um “tá bem” forte, gritado, um “tá bem” de macho. Não. É um “tá bem” desdenhado. Um “tá bem” que você fale e ela perceba que você não está nem aí para o que ela está falando. “Tá bem” tão rápido que parece uma palavra apenas: “tábem”. Você fica quieto – tente, por favor, tente – ela fala por meia hora, grita, esperneia, usa todos os argumentos do universo a favor do argumento dela. Ela para. E daí você lasca, sem perdão: “tá bem”.

Ela te pentelha pelo fato de não ter levado o lixo para fora? “Tá bem”. Ela te enche pelo fato de ainda não ter feito a barba? “Tá bem”. Chegou mais tarde do que devia do “futebolzinho da segunda-feira” e ouviu esporro? “Tá bem”. Não notou os dois dedos que ela tirou do cabelo – quem consegue notar, pô – e ela faz um tsunami num copo d’água? “Tá bem”. Eu sugeriria até mesmo criar a hashtag “#tabem” no Twitter, só para sacanear.

Por último – e aqui começa nosso pacto: provavelmente teremos vários comentários femininos neste post. Falarão mal de mim, de você, de todos os homens. Alguém, talvez, até ache engraçado nossa técnica. Lembre-se, samba-cancioneiro: sem estresse. Você sabe muito bem o que responder, não?